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segunda-feira

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO

 


ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (Before the devil knows you're dead, 2007,  Capitol Films/Funky Buddha Productions/Unity Productions, 117min) Direção: Sidney Lumet. Roteiro: Kelly Masterson. Fotografia: Ron Fortunato. Montagem: Tom Swartwout. Música: Carter Burwell. Figurino: Tina Nigro. Direção de arte/cenários: Christopher Nowak/Diane Lederman. Produção executiva: Belle Avery, Jane Barclay, David Bergstein, J. J. Hoffman, Eli Klein, Hannah Leader, Jeffry Melnick, Sam Zaharis. Produção: Michael Cerenzie, William S. Gilmore, Brian Linse, Paul Parmar. Elenco: Phillip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei, Albert Finney, Rosemary Harris, Amy Ryan, Michael Shannon. Estreia: 07/9/2007 (Deauville Festival of American Cinema)

No mínimo desde "12 homens e uma sentença" (1957) - passando por clássicos absolutos como "Serpico" (1973), "Um dia de cão" (1975) e "Rede de intrigas" (1976) -, o cineasta Sidney Lumet acostumou-se a entregar ao público produções que apresentavam personagens dúbios, falíveis e dispostos a correrem riscos em nomes de objetivos quase sempre suicidas. Depois de um longo período de obras menores e/ou sem repercussão popular e de crítica, ele voltou a seu tema preferido em "Antes que o diabo saiba que você está morto", uma poderosa mescla de filme policial e drama familiar que acabou por ser, sem que ele mesmo soubesse disso, seu canto do cisne. Dirigindo com precisão cirúrgica o trágico e surpreendente primeiro roteiro de Kelly Masterson, o veterano Lumet demonstra uma vitalidade rara para um artista octogenário, mantendo o espectador atento a cada reviravolta e cada nuance revelada por seus protagonistas. E é lógico que ajuda muito contar, no elenco, com atores brilhantes como Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney - em uma de suas últimas aparições nas telas.

Com ecos de Shakespeare em sua trama - imprevisível e pessimista -, "Antes que o diabo saiba que você está morto" apresenta dois irmãos de personalidades opostas que se unem para cometer um crime aparentemente perfeito: o roubo a uma joalheria familiar em uma manhã de pouco movimento. Andy (Philip Seymour Hoffman) está em vias de ter descoberto o desfalque que deu na empresa onde trabalha, enquanto Hank (Ethan Hawke) vive sob a pressão de dever a pensão para a ex-mulher ao mesmo tempo em que se culpa por não conseguir ser o filho que seu pai, Charles (Albert Finney), sonhava ter. Com o fracasso do assalto - que acaba em duas mortes - a vida da família vira do avesso: chantageados pelo irmão de uma das vítimas (que sabe de sua responsabilidade na tragédia), Andy e Hank entram em um caminho de sangue, violência e traições, que envolve Gina (Marisa Tomei) - esposa de um e amante do outro - e o próprio patriarca.

 

Contada de forma não linear, recheada de idas e vindas no tempo que servem para oferecer ao público as peças que formam seu quebra-cabeças, a trama do filme de Lumet se utiliza de tal artifício não como muleta narrativa, mas como parte fundamental de sua estrutura. Conforme novas informações a respeito dos acontecimentos que levaram ao crime - e suas consequências - vão surgindo diante do espectador, mais potentes as camadas vão se revelando, reafirmando o tom fatalista da expressão irlandesa que empresta o nome à produção. As surpresas reservadas a cada capítulo - com uma edição primorosa, que explicita apenas o que é necessário no momento - tornam "Antes que o diabo saiba que você está morto" um drama policial que rompe com as tradicionais engrenagens do gênero, aprofundando as relações interpessoais até o limite da inevitável ruptura. Com três focos distintos - Andy, Hank e Charles - que se intercalam e se completam, o roteiro de Kelly Masterson empolga exatamente por sua capacidade de surpreender e por sua coragem em chegar a desdobramentos que a maioria das produções do gênero evita a todo custo. E não atrapalha em nada que Lumet possa contar com um elenco absolutamente impecável.

