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sexta-feira

ETERNO AMOR

ETERNO AMOR (Un long dimanche de fiançailles, Warner Bros, 133min) Direção: Jean-Pierre Jeunet. Roteiro: Jean-Pierre Jeunet, Guillaume Laurant, romance de Sebastién Japrisot. Fotografia: Bruno Delbonnel. Montagem: Hervé Schneid. Música: Angelo Badalamenti. Figurino: Madeline Fontaine. Direção de arte/cenários: Aline Bonetto/Véronique Melery. Produção executiva: Bill Gerber, Jean-Louis Monthieux. Produção: Jean-Pierre Jeunet. Elenco: Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Marion Cottilard, Jodie Foster, Tcheky Karyo, Denis Levant, Dominique Pinon. Estreia: 27/10/04

2 indicações ao Oscar: Fotografia, Direção de arte/cenários

Depois do empolgante - e merecidíssimo - sucesso financeiro e de crítica de "O fabuloso destino de Amélie Poulain", o time reuniu-se novamente: o diretor Jean-Pierre Jeunet, o roteirista Guillaume Laurant, a estrela Audrey Tautou e a equipe técnica da inesquecível comédia romântica realizada em 2001 são os responsáveis por "Eterno amor", em que o visual acachapante, o roteiro repleto de camadas e o senso de humor sutil mas eficaz voltam a marcar presença. No entanto, dessa vez o público não abraçou com tanto entusiasmo essa nova empreitada do grupo. Injustamente, sem dúvida, mas plenamente compreensível: se em "Amelie" o clima era de constante alto-astral e bom humor, com um final feliz apontando em cada minuto de celulóide, a adaptação do livro de Sebastien Japrisot aposta em uma melancolia e uma tristeza palpáveis, misturadas com uma violência que, ainda que belissimamente fotografada, ainda é violência. E a plateia, que delirou com as aventuras românticas de Amelie Poulain não se encantou tanto assim com a nova personagem de Tautou, a esperançosa Mathilde.

"Eterno amor" começa depois da I Guerra Mundial. Há anos separada do seu grande amor - o jovem Manech (Gaspard Ulliel, que depois faria o protagonista de "Hannibal"), dado como morto em uma batalha - a romântica Mathilde não deixa de ter esperanças de que ele na verdade ainda está vivo. Utilizando todo o dinheiro que possui graças à herança deixada por seus pais, ela contrata detetives, põe a própria mão na massa e vai à luta em sua busca quase obsessiva. Devido a suas investigações, ela toma contato com diversas histórias quase insanas do conflito mundial, que envolvem desde prostitutas vingativas (a excelente Marion Cottilard antes da fama) até militares egoístas e um trágico triângulo amoroso (cujo vértice é uma surpreendente Jodie Foster falando um fluente francês).



Ficar indiferente a "Eterno amor" é missão quase impossível. A espetacular fotografia de Bruno Delbonnell faz de cada quadro uma obra de arte de tirar o fôlego e a reconstituição de época é um trabalho impecável. O roteiro, que utiliza elementos quase idênticos aos de "Amelie" - a saber: a visualização de todos os detalhes citados pelos diálogos - nunca deixa de ser extremamente interessante, ainda que por vezes chegue a ser confuso, devido ao número quase excessivo de personagens importantes à narrativa. Aliás, são esses coadjuvantes que acabam roubando a cena: em seu caminho em direção à verdade sobre o destino de Manech, Mathilde cruza com pessoas bem mais interessantes do que ela, que vivem histórias mais comoventes, irônicas ou trágicas. Essa importância dada às personagens secundárias - vividas por um elenco extraordinário com seus rostos expressivos - empalidece a protagonista, que não tem o mesmo carisma de Amélie, ainda que tenha motivações bem mais nobres.


O fato é que "Eterno amor" é um filme que cresce a cada revisão, tamanho é o número de informações impressas pelo diretor Jean-Pierre Jeunet em cada cena. Capaz de emocionar e encantar um público mais adulto e sofisticado do que seu antecessor, o novo trabalho da equipe de "Amelie" mantém o mesmo nível de qualidade, acrescentando-lhe profundidade e uma bem-vinda dose de beleza e tristeza.

