O ANO MAIS VIOLENTO (A most violent year, 2014, A24, 125min) Direção e roteiro: J.C. Chandor. Fotografia: Bradford Young. Montagem: Ron Patane. Música: Alex Ebert. Figurino: Kasia Walicka-Maimone. Direção de arte/cenários: John Goldsmith/Melanie J. Baker. Produção executiva: Glen Basner, Joshua Blum, Jonathan King, Jeff Skoll. Produção: J.C. Chandor, Neal Dodson, Anna Gerb. Elenco: Oscar Isaac, Jessica Chastain, Albert Brooks, David Oyelowo, Alessandro Nivola, Elyes Gabel, Catalina Sandino Moreno. Estreia: 06/11/14
"Margin call: o dia antes do fim", filme de estreia do cineasta J.C. Chandor, lançado em 2011, arrancou elogios entusiasmados da crítica e chegou a ser indicado ao Oscar de roteiro original - além de contar com um elenco de bambas que incluía Jeremy Irons, Kevin Spacey, Stanley Tucci e Demi Moore. Não fez lá muito sucesso de bilheteria, principalmente por causa do tema (a crise financeira que abalou o mercado em 2000), mas lhe deu prestígio o bastante para que seu filme seguinte, "Até o fim", estrelado por Robert Redford, tivesse visibilidade razoável. Mais uma vez a crítica gostou, e mais uma vez o público não deu muita importância. Acostumado com essa receptividade dúbia a seus trabalhos, não foi nenhuma surpresa para ele que seu terceiro longa-metragem, "O ano mais violento", tenha seguido caminho semelhante. Mesmo com uma vitória tripla pelo conceituado National Board of Review - melhor filme, ator (Oscar Isaac) e atriz coadjuvante (Jessica Chastain) -, a produção passou praticamente em brancas nuvens pelos cinemas. Talvez culpa do estilo minimalista do cineasta, talvez pelo tema pouco atraente ao público médio, o drama policial de Chandor é mais um filme para entrar na vasta lista de produções subestimadas que um dia felizmente serão vistas como tal.
Apesar do título sugerir um filme de ação (ou no mínimo com tensão o suficiente para justificá-lo), "O ano mais violento" é uma produção que investe muito mais no clima, na ambientação e no desenho dos personagens. O ano mais violento a que se refere é o de 1981, considerado historicamente como um dos períodos mais difíceis da cidade de Nova York, com um aumento considerável da criminalidade - mas também pode retratar a complicada fase do protagonista, o dono de uma companhia de petróleo que se vê envolvido em uma série de situações adversas que ameaçam seu negócio e sua família. A violência retratada por Chandor é mais psicológica do que física, mais sugerida que explícita - e mais inesperada porque imprevisível. Abel Morales, o personagem central, interpretado por Oscar Isaac, é um imigrante que construiu sua companhia à custa de muito trabalho honesto, ainda que tenha herdado parte dele do sogro pouco confiável. Tentando manter a integridade de sua trajetória, ele tenta fazer um negócio de milhões, que pode finalmente lhe trazer a estabilidade desejada, mas esbarra em dois grandes problemas, que podem ou não estarem interligados. O primeiro diz respeito a uma série de assaltos a caminhões de sua companhia, que vem lhe trazendo grandes prejuízos. O segundo (e talvez mais complicado de resolver) é uma investigação detalhada sobre sua fortuna, liderada pelo promotor de Justiça D.A. Lawrence (David Oyelowo).
Quanto aos assaltos, o que Abel pode fazer é tentar descobrir quem é o responsável - e aceitar, mesmo indo contra seus princípios, armar seus motoristas, entre eles o jovem latino Julian (Elyes Gabel), principal vítima dos criminosos. Incentivado por seu sinistro advogado, Andrew Walsh (Albert Brooks, se especializando em papéis dúbios), ele resolve entrar na briga contra concorrentes pouco confiáveis, o que pode trazer sérias consequências à sua família. Quanto às investigações da promotoria, ele conta com o apoio da esposa, Anna (Jessica Chastain), responsável pelos livros da companhia e disposta a qualquer coisa para manter seu estilo de vida e a segurança das filhas. Chastain é um dos destaques do filme, ao construir uma Anna imprevisível em sua determinação e sua falta de escrúpulos em defender seus interesses. É um contraponto interessante à ética do marido, interpretado com sutileza ímpar por Oscar Isaac, um dos atores mais competentes da nova geração. Os diálogos entre o casal estão entre os melhores momentos do filme, justamente por sublinhar o contraste radical entre os dois - tanto personagens quanto atores. Enquanto Isaac opta pelo minimalismo, pelo olhar angustiado, Chastain por sua vez investe em uma atuação mais visceral, sem medo de expor seus maiores dotes dramáticos.
