VOLTAR
A MORRER (Dead again, 1991, Paramount Pictures, 107min) Direção:
Kenneth Branagh. Roteiro: Scott Frank. Fotografia: Matthew F. Leonetti.
Montagem: Peter E. Berger. Música: Patrick Doyle. Figurino: Phyllis
Dalton. Direção de arte/cenários: Tim Harvey/Jerry Adams. Produção
executiva: Sydney Pollack. Produção: Lindsay Doran, Charles H. Maguire.
Elenco: Kenneth Branagh, Emma Thompson, Derek Jacobi, Andy Garcia, Robin
Williams, Hanna Schygulla, Campbel Scott, Wayne Knight. Estreia:
30/8/91
Em 1990 o cineasta irlandês Kenneth Branagh
pegou o mundo de surpresa com sua visceral adaptação cinematográfica de
"Henry V", de Shakespeare, pela qual foi indicado aos Oscar de ator e
direção. Sua estreia nos auspícios do cinema hollywoodiano, então,
surpreendeu ainda mais: quando todos esperavam uma nova versão para as
telas da obra do bardo - coisa que ele faria posteriormente com o solar
"Muito barulho por nada" (93) e o sublime "Hamlet" (96) - o jovem
cineasta, então com meros 30 anos de idade resolveu brincar de
Hitchcock. Com base em um roteiro do também jovem Scott Frank, Branagh
apresentou à audiência o intrigante "Voltar a morrer", um suspense
clássico com pitadas de espiritualidade - em voga desde o impressionante
êxito de "Ghost, do outro lado da vida" (90), coincidentemente ou não
produzido pela mesma Paramount Pictures - e um tom de seriedade
sublinhado pela trilha sonora de Patrick Doyle e pelo genial elenco, que
mesclava grandes atores ingleses (como a então sra. Branagh, Emma
Thompson e o veterano Derek Jacobi), a musa alemã Hannah Schygulla e os
hollywoodianos Robin Williams e Andy Garcia.
Não é
preciso acreditar em vidas passadas e reencarnação para se envolver com a
trama de "Voltar a morrer", mas é bom que se mantenha a mente aberta
para melhor usufruir de todas as surpresas do filme, que começa como um
policial típico dos anos 90 para depois seguir uma trilha com ecos
metafísicos que funcionam com perfeição à trama - e lhe dão o molho
especial que o destaca entre seus congêneres: tudo se passa em Los
Angeles, quando o detetive Mike Church (Branagh com um convincente
sotaque americano) é procurado pelo orfanato onde foi criado para
investigar a identidade de uma mulher encontrada vagando muda pelas ruas
da cidade (Emma Thompson). A contragosto - mas de certa forma atraído
pela desconhecida, Church acaba postando um anúncio de jornal em busca
de informações a seu respeito. Quem chega até seu apartamento é o
misterioso Franklyn Madson (Derek Jacobi), dono de um antiquário que
também trabalha como hipnotista e se oferece para, através de sessões em
sua casa, tentar descobrir a identidade da desmemoriada. Durante uma
dessas sessões, ele descobre que ela é a reencarnação de Margaret
Strauss (também Thompson), música que, quarenta anos antes, foi
assassinada a tesouradas pelo marido, o maestro europeu Roman (novamente
Branagh).
Convencidos
por Cozy Carlisle (Robin Williams) - um psiquiatra que teve seus
direitos de exercer a profissão cassados por dormir com suas pacientes -
de que seu reencontro na década de 90 tem a ver com as teorias de
reencarnação, Church e Grace (o nome real da artista plástica, que tem a
identidade recuperada através de investigações mais profundas do
detetive) chegam à conclusão de que são, na verdade, a nova vida do
casal Strauss, que, no final da década de 40, estampou as manchetes dos
jornais com seu sangrento final - ela assassinada, ele condenado à
morte. Certa de que Church está disposto a matá-la como forma de reviver
o passado, Grace se afasta dele, mas uma reviravolta muda todo o jogo
quando novas cartas são postas na mesa - e Church consegue localizar
Gray Baker (Andy Garcia), o jornalista que de certa forma foi o pivô da
tragédia e testemunhou os últimos momentos do maestro.
Mesmo
que não fique tão à vontade dirigindo um thriller quanto o faz no
comando de uma obra shakespereana, não dá para negar que Branagh acertou
na maior parte de suas escolhas. Ainda que o roteiro por vezes o
obrigue a apelar para os mais deslavados clichês - o clímax do final,
por exemplo, incomoda por fugir do registro discreto e elegante que o
filme vinha adotando - o cineasta consegue impor seu bom-gosto em
sequências recheadas de um suspense que surge da sugestão e do clima
enfatizado pela bela fotografia de Matthew F. Leonetti - sensual e
sinistra no preto-e-branco do passado e quente e luminosa no colorido do
presente. Ao contar duas histórias em tempos distintos que se cruzam
pela força do destino - ou carma, ou talento do roteirista - Branagh
conduz a plateia por um labirinto de lembranças sufocadas, por
antiquários claustrofóbicos e por mistérios que deveriam manter-se
sepultados, explorando, para isso, todos os artifícios que o bom cinema
pode proporcionar.
