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quinta-feira

QUEREM ME ENLOUQUECER

QUEREM ME ENLOUQUECER (Nuts, 1987, Warner Bros, 116min) Direção: Martin Ritt. Roteiro: Tom Topor, Darryl Ponicsan, Alvin Sargent, peça teatral de Tom Topor. Fotografia: Andrzej Barkowiak. Montagem: Sidney Levin. Música: Barbra Streisand. Figurino: Joe Tompkins. Direção de arte/cenários: Joel Schiller/Anne McCulley. Produção executiva: Cis Corman, Teri Schwartz. Produção: Barbra Streisand. Elenco: Barbra Streisand, Richard Dreyfuss, Maureen Stapleton, Karl Malden, Eli Wallach, Leslie Nielsen, James Whitmore, Robert Webber. Estreia: 11/12/87

Quando "Querem me enlouquecer" estreou nos EUA, no final de 1987, já fazia quatro anos que o público não via Barbra Streisand nos cinemas. Em seu último filme, "Yentl" (83), ela havia assumido as múltiplas funções de diretora, roteirista, produtora, atriz e compositora das canções da trilha sonora, e sua ausência das telas era sentida pelos fãs e pela crítica, à espera de seu novo trabalho. Para surpresa de muitos, no entanto, a estrela multimídia retornou com menos ambição e em registro completamente diferente. Adaptado de uma peça de teatro de Tom Topor lançada em 1980 em Nova York, "Querem me enlouquecer" é um drama de tribunal que ofereceu à atriz uma chance de mostrar que nem só de comédias e musicais era feita sua carreira: com um pagamento recorde (à época) de cinco milhões de dólares, Streisand novamente acumulou cargos (atuou, produziu, compõs a trilha sonora e, dizem, colaborou no roteiro), mas deixou a direção a cargo de Martin Ritt e entregou-se de corpo e alma à sua personagem, dividindo a cena com um elenco de vencedores do Oscar que valorizam cada cena da produção.

O primeiro é Richard Dreyfuss - vencedor da estatueta por "A garota do adeus" (77). Primeira escolha para o papel do advogado Aaron Levinsky, Dreyfuss recusou o papel, cobiçado por nomes como Alan Arkin, John Malkovich e Sean Penn (!!) e obrigou a Warner a uma busca árdua para substituí-lo. Depois que Dustin Hoffman saiu definitivamente do projeto (devido a questões salariais e as famosas "diferenças criativas", nomes fortes foram cotados para fazer frente a Streisand. De Marlon Brando a Richard Gere - passando por Paul Newman, Al Pacino, Kevin Kline, Robert De Niro, Robert Duvall e Jeff Bridges -, parecia que qualquer ator com o mínimo de visibilidade estava na lista dos produtores. Quando finalmente Dreyfuss capitulou e assinou contrato, o filme não apenas teve um problema sério resolvido (a escalação de seu protagonista masculino), mas também ganhou em prestígio e popularidade - no mesmo ano, o ator era o principal nome da comédia policial "Tocaia", grande sucesso de bilheteria nos EUA. Dando continuidade a seu cuidado na escalação do elenco, os produtores ainda contaram com a presença de Maureen Stapleton (Oscar de atriz coadjuvante por "Reds", de 1981) e Karl Malden (vencedor por "Sindicato de ladrões", de 1954, também na categoria de coadjuvante). Malden, na pele do padrasto da personagem principal, ficou com um papel oferecido a veteranos como Kirk Douglas, Gregory Peck, Burt Lancaster e Robert Mitchum - e saiu-se muito bem em seu delicado papel, responsável pela desistência da Universal Pictures em produzir o filme.


