Mostrando postagens com marcador JENNIFER LOPEZ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador JENNIFER LOPEZ. Mostrar todas as postagens

quarta-feira

O CASAMENTO DOS MEUS SONHOS


O CASAMENTO DOS MEUS SONHOS (The wedding planner, 2001, Columbia Pictures, 103min) Direão: Adam Shankman. Roteiro: Pamela Falk, Michael Ellis. Fotografia: Julio Macat. Montagem: Lisa Zeno Churgin. Música: Mervyn Warren. Figurino: Pamela Whiters. Direção de arte/cenários: Bob Ziembicki/Barbara Munch. Produção executiva: Moritz Borman, Guy East, Nina R. Sadowsky, Chris Sievernich, Nigel Sinclair. Produção: Peter Abrams, Deborah Del Prete, Jennifer Gibgot, Robert L. Levy, Gigi Pritzker. Elenco: Jennifer Lopez, Matthew McConaughey, Bridgette Wilson-Sampras, Judy Greer, Justin Chambers, Kathy Najimi, Alex Rocco, Joanna Gleason, Kevin Pollack. Estreia: 26/01/2001

No começo dos anos 2000, Jennifer Lopez já era uma estrela. Em seu currículo como atriz já constavam produções com diretores consagrados, como Francis Ford Coppola ("Jack", de 1996), Oliver Stone ("Reviravolta", de 1997) e Steven Soderbergh ("Irresistível paixão", de 1998) e elogios da crítica especializada por seu trabalho em "Selena" (1996). Como cantora, já havia vendido mais de 8 milhões de cópias com seu álbum de estreia, "On the 6" (1999) e estava lançando seu segundo trabalho, "J.Lo" - que tinha expectativas de se tornar um sucesso ainda maior. Portanto, quando "O casamento dos meus sonhos" estreou, em janeiro de 2001, seu nome no cartaz de um filme já era um atrativo e tanto - e levando-se em conta que seu parceiro de cena, Matthew McConaughey, também já tinha um fã-clube feminino dos maiores, não chegou a ser surpresa a bilheteria acima dos 90 milhões de dólares do filme no mercado internacional. Mesmo sem apresentar nenhuma novidade e seguindo à risca a receita das comédias românticas, o filme de Adam Shankman provou que, mesmo contra tecnologias de ponta e estratégias milionárias de marketing, histórias de amor ingênuas e superficiais sempre terão espaço junto a seu público fiel.

Assumindo o lugar de Sarah Michelle Gellar - que não conseguiu conciliar as filmagens com as gravações da série "Buffy: a caça-vampiros" - e Minnie Driver (segundo afirmações da atriz em entrevistas), Jennifer Lopez não precisa fazer muito esforço no papel principal do filme. Ela interpreta Mary Fiore, uma bem-sucedida organizadora de casamentos que se esforça para tornar-se sócia da empresa onde trabalha, enquanto luta para superar o traumático fim de seu relacionamento. Jovem e bonita, ela é, também, constantemente pressionada pelo pai viúvo a encontrar um novo amor - a ponto de fugir dos avanços do bem intencionado amigo de infância Massimo (Justin Chambers, que anos depois se tornaria astro com a série "Grey's Anatomy"). Dedicada à carreira, Mary vê na milionária Fran Donnolly (Bridget Wilson-Sampras) a chance de finalmente atingir seus objetivos profissionais: planejar a festa de seu casamento parece o caminho certo para o sucesso. Porém, seu encontro com o médico Steve Edison (Matthew McConaughey) vira tudo do avesso: apaixonada, Mary vê no rapaz o homem ideal para resolver sua vida romântica, mas descobre, decepcionada, que ele é o noivo de sua mais promissora cliente.


 

Apostando nos clichês e sem medo de contar uma história sem nenhuma grande novidade, o roteiro de "O casamento dos meus sonhos"serve, na verdade, como um veículo para o estrelato de Jennifer Lopez: bela, carismática e dotada de um razoável timing cômico, Lopez deita e rola com uma personagem que não lhe exige mais do que fazer exatamente isso: ser bela, carismática e exercitar seus dotes em comédia - que, se não chegam a ser brilhantes, funcionam como um relógio. O roteiro não aprofunda nenhum personagem e nenhum conflito (como é comum aos filmes do gênero), mas a direção de Shankman - que em 2007 assinaria a versão para as telas do musical "Hairspray: em busca da fama" - se equilibra entre o burocrático e o elegante, disfarçando a fragilidade do enredo e até de algumas soluções um tanto quanto apressadas. É também uma pena que o filme não aproveite o talento de coadjuvantes como Kathy Najimi (que pouco aparece como a dona da empresa da protagonista), Judy Greer (especialista em roubar a cena mesmo em papéis pequenos) e Joanna Gleason (na pele da mãe da noiva que está em vias de ver o futuro marido nos braços de sua organizadora de casamentos). Nem mesmo Bridget Wilson-Sampras tem muito o que fazer, eclipsada pela química entre Lopez e Matthew McConaughey - que substituiu Brendan Fraser no último minuto e viu fortalecido seu status de galã romântico.