Hitchcock teria orgulho, por
exemplo, de todas as cenas (desprovidas de cores) que mostram os
antecedentes do violento assassinato na mansão Strauss: a câmera passeia
pelo suntuoso cenário, onde festas e reuniões escondem segredos e
possíveis adultérios por trás de seu véu de sofisticação. São nesses
momentos que Branagh mostra o requinte de sua direção, acompanhando
lentamente seus personagens rumo ao abismo - é sensacional, por exemplo,
a cena em que Strauss e Gray Baker conversam, antes da morte do
maestro, sob um clima construído delicadamente com música, fotografia e
atuações excepcionais. Tal cuidado se reflete também na escalação do
elenco coadjuvante: não existe um único personagem da trama que não
mereça do cineasta a atenção necessária, deixando claro que Branagh é um
grande diretor de atores mesmo quando não está diante do material
ideal. Sua brincadeira de Hichcock pode não ter sido perfeita, mas
alcançou notas muito superiores a gente bem mais experiente no assunto.
Um ótimo jogo de gato-e-rato, que, descontando-se alguns pecadilhos, é
muito superior à média.
Filmes, filmes e mais filmes. De todos os gêneros, países, épocas e níveis de qualidade.
Mostrando postagens com marcador CAMPBELL SCOTT. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAMPBELL SCOTT. Mostrar todas as postagens
quinta-feira
MEU QUERIDO COMPANHEIRO
MEU QUERIDO COMPANHEIRO (Longtime companion, 1989, American Playhouse, 96min) Direção: Norman René. Roteiro: Craig Lucas. Fotografia: Tony Jannelli. Montagem: Katherine Wenning. Música: Greg DeBelles. Figurino: Walter Hicklin. Direção de arte/cenários: Andrew Jackness/Kate Conklin. Produção executiva: Lindsay Law. Produção: Stan Wlodkowski. Elenco: Campbell Scott, Bruce Davison, Mary-Louise Parker, Dermot Mulroney, Patrick Cassidy, John Dossett, Stephen Caffrey, Mark Lamos, Michael Schoeffling. Estreia: 11/10/89
Indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante (Bruce Davison)
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Bruce Davison)
Levando-se em consideração que as primeiras notícias sobre a AIDS - então tratada como "câncer gay" - surgiram no início dos anos 80, é quase chocante perceber que demorou quase uma década até que o tema fosse tratado devidamente no cinema americano. E o primeiro filme a tratar abertamente sobre a doença nem surgiu de um grande estúdio, como se poderia prever. "Meu querido companheiro" é uma produção independente que, apesar de não contar com o aparato de marketing que transforma um filme em sucesso de bilheteria, conquistou a crítica e proporcionou a Bruce Davison um dos papéis mais marcantes de sua carreira. Por seu trabalho no filme de Norman René, Davison foi eleito melhor ator coadjuvante do ano no Independent Spirit Awards, pelas associações de críticos de Nova York e Los Angeles e pelos eleitores do Golden Globe. Só perdeu o Oscar para Joe Pesci, de "Os bons companheiros" porque a Academia provavelmente achou que deveria homenagear o filme de Scorsese ao menos em uma categoria, no ano em que o superestimado "Dança com lobos" sagrou-se vencedor.
Em um filme sem protagonistas, que é valorizado pelo elenco homogêneo, Davison se destaca no papel de um homem que se vê obrigado a cuidar do amante roteirista de TV quando ele fica doente, mas a força do filme reside basicamente no tom emocional/documental impresso pelo roteiro de Craig Lucas, que faz um panorama do impacto da doença em um grupo restrito de amigos nova-iorquinos desde suas primeiras notícias, em julho de 1981 até o ano de 1988, quando a epidemia tornou-se visível o bastante para suscitar eventos beneficentes e a atenção do povo em geral. Nesse ponto é crucial a presença do advogado Fuzzy (Stephen Caffrey), que entra no grupo através de sua paixão por Willy (Campbell Scott) e se torna um ativista dos direitos dos gays soropositivos. Através dele o público toma contato com o preconceito ativo nos primórdios da AIDS, que tirava inclusive oportunidades de emprego - caso de Howard (Patrick Cassidy), ator que perde o trabalho em uma novela por culpa de seu relacionamento homossexual com um homem vítima da doença.
Tratando com o máximo de leveza possível um tema difícil, "Meu querido companheiro" também não se furta a retratar o preconceito até mesmo dentro do próprio núcleo de amizades entre os personagens. Nesse sentido, é emblemática a sequência em que Willy vai fazer uma visita no hospital e fica desesperado com a possibilidade de sequer tocar em qualquer coisa que possa lhe contaminar. Essa paranoia que tomou conta da comunidade gay também é mostrada no afastamento físico gradual entre ele e Fuzzy - que veem seu relacionamento esfriar conforme o medo da contaminação vai crescendo dentro de todo o grupo. Aos poucos o medo torna-se também uma ameaça real ao amor - talvez ainda mais devastadora e triste. René é contundente também ao substituir o tom festivo e libertário de sua primeira metade pela melancolia e opressão da segunda, como forma de sublinhar as mudanças de comportamento do então chamado "grupo de risco".
O roteiro de "Meu querido companheiro" não consegue fugir de certa superficialidade em vários momentos, principalmente porque sua estrutura não dá espaço para maior aprofundamento dos personagens. Mesmo assim dá a seus atores a oportunidade de desenvolver um trabalho de delicadeza e importância rara, em um período em que os grandes estúdios simplesmente ignoravam uma das maiores tragédias do século XX. A cena final, terna e comovente, fecha com inteligência e sensibilidade um filme que merecia ter sido mais comentado e assistido em seu lançamento, por sua relevância social e por sua qualidade dramática.
Indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante (Bruce Davison)
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Bruce Davison)
Levando-se em consideração que as primeiras notícias sobre a AIDS - então tratada como "câncer gay" - surgiram no início dos anos 80, é quase chocante perceber que demorou quase uma década até que o tema fosse tratado devidamente no cinema americano. E o primeiro filme a tratar abertamente sobre a doença nem surgiu de um grande estúdio, como se poderia prever. "Meu querido companheiro" é uma produção independente que, apesar de não contar com o aparato de marketing que transforma um filme em sucesso de bilheteria, conquistou a crítica e proporcionou a Bruce Davison um dos papéis mais marcantes de sua carreira. Por seu trabalho no filme de Norman René, Davison foi eleito melhor ator coadjuvante do ano no Independent Spirit Awards, pelas associações de críticos de Nova York e Los Angeles e pelos eleitores do Golden Globe. Só perdeu o Oscar para Joe Pesci, de "Os bons companheiros" porque a Academia provavelmente achou que deveria homenagear o filme de Scorsese ao menos em uma categoria, no ano em que o superestimado "Dança com lobos" sagrou-se vencedor.
Em um filme sem protagonistas, que é valorizado pelo elenco homogêneo, Davison se destaca no papel de um homem que se vê obrigado a cuidar do amante roteirista de TV quando ele fica doente, mas a força do filme reside basicamente no tom emocional/documental impresso pelo roteiro de Craig Lucas, que faz um panorama do impacto da doença em um grupo restrito de amigos nova-iorquinos desde suas primeiras notícias, em julho de 1981 até o ano de 1988, quando a epidemia tornou-se visível o bastante para suscitar eventos beneficentes e a atenção do povo em geral. Nesse ponto é crucial a presença do advogado Fuzzy (Stephen Caffrey), que entra no grupo através de sua paixão por Willy (Campbell Scott) e se torna um ativista dos direitos dos gays soropositivos. Através dele o público toma contato com o preconceito ativo nos primórdios da AIDS, que tirava inclusive oportunidades de emprego - caso de Howard (Patrick Cassidy), ator que perde o trabalho em uma novela por culpa de seu relacionamento homossexual com um homem vítima da doença.
O roteiro de "Meu querido companheiro" não consegue fugir de certa superficialidade em vários momentos, principalmente porque sua estrutura não dá espaço para maior aprofundamento dos personagens. Mesmo assim dá a seus atores a oportunidade de desenvolver um trabalho de delicadeza e importância rara, em um período em que os grandes estúdios simplesmente ignoravam uma das maiores tragédias do século XX. A cena final, terna e comovente, fecha com inteligência e sensibilidade um filme que merecia ter sido mais comentado e assistido em seu lançamento, por sua relevância social e por sua qualidade dramática.
quarta-feira
LETRA E MÚSICA
LETRA E MÚSICA (Music and lyrics, 2007, Warner Bros, 106min) Direção e roteiro: Marc Lawrence. Fotografia: Xavier Perez Grobet. Montagem: Susan E. Morse. Música: Adam Schlesinger. Figurino: Susan Lyall. Direção de arte/cenários: Jane Musky/Ellen Christiansen. Produção executiva: Bruce Berman, Hal Gaba, Nancy Juvonen. Produção: Liz Glotzer, Martin Shafer. Elenco: Hugh Grant, Drew Barrymore, Campbell Scott, Brad Garrett, Kristen Johnson, Haley Bennett, Matthew Morrison. Estreia: 14/02/07
Em 1998, Drew Barrymore estrelou, ao lado de Adam Sandler, a comédia romântica "Afinado no amor", que contava a história do romance entre um cantor de casamentos e uma garçonete nos cafoníssimos anos 80. Essa mesma década - que tornou-se novamente popular na entrada do século XXI - é o espírito de "Letra e música", mais um exemplar do gênero cinematográfico que fez a glória da ex-menininha de "ET". Apresentando uma química perfeita com Hugh Grant - divertidíssimo brincando com sua imagem de galã - ela acerta em cheio mais uma vez.
Dirigido por Marc Lawrence - que já havia dirigido Grant em "Amor à segunda vista" e ainda faria o tenebroso "Cadê os Morgan?" com o ator - "Letra e música" conquista simplesmente porque não oferece ao espectador mais do que pode. Lawrence escreveu uma história simples, romântica e engraçada, capaz de deixar o público com um sorriso doce no rosto. E o que os anos 80 tem a ver com isso? Basta dizer que logo de cara todo mundo já percebe: na pele de Alex Fletcher, o ator britânico surge dançando e cantando como um dos integrantes da previamente famosa banda de rock chamada Pop! - em um videoclipe sensacional que lembra nitidamente os trabalhos de grupos como Duran Duran. Quando o filme começa, Fletcher já não é mais tão popular e vive de shows em feiras e eventos, já que seu álbum solo foi um fiasco. Sua chance de escapar da decadência absoluta - na figura de um programa de auditório onde ele teria que lutar contra outras ex-celebridades - surge quando a jovem estrela da música adolescente Cora Corman (Haley Bennett incorporando Britney Spears em sua atuação) lhe pede uma canção que tenha como título "Way back into home". Paralisado pelo medo de não conseguir cumprir o contrato - quem fazia as letras de suas músicas era seu ex-parceiro e atual desafeto - ele acaba encontrando parceria em um lugar inesperado. A jovem Sophie Fisher (Drew Barrymore), hipocondríaca que cuida de suas plantas, se revela uma ótima letrista e os dois começam a trabalhar juntos. Não é preciso ser gênio para adivinhar o final da história.