Assumindo um papel que seria de Javier Bardem e não deixando nada a desejar com seu desempenho, o guatemalteco Oscar Isaac se confirma, em "O ano mais violento", como um ator de grandes recursos. Sem precisar apelar para longos diálogos, ele transmite ao espectador uma vasta gama de sentimentos, que vão do autocontrole à ira, da humildade ao rancor. Em alguns momentos lembra o jovem Al Pacino de "O poderoso chefão" (72) - e a caprichada reconstituição de época e a fotografia ajudam em fortalecer o tom de paranoia e tensão criado por Chandor. Um filme sem grandes reviravoltas ou emoções grandiloquentes, "O ano mais violento" lembra muito os policiais mais cerebrais da década de 1970, e resta ao público aceitar essa particularidade para descobrir suas inúmeras qualidades. Assistida sem expectativas equivocadas, é uma bela e competente realização de um dos diretores menos óbvios a surgir em Hollywood nos últimos anos.
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sábado
segunda-feira
A RECRUTA BENJAMIN
A RECRUTA BENJAMIN (Private Benjamin, 1980, Warner Bros, 109min) Direção: Howard Zieff. Roteiro: Nancy Meyers, Charles Shyer, Henry, Harvey Miller. Fotografia: David M. Walsh. Montagem: Sheldon Kahn. Música: Bill Conti. Figurino: Betsy Cox. Direção de arte/cenários: Robert Boyle, Jeffrey Howard/Arthur J. Parker. Produção executiva: Goldie Hawn. Produção: Nancy Meyers, Charles Shyer, Harvey Miller. Elenco: Goldie Hawn, Armand Assante, Harry Dean Stanton, Eileen Breenan, Albert Brooks, Craig T. Nelson, Robert Webber, Sam Wanamaker, Barbara Barrie, Mary Kay Place. Estreia: 07/10/80
3 indicações ao Oscar: Atriz (Goldie Hawn), Atriz Coadjuvante (Eileen Brennan), Roteiro Original
Em 1979, bem antes que as atrizes de Hollywood começassem a demonstrar seu descontentamento em relação à baixa quantidade de papéis femininos relevantes dentro da indústria - uma reclamação que vem de muito longe, mas nem sempre de forma assertiva - a jovem Goldie Hawn já havia percebido que o caminho mais efetivo para não depender exclusivamente dos grandes estúdios estava em produzir seus próprios filmes. Aos 34 anos e grávida de cinco meses de sua filha, Hawn, que já tinha em casa um Oscar de coadjuvante pelo filme "Flor de cacto" (69), resolveu assumir as rédeas de uma carreira já bem estabelecida e comprou a ideia da roteirista (e futura cineasta) Nancy Meyers para estrelar a comédia "A recruta Benjamin". Logo depois do nascimento de seu bebê (que se tornaria a atriz Kate Hudson) e passando por um processo de divórcio, ela já estava enfrentando um treinamento militar de seis semanas e supervisionando aquele que seria a sexta maior bilheteria de 1980 nos EUA e Canadá - e lhe daria uma surpreendente indicação ao Oscar de melhor atriz. Leve, agradável e com um viés feminista que combinava perfeitamente com o momento de seu lançamento, "A recruta Benjamin" permanece um passatempo divertido, mas é difícil entender porque concorreu ao Oscar de roteiro original e ganhou o prêmio do Sindicato de Roteiristas na categoria comédia: apesar de simpático, ele jamais atinge todas as possibilidades que apresenta em seu primeiro (e promissor) ato.
O filme começa muito bem: a jovem e mimada Judy Benjamin (interpretada com graça e timing perfeito por Hawn), uma socialite judia, acaba de se casar - pela segunda vez - com o bem-sucedido advogado Yale Goodman (Albert Brooks em participação especial). Seus problemas normalmente se resumem a encontrar os objetos corretos para decorar sua casa ou combinar roupas para eventos sociais, mas sua felicidade dura pouco: em plena noite de núpcias, Yale morre de um ataque do coração (durante o ato sexual). Deprimida e desorientada, ela encontra um caminho na figura de um excêntrico desconhecido, o sargento Jim Ballard (Harry Dean Stanton), que a convence dos benefícios de integrar as Forças Armadas americanas. Sem saber exatamente onde está se enfiando, Judy parte de malas e bagagens para o treinamento militar e acaba se tornando desafeto da Capitã Doreen Lewis (Eileen Brennan, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante), que não suporta a futilidade da nova recruta. Sofrendo com a nova rotina, ela entra em conflito com outros superiores e, transferida para a Europa, se apaixona pelo francês Henri Trémont (Armand Assante), que pode vir a ser seu terceiro marido.
