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sexta-feira

ESTE MUNDO É UM HOSPÍCIO

ESTE MUNDO É UM HOSPÍCIO (Arsenic and old lace, 1944, Warner Bros, 118min) Direção: Frank Capra. Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein, peça teatral de Joseph Kesselring. Fotografia: Sol Polito. Montagem: Daniel Mandell. Música: Max Steiner. Figurino: Orry-Kelly. Direção de arte/cenários: Max Parker. Produção executiva: Jack L. Warner. Elenco: Cary Grant, Priscilla Lane, Raymond Massey, Jack Carson, Edward Everett Horton, Peter Lorre, James Gleason. Estreia: 01/9/44

Os espectadores acostumados com as produções de caráter construtivo do cineasta Frank Capra levaram um susto quando, em setembro de 1944, finalmente estreou nos EUA seu "Este mundo é um hospício": longe de ser um filme de espírito nobre, com personagens íntegros e mensagens otimistas, a adaptação da peça teatral de Joseph Kesselring era uma comédia de humor negro que, a despeito do diretor e da presença do astro Cary Grant, em nada lembrava seus trabalhos anteriores, especialmente os três que lhe deram o Oscar - "Aconteceu naquela noite" (1934), "O galante Mr. Deeds" (1936) e "Do mundo nada se leva" (1938). Sem o otimismo inquebrantável que marcava a filmografia de Capra - mas ainda com altas doses de bom humor -, o filme que o diretor realizou imediatamente antes de partir para a II Guerra como voluntário é uma comprovação de sua versatilidade e uma das comédias mais interessantes dos anos 1940, por sua temática inusitada e personagens politicamente incorretos.

A trajetória de "Este mundo é um hospício" em direção às telas começou com sua estreia teatral, na Broadway, em 10 de janeiro de 1941. No mesmo ano, a Warner Bros desembolsou 175 mil dólares pelos direitos de adaptação - mais 15% da renda para os produtores da peça, Howard Lindsay e Russel Crouse - e atraiu Capra para a direção. Ávido para mostrar seu talento em filmes menos inspiradores e sérios, o cineasta abraçou o projeto com entusiasmo, mas logo alguns problemas começaram a aparecer. Primeiro, a presença de Boris Karloff no filme (no papel que ele criara no palco) não aconteceu, para desgosto do ator, que viu seus colegas de cena Josephine Hull, Jean Adair e John Alexander brilharem na transposição para o cinema: os Lindsay e Crouse não liberaram o astro de filmes de terror nem mesmo com a proposta da Warner em emprestar Humphrey Bogart para substituí-lo nos palcos pelo tempo das filmagens e Raymond Massey acabou com seu papel, sob pesada maquiagem. Além disso, Bob Hope - a primeira escolha do estúdio para um dos papéis centrais -, não foi liberado pela Paramount, e Cary Grant, escalado para o filme, não exatamente fã do projeto. Emprestado da Columbia para estrelar "Satã janta conosco", Grant perdeu o papel (por clamor popular) para Monty Wooley e, sem nada programado pelo período de contrato, acabou escolhido pelo estúdio - mas não se adaptou com o estilo de Capra, foi severamente criticado pela imprensa da época por um suposto exagero em sua atuação e nunca gostou do resultado final do filme.


Mas se a interpretação de Grant mereceu críticas - e realmente em alguns momentos em que ele parece destoar do tom do restante do elenco, apesar de não comprometer o todo -, é preciso também responsabilizar Frank Capra. O cineasta, ciente do que estava acontecendo, pretendia corrigir os excessos no processo de edição - mas, com a entrada dos EUA na II Guerra, após o ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, mal acabou as filmagens e partiu para produzir documentários sobre o conflito. Sem o controle do diretor na fase de montagem, "Este mundo é um hospício" permaneceu com seus pequenos defeitos (um ritmo por vezes cansativo, entre eles), mas não deixa de ser um entretenimento de primeira, divertidíssimo com sua trama nonsense, seus diálogos brilhantes e a ousadia de tratar de um tema pesado (assassinatos em série) sem apelar para o sensacionalismo. Filmado quase totalmente em um único cenário (o que mantém sua estrutura teatral bem definida) e centrado basicamente nas marcações do elenco e sua interação, o filme é uma aula narrativa - pode até aborrecer quem não gosta do estilo, mas é de um notável equilíbrio entre as linguagens de cinema e teatro.