Brincando sem medo com as referências culturais dos anos 80, Marc Lawrence criou uma comédia romântica que funciona às mil maravilhas. Mesmo que não tenha sido exatamente um estouro de bilheteria - rendeu pouco mais de 50 milhões de dólares - "Letra e música" consegue ser mais interessante do que seus congêneres por utilizar os clichês a seu favor. Ninguém tem dúvida de qual será o destino de seus protagonistas desde a visualização do cartaz, mas o roteiro expõe a relação entre eles de maneira tão natural e leve que fica difícil não gostar. Fazendo uma ligação orgânica entre o universo da música pop oitentista com a atual, o filme ainda tem um senso de humor impecável e inteligente, que não apela em momento algum para o escrachado ou o escatológico. Quando surge uma certa sensualidade - graças à Cora Corman - é apenas mais um meio de satirizar o estado das coisas na música americana atual.
Com uma trilha sonora deliciosa - cujas canções são realmente interpretadas por um Hugh Grant no cúmulo da canastrice proposital - e um elenco coadjuvante que apenas soma ao resultado final, "Letra e música" é uma sessão da tarde das mais inspiradas. Os anos 80 fazem bem à Drew Barrymore.
Em 1998, Drew Barrymore estrelou, ao lado de Adam Sandler, a comédia romântica "Afinado no amor", que contava a história do romance entre um cantor de casamentos e uma garçonete nos cafoníssimos anos 80. Essa mesma década - que tornou-se novamente popular na entrada do século XXI - é o espírito de "Letra e música", mais um exemplar do gênero cinematográfico que fez a glória da ex-menininha de "ET". Apresentando uma química perfeita com Hugh Grant - divertidíssimo brincando com sua imagem de galã - ela acerta em cheio mais uma vez.
Dirigido por Marc Lawrence - que já havia dirigido Grant em "Amor à segunda vista" e ainda faria o tenebroso "Cadê os Morgan?" com o ator - "Letra e música" conquista simplesmente porque não oferece ao espectador mais do que pode. Lawrence escreveu uma história simples, romântica e engraçada, capaz de deixar o público com um sorriso doce no rosto. E o que os anos 80 tem a ver com isso? Basta dizer que logo de cara todo mundo já percebe: na pele de Alex Fletcher, o ator britânico surge dançando e cantando como um dos integrantes da previamente famosa banda de rock chamada Pop! - em um videoclipe sensacional que lembra nitidamente os trabalhos de grupos como Duran Duran. Quando o filme começa, Fletcher já não é mais tão popular e vive de shows em feiras e eventos, já que seu álbum solo foi um fiasco. Sua chance de escapar da decadência absoluta - na figura de um programa de auditório onde ele teria que lutar contra outras ex-celebridades - surge quando a jovem estrela da música adolescente Cora Corman (Haley Bennett incorporando Britney Spears em sua atuação) lhe pede uma canção que tenha como título "Way back into home". Paralisado pelo medo de não conseguir cumprir o contrato - quem fazia as letras de suas músicas era seu ex-parceiro e atual desafeto - ele acaba encontrando parceria em um lugar inesperado. A jovem Sophie Fisher (Drew Barrymore), hipocondríaca que cuida de suas plantas, se revela uma ótima letrista e os dois começam a trabalhar juntos. Não é preciso ser gênio para adivinhar o final da história.
Brincando sem medo com as referências culturais dos anos 80, Marc Lawrence criou uma comédia romântica que funciona às mil maravilhas. Mesmo que não tenha sido exatamente um estouro de bilheteria - rendeu pouco mais de 50 milhões de dólares - "Letra e música" consegue ser mais interessante do que seus congêneres por utilizar os clichês a seu favor. Ninguém tem dúvida de qual será o destino de seus protagonistas desde a visualização do cartaz, mas o roteiro expõe a relação entre eles de maneira tão natural e leve que fica difícil não gostar. Fazendo uma ligação orgânica entre o universo da música pop oitentista com a atual, o filme ainda tem um senso de humor impecável e inteligente, que não apela em momento algum para o escrachado ou o escatológico. Quando surge uma certa sensualidade - graças à Cora Corman - é apenas mais um meio de satirizar o estado das coisas na música americana atual.
Com uma trilha sonora deliciosa - cujas canções são realmente interpretadas por um Hugh Grant no cúmulo da canastrice proposital - e um elenco coadjuvante que apenas soma ao resultado final, "Letra e música" é uma sessão da tarde das mais inspiradas. Os anos 80 fazem bem à Drew Barrymore.
sexta-feira
O EXORCISMO DE EMILY ROSE
O EXORCISMO DE EMILY ROSE (The exorcism of Emily Rose, 2005, Screen Gems, 119min) Direção: Scott Derrikson. Roteiro: Paul Harris Boardman, Scott Derrikson. Fotografia: Tom Stern. Montagem: Jeff Betancourt. Música: Christopher Young. Figurino: Tish Monaghan. Direção de arte/cenários: David Brisbin/Lesley Beale. Produção executiva: Andre Lamal, David McIlvan, Terry McKay, Julie Yorn. Produção: Paul Harris Boardman, Beau Flynn, Gary Lucchesi, Tom Rosenberg, Tripp Vinson. Elenco: Laura Linney, Tom Wilkinson, Jennifer Carpenter, Campbell Scott, Colm Feore, Joshua Close, Kenneth Welsh, Henry Czerny, Shoreh Aghdashloo, Mary Beth Hurt. Estreia: 01/9/05 (Festival de Veneza)
Na metade dos anos 70, na Alemanha, uma jovem de 23 anos chamada Anneliese Michel, diagnosticada como epilética, morreu de subnutrição e desidratação depois de ter sido submetida a 67 (!!) tentativas de exorcismo. O caso levou os pais da jovem e os dois padres responsáveis pelas cerimônias aos tribunais, acusados de negligência - e ao lançamento de um livro que contava sua trágica história, chamado "The exorcism of Anneliese Michel" e escrito pela antropóloga Felicitas D. Goodman. Com base nesse drama - que pedia desesperadamente por uma adaptação para o cinema - os dois jovens roteiristas Paul Harris Boardman e Scott Derrikson criaram um filme único, que mistura com inteligência dois gêneros bastante caros à indústria de Hollywood (filmes de terror e filmes de tribunal) e que surpreendeu por jamais subestimar a inteligência de sua plateia. Realizado com cerca de 20 milhões de dólares, "O exorcismo de Emily Rose" coletou mais de 140 milhões pelo mundo. A melhor notícia? Mereceu cada centavo.