Responsável pelo cancelamento de um projeto semelhante que seria protagonizado por Jennifer Love Hewitt, "O casamento dos meus sonhos" é o que pode se chamar de filme-conforto. Seus personagens são velhos conhecidos do público-alvo (a romântica sonhadora com azar no amor, o galã comprometido com a mulher errada, a antagonista fútil), a história é previsível até o osso, a trilha sonora é suave e com uma canção feita para vender discos (a canção que toca nos créditos finais é "Love don't coast a thing", da própria Jennifer Lopez) e os coadjuvantes servem como contraponto humorístico à trama romântica. Se não entrega mais do que propõe é justamente por sua intenção em servir à plateia como mais uma coleção de clichês a que sua plateia possa recorrer quando necessitar de duas horas de diversão sem compromisso. "O casamento dos meus sonhos" é o equivalente cinematográfico de uma caixa de bombons ou um pote de sorvete nos momentos de crise. Esperar mais dele é um erro, mas aceitar suas limitações é o caminho para um passatempo agradável e leve.

 

SELENA

SELENA (Selena, 1997, Warner Bros, 127min) Direção e roteiro: Gregory Nava. Fotografia: Edward Lachman. Montagem: Nancy Richardson. Música: Dave Grusin. Figurino: Elisabetta Beraldo. Direção de arte/cenários: Cary White/Jeanette Scott. Produção executiva: Abraham Quintanilla Jr.. Produção: Moctesuma Esparza, Robert Katz. Elenco: Jennifer Lopez, Edward James Olmos, Jon Seda, Constance Marie, Jackie Guerra, Alex Meneses, Rebecca Lee Meza, Lupe Ontiveros. Estreia: 21/3/97

Mesmo acostumado com tragédias e mortes precoces e repentinas, o mundo da música sofreu um grande abalo em 31 de março de 1995, com o brutal assassinato da cantora Selena, ídolo da comunidade hispânica norte-americana e em vias de iniciar uma promissora carreira internacional com o lançamento de seu primeiro álbum em inglês. Comparada a nomes de peso como Gloria Estefan (por sua influência junto ao público latino), Whitney Houston e Mariah Carey, a jovem de apenas 23 anos de idade foi morta com um tiro disparado pela presidente de seu fã-clube e gerente de uma loja de roupas da sua grife, que, desmascarada por desvio de dinheiro, resolveu a situação de forma a deixar órfãos milhares de fãs inconsoláveis - o que lhe rendeu a condenação à prisão perpétua. Se o nome de Selena não diz muito a quem não fazia parte de sua legião de admiradores (dois meses antes de sua morte ela havia levado mais de 60 mil pessoas a seu show em um estádio em Houston, Texas), é somente porque a interrupção inesperada de sua vida não permitiu. Vencedora do Grammy, garota-propaganda da Coca-cola e dona de uma marca de roupas de sucesso junto a seu público-alvo, Selena ainda assim não era uma unanimidade - a comoção por sua morte junto ao público hispânico foi minimizada por grande parte da população branca americana - mas seu carisma e talento (somados à indignação atônita que seguiu-se à tragédia) foram suficientes para que a notícia de sua morte tomasse conta dos EUA e de parte do mundo. Não foi surpresa para ninguém, portanto, que, quase no aniversário de dois anos do crime, estreasse "Selena", um filme realizado para a televisão que celebrava a vida e a carreira da artista - mas que, por privilegiar apenas esses aspectos de sua trajetória, perde a oportunidade de esclarecer aos neófitos as circunstâncias absurdamente mundanas de sua morte, talvez o único fator que o diferencia de várias outras produções semelhantes.

Dirigido por Gregory Nava - um cineasta já preocupado com questões dos povos latinos, como deixa claro seu filme "Minha família" (95) - e estrelado por uma então quase desconhecida Jennifer Lopez, "Selena" é uma cinebiografia convencional, com todas as limitações de um filme para a televisão. Como não poderia deixar de ser, já que seu produtor executivo é Abraham Quintanilla Jr. - pai da cantora - é uma obra que respeita tanto a obra como a imagem da cantora, procurando ater-se à sua meteórica carreira e suas relações familiares e sem exatamente aprofundar-se dramaticamente em nenhum desses aspectos. Bem-sucedido em recriar momentos importantes da jornada da cantora - como seu show em Houston - o filme de Nava não consegue evitar de tropeçar em alguns clichês do gênero, mas o faz com tal carinho e admiração que é difícil não se deixar envolver, apesar da duração excessiva e da falta total de novidades na história. Das origens familiares até o estrelato e seu desfecho violento - com direito até mesmo a uma história de amor proibido - a vida de Selena é contada sem sobressaltos, mas também sem grandes momentos de destaque. Jennifer Lopez se esforça no papel (foi inclusive indicada ao Golden Globe), mas tem pouco a fazer exceto mimetizar com competência as performances da cantora nos palcos (e sincronizar os números musicais, todos apresentados no filme com a voz da própria Selena). Sua atuação é bastante convincente, mas esbarra em um roteiro superficial - talvez culpa da história em si, mas ainda assim pouco empolgante.


