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segunda-feira

JOGOS DE ADULTOS

 


JOGOS DE ADULTOS (Consenting adults, 1992, Hollywood Pictures, 99min) Direção: Alan J. Pakula. Roteiro: Matthew Chapman. Fotografia: Stephen Goldblatt. Montagem: Sam O'Steen. Música: Michael Small. Figurino: Gary Jones, Ann Roth. Direção de arte/cenários: Carol Spier/Gretchen Rau. Produção executiva: Pieter Jan Brugge. Produção: Alan J. Pakula, David Permut. Elenco: Kevin Kline, Mary Elizabeth Mastrantonio, Kevin Spacey, Forest Whitaker, Rebecca Miller. Estreia: 16/10/92

Em 1982, o diretor Alan J. Pakula assinou uma de suas obras-primas, "A escolha de Sofia", que rendeu o Oscar de melhor atriz à Meryl Streep e marcou a estreia de Kevin Kline no cinema. Dez anos depois, cineasta e astro voltaram a se encontrar em "Jogos de adultos" - mas, já com Kline consagrado com uma estatueta de coadjuvante por "Um peixe chamado Wanda" (1988), o reencontro ficou muito longe de ser memorável. Vindo do sucesso apenas razoável de "Acima de qualquer suspeita" (1990) - que tornou anêmico o romance best-seller de Scott Turow - e antes de unir Julia Roberts e Denzel Washington na versão cinematográfica de "O Dossiê Pelicano", de John Grisham, Pakula decepcionou crítica e público com uma produção insossa que em momento algum lembra o brilhantismo de seus melhores trabalhos. Com um roteiro preguiçoso que praticamente evita qualquer tipo de suspense e uma direção quase mecânica, "Jogos de adultos" falha em todos os quesitos - e nem a presença de um iniciante Kevin Spacey oferece maiores motivos de entusiasmo.

A trama começa de forma promissora: entediados com a vida doméstica e com a solidão a dois imposta pela ida da filha à universidade, o casal formado por Richard e Priscilla Parker (Kevin Kline e Mary Elizabeth Mastrantonio) vê sua rotina alterada pela chegada à vizinhança de outro casal, bem menos convencional. Eddy e Kay Otis (Kevin Spacey e Rebecca Miller) não apenas se tornam amigos próximos mas também apresentam aos vizinhos um estilo de vida mais leve e divertido - e até mesmo quando Eddy demonstra não ser exatamente uma pessoa muito ética profissionalmente isso não atrapalha suas relações. A coisa começa a mudar de figura, porém, quando o simpático e sedutor novo amigo surge com uma ideia ousada: percebendo a atração de Richard por sua mulher e ele próprio encantado por Prsicilla, Eddy propõe uma troca de casais. Depois de muito hesitar, Richard aceita a proposta - mas quando Kay aparece violentamente assassinada, ele passa a ser o principal suspeito. Certo de que Eddy tem responsabilidade pelo crime, o até então pacato compositor de jingles comerciais luta para provar sua inocência e comprovar a culpa de seu carismático vizinho - agora viúvo e apaixonado por Priscilla.

 

Chega a ser inacreditável que um cineasta do porte de Pakula, que dotou produções como "A trama" (1974) e "Todos os homens do presidente" (1976) de um senso impecável de ritmo, seja o mesmo de "Jogos de adultos": com uma direção sem criatividade e uma edição monótona que impede qualquer chance de despertar interesse no espectador, seu filme sofre de uma absoluta falta de energia. Anêmico a ponto de anestesiar até mesmo aos normalmente bons atores que tem em mão - além dos dois Kevins o elenco conta ainda com Forest Whitaker -, o compasso do roteiro de Matthew Chapman (que mais tarde cometeria o problemático "A cor da noite", estrelado por Bruce Willis em 1994) não permite qualquer envolvimento do público, perdido (no pior sentido da palavra) em uma trama cuja reviravolta é previsível ainda no primeiro ato. Sem aprofundar nenhuma das questões levantadas em seu começo - a crise no casamento dos protagonistas, a personalidade dúbia do vilão, as engrenagens da justiça -, sua história peca principalmente ao negar à audiência os principais elementos de um filme de suspense: o mistério e a catarse: fica evidente desde os primeiros minutos que Eddy não é flor que se cheire e que sua insistência em movimentar a vida amorosa dos dois casais tem segundas e terceiras intenções, e o roteiro não faz a menor questão de subverter expectativas ou tomar rumos que não os mais óbvios. E isso sem falar no ato final, de uma pobreza criativa sem tamanho.

É uma pena que a soma de tantos talentos não impeça que "Jogos de adultos" seja uma produção tão esquecível - para não dizer medíocre. Nem mesmo Kevin Kline e Kevin Spacey, conhecidos por seus dotes dramáticos, conseguem oferecer qualquer tipo de energia que amenize a sensação de apatia que perpassa todos os 99 minutos (que parecem ser mais longos do que o normal) de projeção. Uma mancha desnecessária no currículo de todos os envolvidos.

domingo

EM RITMO DE FUGA

EM RITMO DE FUGA (Baby driver, 2017, TriStar Pictures, 113min) Direção e roteiro: EdgarWright. Fotografia: Bill Pope. Montagem: Jonathan Amos, Paul Machliss. Música: Steven Price. Figurino: Courtney Hoffman. Direção de arte/cenários: Marcus Rowland/Lance Totten. Produção executiva: James Biddle, Liza Chasin, Adam Merims, Rachel Prior, Edgar Wright, Michelle Wright. Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Nira Park. Elenco: Ansel Elgort, Kevin Spacey, Jamie Foxx, Jon Hamm, Eiza González, John Bernthal, Lily James. Estreia: 11/3/2017 (South by Southwest Festival)

3 indicações ao Oscar: Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som

Em Hollywood nem tudo caminha com velocidade. Que o diga o cineasta/roteirista britânico Edgar Wright: foi em 1995 que ele começou a trabalhar no roteiro de um filme que misturava policial, romance e uma trilha sonora que, combinada com as sequências mais alucinantes, praticamente transformava o produto final em uma espécie de policial musical. De lá até o começo das filmagens, em 2016, Wright firmou seu nome em comédias como "Todo mundo quase morto" (2004), "Chumbo grosso"(2007) e "Scott Pilgrim contra o mundo" (2010), que brincavam com gêneros consagrados do cinema comercial - a saber, filmes de zumbis, tramas policiais e adaptações de HQ, respectivamente. Nesse meio tempo, sua ideia inicial foi transformada (ao menos sua primeira sequência) em um videoclipe de "Blue sky", da banda inglesa Mint Royale, em 2003, e somente em 2017 finalmente saiu do papel - quase uma década depois de ter recebido o sinal verde para tocar o projeto adiante - e chegou às telas como "Em ritmo de fuga", um dos melhores filmes da temporada, reconhecido com uma bilheteria inesperada de mais de 100 milhões de dólares no mercado doméstico (contra um custo baixo de pouco menos de 35 milhões) e três merecidíssimas indicações ao Oscar, que reconheceram algumas das maiores qualidades do filme - edição de som, mixagem de som e montagem.