Para efeitos dramáticos, o roteiro de Boardman e Derrikson precisou fazer alterações na história original, todas elas responsáveis por deixar o ritmo e a narrativa mais ricos e palatáveis à audiência média - e que, por definição, é quem decide a sorte de um filme nas bilheterias. Sendo assim, a protagonista alemã cede lugar a uma estudante americana, a dedicada e esforçada Emily Rose (em uma performance aterradora de Jennifer Carpenter, que mais tarde se tornaria a irmã da personagem-título da série "Dexter"). Quando o filme começa, Rose já está morta e a competente advogada Erin Bruner (Laura Linney) é chamada para defender o padre Richard Moore (Tom Wilkinson), acusado de ter causado sua morte durante um exorcismo. A ambição da advogada é subir na firma onde trabalha, e ela esbarra na ferrenha ideia do sacerdote, que insiste em contar toda a história da jovem em pleno tribunal. Batendo de frente com o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott), Bruner começa a investigar a fundo todos os acontecimentos que levaram à morte de Emily - que foi diagnosticada como epilética e psicótica. Segundo Thomas, o padre é culpado por ter impedido a vítima de ter um acompanhamento médico e cabe a ela provar - mesmo sendo totalmente cética - que Rose estava possuída por uma legião de demônios.

O melhor de "O exorcismo de Emily Rose" é que ele funciona em todos os níveis nos quais se propõe. Como drama de tribunal, é capaz de prender o espectador na poltrona como se estivesse nos melhores livros de John Grisham, com o drama na medida certa e dando oportunidades raras para seu elenco coadjuvante - que inclui a ótima Shohreh Aghdashloo, Colm Feore e Henry Czerny. Como suspense é aterrorizante, tenso e dramaticamente consistente, dando ao público momentos assustadores e revelando o talento intenso da jovem Jennifer Carpenter. E como drama religioso é capaz de emocionar sem apelar para clichês católicos - ou de qualquer outra doutrina. Tal equilíbrio só é possível devido ao talento de seus diretores/roteiristas, que nunca caem na tentação de privilegiar uma ou outra linha narrativa, intercalando-as de forma inteligente e intrigante - e que só dá uma resposta ao público nos comoventes momentos finais.
Quem procura um bom filme de tribunal ou um filme de terror adulto e que foge da sanguinolência habitual no gênero só tem a ganhar com uma sessão de "O exorcismo de Emily Rose". É o filme de terror mais arrepiante de sua época. No bom sentido!
Na metade dos anos 70, na Alemanha, uma jovem de 23 anos chamada Anneliese Michel, diagnosticada como epilética, morreu de subnutrição e desidratação depois de ter sido submetida a 67 (!!) tentativas de exorcismo. O caso levou os pais da jovem e os dois padres responsáveis pelas cerimônias aos tribunais, acusados de negligência - e ao lançamento de um livro que contava sua trágica história, chamado "The exorcism of Anneliese Michel" e escrito pela antropóloga Felicitas D. Goodman. Com base nesse drama - que pedia desesperadamente por uma adaptação para o cinema - os dois jovens roteiristas Paul Harris Boardman e Scott Derrikson criaram um filme único, que mistura com inteligência dois gêneros bastante caros à indústria de Hollywood (filmes de terror e filmes de tribunal) e que surpreendeu por jamais subestimar a inteligência de sua plateia. Realizado com cerca de 20 milhões de dólares, "O exorcismo de Emily Rose" coletou mais de 140 milhões pelo mundo. A melhor notícia? Mereceu cada centavo.
Para efeitos dramáticos, o roteiro de Boardman e Derrikson precisou fazer alterações na história original, todas elas responsáveis por deixar o ritmo e a narrativa mais ricos e palatáveis à audiência média - e que, por definição, é quem decide a sorte de um filme nas bilheterias. Sendo assim, a protagonista alemã cede lugar a uma estudante americana, a dedicada e esforçada Emily Rose (em uma performance aterradora de Jennifer Carpenter, que mais tarde se tornaria a irmã da personagem-título da série "Dexter"). Quando o filme começa, Rose já está morta e a competente advogada Erin Bruner (Laura Linney) é chamada para defender o padre Richard Moore (Tom Wilkinson), acusado de ter causado sua morte durante um exorcismo. A ambição da advogada é subir na firma onde trabalha, e ela esbarra na ferrenha ideia do sacerdote, que insiste em contar toda a história da jovem em pleno tribunal. Batendo de frente com o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott), Bruner começa a investigar a fundo todos os acontecimentos que levaram à morte de Emily - que foi diagnosticada como epilética e psicótica. Segundo Thomas, o padre é culpado por ter impedido a vítima de ter um acompanhamento médico e cabe a ela provar - mesmo sendo totalmente cética - que Rose estava possuída por uma legião de demônios.