Assim como seus personagens, Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke são atores de personalidades distintas, e o experiente cineasta explora com precisão tais diferenças, em cenas de crescente tensão que enfatizam suas qualidades como intérpretes e potencializam cada linha de diálogo. O veterano Albert Finney tampouco fica atrás, com ao menos duas sequências arrepiantes - uma delas encerrando de forma chocante o drama familiar estabelecido nos primeiros minutos. E em um elenco tão incrível, o único senão é o pouco aproveitamento de Rosemary Harris e Amy Ryan - partes femininas de um clã onde apenas Marisa Tomei tem reais chances de brilhar. Forte e coeso, o conjunto de atores (premiado por várias associações de críticos) é a tradução perfeita de um roteiro inteligente, uma direção energética e, o que é mais importante de tudo, uma história envolvente. Um adeus digno da grandeza de seu diretor.

terça-feira

QUERIDO MENINO


QUERIDO MENINO (Beautiful boy, 2018, Amazon Studios/Plan B Entertainment, 120min) Direção: Felix Von Groeningen. Roteiro: Luke Davies, Felix Von Groeningen, livros "Beautiful boy", de David Sheff, e "Tweak", de Nic Sheff. Fotografia: Ruben Impens. Montagem: Nico Leunen. Figurino: Emma Potter. Direção de arte/cenários: Ethan Tobman/Jennifer Lukehart. Produção executiva: Sarah Esberg, Nan Morales. Produção: Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Brad Pitt. Elenco: Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney, Amy Ryan, Jack Dylan Grazer. Estreia: 07/9/2018 (Festival de Toronto)

Talvez fosse difícil imaginar que o protagonista de um filme chamado "O virgem de 40 anos"(2005) pudesse, com o tempo, tornar-se um ator dramático de prestígio, capaz de emocionar o público com a mesma desenvoltura com que o fazia gargalhar. Porém, se Steve Carell levava a audiência às lágrimas de riso com a série "The office", também mostrava um lado menos solar em produções como "Pequena Miss Sunshine" (2006) - em que vivia um professor suicida, gay e fã de Proust. Dividido entre o gênero que o consagrou - e que lhe rendeu cenas memoráveis em "Agente 86" (2008), "Uma noite fora de série" (2010) e "Amor à toda prova" (2011) - e o desejo de provar-se um intérprete versátil, Carell chegou até o Oscar com o incômodo "Foxcatcher: uma história que chocou o mundo" (2014) e entrou para o rol dos atores respeitáveis. Seguindo em sua opção de intercalar humor e drama, ele marcou outro gol com "Querido menino", um avassalador drama familiar que em sua estreia, no Festival de Toronto de 2018, foi aplaudido de pé - mas que, apesar das altas expectativas, falhou em conquistar a Academia e ser lembrado pelo Oscar.

Inspirado não apenas em um, mas em dois livros - escritos por pai e filho -, "Querido menino" tem a seu favor, além do trabalho sensível de Carell e do desempenho de Timothée Chalamet, um dos mais promissores astros de sua geração, a direção inteligente do belga Felix Von Groeningen, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro pelo impressionante "Alabama Monroe" (2012). Assim como fez em seu filme mais famoso, Von Groeningen evita o sentimentalismo fácil e faz uso de flashbacks constantes para construir uma narrativa quase em fluxo de consciência, que mergulha o espectador em uma relação familiar repleta de angústias e dor, mas também ancorada em amor e afeto. Ao contrário de julgar seus personagens e limitá-los a estereótipos, o roteiro co-escrito pelo diretor e Luke Davis (um ex-viciado cujo livro de memórias, "Candy", foi filmado com Heath Ledger em 2006) apresenta ao público um núcleo familiar que, a despeito de seus problemas, ainda é capaz de manter a esperança de um futuro menos cruel. Nem sempre o estilo narrativo funciona - por vezes é um tanto cansativo -, mas a edição (que levou sete meses e só encontrou seu caminho definitivo quando o colaborador do cineasta, Nico Leunen, juntou-se à equipe) é parte fundamental da estética do filme - e uma forma eficaz de apresentar à plateia os pontos de vista de ambos os protagonistas.


Os livros "Beautiful boy", do jornalista David Sheff, e "Tweak", escrito por seu filho, Nic, são a base do roteiro de "Querido menino" - e contam a mesma história, ainda que sob diferentes perspectivas. O filme se detém principalmente no olhar de David (Steve Carell), que vê sua rotina doméstica tranquila ser repentinamente abalada pelo vício em drogas do filho mais velho, Nic (Timothée Chalamet). Até então um adolescente típico mas sem maiores crises, o rapaz passa a apresentar um comportamento errático e agressivo, o que o leva a centros de reabilitação, conflitos frequentes com os pais (separados) e a nova família (madrasta e dois irmãos pequenos) e assustadoras ameaças de overdoses. Abalado com a nova realidade, David se vê diante de um dilema: proteger o que ainda resta de sua família ou arriscar tudo na tentativa de recuperar a integridade física do jovem. Suas dúvidas passam a ameaçar seu  casamento com Karen (Maura Tierney) - e nem mesmo a reaproximação com a primeira mulher, Vicki (Amy Ryan), é suficiente para consolá-lo em sua cruzada. Enquanto isso, Nic tenta, à sua maneira, lidar com o vício e suas consequências (físicas e psicológicas) - o que inclui um romance atribulado com outra viciada, Lauren (Kaitlyn Dever) e um entra-e-sai em programas de desintoxicação. 