A dupla de editores (Jonathan Amos e Paul Machliss) podem ter perdido o Oscar para "Dunkirk" (2017) - também um filme cuja edição é fator preponderante -, mas tiveram melhor sorte em outras disputas, como o BAFTA (o Oscar britânico) e as associações de críticos de Las Vegas, Los Angeles, São Francisco e Chicago. Não foram prêmios de consolação. A montagem de "Em ritmo de fuga" é das mais empolgantes realizadas em Hollywood em muito tempo - e não apenas porque é ágil e de tirar o fôlego do espectador, mas também (e principalmente) porque se utiliza de todos os elementos à sua disposição sem que se deixe deslumbrar pela forma em detrimento do conteúdo. A trama pode até parecer banal, mas Wright consegue a façanha de fazer com que soe extremamente original ao inserir um elemento crucial em seus momentos de mais adrenalina: ponto essencial para a narrativa de "Em ritmo de aventura", a música assume papel crucial na trajetória dos personagens (e, como forma de respeitá-la em absoluto, a própria edição se utiliza dela como base e ritmo). Por quase duas horas, o público é brindado com uma mistura exata entre músicas de primeira, perseguições milimetricamente calculadas pelo cineasta, personagens carismáticos e um tom que, mesmo diante da violência, nunca se torna sombrio em demasia. Ou seja, "Em ritmo de fuga" é o que se convenciona chamar de "filme de verão" do mercado norte-americano, mas está muitos degraus acima da média graças ao casamento perfeito entre suas partes.


Baby, o protagonista do filme, é um exímio motorista que, para pagar uma dívida contraída com um chefão do crime (interpretado por Kevin Spacey pouco antes de sua queda em desgraça na comunidade cinematográfica por acusações de assédio sexual), trabalha em assaltos planejados por ele: dotado de um talento preciso para fugas em alta velocidade, ele é o homem de confiança para tais eventos criminosos, mesmo que não seja um entusiasta a respeito. Enquanto se prepara para uma última missão antes de finalmente quitar seu débito, Baby se apaixona pela garçonete Debora (Lily James em papel que só não ficou com Emma Stone porque ela foi fazer "La La Land: cantando estações", que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz). Debora acaba se tornando o principal motivo pelo qual Baby deseja abandonar de vez seu "emprego", mas, como normalmente acontece, o jovem se vê arrastado para um assalto que dá muito errado - em parte graças ao pouco confiável Bats (Jamie Foxx) - e precisa salvar a própria pele, assim como livrar sua namorada e seu pai adotivo da rota de vingança do violento Buddy (Jon Hamm, da série "Mad Men"). Se a trama parece derivativa, basta conferir como o roteiro de Wright consegue jogar com todos os clichês e torná-los parte de uma produção caprichadíssima e emocionante.

O principal mérito de "Em ritmo de fuga" - cujo título original, "Baby driver", soa muito melhor - é, além do roteiro esperto e de sua união perfeita de elementos simples, a escolha de seu ator principal. Revelado no romântico "A culpa é das estrelas" (2014), o jovem Ansel Elgort está absolutamente perfeito no papel do complexo Baby. Dono de características próprias - sofre de um problema de audição causado por um acidente que vitimou seus pais, mora com um pai adotivo surdo-mudo, é monossilábico quando em ação e costuma gravar as reuniões de "trabalho" para remixar com suas músicas preferidas -, Baby é o herói que todo espectador pediu a Deus. Carismático, competente e cheio de boas intenções (ainda que soterradas por um currículo pouco recomendável), é ele quem conduz a plateia por vibrantes fugas - todas filmadas em Atlanta e quase sem auxílio de CGI - e rege uma sinfonia de velocidade capazes de deixar qualquer um de queixo caído. Envolto em uma embalagem atraente até mesmo para o público mais jovem - e mais atraído por continuações e adaptações de quadrinhos -, "Em ritmo de fuga" é o entretenimento mais que perfeito, e que será, sem dúvida, reconhecido no futuro como uma das pequenas obras-primas de sua geração.

MARGIN CALL - O DIA ANTES DO FIM

MARGIN CALL, O DIA ANTES DO FIM (Margin call, 2011, Before the Door Pictures, 107min) Direção e roteiro: J.C. Chandor. Fotografia: Frank G. DeMarco. Montagem: Pete Beaudreau. Música: Nathan Larson. Figurino: Caroline Duncan. Direção de arte/cenários: John Paino/Robert Covelman. Produção executiva: Joshua Blum, Michael Corso, Kirk D'Amico, Cassian Elwes, Rose Ganguzza, Anthony Gudas, Randy Manis, Laura Rister. Produção: Robert Ogden Barnum, Michael Benaroya, Neal Dodson, Joe Jenckes, Corey Moosa, , Zachary Quinto. Elenco: Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Zachary Quinto, Demi Moore, Simon Baker, Mary McDonnell, Stanley Tucci, Penn Badgley. Estreia: 25/01/11 (Festival de Sundance)

Indicado ao Oscar de Roteiro Original

Pode até parecer chato, mas não é. "Margin Call - O dia antes do fim". escrito e dirigido por J.C. Chandor, apesar de tratar de um assunto relativamente inacessível à maioria do público - finanças, negociatas e afins - consegue surpreendentemente evitar os bocejos que filmes com essa temática normalmente despertam na audiência (vide o aborrecido "Wall Street, o dinheiro nunca dorme", que apesar de Michael Douglas não escapava da chatice). Focalizando sua atenção mais na tensão de uma provável hecatombe monetária do que exatamente em tentar explicar didaticamente suas causas, Chandor marcou um gol de placa logo em seu primeiro filme, levando pra casa os prêmios de melhor diretor estreante tanto pelo National Board of Review quanto pela Associação de Críticos de Nova York, além de uma surpreendente indicação ao Oscar de roteiro original. A boa notícia? Ele mereceu.

"Margin Call" se passa em tensas 24 horas que precedem o que promete ser - segundo as personagens, todas especialistas no assunto - uma das mais graves crises financeiras já vistas pelos EUA (e consequentemente pelo mundo todo). Tudo começa com a demissão em massa de inúmeros funcionários de um milionário banco de investimentos nova-iorquino. Entre os infelizes desempregados está Eric Dale (Stanley Tucci, excepcional), que, na hora de sair do prédio, deixa nas mãos de um de seus assistentes, o jovem Peter Sullivan (Zachary Quinto, um dos produtores do filme) um pen-drive com informações aterradoras sobre os negócios da empresa. Assustado com o que descobre, Peter e seu colega mais próximo Seth Bregman (Penn Badgley) entram em contato com seu superior imediato, Will Emerson (Paul Bettany), que também se choca com o que vê. A partir daí, o pânico passa a fazer parte da equação, principalmente quando entram em jogo figuras de um escalão muito maior da firma, como o experiente Sam Rogers (Kevin Spacey em um dos melhores momentos de sua carreira), a ambiciosa Sarah Robertson (Demi Moore) e o especialista Jared Cohen (Simon Baker). Juntos, todos eles se reunirão com aquele que irá decidir seus destinos, o poderoso John Tuld (Jeremy Irons, também magnífico).


