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terça-feira

MELHOR É IMPOSSÍVEL


MELHOR É IMPOSSÍVEL (As good as it gets, 1997, TriStar Pictures/Gracie Films, 139min) Direção: James L. Brooks. Roteiro: James L. Brooks, Mark Andrus, história de Mark Andrus. Fotografia: John Bailey. Montagem: Richard Marks. Música: Hans Zimmer. Figurino: Molly Maginnis. Direção de arte/cenários: Bill Brzeski/Clay A. Griffith. Produção executiva: Laura Ziskin, Laurence Mark, Richard Sakai. Produção: James L. Brooks, Bridget Johnson. Kristi Zea. Elenco: Jack Nicholson, Helen Hunt, Greg Kinnear, Cuba Gooding Jr., Shirley Knight, Harold Ramis, Timothy Olyphant, Jamie Kennedy. Estreia: 25/12/97

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator (Jack Nicholson), Atriz (Helen Hunt), Ator Coadjuvante (Greg Kinnear), Roteiro Original, Montagem, Trilha Sonora Original/Comédia ou Musical
Vencedor de 2 Oscar: Ator (Jack Nicholson), Atriz (Helen Hunt)
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Comédia ou Musical, Ator/Comédia ou Musical (Jack Nicholson), Atriz/Comédia ou Musical (Helen Hunt)

Em 1983, o cineasta James L. Brooks fez a festa na cerimônia do Oscar com "Laços de ternura", um misto de comédia de costumes com melodrama familiar que arrancou elogios da crítica e lágrimas do público. Em 1988, ele falhou em conseguir um bicampeonato com "Nos bastidores da notícia", uma comédia romântica ácida que criticava a falta de ética nos telejornais. Levou quase uma década - período em que criou a mega bem-sucedida série de TV "Os Simpsons" - até que Brooks voltasse a ver um filho seu na disputa pela estatueta mais cobiçada de Hollywood. E quando isso aconteceu, não poderia ter sido de melhor forma. "Melhor é impossível" é um filme adorável, que mais uma vez mostra o dom de seu diretor/roteirista/produtor em equilibrar drama e comédia em histórias humanas com personagens extremamente próximas da realidade. Indicado a 6 Oscar - incluindo Melhor Filme mas não Melhor Diretor - o ... longa de Brooks bateu de frente com "Titanic", mas ainda assim seus intérpretes não podem se queixar da recepção que tiveram junto aos membros da Academia. Tanto Jack Nicholson quanto Helen Hunt, seus protagonistas, foram (merecidamente) oscarizados.

"Melhor é impossível" segue o estilo elegante e simples de Brooks, que faz rir de situações cotidianas sem forçar gargalhadas e cria personagens que falam ao público de maneira simples. Os diálogos inteligentes/engraçados/dramáticos nunca soam como diálogos de filme e sim como conversas de gente normal. As personagens parecem pessoas comuns (ainda que entre elas encontre-se um escritor famoso e um artista plástico gay). E as situações, mesmo que pareçam um tanto forçadas, funcionam perfeitamente a seus objetivos dramáticos.

 

Melvin Udall (Jack Nicholson em mais um papel antológico de sua carreira) é um escritor bem-sucedido profissionalmente mas com sérios problemas em relação à convivência com outros seres humanos. Sofrendo de transtorno obsessivo-compulsivo, ele vive recluso em seu apartamento luxuoso, vivendo em constante conflito com os vizinhos, em especial Simon (Greg Kinnear, indicado ao Oscar de ator coadjuvante), artista plástico homossexual por quem ele nutre uma antipatia gratuita. Dono de rígidas regras de comportamento, Melvin lava as mãos com água fervendo, pula as rachaduras das ruas de Nova York e tranca a porta de casa dezenas de vezes antes de dar-se por satisfeito e leva sua vida confortavelmente. Sua rotina necessária é quebrada quando, ao frequentar o mesmo restaurante de sempre e sentar-se à mesma mesa de sempre, ele descobre que sua garçonete preferida, a doce Carol (Helen Hunt) faltou ao trabalho para cuidar do filho pequeno, portador de uma doença crônica. Para não perder seu hábito adquirido, Melvin resolve pagar o tratamento da criança e se descobre apaixonado por Carol, uma mulher batalhadora que esconde sua carência e seu romantismo por trás de uma máscara de força e estoicismo. Depois que Simon é violentamente espancado por um grupo de drogados, Carol convence Melvin a viajar com ele até a casa de sua família e um real relacionamento de amizade e carinho surge entre eles, aproximando-o da mulher que ama.

