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segunda-feira

DURANTE A TORMENTA

DURANTE A TORMENTA (Durante la tormenta, 2018, Atresmedia Cine/Mirage Studio, 128min) Direção: Oriol Paulo. Roteiro: Oriol Paulo, Lara Sendim. Fotografia: Xavi Giménez. Montagem: Jaume Martí. Música: Fernando Velázquez. Figurino: Anna Aguilà. Direção de arte/cenários: Balter Gallart/Marta Bazaco. Produção executiva: Sandra Hermida, Laura Rubirola. Produção: Mercedes Gamero, Mikel Lejarza, Eneko Lizagarra, Jesus Ulled Nadal. Elenco: Adriana Ugarte, Chino Darín, Javier Gutiérrez, Álvaro Morte, Nora Navas, Miquel Fernández, Clara Segura, Belén Rueda. Estreia: 13/11/18

Quem ainda não conhece a obra do cineasta espanhol Oriol Paulo não sabe o que está perdendo. Diretor de dois dos melhores filmes de suspense dos últimos anos, "Um contratempo" (2016) e "O corpo" (2012) - que prendem o espectador na poltrona do início ao fim com suas tramas engenhosas e reviravoltas surpreendentes -, ele volta agora ainda mais ambicioso. "Durante a tormenta" é quase como dois filmes em um só, misturando suspense e ficção científica com extrema habilidade e deixando o público ansioso à espera das próximas reviravoltas (algumas previsíveis, outras muito bem disfarçadas pelo roteiro complexo e ágil). Ao se utilizar de elementos consagrados de outros filmes do gênero, como a trilogia "De volta para o futuro" (85/90), e os subestimados "Alta frequência" (2000) e "Efeito borboleta" (2004), Paulo demonstra versatilidade e competência em seduzir sua plateia mesmo diante de uma trama quase absurda e inverossímil. Apoiado no talento da protagonista Adriana Ugarte (estrela de "Julieta", de Pedro Almodóvar), "Durante a tormenta" é, ao mesmo tempo, uma grata surpresa e a confirmação de um talento com tudo para explodir em um futuro muito próximo.

Nascido em Barcelona em 1975, Oriol Paulo estreou como cineasta aos 23 anos, com o média-metragem "McGuffin" (1998), mas ficou alguns anos trabalhando como roteirista e diretor de curtas e filmes para a televisão até que seu "O corpo" lhe rendeu uma indicação ao Goya de melhor diretor estreante. Seu trabalho seguinte, "Um contratempo", reafirmou um estilo narrativo próprio, que emula Alfred Hitchcock e Brian De Palma ao mesmo tempo em que lhe confere uma identidade particular - não apenas seus movimentos de câmera e o domínio da técnica são o ponto forte, mas também seus roteiros, construídos milimetricamente com o objetivo de surpreender a plateia. "Durante a tormenta" apresenta estas mesmas qualidades, mas de forma muito mais radical. Ainda existe a atenção aos detalhes e à construção impecável do clima de tensão, mas dessa vez o diretor ousa ainda mais nos desvios da trama, de forma a deixar qualquer um desconcertado. Como é normal em filmes do gênero, é provável que uma análise mais detalhada - e ranzinza - encontre falhas no roteiro, mas é inegável que, durante o tempo da sessão, é impossível despregar o olho da tela e não tentar adivinhar os próximos acontecimentos.


Como é de se esperar de um bom filme de suspense, quanto menos se sabe da trama, melhor, mas não atrapalha saber o básico: em 1989, no mesmo dia da queda do Muro de Berlim, um menino de 12 anos morre tragicamente pouco antes de uma violenta tormenta prevista para durar 72 horas. Vinte e cinco anos mais tarde, a enfermeira Vera (Adriana Ugarte) acaba de mudar-se para a casa do menino, junto com o marido, David (Álvaro Morte), e a filha pequena, Gloria. Uma nova tormenta está para acontecer, exatamente como no passado, e Vera, impressionada com a morte do primeiro morador e o assassinato ocorrido na casa em frente, acaba tendo contato, através de um antigo vídeo-cassete e uma fita gravada, com o jovem Nico (Julio Bohigas), pouco antes de sua morte. Misteriosamente ela consegue falar com ele e evitar o desfecho violento da situação - mas quando acorda, no dia seguinte, se descobre presa a uma outra vida, bastante diferente da anterior. Nessa nova vida, ela é médica, não está casada com David e tampouco tem uma filha. Desesperada, ela tenta reverter os acontecimentos, no que é parcialmente ajudada pelo Inspetor Leyra (Chino Darín, filho do ator Ricardo Darín). Nessa batalha, ela reencontra personagens importantes de sua "vida anterior" - e percebe que todas elas foram afetadas, de uma forma ou outra, por sua intervenção.