Apesar de muitas vezes deixar o espectador perdido (em especial por não fazer questão de esclarecer a crise de maneira explícita), o ótimo roteiro de Chandor tem a sorte de contar com um dos mais espetaculares elencos reunidos nos últimos anos. É graças aos trabalhos repletos de silêncios reveladores de Spacey, Tucci, Irons e até mesmo Demi Moore que a trama do filme se sustenta. Se as cenas que se referem a dólares e percentuais passam batidos pela vasta maioria da audiência, os diálogos onde a humanidade de suas personagens se revela dá à obra um tom dramático irresistível (mesmo que exagero de espécie alguma passe pela tela). E são particularmente fascinantes as atuações de Kevin Spacey (relembrando a todos o porquê de ser um dos melhores atores americanos de sua geração) e Stanley Tucci (que merecia ter sido lembrado com uma indicação ao Oscar de coadjuvante).

Tendo passado despercebido pelos cinemas brasileiros - em boa parte por seu tema específico demais - "Margin call" é um filme de filigranas. A forma como Chandor equilibra todos os detalhes de seu roteiro sem nunca perder o fio da meda é admirável, especialmente quando se percebe que até mesmo subtramas aparentemente desnecessárias - caso da doença do cachorro do personagem de Spacey - tem razão de ser dentro do imenso quadro geral. Escrever um roteiro assim não é tarefa das mais fáceis. Dirigir um elenco com tantos nomes poderosos idem. Mas Chandor tira de letra o desafio em um filme que, a despeito de seu assunto, pode surpreender até ao menos interessado em finanças.

segunda-feira

QUEBRANDO A BANCA

QUEBRANDO A BANCA (21, 2008, Columbia Pictures/Relativity Media, 123min) Direção: Robert Luketic. Roteiro: Peter Steinfeld, Allan Loeb, livro "Bringing down the house: the inside story of six M.I.T. students who took Vegas for millions", de Ben Mezrich. Fotografia: Russell Carpenter. Montagem: Elliot Graham. Música: David Sardy. Figurino: Luca Mosca. Direção de arte/cenários: Missy Stewart/Tracey A. Doyle. Produção executiva: William S. Beasley, Ryan Kavanaugh, Brett Ratner. Produção: Dana Brunetti, Michael De Luca, Kevin Spacey. Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Laurence Fishburne, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Josh Gad. Estreia: 07/3/08

O mundo do cinema não vive sem uma polêmica, especialmente quando um filme se propõe a retratar uma história baseada em fatos reais: não há obra que consiga escapar incólume aos puristas, que fazem questão de encontrar sempre algum motivo para questionar as escolhas dos produtores e dos diretores. Em alguns casos a gritaria é compreensível - escalar uma atriz chinesa para protagonizar "Memórias de uma gueixa", uma história passada no Japão, por exemplo, foi uma prova inconteste da miopia generalizada sofrida pela indústria de Hollywood, que não deve enxergar diferença entre os países asiáticos quando se trata de seus astros. Essa mesma dificuldade americana em perceber as diferenças culturais alheias acabou por tornar-se alvo de críticas ferozes quando aconteceu a estreia de "Quebrando a banca", baseado em um livro do mesmo Ben Mezrich que veria seu "Bilionários por acaso" - a história do Facebook - ser adaptado por David Fincher no elogiado "A rede social", de 2010: ao transformar os protagonistas (asiáticos) da história verdadeira de um grupo de estudantes, gênios da Matemática que fizeram fortuna nos cassinos de Las Vegas entre 1979 e 1994 em caucasianos (apenas dois sobreviveram com sua origem intocada), o filme de Robert Luketic foi violentamente atacado e criticado pelas mudanças. No fim das contas, porém, a gritaria apenas ajudou na bilheteria: com mais de 80 milhões arrecadados somente nos EUA, "Quebrando a banca" nem se incomodou com o celeuma. Nem deveria.

Mesmo baseado em uma história verídica, o roteiro do filme de Luketic - que assinou também o sucesso "Legalmente loira", que deu o empurrão definitivo na carreira de Reese Witherspoon - toma inúmeras liberdades com o material original, alterando não apenas a origem dos protagonistas mas também o período de tempo em que se passa a história (quinze anos se transformaram em cerca de apenas um) e o número de estudantes que fizeram parte do esquema milionário (cerca de 80 jovens foram substituídos por cinco, uma quantidade bem mais administrável dentro de um roteiro). Licenças poéticas absolutamente compreensíveis e que não atrapalham em nada o  verdadeiro objetivo do filme: entreter a plateia com uma trama que, apesar de ter a Matemática como pano de fundo, jamais se torna hermética ou condescendente. Dirigido com leveza e editado com agilidade e inteligência, "Quebrando a banca" é diversão garantida, amparada por mais uma bela atuação de Kevin Spacey - também creditado como produtor - e pelo talento juvenil de Jim Sturgess, recém-saído do elogiado musical "Across the universe", uma história de amor embalada pelas canções dos Beatles.

Sturgess - inglês, mas falando com impecável sotaque americano - é o protagonista da trama, Ben Campbell, um inteligentíssimo estudante que batalha para juntar o dinheiro necessário para cursar a faculdade de Medicina de Harvard. De origem simples, ele vê a chance de sua vida quando é procurado pelo professor Micky Rosa (Kevin Spacey) com uma proposta irrecusável: fazer parte de um esquema para ganhar milhares de dólares nos cassinos de Las Vegas, junto com um grupo seleto de alunos tão brilhantes quanto ele. A princípio ferido em sua ética, Ben acaba aceitando o convite quando percebe que não há trapaça ou nada ilegal no plano de Rosa, que se utiliza de matemática pura e simples para contar as cartas do blackjack e, assim, quebrar as bancas dos cassinos. Ao lado de Choi (Aaron Yoo), Kianna (Liza Lapira), Fisher (Jacob Pitts) e da bela Jill (Kate Bosworth) - por quem sente uma atração nada discreta - Ben descobre um novo mundo, repleto de luxo, diversão e muito dinheiro. Logo seu plano de abandonar o grupo ao atingir o montante necessário para pagar sua faculdade é alterado - mas o rompimento com Rosa e a perseguição de Cole Williams (Laurence Fishburne), chefe de segurança de um dos cassinos, mudam radicalmente sua trajetória.


Mesmo que por vezes caia no clichê - Ben acaba descobrindo uma valiosa lição de moral no final do filme, quando percebe que afastou-se dos melhores amigos e de sua ética - o roteiro de "Quebrando a banca" tem o mérito de não tentar inventar a roda: é simples e direto, jamais perdendo de vista a razão principal de sua existência: a diversão do público. Mesmo que as técnicas empregadas pelo grupo para contar as cartas não seja exatamente fácil para a maior parte da audiência, elas servem apenas como instrumento para a narrativa - ágil, moderna, fluída - e a forma com que os personagens criam um código próprio para utilizá-las sublinha o tom de entretenimento do filme, que se equilibra entre a leveza de uma aventura juvenil e o peso de um drama de suspense que surge sempre que Laurence Fishburne entra em cena com seu personagem. A matiz sombria da segunda metade do filme, ao contrário do que poderia acontecer, não prejudica sua identidade, lhe proporcionando uma camada a mais que apenas sublinha o talento de seus atores centrais, que tiram de letra os desafios que tal mudança de enfoque lhes oferece.