Diante de alguns elementos polêmicos da trama de "Querem me enlouquecer", os executivos da Universal abandonaram o projeto, que seria dirigido por Mark Rydell e estrelado por Debra Winger, escolhida pelo diretor em detrimento de Streisand - já interessada em protagonizar o filme. Com a saída de Winger, não demorou para que o próprio Rydell também demonstrasse desinteresse pela produção. Era o que a atriz/cantora/produtora precisava para tomar as rédeas da situação: contratou Martin Ritt para a direção, ficou com o papel principal e encarou a controvérsia que fatalmente iria ser suscitada pelo filme. O resultado, se não foi um sucesso estrondoso de bilheteria, ao menos conquistou parte da crítica e chegou a ser indicado a três Golden Globes: melhor filme, ator e atriz. Dessa vez a Academia não se deixou encantar pelos dotes artísticos de Barbra, mas o espectador que passar por cima desse pequeno detalhe tem tudo para se deixar envolver com um drama de tribunal da melhor qualidade, com um texto inteligente, direção segura e interpretações inspiradíssimas - e que apresenta Leslie Nielsen em seu último papel dramático no cinema, antes de encarar de vez a persona mais popular de sua carreira, na série de filmes "Corra que a polícia vem aí".

A protagonista do filme é Claudia Draper, uma garota de programa de luxo que é presa logo depois de matar um cliente. Ela alega legítima defesa, mas sua família, para evitar um escândalo maior, decidem que declará-la mentalmente incapaz será mais eficaz. Revoltada com a decisão tomada sem seu consentimento, Claudia conta com a ajuda do defensor público Aron Levinsky (Richard Dreyfuss) garantir seu direito a um julgamento justo e imparcial - o que pode trazer à tona um passado repleto de traumas e segredos inconvenientes. Em sua luta, Levinsky bate de frente com médicos e promotores, além de brigar também (e principalmente) com a mãe e o padrasto de sua cliente, preocupados em ver seus nomes nas páginas policiais. O roteiro conduz com relativo equilíbrio a denúncia social e o suspense, oferecendo momentos de brilho para todos os seus ótimos atores, mas Martin Ritt peca em ser excessivamente convencional em sua narrativa e não dar a seu poderoso clímax a força que poderia dar. Apesar disso, "Querem me enlouquecer" é um drama de tribunal realizado com a seriedade e o talento apreciados pelos fãs do gênero, que não terão do que reclamar quando acabar a sessão - que mais uma vez prova a extensão do talento de sua atriz central.

terça-feira

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 33 1/3, O INSULTO FINAL

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 33 1/3, O INSULTO FINAL (The naked gun 33 1/3, the final insult, 1994, Paramount Pictures, 83min) Direção: Peter Segal. Roteiro: Pat Proft, David Zucker, Robert LoCash. Fotografia: Robert Stevens. Montagem: James R. Symons. Música: Ira Newborn. Figurino: Mary E. Vogt. Direção de arte/cenários: Lawrence G. Paull/Kathe Klopp. Produção executiva: Jim Abrahams, Gil Netter, Jerry Zucker. Produção: Robert K. Weiss, David Zucker. Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, Fred Ward, George Kennedy, O.J. Simpson. Estreia: 18/3/94

Durante anos Leslie Nielsen - infelizmente falecido no último dia 28 de novembro - tentou ser levado a sério como ator, e até testes para o clássico "Ben-hur" ele fez. Para sorte dos fãs de comédias nonsense, no entanto, foi somente como Frank Drebin, tenente da academia de polícia de Los Angeles na série de filmes "Corra que a polícia vem aí" que ele finalmente chegou ao ápice de sua carreira. Com seu ar abobalhado, Drebin (ou Nielsen) praticava os mais devastadores estragos possíveis, levando a plateia às gargalhadas sem nem ao menos desconfiar que era o responsável por todas as confusões que havia à sua volta. Remodelado a partir da série de TV (fracassada) "Esquadrão de polícia", o tenente apareceu pela primeira vez no filme de 1988, repetiu o sucesso em 1991 e encerrou a trilogia em 1994 com "O insulto final", que, se não teve a mesma bilheteria de seus antecessores, ao menos consegue ser tão engraçado quanto eles.

