COPLAND (Copland, 1997, Miramax Films, 104min) Direção e roteiro: James Mangold. Fotografia: Eric Alan Edwards. Montagem: Craig McKay. Música: Howard Shore. Figurino: Ellen Lutter. Direção de arte/cenários: Lester Cohen/Karen Wiesel. Produção executiva: Meryl Poster, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Cathy Konrad, Ezra Swerdlow, Cary Woods. Elenco: Sylvester Stallone, Robert DeNiro, Harvey Keitel, Ray Liotta, Peter Berg, Janeane Garofalo, Robert Patrick, Michael Rapaport, Annabella Sciorra, Cathy Moriarty, Noah Emmerich, John Spencer, Eddie Falco. Estreia: 06/8/97
James Mangold é um diretor atípico. Mesmo que seu nome não seja imediatamente reconhecível por fãs menos antenados, sua carreira é repleta de filmes bastante competentes, dos mais variados gêneros. Seu primeiro longa, o estranho "Paixão muda", aproveitou-se da estrela ascendente de Liv Tyler para fazer sucesso entre os espectadores de cinema independente. E seu segundo, "Copland", lançado em 1997, chamou a atenção mais pela mudança de visual de Sylvester Stallone do que por seus inúmeros méritos. Emulando o cinema policial cerebral dos anos 70 - que tinha na corrupção policial um de seus temas preferidos - o filme acabou sendo elogiado mas esquecido nas cerimônias de premiação. Um esquecimento que não faz jus à sua qualidade.
Mesmo que Stallone chame a atenção com sua performance - corajosa por romper a imagem heroica que sempre acompanhou sua carreira - o mais interessante em "Copland" é seu roteiro, que liga com maestria várias tramas paralelas que acabam revelando-se a mesma. Eclipsado pela genialidade de "Los Angeles, cidade proibida", que também falava sobre o assunto (ainda que com enfoque substancialmente diferente) e foi lançado à mesma época, o filme de Mangold é menos ambicioso do que a obra-prima de Curtis Hanson, mas, apostando no realismo e na crueza de sua trama, atinge todos os seus objetivos: é inteligente, bem dirigido, bem interpretado e surpreendente na medida certa. E Stallone é apenas a ponta do iceberg.
O eterno Rambo vive Freddy Heflin, o xerife de uma cidade próxima a Nova York que é predominantemente habitada por policiais, a chamada "Copland". Impossibilitado de tornar-se policial devido à surdez em um dos ouvidos - consequência de um salvamento que fez na juventude - Heflin não é muito considerado pelos moradores da cidade, mas é ele quem acaba desvendando uma rede de corrupção que envolve até mesmo os respeitados veteranos da corporação. Tudo começa quando o jovem Murray Babitch (Michael Rapaport), considerado um exemplo de dedicação e coragem, se envolve na morte de uma dupla de rapazes negros e tem a cena do crime alterada. Seu suicídio forjado abre a porta para uma série de irregularidades investigadas pela Corregedoria - na figura de Moe Tilden (Robert DeNiro). Além disso, Heflin também começa a desvendar uma teia de relações extra-conjugais que inclui até mesmo a sua grande paixão, Liz (Annabella Sciorra), a jovem que ele salvou de afogar-se e que é casada com Joey Randone (Peter Berg).
Equilibrando com talento raro uma história de sujeiras escondidas debaixo do tapete com o drama de um homem frustrado que tenta superar suas limitações por amor à justiça e à verdade, Mangold criou um espetáculo capaz de agradar a qualquer fã de cinema policial - mesmo que deixe o sempre esperado tiroteio para as cenas finais, onde a carnificina só não é exagerada porque é coerente com o resto da trama. Mesmo quando deixa de lado as tramoias corruptas que são a base de seu roteiro, o cineasta consegue o feito raro de prender a atenção do público com diálogos diretos e atuações nunca aquém de excelentes - até mesmo de atores jovens como Michael Rapaport. E é também bastante ousado, especialmente para um filme realizado sob os auspícios de Hollywood, que os personagens caminhem na tênue linha entre a honestidade e seus próprios interesses - com é o caso de Ray Liotta, que conquista justamente por sua dubiedade de caráter.
Filmado de forma direta, sem maiores arroubos de criatividade - talvez mais uma herança da geração 70 que deu ao mundo filmes como "Serpico" e "Operação França" - "Copland" é uma grata surpresa. Um filme simples, inteligente e que empolga muito mais pelo que diz do que pela forma como o faz. E isso é sempre raro em um gênero onde cortes histéricos são mais valorizados do que roteiros coesos.