Como em toda biografia musical que se preze, a historia de Selena Quintanilla-Perez começa com uma frustração paterna: parte integrante de um trio de cantores latinos que nunca alcançou o sucesso, Abraham Quintanilla Jr. (Edward James Olmos) encontrou nos filhos a possibilidade de fazer parte da história da música. Ainda criança, cantando no grupo formado por seus irmãos e que se apresentava no restaurante de comida típica de propriedade de seu pai, Selena (interpretada por Rebecca Lee Meza na infância) já começa a chamar a atenção pela afinação e pelo carisma. Com o fechamento do restaurante e palcos maiores em parques de diversão e bares, aos poucos ela vai se transformando em uma espécie de porta-voz da comunidade hispânica, misturando influências musicais que iam dos clássicos apresentados por seu pai até o pop de gente como Madonna e Paula Abdul. Sua evolução na carreira chega ao ponto máximo quando ela passa a ser agenciada pelo experiente Jose Behar (John Verea), que lhe oferece um contrato com a EMI e começa a planejar uma expansão internacional. Nessa época, ela conhece e se apaixona por um dos músicos de sua banda, Chris Perez (Jon Seda) - e esbarra na rejeição de seu pai ao relacionamento. Quando as coisas finalmente se acalmam e tudo parece apontar para um futuro alvissareiro, a tragédia acontece.

E é justamente quando o filme chega a um ponto onde realmente pode sobressair-se em relação a outras cinebiografias que "Selena" mostra sua fragilidade. Ao optar por não dar a devida importância ao fim de sua vida - talvez para não tocar em uma ferida ainda recente e dolorida para os fãs e familiares - Gregory Nava simplesmente termina seu filme de forma apressada e anticlimática. A relação entre a cantora e Yolanda Saldivar (Lupe Ontiveros), de vital importância para explicar os acontecimentos que levaram à tragédia final, é quase ignorada, mostrada em poucas cenas que se perdem em meio a sequências desnecessárias e repetitivas da vida profissional e amorosa de Selena. O que é crucial na história - a quebra de confiança entre as duas, as brigas e por fim o assassinato - fica apenas na imaginação do espectador, que, se não souber de detalhes do acontecido, fica completamente perdido nos minutos finais. Aliás, é de se perguntar o motivo de Nava ter escolhido a atriz Lupe Ontiveros - 54 anos à época das filmagens - para interpretar uma personagem de 34: assim como o clímax que não existe, depõe bastante contra o resultado final. Ainda assim, é um filme correto e carinhoso, valorizado pela interpretação vibrante de Jennifer Lopez - e que agrada em cheio aos fãs da cantora sem aborrecer (demais) àqueles que não a conheceram.

terça-feira

A CELA

A CELA (The cell, 2000, New Line Cinema, 107min) Direção: Tarsem Singh. Roteiro: Mark Protosevich. Fotografia: Paul Laufer. Montagem: Robert Duffy, Paul Rubell. Música: Howard Shore. Figurino: Eiko Ishioka, April Napier. Direção de arte/cenários: Tom Foden/Tessa Posnansky. Produção executiva: Donna Langley, Carolyn Manetti. Produção: Julio Caro, Eric McLeod. Elenco: Jennifer Lopez, Vince Vaughn, Vincent D'Onofrio, Dylan Baker, Marianne Jean-Baptiste, Gerry Becker, Patrick Bauchau, Musetta Vander. Estreia: 17/8/00

Indicado ao Oscar de Maquiagem

Como seria a visão da mente de um psicopata através dos olhos de um diretor de videoclipes que tem como seu trabalho mais conhecido o bizarro e genial "Losing my religion", da banda R.E.M.? A resposta é o filme "A cela", ficção de suspense estrelada por Jennifer Lopez, que a despeito de por vezes descuidar-se do roteiro para concentrar-se em seu visual deslumbrante, é um exemplar dos mais interessantes do gênero a surgir no normalmente engessado mercado hollywoodiano. Angustiante, tenso e fascinante, o filme do indiano Tarsem Singh é uma viagem sensorial que explora a beleza de Lopez em contraste com os cenários surreais e o figurino criativo da premiada Eiko Ishioka (de "Drácula de Bram Stoker"), que refletem o tortuoso raciocínio de uma personalidade doentia. Indicado ao Oscar de maquiagem - merecia também nas categorias de direção de arte e figurino - o filme também é uma mostra da coragem de Lopez em investir em produções que não a explorassem unicamente como símbolo sexual.

