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quarta-feira

BENNY & JOON: CORAÇÕES EM CONFLITO

 


BENNY & JOON: CORAÇÕES EM CONFLITO (Benny & Joon, 1993, Metro Goldwyn Mayer, 98min) Direção: Jeremiah S. Chechik. Roteiro: Barry Berman, estória de Barry Berman, Leslie McNeil. Fotografia: John Schwartzman. Montagem: Carol Littleton. Música: Rachel Portman. Figurino: Aggie Guerard Rodgers. Direção de arte/cenários: Neil Spisak/Barbara Munch. Produção executiva: Bill Badalato. Produção: Susan Arnold, Donna Roth. Elenco: Johnny Depp, Mary Stuart Masterson, Aidan Quinn, Julianne Moore, Oliver Platt, William H. Macy, CCH Pounder, Dan Hedaya, Joe Grifasi. Estreia: 16/4/93

No começo dos anos 1990 o nome de Johnny Depp já era sinônimo de excentricidade em Hollywood - em boa parte devido ao sucesso de sua performance em "Edward Mãos de Tesoura", dirigido por seu amigo Tim Burton. Por isso, não foi surpresa para ninguém quando ele foi escalado para interpretar um dos papéis centrais do drama romântico "Benny & Joon: corações em conflito": na pele do esquisitão Sam, fã de Chaplin e Buster Keaton, calado, semianalfabeto e dono de uma grande capacidade de amar, Depp confirmou sua persona dentro da indústria (que exploraria seu estilo em outras produções de relativo êxito) e foi, provavelmente, o maior responsável pelas críticas positivas do segundo filme do diretor Jeremiah Chechik. Sensível, honesta e despretensiosa, a história de amor entre duas pessoas à margem da sociedade - e a forma com que tal romance afeta as pessoas a sua volta - não chegou a fazer grande barulho nas bilheterias, mas tornou-se cult justamente pela presença do ator, particularmente inspirado em seu desempenho. Discreto em sua forma de suscitar emoções - e evitando a todo custo o melodrama barato -, "Benny & Joon" é um pequeno grande filme, que encontrou em Depp (e no resto do elenco) sua tradução perfeita.  

Ao contrário do que o subtítulo em português dá a entender, Benny e Joon não formam a dupla romântica central do filme. Benjamin e Juniper Pearl são, na verdade, irmãos, que vivem uma vida quase medíocre em uma pequena cidade de Washington. Ele (vivido por Aidan Quinn) é um mecânico solitário que abdicou de qualquer tipo de relacionamento amoroso para cuidar dela (interpretada por Mary Stuart Masterson) desde a morte de seus pais, em um acidente de carro. Juniper (ou Joon, como é conhecida pelos amigos e vizinhos) é uma jovem com deficiência intelectual - e dom para as artes - e exige do irmão, mesmo involuntariamente, dedicação quase absoluta. Depois do abandono de várias cuidadoras - incapazes de lidar com a inconstância de seu comportamento -, ela corre o sério risco de ser posta em um lar especializado quando um acontecimento inesperado muda os rumos de sua existência. Depois de perder em um jogo de cartas, Joon é obrigada por um amigo a abrigar em sua casa o estranho Sam (Johnny Depp) e, para sua surpresa - e de um atônito Benny - os dois acabam se apaixonando.

 

Projeto relativamente antigo da MGM, "Benny & Joon" quase teve, liderando seu elenco, a dupla de astros Tom Hanks e Julia Roberts (ainda que hoje seja difícil imaginá-los nos papéis). Depois de tentar também o então casal Tim Robbins e Susan Sarandon (outro par inusitado), as coisas pareciam finalmente ter entrado nos eixos com a escalação de Depp e sua namorada, Winona Ryder (começando uma trajetória ascendente em Hollywood). O fim do namoro acarretou na saída de Winona, que foi substituída por Laura Dern (recém saída de uma indicação ao Oscar por "As noites de Rose") ao mesmo tempo em que Woody Harrelson assumia o papel de Benny. Porém, tudo mudaria mais uma vez graças a dois acontecimentos fortuitos: Dern não gostou de saber que seu nome estaria em terceiro lugar nos créditos, e Harrelson foi convidado pela Paramount para ser o marido de Demi Moore em "Proposta indecente" (1993). Com Depp ainda firme no projeto, surgiram os nomes de Mary Stuart Masterson e Aidan Quinn, ambos promissores e, como mostra o resultado final, extremamente adequados aos personagens. Com a direção pouco invasiva de Chechik (em seu segundo longa-metragem) e um roteiro delicado e repleto de uma honestidade cativante, o filme acabou por agradar em cheio aos fãs de Depp - e, por consequência, a todos que procuravam escapar dos clichês do gênero.

