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quarta-feira

MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO


MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO (Mamma Mia: Here we go again, 2018, Universal Pictures, 114min) Direção: Ol Parker. Roteiro: Ol Parker, estória de Richard Curtis, Ol Parker, Catherine Johnson, personagens de Catherine Johnson. Fotografia: Robert D. Yeoman. Montagem: Peter Lambert. Música: Benny Andersson, Anne Dudley, Bjorn Ulvaeus. Figurino: Michele Clapton. Direção de arte/cenários: Alan MacDonald/Anita Dujic. Produção executiva: Benny Andersson, Nicky Kentish Barnes, Richard Curtis, Tom Hanks, Phyllida Lloyd, Bjorn Ulvaeus, Rita Wilson. Produção: Claudia Balboa, Judy Craymer, Raphael Benoliel, Gary Goetzman, Anna Sofia Morck. Elenco: Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Lilly James, Stellan Skarsgaard, Colin Firth, Dominic Cooper, Meryl Streep, Julie Walters, Christine Baranski, Andy Garcia, Cher, Jeremy Irvine, Alexa Davies, Jessica Keenan Wynn, Hugh Skinner, Josh Dylan, Celia Imrie. Estreia: 20/7/2018

Quando surgiu a ideia - aparentemente estapafúrdia - de uma continuação do musical "Mamma Mia!",  pouca gente levava fé no projeto. Não apenas porque todo mundo sabia que seria quase impossível repetir o impressionante êxito do primeiro filme - que arrecadou assombrosos 700 milhões de dólares em sua carreira nos cinemas -, mas porque havia a dificuldade extra de encontrar-se um roteiro coerente com o desfecho do original e, mais ainda, de encaixar nele canções do ABBA não utilizadas no primeiro capítulo. Porém, nenhum desafio é grande o bastante para um estúdio em busca de um sucesso de bilheteria, e poucos repertórios são tão fortes quanto o do grupo sueco - em que até mesmo as músicas menos conhecidas são capazes de empolgar. Com isso, "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" não chegou a surpreender quando, dez anos depois da estreia do primeiro filme, encerrou sua carreira nas salas de exibição com uma respeitável renda de 365 milhões - nada mal para uma produção sem efeitos visuais dispendiosos, super-heróis devidamente testados e aprovados e uma campanha de marketing maciça. Mesmo com a ousadia de abdicar da presença marcante de Meryl Streep - aqui apenas em uma rápida participação especial -, o filme do britânico Ol Parker é divertido o bastante para não fazer feio diante da memória afetiva das plateias. 

De certa forma aprisionados pelo final redondinho do primeiro filme - cujo desfecho não abria espaço para novos desdobramentos -, os roteiristas de "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" (dentre os quais está o experiente Richard Curtis) encontraram uma solução interessante ao intercalar presente e passado: Sophie (Amanda Seyfried) está passando por dias conturbados, já que a reinauguração do hotel de sua mãe, Donna (Meryl Streep), morta há um ano, está ameaçado por questões naturais (uma tempestade que pode atrapalhar as festividades) e por situações mais prosaicas, como uma possível crise em seu relacionamento com Sky (Dominic Cooper) e a ausência de dois de seus pais afetivos, envolvidos em projetos profissionais. Enquanto lida com tais atribulações, nunca deixa de lembrar da encorajadora história de Donna, que em 1979 (e vivida por Lilly James), saiu de sua zona de conforto para realizar seu sonho de viajar pelo mundo - e de quebra, viveu uma surpreendente história de amor/desejo/paixão/liberdade com o romântico Harry (Hugh Skinner), o sexy Bill (Josh Dylan) e o misterioso Sam (Jeremy Irvine). Contando com a ajuda de Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski) - fiéis escudeiras de sua mãe - e com o apoio do novo gerente do hotel, o charmoso Fernando Cienfuegos (Andy Garcia), Sophie descobre que o legado de Donna é maior do que simplesmente a bela propriedade na Grécia... e até mesmo sua excêntrica avó reaparece, para sua surpresa.