Se Kevin Spacey não precisa provar nada a ninguém há um bom tempo - não é todo mundo que tem no currículo dois Oscar e ao menos dois personagens antológicos do cinema moderno, como o John Doe, de "Seven, os sete crimes capitais" e o Verbal Kint, de "Os suspeitos" - Jim Sturgess sai-se bastante bem como Ben Campbell, um rapaz dividido entre a moral familiar e os prazeres do dinheiro fácil. Mostrando mais nuances do que em seu trabalho em "Across the universe", o jovem ator consegue a façanha de não ser ofuscado por Spacey e ainda conquista a simpatia da plateia ao evitar tanto o coitadismo exagerado quanto a arrogância exarcebada. Com seu trabalho exemplar, ele consegue até mesmo disfarçar a apatia de Kate Bosworth - que também desfilou sua falta de carisma no papel de Lois Lane no fracassado "Superman, o retorno", onde Spacey viveu Lex Luthor. No papel crucial do interesse romântico do protagonista, Bosworth não ultrapassa as limitações de sua personagem - uma prova viva dos limites de seu talento.

Divertido, inteligente e simpático, "Quebrando a banca" é um entretenimento dos bons. Vale uma espiada sem compromisso.

sexta-feira

K-PAX - O CAMINHO DA LUZ

K-PAX, O CAMINHO DA LUZ (K-Pax, 2001, Intermedia Films/Lawrence Gordon Productions, 120min) Direção: Ian Softley. Roteiro: Charles Leavitt, romance de Gene Brewer. Fotografia: John Mathieson. Montagem: Craig McKay. Música: Edward Shearmur. Figurino: Louise Mingenbach. Direção de arte/cenários: John Beard/Cheryl Carasik. Produção executiva: Susan G. Pollock. Produção: Robert F. Colesberry, Lawrence Gordon, Lloyd Levin. Elenco: Kevin Spacey, Jeff Bridges, Mary McCormack, Alfre Woodard, Celia Weston. Estreia: 22/10/01

Em 1984, Jeff Bridges arrebatou uma indicação ao Oscar de melhor ator por seu desempenho em "Starman, o homem das estrelas", onde interpretava um alienígena que chegava à Terra e confundia cientistas e o coração da jovem Karen Allen. Quase vinte anos depois, Bridges mudou de lado: em "K-Pax, o caminho da luz", ele vive um médico psiquiátrico que se vê diante de um novo desafio na carreira quando um homem encontrado vagando pela estação central de trens de Nova York alega ser um extraterrestre cuja visita ao planeta está chegando ao fim. Dirigido pelo inglês Ian Softley - o mesmo de "Backbeat, os cinco rapazes de Liverpool", que contava os primórdios dos Beatles na Alemanha - o filme baseado no romance Gene Brewer é uma mistura bem equilibrada entre drama e ficção científica que conquista o público tanto pela história intrigante quanto pelo duelo de atuações entre Bridges e Kevin Spacey - mais uma vez brilhante na pele do misterioso Prot.

De posse de um inseparável par de óculos escuros, Prot é encontrado perdido e transferido para o Instituto Psiquiátrico de Manhattan, onde acaba por cair nas mãos do competente Mark Powell (Bridges), um médico dedicado à profissão e à família - ainda que não tenha a melhor das relações com o filho universitário, a quem não vê há algum tempo. Alegando ser um habitante de um planeta chamado K-Pax, Prot é posto à prova por uma equipe de astrofísicos que ficam abismados com seu conhecimento a respeito das inúmeras e complicadas questões levantadas por eles. Tranquilo e sereno, Prot afirma viajar entre os planetas através de raios de luz e que tem data específica para voltar para casa - e, mais preocupante ainda, insiste que pode levar consigo um dos pacientes da clínica, o que acaba por gerar uma crise entre eles, todos querendo abandonar a Terra em direção a um lugar menos sofrido. Sem acreditar nas histórias contadas por Prot, o médico resolve hipnotizá-lo e, a partir daí, inicia uma investigação detalhada para tentar descobrir os motivos que podem ser os responsáveis por seu bizarro comportamento.


Sem pressa de contar sua história e estabelecendo com calma as relações entre seus personagens, Softley conduz o espectador com cuidado pelos corredores do hospital psiquiátrico, pela casa de Powell e pela mente complexa de Prot sem perder-se nos meandros do roteiro inteligente de Charles Leavitt, que privilegia o drama em detrimento das implicações científicas da trama. Mantendo a dúvida sobre a real identidade de Prot até os segundos finais - e mesmo assim dando margem a diferentes interpretações - o roteiro brinda a plateia com diálogos sensíveis, que questionam os conceitos de família, normalidade, felicidade e interrelações sem soar didático ou condescendente. A escalação certeira de Jeff Bridges e Kevin Spacey - dois dos maiores atores americanos de sua geração - ajuda muito em transformar uma premissa que poderia parecer inverossímil em um instigante quebra-cabeças capaz até mesmo de emocionar aos mais sensíveis.

Mesmo sem ser um filme inesquecível - nos EUA passou praticamente em branco nas bilheterias, mal conseguindo pagar seu custo - e sendo muitas vezes ignorado quando se fala nas carreiras de Bridges e Spacey (ambos vencedores do Oscar e respeitadíssimos em todo o planeta), "K-Pax, o caminho da luz" é um trabalho sensível que borra com inteligência as fronteiras entre o drama e a ficção científica sem ofender a nenhum dos gêneros e seduz a audiência sem apelar para efeitos visuais mirabolantes ou violência gratuita. É simples, é honesto e é uma experiência gratificante. Merecia melhor sorte!

quarta-feira

EPIDEMIA

EPIDEMIA (Outbreak, 1994, Warner Bros, 127min) Direção: Wolfgang Petersen. Roteiro: Laurence Dworet, Robert Roy Pool. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: William Hoy, Lynzee Klingman, Stephen Rivkin, Neil Travis. Música: James Newton Howard. Figurino: Erica Edel Phillips. Direção de arte/cenários: William Sandell/Rosemary Brandenburg. Produção executiva: Duncan Henderson, Anne Kopelson. Produção: Gail Katz, Arnold Kopelson, Wolfgang Petersen. Elenco: Dustin Hoffman, Rene Russo, Morgan Freeman, Kevin Spacey, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland, Patrick Dempsey. Estreia: 06/3/95

Um filme sobre um ameaçador vírus capaz de matar em poucas horas - e que está perigosamente se espalhando pelos EUA - dirigido por Ridley Scott, estrelado por Robert Redford e Jodie Foster e chamado "Hot zone" estava em preparação na Fox quando a notícia de que uma produção similar estava em andamento na Warner. O fato de dois filmes semelhantes estarem em desenvolvimento nem é tão raro em uma terra de poucas ideias realmente originais quanto Hollywood, mas tornou-se uma batalha aberta, com os dois estúdios ansiosos pela primazia nas bilheterias. Porém, ao contrário do que acontece na maioria das vezes (quando mais de um filme sobre o mesmo assunto realmente chega a estrear e disputar público), "Epidemia", a produção da Warner, dirigida por Wolfgang Petersen e estrelada por Dustin Hoffman e René Russo acabou por abortar o trabalho de Scott, Redford e companhia e chegar sozinho às telas. Embalado pela epidemia do vírus Ebola na África poucos meses antes - um marketing macabro mas bastante eficiente - o filme se deu bem nas bilheterias, rendendo quase 200 milhões de dólares mundo afora.