A maior qualidade de "Benny & Joon" - além do elenco escalado com precisão - é o modo discreto com que Jeremiah Chechik conduz sua trama, sem pressa e com uma delicadeza surpreendente vinda de quem começou sua carreira no cinema com o pouco sutil "Férias frustradas de Natal" (1989) e que chegou a ser indicado a um Framboesa de Ouro pelo medonho "Os vingadores" (1999). Com um ritmo que leva o espectador a acompanhar vidas simples e personagens com sentimentos reais, o cineasta abraça o prosaico como forma de encantar.e emocionar (porém sem apelar para o sentimentalismo barato). E, se não bastasse tal cuidado, ainda há uma das primeiras aparições de Julianne Moore no cinema, como a garçonete e ex-atriz que se envolve com Benny a despeito de seus problemas familiares. Um motivo a mais para conhecer uma produção das mais simpáticas de seu tempo.

segunda-feira

CORPO EM EVIDÊNCIA

 


CORPO EM EVIDÊNCIA (Body of evidence, 1992, Constantin Film/Dino De Laurentiis Company, 99min) Direção: Uli Edel. Roteiro: Brad Mirman. Fotografia: Douglas Milsome. Montagem: Thom Noble. Música: Graeme Revell. Figurino: Susan Becker. Direção de arte/cenários: Victoria Paul/Jerie Kelter. Produção executiva: Stephen Deutsch, Melinda Jason. Produção: Dino De Laurentiis, Martin Moscowicz. Elenco: Madonna, Willem Dafoe, Joe Mantegna, Jurgen Prochnow, Frank Langella, Anne Archer, Julianne Moore. Estreia: 15/01/93

Apenas noventa dias separam o lançamento do livro "Sex", do álbum "Erotica" e do filme "Corpo em evidência" e este fato não é mera coincidência. Além de girarem em torno de sexo (em suas mais complexas variações), os três produtos tem algo mais em comum: a cantora/atriz Madonna, então no auge de sua cruzada contra o conservadorismo e a hipocrisia vigente no mundo em geral e nos EUA em particular. Dirigido pelo alemão Uli Edel e produzido pelo veterano Dino De Laurentiis (que escolheu a estrela pop pessoalmente para o projeto), "Corpo em evidência" serviu como uma luva para os interesses messiânicos da artista, mas acabou se espatifando nas bilheterias. Com uma renda mundial de apenas 13 milhões de dólares - nem metade de seu custo - e críticas nem um pouco alvissareiras (em especial relacionadas ao fraco desempenho de sua atriz central), o filme acabou se tornando um dos maiores fiascos da década de 1990 e provou que, apesar do descomunal talento de Madonna em provocar e despertar polêmicas (além de suas óbvias qualidades musicais), sua trajetória no cinema ainda era um desafio a ser vencido. E nem mesmo a presença de atores respeitados como Willem Dafoe e Frank Langella conseguiu salvar o filme do desastre.

Assim como em "Instinto selvagem" - grande sucesso lançado meses antes e que também se utilizava do erotismo como chamariz de bilheteria -, "Corpo em evidência" lança mão de elementos policiais para contar uma história repleta de reviravoltas e com uma protagonista feminina de comportamento dúbio e sexualmente agressivo. Aqui a personagem central é Rebecca Carlson, a dona de uma galeria de arte que é acusada de provocar a morte de seu amante mais velho, Andrew Marsh (Michael Foster), vítima de um ataque cardíaco fulminante depois de uma agitada noite de sexo. O fato de cocaína ser encontrada no organismo da vítima - o que apressou a tragédia - e a notícia de que Rebecca é a maior beneficiária de seu testamento bastam para que a polícia a indicie e a leve a julgamento. Para defendê-la, Rebecca contrata os serviços do conservador Frank Dulaney (Willem Dafoe), que acaba sendo enredado em uma teia de sedução engendrada por sua cliente: os dois iniciam uma relação baseada em dominação e sexo violento, situação que o faz questionar a inocência de sua cliente. Conforme o relacionamento vai avançando, Dulaney parte em busca da verdade, que pode estar ligada à secretária de Marsh, a bela e discreta Joanne Braslow (Anne Archer).

 

Centrado em sequências que usam e abusam do corpo de Madonna e de sua falta de pudor em testar os limites da censura - o filme teve cenas cortadas em sua exibição nos EUA -, "Corpo em evidência" peca, no entanto, em desenvolver a contento os conflitos paralelos de sua trama. Não há profundidade alguma no roteiro de Brad Mirman, que perde preciosas oportunidades de explorar a tensa relação entre seus protagonistas - tanto em termos sexuais quanto éticos - e seus desdobramentos dramáticos (Julianne Moore interpreta a esposa de Dulaney, mas é subaproveitada em cenas quase constrangedoras). A trama policial tampouco é empolgante, caminhando em um ritmo que impede a conexão do espectador - e portanto seu interesse. Edel não consegue nem mesmo transformar as cenas eróticas em algo sexy, com uma fotografia escura que esconde os corpos de Madonna e Defoe mesmo em seus momentos mais quentes. Também não ajuda em nada o texto repleto de clichês e a atuação quase mecânica de seus atores - a começar por Madonna, incapaz de convencer como mulher fatal apesar de seus nítidos esforços. Nem particularmente bonita ela está, prejudicada por um figurino sóbrio em excesso, que apaga seu carisma de estrela - algo que ela recuperaria poucos anos depois, quando assumiu o papel-título do musical "Evita" (1996) e chegou a ganhar um Golden Globe de melhor atriz.