 

Com uma direção mais ágil e segura do que a do primeiro filme - e apresentando coreografias mais elaboradas que tornam as canções ainda mais energéticas - "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" faz uso inteligente de flashbacks, que disfarçam o fiapo de história e a falta de conflitos relevantes. Cientes de que o mais importante do projeto eram as músicas e as personagens amadas pelo público, os roteiristas se dedicaram a criar uma nova trama de acordo com a trilha sonora - e acertaram em cheio ao dar prioridade à juventude de Donna em detrimento aos pouco interessantes problemas sentimentais e profissionais de Sophie: mesmo que Amanda Seyfried seja talentosa o suficiente para sustentar uma produção (como já fez em outras ocasiões), sua personagem quase desaparece diante da energia de Lilly James - mesmo que elas não dividam nenhuma cena, por razões óbvias. Centro do filme, James tira de letra o desafio de dividir um papel com Meryl Streep - e sua química com o elenco jovem aponta o talento do diretor Ol Parker, em sua primeira grande produção, depois dos pouco ambiciosos "Imagine eu e você" (2005) e "Agora e para sempre" (2012): sem o objetivo de aprofundar um estilo ou aparecer mais do que a história que deseja contar, Parker oferece ao público duas horas de diversão escapista, leve e alto-astral, que em nada mancha o legado do filme original - cujos maiores atrativos eram, a rigor, a trilha sonora e a presença ensolarada e rara (em um musical) de Streep. Se há algo a reclamar é apenas o pouco tempo em cena dos veteranos do "Mamma Mia!" original - em especial as excelentes Julie Walters e Christine Baranski. Mas, em compensação, há a surpresa da presença da sempre luminosa Cher, aqui no papel da apoteótica (como não poderia deixar de ser) Ruby, a bissexta avó de Sophie.

"Mamma Mia: lá vamos nós de novo" cumpre o que promete. É divertido, é despretensioso e é, acima de tudo, uma ode à alegria, ao amor e à amizade. Não tem o frescor do primeiro filme - e nem o carisma de Meryl Streeep a não ser em poucos minutos, no final -, mas não deixa a peteca cair em termos de energia e honestidade. Para o seu público-alvo é uma festa: dançante, contagiante e sem contra-indicações. Não é uma obra-prima e nem mudou a história do cinema, mas é um filme conforto dos mais agradáveis - exceto para quem busca produções cabeça ou repletas de testosterona pura e simples.

 

sexta-feira

LOVELACE

LOVELACE (Lovelace, 2013, Millenium Films/Eclectic Pictures/Untitled Entertainment, 93min) Direção: Rob Epstein, Jeffrey Friedman. Roteiro: Andy Bellin. Fotografia: Eric Edwards. Montagem: Robert Dalva, Matthew Landon. Música: Stephen Trask. Figurino: Karyn Wagner. Direção de arte/cenários: William Arnold/David Smith. Produção executiva: Boaz Davidson, Danny Dimbort, Mark Gill, Merritt Johnson, Avi Lerner, Peter Sarsgaard, Amanda Seyfried, Trevor Short, John Thompson. Produção: Heidi Jo Markel, Laura Rister, Jason Weinberg, Jim Young. Elenco: Amanda Seyfried, Peter Sarsgaard, Sharon Stone, Robert Patrick, Juno Temple, Chris Noth, Bobby Cannavale, Hanz Azaria, Adam Brody, Chloe Sevigny, James Franco, Debi Mazar, Wes Bentley, Eric Roberts. Estreia: 22/01/13 (Festival de Sundance)