A primeira sequência do filme - uma sátira à cena mais famosa de  "Os intocáveis", de Brian de Palma - já diz que dessa vez o diretor Peter Segal adicionou um outro bem-vindo ingrediente à receita vencedora: citações descaradas de outros filmes de sucesso. Desfilam, nesse terceiro capítulo, homenagens explícitas  a "Jurassic Park", "Traídos pelo desejo" e "Thelma & Louise" e sarcasmos discretos à onda de produções cujos títulos começam com "atração" ou "fatal". Pode-se dizer, sem medo, que "O insulto final" é muito mais engraçado e divertido para os fãs de cinema, que acompanham muito melhor as inúmeras referências aos filmes e às incoerências do Oscar - retratado com um humor cáustico e com as participações de Raquel Welch, Olympia Dukakis, James Earl Jones, Elliot Gould e Mariel Hemingway.



Quando o filme começa, o tenente Drebin está aposentado. Como um bom dono-de-casa, ele cozinha, lava, passa, limpa e chora assistindo a telenovelas, enquanto sua mulher, Jane (Priscilla Presley) inicia uma promissora carreira de advogada. O casamento dos dois entra em crise devido à insistência de Jane em ser mãe e azeda de vez quando ela descobre que ele, mesmo fora da polícia, ainda faz trabalhos para ajudar seus ex-parceiros Ed (George Kennedy) e Nordberg (O.J.Simpson). Mergulhando no trabalho para esquecer o fim de seu casamento, Drebin se passa por presidiário para descobrir onde o terrorista Rocco Dillon (Fred Ward) planeja plantar uma bomba em Los Angeles. Quando o alvo é descoberto - a cerimônia de entrega do Oscar - o famoso policial resolve impedir o sucesso da missão do criminoso.

Em menos de hora e meia de projeção, Frank Drebin simplesmente acaba com todo e qualquer mau-humor. Seja em piadas de duplo sentido ou em um humor físico, Leslie Nielsen conquista a plateia sem fazer muita força - sua persona desajeitada é comparável ao Mr.Hulot de Jacques Tati ou ao Mr. Bean de Rowan Atkinson, com a diferença que ele pode falar. E fala muita, mas muita besteira. É impressionante como o roteiro não cansa de disparar piadas tão absurdamente tolas que chegam a ser brilhantes. Absolutamente todos os clichês do cinema são enfileirados em "Corra que a polícia vem aí 33 1/3", para serem sistematicamente ridicularizados e/ou homenageados. E a participação especial de R. Lee Ermey como um policial truculento - sua especialidade - apenas reitera o prestígio que as produções do trio ZAZ - David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker - tem (ou tinham) em Hollywood.

Não é de esperar mais do que muitas risadas em "Corra que a polícia vem aí 33 1/3". Mas se for levado em consideração que muitas pretensas comédias não arrancam mais do que tímidos sorrisos de sua audiência, essa terceira parte é um sucesso absoluto. Uma pena que, com a morte de Nielsen, não exista a possibilidade de um 444 1/4.

sábado

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 2 1/2

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 2 1/2 (The naked gun 2 1/2: the smell of fear, 1991, Paramount Pictures, 85min) Direção: David Zucker. Roteiro: David Zucker, Pat Profit. Fotografia: Robert Stevens. Montagem: Chris Greenbury, James Symons. Música: Ira Newborn. Figurino: Taryn Dechellis. Direção de arte/cenários: John J. Lloyd/Mickey S. Michaels. Casting: Mindy Marin. Produção executiva: Jim Abrahams, Gil Netter, Jerry Zucker. Produção: Robert K. Weiss. Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, George Kennedy, O.J. Simpson. Estreia: 28/6/91

O sucesso de "Corra que a polícia vem aí", em 1988, provou aos estúdios de Hollywood que o público precisava rir. Não em comédias intelectuais e sofisticadas como as de Woody Allen e nem tampouco em bobagens adolescentes com temática puramente sexual como as da série "Porky's". O público queria rir sem pensar muito e aprovou com louvor o filme de David Zucker. Uma continuação, portanto, era só questão de tempo. E o tempo passou, fazendo com que Zucker entregasse o segundo capítulo das desventuras do atrapalhado Tenente Frank Drebin (vivido com propriedade pelo sempre hilário Leslie Nielsen).