Ainda que a trama acene com a possibilidade de um forte melodrama ou situações forçadas por um roteiro necessitado de emoções, "Melhor é impossível" paira acima dos clichês por uma razão muito simples: tem um diálogo direto com o espectador, não tenta falar bonito nem busca complexidades psicológicas. A doença de Melvin - que tornou-se bem mais conhecida após o filme - é apenas um elemento a mais na trama, não ocupando mais espaço do que o necessário (assim como os problemas de saúde do filho de Carol e das relações familiares de Simon). O que interessa a Brooks é a interrelação entre as personagens, como suas vidas podem ser transformadas quando em contato com outras. E nisso o roteiro é pródigo, ainda que muitos considerem um tanto "simples demais". Na verdade, essa simplicidade é que faz dele tão especial. O público se identifica com as personagens e é aí que reside seu charme maior. E ter um elenco como o escalado pelo diretor ajuda bastante.
 
Em mais uma prova de que segundas opções podem ser extremamente benéficas em termos hollywoodianos, o elenco de "Melhor é impossível" que encantou público e crítica poderia não ter feito o filme. Melvin Udall, que acabou tornando-se um dos papéis mais representativos da carreira de Jack Nicholson (que levou um terceiro e justo Oscar), foi oferecido inicialmente a John Travolta. Carol, que elevou o status de Helen Hunt (em uma atuação delicada e sutil) de atriz de TV a estrela de cinema, poderia ter ido parar nas mãos de Holly Hunter ou (Deus nos proteja!) Courtney Love. E Simon, que fez de Greg Kinnear um ator respeitado depois de bombas com a refilmagem de "Sabrina", com Julia Ormond, quase esteve nas mãos de John Cusack, que saiu do projeto devido a seus compromissos com a comédia de humor negro "Matador em conflito". Juntos, os três apresentam uma química invejável, o que reitera a teoria de que certos filmes tem a hora certa de acontecer.

"Melhor é impossível" é um filme delicioso, sofisticado e que se pode assistir com prazer diversas vezes. Seu alto-astral e sua inteligência, aliados à inconfundível música de Hans Zimmer e a seu elenco impecável fazem dele um clássico dos anos 90. Poucas vezes um título soou tão adequado.

sábado

NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA


NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA (Broadcast news, 1987, 20th Century Fox, 133min) Direção e roteiro: James L. Brooks. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Richard Marks. Música: Bill Conti. Figurino: Molly Maginnis. Direção de arte/cenários: Charles Rosen/Jane Bogart. Casting: Ellen Chenoweth. Produção executiva: Polly Platt. Produção: James L. Brooks. Elenco: William Hurt, Holly Hunter, Albert Brooks, Lois Chiles, Joan Cusack, Jack Nicholson, Robert Prosky. Estreia: 16/12/87

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator (William Hurt), Atriz (Holly Hunter), Ator Coadjuvante (Albert Brooks), Roteiro Original, Fotografia, Montagem

Tudo bem que o Oscar de 1987 já tinha dono desde o início, com "O último imperador", de Bernardo Bertolucci sendo o favorito desde sempre. Mas é difícil entender os motivos que levaram a Academia a escolher "Nos bastidores da notícia" como um dos cinco indicados a seu prêmio máximo. Ainda que bastante correto, com diálogos inteligentes e um elenco adequado, o filme de James L. Brooks não encanta em momento algum, longe das grandes emoções de seu trabalho anterior - e este sim multi-oscarizado - "Laços de ternura".

"Nos bastidores da notícia" usa o mundo dos telejornais como pano de fundo para uma comédia romântica e uma crítica ácida às pessoas obcecadas com o sucesso profissional - além de também cutucar sem muita delicadeza a superficialidade que ronda o por trás das câmeras de uma emissora de televisão. A protagonista é Jane Craig (vivida com delicadeza por Holly Hunter, que substituiu Debra Winger poucos dias antes do início das filmagens e concorreu a seu primeiro Oscar), a talentosa e dedicada produtora de um programa jornalístico de Washington. Dada a choros repentinos e incontroláveis, Jane é uma control-freak absoluta que nem desconfia que desperta a paixão enlouquecida de Aaron Altman (Albert Brooks), seu colega de trabalho, um homem inteligente, culto e sensível que sofre por não ter o visual apropriado para ser âncora de telejornal. "O mundo não seria perfeito se insegurança e desespero nos tornassem atraentes?", dispara ele em uma de suas conversas íntimas com ela.

A relação amigável entre Jane e Aaron sofre um abalo quando entra em cena Tom Granick (William Hurt), um jornalista galã que tem tudo que Aaron deseja: sucesso, mulheres e uma aparência que lhe abre todas as portas. Apesar de não ser exatamente um gênio, Tom acaba conquistando o amor de Jane, e o triângulo amoroso formado por eles acaba chegando à sua vida profissional.


Assim como já havia feito em "Laços de ternura", em "Nos bastidores da notícia" James L. Brooks aposta todas as suas fichas nas relações inter-humanas entre seus protagonistas, que, mais uma vez são extremamente verossímeis, repletos de qualidades e defeitos. Incoerentes como boa parte das pessoas reais, as personagens criadas por Brooks encontram nos atores escalados por ele intérpretes à altura da responsabilidade. Não foi à toa que não apenas Hunter concorreu ao Oscar, mas também William Hurt e Albert Brooks. Hurt deita e rola na pele do sedutor Tom Granick e Brooks entrega uma atuação perfeita em sua insegurança como o sensível Aaron. Juntos, os três valem a sessão do filme. No entanto, não deixa de ser um exagero as suas generosas sete indicações ao Oscar.

