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quinta-feira

AS AMIZADES PARTICULARES

AS AMIZADES PARTICULARES (Les amitiés particulières, 1964, Lux Compagnie Cinématographique de France, 100min) Direção: Jean Delannoy. Roteiro: Jean Aurenche, Pierre Boste, romance de Roger Peyerefitte. Fotografia: Christian Matras. Montagem: Louisette Hautecoeur. Música: Jean Prodromidès. Direção de arte: René Renoux. Produção: Christine Gouze-Rénal. Elenco: Francis Lacombrade, Didier Haudepin, François Leccia, Dominique Maurin. Estreia: 04/9/64

Logo depois da II Guerra Mundial, o adolescente Georges de Sarre é matriculado em uma escola católica exclusiva para meninos, e logo que chega faz amizade com outro rapaz, Lucien Rouvére. Tal amizade não é vista com bons olhos por um dos professores, e não demora muito para que Georges saiba o porquê: desafiando os regulamentos da escola, Lucien mantém uma amizade íntima com outro colega. Depois da expulsão de seu primeiro amigo (causada por ele mesmo, em um acesso de ciúmes), o novo aluno se descobre atraído pelo ousado Alexandre Motier, de apenas doze anos de idade. O relacionamento passa a tornar-se a cada dia mais e mais ardoroso, com troca de cartas, encontros furtivos e suspiros apaixonados. A maior ameaça a tal idílio surge na figura do Padre Lanzon - cujos motivos de tentar impedir algo mais sério entre os rapazes são bem menos nobres do que se poderia esperar de um religioso. O padre, amigo da família de Alexandre, interfere na relação e conduz a todos em direção a uma tragédia anunciada.

Fosse feito hoje em dia, o filme "As amizades particulares" seria, certamente, alvo de histeria generalizada. Não só porque trata de um romance adolescente abertamente homossexual - um tema que de certa forma não agride mais ninguém - mas por inserir, em sua narrativa (poética e fluida), uma visão nítida a respeito de um assunto que ainda incomoda até ao mais renitente liberal: a pedofilia. Se o romance entre Georges e Alexandre já parece um tanto perturbador - erro de uma escalação de elenco que coloca Francis Lacombrade, aos 22 anos de idade, envolvido com Didier Haudepin, de apenas treze - a cobiça dos padres locais pelos alunos torna o filme de Jean Dellanoy ao mesmo tempo atemporal e capaz de despertar discussões acaloradas. Realizado em 1964 e baseado em um romance autobiográfico de Roger Peyrefitte lançado em 1943, o filme ao mesmo tempo encanta e incomoda ao naturalizar sem julgamentos uma relação bastante problemática. Ao preferir o romance mais lírico em detrimento do sexual, o roteiro de Jean Aurenche e Pierre Boste desvia da polêmica que cenas mais ousadas poderiam despertar e sublinha o encantamento dos personagens, acenando, assim, a uma história com mais coração do que carne, mais platônica do que sensual. Isso basta para afastar o filme de uma generalização fácil.


Concorrente do Leão de Ouro do Festival de Veneza de 1964, "As amizades particulares" não foi exatamente um sucesso incontestável de crítica. François Truffaut, um dos maiores cineastas de França, aproveitou seu prestígio para apontar um excesso de formalidade na obra de Dellanoy. Completamente errado o diretor de "Os incompreendidos" (1959) não estava: realmente existe, em "As amizades particulares", uma narrativa bem-comportada e acadêmica, que batia de frente com a então aclamada nouvelle vague. Porém, longe de tornar seu filme pouco atraente àqueles que festejavam as inovações do novo cinema francês, essa linearidade formal demonstrava que, apesar das modernidades apresentadas por Truffaut e companhia., ainda havia espaço para histórias contadas da maneira tradicional. Com o uso discreto da trilha sonora e uma bela fotografia em preto-e-branco, "As amizades particulares" cativa o espectador justamente por sua aparente simplicidade: não há necessidade de grandes reviravoltas dramáticas ou apelos sentimentais na trama criada por Peyerefitte: seus personagens soam reais o bastante para que a história transcorra de forma crível, apesar do elenco. A opção de colocar Francis Lacombrade como o protagonista Georges de Sarre não deixa de ser um equívoco: aos 22 anos de idade, ele claramente não parece um adolescente de 14, e sua interação com Didier Hauperin, com 13 anos que aparentam menos, soa desconfortável para que o espectador torça a favor do romance. Como está, Georges parece tão pedófilo quanto o padre obrigado a abandonar a escola devido a reuniões com alguns alunos, regadas a cigarro e bebidas.