Ficando com o papel que seria de Harrison Ford em uma primeira versão do roteiro, Dustin Hoffman faz sua estreia em um filme de ação na pele de Sam Daniels, um coronel do exército norte-americano encarregado de investigar o surgimento de uma epidemia de febre hemorrágica oriunda da África. Como responsável pelo USAMRIID (Instituto de Pesquisa Médica para Doenças Infecciosas dos EUA), ele alerta as autoridades sobre o possível alcance da doença em território americano, mas vê seus conselhos ignorados por seu superior, o General Billy Ford (Morgan Freeman), que afasta a possibilidade de uma epidemia em seu país. O que Daniels não sabe é que o mesmo Ford, em conluio com outro general, Donald McClintock (Donald Sutherland) já sabia da existência de um vírus semelhante, surgido no Zaire em 1967 - e que ambos juraram ter extinguido depois da ordem de explodir a aldeia que apresentava a doença, em uma ação secreta do governo. Vinte e cinco anos depois, porém, o vírus está de volta, transmutado, mais potente e ameaçando o país, onde chegou através de um pequeno macaco contrabandeado. Quando uma pequena cidade torna-se o centro da epidemia, cabe a Daniels impedir que a mesma decisão seja tomada: com a ajuda do jovem Major Salt (Cuba Gooding Jr.) e da ex-mulher Robby (René Russo) - cientista por quem ainda é apaixonado - ele tem que localizar o hospedeiro, encontrar uma cura e salvar a vida de centenas de pessoas.


Dividindo seu foco entre as pesquisas científicas, a busca pelas causas da epidemia, as conspirações governamentais de gabinete e as trágicas consequências da epidemia, o filme de Wolfgang Petersen surpreendentemente não se torna uma obra sem personalidade. O roteiro equilibrado permite à plateia que se envolva com cada uma das histórias contadas, que, unidas, formam um conjunto coeso e bastante interessante, especialmente porque escapa do sensacionalismo quase inevitável do tema. Petersen evita inclusive imagens muito gráficas, preferindo a sugestão ao invés do óbvio: claro que há cenas que mostram as vítimas agonizando e com o corpo perdendo sangue profusamente, mas até mesmo nesses momentos há uma elegância e uma discrição que o afasta dos slasher movies sanguinolentos. Não interessa ao diretor apavorar o público com imagens cruéis e sim prendê-lo na poltrona com uma história de tensão e ação com inteligência acima da média. E isso ele consegue sem fazer muita força.

A maior qualidade de "Epidemia", no entanto, vem do fato de ele conseguir ser um filme de puro entretenimento a respeito de um assunto sério e assustador. Sem a intenção de ser didático, ele é apenas um filme de ação, realizado com toda a competência de que um cineasta como Petersen é capaz. Além do mais, apresenta um elenco de competência indiscutível - além de Hoffman, Morgan Freeman e Donald Sutherland, há ainda um Kevin Spacey pré-consagração - e um senso de ritmo dos mais felizes. O terço final, quando Daniels está em vias de encontrar o macaco hospedeiro e o governo já está mandando aviões acabarem com a pequena cidade onde a epidemia está se descontrolando, é um primor de suspense, enfatizado pela trilha sonora de James Newton Howard e pela edição soberba, capaz de deixar qualquer espectador com a respiração suspensa. E, além de tudo, não é sempre que o público tem a chance de testemunhar um dos maiores atores do cinema - Dustin Hoffman - brincar de herói de filme de ação. Um diferencial a mais em um filme que cumpre o que promete.

O ÁRBITRO

O ÁRBITRO (The ref, 1994, Touchstone Pictures, 93min) Direção: Ted Demme. Roteiro: Richard LaGravenese, Marie Weiss, estória de Marie Weiss. Fotografia: Adam Kimmel. Montagem: Jeffrey Wolf. Música: David A. Stewart. Figurino: Juddiana Makovsky. Direção de arte/cenários: Dan Davis/Jaro Dick. Produção executiva: Jerry Bruckheimer, Don Simpson. Produção: Ronald M. Bozman, Richard LaGravenese, Jeff Weiss. Elenco: Denis Leary, Judy Davis, Kevin Spacey, Robert J. Steinmiller Jr., Glynis Johns, Christine Baranski, Raymond J. Barry, J.K. Simmons, BD Wong. Estreia: 09/3/94

Aclamado como um dos maiores atores de sua geração depois de seu segundo Oscar - e primeiro na categoria principal - por sua atuação em "Beleza americana" (99), Kevin Spacey tem, em seu currículo prévio, alguns filmes pouco vistos pelo público e que, no entanto, já demonstravam sua enorme capacidade de interpretar homens comuns em circunstâncias corriqueiras. Aliás, um de seus últimos filmes antes da explosão que seguiu-se a "Seven, os sete crimes capitais" e "Os suspeitos" - ambos de 1995 - pode ser considerado um ensaio para o elogiado drama de Sam Mendes que lhe rendeu a estatueta da Academia em 2000: na comédia de humor negro "O árbitro", lançada em 1993 e pouco vista pelo público em geral, ele vive com sua naturalidade característica, uma das partes de um casal em crise que se vê obrigado a enfrentar seus problemas conjugais quando é capturado como refém de um assaltante em fuga.

Dirigido por Ted Demme - sobrinho de Jonathan que morreu de overdose em 2002, pouco depois de ter dirigido "Profissão de risco", um filme sobre o tráfico de drogas estrelado por Johnny Depp e Penelope Cruz - "O árbitro" é uma comédia natalina atípica, que brinca com os elementos do gênero - como "A felicidade não se compra" (46), de Frank Capra, o filme-símbolo do período - enquanto devassa o american way of life de maneira menos cáustica e trágica de "Beleza americana", mas ainda assim com uma dose generosa de humor ácido e ironia. Se na obra-prima de Sam Mendes a hipocrisia e o adultério levavam ao crime e ao cinismo melancólico, no filme de Demme a coisa é bem menos séria, até porque leva o selo da Touchstone Pictures, braço da Disney para filmes direcionados ao público adulto - o que já sinaliza tratar-se de um produto para a família, ou seja, sem excesso de nenhuma espécie. Ainda assim - e apesar de um roteiro irregular - tudo funciona a contento, desde que não se exija muito.