Obrigada, por contrato, a não estrear o filme antes que a montagem teatral fosse encerrada na Broadway, a Warner Bros engavetou "Este mundo é um hospício" até setembro de 1944 - levando-se em consideração que as filmagens foram encerradas em dezembro de 1941, foram quase três anos de espera até seu lançamento (ainda que soldados das Forças Armadas tenham tido acesso ao material antes, por cortesia de Jack L. Warner). Esse atraso no lançamento impediu que o filme fosse considerado para o Oscar, mas sua qualidade cômica tornou-o um pequeno clássico. A história gira em torno de Mortimer Brewster (Cary Grant), um crítico teatral que, avesso ao casamento, acaba de ceder à tentação de comprometer-se com a bela Elaine Harper (Priscilla Lane). Nesse mesmo dia, em clima de comemoração, ele descobre que suas amáveis e delicadas tias, Abby (Josephine Hull) e Martha (Jean Adair), tem quase uma dúzia de cadáveres de homens solitários enterrados no porão - vítimas de sua "compaixão", que as leva a envenená-los para tirá-los da solidão. Enquanto tenta lidar com a situação inusitada, Brewster ainda tem que internar o irmão desequilibrado que pensa que é Theodore Roosevelt (John Alexander) e reencontrar outro irmão, Jonathan (Raymond Massey), foragido da prisão e que, ao lado do pretenso médico Einstein (Peter Lorre), quer resolver antigas pendências familiares.

Com um ritmo frenético que mal dá tempo ao espectador de recuperar-se de uma sequência de acontecimentos para cair em outra, "Este mundo é um hospício" se beneficia - e muito - do desempenho exemplar de Josephine Hull e Jane Adair, como duas cândidas e inocentes tia que agem como exemplares senhoras idosas enquanto se igualam ao sobrinho assassino procurado pela polícia. Com personagens secundários igualmente deliciosos e reviravoltas constantes, o filme - roteirizado pela dupla Julius e Philip G. Epstein, de "Casablanca" - cumpre o que promete e, se não é o melhor Frank Capra, é, sem dúvida, a ovelha negra em sua filmografia, graças a seu total desprendimento em relação a valores morais e éticos. É simplesmente uma comédia. E das boas!!

domingo

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (It's a wonderful life, 1946, Liberty Films, 130min) Direção: Frank Capra. Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett, Frank Capra, estória de Philip Van Doren Stern. Fotografia: Joseph Biroc, Joseph Walker. Montagem: William Hornbeck. Música: Dimitri Tiomkin. Figurino: Edward Stevenson. Direção de arte/cenários: Jack Okey/Emile Kuri. Produção: Frank Capra. Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers. Estreia: 21/12/46

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Frank Capra), Ator (James Stewart), Montagem, Som
Vencedor do Golden Globe de Melhor Diretor (Frank Capra) 


É até difícil de acreditar, mas um dos filmes mais adorados pelas plateias dos últimos sessenta anos – e capaz de emocionar ao mais renitente e cínico espectador – foi um fracasso tão grande de bilheteria à época de sua estreia que abreviou a vida do estúdio independente que lhe deu origem. Baseado em uma pequena história publicada em um cartão de Natal, “A felicidade não se compra” talvez seja o filme que melhor ilustra as características da obra do cineasta Frank Capra, um dos mais populares e importantes diretores da era de ouro de Hollywood. Impregnada de otimismo, senso de humor, delicadeza e uma grande dose de ingenuidade, a história de um homem simples que em momentos de desespero reencontra a razão de viver através de um anjo disposto a conquistar suas almejadas asas foi sobrepujada, em seu lançamento, pelo êxito do drama pós-guerra “Os melhores anos de nossas vidas”, tanto nas bilheterias quanto no reconhecimento da Academia. Mas bastou que fosse redescoberto, nos anos 70, para tornar-se, indubitavelmente, um clássico natalino dos mais adorados pelo público através das décadas.

