Mostrando postagens com marcador NICK CASSAVETES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NICK CASSAVETES. Mostrar todas as postagens

quarta-feira

UMA PROVA DE AMOR

UMA PROVA DE AMOR (My sister's keeper, 2009, Curmudgeon Films/Gran Via Productions, Mark Johnson Pictures, 109min) Direção: Nick Cassavetes. Roteiro: Nick Cassavetes, Jeremy Leven, romance de Jodi Picoult. Fotografia: Caleb Deschanel. Montagem: Jim Flynn, Alan Heim. Música: Aaron Zigman. Figurino: Shay Cunliffe. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Maggie Martin. Produção executiva: Toby Emmerich, Merideth Finn, Stephen Furst, Mark Kaufman, Diana Pokorny, Mendell Tropper. Produção: Scott L. Goldman, Mark Johnson, Chuck Pacheco. Elenco: Cameron Diaz, Abigail Breslin, Alec Baldwin, Jason Patric, Joan Cusack. Estreia: 26/6/09

Ao contrário de seu pai, um dos mais importantes cineastas realmente independentes do cinema americano dos anos 70, quando o conceito de cinema independente era bem diferente daquele assumido a partir da década de 90, Nick Cassavetes nunca teve medo de abraçar o cinema comercial. Enquanto seu progenitor - John, o marido de Mia Farrow em "O bebê de Rosemary" e de Gena Rowlands na vida real - construiu uma filmografia baseada principalmente na angústia psicológica de personagens bem distantes daqueles herois que lotavam as salas de cinema, Nick assinou obras que dificilmente podem ser consideradas ousadas ou profundas, como "Diário de uma paixão", baseado em romance de Nicholas Sparks e "Alpha dog", inspirado em um caso real de delinquência juvenil. Apesar dessa preferência por projetos menos autorais, porém, uma característica é impossível de ignorar no cineasta mais novo do clã Cassavetes: a sensibilidade e o olhar humano para seus personagens. Isso fica evidente, por exemplo, em "Uma prova de amor", lançado em 2009. Mesmo com base em um livro - escrito por Jodi Picoult - banhado de clichês e sentimentalismos, ele conseguiu fazer um filme que dribla razoavelmente o previsível e é capaz de emocionar sem soar piegas. E mais admirável ainda: consegue fazer de Cameron Diaz uma atriz razoável.

A trama é de uma tristeza ímpar: a família Fitzgerald, formada pelo casal Sara (Cameron Diaz) e Brian (Jason Patric) - ela advogada que passou a dedicar-se ao lar e ele bombeiro - e pelos dois filhos Jesse e Kate, sofre um abalo emocional quando a menina é diagnosticada com um tipo raro de leucemia. Sabendo que o único tratamento que pode ser bem-sucedido para salvar a vida da menina é um transplante - e depois de chegar à triste constatação de que ninguém é compatível com ela - Sara resolve apelar para a última solução possível e ter um novo bebê, com o objetivo puro e simples de utilizar suas células-tronco e outros órgãos para manter Kate viva. Onze anos mais tarde, depois de ter passado por vários procedimentos médicos que ajudaram sua irmã - e às vésperas de um transplante que pode lhe custar a saúde para sempre - a jovem Anna (Abigail Breslin) entra na justiça para solicitar emancipação médica. Ela pede ajuda do advogado Campbell Alexander (Alec Baldwin) no caso e vai enfrentar no tribunal sua própria mãe, que vai tentar obrigá-la a cumprir seu destino. Enquanto isso, Kate (Sofia Vassilieva) relembra com dor a trágica história de amor com outro jovem enfermo, Taylor (Thomas Dekker).