Duas situações distintas - que convergem para uma terceira - abrem o filme: em uma o casal Caroline e Lloyd Chasseur (a ótima Judy Davis e Spacey) discutem seu falido relacionamento, prejudicado por uma pulada de cerca dela, com um terapeuta de casais. Em outra, o ladrão de joias Gus (Denis Leary) é surpreendido pelo alarme de uma residência que estava invadindo e foge antes de conseguir entrar em contato com seu cúmplice. Sem ter para onde escapar antes do previsto, o gatuno entra no carro do magoado casal e os leva como reféns para sua sofisticada casa - que espera convidados para a ceia de Natal. O que ele jamais poderia esperar é que, diante de tanto desprezo recíproco mantido pelos discretos Chasseur, ele fosse acabar se tornando uma espécie de juiz de suas discussões - que vão desde o adultério de Caroline até a dificuldade de Lloyd em se impor diante de sua mãe (Glynis Johns) autoritária e espaçosa. Quando o restante da família chega para o jantar - e isso inclui a mãe, o irmão, a cunhada e os sobrinhos de Lloyd - o circo fica ainda maior, com acusações sendo jogadas de um lado para outro na mesa natalina. E para piorar, o filho do casal, o adolescente Jesse (Robert J. Steinmiller Jr.), está sendo procurado pela polícia por viver de chantagem - e pode ser desmascarado na mesma noite.

Mesmo que muitas vezes perca o foco em sua narrativa - com desnecessários minutos dedicados aos policiais que estão caçando Gus - e demore para realmente engrenar, o que só acontece quando a ceia de Natal mostra a que veio na dinâmica familiar dos Chasseur, "O árbitro" funciona como uma comédia despretensiosa e de inteligência acima da média. Com um texto afiado e uma segura direção de atores, ele ainda tem o privilégio enorme de contar com dois grandes protagonistas, capazes de tirar leite de pedra se necessário. Judy Davis não é uma das atrizes preferidas de Woody Allen à toa - consegue como poucas equilibrar neurose e sentimento. E Kevin Spacey, às vésperas de sua consagração como o psicopata John Doe de "Seven", deita e rola com um personagem repleto de cinismo e ironia, uma de suas maiores especialidades. Diversão leve e sem contra-indicações, mas nada muito além disso.

terça-feira

MEU PAI, UMA LIÇÃO DE VIDA

MEU PAI, UMA LIÇÃO DE VIDA (Dad, 1989, Amblin Entertainment, 117min) Direção: Gary David Goldberg. Roteiro: Gary David Goldberg, romance de William Wharton. Fotografia: Jan Kiesser. Montagem: Eric A. Sears. Música: Howard Shore. Figurino: Molly Maginnis. Direção de arte/cenários: Jackson De Govia/Thomas L. Roysden. Produção executiva: Steven Spielberg, Kathleen Kennedy, Frank Marshall. Produção: Gary David Golberg, Joseph Stern. Elenco: Jack Lemmon, Ted Danson, Olympia Dukakis, Ethan Hawke, Kathy Baker, Kevin Spacey, J.T. Walsh. Estreia: 10/11/89

Indicado ao Oscar de Maquiagem

A maior expectativa em torno de "Meu pai, uma lição de vida" era uma indicação ao Oscar de melhor ator para Jack Lemmon, um dos grandes astros dos anos 50 e 60 e que, sob o comando de Billy Wilder, já havia legado ao cinema americano obras-primas como "Quanto mais quente melhor" (59) e "Se meu apartamento falasse" (60) - além de ter ganho duas estatuetas, por "Mr. Roberts" (55) e "Sonhos do passado" (73). Quando a lista de indicações saiu, porém, apenas o trabalho de maquiagem do filme foi lembrado pela Academia. Injustiça? Talvez, uma vez que a interpretação de Lemmon é, mais uma vez, sensacional. Mas o fato de a obra de Gary David Goldberg parecer mais um produto televisivo de "doença da semana" do que um produto cinematográfico de qualidade provavelmente pesou na hora h e o veterano ator - assim como sua colega de cena Olympia Dukakis, também soberba - acabou sendo deixado de lado. Porém, mesmo com o fracasso de seu principal objetivo, "Meu pai" merece ser assistido, nem que seja para comprovar o talento acima da média de seu protagonista - se é que ainda possa existir alguma dúvida quanto a isso.

Baseado em romance de William Wharton, "Meu pai, uma lição de vida" busca a emoção do público ao retratar o relacionamento entre pai e filho que são obrigados a conviver novamente depois que a velhice chega inexoravelmente à sua família. Tudo começa quando a ativa Bette Tremont (Olympia Dukakis) sofre uma parada cardíaca em pleno supermercado, o que a leva imediatamente ao hospital. O fato muda a rotina de sua família, uma vez que é ela, sozinha, quem cuida do dia-a-dia do marido, Jake (Jack Lemmon), de saúde frágil e dependente da atenção da esposa. Enquanto Bette permanece internada, é seu filho mais velho, John (Ted Danson) quem passa a pajear o pai, com quem mantém uma relação de certa distância emocional. Durante esse período, porém, surge entre eles uma inesperada amizade e o próprio Jake passa a tomar um pouco as rédeas de seus dias. Quando Bette retorna ao lar, no entanto, é seu marido quem sofre um derrame e entra em coma - do qual ressurge ainda mais ativo e saudável. Essa nova fase surpreende a todos (não exatamente de forma positiva, já que Bette é obrigada a lidar com uma desconhecida face do marido) e faz com que John perceba que está perdendo a juventude do próprio filho, o adolescente Billy (Ethan Hawke).


Experiente em programas de televisão - como "Caras e caretas" e "Spin City", dos quais foi roteirista e de onde tirou a facilidade em impor ritmo a suas narrativas - o diretor Gary David Golberg tropeça justamente no ponto que deveria, em tese, ser seu maior trunfo, e oferece ao espectador um roteiro sem um foco específico, que muda de direção a cada novo lance dramático (e eles são em número suficiente para que tudo soe como exagero). A relação entre John e seu pai - a princípio o ponto principal da trama - é frequentemente interrompida com novas tragédias, o que dá a impressão de tratar-se de um compêndio médico sobre as mazelas da velhice. Tal opção - que é também culpa do romance original - esvazia bastante a premissa inicial, resumindo o filme a um dramalhão familiar fácil e sentimentaloide, valorizado basicamente por seu elenco, que faz o possível para manter o interesse por uma história que a cada cena vai ficando mais e mais previsível - e até Kevin Spacey entra no jogo, em um de seus primeiros papéis de relativa importância, como o genro de Lemmon e Dukakis.

