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quarta-feira

MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO


MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO (Mamma Mia: Here we go again, 2018, Universal Pictures, 114min) Direção: Ol Parker. Roteiro: Ol Parker, estória de Richard Curtis, Ol Parker, Catherine Johnson, personagens de Catherine Johnson. Fotografia: Robert D. Yeoman. Montagem: Peter Lambert. Música: Benny Andersson, Anne Dudley, Bjorn Ulvaeus. Figurino: Michele Clapton. Direção de arte/cenários: Alan MacDonald/Anita Dujic. Produção executiva: Benny Andersson, Nicky Kentish Barnes, Richard Curtis, Tom Hanks, Phyllida Lloyd, Bjorn Ulvaeus, Rita Wilson. Produção: Claudia Balboa, Judy Craymer, Raphael Benoliel, Gary Goetzman, Anna Sofia Morck. Elenco: Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Lilly James, Stellan Skarsgaard, Colin Firth, Dominic Cooper, Meryl Streep, Julie Walters, Christine Baranski, Andy Garcia, Cher, Jeremy Irvine, Alexa Davies, Jessica Keenan Wynn, Hugh Skinner, Josh Dylan, Celia Imrie. Estreia: 20/7/2018

Quando surgiu a ideia - aparentemente estapafúrdia - de uma continuação do musical "Mamma Mia!",  pouca gente levava fé no projeto. Não apenas porque todo mundo sabia que seria quase impossível repetir o impressionante êxito do primeiro filme - que arrecadou assombrosos 700 milhões de dólares em sua carreira nos cinemas -, mas porque havia a dificuldade extra de encontrar-se um roteiro coerente com o desfecho do original e, mais ainda, de encaixar nele canções do ABBA não utilizadas no primeiro capítulo. Porém, nenhum desafio é grande o bastante para um estúdio em busca de um sucesso de bilheteria, e poucos repertórios são tão fortes quanto o do grupo sueco - em que até mesmo as músicas menos conhecidas são capazes de empolgar. Com isso, "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" não chegou a surpreender quando, dez anos depois da estreia do primeiro filme, encerrou sua carreira nas salas de exibição com uma respeitável renda de 365 milhões - nada mal para uma produção sem efeitos visuais dispendiosos, super-heróis devidamente testados e aprovados e uma campanha de marketing maciça. Mesmo com a ousadia de abdicar da presença marcante de Meryl Streep - aqui apenas em uma rápida participação especial -, o filme do britânico Ol Parker é divertido o bastante para não fazer feio diante da memória afetiva das plateias. 

De certa forma aprisionados pelo final redondinho do primeiro filme - cujo desfecho não abria espaço para novos desdobramentos -, os roteiristas de "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" (dentre os quais está o experiente Richard Curtis) encontraram uma solução interessante ao intercalar presente e passado: Sophie (Amanda Seyfried) está passando por dias conturbados, já que a reinauguração do hotel de sua mãe, Donna (Meryl Streep), morta há um ano, está ameaçado por questões naturais (uma tempestade que pode atrapalhar as festividades) e por situações mais prosaicas, como uma possível crise em seu relacionamento com Sky (Dominic Cooper) e a ausência de dois de seus pais afetivos, envolvidos em projetos profissionais. Enquanto lida com tais atribulações, nunca deixa de lembrar da encorajadora história de Donna, que em 1979 (e vivida por Lilly James), saiu de sua zona de conforto para realizar seu sonho de viajar pelo mundo - e de quebra, viveu uma surpreendente história de amor/desejo/paixão/liberdade com o romântico Harry (Hugh Skinner), o sexy Bill (Josh Dylan) e o misterioso Sam (Jeremy Irvine). Contando com a ajuda de Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski) - fiéis escudeiras de sua mãe - e com o apoio do novo gerente do hotel, o charmoso Fernando Cienfuegos (Andy Garcia), Sophie descobre que o legado de Donna é maior do que simplesmente a bela propriedade na Grécia... e até mesmo sua excêntrica avó reaparece, para sua surpresa.

 