Não exatamente uma Meryl Streep, Jennifer Lopez é uma atriz decente e esforçada - além de saber escolher com quem trabalha, haja visto que em seus anos iniciais em Hollywood ela foi dirigida por nomes consagrados como Francis Ford Coppola ("Jack"), Steven Soderbergh ("Irresisível paixão") e Oliver Stone ("Reviravolta"). Revelada pela indicação ao Golden Globe por seu desempenho em "Selena" (a história real da cantora de origem latina que foi assassinada pela presidente do seu fã-clube quando estava começando a fazer sucesso), JLo, também uma cantora pop bem-sucedida, nem precisa se esforçar muito no papel principal de "A cela": como a psicoterapeuta Catherine Deane, adepta de um novo tipo de tratamento que consiste em adentrar a mente dos pacientes para tentar livrá-los de seus traumas, ela acaba se tornando coadjuvante de um filme cujo visual acachapante é a maior virtude. Ainda assim, seu carisma e beleza tornam impossível que ela passe despercebida em meio às acrobacias visuais promovidas pelo diretor.


A psicoterapeuta interpretada por Lopez já começa o filme sofrendo um baque na carreira, quando os pais de um menino em coma de que ela vem cuidando há algum tempo resolvem tentar um tratamento mais ortodoxo. Não é pra menos: com a assistência dos doutores Henry West (Dylan Baker) e Miriam Kent (Marianne Jean-Baptiste), ela vem desenvolvendo uma terapia bastante controversa, onde penetra no subconsciente dos pacientes através de um sistema computadorizado que dá acesso aos mais obscuros cantos da mente. Frustrada com a interrupção do tratamento do garoto, ela é procurada por um grupo de agentes do FBI que lhe pedem ajuda em um caso atípico e assustador: responsável pela morte de várias mulheres, o serial killer Carl Stargher (Vincent D'Onofrio) está nas mãos da polícia, mas, por um golpe do destino, é incapaz de apontar a localização de sua última vítima, já que entrou em um coma irreversível no momento de sua captura. Ainda viva segundo os cálculos da polícia, Julia Dickson (Tara Subkof) ainda pode sobreviver, mas para isso é preciso que seu paradeiro seja descoberto o quanto antes. Sendo assim, Catherine aceita o desafio de entrar no mundo do psicopata Stargher - e o que encontra lá é mais do que sinistro: é um pesadelo em tempo integral.


Prejudicado pela presença sempre anódina e aparvalhada de Vince Vaughn - na pele do detetive Peter Novak - "A cela" brilha sempre que apresenta ao espectador a visão toda particular de Tarsem Singh do apavorante mundo de seu psicopata. Em cores fortes e vibrantes que o aproximam perigosamente do kitsch mas ao mesmo tempo seduzem o espectador de forma quase hipnótica, os cenários criados por Tom Folden e Tessa Posnansky são dos mais extraordinários de seu tempo, mesclando uma atmosfera de sonho intenso com um clima claustrofóbico de deixar qualquer um desconfortável na poltrona. Uma pena, porém, que o roteiro não siga o mesmo tom criativo, apelando para todos os clichês psicanalíticos possíveis e imagináveis para explicar o comportamento violento do vilão - aliás, interpretado com gosto pelo excêntrico Vincent D'Onofrio. Esse senão é o que fragiliza o resultado final, impedindo que o primeiro longa-metragem de Tarsem se torne a pequena obra-prima que poderia ser. Ainda assim, é um filme que merece ser conhecido e aplaudido por suas inúmeras qualidades.

segunda-feira

REVIRAVOLTA

REVIRAVOLTA (U-turn, 1997, Phoenix Pictures/Clyde is Hungry Productions/Illusion Entertainment Group, 125min) Direção: Oliver Stone. Roteiro: John Ridley, romance "Stray dogs", de John Ridley. Fotografia: Robert Richardson. Montagem: Hank Corwin, Thomas J. Nordberg. Música: Ennio Morricone. Figurino: Beatrix Aruna Pasztor. Direção de arte/cenários: John Ridley. Produção executiva: John Ridley. Produção: Dan Halsted, Clayton Townsend. Elenco: Sean Penn, Jennifer Lopez, Nick Nolte, Billy Bob Thornton, Jon Voight, Joaquin Phoenix, Claire Danes, Julie Hagerty. Estreia: 27/8/97 (Festival de Telluride)