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quarta-feira
OS INDOMÁVEIS
OS INDOMÁVEIS (3.10 to Yuma, 2007, Lions Gate, 122min) Direção: James Mangold. Roteiro: Halsted Welles, Michael Brandt, Derek Haas, conto de Elmore Leonard. Fotografia: Phedon Papamichael. Montagem: Michael McCusker. Música: Marco Beltrami. Figurino: Arianne Phillips. Direção de arte/cenários: Andrew Menzies/Jay R. Hart. Produção executiva: Stuart Besser, Ryan Cavannaugh, Lynwood Spinks. Produção: Cathy Konrad. Elenco: Russell Crowe, Christian Bale, Ben Foster, Logan Lerman, Dallas Roberts, Peter Fonda, Vinessa Shaw, Gretchen Mol. Estreia:21/8/07
2 indicacões ao Oscar: Trilha Sonora Original, Edição de Som
"Os indomáveis" é a prova cabal - mais uma - de que o cineasta James Mangold, mesmo sem ter um estilo próprio que o diferencie de seus colegas de Hollywood, é um talento a ser admirado. Tendo passeado por praticamente todos os gêneros cinematográficos - o policial em "Copland", o drama em "Garota, interrompida", o suspense em "Identidade", o romance em "Kate & Leopold" e a biografia musical em "Johnny & June" - Mangold atingiu um nível ainda mais competente com a refilmagem do clássico "Galante e sanguinário", estrelado por Glenn Ford em 1957. Cinquenta anos depois do original de , o conto de Elmore Leonard presta-se a uma releitura moderna e empolgante que conta com um roteiro mais aberto a dubiedades e uma dupla de protagonistas acima de qualquer crítica.
Christian Bale vive Dan Evans, um fazendeiro do Arizona de 1884. Sofrendo com a cobrança de uma dívida por um conterrâneo corrupto, ele vê a chance de saldá-las quando lhe oferecem um belo pagamento por um trabalho nada simples: escoltar o famigerado criminoso Ben Wade (Russell Crowe) até a cidade vizinha de Yuma, onde ele será posto, às 15h10, em um trem em direção à prisão (daí o título original). Acompanhado do xerife Butterfield (Dallas Roberts) e de um pequeno grupo, ele não contava, porém, que seu filho mais velho, William (Logan Lerman, que depois faria o papel principal de "As vantagens de ser invisível") o seguisse, disposto a ajudá-lo na missão. Lutando contra apaches violentos e contra o próprio Wade, Evans ainda terá que encarar o bando do ladrão, que, sob a liderança do cruel Charlie Prince (Ben Foster), não está disposto a entregar o chefe aos homens da lei.
Equilibrando com segurança cenas de tiroteio que em nada devem aos veteranos do estilo com momentos que valorizam os belos diálogos do roteiro - que encontram em seus atores os intérpretes perfeitos - Mangold criou uma pequena pérola do faroeste, que não abre mão de todos os elementos que fizeram do gênero um dos mais populares do cinema americano e os utiliza com maturidade e inteligência. Se peca em não apresentar as belas paisagens que fizeram a fama de nomes como John Ford, o cineasta compensa com uma tensão palpável em vários momentos, em especial quando Ben Foster surge: mesmo ao lado de nomes consagrados como Russell Crowe e Christian Bale, o jovem Foster rouba a cena, criando um Charlie Prince assustador e violento, capaz dos atos mais vis - e não apenas em nome de sua fidelidade ao patrão.
Aliás, Crowe é outro que merece destaque: ficando com o papel que quase foi de Tom Cruise (uma escolha no mínimo inadequada), o eterno gladiador consegue fazer de seu Ben Wade uma mescla de violência e sutileza. Sua interpretação, minimalista, combina perfeitamente com o trabalho de Christian Bale (substituindo Eric Bana), proporcionando ao espectador um duelo como há muito o cinema americano não o fazia. Ainda que os tiroteios sejam extremamente bem filmados, é impossível negar que são as cenas dramáticas que fazem o diferencial de "Os indomáveis" e mostram o talento de seu diretor - que ainda dá a Peter Fonda a chance de uma participação especial carinhosa e crucial.
Indispensável para os fãs de faroeste e para quem gosta de um bom filme de ação, "Os indomáveis" oferece mais do que em um primeiro vislumbre. Um belo trabalho, que merecia maior atenção da crítica e do público - já que nem mesmo se pagou no mercado doméstico. Uma pena.
quinta-feira
JOHNNY & JUNE
5 indicações ao Oscar: Ator (Joaquin Phoenix), Atriz (Reese Witherspoon), Montagem, Figurino, Edição de Som
Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Reese Witherspoon)
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Ator Comédia/Musical (Joaquin Phoenix), Atriz Comédia/Musical (Reese Witherspoon)
Depois de flertar com o drama psicológico ("Garota, interrompida"), com a comédia romântica ("Kate & Leopold"), com o policial ("Copland") e com o suspense ("Identidade") o cineasta James Mangold riscou outro gênero de sua lista com a cinebiografia musical "Johnny & June", que conta a trajetória do cantor Johnny Cash e seu relacionamento com o grande amor de sua vida, a também cantora June Carter. Mas, apesar do título nacional - que dá a ideia de um filme centrado na história do romance - o filme de Mangold se dedica principalmente à controversa carreira do músico, começando em sua traumática infância e atravessando todo o conturbado período de sua vida que culminou na sua luta contra as drogas.