O roteiro de Paulo - redondo, inteligente, sutil - apresenta algumas explicações para o fenômeno retratado, mas felizmente não se aprofunda em nenhuma delas, deixando as conclusões para o espectador. Sua narrativa empolga principalmente porque consegue virar do avesso as certezas do público e dos personagens, com reviravoltas que dão novo sentido a cada um dos acontecimentos da primeira linha temporal. Buscar uma resposta definitiva para o ponto de partida é perder o encantamento que suas consequências trazem, uma viagem de montanha-russa repleta de surpresas e momentos de genuíno suspense. A trama policial - que se mantém como pano de fundo até o terço final - é a mais inesperada, mas é a trajetória de Vera em provar-se sã e ciente de todo o caos à sua volta que prende o público, que, angustiado como ela, tenta encontrar a maneira certa de resolver um problema aparentemente sem solução. Adriana Ugarte dá conta do recado com maestria, transmitindo todas as sensações conflitantes de sua personagem sem cair no exagero ou na caricatura. O mesmo pode se dizer do restante do elenco - discreto mas extremamente eficiente - e da edição, costurada com ritmo e enxuta na medida certa. Um filme imperdível, "Durante a tormenta" é tão bom que vale por dois.

sexta-feira

O CORPO

O CORPO (El cuerpo, 2012, Antena 3 Films/Canal + España, 108min) Direção: Orion Paulo. Roteiro: Orion Paulo, Lara Sendim. Fotografia: Oscar Faura. Montagem: Joan Manel Vilaseca. Música: Sergio Moure de Oteyza. Figurino: Maria Reyes. Direção de arte/cenários: Balter Gallart/Nuria Muni. Produção executiva: Pepes Torrescusa. Produção: Mercedes Gamero, Mikel Lejarza, Joaquín Padró, Mar Targarona. Elenco: José Coronado, Belén Rueda, Hugo Silva, Aura Garrido, Miquel Gelabert. Estreia: 04/10/12

Na primeira cena, um homem corre apavorado, sob uma chuva torrencial, e é atropelado na estrada, indo parar no hospital, em coma com diversas fraturas graves que o impedem de revelar às autoridades o motivo pelo qual ele abandonou seu posto como vigia de um necrotério de forma tão atribulada. Chamado para investigar o caso, o detetive Jaime Peña (José Coronado) descobre, logo que chega ao local, outro fato bastante estranho: o desaparecimento do corpo da empresária Mayka Villaverde Freire (Belén Rueda), recentemente vítima de um ataque cardíaco fatal. O necrotério se localiza perto de um bosque fechado, chove abundantemente e a sala onde ficam os cadáveres está trancado por dentro, o que deixa tudo ainda mais nebuloso. Sem saber por onde começar a investigação, Jaime chama o viúvo, Álex Ulloa Marcos (Hugo Silva) - e assim tem início um dos mais engenhosos e inteligentes filmes de suspense realizados pelo cinema espanhol. Dirigido e coescrito pelo jovem Oriol Paulo, "O corpo" é um daqueles filmes de prender a atenção da primeira à última cena - e deixar o espectador abismado com uma reviravolta final consistente e verossímil. Graças a um roteiro enxuto que equilibra sustos e personagens bem construídos, o público se vê mergulhado em uma trama onde nada é exatamente o que parece - e absolutamente qualquer diálogo tem importância fundamental no desenvolvimento do enredo.

A chegada de Álex ao necrotério - onde se vê à disposição do interrogatório de Jaime, desconfiado por alguma razão das declarações do viúvo - dá o pontapé inicial para um jogo de gato e rato dos mais instigantes. Jaime é um personagem rico em nuances: viúvo e com uma relação complicada com a filha que vive em Berlim, ele não consegue levar a vida adiante de maneira saudável, e vê no trabalho uma válvula de escape para seu drama particular. Certo de que Álex sabe mais do que aparenta em relação ao sumiço do corpo da esposa, ele não se permite falhar em sua caça à verdade - e o jovem, casado com uma mulher mais velha e poderosa, dá todos os motivos do mundo para que o veterano policial desconfie de suas atitudes. Conforme a ação avança, a plateia é informada de que ele vive um tórrido romance com Carla Miller (Aura Garrido) - e que tal caso extraconjugal pode ter relação com a morte de Mayka. Qual a conexão entre todos esses elementos é o grande trunfo do roteiro, que encontra na direção certeira de Paulo a tradução mais adequada. Como um herdeiro de Alfred Hitchcock - e qual diretor de filmes de suspense não o é? - o cineasta constrói uma teia de pistas falsas, informações desencontradas e personagens suspeitos para brindar a plateia com um entretenimento de primeira qualidade, que em nada fica a dever a produções hollywoodianas muito mais ambiciosas.