Incômodos à parte, "As amizades particulares" é um belo filme. Sensível e dirigido com delicadeza, aproveita o material original para narrar uma história de amor e melancolia sem buscar a lágrima fácil. Em seu elenco destaca-se o jovem Didier Hauperin, que, com sua inocência e aparência de criança, rompe o previsível e assume os riscos de um papel difícil com uma segurança de veterano. Suas sequências finais são de uma tristeza quase palpável - cortesia de seu talento e da inteligência de Jean Dellanoy ao encerrar sua história com um desfecho de deixar o público com um nó na garganta. Pode até não agradar a um público mais conservador, mas em relação a dezenas de outros filmes com a mesma temática, se sobressai e assume importância crucial para a história do gênero.

sábado

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964, Copacabana Filmes, 120min) Direção e roteiro: Glauber Rocha. Fotografia: Waldemar Lima. Montagem: Rafael Valverde. Música: Sérgio Ricardo. Figurino/Direção de arte: Paulo Gil Soares. Produção: Luiz Augusto Mendes. Elenco: Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle, Lídio Silva, Sonia dos Humildes. Estreia: 11/5/64 (Festival de Cannes)

Quando "Deus e o Diabo na Terra do Sol" estreou, no Festival de Cannes de 1964, o Brasil já havia começado a sofrer o impacto de uma ditadura militar que durou mais de duas décadas. Coincidência ou não, o filme do baiano Glauber Rocha usa e abusa de alegorias políticas e religiosas, criticando sem medo o autoritarismo tanto do governo quanto da Igreja (seja ela qual for). Elogiado pela imprensa mundial e por nomes como Fritz Lang e Luis Buñuel, o segundo longa de Glauber acabou se tornando, com o tempo, o mais icônico de seus trabalhos, e uma das mais bem acabadas produções do Cinema Novo - a resposta brasileira à nouvelle vague francesa. Clássico absoluto e referência obrigatória da cinematografia nacional, é, também, uma prova da inventividade do cineasta em mesclar a linguagem do cinema clássico hollywoodiano (mais precisamente os faroestes de John Ford) e os experimentalismos de Eisenstein. O resultado é um fascinante sincretismo cultural, que une a brasilidade árida do sertão nordestino aos elementos mais universais da técnica cinematográfica em uma ópera grandiloquente e emocionante sobre os perigos do messianismo.

A trama já começa de forma explosiva, quando o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) mata o patrão explorador e foge com a esposa, Rosa (Yoná Magalhães, no auge da beleza e do carisma). No meio do sertão, os dois conhecem e se tornam seguidores de Santo Sebastião (Lídio Silva), o líder de uma seita religiosa combatida com violência pelo governo - um personagem nitidamente inspirado por Antônio Conselheiro, figura real e cabeça da guerra de Canudos, também no Nordeste brasileiro. A influência de Sebastião é tanta que não demora para que a Igreja, sentindo-se ameaçada em seu poder, resolva dar um fim à sua vida. Sob as mãos do jagunço Antônio das Mortes (Maurício do Vale), o grupo é sumariamente liquidado, mas o casal consegue escapar com vida - não sem antes passar por uma série de testes humilhantes e dolorosos para serem aprovados pelo beato. Na fuga depois do massacre, Manuel e Rosa encontram Corisco (Othon Bastos), cangaceiro sobrevivente do bando de Lampião e, ainda sem rumo definido, o vaqueiro aceita converter-se ao cangaço, apesar das dúvidas de sua mulher. Com o codinome de Satanás, Manuel entra no bando de Corisco, mas novamente Antônio das Mortes surge em seu caminho.


Unindo o erudito ao popular também através de sua trilha sonora, que mistura canções de Sérgio Ricardo e trechos da obra de Heitor Villa-lobos, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" é uma viagem sensorial das mais instigantes para dentro do universo nordestino, sem que tal regionalidade se torne algo limitante. Glauber Rocha cria um belíssimo jogo de paradoxos - Deus/Diabo; lírico/popular; violência/religiosidade - para construir uma narrativa alegórica em que palavras são quase desnecessárias. Fala-se mais através das poderosas imagens e da música do que de diálogos - que, quando surgem, demonstram o senso de poesia e teatralidade do cineasta. Na pele de Corisco, o ator Othon Bastos apresenta um dos melhores (se não O melhor) trabalho de sua carreira, enquanto a Geraldo Del Rey e Yoná Magalhães cabem o desafio de costurar, com seus personagens, as linhas que separam (ou unem) todas as dualidades concebidas pelo roteiro. E nem mesmo alguns momentos um tanto esquisitos - cenas de ação não exatamente realistas - conseguem atrapalhar o maior mérito do filme, que é imprimir identidade brasileira e discussões políticas em um gênero aparentemente norte-americano e de puro entretenimento: o faroeste.