Inicialmente pensado como um projeto para as irmãs Dakota e Elle Fanning, "Uma prova de amor" acabou mudando suas jovens atrizes principais quando Dakota recusou-se a raspar a cabeça. O que poderia ser um problema para os produtores, porém, transformou-se em uma bênção: com Sofia Vassilieva e Abigail Breslin (indicada ao Oscar de coadjuvante por "Pequena Miss Sunshine") nos papéis das irmãs Fitzgerald, o filme de Cassavetes não perde nada em força dramática e ainda acaba se aproximando mais da plateia do que as extremamente lindas Fanning. Abigail Bresling, com seu jeitinho desprotegido e tímido, rouba a cena sem fazer muito esforço, e Sofia Vassilieva demonstra uma coragem intensa ao entregar-se com tanta alma a uma personagem equilibrada entre o estoicismo, o desespero, a resiliência e o amor - é especialmente comovente a cena em que ela encontra-se com Taylor para um baile no hospital e encontra os olhos emocionados do pai (um Jason Patric contido e eficiente). Inteligente em contar a história sob diferentes pontos de vista, dando a cada personagem a chance de acrescentar novos ângulos à uma trama de extrema melancolia, o roteiro ainda consegue o feito de apresentar uma reviravolta em seu terço final que muda a perspectiva de qualquer um na plateia - e pode levar mais facilmente ainda às lágrimas.

Alterando o final do livro - o que causou a fúria dos fãs mais radicais - e concentrando sua atenção na complexa dinâmica familiar dos Fitzgerald a partir da recusa de Anna em ser a doadora que pode salvar a vida da irmã, "Uma prova de amor" é uma adaptação que, independentemente de sua origem, é uma obra hábil em manipular a emoção do público e levantar um questionamento válido em tempos de avanços médicos. Porém, mais do que isso, é um drama poderoso, dirigido com seriedade e interpretado com sinceridade e paixão. Para os fãs do gênero, um programa imperdível.


segunda-feira

LOUCOS DE AMOR

LOUCOS DE AMOR (She's so lovely, 1997, Miramax/Clyde is Hungry Productions, 100min) Direção: Nick Cassavetes. Roteiro: John Cassavetes. Fotografia: Thierry Arbogast. Montagem: Petra Von Oelffen. Música: Joseph Vitarelli. Figurino: Beatrix Aruna-Pasztor. Direção de arte/cenários: David Wasco/Sandy Reynolds-Wasco. Produção executiva: Bernard Bouix, Gérard Depardieu, Sean Penn, John Travolta. Produção: René Cleitman. Elenco: Sean Penn, Robin Wright Penn, John Travolta, Harry Dean Stanton, James Gandolfini, Debi Mazar, Gena Rowlands, Burt Young, Talia Shire. Estreia: 15/5/97 (Festival de Cannes)

Vencedor da Palma de Ouro (Melhor Ator) no Festival de Cannes 1997: Sean Penn

Diretor de filmes extremamente densos, que examinavam a fundo as relações interpessoais sem firulas estéticas e que invariavelmente deixavam no espectador uma sensação amarga, John Cassavetes foi pioneiro também em fugir dos ditames dos grandes estúdios, buscando formas independentes de lançar suas obras. Eternamente lembrado como o marido satanista de Mia Farrow em "O bebê de Rosemary", Cassavetes foi casado com a atriz Gena Rowlands - presença constante em sua filmografia - e morreu prematuramente, aos 59 anos, em fevereiro de 1989, antes de sequer começar a dirigir um novo projeto, a ser estrelado por Sean Penn. Felizmente o roteiro já estava pronto, e, quase dez anos depois da morte de John, "Loucos de amor" finalmente chegou as telas em grande estilo, estreando no Festival de Cannes - de onde saiu com o prêmio de melhor ator. Na direção, mostrando que seu talento passou para a geração seguinte, seu filho Nick, que emulou o espírito realista e seco do pai ao realizar uma obra que, a despeito de ter sido lançada no final da década de 90, tem a cara e a alma de um drama setentista.