É óbvio, porém, que o elenco ajuda bastante. Belén Rueda desfila sua classe e charme na pele da sedutora milionária Mayka Villaverde, sempre mesclando doçura, paixão e um tom de mistério; Hugo Silva está à vontade como o pouco confiável Álex, um homem que pode ser tanto culpado quanto vítima; e José Coronado é a terceira peça fundamental do trio de protagonistas, um homem despedaçado por uma tragédia familiar que vê em sua obsessão em provar a culpa de Álex uma válvula de escape que pode levá-lo em direção a um caminho sem volta, perigoso e chocante. Oriol Paulo conduz seus atores com extrema precisão, arrancando de cada um deles o máximo de tensão com o mínimo de informações, desnorteando o espectador até os últimos minutos, quando o quebra-cabeças finalmente faz sentido - não de forma artificial como acontece na maioria dos filmes de trama preguiçosa, mas organicamente, com as pontas sendo amarradas com uma maestria digna de Agatha Christie. Como em uma peça de teatro milimetricamente arquitetada, os atores forjam uma sintonia que envolve o público até que ele esteja totalmente entregue às viradas da trama - no que são muito auxiliados pela trilha sonora discreta e eficiente e pela edição ágil na medida certa: não apressa os acontecimentos nem tampouco abusa de cenas longas e explicativas.

Uma gratíssima surpresa para fãs do gênero, "O corpo" é um filme que pode ser visto e revisto diversas vezes sem que nunca perca sua qualidade dramática. Mesmo que seu final já seja conhecido, o público pode acompanhar suas diversas camadas sempre descobrindo novos detalhes e aplaudindo a conjunção perfeita entre direção, elenco, roteiro e técnica. Em uma filmografia tão centrada em dramas e comédias como a espanhola, não deixa de ser um respiro louvável e uma demonstração de extrema inteligência e criatividade. Um filme imperdível!

sábado

MÃOS QUE CURAM

MÃOS QUE CURAM (El mal ajeno, 2010, Mod Producciones, 107min) Direção: Oskar Santos. Roteiro: Daniel Sánchez Arévalo. Fotografia: Josu Inchaustegui. Montagem: Carlos Agulló. Música: Fernando Velázquez. Figurino: Tatiana Hernández. Direção de arte/cenários: Isabel Viñuales/María Teresa Die. Produção executiva: Simón de Santiago, Javier Ugarte. Produção: Alejandro Amenábar, Álvaro Augustín, Fernando Bovaira. Elenco: Eduardo Noriega, Belén Rueda, Angie Cepeda, Cristina Plazas, Clara Lago, Marcel Borràs, Carlos Leal. Estreia: 12/02/10 (Festival de Berlim)

O nome do chileno Alejandro Amenábar entre os produtores de "Mãos que curam" já dá uma ideia, ainda que vaga, do que o público pode esperar do primeiro longa-metragem do cineasta espanhol Oskar Santos. Assim como acontece na filmografia do diretor de obras cultuadas como "Preso na escuridão" e "Os outros", a história do médico que se descobre com o poder inesperado - e inexplicável - de curar através do toque das mãos não abre mão do tom de suspense, mas prefere voltar seu olhar para as consequências psicológicas e dramáticas da situação. Sem oferecer grandes respostas e buscando a cumplicidade da plateia unicamente através dos olhos do protagonista interpretado pelo ótimo Eduardo Noriega, o filme se distancia dos tradicionais representantes do gênero justamente por não cair na armadilha do susto pelo susto.