É difícil imaginar como seria o resultado se "Querido menino" não tivesse caído nas mãos talentosas e poéticas de Felix Von Groeningen - e o diretor Cameron Crowe esteve perto de assumir as rédeas do projeto, com Mark Wahlberg no papel principal. Certamente o enfoque e o tom seriam muito diferentes, sem o olhar europeu do cineasta belga e a sutileza do trabalho de Carell, que foge corajosamente de sua zona de conforto e entrega um desempenho brilhante. O mesmo pode ser dito a respeito de Timothée Chalamet, indicado ao Golden Globe, ao BAFTA e ao Screen Actors Guild Awards por sua atuação delicada e honesta. A química entre Chalamet e Carell é preciosa e eleva o filme a um patamar acima da média - sublinhada pela discrição de Von Groeningen ao tratar das emoções mais básicas do ser humano. Não há lágrimas em excesso em "Querido menino". É apenas (e isso já é o bastante) o retrato de uma família quebrada tentando juntar os pedaços e colá-los com amor e respeito. Um belo filme, que merece ser descoberto e aplaudido.

quinta-feira

PONTE DOS ESPIÕES

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of spies, 2015, DreamWorks/Fox 2000 Pictures/Relliance Entertainnment, 142min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Matt Charman, Ethan Coen, Joel Coen. Fotografia: Janusz Kaminski. Montagem: Michel Kahn. Música: Thomas Newman. Figurino: Kasia Walicka Maimone. Direção de arte/cenários: Adam Stockhausen/Rena DeAngelo, Bernhard Heinrich. Produção executiva: Jonathan King, Daniel Lupi, Jeff Skoll, Adam Somner. Produção: Kristie Macosko Krieger, Marc Platt, Steven Spielberg. Elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda, Austin Stowell, Jesse Plemmons. Estreia: 04/10/15 (Festival de Nova York)

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Mark Rylance), Roteiro Original, Trilha Sonora Original, Direção de Arte/Cenários, Edição de Som
Vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante (Mark Rylance) 

Exatos dez anos separaram "Munique" e "Ponte dos espiões", e nesse meio-tempo, seu diretor Steven Spielberg retomou as rédeas de um de seus personagens mais famosos - em "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (2008) -, realizou o sonho de dirigir uma aventura baseada em um clássico dos quadrinhos - "As aventuras de Tintim" (2011) - e viu dois filmes seus indicados ao Oscar principal - "Cavalo de guerra" (2011) e "Lincoln" (2012). Nenhum desses filmes, porém, por mais qualidades que possam vir a ter, chegou perto de refletir o enorme talento do cineasta mais popular do mundo, um homem capaz de entreter as massas com produções descompromissadas e entregar às plateias mais exigentes obras de extrema competência técnica e narrativa. Foi assim com "Munique" - um de seus melhores trabalhos - e é assim também com "Ponte dos espiões". Daí a comparação: ambos são filmes que equilibram um senso de ritmo e tensão constante com personagens complexos e histórias reais. Não à toa, nenhum deles foi campeão de bilheteria nos EUA: mesmo com o nome do cineasta e o rosto de Tom Hanks no cartaz, "Ponte dos espiões" mal passou dos 70 milhões de dólares de arrecadação doméstica, o que de forma alguma traduz a excelência de sua realização. Sério - mas dotado de um sutil senso de humor - e impecavelmente produzido, é um dos melhores filmes da carreira de Spielberg e um ponto alto de sua colaboração com Hanks, que já contava com os sensacionais "O resgate do soldado Ryan" (1998) e "Prenda-me se for capaz" (2002) e o apenas razoável "O terminal" (2004).