Enquanto no primeiro capítulo Drebin deitava e rolava enquanto tentava impedir um atentado contra a Rainha Elizabeth, dessa vez ele precisa lidar com uma ameaça contra o meio-ambiente. Tentando superar a separação da mulher que ama, Jane (Priscilla Presley, com o timing cômico intocado), ele descobre que os líderes que detem os domínios sobre a distribuição de energia nos EUA tem um plano de sequestrar um cientista que pretende mudar as regras do jogo e substituí-lo por um sósia. Ao lado dos colegas de equipe, o capitão Ed Hocken (George Kennedy) e o detetive Nordberg (O.J. Simpson), Drebin fica sabendo ainda que o mentor do plano, o empresário Quentin Hapsburg (Robert Goulet) é o novo namorado de Jane, o que o incentiva ainda mais a acabar com o plano maligno.



Assim como acontecia no primeiro filme, a história é apenas um pretexto para que Leslie Nielsen desfile pela tela com sua aparência mais tranquila, enquanto causa atrocidades sem dar-se conta disso. Um exemplo claro é a sequência inicial, em que espanca a então primeira-dama Barbara Bush durante um jantar cerimonioso - em que até uma batata vai parar no turbante de Winnie Mandela. Sim, não há limites para o humor de Zucker e companhia, que são capazes de provocar risadas com piadas inteligentes e com gags visuais que beiram o infame. Mais uma vez são tantos os detalhes nonsense em cada cena que é preciso ter uma atenção redobrada para não deixar escapar nada.


"Corra que a polícia vem aí 2 1/2" é mais do mesmo, sim. Mas é engraçadíssimo ainda assim, reiterando o poder criativo de seus autores e o talento inegável de Leslie Nielsen no papel mais marcante de sua carreira. Para ver e dar muitas gargalhadas sempre.

quarta-feira

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ


CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ (The naked gun, 1988, Paramount Pictures, 85min) Direção: David Zucker. Roteiro: Jerry Zucker, David Zucker, Jim Abrahams, Pat Proft. Fotografia: Robert Stevens. Montagem: Michael Jablow. Música: Ira Newborn. Figurino: Mary E. Vogt. Direção de arte/cenários: John J. Lloyd/Rick T. Gentz. Casting: Pamela Basker, Fern Champion. Produção executiva: Jerry Zucker, David Zucker, Jim Abrahams. Produção: Robert K. Weiss. Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, Ricardo Montalban, George Kennedy, O.J. Simpson. Estreia: 02/12/88

Tudo bem que comédias inteligentes, com roteiros repletos de diálogos irônicos e humor sutil fazem a glória do gênero, como bem o sabem fãs de gente como Billy Wilder e Woody Allen. Mas nada como uma grandiosa bobagem para que o público esqueça por uma hora e meia o cérebro e gargalhe à vontade. E é exatamente esse o objetivo de “Corra que a polícia vem aí”, um dos filmes mais engraçados da história do cinema.

Tendo como base a série de TV “Esquadrão de Polícia”, que não vingou nos EUA, o trio ZAZ (responsável também pelos hilários “Apertem os cintos, o piloto sumiu” e “Top secret”) criou uma sucessão de piadas infames, normalmente visuais mas também verbais (o que a tradução por vezes acaba perdendo). O herói (se é que pode ser chamado assim) é o Tenente Frank Drebin (um impagável Leslie Nielsen, no papel de sua vida), que recebe a missão de proteger a Rainha Elizabeth da Inglaterra quando ela chega aos EUA. O que talvez parecesse razoavelmente fácil torna-se complicado quando Drebin descobre um plano para assassinar a monarca durante uma partida de beisebol. Para piorar o policial se apaixona por Jane (Priscilla Presley, a viúva de Elvis, rejuvenescida e igualmente hilária), namorada do mentor do plano (Ricardo Montalban, da “Ilha da Fantasia”).