De certa forma é um pouco equivocado classificar "Mãos que curam" como um filme de suspense, uma vez que o roteiro muitas vezes deixa de lado a tensão - que volta nos momentos adequados - para concentrar-se nos dramas pessoais de seu personagem central, o médico Diego Sanz, um profissional dedicado e competente que acaba de se separar da mulher, Sara (Angie Cepeda), por sentir-se incapaz de romper a couraça de insensibilidade que construiu com o passar dos anos no tratamento de seus pacientes. Morando na casa do pai - um médico aposentado com quem divide o drama da solidão - ele tem sua vida transformada com uma inesperada tragédia: o acompanhante de uma paciente grávida (e em coma) se suicida em sua frente depois de tentar matá-lo. A partir daí, ele passa a perceber que está de posse do misterioso poder de cura com um simples toque - um poder que ele desconfia estar intimamente ligado a seu incidente. Para piorar as coisas, Diego descobre que sua nova capacidade tem um efeito colateral que pode vitimar as pessoas que ama.


A premissa de "Mãos que curam" é intrigante e bem desenvolvida pelo roteirista Daniel Sánchez Arévalo, que equilibra com bom senso o mistério a respeito do novo dom do protagonista - que é explicado sem os exageros do cinema comercial - e a forma com que ele lida com suas consequências, enfatizadas pela relação difícil com a filha adolescente, Ainhoa (Clara Lago) - que ele descobre namorar um colega seu, médico residente do mesmo hospital - e com sua aproximação com Isabel (Belén Rueda, sempre eficiente), a esposa do homem que tentou matá-lo e que busca compreender as razões que o aproximaram de sua amante, Pilar (Cristina Plazas), a mulher que parece ter a explicação para todo a situação. Mesmo que por muitas vezes seu ritmo soe lento demais para quem está acostumado às produções hollywoodianas - que preferem tratar o espectador como bobo - o filme de Santos tem a seu favor um roteiro coeso e inteligente, que dá a cada cena a devida importância, sem enrolar desnecessariamente. E também, além de tudo, a interpretação preciosa de Eduardo Noriega.

Protagonista de "Preso na escuridão" - que anos depois virou o execrável "Vanilla sky", estrelado por Tom Cruise no auge da canastrice - Noriega apresenta, em "Mãos que curam", uma maturidade muito bem-vinda. Econômico e contido, ele é o responsável por dar credibilidade a uma trama que, em outras mãos, poderia facilmente descambar para o inverossímil. Transitando com desenvoltura entre o drama familiar e o suspense sobrenatural, seu desempenho cativa o espectador sem precisar de muito esforço - e, ainda mais importante, justifica as decisões de seu personagem, por mais duvidosas que elas possam parecer em um primeiro olhar. Em um filme cujo desfecho pode desagradar a muita gente, seu trabalho faz uma diferença colossal.

sexta-feira

O ORFANATO

O ORFANATO (El orfanato, 2007, Grupo Rodar, 105min) Direção: J. A. Bayona. Roteiro: Sérgio G. Sanchez. Fotografia: Óscar Faura. Montagem: Elena Ruiz. Música: Fernando Velázquez. Figurino: Maria Reyes. Direção de arte/cenários: Josep Rosell/Iñigo Navarro. Produção executiva: Guillermo Del Toro. Produção: Álvaro Augustín, Joaquín Padró, Mar Targarona. Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Geraldine Chaplin, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Edgar Vivar. Estreia: 20/5/07 (Festival de Cannes)

Desde que "O sexto sentido" e "Os outros" fizeram a festa dos produtores, filmes de terror com temática adulta e séria, que dispensam piadas infames e sátiras ao gênero, voltaram a ser respeitadas pela crítica e pelo público, sedento por momentos de tensão na poltrona do cinema. E nem só Hollywood embarcou nessa retomada. Produzido por Guillermo Del Toro e dirigido pelo espanhol J. A. Bayona, o aterrador "O orfanato" estreou no Festival de Cannes de 2007, obteve uma ovação em pé por dez minutos e mostrou que não é preciso tradição para arrepiar a plateia, quando se tem uma boa história e talento para realizá-la.

"O orfanato" é um filme de terror nos moldes clássicos, espalhando pela tela elementos conhecidos dos fãs do gênero, como uma mansão aparentemente assombrada, idosas assustadoras, crianças com sensibilidade paranormal e uma heroína disposta a qualquer sacrifício para manter a sanidade física e mental. O que poderia ser um festival de clichês, no entanto, torna-se uma produção elegante e sóbria graças a um roteiro que não busca o susto fácil, preferindo - para deleite da audiência - o caminho menos previsível para contar sua história. A confiança de Bayona no roteiro enxuto de Sérgio G. Sanchez é tanta que o cineasta prescinde até mesmo de um clímax barulhento: tudo é resolvido placidamente, sem gritos e sem a sanguinolência que caracterizou o gênero nos anos 80. Mérito da trama bem desenvolvida, da direção firme e da atuação da incrível Belén Rueda, que carrega o filme nas costas com um trabalho nunca aquém de fabuloso.