Para mostrar que não é um diretor preocupado apenas com as consequências da guerra do Vietnã e com as mazelas políticas e sociais dos EUA - e consequentemente fugir da pecha de cineasta mais propenso a polêmicas do que a entretenimento puro e simples - Oliver Stone deixou de lado suas obsessões mais caras (ou nem tanto, já que visualmente se manteve fiel a suas narrativas rocambolescas) para assinar "Reviravolta", um drama policial que mistura no mesmo balaio ultra-violência, sexo, humor negro e incesto com a mesma naturalidade com que conta a história (já tantas vezes contada pelo cinema) do homem que se mete com a mulher errada na hora errada... e no caso de seu filme, também na cidade errada. Subvertendo as regras visuais do cinema noir - ao substituir a escuridão das sombras pela luz de um escaldante sol - com a fotografia estourada de seu colaborador habitual Robert Richardson (oscarizado por "JFK"), Stone criou uma espécie de episódio estendido de "Além da imaginação", utilizando-se, para isso, de um roteiro que não cansa de surpreender a plateia com novas informações e (com o perdão da repetição) reviravoltas. Sexy, cruel e sarcástico, o filme, estrelado por um impecável Sean Penn e uma estonteante Jennifer Lopez, não é dos mais conhecidos trabalhos do diretor, mas é muito acima da média do comportado cinema norte-americano.

O estilo cinematográfico de Oliver Stone - imagens sobrepostas, diferentes tipos de filmagem, edição extremamente ágil - fica claro logo nos primeiros minutos de "Reviravolta", que mostram a chegada do misterioso Bobby Cooper (Sean Penn) à Superior, no interior de Nevada. A caminho de Las Vegas para pagar uma dívida de jogo que já o fez perder dois dedos da mão, ele se vê obrigado a parar na pequena cidade depois que seu carro estraga e, enquanto o bizarro mecânico Darrell (Billy Bob Thornton) cuida do automóvel, ele passeia pelo calor sufocante do local, encravado no meio do deserto. Como um oásis de beleza e sensualidade, seus olhos caem na bela Grace (Jennifer Lopez), uma mulher provocante que não demora em tentar seduzí-lo a despeito de ser casada com o feroz Jake McKenna (Nick Nolte), um homem mais velho e violento que não demora a propor um elaborado plano de assassinato ao atarantado rapaz. Sem dinheiro para pagar sua dívida (por motivos que não convém revelar para não estragar as surpresas) e nem ao menos a conta do mecânico, Bobby fica tentado a aceitar a proposta, mas acaba se enroscando em uma trama muito mais cheia de mentiras do que supunha a princípio. Não bastasse isso, ele precisa lidar com outras personalidades estranhas do lugar, como um velho índio cego (Jon Voight, irreconhecível em um papel que Stone quis oferecer a Marlon Brando) e um casal de jovens (Claire Danes e Joaquin Phoenix) que parece ter como missão na vida perturbar o pouco que resta de sua paz.


Com uma narrativa que apresenta resquícios de "Assassinos por natureza" - imagens deformadas, personagens à beira da histeria e uma dose superlativa de humor negro - "Reviravolta" pode até ser descrito por seu diretor como um filme simples, mas há muito mais complexidade em seu desenvolvimento do que uma primeira espiada pode mostrar. O que começa com um simples road movie macabro vai se transformando lentamente em um tenso exercício de suspense, banhando em uma sensualidade crua - enfatizada pela iluminação saturada que amplia a sensação claustrofóbica - e uma sucessão de traições que remete aos mais famosos escritores pulp americanos, como se Raymond Chandler e Dashiel Hammett substituíssem os bares degradantes e agências de detetives que habitam seus romances por um deserto tão pernicioso quanto. É irônico perceber que, por menos correto e honesto que seja, Bobby é o heroi da história, sendo pego como uma mosca na teia de volúpia e corrupção de Grace e Jake. O roteiro de John Ridley - o mesmo que ganhou o Oscar por "12 anos de escravidão" quinze anos mais tarde - é tão sacana que não resta opção ao público senão torcer pelo protagonista mesmo que ele destoe radicalmente do ideal do bom-mocismo cinematográfico. E para isso conta muito que ele seja interpretado por Sean Penn, o melhor ator de sua geração.

Primeira escolha de Oliver Stone para protagonizar o filme, Penn quase ficou de fora da produção devido a problemas de agenda, sendo substituído por Bill Paxton até quase o início das filmagens, quando retomou o papel (que felizmente foi recusado por Tom Cruise, que facilmente poderia estragar o resultado final com seu ar de eterno galã). Apresentando uma das melhores atuações de sua carreira, o ator transita com naturalidade entre o tédio, o medo, a fúria, o tesão e a perplexidade, contagiando com seu imenso talento até a então novata Jennifer Lopez, que, mesmo não precisando fazer mais do que aquecer a tela com sua beleza candente, se mostra uma atriz promissora e dedicada. Sua química com Sean Penn é outro destaque de um filme repleto de qualidades que infelizmente passou quase em branco pelos cinemas - nos EUA é fácil odiar os trabalhos de Oliver Stone graças a suas ideias "perigosas", e tal desprezo acabou prejudicando a carreira internacional de "Reviravolta". Felizmente, sempre há tempo para reparar tal erro e conhecer - ou redescobrir essa pequena pérola de sua filmografia.

