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quinta-feira

AGENTE 86

 


AGENTE 86 (Get Smart, 2008, Warner Bros/Village Roadshow Pictures, 110min) Direção: Peter Segal. Roteiro: Tom J. Astle, Matt Ember, personagens criados por Mel Brooks, Buck Henry. Fotografia: Dean Semler. Montagem: Richard Pearson. Música: Trevor Rabin. Figurino: Deborah L Scott. Direção de arte/cenários: Wynn Thomas/Suzanne Cloutier, Paul Rotte, Leslie E. Rollins. Produção executiva: Bruce Berman, Steve Carell, Dana Goldberg, Jimmy Miller, Brent O'Connor, Peter Segal. Produção: Michael Ewing, Alex Gartner, Andrew Lazar, Charles Roven. Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson, Alan Arkin, Terence Stamp, Terry Crews, David Koechner, Bill Murray, James Caan. Estreia: 20/6/2008

Em 1998, poucos nomes em Hollywood pareciam mais apropriados para uma versão cinematográfica da série de TV "Agente 86" do que o de Jim Carrey, Astro de comédias de sucesso que exploravam seu humor físico, o ator canadense soava como a escolha ideal para assumir o mais icônico papel do veterano Don Adams. Por uma série de razões, no entanto, o projeto acabou sendo deixado de lado até metade dos anos 2000 - mas, com a morte de Adams, em 2005, tornou-se quase obrigatória uma homenagem digna a um dos programas mais populares dos anos 1960. Para sorte de todos, foi também em 2005 que estreou, na NBC, a releitura da telessérie britânica "The office": seu protagonista, Steve Carell, mostrou-se, em poucos episódios, uma opção inequívoca para vestir a personalidade de Maxwell Smart, um agente secreto cujo brilhantismo intelectual contradizia sua total inabilidade para o trabalho de campo. Ciente de seu talento cômico - revelado e consagrado em "O virgem de 40 anos" (2005) - e da importância do trabalho, Carell entrou de corpo e alma em sua missão. Como produtor executivo e líder do elenco, ele transformou o que poderia ser apenas uma produção caça-níqueis em um sucesso quase inesperado: com 230 milhões de dólares arrecadados pelo mundo, "Agente 86" não apenas demonstrou respeitar o material original, mas também conquistou uma nova geração de fãs.

CONTROL, agência secreta norte-americana está em risco: boa parte de seus integrantes teve suas identidades reveladas por um grupo terrorista chamado KAOS - liderado pelo infame Siefgried (Terence Stamp) -, que ameaça praticar um atentado à bomba em local ainda desconhecido. Para impedir que tal hecatombe aconteça, o chefe no comando (Alan Arkin) resolve finalmente realizar o sonho de um seus mais dedicados agentes, Maxwell Smart (Steve Carell), e incumbí-lo de um trabalho de campo. Genial em suas missões intelectuais mas desastrado e desligado no dia-a-dia, Smart é rebatizado como Agente 86 e é designado a fazer dupla com a atraente Agente 99 (Anne Hathaway) - cujo rosto pós-cirurgia plástica é desconhecido pelos criminosos. A dupla pouco provável viaja então para a Rússia - e seus métodos opostos acabam por aproximá-los. A descoberta de um agente duplo, porém, põe em xeque seu incipiente relacionamento.

O roteiro - que contou com a colaboração não creditada de Carell e de seu colega de "The office", B.J. Novak - é apenas uma desculpa para uma série de piadas visuais e verbais, lançadas em um ritmo vertiginoso que realça o talento de sua dupla de protagonistas. Se Carell demonstra estar totalmente à vontade em cena, arrancando gargalhadas com sua simples presença, o trabalho de Anne Hathaway tampouco fica atrás: sexy e com um excelente tempo de comédia, a futura vencedora do Oscar não se deixa suplantar por seu parceiro (a sequência em que os dois dançam em uma festa, cada um com seu par, deixa qualquer um com um sorriso nos lábios). E se os protagonistas deitam e rolam, o elenco coadjuvante faz o mesmo, desde o veterano Alan Arkin até um surpreendente Dwayne Johnson, como o Agente 23, ídolo de Smart e seu exemplo dentro da agência. Até nomes pouco conhecidos, como Masi Oka e Nate Torrence conseguem fazer rir, graças à direção precisa de Peter Segal - cujo currículo inclui o terceiro capítulo da série "Corra que a polícia vem aí" e "Terapia de choque", estrelado por Jack Nicholson e Adam Sandler - que transforma todo pequeno momento em entretenimento puro.