O grande problema de "A recruta Benjamin" é sua brusca queda de ritmo e interesse no ato final. O romance entre Judy e Henri soa deslocado em um filme que, a princípio, parece ser basicamente uma comédia ligeira, repleta de piadas físicas e do humor deliciosamente ingênuo de Goldie Hawn. Se até então o desenvolvimento da história já deixava para trás a chance de brincar com muito mais contundência com as dificuldades da protagonista em encarar um mundo completamente oposto ao que vivia, seu desvio de rota em direção à comédia romântica o deixa ainda menos consistente. A trama que mais prometia - a rixa entre Judy e a Capitã Lewis - acaba sendo esquecida e enfraquecida assim que o roteiro se transfere para a Europa, quando o treinamento de Benjamin (os momentos mais inspirados do filme) é substituído por um discurso feminista que, apesar de pertinente, se torna cansativo e superficial. Nem mesmo o talento de Goldie Hawn é capaz de contornar tal problema, mas felizmente seu sorriso desarma qualquer espectador.
Com o talento de arrancar risadas sem precisar falar sequer uma linha de diálogo, Goldie Hawn é o corpo e a alma de "A recruta Benjamin". Não à toa, foi a principal responsável por sua realização, ciente de que tinha em mãos um veículo perfeito para seus dotes como humorista e atriz dramática. O Oscar - que perdeu para Sissy Spacek em "O destino mudou sua vida" - certamente seria um exagro absurdo, mas é seu imenso carisma que sustenta o filme, salvando-o de ser apenas uma sessão da tarde esquecível. Está longe de ser, como votou a revista Premiére, em 2006, "uma das 50 maiores comédias de todos os tempos", mas sai-se bem como um passatempo despretensioso - e até rendeu uma série de TV (sem Goldie), que ficou no ar entre 1981 e 1983, com direito a prêmios Emmy e Golden Globe. Definitivamente, um tiro certo na carreira da atriz.
3 indicações ao Oscar: Atriz (Goldie Hawn), Atriz Coadjuvante (Eileen Brennan), Roteiro Original
Em 1979, bem antes que as atrizes de Hollywood começassem a demonstrar seu descontentamento em relação à baixa quantidade de papéis femininos relevantes dentro da indústria - uma reclamação que vem de muito longe, mas nem sempre de forma assertiva - a jovem Goldie Hawn já havia percebido que o caminho mais efetivo para não depender exclusivamente dos grandes estúdios estava em produzir seus próprios filmes. Aos 34 anos e grávida de cinco meses de sua filha, Hawn, que já tinha em casa um Oscar de coadjuvante pelo filme "Flor de cacto" (69), resolveu assumir as rédeas de uma carreira já bem estabelecida e comprou a ideia da roteirista (e futura cineasta) Nancy Meyers para estrelar a comédia "A recruta Benjamin". Logo depois do nascimento de seu bebê (que se tornaria a atriz Kate Hudson) e passando por um processo de divórcio, ela já estava enfrentando um treinamento militar de seis semanas e supervisionando aquele que seria a sexta maior bilheteria de 1980 nos EUA e Canadá - e lhe daria uma surpreendente indicação ao Oscar de melhor atriz. Leve, agradável e com um viés feminista que combinava perfeitamente com o momento de seu lançamento, "A recruta Benjamin" permanece um passatempo divertido, mas é difícil entender porque concorreu ao Oscar de roteiro original e ganhou o prêmio do Sindicato de Roteiristas na categoria comédia: apesar de simpático, ele jamais atinge todas as possibilidades que apresenta em seu primeiro (e promissor) ato.
O filme começa muito bem: a jovem e mimada Judy Benjamin (interpretada com graça e timing perfeito por Hawn), uma socialite judia, acaba de se casar - pela segunda vez - com o bem-sucedido advogado Yale Goodman (Albert Brooks em participação especial). Seus problemas normalmente se resumem a encontrar os objetos corretos para decorar sua casa ou combinar roupas para eventos sociais, mas sua felicidade dura pouco: em plena noite de núpcias, Yale morre de um ataque do coração (durante o ato sexual). Deprimida e desorientada, ela encontra um caminho na figura de um excêntrico desconhecido, o sargento Jim Ballard (Harry Dean Stanton), que a convence dos benefícios de integrar as Forças Armadas americanas. Sem saber exatamente onde está se enfiando, Judy parte de malas e bagagens para o treinamento militar e acaba se tornando desafeto da Capitã Doreen Lewis (Eileen Brennan, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante), que não suporta a futilidade da nova recruta. Sofrendo com a nova rotina, ela entra em conflito com outros superiores e, transferida para a Europa, se apaixona pelo francês Henri Trémont (Armand Assante), que pode vir a ser seu terceiro marido.