sexta-feira

JACK

JACK (Jack, 1996, American Zoetrope/Hollywood Pictures/Great Oaks, 113min) Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: James DeMonaco, Gary Nadeau. Fotografia: John Toll. Montagem: Barry Malkin. Música: Michael Kamen. Figurino: Aggie Guerard-Rodgers. Direção de arte/cenários: Dean Tavoularis/Armin Ganz, Barbara Munch. Produção executiva: Doug Claybourne. Produção: Francis Ford Coppola, Fred Fuchs, Ricardo Mestres. Elenco: Robin Williams, Diane Lane, Jennifer Lopez, Bill Cosby, Fran Drescher, Brian Kerwin, Adam Zolotin, Todd Bosley. Estreia: 09/9/96

Entre obras-primas incontestáveis ("O poderoso chefão"), projetos pessoais "("A conversação"), produções ambiciosas e complicadas ("Apocalypse now") e filmes sob encomenda ("Vidas sem rumo"), Francis Ford Coppola às vezes surpreende o público e a indústria de cinema com coisas como "Jack", um delicado e sincero conto infanto-juvenil que substitui a pretensão comercial e artística normalmente contidas em sua filmografia pela ambição pura e simples de contar uma história - que, afinal de contas é o cerne do cinema desde sua invenção. É de se questionar se o imenso talento cabe em obras tão minimalistas, mas o fato é que sempre é uma delícia se deixar entreter por alguém que sabe exatamente o que está fazendo. "Jack" pode não ser um filme extraordinário - está longe disso, aliás - mas dentro que se propõe, é um sopro de ar fresco em um cinema tão violento e inconsequente quanto o de Hollywood. Apenas uma dúvida persiste em seu final: é um filme infanto-juvenil com alma adulta, ou um filme adulto com alma juvenil?

"Jack" se aproveita de uma condição médica real chamada Sìndrome de Werner para, exagerando-a com fins dramáticos, contar a história de um menino de dez anos, Jack Powell, que, crescendo quatro vezes mais do que o normal, entra na escola pela primeira vez com a aparência de um homem de 40 anos. As angústias, situações cômicas e momentos de extrema emoção provenientes de tal situação são o recheio do roteiro de uma obra que usa e abusa de artifícios questionáveis para conquistar a plateia infantil - piadas sobre excrementos, escatologia visual - e esquece com frequência da outra parcela de sua audiência, que precisa contentar-se com situações nem sempre tão engraçadas como poderiam - as que envolvem a mãe de um dos colegas de Jack, que o confunde com o diretor da escola e é vivida pela ótima Fran Drescher, da série de TV "The Nanny" - e alguns momentos de emoção genuína que valem o filme, especialmente quando valorizadas pela atuação caprichada de Diane Lane como a mãe do protagonista, uma mulher tentando da melhor maneira possível lidar com a grande surpresa que o destino lhe fez.


"Jack" começa já mostrando de forma inteligente a peculiaridade de seu protagonista: a bela Karen Powell (Lane) está se divertindo em uma festa à fantasia, ao lado do marido, quando começa a sentir violentas contrações, incoerentes com seus meros dois meses de gravidez. Para sua surpresa, porém, ao chegar ao hospital, ela dá à luz um bebê saudável, forte e de tamanho condizente com um recém-nascido normal. Logo depois os médicos explicam a ela e a seu marido, Brian (Brian Kerwin), que Jack sofre de uma condição rara que o fará apresentar um crescimento celular desproporcional à sua idade. Preocupados, os pais de primeira viagem tomam a decisão de educar o menino dentro de casa, com um professor particular, o dedicado Dr. Woodruff (Bill Cosby). Dez anos depois, porém, eles não conseguem mais impedir seu filho - um menino tímido e solitário, que é vítima do falatório das crianças da vizinhança - se esconda do mundo, e, a pedido dele mesmo, o matriculam em uma escola normal. Lá, ele tem a proteção da professora, Miss Marquez (Jennifer Lopez) e, depois de sofrer certa discriminação por algum tempo, faz amizade com Louie (Adam Zolotin), um aluno-problema que lhe mostra as alegrias de ser criança.

É inegável o foco de Coppola na relação entre Jack e sua turma de novos amigos, um grupo de meninos endiabrados que vivem uma infância como aquelas de antigamente - com casa na árvore e rituais de passagem incluídos no pacote - em detrimento de um crescimento mais condizente com a época em que se passa a trama. Essa nostalgia (e não anacronia como possa parecer) dá um encanto a mais ao filme, permitindo ao espectador uma viagem à inocência da infância, aos sabores de um amadurecimento não mais permitido em um período tão repleto de tecnologia e individualismo (mesmo que a maior parte do filme se passe em 1996, ou seja, pré-uso massivo de celulares e internet, é impossível deixar de perceber o carinho do cineasta pela época em que crianças brincavam entre si e não apenas com seus computadores. Talvez não seja o ponto principal do roteiro, mas a ideia fica ainda mais clara hoje em dia).