Para quem não exige muito de um filme policial com pitadas de erotismo, "Corpo em evidência" pode agradar, justamente por não tentar fugir dos elementos clássicos do gênero e tentar surpreender com um final tirado da manga. Como cinema é bastante problemático - desde o roteiro morno até a direção apática - e nem mesmo a oportunidade de discutir a polêmica prática do sadomasoquismo é aproveitada de forma inteligente. Não fosse a ousadia de apresentar cenas mais adultas do que a maioria das produções hollywoodianas, seria uma produção bastante esquecível - se não absolutamente medíocre. E não deixa de ser sintomático que um filme policial seja mais lembrado por uma sequência específica - Madonna queimando o peito de Willem Dafoe com cera quente - do que por sua trama.

sábado

AMOR POR DIREITO

AMOR POR DIREITO (Freeheld, 2015, Double Feature Films, 103min) Direção: Peter Sollett. Roteiro: Ron Nyswaner. Fotografia: Maryse Alberti. Montagem: Andrew Mondsheim. Música: Johnny Marr, Hans Zimmer. Figurino: Stacey Battat. Direção de arte/cenários: Jane Musky/Joanne Ling. Produção executiva: Hilary Davis, Adam Del Deo, Richard Fischoff, Stephen Kelliher, Taylor Latham, Tiller Russell, Natalia Saenz, Robert Salerno, Gregory R. Schenz, Ameet Shukla, Scott Stone. Produção: Kelly Bush Novak, Julie Goldstein, Phil Hunt, Duncan Montgomery, Ellen Page, Compton Ross, Jack Selby, Michael Shamberg, Stacey Sher, James D. Stern, Cynthia Wade. Elenco: Julianne Moore, Ellen Page, Michael Shannon, Steve Carrell, Josh Charles, Luke Grimes. Estreia: 13/9/15 (Festival de Toronto)

Laurel Hester é uma detetive da polícia de Nova Jersei. Inteligente, corajosa e absolutamente dedicada ao trabalho, ela é respeitada pela corporação e pelos colegas, além de ser considerada uma das mais competentes policiais da cidade. Porém, sem que ninguém de suas relações profissionais saiba, Laurel é lésbica - e tem plena consciência de que assumir sua sexualidade em um ambiente machista e conservador pode ter consequências óbvias em sua carreira, como o deslocamento para o serviço burocrático e seu afastamento da lista de promoções. Mesmo quando se apaixona pela jovem Stacei Andree, que trabalha como mecânica, Laurel sabe que precisa manter seu relacionamento o mais discreto possível, apesar de ser quase obrigada a dividir seu segredo com o parceiro, Dane Wells. Sua condição, no entanto, vem à tona no pior momento de sua vida: diagnosticada com um agressivo e incurável câncer no pulmão, a séria e responsável agente entra na Justiça para exigir que, após a sua morte, sua pensão fique com Stacei, assim como acontece como todos os casais heterossexuais da força policial. O preconceito e a burocracia ameaçam interromper o processo, mas a entrada em cena do militante gay Steven Goldstein - excêntrico, pouco discreto e barulhento - torna o caso algo de interesse nacional.

Foi logo que assistiu à história de Laurel e Stacei, no documentário em curta-metragem "Freeheld", dirigido por Cynthia Wade e vencedor do Oscar da categoria em 2008, que o roteirista Ron Nyswaner resolveu que ela precisava ser contada para um público mais amplo - e com um alcance maior do que o curta original. Também indicado ao Oscar - por seu trabalho em "Filadélfia" (93) - e autor do roteiro do telefilme "Um amor na trincheira" (2003), que narrava a trágica história real do amor entre um jovem soldado e uma transformista, Nyswaner parecia a pessoa mais adequada para explorar todas as dramáticas nuances de uma batalha jurídica que buscava, mais do que apenas justiça, o respeito e a igualdade. Tendo entre seus produtores a própria Cynthia Wade e a atriz Ellen Page - que assumiu sua homossexualidade durante as filmagens, oferecendo um senso extra de realismo ao projeto - "Amor por direito" estreou no Festival de Toronto de 2015 prometendo emocionar o público e dar a largada na disputa pelos principais prêmios da temporada (a saber, Golden Globo e Oscar). Não deu muito certo: saiu sem nenhuma estatueta nos festivais e foi ignorado tanto pela imprensa estrangeira em Hollywood quanto pela Academia - mais por ter sido lançado em um ano bastante disputado do que por falta de qualidades, ainda que o resultado final nunca seja mais do que apenas correto.


