HOLLYWOODLAND:
BASTIDORES DA FAMA (Hollywoodland, 2006, Focus Features/Miramax,
126min) Direção: Allen Coulter. Roteiro: Paul Bernbaum. Fotografia:
Jonathan Freeman. Montagem: Michael Berenbaum. Música: Marcelo Zarvos.
Figurino: Julie Weiss. Direção de arte/cenários: Leslie McDonald/Odetta
Stoddard. Produção executiva: J. Miles Dale, Jake Myers, Joe Pichirallo.
Produção: Glenn Williamson. Elenco: Ben Affleck, Adrien Brody, Diane
Lane, Bob Hoskins, Robin Tunney, Lois Smith. Estreia: 31/8/06 (Festival
de Veneza)
Provavelmente apenas os mais dedicados estudiosos do cinema e da televisão conhecem - de nome e sem consultas ao Google - a trajetória do ator George Reeves, morto em 1959 depois de uma carreira marcada essencialmente por sua participação no seriado de tv "As aventuras do Super-homem", que permaneceu no ar entre 1952 e 1958 e no qual ele interpretava o super-herói de Krypton. Sentindo-se preso no papel que praticamente o impediu de ser levado a sério como ator dramático, Reeves foi encontrado morto, vítima de um tiro justamente na ocasião em que sua casa estava repleta de convidados. Foi suicídio ou homicídio? E, no caso de a segunda resposta for a correta, quem o cometeu? A jovem noiva, Leonore Lemmon (Robin Tunney)? A amante casada com um chefão da indústria de cinema, Toni Mannix (Diane Lane)? Ou o próprio executivo, Eddie Mannix (Bob Hoskins), vingando-se do adultério? Todas essas questões, ainda não definitivamente resolvidas, são a base de "Hollywoodland: bastidores da fama", filme que investiga, em tom ficcional, um caso que abalou a indústria do entretenimento americano à sua época. Comandado por Allen Coulter - experiente diretor de episódios de séries, como "Arquivo X", "Sex and the city", "A sete palmos", "Família Soprano" e "Roma" - e estrelado por um surpreendente Ben Affleck, o filme não chega a atingir todo o potencial de seu explosivo tema, mas é uma curiosa viagem pelos bastidores de Hollywood e os perigos da fogueira das vaidades que a cidade se orgulha em ser.
Na verdade, o roteiro se concentra em Louis Simo (Adrien Brody), um detetive particular com problemas no casamento que começa a investigar a morte de Reeves a partir do pedido da mãe da vítima, a aparentemente inconsolável Helen Bessolo (Lois Smith). Sabendo que o caso pode lhe dar a visibilidade necessária para que crie um nome respeitável na profissão, Simo passa a dedicar-se dia e noite à investigação - o que significa mergulhar não apenas na rotina do ator nas semanas imediatamente anteriores à sua morte, mas principalmente voltar no tempo, até os dias do começo de sua carreira, quando contou com a inestimável ajuda da bela Toni Mannix para manter-se confortavelmente e conseguir o papel de Super-homem em uma bem-sucedida série. Conforme vai avançando pelos meandros do sistema de entretenimento, Simo percebe que o glamour muitas vezes oferecido ao público nem sempre corresponde a bastidores saudáveis e/ou felizes. Esse choque de realidade o fará questionar a própria vida e carreira - principalmente quando, durante a investigação, passa a entender os sentimentos dúbios de Reeves em relação a seu status de ídolo popular.
Indicado ao Golden Globe de melhor ator em filme dramático e premiado no Festival de Veneza por sua atuação discreta e eficiente, Ben Affleck acerta o tom de seu George Reeves, criando um personagem repleto de idiossincrasias e nuances, fato raro em uma carreira marcada por severas críticas a seu talento como intérprete. Herdando um papel que quase foi de Hugh Jackman, ele deixa de lado sua persona de astro para tornar-se um ator real, imprimindo verdade e melancolia por baixo da máscara de vaidade e orgulho exibida por Reeves para o grande público. Não chega a ser uma atuação extraordinária e digna de um Oscar, mas é um grande passo para um ator que, à época, frequentava mais as manchetes sensacionalistas devido a seu romance com Jennifer Lopez - e o fracasso retumbante de filmes como "Contato de risco" (2003) e "Sobrevivendo ao Natal" (2004) - do que por seus méritos artísticos. Não à toa, seu trabalho chamou mais a atenção do público e da imprensa do que a interpretação sóbria e contida de Adrien Brody, que, desde seu inesperado Oscar por "O pianista" (2002) tenta encontrar um veículo adequado a seu modo quase sonolento de atuação. Na pele de Louis Simo ele nem precisa se esforçar muito para transmitir toda a sensação de tédio e desencanto que nasce das revelações que surgem em seu caminho - é uma interpretação minimalista que funciona, embora em alguns momentos dê a impressão de nunca atingir um clímax. E, de certa forma, esse é um problema do filme em si.
Mesmo tendo em mãos uma história intrigante e repleta de possibilidades, o roteirista Paul Bernbaum não consegue atingir todo seu potencial, principalmente por não conseguir fazer a conexão entre a história de Simo e a trajetória de Reeves de forma orgânica. Utilizando-se de flashbacks de forma confusa a maior parte do tempo, o filme tampouco ultrapassa a superficialidade quando trata dos bastidores de Hollywood, perdendo a chance de explorar um universo sempre rico e interessante. Diane Lane - que em 2015 viveu a esposa do roteirista Dalton Trumbo em "Trumbo: lista negra" - faz o que pode para dar vida a uma personagem dividida entre as aparências e a paixão, mas sofre com a irregularidade do roteiro. Sem apontar uma solução definitiva para o caso da morte de Reeves, o filme simplesmente levanta questões sem resolvê-las, para frustração do público que procura um desfecho mais contundente. É um bom filme, mas é incapaz de ficar na memória da plateia. Uma pena!
Filmes, filmes e mais filmes. De todos os gêneros, países, épocas e níveis de qualidade.