Seguindo a cartilha das cinebiografias musicais que também deu ao cinema o bem-sucedido "Ray" um ano antes, "Johnny & June" começa mostrando o pequeno Johnny ao lado da família - liderada por um severo pai vivido por Robert Patrick exercitando seu lado cruel e quase sádico. Esse prelúdio já dá a base de toda a vida futura do cantor, que jamais deixará pra trás essa busca constante de aprovação paterna. E também serve para mostrar que Mangold não está para brincadeira e quer emocionar o público com uma história que, apesar das tristezas, tem um final feliz (ainda que deixe um gostinho amargo na boca). Depois do início barra-pesada, a história dá um pulo e mostra Cash em sua vida de casado com Vivian (Ginnifer Goodwin) e tentando a sorte na carreira de músico. Depois de convencer o dono do estúdio a gravar suas canções - nas quais foi treinado na infância, quando entoava música religiosa ao lado do irmão - ele assina um contrato para uma turnê com um grupo de jovens talentos que inclui Jerry Lee Lewis (Waylon Malloy Payne), Elvis Presley (Tyler Hilton) e aquela que será o amor de sua vida, June Carter (Reese Witherspoon) - que, em seus tempos de cantora mirim o encantava em seus dias difíceis.
A partir do encontro entre Cash e Carter - que acontece somente aos trinta minutos de projeção - o filme muda de rumo, concentrando-se na relação complexa e repleta de idas e vindas entre o casal. Ambos casados e com filhos pequenos, os cantores viveram uma história de amor proibida (vale lembrar que a história se passa predominantemente na puritana década de 60) e tornada ainda mais difícil graças ao vício em drogas de Cash. O roteiro não se deixa intimidar pelo assunto e, se não se aprofunda no tema (também por não ser o enfoque da trama) ao menos não o ignora nem tampouco faz de seu protagonista um herói simpático: não há benevolência no roteiro baseado em duas autobiografias do músico, que é retratado com todos os seus inúmeros defeitos. Para sorte do público, porém, todas as suas ambivalências encontram em Joaquin Phoenix o intérprete ideal.
Esquisito fisicamente e dono de uma personalidade muito própria que lhe distingue da grande maioria dos astros hollywoodianos, Joaquin - irmão do promissor River, morto em 1993 - conquistou reconhecimento mundial como o vilão do épico "Gladiador", pelo qual concorreu ao Oscar de coadjuvante e por seu trabalho em "Johnny & June" voltou a ser finalista do prêmio da Academia (dessa vez na categoria principal). Sem apelar para playbacks e encarando de frente o desafio de interpretar um ídolo ainda bastante presente na memória do público, ele se entrega notavelmente ao papel, tanto nas cenas musicais quanto nas sequências extremamente dramáticas propostas pelo roteiro. O mais surpreendente, porém, é que ele encontra, em Reese Witherspoon - até então relegada a comédias bobas mas milionárias - uma parceira de cena à altura.
Demonstrando um talento dramático pouco explorado até a data, Witherspoon não se intimida diante da força da atuação de Phoenix, construindo uma June Carter complexa e adulta, que não se restringe a ser a coadjuvante a que muitas vezes o roteiro a transforma. Tanto em seus momentos como pessoa pública - uma cantora infantil transformada em ídolo maduro e que vive em seu íntimo dramas pessoais que a fama não revela - quanto em suas cenas mais duras, a menina revelada em "No mundo da lua" mostra que não era fogo de palha e que tem muito mais talento do que aparentava. Se merecia o Oscar no mesmo ano em que Felicity Huffman brilhou em "Transamérica" é outra conversa, mas é inegável que sua química com Joaquin Phoenix é explosiva e impecável.