O grande problema de "A recruta Benjamin" é sua brusca queda de ritmo e interesse no ato final. O romance entre Judy e Henri soa deslocado em um filme que, a princípio, parece ser basicamente uma comédia ligeira, repleta de piadas físicas e do humor deliciosamente ingênuo de Goldie Hawn. Se até então o desenvolvimento da história já deixava para trás a chance de brincar com muito mais contundência com as dificuldades da protagonista em encarar um mundo completamente oposto ao que vivia, seu desvio de rota em direção à comédia romântica o deixa ainda menos consistente. A trama que mais prometia - a rixa entre Judy e a Capitã Lewis - acaba sendo esquecida e enfraquecida assim que o roteiro se transfere para a Europa, quando o treinamento de Benjamin (os momentos mais inspirados do filme) é substituído por um discurso feminista que, apesar de pertinente, se torna cansativo e superficial. Nem mesmo o talento de Goldie Hawn é capaz de contornar tal problema, mas felizmente seu sorriso desarma qualquer espectador.
Com o talento de arrancar risadas sem precisar falar sequer uma linha de diálogo, Goldie Hawn é o corpo e a alma de "A recruta Benjamin". Não à toa, foi a principal responsável por sua realização, ciente de que tinha em mãos um veículo perfeito para seus dotes como humorista e atriz dramática. O Oscar - que perdeu para Sissy Spacek em "O destino mudou sua vida" - certamente seria um exagro absurdo, mas é seu imenso carisma que sustenta o filme, salvando-o de ser apenas uma sessão da tarde esquecível. Está longe de ser, como votou a revista Premiére, em 2006, "uma das 50 maiores comédias de todos os tempos", mas sai-se bem como um passatempo despretensioso - e até rendeu uma série de TV (sem Goldie), que ficou no ar entre 1981 e 1983, com direito a prêmios Emmy e Golden Globe. Definitivamente, um tiro certo na carreira da atriz.
domingo
UM HOMEM ENTRE GIGANTES
UM HOMEM ENTRE GIGANTES (Concussion, 2015, Sony Pictures, 123min) Direção: Peter Landesman. Roteiro: Peter Landesman, artigo "Brain's game" de Jeanne Marie Laskas. Fotografia: Salvatore Totino. Montagem: William Goldenberg. Música: James Newton Howard. Figurino: Dayna Pink. Direção de arte/cenários: David Crank/James V. Kent. Produção executiva: Greg Basser, Bruce Berman, David Crockett, Michael Schaefer, Ben Waisbren. Produção: Elizabeth Cantillon, Giannina Scott, Ridley Scott, Larry Shuman, David Wolthoff. Elenco: Will Smith, Alec Baldwin, Albert Brooks, Gugu Mbatha-Raw, David Morse, Arliss Howard, Mike O'Malley, Eddie Marsan, Paul Reiser, Luke Wilson. Estreia: 10/11/15
"Um homem entre gigantes" é um filme corajoso. Não apenas porque dá a Will Smith a chance de mostrar-se um competente ator dramático - mesmo porque ele já fez isso outras vezes, chegando a concorrer ao Oscar de melhor ator em duas ocasiões, por "Ali" (2001) e "À procura da felicidade" (2006). A maior ousadia do filme - que tem Ridley Scott como um de seus produtores - é bater de frente com uma das maiores potências financeiras dos EUA: o futebol americano. Na verdade, quem primeiro teve esse peito foi o médico legista Bennet Omalu, um nigeriano que, sem a paixão pelo esporte cultivada desde o berço, apresentou uma estarrecedora verdade científica que pôs em risco uma das maiores instituições ianques - assim como sua própria vida e de sua família ainda começando. As conclusões de Omalu foram publicadas na matéria "Brain's game", escrita por Jeanne Marie Laskas para a revista GQ, e ficaram à disposição do público interessado, mas colocar um astro do porte de Smith no papel principal de um filme de um grande estúdio (Sony Pictures) para contar uma história que desmistifica uma paixão tão forte não deixa de ser uma atitude valente, e p resultado não poderia ter sido outro: com um orçamento discreto de 35 milhões de dólares, "Um homem entre gigantes" naufragou nas bilheterias americanas, sem cobrir nem mesmo seu custo de produção - e só não passou totalmente em branco nas cerimônias de premiação mais conhecidas porque conseguiu arrancar uma indicação ao Golden Globe de melhor ator dramático. Como se pode perceber, coragem demais às vezes dá muito errado!
Porém, se fracassou comercialmente e em conquistar o voto dos viciados eleitores da Academia, "Um homem entre gigantes" merecia sorte muito melhor. Não apenas é um empolgante drama médico - com elementos de suspense muito bem dosados pelo roteiro do também diretor Peter Landesman - como também é de suma importância por tratar de um assunto normalmente ignorado pela grande mídia: as sérias e fatais consequências de um estilo de vida considerado glamouroso e excitante, mas que esconde, por trás de seus capacetes, a decadência mental e física. Landesman - que tratou sobre o assassinato de John Kennedy no igualmente pouco visto "JFK: a história não contada" (2013) - sabe equilibrar com destreza tanto o lado médico da trama (sem cair em didatismos aborrecidos) quanto o drama pessoal e profissional de seu protagonista (um imigrante negro que bate de frente com a poderosa liga de futebol americano, a temida e respeitada NFL). Acertando em cheio no tom sério e urgente da narrativa, o cineasta (ainda em seu segundo filme) não cai na armadilha do sensacionalismo e foge com inteligência de questões raciais, apelando para os problemas pessoais de Omalu quando estritamente necessário ao andamento da história. Jornalista investigativo antes de tornar-se cineasta, Landesman mantém a sobriedade de sua primeira vocação, com uma produção satisfatória tanto informativa quanto dramaticamente - mérito também do excelente elenco.