Não é preciso ser um fã do gênero para conhecer "Garganta profunda", um dos mais famosos e celebrados filmes pornográficos da história. Lançado em 1972, tornou-se um fenômeno de proporções inéditas e inspirou até mesmo o apelido do misterioso informante no infame Caso Watergate que derrubou o presidente Richard Nixon. Estrelada pela então desconhecida Linda Lovelace, a história da jovem que descobre ter o clitóris localizado na garganta e passa a conhecer o prazer sexual conforme vai se especializando em sexo oral é, até hoje, o filme adulto mais rentável já realizado (com uma renda estimada em 600 milhões de dólares) mas os bastidores de sua realização, bastante polêmicos, só estavam relegados aos leitores da biografia da atriz - lançada em 1980 - e aos comentários suscitados por seu posicionamento contra a indústria da pornografia que veio em seguida. A real história de Linda, com todos os seus lances dramáticos (anteriores e posteriores à fama), pedia uma versão cinematográfica à altura. Surgiu, então a cinebiografia dirigida pelos cineastas Rob Epstein e Jeffrey Friedman (que juntos, lançaram o sensacional documentário "O outro lado de Hollywood", sobre o tratamento dado pelo cinema à homossexualidade). O problema é que, apesar do tema explosivo, "Lovelace" parece ter medo da ousadia. E isso faz uma enorme diferença no resultado final.

Com uma narrativa quadradinha que enfraquece até mesmo sua segunda metade, quando o ponto de vista da protagonista assume o foco e as revelações sobre seu casamento e sua carreira dão outro viés aos acontecimentos, o filme de Epstein e Friedman perde a chance de revelar, através da história de um longa específico, a podridão dos bastidores da indústria da pornografia, algo que Paul Thomas Anderson atingiu com grande êxito em seu "Boogie nights, prazer sem limites", de 1997. Porém, ao contar uma história calcada basicamente em sexo puro, o roteiro parece ter medo de mergulhar no assunto, passando correndo por qualquer sequência que porventura possa ofender os pruridos cada vez maiores da plateia norte-americana. Mesmo que o foco não seja o sexo em si, não deixa de ser irônico que uma produção que tenta desmascarar a hipocrisia seja tão puritana. E seria injusto debitar isso ao elenco de nomes famosos, já que todos parecem extremamente à vontade em seus papéis, e os dois atores centrais, Amanda Seyfried e Peter Sarsgaard (que também assinam como produtores executivos), já tem no currículo filmes de alto teor erótico e não tem medo de se entregar de corpo e alma a seus personagens. O fato é que, mesmo com algumas louváveis qualidades, "Lovelace" perde pontos por jamais sair de sua zona de conforto.


O filme começa, como se poderia esperar, em 1970, quando a jovem Linda Boreman (Amanda Seyfried em papel herdado de Lindsay Lohan, então já em seu inferno astral pessoal e profissional) conhece o homem que se tornaria sua bênção e seu castigo. Chuck Treynor (Peter Sarsgaard, sempre dedicado e extremamente competente) é quem a tira da casa de seus severos pais (interpretados por Robert Patrick e uma irreconhecível Sharon Stone) e, aparentemente apaixonado e carinhoso, devolve a ela a autoestima perdida devidos a traumas do passado. Acontece que logo ele demonstra um lado pouco agradável e, metido com prostituição e na mira de credores perigosos, acaba por convencê-la a fazer o papel principal de um filme pornográfico que pode salvar suas finanças. O sucesso estrondoso do filme, "Garganta profunda", a torna internacionalmente conhecida, mas não a ajuda a ser feliz. Pouco tempo depois ela decide tornar públicas as humilhações pelas quais passou nas mãos de Treynor - e volta aos holofotes como uma vítima de violência doméstica que não ganhou um centavo com o trabalho que deixou os produtores milionários.

Recheando seu filme de rostos conhecidos do público - além dos já citados desfilam pela tela James Franco, Juno Temple, Chris Noth, Hank Azaria, Eric Roberts, Adam Brody e Bobby Cannavale - os cineastas são felizes em contar sua história de forma fluente e sem sobressaltos. Porém, mesmo quando há a ruptura narrativa que altera a percepção do público em relação à trajetória da protagonista, ela não acontece com o impacto que poderia. A opção dos diretores em manter o ritmo na mesma cadência acaba por ser um golpe fatal para seu filme, que tem a mesma pulsação do início ao fim. Não seria um problema se essa pulsação fosse excitante ou potente - como acontece com a obra de Anderson, que deixa o espectador sem fôlego durante suas duas horas e meia - mas a edição carece de energia e tesão, o que nesse caso específico, é um pecado quase imperdoável. Mesmo com o empenho de Seyfried e Sarsgaard, "Lovelace" fica aquém do que poderia ser. É um "Supercine" de luxo. Uma pena.