É difícil não lembrar da vastidão das paisagens retratadas por John Ford quando se assiste a "Deus e o Diabo na Terra do Sol". É claro que, no lugar do Monument Valley e dos cavalos ao pôr-do-sol, a fotografia de Waldemar Lima destaca a aridez do sertão e o sol escaldante do nordeste (tudo em um cuidadoso preto e branco), mas em ambos os casos há a intenção de situar o homem em sua insignificância diante da natureza e do destino. Ao contrário dos personagens criados por Ford e seu ator preferido, John Wayne, porém, o Manuel interpretado por Geraldo Del Rey é mais compassivo, mais maleável aos desígnios de uma trajetória errática em busca de redenção: não é um herói, e tampouco um bandido, e sim um homem comum, torturado pelo desespero de não encontrar um sentido para uma vida difícil e violenta. Fugindo do tradicional final feliz e deixando ao espectador a missão de traduzir suas belas imagens e seus diálogos potentes, Glauber Rocha inscreveu seu nome definitivamente na história do cinema nacional com um filme indispensável a qualquer fã de cinema - brasileiro ou não. "Deus e o Diabo na Terra do Sol" é cinema em sua essência, pura e radical, bela e angustiante, lírica e dolorida.

terça-feira

ALMAS MORTAS

ALMAS MORTAS (Strait-jacket, 1964, Columbia Pictures, 93min) Direção: William Castle. Roteiro: Robert Bloch. Fotografia: Arthur Arling. Montagem: Edwin Bryant. Música: Van Alexander. Direção de arte/cenários: Boris Leven/Frank Tuttle. Produção: William Castle. Elenco: Joan Crawford, Diane Baker, Leif Erickson, John Anthony Hayes, Howard St. John, Rochelle Hudson, George Kennedy. Estreia: 19/01/64

Quase vinte anos depois de sua consagração com o Oscar de melhor atriz por "Alma em suplício" (45), Joan Crawford vivia, na década de 60, uma nova fase de sucesso em Hollywood. Impulsionados pelo êxito de "O que terá acontecido a Baby Jane?" (62), filmes de suspense baratos e a um passo do horror ganhavam as plateias mesmo que não fossem do agrado massivo da crítica. Assim como Bette Davis, sua coestrela no clássico de Robert Aldrich, a atriz que anos mais tarde se tornaria conhecida como uma mãe adotiva pouco amável, graças ao livro "Mamãezinha querida", escrito por sua filha adotiva Christina, foi descoberta por uma nova geração de espectadores - bem mais interessada na sanguinolência das tramas (precursoras dos slasher movies que se tornariam febre nos anos 80) do que no histórico dramático de suas atrizes. Com roteiro escrito por Robert Bloch, autor do romance que deu origem a "Psicose" (60), um dos maiores clássicos de Hitchcock, "Almas mortas" faz parte dessa etapa da carreira de Crawford - e faz uso de todos os elementos que se tornariam frequentes no gênero a partir de então: mortes violentas, suspense, música exagerada, reviravoltas e um teor psicológico superficial apenas como pano de fundo para uma trama cujo objetivo é apenas assustar o público (e, consequentemente, ganhar muito dinheiro).

Dirigido pelo especialista em filmes de terror baratos e eficientes William Castle - fã confesso de "Baby Jane" e conhecido pelos efeitos especiais que utilizava nas salas que exibiam seus filmes -, "Almas mortas" não seria estrelado por Joan Crawford, e sim por outra Joan, mais famosa por seus papéis em comédias românticas do que por seus dotes dramáticos: Joan Blondell. Quando Blondell saiu do projeto devido a um acidente, Castle, que conhecia Crawford pessoalmente depois de uma festa, lhe ofereceu o papel principal. A estrela, então parte da diretoria da Pepsi, depois da morte de seu marido Alfred Steele (presidente da companhia), não fez economia de exigências: não apenas escalou o vice-presidente da Pepsi, Mitchell Cox, em um papel importante, como pediu para que todo o roteiro fosse reescrito conforme sua vontade (além de manter a prerrogativa de aprovar ou não o elenco escolhido pelo diretor). O resultado é um filme que, apesar de manter as características de Castle, ganha um rasgo de sofisticação com a presença sempre magnética da atriz, uma das mais fortes da era de ouro de Hollywood.


Logo nas primeiras cenas percebe-se o tom de cinema comercial barato de Castle: em um momento de puro horror, Lucy Harbin (Joan Crawford, rejuvenescida pela maquiagem e pelo figurino) flagra o marido e a amante em sua própria cama e, desesperada, os mata a machadadas, sendo testemunhada pela filha pequena, Carol. Condenada à prisão em um manicômio judiciário, ela deixa a filha com um casal de tios, que a cria com todo o amor e a proteção necessários. Vinte anos mais tarde, Lucy é posta em liberdade e vai morar com a família. Agora uma mulher, Carol (Diane Baker) é uma escultora e namora com Michael (John Anthony Hayes), cujos pais são nomes conhecidos da sociedade local. Perturbada por seu passado, Lucy tem dificuldades em se relacionar normalmente com as pessoas a seu redor, especialmente quando Carol tenta inserí-la em sua nova vida. Depois da visita de um dos médicos de Lucy à fazenda onde todos moram, porém, acontecimentos estranhos começam, inclusive com violentos assassinatos com um machado e vozes surgidas do nada atormentando a viúva.