Com a direção do pouco conhecido Peter Sollett, cujo trabalho mais famoso é o cult jovem "Nick & Norah: uma noite de amor e música", de 2008, "Amor por direito" tem como seu principal atrativo o nome de Julianne Moore, no papel da corajosa Laurel Hester. Recém premiada com o Oscar de melhor atriz por seu desempenho em "Para sempre Alice", Moore mais uma vez entrega uma atuação caprichada, ainda que esbarre em um roteiro pouco inspirado. Talvez preso em sua tentativa de honrar a trajetória de sua protagonista, Nyswaner pouco ousa em sua narrativa, adotando uma linearidade que por vezes soa bastante apática. Demorando em finalmente chegar ao ponto - e explorando sem necessidade procedimentos policiais para enfatizar a dedicação de Laurel à carreira - o roteiro também parece ter medo de apelar para a emoção: em sua opção de evitar o sentimentalismo, "Amor por direito" falha em seu objetivo de comover o público, apesar do esforço de seu elenco. A história de amor entre Laurel e Stacei, acaba, portanto, sendo menos interessante do que sua batalha judicial por igualdade - um enfoque que acaba por tornar-se o ponto mais certeiro do filme.

Quando abandona o drama romântico para concentrar-se na luta de Laurel e Stacei por seus direitos civis, o filme de Sollett cresce, especialmente quando entra em cena o melhor personagem do filme, o gay judeu interpretado por Steve Carrell (em substituição à Zach Galifianakis). Ator revelado em comédias mas alçado ao status de ator dramático graças a interpretações surpreendentes em filmes como "Pequena Miss Sunshine" (2006) e "Foxcatcher" (2014), Carrell equilibra bem suas duas vertentes de atuação, transformando Steven Goldstein no catalisador de uma corrente de solidariedade e apoio às duas protagonistas mesmo quando seus exageros e extravagâncias correm o risco de por tudo a perder. Seu desempenho vibrante é o contraste perfeito da atuação discreta e sempre eficiente de Michael Shannon, que vive o parceiro profissional de Laurel com sutileza ímpar. Sempre que a história se concentra nas reuniões com os responsáveis por aprovar ou não o pedido de pensão para Stacei, o filme ganha humanidade e relevância - e de certa forma compensa a falta de química entre Julianne Moore e Ellen Page, duas excelentes atrizes, mas que parecem pouco à vontade em cena. Ainda assim, são convincentes o bastante para manter a atenção do espectador até o final. "Amor por direito" pode não ser o grande filme que prometia, mas sua importância e urgência é inegável.

terça-feira

PARA SEMPRE ALICE

PARA SEMPRE ALICE (Still Alice, 2014, Killer Films/BSM Studio, 101min) Direção: Richard Glatzer, Wash Westmoreland. Roteiro: Richard Glatzer, Wash Westmoreland, romance de Lisa Genova. Fotografia: Denis Lenoir. Montagem: Nicolas Chaudeurge. Música: Ilan Eshkeri. Figurino: Stacey Battat. Direção de arte/cenários: Tommaso Ortino/Susan Perlman. Produção executiva: Emilie Georges, Celine Rattray, Marie Savare, Maria Shriver, Trudie Styler, Christine Vachon. Produção: James Brown, Pamela Koffler, Lex Lutzus. Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRae, Hunter Parrish. Estreia: 08/9/14 (Festival de Toronto) 

Vencedor do Oscar de Melhor Atriz (Julianne Moore)
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Julianne Moore)
 