terça-feira

CARTAS PARA JULIETA

CARTAS PARA JULIETA (Letters for Juliet, 2010, Summit Entertainment, 105min) Direção: Gary Winick. Roteiro: José Rivera, Tim Sullivan. Fotografia: Marco Pontecorvo. Montagem: Bill Pankow. Música: Andrea Guerra. Figurino: Nicoletta Ercole. Direção de arte/cenários: Stuart Wurtzel/Alessandra Querzola. Produção executiva: Ron Schmidt. Produção: Ellen Barkin, Mark Canton, Caroline Kaplan. Elenco: Amanda Seyfried, Vanessa Redgrave, Gael Garcia Bernal, Franco Nero, Christopher Egan. Estreia: 25/4/10 (Tribeca Festival)

Escrita no século XVI pelo inglês William Shakespeare, a tragédia romântica “Romeu e Julieta” ainda parece ser, quase quinhentos anos depois, um manancial inesgotável de inspiração para o cinema. Não apenas adaptações fiéis da obra (como a de Franco Zefirelli, lançada em 1968), releituras musicais (“Amor, sublime amor”, vencedor de dez Oscar em 1960) e versões de ousadia visual (a interpretação lisérgica apresentada pelo australiano Baz Luhrmann em 1996) surgem volta e meia para conquistar novas plateias, mas também variações sobre o mesmo tema confirmam a influência indelével à cultura popular do drama adolescente que contrapõe a pureza do amor aos malefícios do ódio cego. Um exemplo claro e inequívoco dessa afirmação é o simpático e doce “Cartas para Julieta”, que, a rigor, não tem nada a ver com o texto do mais famoso bardo do teatro mundial, mas deve a ele seu mote central – e com ele divide o belo cenário italiano.
Dirigido por Gary Winick – especialista em comédias românticas que comandou o divertido “De repente 30” – “Cartas para Julieta” não é exatamente criativo e/ou imprevisível, mas tem a seu favor o carisma de sua atriz central (Amanda Seyfried, a filha de Meryl Streep em “Mamma mia” e estrelinha do açucarado “Querido John”) e o talento sempre impressionante de uma coadjuvante de luxo que valoriza qualquer filme, a intensa Vanessa Redgrave. São as duas atrizes – a juventude contagiante de uma e a competência imponente da outra - que dão consistência a um conto sobre a busca pelo amor e a imortalidade dos sentimentos. Tendo em mãos um roteiro simples e bem-humorado – um de seus autores, José Rivera, concorreu ao Oscar por “Diários de motocicleta” – e o estonteante visual do interior da Itália com suas paisagens deslumbrantes, Winick não tem muito trabalho em conquistar a plateia, especialmente aquela formada pelos românticos de plantão que sempre fazem a glória do gênero. 