Dando continuidade às cinebiografias de qualidade produzidas por Hollywood no início do século XXI, "Johnny & June" é superior à média, capaz de despertar o interesse até mesmo de quem não é exatamente fã de seus protagonistas.
terça-feira
IDENTIDADE
IDENTIDADE (Identity, 2003, Columbia Pictures, 90min) Direção: James Mangold. Roteiro: Michael Cooney. Fotografia: Phedon Papamichael. Montagem: David Brenner. Música: Alan Silvestri. Figurino: Ariane Phillips. Direção de arte/cenários: Mark Friedberg/Cindy Carr. Produção executiva: Stuart Besser. Produção: Cathy Konrad. Elenco: John Cusack, Ray Liotta, Amanda Peet, Rebecca de Mornay, John Hawkes, Alfred Molina, Clea DuVall, John C. McGinley, William Lee Scott, Jake Busey. Estreia: 25/4/03
Como fazer para transformar o que potencialmente seria mais um filme de terror ao estilo da série “Pânico”, em que pessoas morrem violentamente atacadas por um assassino misterioso, em um produto com alcance mais amplo – ou seja, um público acima de 16 anos, que normalmente lota esse tipo de produção? A resposta parece vir em “Identidade”, que, a mortes bem encenadas e um clima de puro suspense, acrescenta um elenco interessante e um roteiro que foge das resoluções fáceis que são o tiro de misericórdia do gênero.
As escolhas não óbvias de “Identidade” já começam pela escalação de seus atores. Liderando uma equipe de bons atores – ao contrário do pastiches de terror recheado de adolescentes sarados e sem conteúdo dramático – está o sempre confiável John Cusack. Na pele de Edward, o chofer de Caroline Suzanne (Rebecca de Mornay, em uma atuação auto-paródica), uma atriz decadente atrás de um novo sucesso, ele mantém a discrição, deixando que a trama, forte e assutadora o bastante, seja o principal elemento de atenção do filme. No roteiro bem orquestrado de Michael Cooney, ele e sua patroa são obrigados a parar em um hotel de beira de estrada durante uma tempestade que não arrefece. No hotel, eles travam conhecimento com um grupo de pessoas bastante diferentes em si: estão lá um jovem casal recém-casado, Giny e Louis (Cléa Duvall e William Lee Scott), a prostituta Paris (Amanda Peet), o gerente falastrão Larry (John Hawkes), um policial escoltando um criminoso (Ray Liotta e Gary Busey) e uma família cuja mãe está ferida devido a um acidente automobilístico na estrada (John C. McGinley, Leila Kenzle e o garoto Bret Loher). Presos no hotel por causa do mau tempo, eles começam a morrer misteriosamente, enquanto passam a descobrir que na verdade podem não estar ali reunidos por coincidência.
A atmosfera de “Identidade”, que busca surpreender a plateia não com mortes criativas e sim com viradas realmente empolgantes, é em boa parte cortesia de um visual úmido criado com cuidado pelo diretor James Mangold, que a julgar por seu currículo – ele dirigiu também o drama “Garota, interrompida” e o romance “Kate & Leopold” – transita facilmente entre os mais variados gêneros. E a criação de uma misteriosa trama paralela – onde um assassino condenado à morte (vivido pelo sempre assustador Pruitt Taylor Vince) tenta provar sua insanidade para escapar da execução – apenas soma ainda mais à tensão já existente, uma vez que tentar adivinhar como essa história aparentemente desconexa tem ligação à principal é outro exercício a que a complexa narrativa obriga a plateia, que chega aos créditos finais agradecida por ter sido tratada com um mínimo de inteligência sem que os padrões estéticos do gênero tenham sido agredidos.
Aliás, o respeito com que Mangold trata o gênero suspense é uma das maiores qualidades de "Identidade". Mesmo que seja mais inteligente do que a média, o filme não tem medo de abusar dos clichês, mas sempre tratando-os com cuidado e prendendo a atenção do público. Se a presença de John Cusack no elenco pode sugerir que ele é o herói da trama (o que não é exatamente verdade, uma vez que não há personagens 100% puros na história), o roteiro consegue surpreender com uma reviravolta bastante surpreendente (e que dá espaço para um final impactante mas um tanto forçado). Em "Identidade" nada é exatamente o que parece. E isso é que faz dele um produto capaz de agradar aos fãs do gênero e a quem gosta de um bom entretenimento.
Como fazer para transformar o que potencialmente seria mais um filme de terror ao estilo da série “Pânico”, em que pessoas morrem violentamente atacadas por um assassino misterioso, em um produto com alcance mais amplo – ou seja, um público acima de 16 anos, que normalmente lota esse tipo de produção? A resposta parece vir em “Identidade”, que, a mortes bem encenadas e um clima de puro suspense, acrescenta um elenco interessante e um roteiro que foge das resoluções fáceis que são o tiro de misericórdia do gênero.