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PARIS, TE AMO
PARIS, TE AMO (Paris, je t'aime, 2006, Victoires International, 120min) Direção: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Ethan Coen, Joel Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuaron, Gerard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer, Gus Van Sant. Roteiro: Emmanuel Benbihy, Bruno Polalydès, Paul Mayeda Berges, Gurinder Chada, Gus Van Sant, Joel & Ethan Coen, Walter Salles & Daniella Thomas, Christopher Doyle & Rain Li & Gabrielle Keng, Isabel Coixet, Nobuhiro Suwa, Sylvain Chomet, Alfonso Cuarón, Olivier Assayas, Oliver Schmitz, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Wes Craven, Tom Tykwer, Gena Rowlands, Alexander Payne & Nadine Eid. Fotografia: Maxime Alexandre, Michel Amathieu, Pierre Aim, Bruno Delbonnel, Eric Gautier, Frank Griebe, Eric Guichard, Jean-Claude Larrieu, Denis Lenoir, Rain Li, Pascal Marti, Tetsuo Nagata, Matthieu-Poirot Delpech, David Quesemand, Pascal Rabaud, Michael Seresin, Gérard Sterin. Montagem: Luc Barnier, Mathilde Bonnefoy, Stan Collet, Simon Jacquet, Anne Klotz, Isabel Meier, Alex Rodriguez, Hisako Suwa. Música: Pierre Adenot, Michael Andrews, Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer. Figurino: Olivier Bériot. Direção de arte/cenários: Bettina von den Steinen/Hélène Dubreuil, Sébastien Monteux-Halleur. Produção executiva: Chris Bolzli, Gilles Caussade, Rafi Chaudry, Sam Englebardt, Ara Katz, Maria Kopf, Frank Moss, Chad Troutwine. Produção: Emmanuel Benbihy, Claudie Ossard. Elenco: Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Catalina Sandino Moreno, Miranda Richardson, Sergio Castelitto, Leonor Watling, Javier Camara, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Maggie Gyllenhaal, Fanny Ardant, Bob Hoskins, Elijah Wood, Emily Mortimer, Olga Kurylenko, Rufus Sewell, Natalie Portman, Gena Rowlands, Ben Gazzarra, Gerard Depardieu, Margo Martindale. Estreia: 18/5/06 (Festival de Cannes)
Que Paris é uma das cidades mais românticas e belas do mundo não há dúvida. Cenário natural de dezenas de filmes - sejam eles franceses, hollywoodianos ou de outros países com menor tradição na indústria do cinema - a cidade-luz teve a sua grande chance de transformar-se de pano de fundo em protagonista em "Paris, te amo", primeiro de uma série que continuou com Nova York e tem no Rio de Janeiro seu terceiro capítulo. Produção coletiva que apresenta uma equipe invejável de cineastas e atores das mais diversas nacionalidades, o filme, como sempre acontece com obras do tipo, é irregular, mas ainda assim tem a seu favor a inventividade, a imprevisibilidade e a delicadeza de todos os segmentos. É impossível não se apaixonar por ele.
Logicamente nem todas as histórias são marcantes, e algumas até mesmo soam bobas, mas é inegável que a maioria esmagadora dos diretores estava em dias inspirados. Diante do espectador desfilam tramas sobre amores perdidos, amores encontrados, vampiros, mímicos, solitários, escritores mortos e todo tipo de gente em busca da felicidade. Fotografado com carinho e um bom-gosto que deixa no espectador uma impressão onírica das mais fascinantes, "Paris, te amo" é, além de tudo, um conjunto de bons roteiros, bons diretores e bons atores, em um conjunto que deixa tudo ainda mais irresistível - em especial em alguns segmentos, que são tão inteligentes e interessantes que poderiam tranquilamente ultrapassar as limitações de um curta.
O primeiro segmento digno de destaque é "Quais de sene", dirigido por Gurinder Chadha, que acompanha o início da relação entre o estudante François (Cyril Descours) e a muçulmana Zarka (Leila Bekhti), em uma história que surpreende por não se deixar cair na armadilha fácil do conflito religioso. "Les Marais", de Gus Van Sant, mostra a tentativa de um jovem (Gaspard Ulliel, de "Eterno amor") em convencer um outro rapaz (Elias McConnell) a lhe telefonar para marcar um encontro. "Tuileuries", dos irmãos Coen - um dos episódios mais visuais e criativos - mostra as desventuras de um turista americano (o ótimo Steve Buscemi) quando encontra, à espera do metrô, um casal francês disfuncional. Os brasileiros Walter Salles e Daniella Thomas acompanham a jovem Ana (Catalina Sandino Moreno) em sua árdua rotina de trabalho como babá no singelo "Loin du 16e". Isabel Coixet se destaca magistralmente com a belíssima história de um homem (Sergio Castelitto) que se apaixona novamente pela esposa (Miranda Richardson) quando descobre que ela está morrendo de câncer. O extraordinário "Place des Victoires", de Nobuhiro Suwa, mostra o desespero de uma mãe (Juliette Binoche) que acaba de perder o filho.
Ainda chamam a atenção os segmento "Tour Eiffel", de Sylvain Chomet, que segue um mímico em seu dia-a-dia com extrema criatividade, "Quartier de La Madeleine", de Vincenzo Natali, que mostra um jovem, vivido por Elijah Wood, se apaixonando pela vampira Olga Kurylenko sob um visual deslumbrante e a história de amor entre um rapaz cego (Melchior Beslon) e uma atriz de cinema (Natalie Portman) contada pelo alemão Tom Tykwer em "Faubourg Saint-Denis" com uma edição ágil e empolgante - sua marca registrada desde o sucesso de "Corra Lola, corra". O episódio final, "14e arrondissement", de Alexander Payne, também merece destaque por, no mínimo, permitir que a sensacional atriz Margo Martindale, sempre coadjuvante, assuma um papel de protagonista e comprove seu enorme talento - mesmo quando está em silêncio.
Mesmo que algumas histórias não sejam tão fascinantes quanto as outras - situação corriqueira em filmes episódicos - "Paris, te amo" tem uma regularidade impressionante, mantendo a plateia deslumbrada desde seus primeiros minutos até seu final quase apoteótico, quando todas as tramas voltam à tela para uma despedida emocionante. É, sem dúvida, uma bela homenagem à grande cidade dos amantes.
Que Paris é uma das cidades mais românticas e belas do mundo não há dúvida. Cenário natural de dezenas de filmes - sejam eles franceses, hollywoodianos ou de outros países com menor tradição na indústria do cinema - a cidade-luz teve a sua grande chance de transformar-se de pano de fundo em protagonista em "Paris, te amo", primeiro de uma série que continuou com Nova York e tem no Rio de Janeiro seu terceiro capítulo. Produção coletiva que apresenta uma equipe invejável de cineastas e atores das mais diversas nacionalidades, o filme, como sempre acontece com obras do tipo, é irregular, mas ainda assim tem a seu favor a inventividade, a imprevisibilidade e a delicadeza de todos os segmentos. É impossível não se apaixonar por ele.
Logicamente nem todas as histórias são marcantes, e algumas até mesmo soam bobas, mas é inegável que a maioria esmagadora dos diretores estava em dias inspirados. Diante do espectador desfilam tramas sobre amores perdidos, amores encontrados, vampiros, mímicos, solitários, escritores mortos e todo tipo de gente em busca da felicidade. Fotografado com carinho e um bom-gosto que deixa no espectador uma impressão onírica das mais fascinantes, "Paris, te amo" é, além de tudo, um conjunto de bons roteiros, bons diretores e bons atores, em um conjunto que deixa tudo ainda mais irresistível - em especial em alguns segmentos, que são tão inteligentes e interessantes que poderiam tranquilamente ultrapassar as limitações de um curta.