Melancólico e pessimista, "Loucos de amor" já começa mostrando a que veio, apresentando ao público uma protagonista feminina complexa, irresponsável e paradoxalmente encantadora: Maureen (Robin Wright Penn) mora em um prédio decadente de um bairro pobre de Nova York, está grávida de poucos meses do marido que sumiu há três dias e não hesita em beber e fumar pelas ruas da cidade, enquanto flerta - mais por carência do que por tesão - com um vizinho aparentemente gentil, Kiefer (James Gandolfini), que aproveita a primeira oportunidade para espancá-la e estuprá-la. Quando seu marido, Eddie (Sean Penn) finalmente volta para casa, como se nada tivesse acontecido, ela resolve esconder dele a violência sofrida, por medo de uma represália. Quando o fato vem à tona, porém, o já agressivo Eddie não resiste e parte para a agressão, obrigando sua esposa a chamar um hospital psiquiátrico para impedí-lo de cometer um crime. A medida não basta e Eddie acaba sendo condenado a passar dez anos em uma instituição, depois de atirar em um médico. Uma década mais tarde, Eddie finalmente volta à liberdade - sem a noção do tempo que passou preso - e descobre que Maureen mudou seu estilo de vida. Casada novamente e mãe de três meninas, ela agora é uma equilibrada dona-de-casa que vive em paz com o novo marido, Joey (John Travolta). O retorno de Eddie a seu universo, porém, irá fazê-la questionar sua felicidade.


Dividindo seu filme em duas partes claras e esteticamente diferentes - o antes e o depois na vida de Eddie e Maurenn - Nick Cassavetes praticamente dirigiu dois filmes em um: o decadente, triste e boêmio mundo do casal na primeira metade é, paradoxalmente, mais romântico e passional, um mundo ao qual ambos pertencem e no qual se sentem à vontade, apesar das dificuldades financeiras. A segunda metade do filme é solar, clara, brilhante, sufocante aos olhos tanto de um Eddie recém-liberto de um pesadelo de dez anos quanto de uma Maureen que escondeu seu lado selvagem e transgressor atrás de uma fachada bem construída de mulher do lar. Não é por acaso que o tom da narrativa também muda quando acontece a transição: o que era trágico e escuro dá lugar a uma quase comédia, com direito a um Sean Penn exageradamente louro e uma menina de nove anos que entra na discussão familiar bebendo cerveja como gente grande. Esse contraste - que pode parecer gratuito - é a cara de "Loucos de amor", um filme que sacode as expectativas da plateia em suas pré-concepções de amor, felicidade e lealdade.

Porém, se foi Sean Penn quem levou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, não é ele quem melhor traduz as dicotomias psicológicas do filme, apesar de estar fabuloso como sempre. Quem rouba a cena, traduzindo em imagens e em uma interpretação impecável todas as nuances do roteiro é a excelente Robin Wright Penn, casada com Sean à época. Seu trabalho de composição é absolutamente perfeito, desde o visual - de cabelos curtos e mal pintados na primeira parte a uma delicadeza de traços e gestos na segunda - até na maneira discreta e sutil que ela mostra a angústia de sua Maureen através do olhar e da entonação de voz. O que parece ser dois personagens distintos transforma-se rapidamente em uma única personalidade toda vez que ela está em cena, lembrando à audiência que todo o turbilhão de sentimentos mostrados no filme está se passando dentro da mesma - e apaixonada mulher. Robin realmente é, como diz o título original, adorável. Uma atriz extraordinária no melhor papel de sua carreira.

terça-feira

ALPHA DOG

ALPHA DOG (Alpha dog, 2006, Sidney Kimmel Entertainment, 122min) Direção e roteiro: Nick Cassavetes. Fotografia: Robert Fraisse. Montagem: Alan Heim. Música: Aaron Zigman. Figurino: Sarah Jane Slotnick. Direção de arte/cenários: Dominic Watkins/Faince MacCarthy. Produção executiva: Robert Geringer, Marina Grasic, Andreas Grosch, Avram Butch Kaplan, Jan Korbelin, Steve Markoff. Produção: Sidney Kimmel, Chuck Pacheco. Elenco: Bruce Willis, Sharon Stone, Emile Hirsch, Justin Timberlake, Ben Foster, Shawn Hatosy, Anton Yelchin, Dominique Swain, Amanda Seyfried, Harry Dean Stanton, Lukas Haas. Estreia: 27/01/06 (Festival de Sundance)