Em menos de hora e meia de filme, o diretor David Zucker consegue destruir dezenas de clichês que povoam os filmes policiais americanos, mal dando tempo para o público se recuperar de uma gargalhada e logo partindo para outra piada. São tantas bobagens acontencendo, às vezes ao mesmo tempo, que fica difícil sacar todas, o que faz a experiência de rever o filme tão divertida quanto assistí-lo pela primeira vez. Engraçado como poucos, “Corra que a polícia vem aí” é imperdível para quem deseja relaxar e dar boas risadas. E, pro bem e pro mal, marcou indelevelmente a carreira de Leslie Nielsen.

APERTEM OS CINTOS... O PILOTO SUMIU


APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU... (Airplane, 1980, Paramount Pictures, 88 min) Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Fotografia: Joseph Biroc. Montagem: Patrick Kennedy. Música: Elmer Bernstein. Figurino: Rosanna Norton. Direção de arte/cenários: Ward Preston/Anne D. McCulley. Casting: Joel Thurm. Produção executiva: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Produção: Jon Davidson, Howard W. Koch. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Robert Stack, Peter Grave, Kareem Abdul-Jabbar. Estreia: 02/7/80

Se hoje existem filmes como a série "Todo mundo em pânico" isso se deve - pro bem ou pro mal - graças a um trio de diretores que, no início dos anos 80 quebrou todas as regras pré-estabelecidas de como se fazer uma comédia. Ao contrário do humor sofisticado de Woody Allen, por exemplo, as piadas de quase mau-gosto de "Apertem os cintos, o piloto sumiu" abriram a porta para uma nova estética no gênero. E nem mesmo os mais exigentes podem negar que, deixando de lado exigências intelectuais, o filme de Jerry Zucker, John Abrahams e David Zucker (mais conhecidos como o trio ZAZ) é um dos mais engraçados produtos hollywoodianos de sua época ou de qualquer outra.

Inspirado nos inúmeros filmes-desastre lançados no final da década de 70, "Apertem os cintos..." utiliza um roteiro do escritor Arthur Hailey como base para a destruição sistemática de todos e quaisquer clichês que abundam no gênero. Tudo começa quando o jovem Ted Striker (Robert Hays em um papel em que até David Letterman foi testado) embarca em um avião com o objetivo de discutir a relação com a ex-namorada Elaine (Julie Hagerty), comissária de bordo. Traumatizado com sua experiência na guerra, ele se vê obrigado a assumir a pilotagem do avião quando a tripulação fica seriamente doente.


Com esse fiapo de história, o trio de diretores mais insano que se tem notícia usa e abusa do nonsense, das piadas de duplo-sentido e das mais bobas e absurdas piadas. Ao contar com atores até então considerados dramáticos, como Lloyd Bridges, Leslie Nielsen e Robert Stack (que até indicado ao Oscar havia sido nos anos 50), os cineastas construiram um clima sério para então demolí-lo sem dó nem piedade. Tudo que se vê nas tragédias cinematográficas está retratado em "Apertem os cintos...", mas da maneira menos convencional possível: a menina que precisa de um transplante de coração, a família certinha, os oficiais rancorosos, o médico prestativo... Nas mãos dos roteiristas, tudo vira motivo de piada, sem importar-se com o politicamente correto (o comandante, por exemplo, dá claros sinais de pedofilia). Na pele do protagonista Ted Striker, Hays tem a cara apatetada necessária para conviver com os absurdos que acontecem à sua volta sem perceber que está em uma comédia (mais ou menos como aconteceria com Leslie Nielsen na trilogia "Corra que a polícia vem aí", alguns anos depois). Sua química com Julie Hagerty é, certamente, um dos motivos do sucesso do filme, que gerou uma continuação inferior mas ainda assim com bons momentos.

"Apertem os cintos, o piloto sumiu" é o tipo de filme que precisa ser visto várias vezes. Não que tenha complexidades psicológicas que demandem atenção redobrada, mas apresenta tanta besteira junto que é difícil captá-las em uma única sessão. E além do mais, é diversão garantida para uma tarde modorrenta de quarta-feira.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...