Com uma direção mais ágil e segura do que a do primeiro filme - e apresentando coreografias mais elaboradas que tornam as canções ainda mais energéticas - "Mamma Mia: lá vamos nós de novo" faz uso inteligente de flashbacks, que disfarçam o fiapo de história e a falta de conflitos relevantes. Cientes de que o mais importante do projeto eram as músicas e as personagens amadas pelo público, os roteiristas se dedicaram a criar uma nova trama de acordo com a trilha sonora - e acertaram em cheio ao dar prioridade à juventude de Donna em detrimento aos pouco interessantes problemas sentimentais e profissionais de Sophie: mesmo que Amanda Seyfried seja talentosa o suficiente para sustentar uma produção (como já fez em outras ocasiões), sua personagem quase desaparece diante da energia de Lilly James - mesmo que elas não dividam nenhuma cena, por razões óbvias. Centro do filme, James tira de letra o desafio de dividir um papel com Meryl Streep - e sua química com o elenco jovem aponta o talento do diretor Ol Parker, em sua primeira grande produção, depois dos pouco ambiciosos "Imagine eu e você" (2005) e "Agora e para sempre" (2012): sem o objetivo de aprofundar um estilo ou aparecer mais do que a história que deseja contar, Parker oferece ao público duas horas de diversão escapista, leve e alto-astral, que em nada mancha o legado do filme original - cujos maiores atrativos eram, a rigor, a trilha sonora e a presença ensolarada e rara (em um musical) de Streep. Se há algo a reclamar é apenas o pouco tempo em cena dos veteranos do "Mamma Mia!" original - em especial as excelentes Julie Walters e Christine Baranski. Mas, em compensação, há a surpresa da presença da sempre luminosa Cher, aqui no papel da apoteótica (como não poderia deixar de ser) Ruby, a bissexta avó de Sophie.

"Mamma Mia: lá vamos nós de novo" cumpre o que promete. É divertido, é despretensioso e é, acima de tudo, uma ode à alegria, ao amor e à amizade. Não tem o frescor do primeiro filme - e nem o carisma de Meryl Streeep a não ser em poucos minutos, no final -, mas não deixa a peteca cair em termos de energia e honestidade. Para o seu público-alvo é uma festa: dançante, contagiante e sem contra-indicações. Não é uma obra-prima e nem mudou a história do cinema, mas é um filme conforto dos mais agradáveis - exceto para quem busca produções cabeça ou repletas de testosterona pura e simples.

 

UMA LONGA QUEDA

UMA LONGA QUEDA (A long way down, 2014, Wildgaze Films/BBC Films, 96min) Direção: Pascal Chaumeil. Roteiro: Jack Thorne, romance de Nick Hornby. Fotografia: Ben Davis. Montagem: Chril Gill, Barney Pilling. Música: Dario Marianelli. Figurino: Odile Dicks-Mireaux. Direção de arte/cenários: Chris Oddy/Kate Guyan. Produção executiva: Christoph Daniel, Nick Hornby, Zygi Kamasa, Marc Schimdheiny, Thorsten Schumacher, Dario Suter. Produção: Finola Dwyer, Amanda Posey. Elenco: Pierce Brosnan, Toni Collette, Imogene Poots, Aaron Paul, Sam Neil, Rosamund Pike. Estreia: 10/02/14 (Festival de Berlim)

No começo dos anos 2000 não havia autor mais em voga dentro de Hollywood do que o inglês Nick Hornby. Com seu talento incomum para contar histórias simples protagonizadas por pessoas de carne e osso e recheadas de referências à cultura pop, ele viu dois de seus livros serem adaptados com enorme sucesso para as telas: "Alta fidelidade", estrelado por John Cusack chegou aos cinemas em 1999, e "Um grande garoto", com Hugh Grant em uma de suas melhores atuações, foi lançado em 2002 e chegou a concorrer ao Oscar de roteiro. Depois disso, ele viu seu "Febre de bola" ser transfigurado em uma adaptação pouco feliz em um filme quase ignorado pelo público e inverteu o caminho que costumava trilhar, passando de autor de romances transportados para a tela a roteirista de livros alheios - o que lhe rendeu indicações ao Oscar por "Educação" (2009) e "Brooklyn", que concorre à estatueta em 2016. Isso não significa, no entanto, que os produtores tenham esquecido sua obra. Um exemplo disso é "Uma longa queda", que mesmo sem ter a mesma qualidade quase impecável dos filmes estrelados por Cusack e Grant, ainda consegue ser um passatempo agradável e dono de um humor irônico e agradável - apesar de ter como tema central um assunto pouco palatável à grande audiência: o suicídio.

Tudo começa em uma noite de Ano-novo, quando Martin (Pierce Brosnan), um famoso apresentador de talk show chega ao topo de um prédio de Londres disposto a acabar com a própria vida, depois de um escândalo de sedução de uma menor que acabou com sua carreira. Antes mesmo de criar coragem para chegar às vias de fato, ele percebe a chegada de Maureen (Toni Colette), a mãe solteira de um rapaz doente, que também tem a intenção de acabar com seus problemas se atirando de cima do edifício. A eles juntam-se, logo em seguida, a rebelde Jess (Imogen Poots), filha de um influente político e que acaba de ser abandonada pelo namorado, e JJ (Aaron Paul, da série "Breaking bad"), um entregador de pizza que revela sofrer de câncer cerebral. Frustrados em seus planos, os quatro acabam por fazer um pacto que consiste em ajudar-se mutuamente e tentar resolver seus problemas. Antes do novo encontro, marcado para o Dia dos Namorados, porém, eles tornam-se muito mais próximos do que poderiam imaginar.