Em 1994, Larry Clark tornou-se um nome quente dentro de Hollywood graças ao controverso "Kids", que narrava o estilo de vida de um grupo de adolescentes que passava os dias às voltas com drogas pesadas e sexo promíscuo. O filme - que lançou as carreiras de Rosario Dawson e Chloe Sevigny - chocou o público e despertou acaloradas discussões, mas falhava flagrantemente em ser bom cinema, talvez pela vocação de seu diretor, mais propenso ao escândalo do que a uma boa história. Reprovado no teste do tempo, "Kids" é, hoje em dia, no máximo o retrato cru de uma geração perdida. Em oposição a essa sua fragilidade narrativa, outro filme com temática semelhante - e lançado mais de uma década depois - consegue ser muito mais eficaz e impactante: "Alpha dog", escrito e dirigido por Nick Cassavetes, é contundente e tocante na mesma medida, proporcionando ao público tanto um filme policial angustiante quanto um drama familiar potente e dramaticamente sólido.

Baseado em um fato real - do qual Cassavetes foi obrigado a fazer pequenas alterações por motivos judiciais - "Alpha dog" é uma denúncia de grande impacto, sem nunca transformar-se, porém, em uma obra panfletária e vazia. Excepcional diretor de atores (herança de seu pai, o ator e diretor John Cassavetes), Nick arranca de seu elenco - tanto o veterano quanto o jovem - interpretações de grande intensidade, devido em parte ao roteiro realista e repleto de cenas que dão espaço a belos trabalhos de construção de personagens. Ben Foster, por exemplo, brilha como Jake Mazursky, jovem viciado em drogas explosivo e violento que acaba sendo o catalisador da tragédia ao dever dinheiro - e um tanto de respeito - ao traficante Johnny Truelove (Emile Hirsch, sensacional), filho de uma família de classe média desacostumado a ter seus caprichos negados. Furioso com a dívida e com as agressões de Mazursky, Truelove resolve, em um impulso inconsequente, sequestrar seu irmão caçula, Zach (Anton Yelchin, na medida exata de ingenuidade e docilidade), de apenas 15 anos. Enquanto a família do rapaz entra em desespero com seu desaparecimento, o traficante confia a seu melhor amigo, Frankie (Justin Timberlake), a posse do menino. Zach, um garotão virgem e em conflito com a mãe superprotetora (Sharon Stone), vê em Frankie e seu grupo - cercado de belas garotas e uma liberdade com que apenas sonha em sua casa - uma nova forma de vida e nem de longe percebe que, quanto mais o tempo passa, menores ficam suas chances de ser libertado.


Abrindo seu filme com vídeos caseiros de seus atores jovens ao som de "Over the rainbow" - e encerrando com a bela "Wild is the wind", na voz de David Bowie - Nick Cassavetes tem a sensibilidade ideal para contar uma história sufocante, que constrói sua tensão passo a passo, que permite à audiência entender os atos de seus protagonistas por mais equivocados que eles estejam. É certo que a simpatia da plateia fica com Zach, o inocente útil pego no meio de um furacão, mas o carisma de Justin Timberlake e Emile Hirsch consegue amenizar a falta de caráter de seus personagens - em especial de Frankie, criado por Timberlake com um misto de insegurança e compaixão que quase lhe transforma em mais uma vítima da violência que ele mesmo causa - voluntariamente ou não. E é fascinante a maneira como Cassavetes extrai de Sharon Stone seu melhor desempenho desde sua indicação ao Oscar por "Cassino", realizado onze anos antes: a entrevista de sua personagem no desfecho do filme é, provavelmente, uma das cenas mais emocionalmente brutais do cinema americano independente dos últimos anos.