O sucesso de "Agente 86" não foi suficiente, no entanto, para uma continuação. Apesar dos desejos da equipe, alguns fatores colaboraram para que o primeiro filme não rendesse uma sequência. A morte do produtor Alan Horn (que abandonou o projeto quando ele saiu das mãos da Disney) e do ator Alan Arkin e a agenda apertada de Anne Hathaway, além da dificuldade de encontrar um roteiro à altura acabaram por sepultar a possibilidade, para desgosto do público que esperava voltar a rir com as trapalhadas de Maxwell Smart. E se tudo funcionou como um relógio no primeiro capítulo não deixa de ser um alívio pensar que ninguém conseguiu estragar tudo com uma produção menos feliz em uma continuação equivocada.

segunda-feira

DICK TRACY

DICK TRACY (Dick Tracy, 1990, Touchstone Pictures, 105min) Direção: Warren Beatty. Roteiro: Jim Cash, Jack Epps Jr., personagem criado por Chester Gould. Fotografia: Vittorio Storaro. Montagem: Richard Marks. Música: Danny Elfman. Canções: Stephen Sondheim. Figurino: Milena Canonero. Direção de arte/cenários: Richard Sylbert/Rick Simpson. Produção executiva: Art Linson, Floyd Mutrux, Barrie M. Osborne. Produção: Warren Beatty. Elenco: Warren Beatty, Al Pacino, Madonna, Glenne Headley, Charles Durning, Dustin Hoffman, William Forsythe, Mandy Patinkin, James Caan, Charlie Korsmo, Estelle Parsons, Kathy Bates. Estreia: 14/6/90

7 indicações ao Oscar: Ator Coadjuvante (Al Pacino), Fotografia, Figurino, Direção de Arte/Cenários, Canção ("Sooner or later"), Maquiagem, Som
Vencedor de 3 Oscar: Canção ("Sooner or later"), Direção de Arte/Cenários, Maquiagem 

Depois que "Batman", dirigido por Tim Burton e estrelado por Michael Keaton e Jack Nicholson tomou o mundo de assalto em 1989, surpreendendo até mesmo as mais altas e megalômanas expectativas da Warner, ninguém duvidava que outros filmes de super-heróis das histórias em quadrinhos surgissem no horizonte, pegando carona no sucesso do homem-morcego. E nem demorou muito até que uma produção caprichada, sob os auspícios da Disney e comandada por um dos mais confiáveis homens da indústria dominasse as atenções: Dick Tracy, o detetive de queixo quadrado criado por Chester Gould em 1931, chegou às telas em pleno verão americano de 1990, dirigido, produzido e estrelado por Warren Beatty, na companhia de nomes de peso, como Al Pacino e Madonna (com quem o astro esteve envolvido durante as filmagens, como era de seu feitio). Com um custo estimado de 46 milhões de dólares, o filme pode não ter repetido o êxito da obra de Burton, mas com uma renda superior a 100 milhões somente no mercado doméstico (EUA e Canadá), não decepcionou nem o estúdio - que queria encher os bolsos - nem o público - que buscava entretenimento puro e simples.

A bem da verdade, apesar de seu roteiro frouxo - que mistura vários vilões criados por Gould em uma única trama - "Dick Tracy" pode ser considerado um passo à frente do Batman de Burton, que só conseguiria equilíbrio entre visão pessoal e comercial com sua sequência, "Batman, o retorno" (92). A começar por sua estupenda direção de arte (merecidamente premiada com o Oscar), a visão de Beatty dos quadrinhos de Gold se aproxima genialmente do original, anos antes que "Sin City, a cidade do pecado" (05) tornasse tão tênue a fronteira entre o cinema e os comic books. Colorido ao ponto de quase ferir os olhos, fotografado com precisão pelo veterano Vittorio Storaro (que também chegou a concorrer à estatueta da Academia) e com uma galeria de tipos recriados com um preciosismo fascinante pela maquiagem de John Caglione Jr. - que deixa atores conhecidos como Al Pacino e Dustin Hoffman irreconhecíveis atrás da maquiagem - o visual do filme é, sem dúvida, seu maior e mais saboroso atrativo. Mesmo que Warren Beatty tenha preferido (acertadamente) deixar de lado em sua caracterização o queixo proeminente que é a marca de Tracy, todo o resto é absolutamente apaixonante, feito com o objetivo claro de seduzir a audiência pela visão. Uma pena, porém, que o roteiro, com dito anteriormente, deixe muito a desejar.