Uma história real quase inacreditável, "Ponte dos espiões" surgiu quase por acaso: lendo uma biografia de JFK, o roteirista Matt Charman ficou intrigado com o fato do então presidente americano ter buscado a ajuda de um advogado tributarista, James Donovan, para negociar a libertação de mais de 1000 prisioneiros após o malfadado episódio da Baía de Porcos, em Cuba. Buscando saber mais a respeito de Donovan, Charman deparou-se com um episódio pouco conhecido - mas muito empolgante do ponto de vista narrativo - da história da Guerra Fria, que envolvia o advogado e uma troca de prisioneiros entre EUA, União Soviética e Alemanha Oriental. Empolgado com a possibilidade de contar tal história no cinema, apresentou um projeto na DreamWorks e teve mais sorte do que Peter Ustinov e Gregory Peck, que tentaram uma adaptação em 1965 pela MGM e fracassaram (em parte porque ainda era muito cedo para tratar do assunto): o projeto parou nas mãos de ninguém menos que Steven Spielberg, que não demorou em assumir o controle da situação. Com o roteiro de Charman pronto, o cineasta chamou os irmãos Joel e Ethan Coen - diretores premiados com o Oscar por "Onde os fracos não tem vez" (2007) - para dar mais consistência ao protagonista e inserir um pouco do senso de ironia característico da dupla. Com Janusz Kaminski na fotografia e Michael Kahn na edição, apenas sua colaboração com o veterano compositor John Williams não seria possível (por problemas de saúde do músico) se repetir: Thomas Newman foi chamado e tornou-se parte de uma equipe primorosa e homogênea, que criou um filme no mínimo fascinante!


A trama começa em 1957, com a prisão de Rudolf Abel (Mark Rylance) pelo FBI: acusado de ser um espião soviético, o discreto e introvertido pintor é capturado depois de uma longa caçada. Para que não possa ser acusado de imparcialidade, o governo americano chama o advogado James B. Donovan (Tom Hanks) - que trabalhou nos julgamentos de guerra em Nuremberg - para defendê-lo. A princípio hesitante em aceitar o caso (por saber o quão delicado seria defender um "inimigo do país"), Donovan acaba por aceitar a missão e, mais do que isso, dedicar-se com fervor a ela, para desgosto de seus empregadores - que não tem grande interesse em absolvê-lo. Mesmo contra todas as probabilidades, Abel escapa da pena de morte graças à intervenção de seu advogado, que, profeticamente, imagina um cenário em que os EUA poderiam precisar do espião para trocar por algum soldado americano. Suas palavras se tornam realidade quando o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) tem seu avião abatido durante um voo em busca de informações fotográficas e ele se vê preso pelos russos - e, na Alemanha Ocidental, o estudante Fredric Pryor (Will Rogers) é detido mesmo depois de identificar-se como apenas um estudante. Escalado para servir como negociador de uma troca entre Abel e Powers, o idealista advogado decide que, uma vez que não está oficialmente representando o governo, só irá levar a situação adiante se puder levar embora os dois prisioneiros americanos.

Com uma medida exata de suspense, humor negro (a burocracia a qual Donovan é submetido é quase kafkiana) e drama, "Ponte dos espiões" acerta em todos os alvos - ainda que seu patriotismo fique um tanto deslocado no final, uma característica de que o cinema de Spielberg não consegue abrir mão. Tom Hanks mais uma vez prova que é um ator de muitas nuances e lidera o elenco com força e generosidade, e Mark Rylance brilha em cada cena - seu Oscar de ator coadjuvante, inesperado contra o favorito Sylvester Stallone, por "Creed: nascido para lutar", foi absolutamente merecido. A fotografia sóbria e elegante de Janusz Kaminski é absolutamente eficaz, acompanhando com belas imagens a transposição visual da trama, cuidadosamente retratada em uma reconstituição de época de encher os olhos. Spielberg ainda dá espaço para seu característico ufanismo - forçando uma comparação entre a rígida Alemanha e seu democrático país através do olhar patriota de James Donovan - mas seu respeito pela história e pelo público impede que o filme resvale para o piegas. Um dos cineastas mais conscientes do poder das imagens para uma narrativa, Spielberg dá uma aula em cada cena, entregando um resultado final ao qual se é impossível ficar incólume. Cinema com letra maiúscula, "Ponte dos espiões" é mais uma obra-prima de uma carreira repleta delas. Que não demore mais dez anos para surgir outra!

sexta-feira

SEM EVIDÊNCIAS

SEM EVIDÊNCIAS (Devil's knot, 2013, Worldview Entertainment, 114min) Direção: Atom Egoyan. Roteiro: Paul Harris Boardman, Scott Derrickson, livro "Devil's knot: the true story of the West Memphis Three", de Mara Leveritt. Fotografia: Paul Sarossy. Montagem: Susan Shipton. Música: Mychael Danna. Figurino: Kari Perkins. Direção de arte/cenários: Philip Barker/Melinda Sanders. Produção executiva: David Alper, Jason Baldwin, Holly Ballard, Maria Cestone, Molly Conners, Scott Derrickson, Michael Flynn, Sarah E. Johnson, Mara Leveritt, Jessie Miskelley Jr., Hoyt David Morgan, Jacob Pechenik. Produção: Paul Harris Boardman, Elizabeth Fowler, Clark Peterson, Richard Saperstein, Christopher Woodrow. Elenco: Reese Witherspoon, Colin Firth, Alessandro Nivola, James Hamrick, Seth Meriwether, Kristopher Higgins, Amy Ryan, Bruce Greenwood, Matt Letscher, Martin Henderson, Elias Koteas, Dane DeHaan. Estreia: 08/9/13 (Festival de Toronto)