Seguindo à risca o guia de assustar a audiência enquanto conta uma história recheada de insights psicológicos pouco aprofundados - uma receita que deu muito certo em "Psicose" -, "Almas mortas" é um típico entretenimento para os fãs do gênero. Décadas antes que Jason e Freddie Krueger passassem a ameaçar suas vítimas adolescentes em produções bem mais sangrentas e menos inteligentes, William Castle constrói uma trama com tensão crescente que não teme em apelar para o trash (os efeitos especiais são risíveis, o que pode até contar como um charme a mais). Quanto à Crawford, ela se esforça em passar credibilidade a um enredo que lhe permite passar, em questão de minutos, do melodrama mais rasgado ao terror gore. É uma festa para os espectadores que cultuam "Baby Jane" e outros exemplares do gênero - e uma prova da perenidade da atriz, com a carreira renovada graças a ele.

COM A MALDADE NA ALMA

COM A MALDADE NA ALMA (Hush... hush, sweet Charlotte, 1964, 20th Century Fox, 133min) Direção: Robert Aldrich. Roteiro: Henry Farrell, Lukas Heller, estória de Henry Farrell. Fotografia: Joseph Biroc. Montagem: Michael Luciano. Música: De Vol. Figurino: Norma Koch. Direção de arte/cenários: William Glasgow/Raphael Bretton. Produção: Robert Aldrich. Elenco: Bette Davis, Olivia de Havilland, Joseph Cotten, Agnes Moorehead, Mary Astor, Victor Buono. Estreia: 15/12/64

7 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Agnes Moorehead), Fotografia em P&B, Montagem, Trilha Sonora Original, Canção ("Hush... Hush, Sweet Charlotte), Figurino em P&B, Direção de Arte/Cenários em P&B
Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Agnes Moorehead) 

Depois do estrondoso sucesso de "O que terá acontecido a Baby Jane?" (62), todo mundo em Hollywood estava ansioso por um reencontro entre suas duas protagonistas, Bette Davis e Joan Crawford. Todo mundo exceto Robert Aldrich, o diretor do filme, que teve de lidar com a célebre e amplamente conhecida rivalidade entre elas durante as (e depois das) filmagens. Aldrich preferia qualquer coisa no mundo a ter de passar novamente pelo pesadelo de domar as duas megeras, mas como em Hollywood quem manda é o vil metal, em 1964 ele estava outra vez diante do desafio de dominar o furacão: com o objetivo puro e simples de capitalizar em cima da tendência inaugurada por "Baby Jane" - filmes de terror estrelados por grandes nomes da era de ouro do cinema, como "Almas mortas", que manteve Crawford em alta mesmo nos anos 60 - Aldrich aceitou o desafio de realizar "Com a maldade na alma", que seguiria à risca todos os mandamentos do gênero, com direito a cabeças rolando, suspense psicológico de almanaque e reviravoltas nem tão surpreendentes assim. A grande questão é que nem mesmo o cineasta - já devidamente escolado em bastidores problemáticos - poderia prever que a produção, criada como veículo para Bette e Joan, acabasse desfalcado de uma das estrelas e chegasse às telas com apenas metade do apelo comercial.

Chegando à locação prevista para o filme e já entrando em crise com Bette Davis - que fazia questão de ostentar uma situação mais confortável durante as filmagens - a pouco delicada Joan Crawford acabou não esquentando banco: depois de algumas semanas, nem precisou utilizar-se da cláusula que lhe desobrigava de participar das campanhas publicitárias do filme ao lado da colega de cena e foi demitida por Aldrich... e só ficou sabendo através dos jornais, devidamente avisados por Davis. É óbvio que tal situação não ajudou em nada a já complicada trajetória do filme - rebatizado como "Hush... Hush, Sweet Charlotte" depois que o original "O que terá acontecido à prima Charlotte" dava à produção um indisfarçável ar de caça-níqueis (o que na verdade ela era). Para substituir Crawford foi chamada Olivia de Havilland - que já havia ficado com um papel seu em "A dama enjaulada", do mesmo ano, e que tornou-se amiga inseparável de Bette Davis, a ponto de brindarem com Coca-cola toda manhã - vale lembrar que Joan fazia parte da diretoria da Pepsi à época. A entrada de Olivia no filme pode ter deixado os bastidores menos tensos (ou divertidos, dependendo do ponto de vista), mas certamente prejudicou o resultado final: "Com a maldade na alma" não tem a metade da inventividade, crueldade e do irresistível tom de decadência de "Baby Jane".