"Alpha dog" é violento, é triste, é chocante. Conquista o público com personagens amorais e pouco simpáticos justamente por sua neutralidade ao falar de um estilo de vida irresponsável e cínico, capaz de destruir vidas sem grandes remorsos. E é o melhor trabalho de um cineasta que gosta de atores e de personagens de carne-e-osso, coisa rara na robotizada Hollywood das grandes bilheterias.

quarta-feira

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO


DIÁRIO DE UMA PAIXÃO (The notebook, 2004, New Line Cinema, 123min) Direção: Nick Cassavetes. Roteiro: Jeremy Leven, adaptação de Jan Sardi, romance de Nicholas Sparks. Fotografia: Robert Fraisse. Montagem: Alan Heim. Música: Aaron Zigman. Figurino: Karyn Wagner. Direção de arte/cenários: Sarah Knowles/Chuck Potter. Produção executiva: Toby Emmerich, Avram Butch Kaplan. Produção: Lynn Harris, Mark Johnson. Elenco: James Garner, Gena Rowlands, Ryan Gosling, Rachel McAdams, Joan Allen, James Marsden, Sam Shepard. Estreia: 20/5/04 (Festival de Seattle)

 Romances adolescentes sofrem sempre do mesmo problema: atores limitados recitam diálogos requentados com uma trilha modernosa e um final fatalmente previsível. Talvez por isso, pelo desprezo pelos clichês contemporâneos do gênero, o filme “Diário de uma paixão” tenha ido tão bem nas bilheterias americanas, tendo rendido mais de 80 milhões de dólares mesmo sem um astro ou uma estrela liderando seu elenco. Dirigido por Nick Cassavetes – outra escolha atípica para comandar um filme de narrativa convencional e sem maior densidade psicológica – a adaptação do romance de Nicholas Sparks é um dos filmes românticos mais felizes de seu tempo, dosando com medidas exatas um drama romântico de época, personagens joviais e cheios de esperança e uma história de amor entre um casal maduro.
      
Os veteranos James Garner e Gena Rowlands vivem dois pacientes de uma clínica psiquiátrica que tem uma relação problemática. Ela sofre de Alzheimer e ele, apaixonado por ela, lhe conta diariamente uma história de amor escrita em um livro que carrega sempre consigo.A história de amor que ele conta é a dos jovens Noah (o excepcional Ryan Gosling) e Allie (a igualmente ótima Rachel MacAdams). Pertencentes a universos totalmente diferentes, eles se apaixonam perdidamente, mas como sempre acontece, são separados pelas circunstâncias e pela pedante mãe da garota (vivida com gosto pela sempre excelente Joan Allen). Quando um partido bem mais adequado – na pele de James Mardsen - aparece na vida de Allie, o romance fica ameaçado de vez, mas o amor que eles ainda sentem um pelo outro ainda parece ser capaz de reuní-los.

 

Desde que começou a circular em Hollywood, o projeto de "Diário de uma paixão" - primeiro romance de Sparks, que depois se tornaria uma espécie de John Grisham romântico, tendo todos os seus livros adaptados para o cinema, normalmente em filmes medíocres - chamou a atenção de gente importante. Steven Spielberg e Tom Cruise estiveram interessados no filme (o que Cruise faria, uma vez que não tem a idade apropriada para nenhum dos protagonistas, é uma incógnita). Até mesmo Justin Timberlake e Reese Witherspoon foram cotados para os papéis principais, até que Rachel McAdams (que bateu Britney Spears pelo papel de Allie) e Ryan Gosling foram escolhidos pelo diretor Nick Cassavetes (que ainda deu à sua mãe o outro papel feminino importante da história): em cena, Gosling e McAdams tem uma química inflamável, que engole tudo à sua volta. Não foi à toa que eles se apaixonaram durante as filmagens, o que dá ao filme um grau de realismo ainda muito bem-vindo.    

Fotografado com delicadeza pelo experiente Robert Fraisse, "Diário de uma paixão" não traz nenhuma novidade aos fãs de histórias de amor. No entanto, o talento de seu diretor e sua coragem em assumir-se como um dramalhão romântico com todos os ingredientes de um novelão das antigas - assim como era também "Uma carta de amor", do mesmo Nicholas Sparks, adaptado com Kevin Costner e Robin Wright-Penn nos papéis centrais - o absolve de todos os pecados que poderia ter. O final lacrimoso não chega a surpreender, mas emociona na medida certa graças ao talento de seus experientes intérpretes. É a melhor adaptação de Nicholas Sparks a chegar às telas.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...