Por mais que tente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood – aquela que distribui anualmente o Oscar – não consegue disfarçar sua predileção quase fetichista por personagens vitimados por alguma doença e/ou impelidos a lutar contra alguma injustiça social. Por isso, quando saíram as indicações à estatueta para a cerimônia de 2015, não houve nenhuma surpresa com a lembrança – e o favoritismo – de Julianne Moore por seu desempenho em “Para sempre Alice”. Não que Moore não merecesse a indicação (e a posterior vitória), mas havia quem defendesse que seu desempenho em “Mapas para as estrelas”, de David Cronenberg – que lhe deu a Palma de Ouro no Festival de Cannes – era ainda mais corajosa, por fugir dos clichês de dramas médicos e criticar a própria indústria do cinema. No fim das contas, porém, os conservadores e previsíveis acadêmicos acabaram por acolher o igualmente brilhante – mas menos surpreendente – trabalho de Moore no filme da dupla de diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland. Baseado em um livro de Lisa Genova, “Para sempre Alice” não acrescenta muito a um subgênero bastante popular do cinema americano - e também muito criticado pelos intelectuais – mas é salvo pela dignidade de seu roteiro sóbrio e pela atuação de um elenco admirável, que, além de Julianne, conta ainda com Alec Baldwin e uma Kirsten Stewart completamente diferente de sua apática Bella Swan da série “Crepúsculo”.
Excepcional como sempre, Julianne Moore – uma grande atriz que consegue equilibrar com raro sucesso produções independentes e blockbusters de qualidade duvidosa – é a base na qual se constrói toda a narrativa de “Para sempre Alice”, linear e de emoções discretas, que se avolumam gradativamente até o final que, para surpresa geral, abdica das lágrimas fáceis para optar pela delicadeza. A protagonista é Alice Howland, uma linguista festejada e admirada como uma das mais competentes profissionais de sua área. De uma hora para outra, ela começa a esquecer nomes, trocar palavras e perder-se em ambientes muito conhecidos. Procurando um médico, Alice se vê diante de uma terrível realidade: uma espécie rara de Alzheimer, hereditária e precoce. Aos 50 anos, alguém que sempre teve absoluto controle sobre sua cognição passa a depender, então, de lembretes espalhados pela casa e no celular e conviver com olhares paternalistas e compassivos da família. Apoiada pelo marido, John (Alec Baldwin), ela acaba por reaproximar-se da filha caçula, Lydia (Kirsten Stewart), que batalha por uma carreira como atriz.


Um dos diretores de “Para sempre Alice”, Richard Glatzer, morreu antes que Moore conhecesse o gostinho de ter um Oscar nas mãos: vítima de uma doença degenerativa que o impedia de falar e lhe fez comandar as filmagens através de mensagens de texto (e da colaboração com seu co-diretor Westmoreland), Glatzer deve ter se identificado com o drama de sua protagonista, mas nem por isso carregou a mão na tragédia, salpicando-a aqui e ali com doses de poesia e delicadeza. Contando com a ajuda de trechos da peça teatral “Angels in America”, de Tony Kushner – que fala sobre os primeiros anos da AIDS na comunidade internacional e já foi adaptado para a televisão, via HBO, com um elenco all-star que incluía Meryl Streep e Al Pacino – o roteiro da dupla de diretores evita o dramalhão fácil, preferindo oferecer à plateia uma narrativa mais seca, recheada de elipses contundentes e que mostram os efeitos gradativos da doença sem buscar a piedade do espectador: valente e racional até mesmo quando tenta solucionar seus problemas (em uma sequência angustiante), Alice não se transforma, em momento algum, na doente coitadinha que tanto agrada os produtores hollywoodianos. Mesmo que algumas cenas comovam o público – por razões óbvias e impossíveis de driblar em produções com tal temática – o filme jamais manipula seus sentimentos, preferindo focar sua atenção na relação de carinho e respeito que Alice encontra em sua família, que no meio do furacão, é aumentada com a chegada de um casal de gêmeos, nascidos de sua filha mais velha, Anna (Kate Bosworth) – também dotada do gene que pode, futuramente, desenvolver a mesma doença da mãe.
“Para sempre Alice” não é uma obra-prima revolucionária ou capaz de mudar os rumos de seu gênero. Mas é uma obra que respeita seu tema e seu público, conduzindo com elegância e inteligência uma história que poderia facilmente descambar para o dramalhão. Mérito da direção, sim, mas principalmente da interpretação arrasadora de Julianne Moore, que conquista a simpatia da plateia desde as primeiras cenas e, aos poucos, vai mergulhando junto com ela em direção a mares bravios e pouco agradáveis. É seu imenso talento que torna suportável essa viagem triste e deprimente que consegue, paradoxalmente, terminar com uma ponta de otimismo e poesia que apenas reitera sua vocação para sobressair-se entre seus congêneres.

sábado

MAPAS PARA AS ESTRELAS

MAPAS PARA AS ESTRELAS (Maps to the stars, 2014, Prospero Pictures/Sentient Entertainment, 111min) Direção: David Cronenberg. Roteiro: Bruce Wagner. Fotografia: Peter Suschitzky. Montagem: Ronald Sanders. Música: Howard Shore. Figurino: Denise Cronenberg. Direção de arte/cenários: Carol Spier/Sandy Lindstedt, Peter P. Nicolakakos. Produção executiva: Benedict Carver, Renee Tab, Patrice Theroux. Produção: Sain Ben Said, Martin Katz, Michael Merkt. Elenco: Julianne Moore, Mia Wasikowska, Robert Pattinson, John Cusack, Evan Bird, Olivia Williams, Sarah Gadon. Estreia: 19/5/14 (Festival de Cannes)
Palma de Ouro no Festival de Cannes: Melhor Atriz (Julianne Moore)