É lógico que um filme estrelado por Bette Davis já é, por si só, imperdível, uma vez que a grande atriz invariavelmente dá um show, mesmo quando tem em mãos um papel com possibilidades limitadas. Porém, "Com a maldade na alma" esbarra em um roteiro que se pretende cheio de reviravoltas quando, na verdade, apenas se estende desnecessariamente em uma trama muitas vezes enfadonha. O começo, é preciso que se diga, é sensacional: no final dos anos 20, um grandioso baile oferecido por um dos fazendeiros mais ricos de Baton Rouge, no sul dos EUA é abalado pelo cruel e violento assassinato de um homem, que tem a cabeça e uma das mãos decepadas com um cutelo. Imediatamente a culpa recai sobre a filha do dono da casa, Charlotte Hollis (Bette Davis), cujos planos de fugir com a vítima (casada) foram interrompidos pela covardia do rapaz. Décadas mais tarde, Charlotte vive sozinha na vasta propriedade da família, depois da morte do pai, e passa por dificuldades devido à desapropriação da fazenda para construção de uma ponte. Acreditando cegamente que quem está por trás da situação é a viúva de seu ex-amante, Jewel Mayhew (Mary Astor), ela fica aliviada com a chegada de uma prima há muito distante, Miriam Deering (Olivia de Havilland). Porém, Miriam, que antigamente era o interesse amoroso do médico de Charlotte, Drew Bayliss (Joseph Cotten), não chega para ajudar a prima a resolver a questão das terras e sim para ajudá-la na transição para uma nova vida, distante de onde ela foi criada. É o que basta para a sanidade mental de Charlotte começar a dar sérios sinais de declínio.

Sem o duelo de interpretações proporcionado por Davis e Crawford em "Baby Jane", "Com a maldade na alma" se sustenta basicamente no admirável talento da primeira em tirar leite de pedra. O roteiro parece não se decidir entre o trash e o suspense psicológico, mesclando cenas puramente camp com momentos em que busca soar como Alfred Hitchcock - inspiração óbvia desde o sucesso comercial de "Psicose" (60). Nem sempre funciona, mais por culpa de uma história bastante previsível do que pela direção de Aldrich (sempre tentando encontrar a maneira menos fácil de enxergar uma cena) ou pela atuação de seus atores, ainda que Olivia de Havilland nunca tenha parecido tão canastrona. A reviravolta da trama tampouco entusiasma ou surpreende aos espectadores mais escolados e somente Agnes Moorehead (de "A feiticeira") consegue sobressair-se, com um trabalho premiado com o Golden Globe e indicado ao Oscar - por incrível que pareça, o filme obteve uma recepção bem mais calorosa da Academia do que "Baby Jane", sendo indicado a sete estatuetas no ano em que "My fair lady" sagrou-se o grande campeão. Na pele da leal e corajosa empregada da solitária solteirona, Moorehead é a única que chega a ameaçar roubar a cena de Bette Davis, que, como sempre, entrega-se de corpo e alma a um filme, mesmo que ele não esteja entre seus melhores. É Davis, sempre ela, que faz "Com a maldade na alma" valer a pena. Nem que seja para assistir-se a mais um de seus shows particulares.

quarta-feira

BAGUNCEIRO ARRUMADINHO

BAGUNCEIRO ARRUMADINHO (The disorderly orderly, 1964, Jerry Lewis Production, 90min) Direção: Frank Tashlin. Roteiro: Frank Tashlin, estória de Norm Liebmann, Ed Haas. Fotografia: W. Wallace Kelley. Montagem: Russell Wiles, John Woodcock. Música: Joseph J. Lilley. Figurino: Edith Head. Direção de arte/cenários: Tambi Larsen, Hal Pereira/Sam Comer, Ray Moyer. Produção executiva: Jerry Lewis. Produção: Paul Jones. Elenco: Jerry Lewis, Glenda Farrell, Susan Oliver, Karen Sharpe. Estreia: 16/12/64

Sempre que Jerry Lewis assumia o comando absoluto de seus filmes (atuação, roteiro, direção e produção), eles corriam o sério risco de cair na armadilha do egocentrismo de seu criador - que, por trás das câmeras, era bastante diferente dos personagens afáveis que encarnava para alegria de seus (muitos) fãs e desgosto de seus (inúmeros) detratores. Filmes como "O professor aloprado" (63), por mais sucesso que tivessem, frequentemente esbarravam em sua monstruosa egolatria e o impediam de enxergar os excessos de seu humor quase infantiloide (mas por isso mesmo imensamente popular). Nas mãos do cineasta Frank Tashlin, porém, ele encontrava o tão necessário equilíbrio entre seu desejo de agradar à plateia e a vontade de massagear sua autoestima. "Bagunceiro arrumadinho" faz parte desse grupo de filmes bem-sucedidos, ao não abrir mão das gags visuais que fizeram a fama de Lewis mas tampouco esquecer de um fundamento primordial do cinema: contar uma história.