Então quer dizer que no final das contas "Meu pai, uma lição de vida" é uma bomba? Não, não é pra tanto. Nenhum filme que conte com Jack Lemmon e Olympia Dukakis em papéis importantes pode ser considerado ruim, uma vez que eles são atores superlativos, capazes de engrandecer qualquer texto. Mas Gary David Goldberg perdeu a oportunidade de criar um grande filme justamente por não conseguir impor limites ao dramalhão desbragado que toma conta dela a partir da metade da narrativa - que ainda por cima apresenta uma nova e desnecessária doença ao protagonista, que desvia mais uma vez o rumo da história, a tornando mais longa do que o recomendável. Com alguns defeitos que enfraquecem suas qualidades, é uma obra irregular, mas palco de mais um show de Jack Lemmon, um dos maiores atores de todos os tempos.

domingo

A DIFÍCIL ARTE DE AMAR

A DIFÍCIL ARTE DE AMAR (Heartburn, 1986, Paramount Pictures, 108min) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Nora Ephron, livro de Nora Ephron. Fotografia: Nestor Almendros. Montagem: Sam O'Steen. Música: Carly Simon. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Tony Walton/Susan Bode. Produção: Robert Greenhut, Mike Nichols. Elenco: Jack Nicholson, Meryl Streep, Jeff Daniels, Maureen Stapleton, Stockard Channing, Richard Masur, Catherine O'Hara, Kevin Spacey, Joanna Gleason, Mercedes Ruehl. Estreia: 25/7/86

Segundo trabalho de Meryl Streep sob o comando de Mike Nichols e um roteiro de Nora Ephron - o primeiro foi "Silkwood, o retrato de uma coragem" (83), que lhe deu uma indicação ao Oscar - "A difícil arte de amar" é a adaptação de um livro da própria Ephron, que pôs no papel, em forma de ficção, a real história de seu casamento com o jornalista Carl Bernstein, o mesmo que, junto com Bob Woodward, expôs o escândalo Watergate e obrigou a renúncia do presidente Richard Nixon (e foi vivido por Dustin Hoffman no filme "Todos os homens do presidente" (86)). Mais conhecido pela bela canção-tema de Carly Simon, "Coming around again", o filme de Nichols é uma amarga e cínica análise de um relacionamento pouco saudável, que aposta no texto ácido de Ephron e no talento de Streep e Jack Nicholson para transformar o que poderia facilmente se tornar uma longa diatribe contra a instituição do casamento em um drama realista, ainda que com a mordacidade típica da roteirista e a elegância de sempre da direção de Nichols.

Quando o filme começa, a escritora nova-iorquina Rachel Samstat (Meryl Streep) e o jornalista Mark Formn (Jack Nicholson, substituindo Mandy Patinkin depois de dois dias de filmagens) se conhecem no casamento de um amigo em comum. Mesmo já tendo passado por relacionamentos não muito felizes, ambos acabam se apaixonando e, depois de deixar as reservas a respeito do assunto de lado, resolvem também subir ao altar. Como todo casal apaixonado, eles compram uma casa - que mais os estressa do que os deixa felizes, graças à sua interminável reforma - e tentam administrar a relação, já que ele continua trabalhando, mas ela abandonou o emprego para mudar-se com ele para Washington. A familia não demora a aumentar, mas nem mesmo a filha pequena impede Mark de embarcar em um caso extraconjugal que ameaça jogar tudo por terra. Traída, Rachel acaba por perdoar o marido, mas a confiança abalada mostra-se cada vez mais ameaçadora à tranquilidade do casal, especialmente com uma segunda gravidez na jogada.


Não é de surpreender que o roteiro de Ephron, assim como o livro que lhe deu origem, ponha a maior parcela de culpa no fracasso do casamento entre Rachel e Mark no jornalista, uma vez que a trama é contada quase do ponto de vista da personagem de Streep (que, mais uma vez, está soberba), mas é preciso admirar a forma como Nichols tenta fugir da tentação de apontar qualquer dedo, mostrando que em qualquer relação existe dois lados a considerar. Ter Jack Nicholson como a segunda metade do casal não atrapalha em nada, apesar do eterno ar cínico do ator complicar quando seu personagem tenta convencer Rachel - e por contrapartida a audiência inteira - de seu arrependimento. Mark Forman não é um papel simpático, e Nicholson faz o que pode para que a alta dose de maniqueísmo imposta pelo roteiro não prejudique sua comunicação com o público - não foi à toa que Dustin Hoffman recusou o papel, talvez também para não reviver com Meryl Streep um casamento fracasso como o que viveram em "Kramer x Kramer" (79). Segundo o roteiro, não existe algoz mais fatal para uma relação do que o adultério, mesmo que o tédio, a frutração profissional e a falta de tesão também estejam na equação, e esse quase simplismo acaba sendo o calcanhar de Aquiles do filme.

Com o talento de Ephron em tirar humor das mais trágicas e sérias situações - talento esse que ficaria patente com o sucesso de suas comédias românticas "Sintonia de amor" (93) e "Mensagem pra você" (98) - seria de esperar que "A difícil arte de amar" fosse um tanto menos pessimista. No entanto, como forma de catarse, é inegável que a radiografia da relação estragada entre Rachel e Mark funciona às mil maravilhas. Com diálogos escritos com extrema fluência - característica de Ephron - e interpretados por um elenco de sonhos que inclui ainda Jeff Daniels, Stockard Channing, o cineasta Milos Forman e um estreante Kevin Spacey em uma ponta impagável, o roteiro tem ritmo, consistência e um senso de verdade que somente uma história real que não apela para o sentimentalismo de doenças terminais consegue, o filme de Mike Nichols ainda por cima tem a luxuosa participação da trilha sonora charmosa de Carly Simon, que comenta a história com sua voz inconfundível e delicia o espectador. É ela um dos principais motivos para se assistir ao filme - se é que preciso motivos além de Meryl Streep e Jack Nicholson.

sexta-feira

QUERO MATAR MEU CHEFE

QUERO MATAR MEU CHEFE (Horrible bosses, 2011, New Line Cinema, 98min) Direção: Seth Gordon. Roteiro: Michael Markowitz, John Francis Daley, Jonathan Goldstein, estória de Michael Markowitz. Fotografia: David Hennings. Montagem: Peter Teschner. Música: Christopher Lennertz. Figurino: Carol Ramsey. Direção de arte/cenários: Sheperd Frankel/Jan Pascale. Produção executiva: Richard Brener, Samuel J. Brown, Michael Disco, Toby Emmerich, Diana Pokorny. Produção: Brett Ratner, Jay Stern. Elenco: Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell, Jamie Foxx, Donald Sutherland, Julie Bowen. Estreia: 08/7/11