Escolhido por Capra para ser o primeiro filme de sua recém-fundada Liberty Films, na qual era sócio dos cineastas George Stevens e William Wyler e que pretendia lançar obras relevantes e sérias, “A felicidade não se compra” caiu em seu colo quando já estava em desenvolvimento por outro estúdio e com o nome de Cary Grant como protagonista. Baseado em um conto de Philip Van Doren, o roteiro do casal Frances Goodrich e Albert Hackett acabou sendo retocado pelo diretor para melhor caber em sua escolha para o papel central, o hesitante James Stewart. Era a primeira – e foi a única – vez em que Capra trabalhou escrevendo um filme seu, mas as intenções eram as melhores: apesar da fúria dos roteiristas anteriores, Capra (já vencedor do Oscar por “Aconteceu naquela noite”, de 1934) sabia que a história encontraria, nas mãos de Stewart, um calor humano mais crível e condizente com a trama central, e se para isso fosse preciso alterar alguns detalhes, assim seria feito. E foi. Ainda em dúvida se já era hora de voltar aos sets de filmagem – depois de ter se juntado ao exército americano na guerra – Stewart foi convencido pelo colega Lionel Barrymore a aceitar o papel que também já havia sido cogitado para Henry Fonda. Premiado com o Golden Globe e indicado ao Oscar por seu desempenho, o ator jamais poderia imaginar que o quase simplório George Bailey se transformaria no trabalho mais icônico de sua longa e vitoriosa carreira.


Lançado com apenas um dia de diferença de “Os melhores anos de nossas vidas” – que levou multidões aos cinemas e seria o grande vencedor do Oscar do ano seguinte – “A felicidade não se compra” foi um fracasso inesperado. Não apenas porque era a união de dois nomes bastante populares à época (Capra e Stewart) mas também porque ninguém poderia imaginar que as plateias fossem rechaçar tão violentamente um filme com intenções tão nobres. Foi somente quando caiu em domínio público, em 1974 – graças a confusões burocráticas – que sua sorte virou. Redescoberto por uma nova geração que passou a acompanhar suas tradicionais reprises televisivas no período do Natal, o filme começou, então, a conquistar fãs leais e influentes – como os diretores Rob Reiner e Edward Zwick – e ser parte de um ritual anual que o converteu em uma instituição norte-americana.

A história é simples, mas repleta de uma poesia redentora e humanista que equilibra até mesmo a acidez um tanto cínica de alguns momentos: tentando desesperadamente ganhar seu almejado par de asas, o anjo Clarence (a princípio apenas uma luz no céu, e posteriormente na figura bizarra de Henry Travers) recebe a incumbência de seus superiores de descer à Terra e ajudar um cidadão em apuros. O tal cidadão é George Bailey (James Stewart), que, na véspera de Natal, pensa em suicidar-se devido a manobras sujas do banqueiro Potter (Lionel Barrymore). Para melhor entender a situação, Clarence é posto a par - juntamente com a plateia - de toda a história do rapaz. Morador da pequena Bedford Falls, George abdicou de seus sonhos de juventude (viajar pelo mundo e tornar-se arquiteto) para permanecer ao lado da família e dar continuidade aos negócios do pai. Casado com a bela Mary (Donna Reed) e pai de adoráveis crianças, ele aos poucos acostumou-se com uma nova rotina, de ajudar aos amigos e necessitados do lugar. Seu desespero vem do fato de ter perdido todo o dinheiro guardado para as casas populares sonhadas pelos contribuintes. Mas Clarence, nem um pouco disposto a perder a oportunidade de finalmente ser presenteado com suas asas, decide impedir o suicídio de George mostrando a ele como seria a vida da cidade e de muitas pessoas a seu redor se ele nunca tivesse existido.