As escolhas não óbvias de “Identidade” já começam pela escalação de seus atores. Liderando uma equipe de bons atores – ao contrário do pastiches de terror recheado de adolescentes sarados e sem conteúdo dramático – está o sempre confiável John Cusack. Na pele de Edward, o chofer de Caroline Suzanne (Rebecca de Mornay, em uma atuação auto-paródica), uma atriz decadente atrás de um novo sucesso, ele mantém a discrição, deixando que a trama, forte e assutadora o bastante, seja o principal elemento de atenção do filme. No roteiro bem orquestrado de Michael Cooney, ele e sua patroa são obrigados a parar em um hotel de beira de estrada durante uma tempestade que não arrefece. No hotel, eles travam conhecimento com um grupo de pessoas bastante diferentes em si: estão lá um jovem casal recém-casado, Giny e Louis (Cléa Duvall e William Lee Scott), a prostituta Paris (Amanda Peet), o gerente falastrão Larry (John Hawkes), um policial escoltando um criminoso (Ray Liotta e Gary Busey) e uma família cuja mãe está ferida devido a um acidente automobilístico na estrada (John C. McGinley, Leila Kenzle e o garoto Bret Loher). Presos no hotel por causa do mau tempo, eles começam a morrer misteriosamente, enquanto passam a descobrir que na verdade podem não estar ali reunidos por coincidência.
A atmosfera de “Identidade”, que busca surpreender a plateia não com mortes criativas e sim com viradas realmente empolgantes, é em boa parte cortesia de um visual úmido criado com cuidado pelo diretor James Mangold, que a julgar por seu currículo – ele dirigiu também o drama “Garota, interrompida” e o romance “Kate & Leopold” – transita facilmente entre os mais variados gêneros. E a criação de uma misteriosa trama paralela – onde um assassino condenado à morte (vivido pelo sempre assustador Pruitt Taylor Vince) tenta provar sua insanidade para escapar da execução – apenas soma ainda mais à tensão já existente, uma vez que tentar adivinhar como essa história aparentemente desconexa tem ligação à principal é outro exercício a que a complexa narrativa obriga a plateia, que chega aos créditos finais agradecida por ter sido tratada com um mínimo de inteligência sem que os padrões estéticos do gênero tenham sido agredidos.
Aliás, o respeito com que Mangold trata o gênero suspense é uma das maiores qualidades de "Identidade". Mesmo que seja mais inteligente do que a média, o filme não tem medo de abusar dos clichês, mas sempre tratando-os com cuidado e prendendo a atenção do público. Se a presença de John Cusack no elenco pode sugerir que ele é o herói da trama (o que não é exatamente verdade, uma vez que não há personagens 100% puros na história), o roteiro consegue surpreender com uma reviravolta bastante surpreendente (e que dá espaço para um final impactante mas um tanto forçado). Em "Identidade" nada é exatamente o que parece. E isso é que faz dele um produto capaz de agradar aos fãs do gênero e a quem gosta de um bom entretenimento.
KATE & LEOPOLD
KATE & LEOPOLD (Kate & Leopold, 2001, Miramax Films, 118min) Direção: James Mangold. Roteiro: James Mangold, Steven Rogers, história de Steven Rogers. Fotografia: Stuart Dryburgh. Montagem: David Brenner. Música: Rolfe Kent. Figurino: Donna Zakowska. Direção de arte/cenários: Mark Friedberg/Stephanie Carroll. Produção executiva: Kerry Orent, Meryl Poster, Bob Weinstein, Harvey Weinstein. Produção: Cathy Konrad. Elenco: Meg Ryan, Hugh Jackman, Liev Schreiber, Breckin Meyer, Natasha Lyonne, Bradley Whitford, Philip Bosco. Estreia: 25/12/01
Indicado ao Oscar de Melhor Canção ("Until")
Filme ideal para aquelas mulheres que reclamam da falta de romantismo e galanteria dos homens contemporâneos, a comédia romântica "Kate & Leopold", protagonizada pela estrela máxima do gênero, Meg Ryan, é uma aula de como conquistar um público ávido por histórias de amor com finais felizes. Em pouco menos de duas horas de duração, o filme de James Mangold usa e abusa de clichês, mas o faz com tanto carinho, bom humor e leveza que é difícil deixar de gostar.
O cientista Stuart (vivido com graça pelo prestigiado Liev Schreiber) descobre um rasgo no tempo que o permite visitar a Nova York de 1876. Na apressada volta para 2001 ele acaba, por acidente, ganhando a companhia de Leopold (Hugh Jackman, perfeito), um duque falido que está sendo pressionado por seu tio a fazer um bom casamento. Em choque com as diferenças culturais e sociais de duas épocas completamente distintas, o gentil e cavalheiro Leopold acaba conquistado pela ex-namorada de Stuart, a executiva Kate McKay (Meg Ryan), que, desiludida com a espécie masculina em geral, demora a perceber que também está apaixonada pelo galante duque, que, de quebra, ajuda o irmão da moça, o aspirante a ator Charlie (Breckin Meyer) a mudar suas atitudes para seduzir uma colega.