Nem mesmo o prestígio do cineasta canadense Atom Egoyan e o elenco liderado por dois vencedores do Oscar - Reese Witherspoon e Colin Firth - foram atrativos o bastante para que o drama de tribunal "Sem evidências" encontrasse seu público ou agradasse à crítica. Baseado em uma história real ocorrida em 1993, o filme estreou no Festival de Toronto de 2013 e, ao contrário do que se poderia esperar de uma produção com nomes tão fortes, foi praticamente ignorado tanto nas bilheterias quanto nas cerimônias de premiação. Principalmente por ter sido lançado depois da trilogia de documentários "Paradise lost" - que tratava do mesmo assunto de forma bem mais profunda e detalhada - o primeiro filme americano de Egoyan encontrou resistência por parte da imprensa e passou quase em brancas nuvens pelos cinemas americanos. Seria apenas mais um caso dentre tantos se não fosse um detalhe: apesar de não ser uma obra-prima (nem tampouco o melhor filme do cineasta que assinou o belo "O doce amanhã"), "Sem evidências" é bastante interessante e não mereceu tamanha indiferença.

A trama é instigante e chocante: em uma pequena cidade do Arkansas, três meninos desaparecem misteriosamente e tem seus corpos encontrados alguns dias depois, nus, amarrados e com sinais de tortura. A pressão popular faz com que a polícia - que ignorou solenemente fatos estranhos ocorridos logo após o sumiço das crianças, como o aparecimento de um homem sangrando em um restaurante - chegue rapidamente à solução do caso, prendendo três adolescentes locais, acusados pelo testemunho de uma outra criança que diz ter assistido aos homicídios. De certa forma aliviados pela resolução rápida do caso, os habitantes da cidade sequer questionam os métodos da investigação e aceitam como fato consumado que tudo não passou de um sacrifício humano para rituais de magia negra - afinal, os jovens se vestem de preto, são tatuados, estranhos e falam a quem estiver disposto a ouvir sobre suas relações com o ocultismo. Quem não compra a teoria da polícia, no entanto, é Ron Lax (Colin Firth), investigador particular que se une à equipe de defesa dos rapazes para tentar descobrir a verdade sobre os crimes. Julgando que os réus estão pagando por algo que não cometeram, ele acaba por despertar a antipatia dos pais das vítimas, em especial Pam Hobbs (Reese Witherspoon), uma mulher religiosa que não se conforma com a morte do filho.


Evitando o excesso de flashbacks comum ao gênero, a narrativa clássica e direta de "Sem evidências" procura ater-se basicamente aos fatos relativos aos crimes e ao julgamento, ainda que sua opção em privilegiar o ponto de vista de Lax deixe bem clara sua posição em relação ao veredicto. Imparcial e buscando apenas a justiça pura e simples, o personagem vivido com sutileza por Colin Firth contrasta violentamente com as figuras de autoridade, que não hesitam em criar depoimentos falsos, forjar provas e ignorar pistas em sua sede de solucionar seu caso. Ao mostrar sem filtros a forma como toda uma cidade se volta contra jovens que fogem do padrão de comportamento tido como normal - e que acaba sendo a maior evidência contra eles - o filme de Egoyan também levanta discussões importantes acerca de preconceito e hipocrisia, especialmente quando se sabe que, após o julgamento, outros suspeitos bem menos apropriados ao gosto dos cidadãos de bem foram considerados e devidamente deixados de lado. Sem tentar dar respostas definitivas - mesmo porque elas ainda não existem - o roteiro de "Sem evidências" mostra os fatos de forma clara e objetiva e deixa que a plateia tire as próprias conclusões (por mais óbvias que elas possam ser). E se tanto Witherspoon quanto Firth estão contidos em suas atuações, é mérito do diretor fazer com que sua história fale mais do que seus astros.