Mesmo sem o frescor romântico pop de "Alta fidelidade" e o sarcasmo niilista de "Um grande garoto", o resultado final de "Uma longa queda" é extremamente simpático e divertido, principalmente devido à química entre seus quatro atores centrais. Toni Collete, sempre ótima, volta a viver uma suicida saída da imaginação de Hornby (em "Um grande garoto" ela vivia a depressiva mãe do adolescente desajustado que dava título ao romance e ao filme) e conquista o espectador sem precisar fazer muito esforço. Pierce Brosnan sai-se muito bem na pele da constrangida celebridade em desgraça e Aaron Paul tem sua melhor chance no cinema como um jovem cheio de segredos que descobre o amor onde menos poderia esperar (e substitui à altura a escolha inicial, Emile Hirsch). E a jovem inglesa Imogen Poots - conhecida como a namorada de Anton Yelchin no remake de "A hora do espanto" - mostra-se talentosa o bastante para quase roubar a cena dos parceiros mais experientes. Nem mesmo a queda de ritmo no meio do filme prejudica a coesão atingida pelo cineasta francês Pascal Chaumeil - que dirigiu o simpático "Como arrasar um coração" e morreu aos 54 anos, em agosto de 2015 - e do roteiro delicado de Jack Thorne, oriundo de séries da televisão britânica. Sem buscar a lágrima ou o riso fáceis, o filme cativa principalmente pela sutileza, artigo raro em produções comerciais - não chega a ser surpresa que o filme tenha passado quase em branco pelas telas de cinema.

"Uma longa queda" não é um grande filme. Tem seus defeitinhos de ritmo e em algumas vezes parece quase superficial. Mas é agradável do início ao fim, não trata o espectador como bobo e tem um elenco que justifica plenamente uma sessão de hora e meia. Uma pedida excelente para uma tarde chuvosa ou momentos de tédio. Mais um filme digno da obra literária de Nick Hornby, um dos mais interessantes escritores de sua geração.

sábado

O ESCRITOR FANTASMA



O ESCRITOR FANTASMA (The ghost writer, 2010, R.P. Productions/France 2 Cinéma, 128min) Direção: Roman Polanski. Roteiro: Roman Polanski, Robert Harris, romance de Robert Harris. Fotografia: Pawel Edelman. Montagem: Hervé de Luze. Música: Alexandre Desplat. Figurino: Dinah Collin. Direção de arte/cenários: Albrecht Konrad/Bernhard Henrich. Produção executiva: Henning Molfenter. Produção: Robert Benmussa, Roman Polanski, Alain Sarde. Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Kim Catrall, Tom Wilkinson, Timothy Hutton, Jon Bernthal, James Belushi. Estreia: 12/02/10 (Festival de Berlim)


Não é qualquer diretor que consegue a façanha de comandar um thriller político sem cair nas armadilhas do gênero, criando uma trama anacrônica e/ou confusa demais para o espectador médio. Como todo mundo sabe, porém, Roman Polanski não é qualquer diretor. Vencedor do Oscar por "O pianista" e autor de obras consagradas pelo tempo, como "O bebê de Rosemary" e "Chinatown", o cineasta polonês demonstrou, na adaptação do romance "O escritor fantasma", que nem mesmo a idade avançada - 76 anos de idade durante as filmagens - ou a impossibilidade de pisar em território americano sob pena de prisão - resultado da condenação por ter feito sexo com uma menor de idade em 1978 - são empecilhos para quem tem talento. Concisa, elegante e extremamente eficiente, a transição do livro de Robert Harris para as telas é uma prova inconteste de sua energia e inquietude como cineasta: filmado na Alemanha e finalizado quando Polanski estava preso na Suíça, o filme acabou lhe rendendo o prêmio de melhor diretor no Festival de Berlim - a que ele não pode atender por causa da prisão domiciliar a que estava condenado à época - e tornou-se um de seus mais elogiados trabalhos pós-Oscar. Um sucesso merecido, principalmente pela feliz escolha de todos os elementos de produção.