Com uma meia-hora final brilhante - quando George percebe sua importância para as outras pessoas - e a coragem radical de não tentar evitar um sentimentalismo quase exagerado, "A felicidade não se compra" é a prova contundente de que a sinceridade é um ingrediente dos mais importantes do cinema. Debaixo do humor ingênuo, da lição de vida e da crítica mordaz à ambição, o que mais se sobressai do filme de Capra é uma sinceridade à toda prova e um amor à humanidade que fica óbvio em cada cena e principalmente no olhar de felicidade de Bailey ao constatar que não há nada de mais importante no mundo do que a amizade - e que cada pessoa tem o poder de transformar a vida de outras. Uma bela lição em um filme atemporal!

quinta-feira

ACONTECEU NAQUELA NOITE

ACONTECEU NAQUELA NOITE (It happened one night, 1934, Columbia Pictures,105min) Direção: Frank Capra. Roteiro: Robert Riskin, conto de Samuel Hopkins Adams. Fotografia: Joseph Walker. Montagem: Gene Havlick. Música: Howard Jackson. Figurino: Robert Kalloch. Direção de arte: Stephen Goosson. Produção: Frank Capra. Elenco: Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connolly, Roscoe Karns, Jameson Thomas. Estreia: 22/02/34

Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Frank Capra), Ator (Clark Gable) Atriz (Claudette Colbert), Roteiro

Na primeira metade da década de 30, a Columbia Pictures não era exatamente uma grande potência dentre os estúdios de cinema de Hollywood – sua situação era tão humilhante que os presidentes da MGM e da Warner à época costumavam emprestar alguns de seus maiores astros para seus filmes como forma de castigá-los por alguma travessura. Foi assim, por exemplo, que Clark Gable (ainda antes de forjar sua eternidade no mundo do cinema com o épico “... E o vento levou”, lançado em 1939) acabou no elenco de “Aconteceu naquela noite”, uma produção barata e sem maiores ambições que, dirigida por Frank Capra, acabou por tornar-se um estrondoso sucesso de público e crítica – e, de quebra, foi a primeira produção da história a ganhar os cinco principais Oscar (filme, diretor, ator, atriz e roteiro). Pagando pena devido a seu escandaloso romance com Joan Crawford - que não agradou nem um pouco à MGM – Gable entrou no filme já com o pé esquerdo (à sua primeira reunião com Capra ele chegou bêbado e nem se deu ao trabalho de ser simpático) mas hoje é difícil ver outro ator no papel do cínico jornalista Peter Warne – e nessas horas é bom agradecer ao acaso o fato de ele ter sido recusado por Claude Rains e Robert Montgomery.

Aliás, o acaso jogou muito bem na montagem da equipe de “Aconteceu naquela noite”. Se a recusa de Carole Lombard em viver a mimada Ellie Andrews adiou em alguns anos seu casamento com Gable – se é que eles se apaixonariam de verdade durante as filmagens – ela serviu para que o papel caísse no colo de Claudette Colbert, que, aliás, não estava nem um pouco interessada em voltar a trabalhar com Frank Capra depois do fracasso comercial de seu primeiro encontro, “Filhos da fortuna” (27). Seu desinteresse pelo projeto acabou minado pela insistência do cineasta, que lhe prometeu o dobro de seu salário na Paramount por apenas quatro semanas de filmagens – a atriz não apenas acabou aceitando o papel em um filme que não lhe agradava (“acabei de fazer o pior filme da minha vida!”, ela confidenciou a uma amiga no último dia de trabalho) como passou a perna em ninguém menos que Bette Davis, interessadíssima em participar do projeto mas impedida pela Warner, com quem tinha contrato.