Se Will Smith mais uma vez mostra sua competência como ator sério - embora às vezes fique a centímetros do exagero - os coadjuvantes de "Um homem entre gigantes" também são dignos de nota, a começar por David Morse, quase irreconhecível como Mike Webster, o primeiro ex-jogador cujo cadáver cai nas mãos de Bennet Omalu, dando início a uma investigação estarrecedora: morto aos 50 anos, Webster (um ídolo do futebol americano, adorado pelos torcedores e admirado pela sociedade em geral) demonstra, em sua necropsia, severos danos cerebrais, incompatíveis com sua idade. Mesmo indo contra ordens superiores, o médico resolve fazer exames mais detalhados - e outras duas mortes de jogadores aposentados que apresentavam comportamento errático e mentalmente desequilibrado o levam até a conclusão de que todos sofriam de um mal causado pelas constantes concussões sofridas durante as partidas de futebol. Apoiado por outros médicos, ele conta também com a ajuda de Julian Bailes (Alec Baldwin), que fica a seu lado quando a liga de futebol americano resolve desacreditá-lo - ou, pior ainda, usar de ameaças reais para impedi-lo de revelar a verdade e colocar em risco uma das mais sólidas instituições do país.
Até mesmo quando se distancia um pouco do tema central e inclui uma história de amor no roteiro - Omalu se apaixona e casa com a jovem Prema (Gugu Mbatha-Raw), imigrante a quem ele hospeda a pedido de amigos -, o filme de Landesman não perde o ritmo e o interesse. Ao contrário de ser apenas um alívio romântico, o relacionamento entre o casal serve para definir o tamanho das perdas a que o protagonista se arrisca quando entra como um Davi na luta contra o Golias representado pelo corporativismo das instituições esportivas norte-americanas. Os momentos de suspense surgem quando Prema, grávida, passa a ser o principal alvo dos inimigos do marido, cada vez mais ávido em provar não apenas que está certo (e que se não houver mudanças outras mortes irão ocorrer) mas também em mostrar que sua formação na África não faz dele um médico com menos qualidades e competência do que seus colegas americanos. Essa forma sutil de tocar ainda no preconceito é outro pequeno grande trunfo de "Um homem entre gigantes", um filme que merece ser valorizado por suas qualidades dramáticas, por sua temática relevante e pela coragem de expor ao grande público uma verdade que - apesar de tudo - parece não ter mudado muita coisa na mentalidade dos magnatas do esporte. Um belo filme e mais uma bela atuação de Will Smith!
"Um homem entre gigantes" é um filme corajoso. Não apenas porque dá a Will Smith a chance de mostrar-se um competente ator dramático - mesmo porque ele já fez isso outras vezes, chegando a concorrer ao Oscar de melhor ator em duas ocasiões, por "Ali" (2001) e "À procura da felicidade" (2006). A maior ousadia do filme - que tem Ridley Scott como um de seus produtores - é bater de frente com uma das maiores potências financeiras dos EUA: o futebol americano. Na verdade, quem primeiro teve esse peito foi o médico legista Bennet Omalu, um nigeriano que, sem a paixão pelo esporte cultivada desde o berço, apresentou uma estarrecedora verdade científica que pôs em risco uma das maiores instituições ianques - assim como sua própria vida e de sua família ainda começando. As conclusões de Omalu foram publicadas na matéria "Brain's game", escrita por Jeanne Marie Laskas para a revista GQ, e ficaram à disposição do público interessado, mas colocar um astro do porte de Smith no papel principal de um filme de um grande estúdio (Sony Pictures) para contar uma história que desmistifica uma paixão tão forte não deixa de ser uma atitude valente, e p resultado não poderia ter sido outro: com um orçamento discreto de 35 milhões de dólares, "Um homem entre gigantes" naufragou nas bilheterias americanas, sem cobrir nem mesmo seu custo de produção - e só não passou totalmente em branco nas cerimônias de premiação mais conhecidas porque conseguiu arrancar uma indicação ao Golden Globe de melhor ator dramático. Como se pode perceber, coragem demais às vezes dá muito errado!