O próprio Tashlin é também roteirista do filme, utilizando-se de uma história criada por Norm Liebmann e Ed Haas para narrar as aventuras cômico-românticas de Jerome Littlefield, vivido por um Jerry Lewis surpreendentemente menos histérico do que o normal. Impedido de cursar a faculdade de Medicina com que sonhava, Littlefield resolve dedicar-se à carreira de cuidador em uma clínica de repouso onde também trabalha sua namorada, a enfermeira Julie Blair (Karen Sharpe). Seu jeito desastrado de realizar as tarefas mais simples o levam a bater de frente com a enfermeira-chefe, Maggie Higgins (Kathleen Freeman), mas o que realmente irá abalar sua rotina relativamente tranquila é o reencontro com Susan Andrews (Susan Oliver), por quem ele era apaixonado na escola e que dá entrada na clínica após uma tentativa de suicídio. Para mantê-la internada mesmo sem ter dinheiro para pagar as despesas, Jerome resolve trabalhar sem folga, para desespero de Julie, que não consegue evitar o ciúme.


Como sempre acontece nos filmes de Lewis, o roteiro é uma sucessão de sequências de humor visual, que exploram o grande talento do ator em demonstrar uma elasticidade física anormal e uma inteligência acima da média em encontrar graça nas situações mais imprevistas. Dono de algumas cenas clássicas do humor americano dos anos 60 - principalmente a que envolve um paciente praticamente mumificado pelo protagonista que rola pelo gramado da clínica - "Bagunceiro arrumadinho" é feliz também em assumir um lado romântico mais acentuado do que os filmes anteriores do astro. Mesmo que o triângulo amoroso central não seja o foco da narrativa, é refrescante acompanhar um romance quase ingênuo, que contrastava com a explosão do chamado "amor livre" que aos poucos também chegava à Hollywood e ao cinema internacional. De olho no público infantil que tanto o adorava, Lewis não ousava tematicamente, e esse seu apelo universal e atemporal nunca esteve tão evidente quanto nesse trabalho de Tashling, que mantém até hoje sua energia e sua leveza.

Nenhum dos filmes estrelados por Jerry Lewis pode ser considerado uma obra-prima do cinema - a não ser que se compartilhe da opinião dos críticos franceses da prestigiada "Cahièrs du Cinema". No entanto, "Bagunceiro arrumadinho" é, talvez, o mais perto de demonstrar toda a extensão de seu talento como ator e humorista. Ainda que "O professor aloprado" seja normalmente citado como o melhor de seus filmes, é aqui que ele equilibra com mais felicidade a sutileza, o escracho e a sua tendência a devastar cenários com a maior naturalidade - característica que ele legou a nomes como Rowan Atkinson (o Mr. Bean) e a Jim Carrey em seus primeiros filmes. É curto, é agradável e faz rir, mas para isso é preciso que se deixe de lado qualquer preconceito contra o humor visual e não se busque mais do que algumas boas risadas. "Bagunceiro arrumadinho" é Jerry Lewis em sua essência. Para o bem e para o mal.

terça-feira

DR. FANTÁSTICO: OU COMO APRENDI A PARAR DE ME PREOCUPAR E AMAR A BOMBA

DR. FANTÁSTICO: OU COMO APRENDI A PARAR DE ME PREOCUPAR E AMAR A BOMBA (Dr. Strangelove or: How I learned to stop worrying and love the bomb, 1964, Columbia Pictures Corporation, 95min) Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick, Terry Southern, Peter George, romance "Red alert", de Peter George. Fotografia: Gilbert Taylor. Montagem: Anthony Harvey. Música: Laurie Johnson. Direção de arte: Ken Adam. Produção: Stanley Kubrick. Elenco: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden, Keenan Wynn, Slim Pickens, James Earl Jones. Estreia: 29/01/64

4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Stanley Kubrick), Ator (Peter Sellers), Roteiro Adaptado