Dick Tracy, o protagonista vivido por Beatty com seu habitual ar blasé, é o detetive mais corajoso de uma cidade cada vez mais dominada pelos gângsteres, que, depois de um desentendimento mais violento do que o normal, passam a ser liderados por Big Boy Caprice (Al Pacino, nitidamente se divertindo aos montes em um papel atípico que lhe deu uma indicação ao Oscar de coadjuvante no mesmo ano em que ele merecia uma lembrança na categoria principal por "O poderoso chefão, parte 3").  Incorruptível, Tracy tenta de todas as maneiras acabar com a festa de Caprice, inclusive tentando cooptar para seu lado a sensual Breathless Mahoney (Madonna), principal atração do night-club utilizado pelos bandidos como quartel-general. A aproximação entre o detetive e Mahoney - cujo comportamento ambíguo ao mesmo tempo o repele e seduz - passa a incomodar sua eterna namorada, a fiel e dedicada Tess Trueheart (Glenne Headley) e até o pequeno Kid (Charlie Korsmo), um menino de rua que o admira e que tem intenções de ser adotado por ele. Não bastasse tudo isso, Tracy ainda é preso, vítima de uma armadilha criminosa, e a cidade passa a ser ameaçada por um misterioso bandido sem rosto.

A superficialidade da trama de "Dick Tracy" de certa forma combina com o tom de entretenimento ligeiro proposto por Warren Beatty e companhia, mas não deixa de ser um balde de água fria naqueles que procuram no filme algo mais do que um simples passatempo inócuo. Além de ter um começo um tanto confuso, o roteiro não desenvolve a contento nenhum personagem - nem mesmo seu protagonista - deixando a plateia órfã daqueles sentimentos tão procurados em um blockbuster: a identificação com o herói e a torcida pela derrota do vilão. Aqui, tanto o Tracy de Beatty soa quase apático a maior parte do tempo quanto o Big Boy de Pacino - apesar da performance inspirada do ator - arranca no máximo gargalhadas. Nem mesmo a identidade do misterioso criminoso sem rosto chega a causar alguma reação, talvez por sua previsibilidade. Sobra para o deleite do público, então, o visual acachapante, a curiosidade de ver Madonna como atriz (e, apesar de genial artista sobre os palcos ela não chega a convencer no papel de Mahoney) e as belas canções do veterano compositor da Broadway Stephen Sondheim - uma delas, a balada "Sooner or later" também chegou a ser premiada com o Oscar. Para um filme com tantas ambições, é pouco.

quarta-feira

O PODEROSO CHEFÃO


O PODEROSO CHEFÃO (The godfather, 1972, Paramount
Pictures, 175min) Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Francis Ford Coppola, Mario Puzo, baseado no romance de Mario Puzo. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: William Reynolds, Peter Zinner. Música: Nino Rota. Figurino: Anna Hill Johnstone. Direção de arte/cenários: Dean Tavoularis/Philip Smith. Casting: Louis DiGiaimo, Andrea Eastman, Fred Roos. Produção: Albert S. Ruddy. Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, John Cazale, Richard Castelano, Talia Shire, Sterling Hayden, John Marley, Al Lettieri, Abe Vigoda, Gianni Russo, Morgana King, Simonetta Stefanelli. Estreia: 24/3/72


11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Francis Ford Coppola), Ator (Marlon Brando), Ator Coadjuvante (James Caan, Robert Duvall, Al Pacino), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino, Som
Vencedor de 3 Oscar: Melhor Filme, Ator (Marlon Brando), Roteiro Adaptado
Vencedor de 5 Golden Globes: Melhor Filme/Drama, Diretor (Francis Ford Coppola), Ator/Drama (Marlon Brando), Roteiro, Trilha Sonora


Quantas vezes é preciso que um filme seja assistido para que deixe de hipnotizar sua audiência ou mesmo perca seu sabor de novidade? Se o filme em questão for "O poderoso chefão" ainda não existe uma resposta satisfatória a essa questão. Mesmo passados 38 anos de seu lançamento, a adaptação de Francis Ford Coppola para o livro de Mario Puzo ainda mantém intactos seu vigor, sua inteligência e sua aura de obra-prima absoluta. Um dos melhores filmes da história do cinema - se não O melhor - o início da saga da família Corleone é o mais perfeito exemplo de tudo que um filme deve ser para ficar marcado no inconsciente coletivo de forma indelével. Mas foi preciso muito esforço para que ele ficasse como é conhecido hoje em dia.