O melhor de "O exorcismo de Emily Rose" é que ele funciona em todos os níveis nos quais se propõe. Como drama de tribunal, é capaz de prender o espectador na poltrona como se estivesse nos melhores livros de John Grisham, com o drama na medida certa e dando oportunidades raras para seu elenco coadjuvante - que inclui a ótima Shohreh Aghdashloo, Colm Feore e Henry Czerny. Como suspense é aterrorizante, tenso e dramaticamente consistente, dando ao público momentos assustadores e revelando o talento intenso da jovem Jennifer Carpenter. E como drama religioso é capaz de emocionar sem apelar para clichês católicos - ou de qualquer outra doutrina. Tal equilíbrio só é possível devido ao talento de seus diretores/roteiristas, que nunca caem na tentação de privilegiar uma ou outra linha narrativa, intercalando-as de forma inteligente e intrigante - e que só dá uma resposta ao público nos comoventes momentos finais.
Quem procura um bom filme de tribunal ou um filme de terror adulto e que foge da sanguinolência habitual no gênero só tem a ganhar com uma sessão de "O exorcismo de Emily Rose". É o filme de terror mais arrepiante de sua época. No bom sentido!
terça-feira
VIDA DE SOLTEIRO
VIDA DE SOLTEIRO (Singles, 1992, Warner Bros, 99min) Direção e roteiro: Cameron Crowe. Fotografia: Tak Fujimoto, Ueli Steiger. Montagem: Richard Chew. Música: Paul Westerberg. Figurino: Jane Ruhm. Direção de arte/cenários: Stephen J. Lineweaver/Clay A. Griffith. Casting: Owens Hill. Produção executiva: Art Linson. Produção: Cameron Crowe, Richard Hashimoto. Elenco: Matt Dillon, Bridget Fonda, Campbell Scott, Kyra Sedgwick, Sheila Kelley, Bill Pullman, James LeGros, Eric Stoltz, Jeremy Piven, Tom Skerrit, Paul Giamatti. Estreia: 18/9/92
A principal informação que pessoas normais tem a respeito de Seattle é que é a cidade que foi o berço do movimento "grunge", que, no início dos anos 90, legou ao mundo bandas como Pearl Jam e Nirvana (da cidade vizinha Aberdeen). E é justamente nessa Seattle musical e jovem que se passa uma das comédias românticas mais bacanas da década, que, se não tornou-se o êxito comercial esperado, ao menos amealhou fãs fiéis e ardorosos. "Vida de solteiro", escrito e dirigido pelo ex-repórter da revista Rolling Stone, Cameron Crowe, é uma delícia de se assistir e ouvir, mesmo depois de várias revisões.
O filme é, basicamente, uma colagem de pequenas anedotas romântico/sentimentais de um grupo de jovens de vinte e muitos anos que moram no mesmo prédio no subúrbio de Seattle. A garçonete Janet (Bridget Fonda, com ótimo timing cômico) é apaixonada pelo namorado, o músico Cliff (Matt Dillon, de cabelo comprido e visual desgrenhado), líder de uma banda de rock, Citizen Dick. O romance dos dois, porém, é atrapalhado pela absoluta falta de romantismo do rapaz, que prioriza a "carreira" em detrimento à sua relação com a namorada. O ex-namorado de Janet, o engenheiro de trânsito Steve (Campbell Scott) tenta vender o projeto de um supertrem à prefeitura da cidade, enquanto inicia um hesitante romance com a ambientalista Linda (Kyra Sedgwick assumindo com propriedade o papel que foi oferecido a Jodie Foster, Jennifer Jason Leigh e Mary Stuart Masterson), insegura em relação a confiar em homens, depois que foi enganada pelo último amante. E Debbie (Sheila Kelley), cansada da solidão, faz um vídeo procurando um novo amor.
Ao acompanhar a trajetória dessa meia dúzia de personagens simpáticos, humanos e absolutamente verdadeiros, Crowe entrega à plateia um dos mais inteligentes retratos de uma geração normalmente considerada apática. Em sua história, o diretor/roteirista não se contenta apenas em fazer rir ou emocionar com as mancadas sentimentais de seus heróis: eles também buscam o sucesso profissional, também sonham em viver longe de jogos amorosos, também tem dúvidas e inseguranças. Ninguém, em "Vida de solteiro" é totalmente seguro de si: Janet pensa em aumentar os seios para reconquistar o namorado, Cliff é um roqueiro bem medíocre, Steve é dedicado à profissão mas não atinge o sucesso esperado, Linda sofre por não ter certeza de seus sentimentos e Debbie é uma maluquete que não se importa em ceder o pretendente à colega de apartamento em troca de algumas lavadas de louça. São todas personagens escritas com carinho e bom-humor, quase como uma descrição que alguém faz dos melhores amigos.

E está tudo lá, em "Vida de solteiro": as inseguranças ("será que eu devo ligar?"), os conselhos errados ("mulher gosta de mistério..."), as cantadas equivocadas ("não fazer tipo é seu tipo") e as declarações de amor inesperadas ("não me faça ter que lembrar desse cachorro-quente pra sempre..."). Está lá a trilha sonora vibrante e a participação especial de músicos e amigos do diretor (Eddie Vedder e a banda Pearl Jam são os integrantes da Citizen Dick, e Tim Burton faz uma ponta como um cineasta amador de vanguarda). Está lá o elenco de jovens atores em seus melhores dias e está lá, principalmente, a simpatia e o alto-astral que fazem de uma comédia romântica um dos gêneros mais queridos pelo público. Mas, acima de tudo, "Vida de solteiro" é uma celebração ao amor, à amizade, à juventude e, por que não?, à Seattle.