No início dos anos 60, a II Guerra Mundial já era passado para os estúdios de Hollywood, que demorariam algumas décadas até voltarem a utilizá-la como matéria-prima para suas produções mais ambiciosas. A bola da vez no começo da década do flower power era a possibilidade cada vez menos remota de um conflito nuclear, especialmente com o assassinato de John F. Kennedy, em novembro de 1963 e a Rússia se tornando uma potência mundial. Com esse panorama político à frente, a Columbia Pictures não hesitou em lançar, em 1964, não apenas um, mas dois filmes com temática similar - mas com pontos de vista bastante distintos. Quando "Limite de segurança", dirigido por Sidney Lumet e estrelado por Henry Fonda - um thriller sufocante e tenso - chegou às telas, em setembro, o público e a crítica já haviam visitado o assunto por um viés satírico, exagerado e surreal, dirigido por um cineasta pouco afeito ao convencional: o inglês Stanley Kubrick. Com base no livro "Alerta vermelho", de Peter George, um romance sério a respeito da iminência de uma nova guerra entre americanos e soviéticos, Kubrick virou a trama de pernas para o ar, alterando substancialmente o tom alarmista do original para criar uma comédia alucinada e quase nonsense. O resultado, "Dr. Fantástico: ou Como aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba" acabou por transformar-se em um grande sucesso crítico e comercial, a ponto de ser indicado aos Oscar de melhor filme, diretor, ator (Peter Sellers) e roteiro adaptado e passar a ser considerado uma das melhores comédias da história do cinema, graças ao American Film Institute - que o colocou em terceiro lugar entre as maiores do gênero.

A ideia de Kubrick em transformar o livro de Peter George em uma sátira não agradou muito ao autor do original, que, no entanto, não se recusou ao crédito de corroteirista, ao lado do diretor e de Terry Southern, que só entrou no projeto quando o cineasta inglês percebeu o potencial humorístico do material que tinha em mãos. Com um roteiro repleto de humor negro e críticas nada veladas ao governo americano - e às paranoias relacionadas à incipiente Guerra Fria - a Columbia viu que o melhor a fazer seria escalar alguém que pudesse fazer jus a todas as possibilidades da história. Surgia então o nome de Peter Sellers, com quem Kubrick já havia trabalhado - e com grande êxito - na versão cinematográfica de "Lolita" (62), de Vladimir Nabokov. Como já havia acontecido no filme anterior, Sellers voltaria a interpretar múltiplos personagens - mais precisamente três, o que de certa forma contrariava os interesses do estúdio, que sonhava com um quarteto de caracterizações - e, para isso, recebeu um polpudo pagamento de 1 milhão de dólares, o que representava mais da metade do orçamento do filme inteiro. O investimento valeu a pena: não apenas Sellers roubou a cena como recebeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor ator - prêmio que perdeu para Rex Harrison, no ultrapremiado "My fair lady".





As ironias de "Dr. Fantástico" já começam na escalação do elenco. Na pele do paranoico General Jack D. Ripper, obcecado por fantasias de uma possível invasão "vermelha" e responsável por enviar um avião norte-americano em direção à Rússia com o objetivo de bombardear o país, está o ator Sterling Hayden, notório militante do Partido Comunista à época das filmagens. É seu personagem que dá início à história, mantendo o oficial da Força Aérea Britânica Lionel Mandrake (Peter Sellers) em seu poder enquanto espera o desfecho de seu ato de rebeldia. Atônito com a situação, o presidente dos EUA, Merkin Muffley (também vivido por Sellers), resolve tentar, de todas as maneiras possíveis, impedir que tal desgraça aconteça, o que poderia causar o início de uma III Guerra Mundial. Para isso, chama à Sala de Guerra do Pentágono - reconstruída em estúdio na Inglaterra, de onde Peter Sellers não poderia sair devido a problemas com seu divórcio - o General Buck Turgidson (George C. Scott), o embaixador soviético Sadesky (Peter Bull) e o exótico cientista Dr. Strangelove (o terceiro personagem de Sellers), que tem ideias próprias a respeito de como resolver o problema. Em uma terceira linha narrativa, a tripulação do avião mandado por Ripper em direção à Rússia encontra dificuldade em comunicar-se tanto com seu comandante quanto com a sala de controle que pode lhe impedir de dar continuidade à missão.


Ao optar pelo exagero em todos os setores da produção - desde a direção de arte claustrofóbica e com tons de pesadelo até a interpretação de seus atores, o que causou estranheza ao veterano George C. Scott, que não compreendia as intenções do diretor até ver o filme finalizado - Stanley Kubrick acabou por criar um dos filmes de guerra mais contundentes da história. Retratando os detentores do poder de criar ou acabar com um conflito mundial não como heróis, mas como poltrões dominados por suas amantes, suas paranoias e seus interesses pessoais, o roteiro joga por terra o patriotismo americano que tanto serviu de base para produções hollywoodianas nas décadas seguintes e, de quebra, ridiculariza os dois lados da questão, com diálogos absurdos e situações visuais que beiram o patético - tombos, brigas, um cientista sem controle da própria mão mecânica. Em uma filmografia que não tinha muito espaço para o humor, Kubrick fez de "Dr. Fantástico" uma obra única e que, de uma forma tortuosa, serviu de alerta para um período de grande tensão política - por uma coincidência macabra, sua exibição-teste estava marcada justamente para o dia da morte de Kennedy, um dos mais importantes eventos na história ocidental do século XX e que muito interferiu no desenrolar da Guerra Fria. Mais uma vez, por obra do acaso, o cinema de Kubrick nunca pareceu tão antenado com sua realidade.