O interesse de Davis, diga-se de passagem, era uma surpresa, já que praticamente ninguém em Hollywood parecia muito entusiasmado em fazer parte da comédia romântica de Capra. Colbert, por exemplo, foi a sexta atriz sondada para o papel central – nomes como Loretta Young, a já citada Carole Lombard e Myrna Loy já haviam declinado do convite – e Robert Montgomery chegou a anunciar a quem quisesse ouvir que o roteiro era o pior que ele já havia lido. Foi aí que Capra entrou na jogada e chamou Robert Raskin para reescrever tudo do começo. Baseado em um conto chamado “Bus stop”, escrito por Samuel Hopkins Adams e publicado na revista “Cosmopolitan” (a “Nova” dos EUA), Raskin acabou criando uma deliciosa e divertida história de amor que acabou por se tornar a maior das referências do gênero “comédia romântica” – uma influência sentida até os dias de hoje.
Dono de um frescor e de uma inteligência que se mantém intactas mesmo depois de mais de sete décadas, “Aconteceu naquela noite” deve muito de seu ritmo ágil e de sua capacidade de empatia à direção elegante e esperta de Frank Capra, que mais tarde se tornaria um dos cineastas mais importantes dos EUA ao equilibrar um otimismo à toda prova e doses discretas de cinismo em filmes como “A felicidade não se compra” e “O galante Mr. Deeds”. Imprimindo à sua narrativa um tom moderno e algumas ousadias nada ameaçadoras, Capra conta a história de um amor nascido das diferenças, mas o faz com um olhar impiedoso e paradoxalmente carinhoso. Ellie Andrews (Claudette Colbert) é a herdeira de um empresário milionário que briga com o pai porque ele não aceita seu casamento com o playboy King Westley (Jameson Thomas). Para fugir do domínio paterno, ela pega um ônibus em direção à Nova York e se torna alvo de uma caçada nacional – há até uma recompensa para quem conseguir encontrá-la. Quem a encontra, por acaso, é Peter Warne (Clark Gable), um jornalista recém demitido que vê na jovem a chance de uma volta por cima. Uma série de imprevistos na viagem acaba por juntar os dois – sem que ela sequer desconfie que ele tem interesses financeiros por trás de sua gentileza um tanto rude. Logicamente, porém, as cartas acabam se embaralhando quando ele se apaixona por ela – e passa a ser correspondido mesmo sem saber.
A trama simples de Riskin é levada com humor e leveza da primeira à última cena, e o Oscar de roteiro é plenamente justificado graças às inúmeras sequências antológicas preparadas pela trama. É nesse filme, por exemplo, que Colbert mostra as pernas para conseguir uma carona e que os dois atores são obrigados a comer cenouras cruas para matar a fome. É de “Aconteceu naquela noite”, também, a famosa cena em que Gable mostra o peito nu debaixo de sua camisa: à época era comum que se usasse uma outra camisa por baixo da primeira e tal cena fez com que a venda das camisas de baixo caísse a níveis alarmantes, a ponto de uma empresa ter pensado em processar a Columbia (mal sabia ela que tudo aconteceu apenas porque o ator não conseguia dizer o texto tirando mais de uma peça de roupa).
No final das contas, “Aconteceu naquela noite” passou de azarão a campeão. Lançado em cinemas secundários nos EUA, aos poucos o filme começou a demonstrar uma popularidade surpreendente, e a Columbia aumentou o número de salas para ver-se alçada, ao final da temporada, a um nível superior dentro da hierarquia dos estúdios. Vencendo os cinco Oscar a que concorria – Colbert nem esperava ganhar e foi pega de surpresa com a vitória no mesmo ano em que tinha outros dois filmes na disputa, “Cleópatra” e “Imitação da vida” – a pequena obra-prima de Frank Capra é hoje um exemplo mais do que acabado de tudo que uma comédia romântica pode (e deve) ser.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...