Porém, se fracassou comercialmente e em conquistar o voto dos viciados eleitores da Academia, "Um homem entre gigantes" merecia sorte muito melhor. Não apenas é um empolgante drama médico - com elementos de suspense muito bem dosados pelo roteiro do também diretor Peter Landesman - como também é de suma importância por tratar de um assunto normalmente ignorado pela grande mídia: as sérias e fatais consequências de um estilo de vida considerado glamouroso e excitante, mas que esconde, por trás de seus capacetes, a decadência mental e física. Landesman - que tratou sobre o assassinato de John Kennedy no igualmente pouco visto "JFK: a história não contada" (2013) - sabe equilibrar com destreza tanto o lado médico da trama (sem cair em didatismos aborrecidos) quanto o drama pessoal e profissional de seu protagonista (um imigrante negro que bate de frente com a poderosa liga de futebol americano, a temida e respeitada NFL). Acertando em cheio no tom sério e urgente da narrativa, o cineasta (ainda em seu segundo filme) não cai na armadilha do sensacionalismo e foge com inteligência de questões raciais, apelando para os problemas pessoais de Omalu quando estritamente necessário ao andamento da história. Jornalista investigativo antes de tornar-se cineasta, Landesman mantém a sobriedade de sua primeira vocação, com uma produção satisfatória tanto informativa quanto dramaticamente - mérito também do excelente elenco.
Se Will Smith mais uma vez mostra sua competência como ator sério - embora às vezes fique a centímetros do exagero - os coadjuvantes de "Um homem entre gigantes" também são dignos de nota, a começar por David Morse, quase irreconhecível como Mike Webster, o primeiro ex-jogador cujo cadáver cai nas mãos de Bennet Omalu, dando início a uma investigação estarrecedora: morto aos 50 anos, Webster (um ídolo do futebol americano, adorado pelos torcedores e admirado pela sociedade em geral) demonstra, em sua necropsia, severos danos cerebrais, incompatíveis com sua idade. Mesmo indo contra ordens superiores, o médico resolve fazer exames mais detalhados - e outras duas mortes de jogadores aposentados que apresentavam comportamento errático e mentalmente desequilibrado o levam até a conclusão de que todos sofriam de um mal causado pelas constantes concussões sofridas durante as partidas de futebol. Apoiado por outros médicos, ele conta também com a ajuda de Julian Bailes (Alec Baldwin), que fica a seu lado quando a liga de futebol americano resolve desacreditá-lo - ou, pior ainda, usar de ameaças reais para impedi-lo de revelar a verdade e colocar em risco uma das mais sólidas instituições do país.
Até mesmo quando se distancia um pouco do tema central e inclui uma história de amor no roteiro - Omalu se apaixona e casa com a jovem Prema (Gugu Mbatha-Raw), imigrante a quem ele hospeda a pedido de amigos -, o filme de Landesman não perde o ritmo e o interesse. Ao contrário de ser apenas um alívio romântico, o relacionamento entre o casal serve para definir o tamanho das perdas a que o protagonista se arrisca quando entra como um Davi na luta contra o Golias representado pelo corporativismo das instituições esportivas norte-americanas. Os momentos de suspense surgem quando Prema, grávida, passa a ser o principal alvo dos inimigos do marido, cada vez mais ávido em provar não apenas que está certo (e que se não houver mudanças outras mortes irão ocorrer) mas também em mostrar que sua formação na África não faz dele um médico com menos qualidades e competência do que seus colegas americanos. Essa forma sutil de tocar ainda no preconceito é outro pequeno grande trunfo de "Um homem entre gigantes", um filme que merece ser valorizado por suas qualidades dramáticas, por sua temática relevante e pela coragem de expor ao grande público uma verdade que - apesar de tudo - parece não ter mudado muita coisa na mentalidade dos magnatas do esporte. Um belo filme e mais uma bela atuação de Will Smith!
sexta-feira
DRIVE
DRIVE (Drive, 2011, FilmDistrict/MG Film, 100min) Direção: Nicolas Winding Refn. Roteiro: Hossein Amini, romance de James Sallis. Fotografia: Newton Thomas Sigel. Montagem: Mat Newman. Música: Cliff Martinez. Figurino: Erin Benach. Direção de arte/cenários: Beth Mickle/Lisa Sessions Morgan. Produção executiva: David Lancaster, Bill Lischack, Linda McDonough, Peter Schlessel, Jeffrey Stott, Gary Michael Walters. Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christine Hendricks. Estreia: 20/5/11 (Festival de Cannes)
Indicado ao Oscar de Edição de Som
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes: Melhor Diretor (Nicolas Windig Refn)
Desde suas primeiras cenas, o
empolgante “Drive” leva o público a algumas comparações quase óbvias ao já
clássico “Taxi driver”, lançado em 1976: desde o título até a violência
explícita em seu clímax – passando pela personalidade elíptica de seu
protagonista e o tom pessimista e melancólico do roteiro – parece pagar um
tributo dos mais admiráveis a uma das obras-primas do cineasta Martin Scorsese.
