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quarta-feira

MUNIQUE


MUNIQUE (Munich, 2005, DreamWorks SKG/Universal Pictures/Amblin Entertainment, 164min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Tony Kushner, Eric Roth, livro "Vengeance: the true story of an israeli counter-terrorist team", de George Jonas. Fotografia: Janusz Kaminski. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Rick Carter/John Bush. Produção: Kathleen Kennedy, Barry Mendel, Steven Spielberg, Colin Wilson. Elenco: Eric Bana, Geoffrey Rush, Daniel Craig, Matthieu Kassovitz, Ciaran Hinds, Lynn Cohen, Hanns Zischler, Michael Lonsdale, Mathieuu Almaric, Moritz Bleibetreu, Mathieu Amalric, Niels Arestrup. Estreia: 23/12/05

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Steven Spielberg), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora Original

Ninguém tem dúvidas de que quando quer Steven Spielberg sabe muito bem como falar sério. Foi assim que ele conquistou seus dois Oscar de melhor diretor, por "A lista de Schindler" (93) e "O resgate do soldado Ryan" (98). E, não fosse Ang Lee e seu belo "O segredo de Brokeback Mountain" talvez o diretor mais bem-sucedido da história tivesse embolsado uma terceira estatueta por aquele que é seu filme  mais polêmico e provavelmente o mais desprovido de sentimentalismos: "Munique", a recriação de uma das vinganças mais chocantes da história política contemporânea. Ao recriar o triste episódio que foi consequência do famigerado "setembro negro", Spielberg deixou de lado a parcialidade e entregou um suspense aterrador, capaz de deixar a plateia roendo as unhas de tensão. E o melhor ainda: conseguiu equilibrar tudo com um roteiro coeso e espaço para discussões e dramas pessoais do protagonista, vivido com garra e emoção pelo ótimo Eric Bana.

Bana - coadjuvante que roubou a cena em "Tróia" e "Falcão negro em perigo" - foi a escolha perfeita de Spielberg para ser o protagonista de "Munique". Na pele de Avner, o jovem recrutado pela primeira-ministra Golda Meir (Lynn Cohen, a Magda da série de TV "Sex and the city" em caracterização excepcional), o ator transmite em igual intensidade medo, raiva, angústia, solidão e desespero, jamais permitindo que sua personagem caia na superficialidade. Ao focar sua trama não apenas nos violentos atos de vingança do governo israelense contra os responsáveis pelo massacre dos atletas judeus nas Olimpíadas de Munique em 1972 mas também nos conflitos éticos e religiosos de seu protagonista, o diretor atinge um ponto alto em sua carreira - que infelizmente não encontrou seu público.



Realizado em tempo recorde e sem maiores alardes, "Munique" se apresenta como um estupendo thriller político, magistralmente fotografado e editado e dono de um roteiro espetacular, baseado no livro do jornalista George Jonas. Ao contrário do que fez em "A lista de Schindler" - onde revestiu a violência com a poética fotografia em preto-e-branco de Janusz Kaminski - e em "O resgate do soldado Ryan" - onde a fotografia granulada jogava o espectador no meio da guerra - Spielberg não teve medo de explicitar a violência em "Munique". Mesmo que sejam visualmente deslumbrantes, as cenas de assassinato do filme são de uma crueza e de uma força jamais vista na obra do cineasta, que não hesita em mostrar a violêmcia como ela é, em especial nas sequências que descrevem as mortes dos atletas - espalhadas pelo filme como uma lembrança do ponto de partida da trama.

Mas se a chacina das Olimpíadas é o empurrão para a trama - afinal é ela que precisa ser vingada por Avner e seus companheiros de missão - não o é para os conflitos que são discutidos veemente durante a projeção. Em um ato de coragem e inteligência, Spielberg não toma partido - como nas ocasiões anteriores - e deixa que suas personagens e seus atos falem por si. É exemplar, por exemplo, a cena em que inimigos se encontram em uma casa abandonada e discutem sobre a situação política e religiosa de seus países: ninguém está certo, ninguém está errado, e o diretor conduz a sequência com uma neutralidade impressionante para quem assinou clássicos da manipulação sentimental como "A cor púrpura" e "Império do sol" (grandes filmes, sem dúvida, mas desprovidos de imparcialidade emocional).