O primeiro segmento digno de destaque é "Quais de sene", dirigido por Gurinder Chadha, que acompanha o início da relação entre o estudante François (Cyril Descours) e a muçulmana Zarka (Leila Bekhti), em uma história que surpreende por não se deixar cair na armadilha fácil do conflito religioso. "Les Marais", de Gus Van Sant, mostra a tentativa de um jovem (Gaspard Ulliel, de "Eterno amor") em convencer um outro rapaz (Elias McConnell) a lhe telefonar para marcar um encontro. "Tuileuries", dos irmãos Coen - um dos episódios mais visuais e criativos - mostra as desventuras de um turista americano (o ótimo Steve Buscemi) quando encontra, à espera do metrô, um casal francês disfuncional. Os brasileiros Walter Salles e Daniella Thomas acompanham a jovem Ana (Catalina Sandino Moreno) em sua árdua rotina de trabalho como babá no singelo "Loin du 16e". Isabel Coixet se destaca magistralmente com a belíssima história de um homem (Sergio Castelitto) que se apaixona novamente pela esposa (Miranda Richardson) quando descobre que ela está morrendo de câncer. O extraordinário "Place des Victoires", de Nobuhiro Suwa, mostra o desespero de uma mãe (Juliette Binoche) que acaba de perder o filho.
Ainda chamam a atenção os segmento "Tour Eiffel", de Sylvain Chomet, que segue um mímico em seu dia-a-dia com extrema criatividade, "Quartier de La Madeleine", de Vincenzo Natali, que mostra um jovem, vivido por Elijah Wood, se apaixonando pela vampira Olga Kurylenko sob um visual deslumbrante e a história de amor entre um rapaz cego (Melchior Beslon) e uma atriz de cinema (Natalie Portman) contada pelo alemão Tom Tykwer em "Faubourg Saint-Denis" com uma edição ágil e empolgante - sua marca registrada desde o sucesso de "Corra Lola, corra". O episódio final, "14e arrondissement", de Alexander Payne, também merece destaque por, no mínimo, permitir que a sensacional atriz Margo Martindale, sempre coadjuvante, assuma um papel de protagonista e comprove seu enorme talento - mesmo quando está em silêncio.
Mesmo que algumas histórias não sejam tão fascinantes quanto as outras - situação corriqueira em filmes episódicos - "Paris, te amo" tem uma regularidade impressionante, mantendo a plateia deslumbrada desde seus primeiros minutos até seu final quase apoteótico, quando todas as tramas voltam à tela para uma despedida emocionante. É, sem dúvida, uma bela homenagem à grande cidade dos amantes.
quarta-feira
ENCONTRO DE AMOR
ENCONTRO DE AMOR (Maid in Manhattan, 2002, Revolution Studios, 105min ) Direção: Wayne Wang. Roteiro: Kevin Wade, estória de Edmond Dantès (pseudônimo de John Hughes). Fotografia: Karl Walter Lindelaub. Montagem: Craig McKay. Música: Alan Silvestri. Figurino: Albert Wolsky. Direção de arte/cenários: Jane Musky/Susan Tyson. Produção executiva: Benny Medina, Charles Newirth. Produção: Elaine Goldsmith-Thomas, Paul Schiff, Deborah Schindler. Elenco: Jennifer Lopez, Ralph Fiennes, Stanley Tucci, Bob Hoskins, Natasha Richardson, Tyler Posey, Frances Conroy. Estreia: 13/12/02
Famoso por seus clássicos adolescentes dos anos 80, como "A garota de rosa-shocking", "Gatinhas e gatões" e "Clube dos cinco", o cineasta John Hughes escreveu, no final dos anos 90, um roteiro inspirado na história real do filho do governador Nelson Rockefeller, que se casou com a camareira de um de seus vários hoteis em 1959. Adaptado para se passar na Chigado dos anos 20, o filme seria estrelado por Hilary Swank, mas conforme o tempo foi passando, as coisas iam mudando. Depois que Hughes resolveu apenas produzir, nomes como Sandra Bullock e Julia Roberts foram cotadas para o papel principal e o cineasta Wayne Wang - nascido em Hong Kong e diretor de pequenos grandes filmes como "Cortina de fumaça" e "Clube da felicidade e da sorte" - assumiu o comando do projeto. Quando o filme finalmente viu a luz dos refletores, no final de 2002, com a cantora Jennifer Lopez na liderança do elenco, pouco restava do script de Hughes, que pediu para ter seu nome removido dos créditos. Dessa vez passado na Nova York de 2001, "Encontro de amor" conquistou às plateias românticas, os fãs de J-Lo e ao estúdio, que não se decepcionou com a renda doméstica que beirou os 100 milhões de dólares de arrecadação.
No entanto, o sucesso de bilheteria tem mais ver com o poder de Lopez em atingir seu público do que com as qualidades do filme. Mesmo que seja leve, visualmente agradável e bem interpretado - especialmente pelo sempre confiável Ralph Fiennes - "Encontro de amor" é apenas mais um drama romântico, sem nada que o diferencie de dezenas de outras produções do gênero. Frustra quem procura mais do que isso, mas agrada em cheio ao público (especialmente o feminino) com um trama ingênua e fantasiosa que mistura tudo aquilo que pode: identidades trocadas, crianças adoráveis, sofisticação e uma dupla central atraente. Com isso em mãos, a chance de erro era mínima, e não seria Wang, um cineasta sensível e atento às idiossincrasias humanas, que poria tudo a perder.
Lopez, que não é uma grande atriz, mas tem presença de cena, é linda e carismática, interpreta Marisa Ventura , uma das dezenas de camareiras de um imponente hotel de Nova York, que frequentemente passa em branco por seus sofisticados clientes - que muitas vezes nem lembram seu nome ou rosto. Criando praticamente sozinha seu filho pequeno, que tem uma curiosa admiração por grandes oradores políticos, Marisa sonha em tornar-se subgerente do hotel, como forma de levar uma vida menos sacrificante. Sua grande chance de atingir seu objetivo acontece, porém, na mesma época em que, por uma ironia do destino, ela passa a ser confundida com uma hóspede milionária justamente por Christopher Marshall (Ralph Fiennes), candidato ao Senado americano. Sem desconfiar de suas origens humildes, Marshall se sente irremediavelmente atraído por ela, que corresponde o sentimento mesmo sabendo que o romance tem data marcada para acabar.
Pontuado por uma trilha sonora que inclui duas belas canções de Norah Jones, "Encontro de amor" oferece ao espectador exatamente o que promete. Não muda a história do cinema e nem ao menos de seu gênero. Não irá para a lista dos favoritos de ninguém que leve o cinema a sério, e tampouco entrará na lista dos melhores do estilo. Mas é uma sessão da tarde competente, que utiliza de todos os clichês das comédias românticas a seu favor.
Famoso por seus clássicos adolescentes dos anos 80, como "A garota de rosa-shocking", "Gatinhas e gatões" e "Clube dos cinco", o cineasta John Hughes escreveu, no final dos anos 90, um roteiro inspirado na história real do filho do governador Nelson Rockefeller, que se casou com a camareira de um de seus vários hoteis em 1959. Adaptado para se passar na Chigado dos anos 20, o filme seria estrelado por Hilary Swank, mas conforme o tempo foi passando, as coisas iam mudando. Depois que Hughes resolveu apenas produzir, nomes como Sandra Bullock e Julia Roberts foram cotadas para o papel principal e o cineasta Wayne Wang - nascido em Hong Kong e diretor de pequenos grandes filmes como "Cortina de fumaça" e "Clube da felicidade e da sorte" - assumiu o comando do projeto. Quando o filme finalmente viu a luz dos refletores, no final de 2002, com a cantora Jennifer Lopez na liderança do elenco, pouco restava do script de Hughes, que pediu para ter seu nome removido dos créditos. Dessa vez passado na Nova York de 2001, "Encontro de amor" conquistou às plateias românticas, os fãs de J-Lo e ao estúdio, que não se decepcionou com a renda doméstica que beirou os 100 milhões de dólares de arrecadação.