Um dos melhores filmes de Cameron Crowe - que anos depois lançaria o magnífico "Quase famosos" - a história de Janet, Cliff, Debbie, Steve e Linda é para ver e rever sempre. De preferência com um enorme sorriso e o coração aberto.
A principal informação que pessoas normais tem a respeito de Seattle é que é a cidade que foi o berço do movimento "grunge", que, no início dos anos 90, legou ao mundo bandas como Pearl Jam e Nirvana (da cidade vizinha Aberdeen). E é justamente nessa Seattle musical e jovem que se passa uma das comédias românticas mais bacanas da década, que, se não tornou-se o êxito comercial esperado, ao menos amealhou fãs fiéis e ardorosos. "Vida de solteiro", escrito e dirigido pelo ex-repórter da revista Rolling Stone, Cameron Crowe, é uma delícia de se assistir e ouvir, mesmo depois de várias revisões.
O filme é, basicamente, uma colagem de pequenas anedotas romântico/sentimentais de um grupo de jovens de vinte e muitos anos que moram no mesmo prédio no subúrbio de Seattle. A garçonete Janet (Bridget Fonda, com ótimo timing cômico) é apaixonada pelo namorado, o músico Cliff (Matt Dillon, de cabelo comprido e visual desgrenhado), líder de uma banda de rock, Citizen Dick. O romance dos dois, porém, é atrapalhado pela absoluta falta de romantismo do rapaz, que prioriza a "carreira" em detrimento à sua relação com a namorada. O ex-namorado de Janet, o engenheiro de trânsito Steve (Campbell Scott) tenta vender o projeto de um supertrem à prefeitura da cidade, enquanto inicia um hesitante romance com a ambientalista Linda (Kyra Sedgwick assumindo com propriedade o papel que foi oferecido a Jodie Foster, Jennifer Jason Leigh e Mary Stuart Masterson), insegura em relação a confiar em homens, depois que foi enganada pelo último amante. E Debbie (Sheila Kelley), cansada da solidão, faz um vídeo procurando um novo amor.
Ao acompanhar a trajetória dessa meia dúzia de personagens simpáticos, humanos e absolutamente verdadeiros, Crowe entrega à plateia um dos mais inteligentes retratos de uma geração normalmente considerada apática. Em sua história, o diretor/roteirista não se contenta apenas em fazer rir ou emocionar com as mancadas sentimentais de seus heróis: eles também buscam o sucesso profissional, também sonham em viver longe de jogos amorosos, também tem dúvidas e inseguranças. Ninguém, em "Vida de solteiro" é totalmente seguro de si: Janet pensa em aumentar os seios para reconquistar o namorado, Cliff é um roqueiro bem medíocre, Steve é dedicado à profissão mas não atinge o sucesso esperado, Linda sofre por não ter certeza de seus sentimentos e Debbie é uma maluquete que não se importa em ceder o pretendente à colega de apartamento em troca de algumas lavadas de louça. São todas personagens escritas com carinho e bom-humor, quase como uma descrição que alguém faz dos melhores amigos.
E está tudo lá, em "Vida de solteiro": as inseguranças ("será que eu devo ligar?"), os conselhos errados ("mulher gosta de mistério..."), as cantadas equivocadas ("não fazer tipo é seu tipo") e as declarações de amor inesperadas ("não me faça ter que lembrar desse cachorro-quente pra sempre..."). Está lá a trilha sonora vibrante e a participação especial de músicos e amigos do diretor (Eddie Vedder e a banda Pearl Jam são os integrantes da Citizen Dick, e Tim Burton faz uma ponta como um cineasta amador de vanguarda). Está lá o elenco de jovens atores em seus melhores dias e está lá, principalmente, a simpatia e o alto-astral que fazem de uma comédia romântica um dos gêneros mais queridos pelo público. Mas, acima de tudo, "Vida de solteiro" é uma celebração ao amor, à amizade, à juventude e, por que não?, à Seattle.
Um dos melhores filmes de Cameron Crowe - que anos depois lançaria o magnífico "Quase famosos" - a história de Janet, Cliff, Debbie, Steve e Linda é para ver e rever sempre. De preferência com um enorme sorriso e o coração aberto.
sexta-feira
TUDO POR AMOR
TUDO POR AMOR (Dying young, 1991, 20th Century Fox, 111min) Direção: Joel Schumacher. Roteiro: Richard Friedenberg, romance de Marti Leimbach. Fotografia: Juan Ruiz Anchia. Montagem: Robert Brown, Jim Prior. Música: James Newton Howard. Figurino: Susan Becker. Direção de arte/cenários: Cricket Rowland. Casting: Mary Goldberg. Produção: Sally Field, Kevin McCormick. Elenco: Julia Roberts, Campbell Scott, Vincent D'Onofrio, Colleen Dewhurst, David Selby, Ellen Burstyn. Estreia: 21/6/91
Depois de ter seduzido plateias do mundo inteiro com uma comédia romântica e dois suspenses, Julia Roberts achou que faltava algo para demonstrar sua versatilidade. Nada melhor, portanto, do que investir em um românce ao estilo "Love story". Produzido por sua mãe no choroso "Flores de aço", Sally Field, o drama "Tudo por amor" reuniu a linda mulher ao diretor Joel Schumacher, de "Linha mortal", mas não fez o barulho esperado. Era a primeira mostra de que a estrela de Julia estava começando a apagar-se - o que iria acontecer ainda na primeira metade dos anos 90, para depois ressurgir com força total.