Com sua história sendo contada em três frentes que jamais se atropelam (mérito do roteiro e da edição discreta), "Sem evidências" acompanha o julgamento dos acusados, as investigações de Lax e as tentativas de Pam em retornar à vida normal com delicadeza ímpar. Fiel a seu estilo emocionalmente econômico, Atom Egoyan só permite raramente que a dor de Pam se sobressaia ao enfoque policial da narrativa, mas quando o faz toca o coração da plateia sem apelar para o piegas. Talvez essa opção do cineasta em privilegiar o tom sóbrio e a discrição tenha sido um dos motivos da rejeição do filme pelo público e até pela crítica - que provavelmente esperava algo mais potente de um diretor de seu porte. Mas é inegável sua qualidade dramática, seu respeito pela história e pelos personagens e, mais importante ainda, seu sucesso em evitar o sensacionalismo. Não é espetacular, mas é um belo filme, apesar do injusto fracasso afirmar o contrário.

terça-feira

A TROCA

A TROCA (Changeling, 2008, Warner Bros, 141min) Direção: Clint Eastwood. Roteiro: J. Michael Straczynski. Fotografia: Tom Stern. Montagem: Joel Cox, Gary D. Roach. Música: Clint Eastwood. Figurino: Deborah Hopper. Direção de arte/cenários: James J. Murakami/Gary Fettis. Produção executiva: Audrey Chon, Tim Moore, Jim Whitaker. Produção: Clint Eastwood, Brian Grazer, Ron Howard, Robert Lorenz. Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Colm Feore, Michael Kelly, Jeffrey Donovan, Amy Ryan. Estreia: 20/5/08 (Festival de Cannes)

3 indicações ao Oscar: Atriz (Angelina Jolie), Fotografia, Direção de Arte/Cenários

Algumas ideias (ou obsessões) não devem ser subestimadas. O roteirista J. Michael Straczynski que o diga. Logo que tomou conhecimento da chocante história de Christine Collins, ocorrida na Los Angeles da década de 20 - através de documentos que estavam em vias de serem destruídos pela prefeitura da cidade - o autor de inúmeros episódios da série televisiva "Babylon 5" percebeu que ali estava algo que merecia ser contado no cinema. Pelo período de um ano, ele dedicou-se a pesquisar a respeito não só de Collins, mas também do caso policial conhecido como Wineville Chicken Coop Murders, com o objetivo de escrever um roteiro o mais próximo possível da realidade. A julgar pelos diálogos transcritos diretamente dos documentos do tribunal e o cuidado com a reconstituição fidelíssima aos fatos a missão foi cumprida: tendo o primeiro tratamento de seu roteiro escrito em apenas onze dias, "A troca" chegou aos cinemas com o selo qualidade de Clint Eastwood e com a mais poderosa atuação da carreira de Angelina Jolie - que mereceu uma indicação ao Oscar de melhor atriz.

Ficando com o papel que despertou o interesse de atrizes como Hilary Swank e Reese Whiterspoon - ambas já premiadas pela Academia - Angelina está nitidamente entregue à sua personagem, uma personagem de dimensões trágicas da qual ela se desincumbe sem cair nas diversas armadilhas de uma trama que, conduzida por mãos menos hábeis e experientes que as de Eastwood, se transforma, em seu desenvolvimento, de um pungente drama familiar em um aterrador suspense policial que tem o agravante de ter acontecido na vida real. Orquestrando seu filme com seriedade e sem firulas desnecessárias, como é seu estilo, Clint não deixa que nada fique maior do que a força da história, nem mesmo o caprichado visual, cortesia da fotografia esplêndida de Tom Stern e a reconstituição de época impecável: não à toa, tanto Stern quanto o desenhista de produção James J. Murakami foram indicados ao prêmio da Academia, assim como Angelina Jolie - que perdeu o que poderia ser sua segunda estatueta para Kate Winslet em "O leitor".


Christine Collins, a personagem de Jolie, é a mãe solteira do pequeno Walter, de nove anos de idade, que desaparece misteriosamente em uma tarde de 1928. Desesperada, ela procura a ajuda da corrupta e violenta polícia de Los Angeles, que, para efeito de boa publicidade, resolve o caso em pouco tempo, reunindo mãe e filho. O problema é que Christine não reconhece o menino que lhe é entregue como seu filho: certa de que houve uma troca - por razões óbvias que os oficiais insistem em ignorar - ela passa a exigir a retomada das investigações, contando com a ajuda do Pastor Gustav Briegleb (John Malkovich). O que ela não poderia esperar, no entanto, é que sua cruzada acaba servindo de justificativa para uma árbitrária prisão em um hospital psiquiátrico.

Se desde o princípio "A troca" já investe em um tom melancólico e claustrofóbico, seu ato final consegue ser ainda mais tenso: quando a verdade a respeito do desaparecimento de Walter finalmente vem à tona, Eastwood mostra porque é um dos cineastas mais respeitados de sua geração. Com pleno domínio de sua técnica, ele equilibra momentos de tensão com cenas de uma dramaticidade coerente e discreta, capaz de emocionar e revoltar na mesma medida. É um filme para ver e rever, realizado com a extrema competência e seriedade que o tema pede.