Já faz algum tempo que o canadense David Cronenberg deixou de lado sua obsessão por vísceras expostas e personagens tão bizarros que beiravam o surreal. O homem que se tornou conhecido por obras quase desagradáveis como "Scanners: sua mente pode destruir" (81), "Videodrome: a síndrome do vídeo" (83), "A mosca" (86), "Gêmeos: mórbida semelhança" (88) e "Crash: estranhos prazeres" (96) entrou ameno no século XXI, contando histórias mais palatáveis ao público médio - "Marcas da violência" (05) e "Senhores do crime" (07) chegaram, vejam só, a concorrer ao Oscar. Porém, a alma de Cronenberg ainda mantém algo de doentio, como mostra "Mapas para as estrelas", uma aparentemente inofensiva comédia dramática sobre os exageros das celebridades no mundo do cinema e que deu à Julianne Moore a Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes 2014. Aparentemente inofensiva porque, por debaixo do humor mordaz do roteiro de Bruce Wagner e da atuação à beira do over do elenco - uma característica que também marca normalmente a obra de outro outsider, chamado David Lynch - está uma narrativa ferozmente cruel, que desnuda sem pudores o universo fútil e impiedoso da indústria cinematográfica americana.  

Assim como Robert Altman fez em "O jogador" (92), Cronenberg explora as entranhas do mundo corporativo do cinema, mas não através do olhar de um poderoso produtor e sim de uma atriz outrora significante lutando para dar a volta por cima e retornar aos holofotes. Em uma de suas duas brilhantes atuações da temporada (a outra foi em "Simplesmente Alice", que lhe deu um merecido Oscar), Julianne Moore vive de corpo e alma a desesperada e frustrada Havana Segrand, que, entre massagens, sessões de terapia e almoços de negócios, tenta convencer a todos que passam por seu caminho que ela é a escolha certa para interpretar, em um remake, a personagem que tornou sua mãe em estrela nos anos 60. Resistindo ao preconceito - a idade, afinal, é um fator dominante dentro da indústria - e às flutuações de prestígio que a fazem disputar o papel com nomes mais quentes, Havana também precisa brigar com fantasmas interiores que remetem a um trauma de infância que ela teima em esconder. E trauma de infância também é um problema para Benjie Weiss (Evan Bird), um adolescente de 13 anos, astro de um filme de sucesso que é aterrorizado por ter quase sido assassinado pela irmã mais velha quando era uma criança: rigidamente controlado por gente que exige que ele fique longe das drogas para manter seu contrato, ele vive em conflito com os pais, o médico-astro Stafford Weiss (John Cusack) e a nervosa Christina (Olivia Williams) - eles também detentores de um grave segredo.


As vidas de Havana e Benji - famosos e flutuando em um universo de drogas, álcool, sexo e celebridade fácil - contrasta com a de Agatha (Mia Wasikowska), uma jovem que chega da Califórnia disposta a trabalhar em Los Angeles e esquecer um incêndio que destruiu parte do seu rosto e suas mãos. Por intermédio da atriz Carrie Fischer - que conhece pela Internet - Agatha vai trabalhar com Havana, que se solidariza com seus dramas pessoais. Enquanto cuida de manter a agenda da patroa em dia - e de fazer compras pessoais para ela - a jovem acaba se encantando com Jerome (Robert Pattinson), motorista de limousine que sonha ser ator e tenta escrever um romance. Seus complexos, no entanto, acabam por se mostrarem mais fortes do que qualquer desejo, principalmente quando ela se vê obrigada a encará-los novamente e percebe que sua relação com Havana não será tão pacífica quanto o esperado.

Dirigindo seu filme como uma comédia de erros macabra - com direito a revelações bombásticas, incesto e uma inesperada violência física no clímax - David Cronenberg volta a mostrar seu domínio da técnica narrativa, impulsionada por personagens pouco simpáticos e situações cuja banalidade se mostra crucial para um maior impacto. Com um roteiro que enfatiza a superficialidade das relações e a fugacidade da juventude, "Mapas para as estrelas" usa e abusa de ironia, com inúmeras referências ao mundo do cinema e uma contundente crítica à importância exagerada que é dada à juventude e à beleza em detrimento do talento. Não é um filme convencional - o que fica evidente conforme a narrativa vai assumindo ares cada vez mais surreais - mas tampouco é uma tour de force bizarra como os trabalhos lançados pelo cineasta na década de 80. É um belo e impactante filme, repleto de um sarcasmo sutil e rascante e ilustrado pelo sublime desempenho de Julianne Moore. Quem gosta de esmiuçar os bastidores de Hollywood vai se encantar.

quarta-feira

COMO NÃO PERDER ESSA MULHER

COMO NÃO PERDER ESSA MULHER (Don Jon, 2013, Voltage Pictures/HitRecord Films, 90min) Direção e roteiro: Joseph Gordon-Levitt. Fotografia: Thomas Kloss. Montagem: Lauren Zuckerman. Música: Nathan Johnson. Figurino: Leah Katznelson. Direção de arte/cenários: Meghan C. Rogers/Cindy Coburn. Produção executiva: Nicolas Chartier, Ryan Kavanaugh, Tucker Tooley. Produção: Ram Bergman. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headley, Brie Larson. Estreia: 18/01/13 (Festival de Sundance)