O roteiro do diretor Mangold - exercitando um estilo diferente do dramalhão que apresentou em "Garota, interrompida" - escrito em parceria com Steven Rogers não tenta explicar como funciona as viagens no tempo que são cruciais para o início da trama, deixando que a bela e delicada história de amor entre os protagonistas comande o espetáculo. Ao optar por centrar seus esforços na dupla de atores, o cineasta marca um gol de placa. Enquanto Ryan continua utilizando seu arsenal de caras e bocas que a fizeram a preferida entre o público cativo das comédias românticas, é o astro Hugh Jackman quem rouba todas as cenas. Distante anos-luz de seu personagem mais conhecido, o furioso Wolverine de "X-Men", o ator australiano demonstra um timing cômico perfeito, além de ter o tipo físico ideal para encarnar o sedutor Leopold. Juntos, ele e Meg formam um casal adorável, o que torna a experiência de assistir a "Kate & Leopold" deliciosa.
E dá pra não simpatizar com um filme que homenageia, ainda que de leve, o clássico "Bonequinha de luxo"?
PS - Reparem na ponta da atriz Viola Davis (indicada ao Oscar de coadjuvante por "Dúvida") como a policial que aborda Leopold em seu primeiro passeio pelas ruas da Nova York de 2001.
Indicado ao Oscar de Melhor Canção ("Until")
Filme ideal para aquelas mulheres que reclamam da falta de romantismo e galanteria dos homens contemporâneos, a comédia romântica "Kate & Leopold", protagonizada pela estrela máxima do gênero, Meg Ryan, é uma aula de como conquistar um público ávido por histórias de amor com finais felizes. Em pouco menos de duas horas de duração, o filme de James Mangold usa e abusa de clichês, mas o faz com tanto carinho, bom humor e leveza que é difícil deixar de gostar.
O cientista Stuart (vivido com graça pelo prestigiado Liev Schreiber) descobre um rasgo no tempo que o permite visitar a Nova York de 1876. Na apressada volta para 2001 ele acaba, por acidente, ganhando a companhia de Leopold (Hugh Jackman, perfeito), um duque falido que está sendo pressionado por seu tio a fazer um bom casamento. Em choque com as diferenças culturais e sociais de duas épocas completamente distintas, o gentil e cavalheiro Leopold acaba conquistado pela ex-namorada de Stuart, a executiva Kate McKay (Meg Ryan), que, desiludida com a espécie masculina em geral, demora a perceber que também está apaixonada pelo galante duque, que, de quebra, ajuda o irmão da moça, o aspirante a ator Charlie (Breckin Meyer) a mudar suas atitudes para seduzir uma colega.

O roteiro do diretor Mangold - exercitando um estilo diferente do dramalhão que apresentou em "Garota, interrompida" - escrito em parceria com Steven Rogers não tenta explicar como funciona as viagens no tempo que são cruciais para o início da trama, deixando que a bela e delicada história de amor entre os protagonistas comande o espetáculo. Ao optar por centrar seus esforços na dupla de atores, o cineasta marca um gol de placa. Enquanto Ryan continua utilizando seu arsenal de caras e bocas que a fizeram a preferida entre o público cativo das comédias românticas, é o astro Hugh Jackman quem rouba todas as cenas. Distante anos-luz de seu personagem mais conhecido, o furioso Wolverine de "X-Men", o ator australiano demonstra um timing cômico perfeito, além de ter o tipo físico ideal para encarnar o sedutor Leopold. Juntos, ele e Meg formam um casal adorável, o que torna a experiência de assistir a "Kate & Leopold" deliciosa.
E dá pra não simpatizar com um filme que homenageia, ainda que de leve, o clássico "Bonequinha de luxo"?
PS - Reparem na ponta da atriz Viola Davis (indicada ao Oscar de coadjuvante por "Dúvida") como a policial que aborda Leopold em seu primeiro passeio pelas ruas da Nova York de 2001.
segunda-feira
GAROTA, INTERROMPIDA
GAROTA, INTERROMPIDA (Girl, interrupted, 1999, Columbia Pictures, 127min) Direção: James Mangold. Roteiro: James Mangold, Lisa Loomer, Anna Hamilton Phelan, livro de Susanna Kaysen. Fotografia: Jack N. Green. Montagem: Kevin Tent. Música: Mychael Danna. Figurino: Arianne Phillips. Direção de arte/cenários: Richard Hoover/Maggie Martin. Produção executiva: Carol Bodie, Winona Ryder. Produção: Cathy Konrad, Douglas Wick. Elenco: Winona Ryder, Angelina Jolie, Whoopi Goldberg, Brittany Murphy, Clea DuVall, Jared Leto, Vanessa Redgrave, Kurtwood Smith, Elisabeth Moss, Jeffrey Tambor. Estreia: 21/12/99
Vencedor do Oscar de Atriz Coadjuvante (Angelina Jolie)
Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Angelina Jolie)
Some em um mesmo pacote a aura angustiada e as dúvidas a respeito do futuro de "A primeira noite de um homem" e o senso de rebeldia indomável de "Um estranho no ninho". Abstraia o fato de que o cineasta James Mangold não tem o mesmo talento visionário de Mike Nichols ou Milos Forman. Substitua Dustin Hoffman e Jack Nicholson por Winona Ryder e Angelina Jolie. Não pense que tudo soa um bocado anacrônico e você gostará de"Garota, interrompida", um filho temporão do cinema da contracultura americana dos anos 60. Mesmo que não tenha tido no final dos anos 90 o mesmo impacto que poderia ter na era da flower power, a adaptação para o cinema das memórias da jovem Susanna Kaysen tem qualidades o bastante para encantar uma geração cujos heróis morreram de overdose.