MEDO DA VERDADE

MEDO DA VERDADE (Gone baby gone, 2007, Miramax Films, 114min) Direção: Ben Affleck. Roteiro: Ben Affleck, Aaron Stockard, romance de Dennis Lehane. Fotografia: John Toll. Montagem: William Goldenberg. Música: Harry Gregson-Williams. Figurino: Alix Friedberg. Direção de arte/cenários: Sharon Seymour/Chris Cornwell. Produção executiva: David Crockett. Produção: Sean Bailey, Alan Ladd Jr., Dan Rissner. Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Ed Harris, Morgan Freeman, Amy Ryan, Amy Madigan. Estreia: 19/10/07

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Amy Ryan)

Apesar de alguns sucessos de bilheteria - "Armaggedon" e "Pearl Harbor" entre eles - o nome de Ben Affleck não era exatamente sinônimo de prestígio dentro de Hollywood no início dos anos 2000. Severamente criticado por suas parcas qualidades como ator - fato comprovado com atuações pífias em "Contato de risco" (ao lado da então noiva Jennifer Lopez) e "Menina dos olhos" (que repetiu sua parceria com o diretor Kevin Smith) - ele optou então por um caminho inteligente cujos primeiros passos ele havia dado em 1998 com "Gênio indomável" (que ele co-escreveu com o amigo Matt Damon e lhe deu o Oscar da categoria) - tornar-se diretor. Se a crítica e o público tinham reservas quanto a seu talento dramático, porém, não puderam deixar de surpreender-se positivamente com "Medo da verdade". Adaptado do romance de Dennis Lehane pelo próprio ator e por Aaron Stockard, o filme agradou em cheio por revelar em Affleck um cineasta sensível, discreto e, melhor ainda, atento ao objetivo principal de um filme: prender a atenção da plateia.

Lehane - também autor do livro que originou "Sobre meninos e lobos" - criou uma trama potente e inteligente, que valoriza os dramas pessoais das personagens tanto quanto o desenvolvimento do suspense e Affleck acertou em dar a devida atenção a tais conflitos, contando para isso com um elenco coadjuvante acima de qualquer crítica. Seu único erro - e de certa forma crucial - foi escalar para o papel central seu irmão Casey, que, apesar da indicação ao Oscar de coadjuvante por "O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford", não tem estofo dramático o suficiente para segurar tal desafio. Ao lado da igualmente frágil Michelle Monaghan, Casey acaba fazendo de seu Patrick Kenzie a menos interessante personagem da história.



Situado em um subúrbio de Boston, "Medo da verdade" começa com o desaparecimento da pequena Amanda McCready, de apenas 4 anos de idade. Filha única de Helene (Amy Ryan) - uma mulher não exatamente exemplar - a menina sumiu de sua própria casa sem deixar vestígios, o que deixa a vizinhança em polvorosa. Chamados para investigar o caso em paralelo com a polícia, os detetives Patrick Kenzie e Angie Gennaro (Monaghan) acabam por descobrir uma rede de corrupção policial, pedófilos e traficantes de drogas. Mesmo acostumados com a região, eles ficam chocados com todos os desdobramentos do crime, que apontam para uma solução nada ortodoxa.

Com as já citadas atuações apenas razoáveis de Casey Affleck e Michelle Monaghan - ele sem o tipo físico e o carisma apropriados e ela sem maiores características marcantes - "Medo da verdade" se beneficia também de seu elenco de apoio, formado por atores extraordinários em papéis que demonstram várias camadas no decorrer da projeção. É assim que Ed Harris, Morgan Freeman e Amy Madigan crescem conforme a trama vai se desenrolando e é assim também que Amy Ryan cria uma Helene McCready impecável, que lhe deu uma merecida indicação ao Oscar de coadjuvante. É Ryan, com sua personagem desagradável, quase cruel e fria, que melhor representa todas as nuances do filme, com seu jogo de aparências e interesses.