"Munique" é, talvez, o grande filme de Steven Spielberg. Forte, contundente, chocante e tecnicamente perfeito - além de possibilitar grandes voos de interpretação de seu protagonista e de coadjuvantes de peso como Geoffrey Rush, Daniel Craig e Mathieu Kassovitz - é também um de seus mais subestimados trabalhos. Azar de quem perdeu um dos grandes suspenses políticos de todos os tempos.

segunda-feira

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Presumed innocent, 1990, Warner Bros, 127min) Direção: Alan J. Pakula. Roteiro: Frank Pierson, Alan J. Pakula, romance de Scott Turow. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Evan Lottman. Música: John Williams. Figurino: John Boxer. Direção de arte/cenários: George Jenkins/Carol Joffe. Casting: Alixe Gordin. Produção executiva: Susan Solt. Produção: Sydney Pollack, Mark Rosenberg. Elenco: Harrison Ford, Brian Dennehy, Raul Julia, Bonnie Bedelia, Greta Scacchi, Paul Winfield, Bradley Whitford, Jesse Bradford, Joseph Mazzello, Jeffrey Wright. Estreia: 27/7/90

Publicado em 1988, o livro "Acima de qualquer suspeita", escrito pelo advogado Scott Turow, transformou-se imediatamente em um fenômeno de vendas. Sua prosa inteligente, que desvendava os meandros da justiça americana, aliada a uma intrigante história policial, encantou milhares de leitores e não demorou para que vários estúdios de Hollywood disputassem seus direitos a peso de ouro. A Warner Bros foi quem se deu melhor na guerra e, com o veterano Alan J. Pakula - de "Todos os homens do presidente" - no comando e Harrison Ford no papel principal, não tinha como dar errado. Mas, ao assistir-se à adaptação cinematográfica do best-seller de Turow, fica-se com a clara impressão de que certo também não deu.

"Acima de qualquer suspeita" tem todos os ingredientes de que um bom filme policial precisa para conquistar a audiência: uma trama coerente e recheada de pistas falsas, suspeitos interessantes e um final surpreendente, além de um algo a mais que sempre faz a diferença em termos comerciais: um grande astro. No entanto, a interpretação apática de Harrison Ford como o protagonista Rusty Sabitch, em vez de ajudar, apenas atrapalha o que já não é tão bom como poderia. Somado à direção anêmica de Pakula, o trabalho de Ford deixa bastante claras suas deficiências como ator em um papel que poderia render muito mais nas mãos de um Michael Douglas, por exemplo.

Rusty Sabitch (vivido no piloto-automático por Ford) é um bem-sucedido promotor público de Nova York que tem sua vida transformada quando é escalado por seu mentor (Brian Dennehy) para investigar o violento assassinato de Carolyn Polhemus (Greta Scaachi), sua colega de promotoria. Bela, ambiciosa e pouco afeita a coisas como ética e sentimentalismos, Carolyn foi estuprada e morta a golpes na cabeça e Rusty, em sua investigação, começa a descobrir as sujeiras por trás dos cargos públicos de sua profissão - além de particularidades pouco lisonjeiras sobre a vítima, com quem teve um tórrido e obsessivo caso extra-conjugal. As investigações sofrem uma reviravolta, no entanto, quando todas as pistas levam a um principal suspeito do crime: o próprio Rusty. Sem o apoio de seus superiores, ele conta apenas com a ajuda do talentoso advogado Sandy Stern (Raul Julia) e da esposa, Barbara (Bonnie Bedelia).

É difícil acreditar que um cineasta competente como Alan J. Pakula pôde ter errado a mão de maneira tão errônea quanto aqui. "Acima de qualquer suspeita" é um filme policial preguiçoso, que não dá à sua audiência o gostinho de brincar de detetive nem ao menos conta com consistência a história de seu protagonista, envolvido em uma trama rocambolesca e um caso de amor frustrado. Nem mesmo a chocante (para quem não leu o livro) revelação final consegue empolgar o público, em parte graças à absoluta falta de vontade do elenco. Com a gloriosa exceção de Raul Julia - que faz o que pode com o pouco que lhe dá o roteiro mal adaptado - ninguém no filme está além de corriqueiro ou banal - quando não está simplesmente péssimo, como é o caso de Greta Scaachi, que, de posse de um papel crucial, não faz mais do que piscar os olhos para mostrar que está interessada romanticamente em alguém ou fechar a cara para dizer o contrário.

É uma pena que "Acima de qualquer suspeita" - um belo livro policial, bem escrito e com coerência rara - não tenha tido uma adaptação mais bem-sucedida. Frustrante para os fãs do livro e para os entusiastas do gênero, é um pálido exemplar, se comparado à sua origem literária e ao currículo de seu diretor.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...