No entanto, o sucesso de bilheteria tem mais ver com o poder de Lopez em atingir seu público do que com as qualidades do filme. Mesmo que seja leve, visualmente agradável e bem interpretado - especialmente pelo sempre confiável Ralph Fiennes - "Encontro de amor" é apenas mais um drama romântico, sem nada que o diferencie de dezenas de outras produções do gênero. Frustra quem procura mais do que isso, mas agrada em cheio ao público (especialmente o feminino) com um trama ingênua e fantasiosa que mistura tudo aquilo que pode: identidades trocadas, crianças adoráveis, sofisticação e uma dupla central atraente. Com isso em mãos, a chance de erro era mínima, e não seria Wang, um cineasta sensível e atento às idiossincrasias humanas, que poria tudo a perder.
Lopez, que não é uma grande atriz, mas tem presença de cena, é linda e carismática, interpreta Marisa Ventura , uma das dezenas de camareiras de um imponente hotel de Nova York, que frequentemente passa em branco por seus sofisticados clientes - que muitas vezes nem lembram seu nome ou rosto. Criando praticamente sozinha seu filho pequeno, que tem uma curiosa admiração por grandes oradores políticos, Marisa sonha em tornar-se subgerente do hotel, como forma de levar uma vida menos sacrificante. Sua grande chance de atingir seu objetivo acontece, porém, na mesma época em que, por uma ironia do destino, ela passa a ser confundida com uma hóspede milionária justamente por Christopher Marshall (Ralph Fiennes), candidato ao Senado americano. Sem desconfiar de suas origens humildes, Marshall se sente irremediavelmente atraído por ela, que corresponde o sentimento mesmo sabendo que o romance tem data marcada para acabar.
Pontuado por uma trilha sonora que inclui duas belas canções de Norah Jones, "Encontro de amor" oferece ao espectador exatamente o que promete. Não muda a história do cinema e nem ao menos de seu gênero. Não irá para a lista dos favoritos de ninguém que leve o cinema a sério, e tampouco entrará na lista dos melhores do estilo. Mas é uma sessão da tarde competente, que utiliza de todos os clichês das comédias românticas a seu favor.
domingo
A PASSAGEM
A PASSAGEM (Stay, 2005, 20th Century Fox, 99min) Direção: Marc Forster. Roteiro: David Benioff. Fotografia: Roberto Schaefer. Montagem: Matt Chesse. Música: Asche & Spencer. Figurino: Frank L. Fleming. Direção de arte/cenários: Kevin Thompson/George De Titta Jr. Produção executiva: Bill Carraro, Guymon Casady. Produção: Eric Kopeloff, Tom Lassally, Arnon Milchan. Elenco: Ewan McGregor, Naomi Watts, Ryan Gosling, Janeane Garofalo, Bob Hoskins. Estreia: 21/10/05
Hollywood é um lugar muito estranho. Filmes de suspense onde roteiros servem apenas para indicar às personagens em que hora gritar e bater no vilão clichê levam multidões às salas de cinema, e obras interessantes e criativas como "A passagem" - título nacional meio bobo - são praticamente ignoradas, apesar do elenco com nomes populares. Dirigido pelo mesmo Marc Forster que comandou os celebrados "A última ceia" e "Em busca da Terra do Nunca", o filme estrelado por Ewan McGregor e Naomi Watts - além de um ainda desconhecido Ryan Gosling - é um suspense inteligente e intrigante, que mantém o público preso em sua trama até os minutos finais. E se Forster consegue fazer do roteiro do escritor David Benioff um belíssimo filme é de se imaginar as misérias que David Fincher - primeiro nome a ser cotado para a direção - conseguiria fazer.
Diretor competente mas jamais brilhante, Forster extrapola todos os seus limites em "A passagem", que lhe dá base para fugir do naturalismo e do academicismo de seus trabalhos anteriores ao contar uma história que, a princípio, soa absolutamente surreal - mas que faz todo sentido do mundo em seus minutos finais. Brincando de David Lynch (porém sem a profundidade psicológica de suas personagens), Forster mergulha sem medo em um mundo bizarro e esquisito que embaralha realidade e alucinação na medida certa - e que conta com o mais apurado visual de seu currículo até então.

O filme começa quando o terapeuta Sam Foster (Ewan McGregor) é chamado para substituir uma colega que está em depressão e atender ao jovem Henry Letham (Ryan Gosling já mostrando o monstro de ator que se revelaria em poucos anos), um rapaz melancólico e problemático que lhe promete cometer suicídio em poucos dias. Na tentativa de evitar tal desenlace - que lhe remete à tentativa feita por sua namorada (Naomi Watts) - Foster corre para investigar a vida e a rotina de Letham, que utiliza seu talento como pintor para expressar sua tristeza e suas dúvidas existenciais. Conforme o tempo vai passando - e a data da morte programada do jovem se aproximando - o psiquiatra começa a questionar sua própria sanidade mental.
O melhor a se fazer em relação a "A passagem" é saber o menos possível a seu respeito antes do início da projeção. As pistas deixadas pelo roteiro de Benioff - e que serão encaixadas mais tarde em uma sequência editada com perfeição - parecem confusas e sem sentido a maior parte do tempo, lembrando muito os pesadelos em forma de celulóide perpetrados por David Lynch, mas permitem a Marc Forster demonstrar que ainda é um exímio diretor de atores. Se Ewan McGregor e Naomi Watts não precisam mais provar nada a ninguém - mesmo que dela pouco seja exigido no filme - Ryan Gosling rouba a cena como o desajustado Henry Letham e as participações pequenas mas cruciais de Bob Hoskins e Janeane Garofalo deixam tudo ainda mais intrigante e tenso - isso sem falar na angustiante sequência em que Sam precisa lidar com a mãe e o cachorro de Letham.
"A passagem" é um filme que não fez o barulho que merecia. Mas que precisa ser descoberto como um dos suspenses mais criativos e inteligentes de sua época.
Hollywood é um lugar muito estranho. Filmes de suspense onde roteiros servem apenas para indicar às personagens em que hora gritar e bater no vilão clichê levam multidões às salas de cinema, e obras interessantes e criativas como "A passagem" - título nacional meio bobo - são praticamente ignoradas, apesar do elenco com nomes populares. Dirigido pelo mesmo Marc Forster que comandou os celebrados "A última ceia" e "Em busca da Terra do Nunca", o filme estrelado por Ewan McGregor e Naomi Watts - além de um ainda desconhecido Ryan Gosling - é um suspense inteligente e intrigante, que mantém o público preso em sua trama até os minutos finais. E se Forster consegue fazer do roteiro do escritor David Benioff um belíssimo filme é de se imaginar as misérias que David Fincher - primeiro nome a ser cotado para a direção - conseguiria fazer.