A primeira lembrança que vem à mente é a comédia semi-clássica “Como eliminar seu chefe”, a pérola kitsch estrelada por Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton na já longínqua década de 80. Porém, apesar do título nacional e da temática semelhante, não há como comparar a quase inocência do filme de Fonda com a coragem desbragada de “Quero matar meu chefe”, lançado pelo cineasta Seth Gordon no rastro do imenso sucesso das chamadas “comédias adultas” que encheram os cofres dos estúdios a partir de “Se beber, não case” e “Missão madrinha de casamento”. Grandes êxitos comerciais e até, condescendentemente, de crítica – o primeiro levou um Golden Globe e o segundo chegou a concorrer a dois Oscar – os filmes que deram suporte a atores como Bradley Cooper e Melissa McCarthy foram os sinalizadores de um tipo de humor que parecia ter ficado no passado, em detrimento de filmes menos agressivos à suscetibilidade de um público cada vez mais conservador – paradoxalmente, enquanto as comédias encaretavam cada vez mais, as produções com doses cavalares de violência extrema tornavam-se progressivamente mais virulentas. Aproveitando o que parecia ser uma certa permissividade em relação ao que poderia ou não soar engraçado aos olhos e ouvidos de uma plateia média, “Quero matar meu chefe” acertou em cheio, misturando em doses exatas piadas no limiar do mau-gosto, humor físico e uma ironia fina – cortesias de um roteiro equilibrado, um ritmo admirável e, a cereja do bolo, um elenco coadjuvante de primeira linha. Não é de surpreender que tenha deixado os executivos da Warner com um sorriso de orelha a orelha – a ponto de uma continuação muito inferior ter surgido dois anos depois.
Enquanto no filme de 1981, as moçoilas vividas por Fonda, Tomlin e Parton eram secretárias que, cansadas das humilhações diárias impostas por seu patrão imaginavam maneiras de eliminá-lo dentro de um humor ingênuo e apropriado à fama de suas atrizes centrais, em “Quero matar meu chefe” a sutileza dá lugar ao escracho puro e simples, em uma sucessão de tiradas hilariantes que não poupam nada nem ninguém – e dá-lhe citações a filmes famosos (“Pacto sinistro”, de Hitchcock, à frente), personagens de quadrinhos (“Demita o Professor Xavier!”, dispara o cruel Colin Farrell, referindo-se a um funcionário cadeirante) e diálogos sem meias-palavras travadas entre a até então pudica Jennifer Aniston e seu assistente tímido e apavorado com o assédio. Tendo como um dos produtores o também cineasta Brett Ratner – de “X-Men: o confronto final”, entre outros – o filme de Gordon faz rir tanto aqueles que preferem um humor verbal menos óbvio quanto aqueles que buscam na comédia uma forma de desligar o cérebro para rir das próprias desgraças. Em outras palavras, é um filme sem contra-indicações.



Nick (Jason Bateman, com ótimo timing cômico) vive para o trabalho, tendo abdicado de toda e qualquer outra atividade há oito anos, com o claro objetivo de ser promovido e melhorar a qualidade de vida. Seus planos vão por água abaixo, porém, quando seu chefe, Harken (Kevin Spacey), resolve dar o cargo de vice-presidente de vendas a ele mesmo – acumulando assim duas funções e dois salários, não sem antes humilhar o funcionário e chantageá-lo com a ameaça de destruir seus futuros planos profissionais. Kurt (Jason Sudeikis) é um mulherengo contumaz que adora o trabalho em uma indústria química e o patrão (Donald Sutherland), mas quando este morre e deixa como herdeiro seu único filho, o agressivo, viciado em cocaína e egoísta Pellit (Colin Farrell), sua rotina vira de cabeça pra baixo – o novo diretor da empresa não hesita em contratar serviços mais baratos nem que tenha que sacrificar trabalhadores escravos, e deseja cortar as gorduras nos gastos da companhia (“Demita os gordos!”, declara sem pena). E Dale (Charlie Day, irresistível) é um rapaz romântico que acaba de ficar noivo e que sofre com o violento assédio sexual que sofre da patroa, a ninfomaníaca (Jennifer Aniston), que não hesita em deixar bem claro que, caso eles não transem antes do casamento, a cerimônia pode nem mesmo acontecer. Dale, coitado, nem mudar de emprego consegue: fichado na polícia como criminoso sexual por ter urinado em um parque infantil à noite (com o local deserto!!), ele é incapaz de arrumar uma posição melhor do que assistente de dentista.
Sofrendo com suas vidas profissionais, os três amigos resolvem, então – depois de chegarem à conclusão de que buscar um novo posicionamento no mercado é algo pouco encorajador em sua idade – tomar uma atitude drástica: assassinar seus patrões. A idéia, surgida no meio de uma bebedeira, toma ares de um plano real quando eles procuram um “assessor para assassinatos”, o misterioso Motherfucker Jones (Jamie Foxx), que lhes dá as diretrizes básicas do projeto: cada um irá matar o chefe do outro, para afastar suspeitas. E é aí que começa a bagunça: as particularidades de cada uma das possíveis vítimas vão sendo arquivadas mentalmente pelo trio de homicidas novatos e, como se poderia esperar de uma comédia, nada sai conforme o planejado e sequências divertidíssimas acompanham a aventura dos pobres assalariados: desde a invasão da casa de Pellit – quando eles encontram uma decoração absurdamente cafona e uma quantidade bizarra de cocaína – até o encontro acidental entre Dale e Harken na frente de sua mansão, que culmina com um bizarro caso de ressuscitação médica, Seth Gordon entrega ao público uma sucessão de situações bem amarradas e sinceramente engraçadas, capaz de fazer rir até o mais cínico espectador – e nem mesmo o final pouco criativo consegue diminuir a qualidade do filme.
Mas, como não poderia deixar de ser, um roteiro inspirado não seria o bastante se o elenco não correspondesse a ele. Se o trio de protagonistas demonstra uma química admirável – Charlie Day, da série “It’s Always sunny in Philadelphia” rouba todas as cenas em que aparece – o mesmo pode ser dito dos coadjuvantes, um grupo de atores consagrados que demonstra uma bem-vinda e corajosa dose de autogozação. Jennifer Aniston deixa de lado as mocinhas sofridas de suas comédias românticas e constrói uma Diana quase cruel em sua obsessão de traçar o empregado quase pueril – Aniston não tem medo de recitar diálogos cabeludos ou de fazer cenas francamente a um passo do vulgar (como aquela em que tenta seduzir Kurt apenas comendo alimentos de formato fálico). Colin Farrell abandona o porte de galã e ator sério ao encarar com deboche consumado o egocêntrico Pellit, construído visualmente de forma a deixar o ator irlandês a milímetros do grotesco – uma careca disfarçada por fios penteados para o lado, olhos arregalados de paranoia, um barrigão proeminente. E Kevin Spacey faz de seu Harken um canalha impenitente que somente ele é capaz de fazer sem o menor esforço: Spacey, um dos melhores atores americanos de sua geração, faz do personagem uma espécie de primo do executivo de cinema que ele interpretou em “O preço da ambição” (1994) e um ensaio para o venal protagonista de série “House of cards”. Não bastasse esse trio de ouro, Donald Sutherland, Jamie Foxx e Ioan Gruffud – da primeira versão de “Quarteto fantástico”, em participação especial como o primeiro profissional contratado pelos protagonistas e que se revela outro tipo de trabalhador – completam o elenco de uma comédia que tem a mais importante característica de um exemplar do gênero: não tem medo de ser engraçada.
Em uma época em que as comédias se dividem entre a fina ironia dos filmes de Woody Allen e a franca grosseria de coisas como “As bem-armadas”, “Quero matar meu chefe” se situa em um inteligente meio-termo: não ofende a inteligência do espectador nem tampouco exige dele uma série de elocubrações e referências intelectuais. É diversão pura e simples, valorizada por um elenco acima de qualquer crítica e uma direção com senso de ritmo. Uma das melhores comédias de sua temporada.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...