Tratado mais como um drama do que como um policial, "Medo da verdade" foge dos clichês do gênero ao apostar em reviravoltas críveis, que empurram a história adiante sem soar forçadas. As engrenagens do roteiro - muito bem adaptado, com fidelidade e respeito mas sem perder a objetividade - só são expostas de verdade no terço final, quando tudo faz um apavorante sentido e justifica o crescimento interno dos protagonistas - também presentes em outros romances de Lehane. A sensação sufocante que deixa quando acaba - ao contrário de muitos produtos puramente comerciais e ocos - dá ao filme de Affleck uma qualidade tangível, de tristeza e indignação. E não é isso que diferencia os filmes apenas corretos daqueles que merecem um lugar na lista dos melhores?

quinta-feira

CAPOTE

CAPOTE (Capote, 2005, Columbia TriStar, 114min) Direção: Bennett Miller. Roteiro: Dan Futterman, livro de Gerald Clarke. Figurino: Adam Kimmel. Montagem: Christopher Tellefsen. Música: Mychael Danna. Figurino: Kasia Walicka Maimone. Direção de arte/cenários: Jess Gonchor/Maryam Decter, Scott Rossell. Produção executiva: Dan Futterman, Philip Seymour Hoffman, Kerry Rock, Danny Rosett. Produção: Caroline Baron, Michael Ohoven, William Vince. Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Amy Ryan, Bruce Greenwood, Bob Balaban. Estreia: 30/9/05

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Bennett Miller), Ator (Philip Seymour Hoffman), Atriz Coadjuvante (Catherine Keener), Roteiro Adaptado

Em 30 de setembro de 2005, dia em que o escritor Truman Capote completaria 81 anos, estreou nas telas americanas aquele que provavelmente poderia ser um de seus maiores presentes. Com base na extensa biografia escrita por Gerald Clarke - porém limitando sua trama ao período em que ele envolveu-se de forma quase insana na criação de sua mais famosa obra, o livro "À sangue frio" - estreou o filme "Capote", que encontrou no ator Philip Seymour Hoffman sua encarnação mais perfeita. Também produtor executivo do filme, Hoffman simplesmente encarnou a personalidade polêmica do escritor/jornalista mais célebre de seu tempo, provocando um verdadeiro arrastão na temporada de premiações - que culminou com um merecido Oscar de melhor ator.

Realizado praticamente ao mesmo tempo que "Confidencial" - onde o ator Toby Jones encarnou o protagonista e Sandra Bullock desfilou sua apatia como Harper Lee - "Capote" é um filme repleto de qualidades, a começar pela direção sensível de Bennett Miller e o roteiro conciso e inteligente do também ator Dan Futterman (que depois viveria o jornalista Daniel Pearl em "O preço da coragem", ao lado de Angelina Jolie). O filme começa com o assassinato de uma família no Kansas, cometido sem motivo aparente. Subitamente interessado pela notícia, o jornalista - afeminado, excêntrico e dotado de um senso de humor muitas vezes agressivo - parte para a pequena cidade de Holcomb acompanhado da amiga escritora Harper Lee (Catherine Keener, discreta e inexplicavelmente indicada a um Oscar por seu trabalho) com o objetivo de escrever uma matéria sobre o caso. Fascinado com a tragédia, Capote fica ainda mais entusiasmado quando conhece os assassinos, em especial Perry Smith (Clifton Collins Jr., ótimo), com quem sente uma estranha conexão. Mergulhando cada vez em suas pesquisas, ele acaba decidindo escrever não mais uma matéria e sim um livro sobre o caso. O que seria apenas alguns dias de trabalho acaba se tornando quase uma obsessão de anos.



O roteiro de Futterman concentra-se bastante na relação entre Capote e Perry, o que lhe dá a chance de explorar a contento a personalidade conflitante de seu protagonista e, ao mesmo tempo, criar um paralelo interessante entre ele e um assassino que, à primeira vista, nada tem em comum com ele. A forma com que tanto o roteiro quanto a direção conduzem a narrativa é um primor de sutileza e discrição, valorizado pelo desempenho formidável de Philip Seymour Hoffman e pela surpreendentemente emotiva atuação de Clifton Collins Jr., que dá à sua personagem uma textura ainda mais contundente do que no clássico "À sangue-frio", realizado nos anos 60, com os fatos ainda quentinhos no inconsciente americano. O distanciamento temporal também ajuda à plateia a ter uma visão menos passional do tema do filme e analisar "Capote" não como um semi-documentário (como o magnífico trabalho de Richard Brooks), mas como um filme que poderia tranquilamente ser uma obra de ficção - mistura essa que o próprio escritor inaugurou na literatura, criando o gênero "romance de não-ficção".

Equilibrando-se admiravelmente entre os bastidores da realização de uma das mais importantes obras literárias americanas do século XX e o estudo da personalidade festiva e melancólica de um dos autores essenciais de sua época, "Capote" é um filme que cresce a cada revisão, graças a sua seriedade em tratar de temas complexos e à interpretação assombrosa de Phillip Seymour Hoffman, no grande papel de sua vida.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...