Diretor competente mas jamais brilhante, Forster extrapola todos os seus limites em "A passagem", que lhe dá base para fugir do naturalismo e do academicismo de seus trabalhos anteriores ao contar uma história que, a princípio, soa absolutamente surreal - mas que faz todo sentido do mundo em seus minutos finais. Brincando de David Lynch (porém sem a profundidade psicológica de suas personagens), Forster mergulha sem medo em um mundo bizarro e esquisito que embaralha realidade e alucinação na medida certa - e que conta com o mais apurado visual de seu currículo até então.
O filme começa quando o terapeuta Sam Foster (Ewan McGregor) é chamado para substituir uma colega que está em depressão e atender ao jovem Henry Letham (Ryan Gosling já mostrando o monstro de ator que se revelaria em poucos anos), um rapaz melancólico e problemático que lhe promete cometer suicídio em poucos dias. Na tentativa de evitar tal desenlace - que lhe remete à tentativa feita por sua namorada (Naomi Watts) - Foster corre para investigar a vida e a rotina de Letham, que utiliza seu talento como pintor para expressar sua tristeza e suas dúvidas existenciais. Conforme o tempo vai passando - e a data da morte programada do jovem se aproximando - o psiquiatra começa a questionar sua própria sanidade mental.
O melhor a se fazer em relação a "A passagem" é saber o menos possível a seu respeito antes do início da projeção. As pistas deixadas pelo roteiro de Benioff - e que serão encaixadas mais tarde em uma sequência editada com perfeição - parecem confusas e sem sentido a maior parte do tempo, lembrando muito os pesadelos em forma de celulóide perpetrados por David Lynch, mas permitem a Marc Forster demonstrar que ainda é um exímio diretor de atores. Se Ewan McGregor e Naomi Watts não precisam mais provar nada a ninguém - mesmo que dela pouco seja exigido no filme - Ryan Gosling rouba a cena como o desajustado Henry Letham e as participações pequenas mas cruciais de Bob Hoskins e Janeane Garofalo deixam tudo ainda mais intrigante e tenso - isso sem falar na angustiante sequência em que Sam precisa lidar com a mãe e o cachorro de Letham.
"A passagem" é um filme que não fez o barulho que merecia. Mas que precisa ser descoberto como um dos suspenses mais criativos e inteligentes de sua época.
sexta-feira
CÍRCULO DE FOGO
CÍRCULO DE FOGO (Enemy at the gates, 2001, Paramount Pictures, 131min) Direção: Jean-Jacques Annaud. Roteiro: Jean-Jacques Annaud, Alain Godard. Fotografia: Robert Fraisse. Montagem: Noelle Boisson, Humprhey Dixon. Música: James Horner. Figurino: Janty Yates. Direção de arte/cenários: Wolf Kroeger/Simon Wakefield. Produção executiva: Alain Godard, Roland Pellegrino, Jorg Reichl, Alisa Tager. Produção: Jean-Jacques Annaud, John D. Schofield. Elenco: Jude Law, Joseph Fiennes, Rachel Weisz, Ed Harris, Bob Hoskins, Ron Pearlman. Estreia: 07/02/01 (Festival de Berlim)
Acostumado que está a ver a II Guerra Mundial pelos olhos de seus cineastas, o público americano não ficou exatamente empolgado com a recriação do diretor francês Jean-Jacques Annaud de uma parte importante da história do conflito, passada na Rússia. Dono de um orçamento de quase 70 milhões de dólares - o mais caro filme europeu até então - "Círculo de fogo" nem chegou a se pagar no mercado ianque (e foi praticamente ignorado no Festival de Berlim, onde os alemães não gostaram nem um pouco de se verem como os vilões da trama). No entanto, é inegável que é um dos mais excitantes e inteligentes filmes de guerra da história.
A ação se passa em 1942, quando a cidade de Stalingrado é a última resistência contra a invasão nazista. Espertamente sabendo que os cidadãos precisam de um incentivo para continuar sua luta, o jornalista Danilov (Joseph Fiennes) passa a descrever, em seus artigos, os feitos heróicos de seu melhor amigo, o atirador Vassili Zaitsev (Jude Law), que vem matando atiradores nazistas um a um de forma sistemática. Quando a fama de Vassili atinge os ouvidos alemães, eles não demoram a mandar seu melhor artilheiro, o Major Konig (Ed Harris) para detê-lo. Enquanto os dois homens passam a caçar um ao outro, Danilov tenta seduzir a bela Tania (Rachel Weisz), uma ativista militar apaixonada por Vassili.

Ao situar sua trama em um momento crucial da história da II Guerra Mundial, o diretor Annaud e seu co-roteirista Alain Godard teceram um rico painel sobre classes sociais e paixões de vários tipos - pela pátria, pelos amigos, por ideiais. Em suas duas horas de duração o filme conta várias histórias, todas interessantes e muito bem resolvidas. A amizade entre Danilov e Vassili, ameaçada pela paixão de ambos por Tania é a ponta romântica do roteiro (ainda que alguns insistam em ver algo homoerótico na admiração do jornalista pelo atirador). A iminência da invasão da Rússia pelas tropas de Hitler cumpre a parte de ação do projeto. Mas é a disputa de vaidade e idealismo entre Vassili e Konig que leva "Círculo de fogo" - mais um título nacional inexplicável, diga-se de passagem - a um nível de inteligência e qualidade que o separa dos filmes de guerra mais corriqueiros.
O que o roteiro faz, na verdade, é reduzir uma guerra de proporções gigantescas a uma batalha entre dois homens, ambos capazes, talentosos e certos de seus ideais. É uma metáfora talvez óbvia, mas que funciona à perfeição graças aos talentos envolvidos. Com frequentes closes nos olhos azuis de Ed Harris e Jude Law, a fotografia impressionante de Robert Fraisse tem mais sucesso em jogar o espectador dentro do campo de batalha do que os enquadramentos épicos de filmes como "Coração valente" e "Gladiador", competentíssimos mas um tanto quanto distantes dos sentidos do público. No filme de Annaud, a impressão que se tem é que se está ao lado de Vassili em seu jogo de gato e rato com Konig, impressão tornada ainda mais forte devido ao trabalho espetacular dos dois atores, em atuações irretocáveis - que fazem da interpretação rasa de Rachel Weisz ainda mais gritante.
"Círculo de fogo" tem todas as qualidades de um épicp hollywoodiano e consegue fugir com esperteza dos defeitos de seus congêneres. Enxuto (tem pouco mais de duas horas, enquanto a regra do cinema americano para filmes desse porte manda a duração chegar a três), conciso e quase minimalista, é um filme forte e honesto, que merece ser descoberto e louvado como um dos melhores de seu estilo.
Acostumado que está a ver a II Guerra Mundial pelos olhos de seus cineastas, o público americano não ficou exatamente empolgado com a recriação do diretor francês Jean-Jacques Annaud de uma parte importante da história do conflito, passada na Rússia. Dono de um orçamento de quase 70 milhões de dólares - o mais caro filme europeu até então - "Círculo de fogo" nem chegou a se pagar no mercado ianque (e foi praticamente ignorado no Festival de Berlim, onde os alemães não gostaram nem um pouco de se verem como os vilões da trama). No entanto, é inegável que é um dos mais excitantes e inteligentes filmes de guerra da história.