A protagonista do filme é Sophie (Amanda Seyfried), que trabalha como pesquisadora na revista New Yorker e tem como maior ambição tornar-se escritora – ainda que não seja levada a sério por seu editor (Oliver Platt) e passe os dias checando fatos para reportagens alheias. Quando o filme começa, Sophie está saindo de férias com o noivo, Victor (Gael García Bernal), para uma espécie de lua-de-mel antecipada, já que o rapaz está em vias de abrir um restaurante e passa os dias dedicado aos preparativos para o evento. O desejo de Sophie de passar uma temporada romântica com Victor em Verona é frustrado logo que o casal chega na Itália: obcecado com trabalho, o rapaz sai de degustações de queijos e vinhos para reuniões e visitas profissionais ao interior do país. Mesmo decepcionada com a situação, a jovem incentiva o amado em suas excursões, mas resolve usar seu tempo em outros programas. Um deles a leva até à Casa de Julieta, um sobrado que há anos serve de cenário para procissões de jovens enamoradas que, inspiradas pela famosa personagem shakespereana, deixam em suas paredes, cartas pedindo conselhos e ajuda em seus dramas amorosos. Curiosa, Sophie descobre que todas as cartas com endereço são respondidas por um grupo de voluntárias e de repente vê-se unindo-se a elas na função. Para sua surpresa, logo ela encontra uma carta escrita em 1951 por uma inglesa desesperada por estar se separando do homem que amava – italiano – por questões familiares. Dotada de um vigoroso espírito romântico, Sophie responde a carta.
Para surpresa de todas as voluntárias, porém, a resposta acaba por acarretar uma inesperada consequência: poucos dias depois, chega ao local a delicada Claire Smith (Vanessa Redgrave), a autora da carta, que, incentivada pelas palavras de Sophie, decidiu voltar à Itália depois de cinquenta anos com a intenção de procurar o homem que deixou para trás, o seu amado Lorenzo. Excitada com a ideia de acompanhar Claire em sua busca – e escrever sua história – Sophie bate de frente com o ranzinza Charlie (Christopher Egan), neto da velha senhora que não vê com bons olhos a ideia da avó correndo atrás de um passado tão remoto. As faíscas que surgem entre Sophie e Charlie não passam despercebidas por Claire, que, mesmo incansável em sua missão de reencontrar Lorenzo – uma missão nada desprezível, já que vários homônimos cercam a região – não deixa de questionar a decisão da jovem amiga em manter o noivado com um homem que não parece dedicar a ela todo o tempo e carinho que deveria.
Não se deve esperar grandes profundidades psicológicas ou debates sérios em “Cartas para Julieta”. O objetivo do filme é unica e simplesmente divertir o espectador, fazendo-o viajar pelas fotogênicas estradas italianas enquanto conta duas histórias de amor simultâneas, capazes de encantar duas gerações distintas da plateia. Em contraponto ao amor imortal e reprimido entre Claire e Lorenzo (interpretado pelo marido de Redgrave na vida real, o ator Franco Nero), o roteiro apresenta o nascente romance entre Sophie e Charlie, que começa com uma certa antipatia – um clichê que sempre funciona às mil maravilhas – e vai se tornando, com o passar do tempo, em uma paixão dócil e suave que contrasta com o relacionamento quase fraterno entre a jovem e Victor. Mesmo que o filme se estenda mais do que o necessário e insista em um ato final que apela para o pouco criativo artifício de um mal-entendido para dificultar o final feliz que todos sabem que virá, é um exemplar digno de um gênero que não costuma produzir obras muito marcantes. O único senão é o sub-aproveitamento de Gael García Bernal, um ótimo ator que não tem muito o que fazer em cena, relegado a um ingrato papel de coadjuvante pouco interessante. De resto, um romance sem contra-indicações para quem acredita no amor.

sábado

QUERIDO JOHN

QUERIDO JOHN (Dear John, 2010, Screen Gems/Relativity Media, 108min) Direção: Lasse Halstrom. Roteiro: Jamie Linden, romance de Nicholas Sparks. Fotografia: Terry Stacey. Montagem: Kristina Boden. Música: Deborah Lurie. Figurino: Dana Campbell, Kathryn Langston. Direção de arte/cenários: Kara Lindstrom/Summer Eubanks. Produção executiva: Toby Emmerich, Jeremiah Samuels, Tucker Tooley, Michelle Weiss. Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey, Ryan Kavanaugh. Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Henry Thomas, Richard Jenkins. Estreia: 24/01/10

Tudo bem que Nicholas Sparks não é um escritor dos mais dotados literariamente falando, mas nada justifica o crime cometido contra seu livro "Querido John" na adaptação cinematográfica dirigida por Lasse Halstrom - que em tempos mais criativos foi saudado como um dos maiores talentos estrangeiros em Hollywood graças a "Minha vida de cachorro", pelo qual chegou a ser indicado ao Oscar. Não que o filme seja uma desgraça (pode até emocionar os coraçõezinhos mais sensíveis) mas o roteiro conseguiu estragar todas as poucas surpresas do livro e, pior ainda, mudou indecentemente o final, que funcionava muito bem no papel e provavelmente também o faria na versão para as telas. A pergunta é só uma: por que??