Inteligente e simpático, "Nos bastidores da notícia" ainda conta com a participação especialíssima de Jack Nicholson (em atuação não-creditada) e a inspirada atuação da ótima Joan Cusack. Pode não ser uma obra-prima, mas é acima da média.

sexta-feira

LAÇOS DE TERNURA


LAÇOS DE TERNURA (Terms of endearment, 1983, Paramount Pictures, 132min) Direção: James L. Brooks. Roteiro: James L. Brooks, romance de Larry McMurtry. Fotografia: Andrzej Bartkowiak. Montagem: Richard Marks. Música: Michael Gore. Figurino: Kristi Zea. Direção de arte/cenários: Polly Platt/Anthony Mondell, Tom Pedigo. Casting: Ellen Chenoweth, Juliet Taylor. Produção: James L. Brooks. Elenco: Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson, Jeff Daniels, John Lithgow, Danny De Vito. Estreia: 20/11/83

11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (James L. Brooks), Atriz (Shirley MacLaine, Debra Winger), Ator Coadjuvante (John Lithgow, Jack Nicholson), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte, Som
Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Diretor (James L. Brooks), Atriz (Shirley MacLaine), Ator Coadjuvante (Jack Nicholson), Roteiro Adaptado
Vencedor de 4 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Atriz/Drama (Shirley MacLaine), Ator Coadjuvante (Jack Nicholson), Roteiro


Poucos filmes são capazes de fazer rir e chorar com a mesma facilidade. E ainda menos filmes conseguem retratar seres humanos como eles são, com falhas de caráter e mesmo assim adoráveis, com rígidas normas morais e ainda assim capazes de atos condenáveis aos olhos alheios. Talvez por isso “Laços de ternura” tenha feito tanto sucesso e emocionado tanta gente. Ao dar vida aos personagens criados por Larry McMurtry em seu romance homônimo, o roteirista e diretor James L. Brooks fez deles tão humanos quanto os vizinhos. Em uma época de filmes tão fora da realidade quanto “O retorno de Jedi”, a história de amor e quase ódio entre mãe e filha foi um oásis de inteligência e sensibilidade.

Em uma atuação brilhante premiada com o Oscar, a veterana Shirley MacLaine vive Aurora Greenway, uma viúva autoritária que tem sérios problemas com sua única filha, a rebelde Emma (Debra Winger). Quando Emma resolve se casar com o professor universitário Flap (Jeff Daniels), o relacionamento entre elas, que nunca foi dos melhores, fica ainda pior. Enquanto Aurora se envolve aos poucos com seu vizinho, o sedutor ex-astronauta Garrett Breedlove (Jack Nicholson, em mais uma de suas irrepreensíveis atuações), Emma entra em crise em seu casamento, envolve-se com outro homem e descobre ter câncer.


Os direitos do romance de Larry McMurtry foram comprados pela atriz Jennifer Jones, que pensava em interpretar Aurora, com Sissy Spacek no papel de Emma. As mudanças no elenco, no entanto, não poderiam ter sido mais certeiras. Apesar de estar no auge de seu vício em cocaína - e que a levava a constantes brigas com MacLaine - Debra Winger entrega uma atuação comovente e delicada como uma mulher aprisionada em uma vida doméstica insatisfatória que busca refúgio em uma relação extra-conjugal. Indicada ao Oscar de melhor atriz, Winger herdou o papel depois da recusa de Jodie Foster - que preferiu continuar estudando, à época - e está inesquecível principalmente em suas cenas finais, onde sua personagem se despede dos filhos. Difícil segurar as lágrimas.

Mas talvez o maior mérito de “Laços de ternura” seja o de equilibrar brilhantemente o humor e o drama. O terço inicial do filme tem estrutura de uma leve comédia familiar, que aos poucos vai tornando-se um drama sentimental e quase piegas. Nas mãos de atores menos competentes e experientes provavelmente o filme descambaria para um novelão. No entanto, Brooks tem a seu favor um elenco impecável e em dias inspirados. Como mãe e filha, Shirley MacLaine e Debra Winger formam uma dupla de ouro, capazes de passar suas emoções com veracidade e naturalidade. Coadjuvadas por Jack Nicholson (com uma personagem criada especialmente para o filme)e com um texto enxuto e bem escrito para trabalhar em cima não tinha como dar errado. Pode ser choroso, sentimentalóide e até exagerado, mas “Laços de ternura” é provavelmente um dos filmes mais honestos a respeito do relacionamento entre mãe e filha já feitos até hoje. E deu a Shirley MacLaine a oportunidade máxima de sua carreira, merecidamente premiada com um Oscar.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...