Publicado em 1993, o livro de Kaysen tornou-se best-seller imediato nos EUA e chamou a atenção da atriz Winona Ryder, que imediatamente decidiu levá-lo para o cinema, tornando-se sua produtora executiva. Reservando para si o papel central, Winona escalou para a direção o competente mas relativamente desconhecido James Mangold, cujo maior mérito até então tinha sido o de arrancar uma atuação decente de Sylvester Stallone em "Copland". No comando do filme, Mangold demonstrou que é um diretor sério e eficiente, mas carece nesse seu segundo grande filme de mais ousadia. "Garota, interrompida" é um filme quadrado, o que, se for levado em consideração dos assuntos que trata, é um paradoxo quase imperdoável. Tivesse sido um pouco mais corajoso certamente teria feito de seu filme um belo drama a respeito da inconformidade juvenil. Como está, é um filme bom e bem realizado - além de muito bem interpretado - mas bem aquém do que poderia ter sido.

Kaysen (vivida por uma Winona Ryder cuja delicadeza mais atrapalha do que ajuda) é uma jovem internada pelos pais em uma instituição mental, depois de aparentemente ter tentado suicídio (ela alega ter sido um acidente, mas um caso amoroso com um professor casado também não a ajuda em sua defesa). Os EUA estão passando por uma fase complicada, com a guerra do Vietnã em seu auge e os hippies buscando seu lugar ao sol. Logo que chega ao hospital, Susanna toma contato com a rotina rígida da instituição e com algumas de suas pacientes, como a mentirosa patológica Georgina (Clea DuVall), a sofrida Polly (Elisabeth Moss), que tem o rosto marcado por queimaduras e a esquisita Daisy (Brittany Murphy), que não come na presença de outras pessoas e esconde um segredo a respeito de sua família. Tratada pela enfermeira Valerie (Whoopi Goldberg), Susanna sente imediata conexão com a sociopata Lisa (Angelina Jolie), com quem passa a dividir a maior parte de seu tempo.
Quando trata sobre as interrelações entre as pacientes (em especial a estranha amizade surgida entre Susanna e Lisa) "Garota, interrompida" se sai bastante bem. O elenco é excelente. Brittany Murphy brilha em suas cenas mais intensas (em especial em seu desfecho trágico que leva o filme a seu clímax). Whoopi Goldberg como a enfermeira Valerie e Vanessa Redgrave como a psiquiatra Sonia Wick ensinam em cada cena como ser grandes atrizes sem levantar a voz ou apelar para exageros. E, se Winona Ryder não faz mais do que normalmente mostra em seus trabalhos, é sua colega de cena quem chama a atenção de forma escancarada. Na pele da maluquete Lisa Rowe, a bela Angelina Jolie está visivelmente à vontade, deitando e rolando com uma personagem aparentemente feita sob medida para seu talento visceral.
Premiada com o Golden Globe e o Oscar de atriz coadjuvante, Jolie nem parece fazer muita força para impressionar com sua atuação. Macérrima, loura e linda como sempre, ela interpreta uma jovem carismática, agressiva e sincera ao ponto da crueldade que faz o contraponto perfeito à timidez e a inconformidade disfarçada de Susanna. Felizmente o roteiro não tenta inventar um subtexto homoerótico que desviaria a trama de seu foco - o máximo que rola é um selinho inofensivo - e também não dá atenção exagerada aos romances da protagonista (com o jovem soldado vivido por Jared Leto ou com o enfermeiro noturno). Uma pena, porém, que, pelos mesmos motivos, não se detém em examinar a situação sociopolítica do país.
Contando com uma trilha sonora espetacular - em que canções da época se misturam com belas músicas contemporâneas, em especial da banda Wilco - "Garota, interrompida" é um filme que, a despeito de estar deslocado no tempo e no espaço, cumpre seus objetivos e merece ser lembrado por, no mínimo, ter colocado Angelina Jolie em seu merecido lugar de destaque em Hollywood.