Quando o filme começa, Laura, a personagem de Rueda, retorna ao orfanato onde viveu durante a infância com o objetivo de reativá-lo e ter um lugar tranquilo para criar o pequeno Simon (Roger Príncep), que é portador do virus da AIDS e desconhece sua condição de filho adotivo. Casada com Carlos (Fernando Cayo), um médico com quem mantém uma relação saudável e amorosa, Laura tenciona oferecer a crianças órfãs um lar como o que ela mesma teve em seu passado, mas o desaparecimento misterioso de Simon no dia da inauguração do orfanato destroi radicalmente seus planos. Abalada com o sumiço do menino, Laura passa a desconfiar que os amigos imaginários do seu filho podem estar envolvidos, bem como a misteriosa Benigna (Montserrat Carulla), antiga funcionária da mansão que esconde um apavorante passado relacionado às crianças. Desesperada, ela entra em contato com a poderosa médium Aurora (Geraldine Chaplin), que vê na casa uma atmosfera densa e aterrorizante.

Utilizando com maestria o desenho de som e a direção de arte - que contribuem para o clima de constante tensão da narrativa - "O orfanato" aposta na inteligência do espectador para assustar e deixar os nervos em frangalhos. Atinge todos os seus objetivos e ainda consegue emocionar com um final coerente e melancólico. Uma pequena obra-prima!

quarta-feira

MAR ADENTRO

MAR ADENTRO (Mar adentro, 2004, Espanha, 125min) Direção: Alejandro Amenabar. Roteiro: Alejandro Amenabar, Mateo Gil. Fotografia: Javier Aguirresarobe. Montagem e música: Alejandro Amenabar. Figurino: Sonia Grande. Direção de arte/cenários: Benjamin Fernandez/Emilio Ardura. Produção: Alejandro Amenabar, Fernando Bovaira. Elenco: Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bugallo, Tamar Novas. Estreia: 04/9/04 (Festival de Veneza)

2 indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro, Maquiagem
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Vencedor do Golden Globe de Melhor Filme Estrangeiro

No mesmo ano em que "Menina de ouro" levou os Oscar de filme e diretor, uma outra realização que falava de um de seus assuntos foi o vencedor na categoria de Melhor Filme Estrangeiro: dirigido pelo chileno Alejandro Amenabar, "Mar adentro" comoveu os eleitores da Academia com seu belo discurso sobre o direito à morte com dignidade e de quebra mais uma vez levantou a polêmica sobre eutanásia. Baseado em uma história real e contando com o estupendo Javier Bardem no papel central, o filme escapa facilmente do dramalhão para firmar-se como um dos mais contundentes produtos sobre o tema na história do cinema.


Bardem, em uma atuação consagradora injustamente desprezada pelo Oscar, vive Ramon Sanpedro, um homem que vive há 26 anos preso a uma cama, consequência de um mergulho mal-calculado que lhe causou uma tetraplegia. Dependente total dos cuidados de sua família - pai, irmão mais velho, cunhada e um sobrinho - ele decide que não quer mais viver e, para isso, procura a ajuda de uma organização não governamental chamada "Morte com dignidade". Através de uma de suas integrantes, ele conhece a advogada Julia (Belén Rueda), que sofre de uma doença degenerativa e vai aos tribunais lutar por seu direito à morte. Enquanto isso, ele também inicia uma relação de confiança e afeto com Rosa (Lola Dueñas), mãe solteira de dois meninos que se apaixona por sua personalidade cativante mas se recusa a colaborar com seus planos de acabar com a própria vida.



Talvez o maior mérito do roteiro do diretor Alejandro Amenabar - escrito em parceria com Mateo Gil - seja nunca ser condescendente com seu protagonista. Ao mesmo tempo em que é apaixonante e sedutor, Ramons também consegue ser cruel e racionalmente seco na luta por seus direitos. Enquanto ele consegue convencer o público de que Ramon tem razão em desejar por fim a seu sofrimento, também mostra o lado de alguns de seus familiares, que não aceitam as razões que o levam a querer morrer.

Tocante, emocionante, verdadeiro e extremamente contundente, "Mar adentro" é um filme como poucos, que faz pensar ao mesmo tempo em que conta uma história sobre pessoas comuns envolvidas em situações extremas. De aplaudir de pé enquanto se enxuga as lágrimas!

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...