E se as boas intenções do roteiro - e sua sensibilidade doce que se enfatiza no terço final - já são motivo o bastante para uma espiada em "Jack", ainda existe seu maior trunfo: a escalação de seu ator central. Poucos atores em Hollywood seria opção mais acertada do que Robin Williams, um adulto com alma de criança que já havia deixado a indústria de joelhos com os sucessos consecutivos de "Aladim" - no qual dublou com perfeição absoluta o Gênio da Lâmpada - e "Uma babá quase perfeita" - que encheu os cofres da 20th Century Fox. Na pele do inquieto Jack, ele não apenas recria as atitudes e maneirismos de uma criança de dez anos de idade: ele se transforma em uma, da mesma forma como Tom Hanks já havia feito com maestria em "Quero ser grande", que lhe valeu uma indicação ao Oscar. Williams não foi lembrado pela Academia dessa vez (só seria premiado dois anos depois, como coadjuvante por "Gênio indomável"), mas provou, mais uma vez, que era um ator extraordinário, capaz de fazer brilhar os roteiros mais simples que lhe caíssem às mãos. Ele é o maior motivo para se assistir a esse pequeno Francis Ford Coppola.

quarta-feira

ENCONTRO DE AMOR

ENCONTRO DE AMOR (Maid in Manhattan, 2002, Revolution Studios, 105min ) Direção: Wayne Wang. Roteiro: Kevin Wade, estória de Edmond Dantès (pseudônimo de John Hughes). Fotografia: Karl Walter Lindelaub. Montagem: Craig McKay. Música: Alan Silvestri. Figurino: Albert Wolsky.  Direção de arte/cenários: Jane Musky/Susan Tyson. Produção executiva: Benny Medina, Charles Newirth. Produção: Elaine Goldsmith-Thomas, Paul Schiff, Deborah Schindler. Elenco: Jennifer Lopez, Ralph Fiennes, Stanley Tucci, Bob Hoskins, Natasha Richardson, Tyler Posey, Frances Conroy. Estreia: 13/12/02

Famoso por seus clássicos adolescentes dos anos 80, como "A garota de rosa-shocking", "Gatinhas e gatões" e "Clube dos cinco", o cineasta John Hughes escreveu, no final dos anos 90, um roteiro inspirado na história real do filho do governador Nelson Rockefeller, que se casou com a camareira de um de seus vários hoteis em 1959. Adaptado para se passar na Chigado dos anos 20, o filme seria estrelado por Hilary Swank, mas conforme o tempo foi passando, as coisas iam mudando. Depois que Hughes resolveu apenas produzir, nomes como Sandra Bullock e Julia Roberts foram cotadas para o papel principal e o cineasta Wayne Wang - nascido em Hong Kong e diretor de pequenos grandes filmes como "Cortina de fumaça" e "Clube da felicidade e da sorte" - assumiu o comando do projeto. Quando o filme finalmente viu a luz dos refletores, no final de 2002, com a cantora Jennifer Lopez na liderança do elenco, pouco restava do script de Hughes, que pediu para ter seu nome removido dos créditos. Dessa vez passado na Nova York de 2001, "Encontro de amor" conquistou às plateias românticas, os fãs de J-Lo e ao estúdio, que não se decepcionou com a renda doméstica que beirou os 100 milhões de dólares de arrecadação.

No entanto, o sucesso de bilheteria tem mais ver com o poder de Lopez em atingir seu público do que com as qualidades do filme. Mesmo que seja leve, visualmente agradável e bem interpretado - especialmente pelo sempre confiável Ralph Fiennes - "Encontro de amor" é apenas mais um drama romântico, sem nada que o diferencie de dezenas de outras produções do gênero. Frustra quem procura mais do que isso, mas agrada em cheio ao público (especialmente o feminino) com um trama ingênua e fantasiosa que mistura tudo aquilo que pode: identidades trocadas, crianças adoráveis, sofisticação e uma dupla central atraente. Com isso em mãos, a chance de erro era mínima, e não seria Wang, um cineasta sensível e atento às idiossincrasias humanas, que poria tudo a perder.


Lopez, que não é uma grande atriz, mas tem presença de cena, é linda e carismática, interpreta Marisa Ventura , uma das dezenas de camareiras de um imponente hotel de Nova York, que frequentemente passa em branco por seus sofisticados clientes - que muitas vezes nem lembram seu nome ou rosto. Criando praticamente sozinha seu filho pequeno, que tem uma curiosa admiração por grandes oradores políticos, Marisa sonha em tornar-se subgerente do hotel, como forma de levar uma vida menos sacrificante. Sua grande chance de atingir seu objetivo acontece, porém, na mesma época em que, por uma ironia do destino, ela passa a ser confundida com uma hóspede milionária justamente por Christopher Marshall (Ralph Fiennes), candidato ao Senado americano. Sem desconfiar de suas origens humildes, Marshall se sente irremediavelmente atraído por ela, que corresponde o sentimento mesmo sabendo que o romance tem data marcada para acabar.