Na verdade a culpa do semi-fracasso de "Tudo por amor" - semi porque o filme tem seus fãs inveterados - é o fato de contar uma história bastante triste e deprimente, que quase anula a maior qualidade de Roberts: sua vivacidade. Ainda que altere consideravelmente o final do livro em que é baseado - na verdade o romance acaba um pouco adiante do que é mostrado nas telas - o filme de Joel Schumacher é suficientemente melancólico para afastar o público que apaixonou-se pelo largo sorriso da atriz. E ter Schumacher, um cineasta não exatamente criativo ou ousado, por trás das câmeras não ajuda muito no resultado final. A maior qualidade de "Tudo por amor" é justamente a tentativa de seu elenco em transformar uma montanha de clichês em algo minimamente interessante.

Julia Roberts - menos bela e sedutora do que o normal - vive Hilary O'Neil, uma jovem que, depois de sair da casa onde vivia com o namorado infiel, atende um anúncio de jornal procurando uma enfermeira. Mesmo sem ter nenhuma experiência no assunto, suas belas pernas e a ajudam a conseguir o emprego como acompanhante 24h de Victor Geddes (Campbell Scott), um rapaz de 28 anos que tem leucemia desde a adolescência. A princípio assustada com as reações adversas do jovem a seu tratamento de quimioterapia, ela aos poucos começa a realmente cuidar dele e ajudá-lo em sua recuperação. Quando eles viajam para a praia para que ele termine sua tese de doutorado, eles se descobrem apaixonados, mas a doença volta a ser uma ameaça à sua felicidade.
Enquanto Roberts não parece à vontade com sua personagem, é Campbell Scott quem se destaca no difícil papel de Victor, um rapaz dividido entre a tentativa de uma vida normal e a cura de sua doença. Sem apelar para a lágrima fácil, o filho do grande ator George C. Scott consegue ser sedutor, agressivo, frágil e apaixonante. Não é à toa que a linda mulher cai de amores por ele...
Depois de ter seduzido plateias do mundo inteiro com uma comédia romântica e dois suspenses, Julia Roberts achou que faltava algo para demonstrar sua versatilidade. Nada melhor, portanto, do que investir em um românce ao estilo "Love story". Produzido por sua mãe no choroso "Flores de aço", Sally Field, o drama "Tudo por amor" reuniu a linda mulher ao diretor Joel Schumacher, de "Linha mortal", mas não fez o barulho esperado. Era a primeira mostra de que a estrela de Julia estava começando a apagar-se - o que iria acontecer ainda na primeira metade dos anos 90, para depois ressurgir com força total.
Na verdade a culpa do semi-fracasso de "Tudo por amor" - semi porque o filme tem seus fãs inveterados - é o fato de contar uma história bastante triste e deprimente, que quase anula a maior qualidade de Roberts: sua vivacidade. Ainda que altere consideravelmente o final do livro em que é baseado - na verdade o romance acaba um pouco adiante do que é mostrado nas telas - o filme de Joel Schumacher é suficientemente melancólico para afastar o público que apaixonou-se pelo largo sorriso da atriz. E ter Schumacher, um cineasta não exatamente criativo ou ousado, por trás das câmeras não ajuda muito no resultado final. A maior qualidade de "Tudo por amor" é justamente a tentativa de seu elenco em transformar uma montanha de clichês em algo minimamente interessante.
Julia Roberts - menos bela e sedutora do que o normal - vive Hilary O'Neil, uma jovem que, depois de sair da casa onde vivia com o namorado infiel, atende um anúncio de jornal procurando uma enfermeira. Mesmo sem ter nenhuma experiência no assunto, suas belas pernas e a ajudam a conseguir o emprego como acompanhante 24h de Victor Geddes (Campbell Scott), um rapaz de 28 anos que tem leucemia desde a adolescência. A princípio assustada com as reações adversas do jovem a seu tratamento de quimioterapia, ela aos poucos começa a realmente cuidar dele e ajudá-lo em sua recuperação. Quando eles viajam para a praia para que ele termine sua tese de doutorado, eles se descobrem apaixonados, mas a doença volta a ser uma ameaça à sua felicidade.
Enquanto Roberts não parece à vontade com sua personagem, é Campbell Scott quem se destaca no difícil papel de Victor, um rapaz dividido entre a tentativa de uma vida normal e a cura de sua doença. Sem apelar para a lágrima fácil, o filho do grande ator George C. Scott consegue ser sedutor, agressivo, frágil e apaixonante. Não é à toa que a linda mulher cai de amores por ele...
Assinar:
Postagens (Atom)
OS AGENTES DO DESTINO
OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...
-
SOMMERSBY, O RETORNO DE UM ESTRANHO (Sommersby, 1993, Warner Bros, 114min) Direção: Jon Amiel. Roteiro: Nicholas Meyer, Sarah Kernochan, h...
-
EVIL: RAÍZES DO MAL (Ondskan, 2003, Moviola Film, 113min) Direção: Mikael Hafstrom. Roteiro: Hans Gunnarsson, Mikael Hafstrom, Klas Osterg...
-
O SILÊNCIO DOS INOCENTES (The silence of the lambs, 1991, Orion Pictures, 118min) Direção: Jonathan Demme. Roteiro: Ted Tally, romance de ...

