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quinta-feira

A PONTE DE WATERLOO

A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge, 1940, MGM, 108min) Direção: Mervin LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau, George Froeschel, peça teatral de Robert E. Sherwood. Fotografia: Joseph Ruttenberg. Montagem: George Boemler. Música: Herbert Stothart. Figurino: Adrian, Gile Steele. Direção de arte/cenários: Cedric Gibbons/Edwin B. Willis. Produção: Sidney Franklin. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Lucile Watson, Virginia Field, Maria Ouspenskaya, C. Aubrey Smith. Estreia: 17/5/40

2 indicações ao Oscar: Fotografia em P&;B, Trilha Sonora Original

Quando o filme "A ponte de Waterloo" foi lançado nos EUA, em 1940, a Polônia já havia sido invadida pelos alemães, e a França estava começando a passar pelo mesmo drama. Chegando aos cinemas em pleno desenvolvimento do conflito, o filme de Mervin LeRoy, adaptado de uma peça teatral de Robert E. Sherwood acabou por ser uma das primeiras produções que citava a tragédia enquanto ela ainda acontecia diante dos olhos do mundo. Estrelado por Vivien Leigh em seguida a seu sucesso estrondoso em "... E o vento levou", o filme é um melodrama romântico dos mais assumidos, repleto de lágrimas, segredos e um final capaz de deixar os mais sensíveis com lágrimas nos olhos. Não é à toa que é, dentre seus trabalhos, um dos preferidos de Leigh - que queria seu futuro marido Laurence Olivier no papel principal - e o favorito absoluto do protagonista masculino, Robert Taylor. Juntos, eles formam um dos pares românticos mais impactantes de sua época.

Narrado em forma de flashback - quando o oficial britânico Roy Cronin (Robert Taylor, simpático e envolvente) relembra a história ao passar pela ponte do título, durante os primeiros dias da II Guerra - a trama começa justamente nos primórdios do primeiro conflito mundial, quando ele conhece e se apaixona perdidamente pela jovem aspirante a bailarina clássica Myra Lester (Vivien Leigh). O romance entre os dois é avassalador, porque ele está em vias de viajar para a França, e ela sofre com a rigidez do treinamento da veterana Madame Olga Kirinova (Maria Ouspenskaya). Seu desejo de casar-se antes da viagem acaba sendo frustrado por motivos diversos, mas o rapaz promete manter seu compromisso assim que retornar. Um mal-entendido, porém, faz a moça julgá-lo morto - e, a partir daí, longe da companhia de balé e ao lado da amiga Kitty (Virginia Field), entra em um caminho de necessidades que a obriga a tomar decisões que irão mudar definitivamente sua vida.


Dirigido com sobriedade por Mervin LeRoy - autor de alguns clássicos indiscutíveis, como o drama policial "O fugitivo" (32) e o musical "Cavadoras de ouro" (33) - "A ponte de Waterloo" não tem vergonha de abraçar seu lado melodramático, talvez seu maior trunfo. Amparada pela belíssima trilha sonora de Herbert Stothart (indicada ao Oscar, assim como a fotografia de Joseph Ruttenberg), a trágica história de amor entre Roy e Myra é contada sem maiores arroubos criativos, mantendo o interesse da plateia graças principalmente ao roteiro linear e dramático bem ao gosto do público médio de sua época e à química entre seus dois atores centrais. Seja nas sequências em que veem seu amor surgir - em meio a bailes e a explosões de bombas pelas ruas londrinas - seja nos momentos de maior dramaticidade depois de seu reencontro, Leigh e Taylor esbanjam carisma e talento, o que torna fácil a qualquer um torcer por seu final feliz mesmo quando é inevitável que o destino já esteja planejando das suas para impedí-lo.

"A ponte de Waterloo" é, no final das contas, um grande e eficiente melodrama, realizado à moda antiga por um cineasta de grande talento em saber como seduzir seu público utilizando-se de todos os meios à sua disposição. Nem mesmo o fato de Laurence Olivier ter sido preterido pela MGM no papel principal masculino - ele acabou indo fazer Mr. Darcy em uma versão de "Orgulho e preconceito", baseado em livro de Jane Austen - enfraquece o resultado final. Quando Roy e Myra estão dançando e se apaixonando sob o testemunho do público, fica bem claro que Hollywood é especialista em criar grandes e dolorosas histórias de amor.

sexta-feira

UMA RUA CHAMADA PECADO


UMA RUA CHAMADA PECADO (A streetcar named desire, 1951, Warner Bros., 124min) Direção: Elia Kazan. Roteiro: Tennessee Williams, baseado em sua peça de teatro homônima. Fotografia: Harry Stradling. Música: Alex North. Produção: Charles K. Feldman. Elenco: Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim Hunter, Karl Malden. Estreia: 18/9/51