A ação se passa em 1942, quando a cidade de Stalingrado é a última resistência contra a invasão nazista. Espertamente sabendo que os cidadãos precisam de um incentivo para continuar sua luta, o jornalista Danilov (Joseph Fiennes) passa a descrever, em seus artigos, os feitos heróicos de seu melhor amigo, o atirador Vassili Zaitsev (Jude Law), que vem matando atiradores nazistas um a um de forma sistemática. Quando a fama de Vassili atinge os ouvidos alemães, eles não demoram a mandar seu melhor artilheiro, o Major Konig (Ed Harris) para detê-lo. Enquanto os dois homens passam a caçar um ao outro, Danilov tenta seduzir a bela Tania (Rachel Weisz), uma ativista militar apaixonada por Vassili.
Ao situar sua trama em um momento crucial da história da II Guerra Mundial, o diretor Annaud e seu co-roteirista Alain Godard teceram um rico painel sobre classes sociais e paixões de vários tipos - pela pátria, pelos amigos, por ideiais. Em suas duas horas de duração o filme conta várias histórias, todas interessantes e muito bem resolvidas. A amizade entre Danilov e Vassili, ameaçada pela paixão de ambos por Tania é a ponta romântica do roteiro (ainda que alguns insistam em ver algo homoerótico na admiração do jornalista pelo atirador). A iminência da invasão da Rússia pelas tropas de Hitler cumpre a parte de ação do projeto. Mas é a disputa de vaidade e idealismo entre Vassili e Konig que leva "Círculo de fogo" - mais um título nacional inexplicável, diga-se de passagem - a um nível de inteligência e qualidade que o separa dos filmes de guerra mais corriqueiros.
O que o roteiro faz, na verdade, é reduzir uma guerra de proporções gigantescas a uma batalha entre dois homens, ambos capazes, talentosos e certos de seus ideais. É uma metáfora talvez óbvia, mas que funciona à perfeição graças aos talentos envolvidos. Com frequentes closes nos olhos azuis de Ed Harris e Jude Law, a fotografia impressionante de Robert Fraisse tem mais sucesso em jogar o espectador dentro do campo de batalha do que os enquadramentos épicos de filmes como "Coração valente" e "Gladiador", competentíssimos mas um tanto quanto distantes dos sentidos do público. No filme de Annaud, a impressão que se tem é que se está ao lado de Vassili em seu jogo de gato e rato com Konig, impressão tornada ainda mais forte devido ao trabalho espetacular dos dois atores, em atuações irretocáveis - que fazem da interpretação rasa de Rachel Weisz ainda mais gritante.
"Círculo de fogo" tem todas as qualidades de um épicp hollywoodiano e consegue fugir com esperteza dos defeitos de seus congêneres. Enxuto (tem pouco mais de duas horas, enquanto a regra do cinema americano para filmes desse porte manda a duração chegar a três), conciso e quase minimalista, é um filme forte e honesto, que merece ser descoberto e louvado como um dos melhores de seu estilo.
terça-feira
NIXON
NIXON (Nixon, 1995, Cinergi Pictures/Hollywood Pictures, 192min) Direção: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone, Stephen J. Rivele, Christopher Wilkinson. Fotografia: Robert Richardson. Montagem: Brian Berdan, Hank Corwin. Música: John Williams. Figurino: Richard Hornung. Direção de arte/cenários: Victor Kempster/Merideth Boswell. Produção: Oliver Stone, Clayton Townsend, Andrew G. Vajna. Elenco: Anthony Hopkins, Joan Allen, Powers Boothe, Ed Harris, Bob Hoskins, E.G. Marshall, David Paymer, Paul Sorvino, Mary Steenburgen, David Hyde Pierce, J.T.Walsh, James Woods, Dan Hedaya, Saul Rubinek. Estreia: 20/12/95
4 indicações ao Oscar: Ator (Anthony Hopkins), Atriz Coadjuvante (Joan Allen), Roteiro Original, Trilha Sonora Original
Oliver Stone tem a obsessão de dissecar a alma ianque através de seus ídolos ("The Doors"), seus traumas ("Platoon" e "Nascido em 4 de julho") e - a julgar pelo recente "W" e por "Nixon", lançado em 1995 - de seus líderes. Polêmico como sempre, o cineasta vencedor de dois Oscar de direção encontrou na história do mais controverso dos presidentes norte-americanos o material ideal para exercitar seus radicais pontos de vista. Apedrejado pelos puristas - que o acusaram de distorcer fatos históricos em prol de suas teorias - o filme tampouco encontrou seu público, não rendendo nem metade de seu orçamento e dividindo a crítica. Apesar disso - e da sua duração excessiva - é um importante e interessante documento sobre uma das figuras mais complexas da história dos EUA, que comandou seu país durante alguns de seus mais sombrios momentos.
O roteiro do filme, indicado ao Oscar por sua complexa estrutura - que apresenta acontecimentos verídicos mesclados com uma grande parcela de licenças poéticas - começa às vésperas da renúncia do presidente Richard Nixon (Anthony Hopkins), consequência direta do malfadado escândalo Watergate. Enquanto fica remoendo suas culpas e tentando encontrar uma maneira de sair intacto do processo de impeachment pelo qual está passando, Nixon passa em revista toda a sua vida, desde a infância pobre - e a perda precoce dos dois irmãos - até a reeleição para presidente da República, passando pelos inúmeros fracassos políticos e pelo relacionamento com seu porto seguro, a esposa Pat (Joan Allen). Extremamente talentoso como orador, Nixon sofria, no entanto, de uma rejeição grande por parte do eleitorado. Como diz um de seus assessores em determinado momento, "é de se imaginar o quão grande ele seria se as pessoas gostassem dele."
O retrato que Oliver Stone faz de seu biografado não é exatamente agradável, ainda que tente, em certas ocasiões, fugir da crítica explícita. O que provavelmente desagradou aos fãs do ex-presidente foi sua caracterização como um homem inseguro, egocêntrico e por vezes até mesmo covarde. Como um Narciso às avessas, Nixon, apesar de considerar-se (e ser) o homem mais poderoso do mundo jamais conseguiu desvencilhar-se do misto de admiração e inveja que sentia por John Kennedy. Em uma sintomática afirmação, ele declara a um quadro do mais querido líder da história americana: "Quando eles olham pra você, eles veem o que querem ser. Quando olham para mim, veem o que eles são." Na voz poderosa e na atuação inacreditável de Anthony Hopkins, essa talvez seja a frase que melhor define a personalidade dúbia do homem que, mesmo depois de ter sido praticamente escorraçado da Casa Branca, foi enterrado com pompas de grande estadista.