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (Le fabuleux destin d'Amelie Poulain, França, 2001, 122min) Direção: Jean-Pierre Jeunet. Roteiro: Jean-Pierre Jeunet, Guillaume Laurant. Fotografia: Bruno Delbonnel. Montagem: Hervé Schneid. Música: Yann Tiersen. Figurino: Madeline Fontaine, Emma Lebail. Direção de arte/cenários: Aline Bonetto/Marie-Laure Valla. Produção executiva: Claudie Ossard. Produção: Jean-Marc Deschamps, Claudie Ossard. Elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Jamel Debbouze, Dominique Pinon, Yolande Moreau. Estreia: 25/4/01

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte/Cenários, Som

O mundo seria um lugar muito melhor se fosse como é retratado em "O fabuloso destino de Amélie Poulain", um dos mais felizes produtos cinematográficos jamais concebidos em seus mais de cem anos de história. Feliz em sua essência, em sua realização e em seu resultado final, o filme de Jean-Pierre Jeunet (em seu primeiro trabalho após sua experiência hollywoodiana com "Alien: a ressurreição") é uma obra-prima em todos os sentidos, um verdadeiro e sólido argumento a favor da paixão que o cinema desperta em milhares de fãs. Exagero? Não é o que acham os mais de 15 milhões de espectadores que correram aos cinemas para assistí-lo e transformá-lo no maior sucesso de bilheteria da história do cinema francês, além de um dos mais influentes produtos cinematográficos de todos os tempos.

Tendo como cenário uma Paris estilizada e esplendidamente fotografada por Bruno Delbonnel (cuja predominância das cores verde, amarelo e vermelho tem como inspiração o trabalho do artista plástico catarinense Juarez Machado), Jeunet conta a história da jovem garçonete Amélie Poulain (vivida com graça e carisma pela ótima Audrey Tautou), que descobre o prazer de ajudar as pessoas a ser felizes ao localizar, por acidente, uma caixa de relíquias infantis perdida em seu apartamento por um antigo morador que vive afastado da família. Incentivada pela mudança positiva que provoca no desconhecido ao devolver-lhe o antigo brinquedo, ela passa a vingar oprimidos, unir solitários, levar a vida exterior a um vizinho doente e até mesmo a resgatar o amor-próprio de uma viúva infeliz. A única pessoa a quem ela não consegue ajudar é ela mesma: tímida e introvertida, ela não tem coragem de declarar-se ao excêntrico Nino Quincampoix (o cineasta Matthieu Kassovitz), mesmo sabendo que ele é o amor de sua vida.



Apontar um único defeito no filme de Jean-Pierre Jeunet é tarefa das mais difíceis que se pode imaginar. Tecnicamente perfeito, com uma trilha sonora deliciosa de Yann Tiersen, com um elenco de atores com rostos marcantes (uma das mais fortes características do diretor, que lembra o cuidado de um Fellini) vivendo personagens interessantes e verossímeis apesar de suas excentricidades e com um roteiro impecável, equilibrado entre o romance idílico e uma auto-ironia irresistível, "O fabuloso destino de Amélie Poulain" ainda consegue o feito raro de conquistar a audiência sem jamais tocar em assuntos polêmicos, ignorar qualquer tipo de violência física e contar uma história de amor sem cair nas armadilhas das comédias românticas americanas - além, é claro, de nunca apelar para o erotismo. Não foi à toa que até mesmo a Academia de Hollywood, normalmente avessa a produções que saem de seus domínios, lhe deu cinco indicações ao Oscar (ainda que, na hora H tenha escolhido o politizado "Terra de ninguém" como vencedor). E se o papel principal foi escrito especialmente para Emily Watson (que pulou fora do projeto na última hora), não há público que consiga imaginar outra Amélie Poulain que não Audrey Tautou.

Dona de um rosto impressionante e de um carisma inegável, Tautou tornou-se a imagem perfeita do filme, uma das mais emblemáticas faces do cinema do início do século XXI. Seus olhos levemente arregalados, assim como seu sorriso meigo enfeitam um dos filmes mais alto-astral que se pode ter notícia. Uma obra-prima capaz de derrubar qualquer mau-humor. Seu único problema? Fazer com que, em comparação com o mundo colorido e onírico mostrado por Jeunet, o mundo real soe tão cinzento...