12 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Elia Kazan), Ator (Marlon Brando), Atriz (Vivien Leigh), Ator Coadjuvante (Karl Malden), Atriz Coadjuvante (Kim Hunter), Roteiro Adaptado, Fotografia, Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de Arte, Som
Vencedor de 4 Oscar: Atriz (Vivien Leigh), Ator Coadjuvante (Karl Malden), Atriz Coadjuvante (Kim Hunter), Direção de Arte

Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Kim Hunter)

Adaptações de peças de teatro para o cinema sempre correm o grande risco de tornarem-se aborrecidos exercícios de overactings. É preciso muito talento e/ou experiência para transformar uma bem-sucedida montagem teatral em um igualmente bem-sucedido produto cinematográfico. E talento e experiência são qualidades que não faltam a Elia Kazan e já não faltavam quando ele lançou "Uma rua chamada pecado", em 1951. Ao levar para as telas a obra-prima de Tennessee Williams que ele mesmo havia dirigido na Broadway, o polêmico cineasta não só conseguiu a proeza de criar um novo parâmetro para adaptações teatrais como ainda lançou oficialmente um ator que se tornaria um ícone absoluto do cinema: Marlon Brando. Tudo bem que "Uma rua" não é o primeiro filme de Brando (o título pertence a "Espíritos indômitos", do ano anterior) mas é inegável que foi a partir de sua interpretação vulcânica como Stanley Kowalski que Brando iniciou seu caminho rumo a tornar-se um dos mitos mais duradouros do planeta Hollywood.

"Uma rua chamada pecado" (título fantasioso menos interessante do que o original "Um bonde chamado desejo") se passa em uma espécie de cortiço em Nova Orleans, onde vive a dona de casa Stella (Kim Hunter) e seu marido, o truculento Stanley (Brando). Sua vida sem maiores emoções além de noitadas de pôquer e boliche - temperadas com algumas brigas bastante violentas - se transforma com a chegada de sua irmã mais velha, a misteriosa Blanche DuBois (Vivien Leigh, loura e aparentemente à beira de um ataque de nervos). Blanche chega para passar alguns dias com a irmã e o cunhado, mas esconde as verdadeiras razões pelas quais abandonou a propriedade da família e o emprego de professora. Seus modos delicados logo batem de frente com a falta de polidez de Kowalski, que de imediato não simpatiza com aquela mulher cheia de histórias mal-contadas e que parece ter prazer em jogar sua esposa contra ele. A tensão sexual entre os dois aumenta ainda mais quando Blanche conhece um amigo de Stanley, o tímido Mitch (Karl Malden), que ainda vive com a mãe e busca a companhia de uma mulher que divida com ele suas rígidas regras morais. O passado de Blanche, no entanto, acaba vindo à tona, abalando sua frágil estrutura mental e emocional.


É impossível ficar impassível a "Uma rua chamada pecado". Seja pela atmosfera sexual que envolve cada cena ou seja pela complexidade psicológica de suas personagens, o texto de Williams tem a inteligência de nunca deixar nada óbvio a sua audiência. Tudo é revelado nas entrelinhas - em sons do passado, em olhares assustados, em silêncios reveladores -, de maneira a proporcionar ao público o prazer extra de descobrir junto com as personagens todos os desdobramentos de sua história, por si só bastante intensa e adulta. O roteiro não tem medo de tocar em assuntos controversos - sedução de menores, estupro, violência doméstica - e é defendido por garra por um elenco espetacular.

Apesar de não ser a primeira opção para o papel de Blanche Dubois (foi escolhida apenas por ser mais popular do que Jessica Tandy, que defendeu a personagem nos palcos), Vivien Leigh toma posse de sua personalidade quase de forma espírita, deixando para trás a imagem mundialmente conhecida de Scarlett O'Hara. Seu olhar quase psicótico, seus trejeitos de mulher presa em um mundo particular, sua maneira de enganar a si mesma são brilhantes. Sua química com Brando é palpável: é impossível não reconhecer a tensão sexual entre os dois, que culmina em uma das cenas mais fortes do filme.
Kim Hunter e Karl Malden pontuam com sutileza o embate entre Leigh e Brando, repetindo na tela seus trabalhos na Broadway. Como Stella e Mitch, eles acabam sendo as vítimas inocentes do bonde chamado desejo, que, sem freio, atropela os quatro protagonistas e os arrasta em um caminho sem volta rumo à tragédia.