A trama açucarada de Sparks - autor também dos livros que deram origem a "Uma carta de amor", "Um amor para recordar", "Noites de tormenta" e o belo "Diário de uma paixão", todos eles trágicos, diga-se de passagem - conta a história de amor entre o soldado John Tyree (Channing Tatum) e a universitária Savannah Curtis (Amanda Seyfried). Eles se conhecem durante o verão de 2001 e iniciam um romance como aqueles que só a literatura e o cinema podem conceber. Duas semanas depois ele volta para o exército, mas eles se mantém correspondendo. Com o atentado ao World Trade Center, as coisas mudam: ele passa a dedicar-se ainda mais à carreira e, cansada da solidão e da distância, ela põe um ponto final no relacionamento. O que acontece a partir daí é digno de qualquer novela global.
Não se pode exigir muito de um filme como "Querido John", cujas ambições são apenas de levar adolescentes românticas ao cinema - ambições essas plenamente cumpridas com a renda de mais de 80 milhões de dólares arrecadados somente nos cinemas americanos. E, justiça seja feita, não é um filme dolorosamente ruim, como fizeram pensar muitos críticos. É preciso levar-se em consideração que é um produto ligeiro, que, sem pretensões a tornar-se um ícone de seu tempo ou um clássico romântico, pode ser assistido tranquilamente - exceção feita aos não-fãs inveterados do gênero.

Amanda Seyfried é uma graça, conforme mostrou em "Mamma Mia!" e "Cartas para Julieta", e aqui se movimenta com desenvoltura, chegando até mesmo a emocionar em momentos mais dramáticos. Channing Tatum desfila seu físico invejável boa parte do filme e, se não chega a encantar por seus dotes histriônicos, ao menos não faz feio nem ao lado de Seyfried nem contracenando com o sempre ótimo Richard Jenkins, que vive seu pai, na atuação mais interessante do longa de Lasse Halstrom. Aliás, se tem uma coisa que decepciona em "Querido John" é justamente saber que é dirigido pelo sueco.

Deixando de lado suas ousadias há um bom tempo, Halstrom enveredou pelo banal e comercial, como o inacreditável "Chocolate" e o chatinho "Chegadas e partidas", que só se salvou pelo elenco. Fosse dirigido por um cineasta menos talentoso e experiente, "Querido John" seria apenas mais um romance bonitinho a chegar às telas. Saber que foi comandado pelo homem que deu sinceridade e emoção a "Regras da vida" surpreende negativamente. Mas quantas adolescentes da plateia sabem quem é Lasse Halstrom, certo??

"Querido John" é um bom drama romântico para os menos exigentes e dá uma vontade enorme de fazer declarações de amor à pessoa certa. Mas, por incrível que pareça dizer isso de uma obra de Nicholas Sparks, o livro é melhor...

quarta-feira

MAMMA MIA!

MAMMA MIA! (Mamma Mia!, 2008, Universal Pictures, 108min) Direção: Phyllida Lloyd. Roteiro: Catherine Johnson, peça musical de Catherine Johnson. Fotografia: Haris Zambarloukos. Montagem: Lesley Walker. Música: Benny Andersson, Bjorn Ulvaeus. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Maria Djurkovic/Barbara Herman-Skelding. Produção executiva: Benny Andersson, Tom Hanks, Mark Huffam, Bjorn Ulvaeus, Rita Wilson. Produção: Judy Craymer, Gary Goetzman. Elenco: Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stelan Skarsgard, Amanda Seyfried, Dominic Cooper, Christine Baranski, Julie Walters. Estreia: 30/6/08 (Londres)