Usando e abusando de seu estilo próprio de contar uma história - estilo este que tem tantos fãs ardorosos quanto detratores aguerridos - Oliver Stone transforma "Nixon" em um exercício de paciência. São mais de três horas de duração que, ao contrário de "JFK", não passam voando. A trajetória de Nixon é tão repleta de acontecimentos importantes que fez-se necessário ao roteiro um número infindo de detalhes que, para quem não é especialista em história dos EUA (ou seja, a maioria esmagadora da audiência) soam como grego. Ao fugir do didatismo, Stone esbarra justamente nesse grande senão: são tantos nomes, tantas personagens e tantas datas que fica difícil ao público médio acompanhar tudo da maneira ideal. Enquanto o filme trata da vida pessoal do protagonista - em um belo preto-e-branco - não há maiores problemas, mas toda vez que o roteiro se concentra nas reuniões políticas entre o presidente e seus correligionários a coisa começa a ficar lenta demais, mesmo com a edição ágil e a trilha sonora impecável de John Williams ajudando o máximo possível. Dirigindo o filme como se fosse um suspense, Stone mais uma vez acerta na técnica, mas peca no excesso de informações.
Para sua sorte - e da plateia - novamente o cineasta escalou um elenco acima de qualquer crítica. Joan Allen foi indicada ao Oscar de coadjuvante por seu retrato de Pat Nixon, mesmo que, segundo pessoas próximas da real primeira-dama tenham discordado da forma com que o roteiro a tratou. Paul Sorvino - irreconhecível sob pesada maquiagem - vive com absurda propriedade Henry Kissinger e Bob Hoskins rouba a cena na pele do chefão do FBI J. Edgar Hoover. Mas nada é mais impressionante do que a interpretação extraordinária de Hopkins no papel-título. Mesmo sendo britânico - o que causou uma onda de protestos - Hopkins deixou pra trás americanos típicos para ficar com o papel central e não apenas conquistou elogios rasgados como também concorreu ao Oscar. Dificilmente Jack Nicholson, John Malkovich, Tom Hanks, Robin Williams e Warren Beatty, por melhores atores que sejam, seriam capazes da entrega que Hopkins apresenta em cena. As sequências em que, tal como uma trágica personagem shakespereana, o presidente sente-se traído, solitário e abandonado mostram um dos grandes atores do mundo em um de seus trabalhos mais ricos.
"Nixon" talvez não interesse à grande maioria do público, aquela que lota as salas de cinema em busca de divertimento. É um filme forte, realizado com um senso estético apurado e um tema relevante e controverso. Pode não dialogar o tempo todo com a verdade, mas até mesmo essa dubiedade combina com a personalidade que retrata.
4 indicações ao Oscar: Ator (Anthony Hopkins), Atriz Coadjuvante (Joan Allen), Roteiro Original, Trilha Sonora Original
Oliver Stone tem a obsessão de dissecar a alma ianque através de seus ídolos ("The Doors"), seus traumas ("Platoon" e "Nascido em 4 de julho") e - a julgar pelo recente "W" e por "Nixon", lançado em 1995 - de seus líderes. Polêmico como sempre, o cineasta vencedor de dois Oscar de direção encontrou na história do mais controverso dos presidentes norte-americanos o material ideal para exercitar seus radicais pontos de vista. Apedrejado pelos puristas - que o acusaram de distorcer fatos históricos em prol de suas teorias - o filme tampouco encontrou seu público, não rendendo nem metade de seu orçamento e dividindo a crítica. Apesar disso - e da sua duração excessiva - é um importante e interessante documento sobre uma das figuras mais complexas da história dos EUA, que comandou seu país durante alguns de seus mais sombrios momentos.
O roteiro do filme, indicado ao Oscar por sua complexa estrutura - que apresenta acontecimentos verídicos mesclados com uma grande parcela de licenças poéticas - começa às vésperas da renúncia do presidente Richard Nixon (Anthony Hopkins), consequência direta do malfadado escândalo Watergate. Enquanto fica remoendo suas culpas e tentando encontrar uma maneira de sair intacto do processo de impeachment pelo qual está passando, Nixon passa em revista toda a sua vida, desde a infância pobre - e a perda precoce dos dois irmãos - até a reeleição para presidente da República, passando pelos inúmeros fracassos políticos e pelo relacionamento com seu porto seguro, a esposa Pat (Joan Allen). Extremamente talentoso como orador, Nixon sofria, no entanto, de uma rejeição grande por parte do eleitorado. Como diz um de seus assessores em determinado momento, "é de se imaginar o quão grande ele seria se as pessoas gostassem dele."
O retrato que Oliver Stone faz de seu biografado não é exatamente agradável, ainda que tente, em certas ocasiões, fugir da crítica explícita. O que provavelmente desagradou aos fãs do ex-presidente foi sua caracterização como um homem inseguro, egocêntrico e por vezes até mesmo covarde. Como um Narciso às avessas, Nixon, apesar de considerar-se (e ser) o homem mais poderoso do mundo jamais conseguiu desvencilhar-se do misto de admiração e inveja que sentia por John Kennedy. Em uma sintomática afirmação, ele declara a um quadro do mais querido líder da história americana: "Quando eles olham pra você, eles veem o que querem ser. Quando olham para mim, veem o que eles são." Na voz poderosa e na atuação inacreditável de Anthony Hopkins, essa talvez seja a frase que melhor define a personalidade dúbia do homem que, mesmo depois de ter sido praticamente escorraçado da Casa Branca, foi enterrado com pompas de grande estadista.

Usando e abusando de seu estilo próprio de contar uma história - estilo este que tem tantos fãs ardorosos quanto detratores aguerridos - Oliver Stone transforma "Nixon" em um exercício de paciência. São mais de três horas de duração que, ao contrário de "JFK", não passam voando. A trajetória de Nixon é tão repleta de acontecimentos importantes que fez-se necessário ao roteiro um número infindo de detalhes que, para quem não é especialista em história dos EUA (ou seja, a maioria esmagadora da audiência) soam como grego. Ao fugir do didatismo, Stone esbarra justamente nesse grande senão: são tantos nomes, tantas personagens e tantas datas que fica difícil ao público médio acompanhar tudo da maneira ideal. Enquanto o filme trata da vida pessoal do protagonista - em um belo preto-e-branco - não há maiores problemas, mas toda vez que o roteiro se concentra nas reuniões políticas entre o presidente e seus correligionários a coisa começa a ficar lenta demais, mesmo com a edição ágil e a trilha sonora impecável de John Williams ajudando o máximo possível. Dirigindo o filme como se fosse um suspense, Stone mais uma vez acerta na técnica, mas peca no excesso de informações.
Para sua sorte - e da plateia - novamente o cineasta escalou um elenco acima de qualquer crítica. Joan Allen foi indicada ao Oscar de coadjuvante por seu retrato de Pat Nixon, mesmo que, segundo pessoas próximas da real primeira-dama tenham discordado da forma com que o roteiro a tratou. Paul Sorvino - irreconhecível sob pesada maquiagem - vive com absurda propriedade Henry Kissinger e Bob Hoskins rouba a cena na pele do chefão do FBI J. Edgar Hoover. Mas nada é mais impressionante do que a interpretação extraordinária de Hopkins no papel-título. Mesmo sendo britânico - o que causou uma onda de protestos - Hopkins deixou pra trás americanos típicos para ficar com o papel central e não apenas conquistou elogios rasgados como também concorreu ao Oscar. Dificilmente Jack Nicholson, John Malkovich, Tom Hanks, Robin Williams e Warren Beatty, por melhores atores que sejam, seriam capazes da entrega que Hopkins apresenta em cena. As sequências em que, tal como uma trágica personagem shakespereana, o presidente sente-se traído, solitário e abandonado mostram um dos grandes atores do mundo em um de seus trabalhos mais ricos.