Em "Sintonia de amor", a personagem central, vivida por Meg Ryan, reclamava dos estragos causados pelo cinema romântico hollywoodiano, que faz com que as mulheres busquem histórias de amor ilusórias em detrimento da realidade. Clássico do cinema pejorativa e erroneamente chamado de "filme de mulherzinha", a obra de Nora Ephron encontra em "Como não perder essa mulher" sua versão masculina, guardadas as devidas proporções. Estreia como diretor do ator Joseph Gordon-Levitt, que também interpreta o papel central, o filme substitui os romances de plástico de Hollywood por filmes pornográficos, as mocinhas sonhadoras por um bartender hedonista e transmuta o santo graal dos protagonistas de um amor verdadeiro em uma satisfatória vida sexual.

Jon, o protagonista que Gordon-Levitt escreveu para Channing Tatum - que faz uma participação afetiva e bastante engraçada ao lado de Anne Hathaway - e depois pegou para si, é um jovem bartender que divide suas noites em um curso profissionalizante e noitadas em baladas que sistematicamente acabam em insatisfatórias relações sexuais. Conquistador inveterado, ele não hesita em reconhecer a si mesmo - e ao padre com que frequentemente se confessa - que prefere masturbações frequentes diante de filmes pornográficos do que sexo propriamente dito. Segundo sua concepção, as mulheres são sempre desapontamentos, por não realizarem na vida real o que os filmes adultos prometem em suas cenas pra lá de quentes. Seu vício em pornografia não se revela problemático, porém, até que ele conhece e cai de amores por Barbara (Scarlett Johansson, vivendo pela enésima vez a mulher sexy). Aparentemente um vulcão, Barbara se revela uma mulher extremamente conservadora, que mais uma vez frustra suas expectativas de orgias alucinantes. Surge então Esther (Julianne Moore), uma mulher mais velha, com uma trágica história de vida, que acaba lhe mostrando um outro caminho a seguir.


A ideia do roteiro de Gordon-Levitt é ótima, afinal de contas falta ao cinema hollywoodiano filmes com pontos de vista masculinos a respeito de relações amorosas. O problema é que falta a ele um pouco mais de profundidade, em especial na relação entre Jon e Esther, que poderia ter sido explorada com menos pressa - o que poderia inclusive ter dado à sempre ótima Julianne Moore maior oportunidade de brilhar. O jovem ator demonstra personalidade em sua direção, fazendo uso inteligente da edição e da trilha sonora e demonstrando bom senso estético - além de proporcionar à Glenne Headley ótimos diálogos na pele de sua mãe desesperada por uma nora e conseguir se dividir entre a direção e a protagonização com segurança de veterano: a transformação de seu Jon, que em mãos menos talentosas poderia soar patética, com ele não é apenas crível, mas também encantadora. Ajuda muito, é claro, que ele seja um ator carismático e bastante talentoso.

Dividindo sua carreira em produções independentes - como a deliciosa "(500) dias com ela" - e filmes de enorme visibilidade - "A origem" e "Batman, o Cavaleiro das Trevas ressurge" - Gordon-Levitt passou sem traumas do status de adolescente promissor a um dos mais requisitados jovens astros de Hollywood. Fugindo de um possível estigma de galã adolescente, ele passou a fazer escolhas ousadas - o polêmico "Mistérios da carne", de Gregg Araki, o mostra em um personagem do qual muitos colegas de geração fugiriam apavorados - até conquistar o respeito dos colegas e a admiração da plateia. Sua decisão em estrear como diretor, como mostra "Como não perder essa mulher" (um título nacional, diga-se de passagem, constrangedor) não foi apenas fruto de egocentrismo: seguro e dotado de ritmo, seu trabalho aponta para uma nova e auspiciosa carreira. Uma comédia romântica atípica, seu filme pode não agradar a todas as plateias - talvez o público feminino se sinta um tanto incomodado com os frequentes (mas contextualizados) frames de mulheres nuas e cenas pornográficas - mas é, sem dúvida, uma estreia digna de nota.

sábado

VIRADA NO JOGO

VIRADA NO JOGO (Game change, 2012, HBO Films, 118min) Direção: Jay Roach. Roteiro: Danny Strong, livro de Mark Halperin, John Heilemann. Fotografia: Jim Denault. Montagem: Lucia Zucchetti. Música: Theodore Shapiro. Figurino: Daniel Orlandi. Direção de arte/cenários: Michael Corenblith/Tiffany A. Zappulla. Produção executiva: Gary Goetzman, Tom Hanks, Jay Roach. Produção: Amy Sayres. Elenco: Julianne Moore, Ed Harris, Woody Harrelson, Peter MacNicol, Jamey Sheridan, Sarah Paulson, Ron Livingston. Estreia: 28/02/12

Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme/Minissérie, Atriz Filme/Minissérie (Julianne Moore), Ator Coadjuvante Filme/Minissérie (Ed Harris)

Em 2008, a campanha pela presidência dos EUA – vencida por Barak Obama – apresentou ao mundo inteiro uma personalidade quase folclórica que, até então, era conhecida basicamente pelos eleitores do Alasca, seu estado de origem: a governadora Sarah Palin, conservadora, religiosa fervorosa, mãe de cinco filhos (um deles com Síndrome de Down e a mais velha grávida na adolescência), firme em suas opiniões e eleita graças principalmente a questões ecológicas. Escolhida pelos assessores do republicano John McCain para ser sua candidata à vice-presidente – como forma de conquistar eleitores ainda não convencidos por sua política – Palin era tida como a arma secreta contra a popularidade de Obama, mas acabou se tornando motivo de escárnio e choque com seu desconhecimento quase total de política externa e outros assuntos tão importantes quanto, que quase anulavam seu carisma. Uma personagem inacreditável – que virou até mesmo alvo impiedoso do programa de humor “Saturday Night Live”, onde era interpretada pela comediante Tina Fey – Palin é a protagonista de “Virada no jogo”, brilhante produção da HBO que escrutina com detalhes sua trajetória em uma das mais acirradas disputas pela Casa Branca na história dos EUA.
 Comandado por Jay Roach – que já havia flertado com os bastidores da política no subestimado “Os candidatos”, com Will Ferrell – e com Tom Hanks entre seus produtores executivos, “Virada no jogo” é baseado no livro de Mark Halperin e John Heilemann e conta com um roteiro sagaz e de ritmo certeiro, que equilibra com precisão cirúrgica tanto os meandros das campanhas eleitorais americanas (e por que não brasileiras?) quanto sua importância na vida de pessoas que dependem delas para atingir o sucesso profissional. O centro da trama é Steve Schmidt, interpretado com sutileza rara por Woody Harrelson: estrategista político conceituado, ele é chamado pelo Senador John McCain (Ed Harris em atuação premiada) para encontrar e treinar a pessoa certa para fazer companhia a ele na chapa que irá disputar a presidência americana. Sentindo-se desafiado, ele e seus assessores chegam ao nome de Palin e resolvem apostar em seu carisma junto à parcela feminina dos eleitores. O problema é que a governadora não é tão cordata quanto poderia parecer e transforma-se em um problema dos grandes quando, ao perceber seu poder de persuasão junto ao público, resolve assumir as rédeas de sua transformação de mulher simples em política profissional.



Amparada por uma direção discreta e um roteiro inteligente – escrito por Mark Strong – Julianne Moore dá um show à parte na pele de Sarah Palin. Merecidamente premiada com o Golden Globe de melhor atriz dramática em filmes para a TV, ela simplesmente se transforma na polêmica governadora, tanto fisicamente quanto em suas essências – pessoal e pública. Intercalando momentos de puro constrangimento (quando é capaz de dizer atrocidades em rede nacional, por pura ignorância) com outros que suscitam até mesmo uma certa pena, Moore rouba o filme para si de forma escandalosa. Mesmo com uma personagem não exatamente simpática em mãos, ela conquista o público da mesma forma com que Palin cativava seus eleitores – pelo carisma e pela pureza. Sem julgar a personagem, Moore faz dela uma mulher comum jogada no olho do furacão sem estar preparada para tal (apesar de achar-se capaz de assumir a bronca), e sua fragilidade emocional acaba por seduzir a plateia: mesmo quando ri das bobagens proclamadas por Sarah Palin, o público não deixa de sentir uma espécie de piedade. Por escapar da tentação de fazer da protagonista motivo de piada, tanto Roach na direção quanto Moore na construção da personagem marcam um gol de placa: “Virada no jogo” é brilhante tanto como drama político quanto comédia de bastidores – mas jamais aposta no humor barato ou grosseiro (uma surpresa, já que estamos falando do mesmo diretor dos três filmes estrelados pelo espião Austin Powers, que são tudo menos sutis).
Com um elenco coadjuvante que não faz feio diante dos shows de Julianne Moore, Ed Harris e Woody Harrelson, “Virada no jogo” é o típico filme que expande seu círculo de interesse para atingir um público mais amplo especialmente graças à união de seus talentos. Não é preciso ser americano ou entender as matizes de sua política para se deixar envolver pela trama (que nem precisou ser inventada): basta gostar de se deixar envolver por uma história bem contada, com atores brilhantes e um roteiro que respeita a inteligência do espectador. Foi feito para a televisão, mas é muito melhor do que muito produto cinematográfico que chega às salas de exibição.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...