ALIEN: A RESSURREIÇÃO

ALIEN: A RESSURREIÇÃO (Alien: resurrection, 1997, 20th Century Fox, 109min) Direção: Jean-Pierre Jeunet. Roteiro: Joss Whedon, personagens criadas por Dan O'Bannon, Ronald Shusett. Fotografia: Darius Khondji. Montagem: Hervé Schneid. Música: John Frizzell. Figurino: Bob Ringwood. Direção de arte/cenários: Nigel Phelps/John M. Dwyer. Produção: Bill Badalato, Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Michael Wincott, Dan Hedaya. Estreia: 26/11/97

A maior tradição em relação à série de filmes "Alien" - iniciada em um longínquo 1979 - diz respeito a nunca repetir diretores, dando ao espectador visões diferentes dos roteiros, desde em seu clima até em suas resoluções dramáticas. Sendo assim, em 1997, o francês Jean-Pierre Jeunet - que, ao lado de Marc Caro havia presenteado a audiência com os visualmente belíssimos "Delicatessen" e "Ladrões de sonhos" - reuniu-se ao time que já contava com Ridley Scott, James Cameron e David Fincher. Com a árdua missão de recuperar os fãs perdidos com as ousadias de "Alien 3", Jeunet entregou ao público um filme que, se não chega a empolgar como os dois primeiros capítulos, ao menos é fiel ao estilo claustrofóbico de seu filme original.

A trama, mais uma vez, usa e abusa do escapismo e da criatividade para dar continuidade ao inesperado final do terceiro episódio, lançado em 1992. Nessa nova aventura, a Tenente Ripley (mais uma vez vivida por Sigourney Weaver) é ressuscitada através de um processo de clonagem e os cientistas responsáveis pelo feito conseguem tirar a Rainha Mãe dos alienígenas de dentro dela. Acontece que as coisas não são assim tão simples, e Ripley passa a apresentar algumas características do monstro, como força descomunal e um sangue ácido, devido à mistura de seus DNAS. Tudo se complica quando os alienígenas que estão sendo criados em cativeiro pelo ambicioso Dr. Jonathan Gediman (Brad Dourif) conseguem escapar e mais uma vez começam a atacar os humanos que estão dentro da nave espacial - dentre os quais um grupo de mercenários que inclui a misteriosa Call (Winona Ryder). Cabe mais uma vez à Ripley impedir que os seres cheguem à Terra, mas dessa vez ela tem sentimentos dúbios em relação a eles.



Não deixa de ser bastante esperto o artifício criado pelo roteirista Joss Whedon de mixar o sangue (e a personalidade) de Ripley com a raça alienígena que ela vem perseguindo há séculos (a trama começa 200 anos depois do fim do último filme). Ao unir a heroína da série a seu maior vilão de forma inexorável, a trama caminha para um desfecho onde tudo pode acontecer. Infelizmente Whedon não vai muito longe na ousadia, deixando a relação de Ripley com o alien esfriar da metade pro fim do filme, quando ele se transforma em mais um produto de ação estritamente comercial, com cenas milimetricamente calculadas para injetar adrenalina na plateia. Nesse ponto, diga-se de passagem, Jeunet não é tão feliz quanto foi James Cameron, que tem uma tendência bem mais explícita ao superespetáculo. Ainda assim, é bastante impressionante a sequência subaquática que apresenta já em sua reta final. O cineasta francês é um esteta de extremo bom-gosto (como fica claro com sua fotografia e sua caprichada direção de arte)e faz questão de mostrar essa sua faceta em planos bem desenhados. Infelizmente, o capricho visual não encontra eco na trama, que não desperta tanto interesse quanto seus primeiros dois capítulos.

Quanto ao elenco, é preciso que se louve mais uma vez a atuação de Sigourney Weaver, que consegue, novamente, dar nuances surpreendentes à sua Ripley. Winona Ryder está talvez no pior momento de sua carreira, fazendo caras e bocas com uma personagem chatinha e cuja existência se deve principalmente à tentativa do estúdio em arrecadar mais alguns milhares de dólares com a presença de uma atriz jovem e em ascensão como ela era à época do lançamento (e não deixa de ser um tanto forçada a relação entre sua Call e a protagonista, em cenas que foram vendidas como se tivessem um homoerotismo que não existe). Brad Dourif exagera novamente em seus trejeitos, dessa vez como uma nova versão de cientista louco e somente escapa do overacting geral (assim como Weaver, esteja bem claro).

No final das contas, "Alien: a ressurreição" vale por uma ou outra cena bem realizada e pela presença sempre forte de Sigourney Weaver. Jean-Pierre Jeunet ainda demoraria uns bons cinco anos para dar ao mundo sua obra-prima, "O fabuloso destino de Amélie Poulain".

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...