"Nixon" talvez não interesse à grande maioria do público, aquela que lota as salas de cinema em busca de divertimento. É um filme forte, realizado com um senso estético apurado e um tema relevante e controverso. Pode não dialogar o tempo todo com a verdade, mas até mesmo essa dubiedade combina com a personalidade que retrata.
MINHA MÃE É UMA SEREIA
MINHA MÃE É UMA SEREIA (Mermaids, 1990, MGM Pictures, 110min) Direção: Richard Benjamin. Roteiro: June Roberts. Fotografia: Howard Atherton. Montagem: Jacqueline Cambas. Música: Jack Nitzsche. Figurino: Marit Allen. Direção de arte/cenários: Stuart Wurtzel/Hilton Rosemarin. Casting: Margery Simkin. Produção: Lauren Lloyd, Wallis Nicita, Patrick Palmer. Elenco: Cher, Winona Ryder, Bob Hoskins, Christina Ricci, Michael Schoeffling. Estreia: 14/12/90
No final da década de 80, Cher era uma das atrizes mais poderosas da indústria, graças a seu Oscar por "Feitiço da lua", um prêmio que lhe deu um invejável respeito entre seus colegas. Uma das maiores provas de seu poder está em "Minha mãe é uma sereia" - além de ser a protagonista do filme, ela foi a responsável pela substituição do primeiro diretor escolhido - Frank Oz por Richard Benjamin - e pela escalação da então queridinha de Hollywood, Winona Ryder no lugar da promissora Emily Lloyd. A razão alegada por Cher até fazia sentido - ela achava que Winona, por ser morena, era mais verossímil como sua filha do que a loira Lloyd - mas o fato é que, graças a suas escolhas artísticas, "Minha mãe é uma sereia" acabou se transformando em uma deliciosa e simpática comédia dramática. Não muda a vida de ninguém, mas diverte na medida certa.
A trama de "Minha mãe é uma sereia" se passa em 1963, quando a excêntrica Sra. Flax (vivida com gosto por Cher) chega a uma pacata cidade do interior dos EUA acompanhada das duas filhas, a tímida Charlotte (Winona Ryder) e a pequena Kate (Christina Ricci). Solteira e independente, a jovem senhora muda de cidade toda vez que vê um relacionamento falir, o que atrapalha ainda mais a adolescência complexa de Charlotte, que, apesar da origem judaica, sonha em tornar-se freira. Sua fascinação por histórias de santos é deixada de lado, no entanto, quando ela conhece o jovem Joe (Michael Schoeffling), que trabalha na igreja da cidade e que se apaixona por ela. Seu titubeante romance acontece concomitantemente com a nascente relação entre sua mãe e Lou Landsky (Bob Hoskins), dono de uma loja de sapatos.

"Minha mãe é uma sereia" não tem uma história mirabolante ou grandes lances dramáticos. O roteiro de June Roberts se concentra em retratar o clima ainda ingênuo da América pré-assassinato de Kennedy através da relação entre uma mãe à frente de seu tempo e suas filhas tentando descobrir seu lugar no mundo - e nas relações interpessoais. É interessante notar o equilíbrio entre as personalidades de Charlotte (extremamente madura em alguns aspectos e pateticamente ingênua em outros, a ponto de achar-se grávida depois de um simples beijo) e sua mãe (que foge dos relacionamentos que julga fadados ao fracasso, mas tem uma relação de extremo carinho com a família). O contraponto entre a exuberante Cher e o simpático Bob Hoskins funciona à perfeição, assim como a química perfeita entre a atriz/cantora com Winona Ryder e uma adorável Christina Ricci.
Contando com uma trilha sonora cuidadosamente escolhida - na qual até mesmo uma divertida canção de Cher tem espaço - e um clima de sessão da tarde, "Minha mãe é uma sereia" consegue agradar sem fazer muito esforço, principalmente devido ao carisma de suas protagonistas.
No final da década de 80, Cher era uma das atrizes mais poderosas da indústria, graças a seu Oscar por "Feitiço da lua", um prêmio que lhe deu um invejável respeito entre seus colegas. Uma das maiores provas de seu poder está em "Minha mãe é uma sereia" - além de ser a protagonista do filme, ela foi a responsável pela substituição do primeiro diretor escolhido - Frank Oz por Richard Benjamin - e pela escalação da então queridinha de Hollywood, Winona Ryder no lugar da promissora Emily Lloyd. A razão alegada por Cher até fazia sentido - ela achava que Winona, por ser morena, era mais verossímil como sua filha do que a loira Lloyd - mas o fato é que, graças a suas escolhas artísticas, "Minha mãe é uma sereia" acabou se transformando em uma deliciosa e simpática comédia dramática. Não muda a vida de ninguém, mas diverte na medida certa.
A trama de "Minha mãe é uma sereia" se passa em 1963, quando a excêntrica Sra. Flax (vivida com gosto por Cher) chega a uma pacata cidade do interior dos EUA acompanhada das duas filhas, a tímida Charlotte (Winona Ryder) e a pequena Kate (Christina Ricci). Solteira e independente, a jovem senhora muda de cidade toda vez que vê um relacionamento falir, o que atrapalha ainda mais a adolescência complexa de Charlotte, que, apesar da origem judaica, sonha em tornar-se freira. Sua fascinação por histórias de santos é deixada de lado, no entanto, quando ela conhece o jovem Joe (Michael Schoeffling), que trabalha na igreja da cidade e que se apaixona por ela. Seu titubeante romance acontece concomitantemente com a nascente relação entre sua mãe e Lou Landsky (Bob Hoskins), dono de uma loja de sapatos.
"Minha mãe é uma sereia" não tem uma história mirabolante ou grandes lances dramáticos. O roteiro de June Roberts se concentra em retratar o clima ainda ingênuo da América pré-assassinato de Kennedy através da relação entre uma mãe à frente de seu tempo e suas filhas tentando descobrir seu lugar no mundo - e nas relações interpessoais. É interessante notar o equilíbrio entre as personalidades de Charlotte (extremamente madura em alguns aspectos e pateticamente ingênua em outros, a ponto de achar-se grávida depois de um simples beijo) e sua mãe (que foge dos relacionamentos que julga fadados ao fracasso, mas tem uma relação de extremo carinho com a família). O contraponto entre a exuberante Cher e o simpático Bob Hoskins funciona à perfeição, assim como a química perfeita entre a atriz/cantora com Winona Ryder e uma adorável Christina Ricci.
Contando com uma trilha sonora cuidadosamente escolhida - na qual até mesmo uma divertida canção de Cher tem espaço - e um clima de sessão da tarde, "Minha mãe é uma sereia" consegue agradar sem fazer muito esforço, principalmente devido ao carisma de suas protagonistas.
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