Durante os anos 70, não havia no mundo quem não conhecesse ao menos uma canção do grupo sueco ABBA. Depois de uma década restrita apenas a fãs mais ardorosos, os anos 90 ressuscitaram seus sucessos nos filmes australianos "O casamento de Muriel" e "Priscilla, a rainha do deserto" e, quase na virada do século, hinos como "The winner takes it all" e "Dancing queen" chegaram aos palcos ingleses em uma peça musical escrita por Catherine Johnson: "Mamma Mia!" - que se utilizava do repertório da banda em uma comédia romântica - bateu recordes de bilheteria, foi transferido para a Broadway em 2001 e, para surpresa de ninguém, acabou parando no cinema. Seguindo o êxito de musicais com "Moulin Rouge" e "Chicago", a diretora Phillyda Lloyd (que também assinou o comando da versão americana) não decepcionou os produtores Tom Hanks e Rita Wilson, com uma bilheteria de mais de 140 milhões de dólares, prova da perenidade do conjunto formado do qual faziam parte Benny Anderson e Bjorn Ulvaeus, que inclusive aparecem rapidamente em cena e assinam a produção executiva do filme.

Ao contrário de "Across the universe", onde a diretora Julie Taymor, servia-se das canções dos Beatles para contar uma história de amor e liberdade nos EUA sacudidos pela Guerra do Vietnã, "Mamma Mia!" tem um registro muito mais alto-astral e leve, deixando de lado qualquer elocubração mais pesada ou densidade psicológica. Refletindo a beleza límpida e ensolarada da Grécia - onde se passa a história - o roteiro da própria autora da peça explode em colorido, alegria e bom-humor, sem espaço para nada além de uma fotografia deslumbrante, atores se divertindo nitidamente, uma trama que exige do espectador apenas um mínimo de atenção e, claro, uma trilha sonora vibrante e adequada. Aliás, não poderia deixar de ser diferente, já que são as canções que conduzem a história de Donna (uma iluminada Meryl Streep), a dona de um hotel rústico na Grécia que reencontra três ex-namorados justamente às vésperas do casamento da única filha.


Começando do começo: a jovem Sophie (Amanda Seyfried, em papel cobiçado por Mandy Moore, Rachel McAdams, Emmy Rossum e Amanda Bynes) tem um sonho (como diz "I have a dream", que abre o filme) de conhecer seu pai, uma vez que foi criada apenas pela mãe, Donna, em uma paradisíaca ilha grega. Mexendo nas coisas de sua progenitora, ela descobre um diário que lhe dá a conclusão de que ela só pode ser filha de um dos três ex-namorados da mãe, o ex-roqueiro Bill (Stelan Skarsgard), o certinho Harry (Colin Firth) e o bem-sucedido Sam (Pierce Brosnan). Em segredo, ela envia convites de seu iminente casamento para todos e, para sua surpresa, eles aparecem, mexendo com a vida tranquila de Donna, que precisará lidar com seu passado - e que, para isso, conta com a ajuda de suas duas melhores amigas, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), também presentes na ilha para o casamento.

O fiapo de história, porém, é o que menos importa. Phillida Lloyd não é uma cineasta capaz de grandes voos, o que fica evidente na sua total falta de ousadia visual ou segurança para compreender as diferenças de linguagem entre teatro e cinema. Como o grande público pouco se importa com essas questões técnicas, a diversão é garantida graças à explosão de alegria que o filme é. Meryl Streep brilha mais que todos, como sempre, criando uma Donna jovem, otimista e carinhosa - que passa da contagiante "Dancing queen" à dolorosa "The winner takes it all" com o talento de uma cantora nata - mas é inegável sua química com Amanda Seyfried, em especial na bela sequência em que a garota se prepara para o casamento. Julie Walters e Christine Baranski quase roubam o show como coadjuvantes e até mesmo o trio de ex-amores de Donna sai-se bem, ainda que nenhum deles possa ser considerado um grande cantor.

"Mamma Mia!" é um filme feito para divertir. Quem gosta de Meryl Streep é um prato cheio. Para quem gosta de comédias românticas com cenários deslumbrantes é um deleite. Mas é para os fãs do ABBA que o filme foi feito. E para eles é essencial!

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...