Pontuado por uma trilha sonora que inclui duas belas canções de Norah Jones, "Encontro de amor" oferece ao espectador exatamente o que promete. Não muda a história do cinema e nem ao menos de seu gênero. Não irá para a lista dos favoritos de ninguém que leve o cinema a sério, e tampouco entrará na lista dos melhores do estilo. Mas é uma sessão da tarde competente, que utiliza de todos os clichês das comédias românticas a seu favor.

sexta-feira

IRRESISTÍVEL PAIXÃO

IRRESISTÍVEL PAIXÃO (Out of sight, 1998, Universal Pictures, 123min) Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: Scott Frank, romance de Elmore Leonard. Fotografia: Elliot Davis. Montagem: Anne V. Coates. Música: David Holmes. Figurino: Betsy Heinman. Direção de arte/cenários: Gary Frutkoff/Maggie Martin. Produção executiva: Barry Sonnenfeld, John Hardy. Produção: Danny DeVito, Michael Shamberg, Stacey Sher. Elenco: George Clooney, Jennifer Lopez, Ving Rhames, Don Cheadle, Catherine Keener, Steve Zahn, Dennis Farina, Albert Brooks, Luis Guzman, Viola Davis. Estreia: 26/6/98

2 indicações ao Oscar: Roteiro Adaptado, Montagem

Em 1998, o escritor norte-americano Elmore Leonard estava na crista da onda. Barry Levinson havia dirigido "O nome do jogo", elogiado pela crítica e premiado com um Golden Globe. O cultuado Quentin Tarantino tinha realizado "Jackie Brown" baseado em seu romance "Run Punch" e feito um trabalho excepcional. Para completar o quadro só faltava mesmo um diretor cult: Steven Soderbergh, premiado em Cannes com seu "sexo, mentiras e videotape" em 1988 deu às tramas de Leonard a sofisticação que faltava ao humor negro de Levinson e à violência de Tarantino. "Irresistível paixão" é um policial romântico com alto grau de sensualidade, tudo graças à química impecável entre Jennifer Lopez e George Clooney.

Jack Foley (vivido com o charme habitual de Clooney, exercitando seu lado Cary Grant anos 90) é um assaltante de bancos profissional. Durante uma fuga de uma de suas condenações, ao lado de seu parceiro de todas as horas, Buddy Bragg (Ving Rhames), ele acaba ficando preso no porta-malas de um carro junto com Karen Sisco (a belíssima Lopez, melhor atriz do que se poderia esperar), uma agente do FBI que estava na penitenciária por acaso. Surge uma atração irresistível entre eles, mas logicamente eles se afastam sem consumar o desejo nascido de maneira tão absurda. Sem conseguir esquecer um do outro, eles vêem seus caminhos novamente cruzados quando, no processo de dar um de seus grandes golpes, Foley esbarra novamente em Karen, que, fascinada, se divide entre os novos sentimentos e os deveres profissionais.



Não é preciso ser um expert em cinema para perceber que "Irresistível paixão" foge dos padrões habituais do cinema policial. Primeiro, não há um herói típico, de moral ilibada e incorruptível. Depois, o mocinho é um criminoso, apesar de esbanjar charme e não abusar da violência. E por fim, em muitos momentos a plateia se vê torcendo por ele e por seu romance complicado com a policial. Além disso, o filme de Soderbergh deita e rola em uma edição inteligente, que privilegia as idas e voltas do roteiro, deixando o público sempre à espera dos próximos acontecimentos (que além de tudo são bastante imprevisíveis). E além da trama divertida e envolvente, o cineasta mostra-se, mais uma vez, um exímio diretor de atores, todos eles fantásticos (com a exceção, novamente, de Michael Keaton, que repete sua atuação pifia de "Jackie Brown" na pele do mesmo policial Ray Nicolette).

O elenco coadjuvante de "Irresistível paixão" é um de seus maiores trunfos. Um irreconhecível Albert Brooks vive um milionário que, depois de passar uma temporada na prisão, torna-se uma vítima em potencial das armações de Foley; Don Cheadle brilha como o marginal Maurice Miller e Steve Zahn volta a divertir a audiência como o atrapalhado Glenn Michaels. Mas não há como falar do filme sem que venha imediatamente à mente o excelente trabalho de sua dupla central. Linda, sensual e convincente mesmo como uma policial, Jennifer Lopez tem aqui um dos maiores destaques de sua carreira. E Clooney aproveita a desenvoltura da parceira para construir um Jack Foley que ele mesmo considera uma de suas melhores atuações.

"Irresistível paixão" é um divertido entretenimento de classe e categoria. Inteligente, sarcasticamente engraçado e absolutamente sexy, é um filme que, apesar da bilheteria decepcionante, merece ser descoberto e aplaudido por sua criatividade e por seu elenco impecável.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...