Mas um olhar mais apurado pode descobrir no filme do norueguês Nicolas Winding
Refn uma outra influência, menos evidente mas igualmente brilhante: o admirado
“Os brutos também amam”, dirigido por George Stevens em um longínquo 1953. Por
mais estranho que possa parecer em um primeiro olhar – afinal, “Drive” é um
policial e “Shane” um western típico – as comparações fazem sentido. Se não,
vejamos.
Indicado ao Oscar de Edição de Som
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes: Melhor Diretor (Nicolas Windig Refn)
No filme de Stevens, Alan Ladd vivia
o personagem-título, um homem misterioso, sem passado nem futuro, que chega a
uma pequena cidade do interior do oeste americano e ajuda um jovem fazendeiro
(Van Heflin) e sua família – esposa e filho pequeno – a se livrarem de um
vizinho corrupto e violento que desejam lhe tomar as terras. Seu heroísmo acaba
por despertar sentimentos menos nobres que a gratidão da bela dona-de-casa, mas
ele se recusa a abdicar de seus princípios e, resolvida a questão com os
criminosos, vai embora da mesma forma com que entrou na vida dos novos amigos.
Em “Drive”, o que muda é o cenário – uma Los Angeles estilizada, iluminada à
noite e desoladoramente asséptica durante o dia – e o contexto da violência –
bem mais clara (ainda que utilizada com inteligência e parcimônia) e adequada a
uma época em que o heroísmo no cinema está intimamente ligado aos litros de
sangue derramados por frame. Ryan Gosling interpreta o protagonista, um jovem mecânico
que complementa o orçamento trabalha como dublê em filmes de ação que precisam
de um motorista corajoso. Sem jamais dizer seu nome – tanto que é batizado como
“driver” até mesmo nos créditos de encerramento do filme – ele também preenche
sua sede de adrenalina ajudando assaltantes em fuga nas noites angelenas: ele
espera no carro, dá cinco minutos aos contratantes e assume todas as
responsabilidades da fuga desde que o tempo proposto não seja ultrapassado.
Quando o filme começa, ele conhece a bela e tímida Irene (Carey Mulligan),
vizinha de porta que mora com o filho pequeno, Benício, enquanto aguarda a
saída de seu marido da cadeia. O rapaz se apaixona por Irene e sua convivência
com ela e o menino fica cada vez mais próxima.
A harmonia da relação é quebrada, no entanto, quando Standard (Oscar
Isaac), marido de Irene, é libertado. O calado motorista tenta afastar-se da
família, como convém a um herói, mas o destino – na forma de antigos colegas de
Standard – interveem no desenrolar da história: ameaçado de morte por
criminosos que conheceu antes de sua prisão, o ex-presidiário precisa cometer
um último assalto para pagar uma dívida que, não quitada, resultará na sua
morte – bem como a de sua família. Sem pensar duas vezes, o protagonista resolve
ajudar o rival e acaba por entrar na mira de um assustador mafioso, Bernie Rose
(Albert Brooks), que por acaso é seu patrocinador em uma possível carreira de
corridas de automóveis.
Como pode-se perceber, a estrutura
de “Drive” – baseado em um romance de James Sallis, adaptado por Hossein Amini – é mais
semelhante a de “Os brutos também amam” do que a de “Taxi driver”. Mas as
influências praticamente param por aí. Enquanto George Stevens criou um western
quase sentimental, Refn mergulhou fundo no estilo do cinema policial americano
dos anos 70, cerebral e febril, com generosas doses de uma angústia e de uma
melancolia que faz de seu filme uma pequena obra-prima, que foge brilhantemente
do tom monocórdio dos filmes do gênero realizados em Hollywood. Apelando para a
ação e para a violência somente quando ela é estritamente necessária, o
cineasta pega o espectador de surpresa sempre que ela surge – abrupta, seca,
realista – para lembrá-lo que, afinal de contas, a história de amor entre o
protagonista e Irene não é um conto de fadas e sim, um romance nascido sob a
sombra do perigo e da corrupção. A fotografia espetacular de Thomas Newton
Sigel colabora com a sensação de desamparo e a trilha sonora – que soa como
deslocada temporalmente da narrativa – ilustra com precisão a tensão crescente,
banhando até mesmo as cenas mais românticas com um senso de desconforto que
culmina naquela que talvez seja a mais forte sequência do filme, dentro de um
elevador, que parte de um beijo para um banho de sangue que mistura o explícito
com a sugestão – e que encontra parâmetros somente na inesquecível cena em que
Edward Norton assassina um homem negro em “A outra história americana”.