Vencedor do Oscar de Atriz Coadjuvante (Angelina Jolie)
Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Angelina Jolie)
Some em um mesmo pacote a aura angustiada e as dúvidas a respeito do futuro de "A primeira noite de um homem" e o senso de rebeldia indomável de "Um estranho no ninho". Abstraia o fato de que o cineasta James Mangold não tem o mesmo talento visionário de Mike Nichols ou Milos Forman. Substitua Dustin Hoffman e Jack Nicholson por Winona Ryder e Angelina Jolie. Não pense que tudo soa um bocado anacrônico e você gostará de"Garota, interrompida", um filho temporão do cinema da contracultura americana dos anos 60. Mesmo que não tenha tido no final dos anos 90 o mesmo impacto que poderia ter na era da flower power, a adaptação para o cinema das memórias da jovem Susanna Kaysen tem qualidades o bastante para encantar uma geração cujos heróis morreram de overdose.
Publicado em 1993, o livro de Kaysen tornou-se best-seller imediato nos EUA e chamou a atenção da atriz Winona Ryder, que imediatamente decidiu levá-lo para o cinema, tornando-se sua produtora executiva. Reservando para si o papel central, Winona escalou para a direção o competente mas relativamente desconhecido James Mangold, cujo maior mérito até então tinha sido o de arrancar uma atuação decente de Sylvester Stallone em "Copland". No comando do filme, Mangold demonstrou que é um diretor sério e eficiente, mas carece nesse seu segundo grande filme de mais ousadia. "Garota, interrompida" é um filme quadrado, o que, se for levado em consideração dos assuntos que trata, é um paradoxo quase imperdoável. Tivesse sido um pouco mais corajoso certamente teria feito de seu filme um belo drama a respeito da inconformidade juvenil. Como está, é um filme bom e bem realizado - além de muito bem interpretado - mas bem aquém do que poderia ter sido.

Kaysen (vivida por uma Winona Ryder cuja delicadeza mais atrapalha do que ajuda) é uma jovem internada pelos pais em uma instituição mental, depois de aparentemente ter tentado suicídio (ela alega ter sido um acidente, mas um caso amoroso com um professor casado também não a ajuda em sua defesa). Os EUA estão passando por uma fase complicada, com a guerra do Vietnã em seu auge e os hippies buscando seu lugar ao sol. Logo que chega ao hospital, Susanna toma contato com a rotina rígida da instituição e com algumas de suas pacientes, como a mentirosa patológica Georgina (Clea DuVall), a sofrida Polly (Elisabeth Moss), que tem o rosto marcado por queimaduras e a esquisita Daisy (Brittany Murphy), que não come na presença de outras pessoas e esconde um segredo a respeito de sua família. Tratada pela enfermeira Valerie (Whoopi Goldberg), Susanna sente imediata conexão com a sociopata Lisa (Angelina Jolie), com quem passa a dividir a maior parte de seu tempo.
Quando trata sobre as interrelações entre as pacientes (em especial a estranha amizade surgida entre Susanna e Lisa) "Garota, interrompida" se sai bastante bem. O elenco é excelente. Brittany Murphy brilha em suas cenas mais intensas (em especial em seu desfecho trágico que leva o filme a seu clímax). Whoopi Goldberg como a enfermeira Valerie e Vanessa Redgrave como a psiquiatra Sonia Wick ensinam em cada cena como ser grandes atrizes sem levantar a voz ou apelar para exageros. E, se Winona Ryder não faz mais do que normalmente mostra em seus trabalhos, é sua colega de cena quem chama a atenção de forma escancarada. Na pele da maluquete Lisa Rowe, a bela Angelina Jolie está visivelmente à vontade, deitando e rolando com uma personagem aparentemente feita sob medida para seu talento visceral.
Premiada com o Golden Globe e o Oscar de atriz coadjuvante, Jolie nem parece fazer muita força para impressionar com sua atuação. Macérrima, loura e linda como sempre, ela interpreta uma jovem carismática, agressiva e sincera ao ponto da crueldade que faz o contraponto perfeito à timidez e a inconformidade disfarçada de Susanna. Felizmente o roteiro não tenta inventar um subtexto homoerótico que desviaria a trama de seu foco - o máximo que rola é um selinho inofensivo - e também não dá atenção exagerada aos romances da protagonista (com o jovem soldado vivido por Jared Leto ou com o enfermeiro noturno). Uma pena, porém, que, pelos mesmos motivos, não se detém em examinar a situação sociopolítica do país.
Contando com uma trilha sonora espetacular - em que canções da época se misturam com belas músicas contemporâneas, em especial da banda Wilco - "Garota, interrompida" é um filme que, a despeito de estar deslocado no tempo e no espaço, cumpre seus objetivos e merece ser lembrado por, no mínimo, ter colocado Angelina Jolie em seu merecido lugar de destaque em Hollywood.
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