O
PRIMEIRO AMOR DE UM HOMEM (The pallbearer, 1996, Miramax, 98min)
Direção: Matt Reeves. Roteiro: Matt Reeves, Jason Katims. Fotografia:
Robert Elswit. Montagem: Stan Salfas. Música: Stewart Copeland.
Figurino: Donna Zakowska. Direção de arte/cenários: Robin Standefer/Kate
Yatsko. Produção executiva: Meryl Poster, Harvey Weinstein, Bob
Weinstein. Produção: Jeffrey Abrams, Paul Webster. Elenco: David
Schwimmer, Gwyneth Paltrow, Barbara Hershey, Toni Collette, Michael
Rapaport, Carol Kane, Michael Vartan. Estreia: 03/5/96
O título nacional "O primeiro amor de um homem" não força à toa uma similaridade com "A primeira noite de um homem", que deu o Oscar de melhor diretor a Mike Nichols: assim como no clássico de 1967, o protagonista é um jovem adulto perdido em suas ambições profissionais e sentimentais, e que fica dividido entre o amor de duas mulheres de gerações diferentes. Porém, apesar da semelhança temática, há uma grande desvantagem em relação ao drama romântico lançado em 1996: o cineasta Matt Reeves não é Nichols, e tampouco David Schwimmer - seu protagonista - tem o carisma de Dustin Hoffman. Dito isso, até dá para arriscar uma sessão descompromissada, já que o resultado final é bastante simpático, ainda que pouco memorável. E de quebra, pode-se ter contato com o começo das carreiras de dois atores que, logo em seguida, se tornariam internacionalmente famosos e celebrados.
O filme começa quando o jovem Tom Thompson (David Schwimmer) recebe o telefonema de uma mulher chamada Ruth Abernathy (Barbara Hershey), que, em luto, lhe comunica a morte do filho que, segundo ela, foi seu melhor e mais querido amigo na escola. O problema é que Tom não consegue lembrar quem é o rapaz e se deixa levar pela situação, com medo de magoar uma mãe desesperada. O encontro dos dois acaba evoluindo para uma relação um tanto incômoda, mas, passivo, Tom não vê modos de encerrá-la. A situação muda de figura, no entanto, com a chegada de Julie DeMarco (Gwyneth Paltrow), que retorna à cidade depois do fim de um relacionamento conturbado. Apaixonado por Julie desde sempre, Tom se surpreende quando as coisas começam a andar entre eles - mas para ficar de vez com aquela a quem considera o amor de sua vida, precisa resolver a questão pendente com Ruth, cada vez mais carente. Nesse meio-tempo, os dois melhores amigos de Tom passam por outros momentos cruciais de suas vidas: Scott (Michael Vartan) está em crise no casamento com Cynthia (Toni Collette), e Brad (Michael Rapaport) finaliza os preparativos para a união com a dominadora Lauren (B Bitty Schram).
David Schwimmer - ainda nas primeiras temporadas do fenômeno "Friends" - já demonstra, em alguns momentos, os trejeitos que tanto funcionava em seu Ross Geller: o olhar triste e o talento para o humor físico. Por sua vez, Gwyneth Paltrow - que ganharia um dos Oscar mais discutíveis da história três anos mais tarde - pouco tem a fazer a não ser desfilar sua figura elegante pela cela e tentar transmitir os sentimentos de uma personagem insossa e inexplicavelmente alvo de uma paixão avassaladora. São os dois, bastante jovens, que sustentam uma trama que dá voltas e mais voltas até chegar a um final anticlimático, que apenas valoriza o talento da sempre ótima Barbara Hershey. O elenco coadjuvante - que conta com uma subaproveitada Toni Collette e a divertida Carol Kane - muitas vezes se sobressai diante da apatia dos dois protagonistas e da aparente falta de energia da direção de Reeves, que anos depois encontraria um caminho mais bem-sucedido ao comandar filmes de ação, como "Planeta dos Macacos: Origem" (2014) e "The Batman" (2022). O roteiro, coescrito pelo cineasta, até tenta levantar questões sobre a juventude americana do final do século XX (e sua falta de norte em relação ao futuro), mas assim como acontece com o romance central, não há liga, e tudo parece meio fora de lugar. Ao buscar o equilíbrio entre drama, humor e romance, Reeves tropeça na própria ambição e entrega menos do que suas pretensões.
Mas não se pode dizer, afinal de
contas, que "O primeiro amor de um homem" é um filme ruim. É irregular,
não atinge todas as notas a que se propõe e está longe de ser memorável,
mas de certa forma apresenta uma honestidade e uma delicadeza ao lidar
com seus personagens e seus dilemas que deixa seus pecados mais
facilmente perdoáveis. David Schwimmer nitidamente tenta dar o melhor de
si - e seu esforço acaba recompensado em algumas cenas bastante
tocantes (em especial quando divide o momento com Hershey). Se não chega
aos pés do inesquecível drama de Mike Nichols também não chega a ser
vexaminoso ou dispensável. Pode-se até ser classificado como um
agradável (se não profundo) estudo sobre as relações humanas da tão
falada Geração X. Vale uma sessão da tarde, desde que sem maiores
expectativas.