Não é novidade para ninguém a brava luta de Coppola para conseguir fazer com que a Paramount concordasse com as escalações de Marlon Brando como Vito Corleone - papel-chave na trama - e Al Pacino como Michael - o estúdio parecia querer qualquer um menos Pacino no papel do filho caçula do clã de mafiosos mais fascinante da história do cinema. Esse "qualquer um" incluía, entre outros, Warren Beatty, Jack Nicholson e Dustin Hoffman, além de James Caan, que ficou com o papel do filho mais passional de Don Corleone, Sonny. Toda a árdua batalha para Coppola finalmente fazer o filme do seu jeito está detalhada no disco de extras da exemplar edição comemorativa da saga, lançada em dvd, e, se por si só são interessantes o bastante para grudar o espectador no sofá de casa, servem apenas de aperitivo para o que realmente importa: a majestade do filme em si.


Pra quem ainda não sabe, "O poderoso chefão" começa em 1945, logo após o final da II Guerra Mundial. O jovem soldado Michael (Al Pacino no papel de sua vida) retorna à Nova York acompanhado da namorada, a professora Kay Adams (Diane Keaton), e chega a tempo do casamento de sua irmã caçula, Connie (Talia Shire, irmã do diretor) com o mau-caráter Carlo Rizzi (Gianni Russo). Sua chegada enche de alegria seu pai, Don Vito Corleone (um Marlon Brando com meros 47 anos e uma caracterização antológica), o chefão de uma das famílias mafiosas mais importantes da cidade. Quando Don Vito se recusa a juntar-se a outras famílias em negócios envolvendo drogas, acaba sofrendo um grave atentado que quase lhe tira a vida. Mesmo não querendo envolver-se nos negócios escusos do pai e dos irmãos, Michael não hesita em assassinar seus rivais e fugir para a Itália, onde se casa com a bela Apolonia (Simonetta Stefanelli). Quando mais uma vez retorna a seu país e sua casa, percebe estarrecido que não há como escapar da sina violenta de seu sangue, e assume a liderança dos Corleone.

Escolher a melhor cena de "O poderoso chefão" é tarefa ingrata e impossível. Coppola construiu seu filme como uma ópera grandiosa, grandiloquente, recheada de momentos de extrema violência ao lado de cenas dramaticamente estruturadas e interpretadas por um elenco onde ninguém está menos do que espetacular (não foi por acaso que 3 de seus coadjuvantes foram indicados ao Oscar). A fotografia escura de Gordon Willis (outro item questionado pelos executivos do estúdio durante as filmagens) expressa com maestria as ideias do roteiro, escrito a quatro mãos pelo diretor e pelo autor do romance em que baseia, Mario Puzo. A edição enxuta nunca deixa que se perceba que se trata de um épico de três horas de duração - que voam diante dos olhos incrédulos da plateia. A trilha sonora de Nino Rota é de uma pungência indescritível e até mesmo o glamour que o filme transmite - e que foi alvo de algumas críticas que não tinham do que reclamar da obra como um todo - tem um charme e um poder que muitos cineastas de hoje em dia dariam um braço para conseguir.

Qualquer coisa que se diga sobre "O poderoso chefão" é desnecessário. Inesquecível na pele de Don Corleone - que lhe deu o segundo Oscar, recusado através de uma índia mais falsa que nota de três dólares -, Marlon Brando é a cara dessa primeiro capítulo tão impecável que exigiu dois novos capítulos, em 1974 e 1990. A saga da família Corleone é mais do que simplesmente um filme de gângster. É o filme que mais se aproxima da perfeição em termos cinematográficos, e o culto a seu nome - por parte da crítica e do público - apenas confirma suas inumeráveis qualidades.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...