Mas se o roteiro de Amini se presta a
mais de um gênero sem prejuízo de nenhum deles (é uma história de amor, um
violento policial ou um denso drama intimista, dependendo do olhar do
espectador), a direção de Nicolas Winding Refn é igualmente impecável: desde a
concepção visual do filme – a jaqueta que Ryan Gosling usa em cenas-chave da narrativa
já é um ícone de sua época – até o desenho de seus personagens (do protagonista
aos coadjuvantes), tudo funciona como um relógio em “Drive”. Ryan Gosling
entrega uma atuação avassaladora, criando um anti-herói de poucas palavras que
transmite com um único olhar mais do que longos diálogos e encontra parceiros
de cena do mais alto calibre. Se Carey Mulligan é o retrato da doçura, Albert
Brooks surge assustador como o vilão Bernie Rose; se Oscar Isaac cria um
personagem que foge do clichê “ex-presidiário ameaçador” com uma interpretação
com mais nuances do que o normal em um filme policial, Bryan Cranston (da série
“Breaking Bad”) igualmente não deixa o espectador prever os atos do seu. Todos
importantes no xadrez criado pela trama – que os coloca como aliados ou
inimigos de acordo com as circunstâncias – eles são dirigidos com enorme
segurança por Refn, que imprime uma elegância nórdica mesmo quando filma
sequências de violência extrema. Esse requinte, somado ao elenco superlativo e
à inteligência de jamais apelar para o previsível, é que faz de “Drive” um
filme obrigatório e essencial para entender sua época – aliás, justamente como
acontece com sua inspiração maior, “Taxi driver”, deverá ser lembrado ainda por
muitos anos como um dos grandes thrillers policiais realizados pelo cinema
americano.
IRRESISTÍVEL PAIXÃO
2 indicações ao Oscar: Roteiro Adaptado, Montagem
Em 1998, o escritor norte-americano Elmore Leonard estava na crista da onda. Barry Levinson havia dirigido "O nome do jogo", elogiado pela crítica e premiado com um Golden Globe. O cultuado Quentin Tarantino tinha realizado "Jackie Brown" baseado em seu romance "Run Punch" e feito um trabalho excepcional. Para completar o quadro só faltava mesmo um diretor cult: Steven Soderbergh, premiado em Cannes com seu "sexo, mentiras e videotape" em 1988 deu às tramas de Leonard a sofisticação que faltava ao humor negro de Levinson e à violência de Tarantino. "Irresistível paixão" é um policial romântico com alto grau de sensualidade, tudo graças à química impecável entre Jennifer Lopez e George Clooney.
Jack Foley (vivido com o charme habitual de Clooney, exercitando seu lado Cary Grant anos 90) é um assaltante de bancos profissional. Durante uma fuga de uma de suas condenações, ao lado de seu parceiro de todas as horas, Buddy Bragg (Ving Rhames), ele acaba ficando preso no porta-malas de um carro junto com Karen Sisco (a belíssima Lopez, melhor atriz do que se poderia esperar), uma agente do FBI que estava na penitenciária por acaso. Surge uma atração irresistível entre eles, mas logicamente eles se afastam sem consumar o desejo nascido de maneira tão absurda. Sem conseguir esquecer um do outro, eles vêem seus caminhos novamente cruzados quando, no processo de dar um de seus grandes golpes, Foley esbarra novamente em Karen, que, fascinada, se divide entre os novos sentimentos e os deveres profissionais.
Não é preciso ser um expert em cinema para perceber que "Irresistível paixão" foge dos padrões habituais do cinema policial. Primeiro, não há um herói típico, de moral ilibada e incorruptível. Depois, o mocinho é um criminoso, apesar de esbanjar charme e não abusar da violência. E por fim, em muitos momentos a plateia se vê torcendo por ele e por seu romance complicado com a policial. Além disso, o filme de Soderbergh deita e rola em uma edição inteligente, que privilegia as idas e voltas do roteiro, deixando o público sempre à espera dos próximos acontecimentos (que além de tudo são bastante imprevisíveis). E além da trama divertida e envolvente, o cineasta mostra-se, mais uma vez, um exímio diretor de atores, todos eles fantásticos (com a exceção, novamente, de Michael Keaton, que repete sua atuação pifia de "Jackie Brown" na pele do mesmo policial Ray Nicolette).
O elenco coadjuvante de "Irresistível paixão" é um de seus maiores trunfos. Um irreconhecível Albert Brooks vive um milionário que, depois de passar uma temporada na prisão, torna-se uma vítima em potencial das armações de Foley; Don Cheadle brilha como o marginal Maurice Miller e Steve Zahn volta a divertir a audiência como o atrapalhado Glenn Michaels. Mas não há como falar do filme sem que venha imediatamente à mente o excelente trabalho de sua dupla central. Linda, sensual e convincente mesmo como uma policial, Jennifer Lopez tem aqui um dos maiores destaques de sua carreira. E Clooney aproveita a desenvoltura da parceira para construir um Jack Foley que ele mesmo considera uma de suas melhores atuações.
"Irresistível paixão" é um divertido entretenimento de classe e categoria. Inteligente, sarcasticamente engraçado e absolutamente sexy, é um filme que, apesar da bilheteria decepcionante, merece ser descoberto e aplaudido por sua criatividade e por seu elenco impecável.
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