Curiosamente, dos quatro atores principais do filme apenas Marlon Brando não levou o Oscar (que ficou com Humphrey Bogart, por "Uma aventura na África"). Mas não há espectador que não concorde que é seu Stanley Kowalski, com sua sexualidade à flor da pele - reiterada em constantes imagens de seu musculoso corpo suado e em suas atitudes de macho primata - quem se apropria de todo o filme. Basta Brando entrar em cena para que tudo pareça gravitar à sua volta, tamanha a força de sua atuação. O ator até pode ter ganho dois Oscar em seu caminho posterior (nos espetaculares "Sindicato de ladrões" e "O poderoso chefão"), mas é aqui, nos primórdios de sua carreira que ele marca, a ferro e fogo, seu nome na história do cinema.

sábado

... E O VENTO LEVOU



... E O VENTO LEVOU (Gone with the wind, 1939, Warner Bros., 224min) Direção: Victor Fleming. Roteiro: Sidney Howard, romance de Margareth Mitchell. Fotografia: Ernest Haller, Ray Rennahan. Montagem: Hal C. Kern, James E. Newcomb. Música: Max Steiner. Figurino: Walter Plunkett. Produção: David O. Selznick. Elenco: Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland, Leslie Howard, Hattie MacDaniel. Estreia: 15/12/39

12 indicações ao Oscar: Filme, Diretor (Victor Fleming), Ator (Clark Gable), Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Som, Efeitos Visuais
Vencedor de 10 Oscar: Filme, Diretor (Victor Fleming), Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, e mais 2 especiais: um para o produtor David O. Selznick e um para o uso da fotografia.


O que ainda não foi falado sobre "... E o vento levou"? Há mais de 70 anos encantando gerações e gerações, a obra-prima de Victor Fleming já foi objeto de estudos, teses, livros, homenagens e continua tão fascinante hoje quanto em 1939. Até poderia ser um desafio tentar entender esse fenômeno, mas basta assistir aos primeiros minutos do filme para que qualquer tentativa de ser razoável torne-se impossível. Assim como em toda e qualquer paixão, "...E o vento levou" foge do racional, conquistando o espectador pelo coração, pelos olhos e pelos ouvidos. Ser fã de cinema e não assistir a "...E o vento levou" é o mesmo que ser fã de futebol e não conhecer Pelé.

"...E o vento levou" é a mais perfeita tradução em imagens do melhor que Hollywood pode proporcionar em termos de espetáculo. A fotografia esplendorosa e a reconstituição de época impecável são referências absolutas até os dias de hoje, quando a palavra épico necessariamente traz à mente suas mais grandiosas cenas: o incêncio de Atlanta, a visão dos soldados feridos, os belíssimos crepúsculos em Technicolor... A trilha sonora imponente de Max Steiner, os figurinos caprichados de Walter Plunkett e o ritmo sem falhas do roteiro adaptado por Sidney Howard do romance de Margareth Mitchell completam o que pode ser chamado sem medo de obra-prima.


Mas nada disso seria suficiente se não fosse dois elementos-chave do sucesso e da perenidade do filme: sua história, forte e melodramática e seu elenco absolutamente perfeito. Com a possível exceção de Leslie Howard, que vive um Ashley Wilkes apático e sensaborão, todos os atores que fazem parte de "...E o vento levou" nunca estão aquém de fabulosos. O galã Clark Gable interpreta um Rhett Butler inesquecível; Olivia de Havilland vive uma Melanie impecável em sua delicadeza quase inumana e as coadjuvantes Hattie McDaniel (primeira negra a levar um Oscar) e Butterly McQueen roubam cada cena em que aparecem. No entanto, não seria equivocado afirmar que o filme pertence a Vivien Leigh. A atriz inglesa suplantou praticamente toda a população artística feminina de Hollywood para ficar com o papel da sulista Scarlett OHara - sem dúvida uma das personagens mais marcantes da história do cinema - e justifica sua escalação em cada um dos fotogramas em que aparece. Além de ser linda, dona de uma beleza clássica mas nunca datada, Leigh imprime a força necessária a sua personagem, uma pré-feminista das mais apaixonantes que se tem notícia.

Para quem ainda não sabe - se é que existe alguém que não sabe - "...E o vento levou" conta a história de Scarlett O'Hara (Leigh), uma jovem mimada e voluntariosa que vê seu mundo desmoronar quando o homem por quem é apaixonada, Ashley Wilkes (Howard) anuncia seu casamento com a meiga Melanie (de Havilland) pouco antes de partir para a Guerra de Secessão americana - que opunha o sul escravocrata contra o norte abolicionista. Mais do que afastá-la de Ashley, a guerra também leva às ruínas a fazenda de sua família - a imponente Tara - e, para salvá-la, Scarlett não hesita em utilizar de quaisquer artifícios, inclusive embarcando em casamentos por interesse. Sua obsessão por Ashley e sua luta pela manutenção de sua propriedade, no entanto, a cegam para a verdade que sempre esteve sua frente: o amor que desperta em Rhett Butler (Gable), que, por trás de um verniz de cínico e amoral, esconde um cavalheiro romântico e apaixonado.

"...E o vento levou" tem de tudo um pouco: é romance, é épico, tem cenas de legítima comédia, retrata os horrores da guerra - que transformam pessoas em animais - e conta uma história de amor que nunca soa falsa. Mas acima de tudo, é um filme que, como poucos, merece o título de "clássico".

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...