sábado

QUANDO PARIS ALUCINA

QUANDO PARIS ALUCINA (Paris when it sizzles, 1964, Paramount Pictures, 110min) Direção: Richard Quine. Roteiro: George Axelrod, estória de Julien Duvivier, Henri Jeanson. Fotografia: Charles Lang, Jr. Montagem: Archie Marshek. Música: Nelson Riddle. Direção de arte/cenários: Jean D'Eaubonne/Gabriel Bechir. Produção: George Axelrod, Richard Quine. Elenco: William Holden, Audrey Hepburn, Noel Coward, Tony Curtis, Grégoire Aslan. Estreia: 08/4/64

Na teoria parecia uma ideia genial: unir o talento e o carisma de William Holden com a beleza e o perfeito timing cômico de Audrey Hepburn em uma trama metalinguística que brincaria com o universo do cinema e contaria com participações mais que especiais de Tony Curtis, Marlene Dietrich e Frank Sinatra em pontas. Porém, até mesmo as ideias aparentemente infalíveis podem se mostrar armadilhas e foi exatamente o que aconteceu com "Quando Paris alucina". O que poderia ser uma comédia das mais divertidas dos anos 60 transformou-se, nas mãos do diretor Richard Quine, em um pastiche exagerado, confuso e sem ritmo e que, a despeito de alguns bons momentos de criatividade, termina por não cumprir todas as promessas que faz em seu agradável início.

Considerado pela própria Audrey Hepburn seu filme menos querido de sua fase como grande estrela, "Quando Paris alucina" tem na irregularidade seu maior problema, o que não deixa de ser surpreendente, uma vez que o roteiro tem a assinatura de George Axelrod, que dois anos antes havia lançado o espetacular "Sob o domínio do mal", estrelado por Frank Sinatra, um primor de ritmo e concisão. Aqui, ele conta de forma atabalhoada uma história que em momento nenhum prende a atenção do espectador, que fica esperando (em vão) que as coisas façam algum sentido - e a quem só resta, depois de um tempo, aproveitar as belas paisagens da cidade-luz e a elegância sempre irretocável de Hepburn, que consegue tirar leite de pedra com uma personagem sem profundidade e que existe apenas para justificar a história de amor que se pretende contar - ou não, já que também há a indecisão entre o romance e a comédia de erros que satiriza o modo industrial de realizar-se filmes (sátira essa que acaba se mostrando um tanto inadequada, uma vez que o próprio produto final parece resultado mais de um comitê de criação do que exatamente uma obra original).


Hepburn vive Gabrielle Simpson, uma secretária contratada para auxiliar o roteirista de Hollywood Richard Benson (William Holden, que se ausentou das filmagens para internar-se em uma clínica de reabilitação de álcool) a finalizar seu novo filme, intitulado "A garota que roubou a Torre Eiffel". Benson, que já está há semanas em Paris, tem um prazo exíguo para entregar o script a seu rígido produtor, Alexander Meyerheim (o dramaturgo Noel Coward), e, para seu desespero, nem sequer começou a escrevê-lo. Com a ajuda de Gabrielle, uma jovem sonhadora, criativa e alto-astral, ele passa a ter ideias e mais ideias a respeito da trama. Inspirado por ela, Benson começa uma história de espionagem que se desenvolve de várias e insuspeitas maneiras, incluindo até vampiros e lobisomens. Enquanto vai imaginando seu filme, o público vê suas ideias desenrolando-se na tela, sempre com ele e Gabrielle nos papéis centrais.

Como afirmado antes, a ideia de "Quando Paris alucina" não é das piores e poderia facilmente tornar-se um entretenimento dos mais divertidos se estivesse em mãos menos burocráticas e sem inspiração. Richard Quine construiu um filme engessado em suas próprias limitações que jamais surpreende o público. As brincadeiras do início - quando Benson vai modificando seu roteiro enquanto desfilam pela tela as participações especiais citadas anteriormente - logo tornam-se cansativas e o roteiro acaba por não oferecer nada que as substitua. Em pouco tempo a audiência se vê presa a uma história policial sem pé, cabeça ou graça e a uma história de amor que não desperta nada mais do que tédio - em parte devido à falta de química entre Audrey Hepburn e William Holden, subaproveitado ao extremo em um personagem que em nada acrescenta à sua brilhante carreira. No final das contas, vale apenas pela beleza de Audrey... e mesmo assim só para os fãs ardorosos.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...