Escrito pelo jornalista e colunista político Robert Harris - que nunca escondeu sua simpatia pelo primeiro-ministro Tony Blair até que o evento da Guerra do Iraque os separou ideologicamente - "O escritor fantasma" se utiliza de várias referências a Blair em seu enredo, mas procurar similaridades entre ele e o primeiro-ministro retratado na trama, Adam Lang é um exercício inútil: apesar de ser um tanto divertido buscar tais semelhanças, o espectador teria também que achar referências a outros líderes, como Bill e Hilary Clinton e o primeiro-ministro paquistanês Benazir Bhutto, todos citados de forma velada durante o desenrolar da história, em níveis mais ou menos óbvios, dependendo do conhecimento de história da plateia. Tais elementos, porém, são apenas detalhes que, se aumentam o interesse dos mais antenados, não atrapalham o divertimento daquele público que espera apenas uma boa história, contada com competência e seriedade. E isso, felizmente, "O escritor fantasma" faz com maestria, calcado principalmente na inspirada atuação de Ewan McGregor.


Ficando com o papel recusado por Hugh Grant e que quase foi de Nicolas Cage - Deus nos proteja! - McGregor está em um dos melhores momentos de sua carreira. Ele interpreta um escritor inglês que ganha a vida escrevendo biografias para celebridades que não tem o dom das letras - o que se chama, no mercado editorial, um "escritor fantasma". Pouco interessado em política, ele é contratado, por um bom salário, para escrever as memórias do primeiro-ministro britânico, Adam Lang (Pierce Brosnan, explorando seu carisma canastrão com propriedade), justamente quando ele está passando por uma crise relacionada ao terrorismo internacional e a questões de direitos humanos. No meio do furacão, o inocente autor (nunca nomeado) acaba por descobrir, por conta própria, que a morte de seu predecessor pode não ter sido acidental - e que sua própria vida pode estar correndo sério risco. Envolvido com a esposa de Lang, a fria Ruth (Olivia Williams, substituta de Tilda Swinton), ele resolve investigar uma pista que liga seu novo patrão à CIA.

Contando sua história sem pressa, dando a cada cena o peso correto para criar um clima de tensão e claustrofobia que é sua marca registrada, Polanski faz de "O escritor fantasma" um entretenimento adulto e sério, sem espaço para piadas desnecessárias ou sequências de ação inócuas. Centrando sua trama basicamente no personagem de McGregor - que entrega um misto de coragem e fragilidade na medida exata - e deixando apenas para os últimos minutos a reviravolta final (coerente e inteligente), o roteiro prende a atenção do espectador do início ao fim mesmo sem apelar para a violência gratuita ou para o clichê do heroísmo individual. É um filme seco, direto e pontual, perfeito para quem procura um entretenimento maduro e inteligente.

terça-feira

THOMAS CROWN - A ARTE DO CRIME

THOMAS CROWN, A ARTE DO CRIME (The Thomas Crown Affair, 1999, United Artists/MGM, 113min) Direção: John McTiernan. Roteiro: Leslie Dixon, Kurt Wimmer, estória de Alan R. Trustman. Fotografia: Tom Priestley. Montagem: John Wright. Música: Bill Conti. Figurino: Kate Harrington, Mark Zunino. Direção de arte/cenários: Bruno Rubeo/Leslie E. Rollins. Produção executiva: Michael Tadross. Produção: Pierce Brosnan, Beau St. Clair. Elenco: Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary, Ben Gazzarra, Frankie Faison, Fritz Weaver, Faye Dunaway. Estreia: 27/7/99

Em 1968, dois dos maiores astros da época, Steve McQueen e Faye Dunaway, protagonizaram "Crown, o magnífico", um policial romântico que se tornaria um clássico do estilo e referência para futuras produções que tentassem misturar dois gêneros aparentemente opostos. Mais de três décadas depois do lançamento do original, com sua eterna falta de criatividade, Hollywood resolveu revisitar a história da improvável história de amor entre um milionário entediado e a investigadora de uma companhia de seguros que está em seu encalço. Revestida com elegância e um erotismo, a nova versão - estrelada pelo então 007 Pierce Brosnan e pela bela Rene Russo - modificou detalhes da trama original e acabou agradando à crítica e ao público, ambos sedentos por filmes adultos que falassem mais ao cérebro do que aos músculos. Dirigido por John McTiernan - cujo currículo repleto de blockbusters explosivos incluia os primeiros "Duro de matar" e "Predador" - "Thomas Crown, a arte do crime" surpreende pela sutileza e pela inteligência em contar uma história policial sem recorrer a um único tiro.

Thomas Crown (Pierce Brosnan, também produtor do filme), é um milionário do setor de aquisições que, sentindo-se aborrecido com a pasmaceira de sua vida fácil, volta e meia envolve-se em complicados esquemas de falsificação das obras de arte que rouba (sem despertar a menor suspeita) até mesmo dos mais sofisticados e seguros museus do mundo. Sua tranquilidade é posta em xeque, porém, quando ele rouba um valiosíssimo Monet, em uma arriscada manobra realizada durante o horário de visitação às obras: disposta a recuperar o quadro e assim poupar milhões de dólares, a seguradora contratada pelo museu chama a competente e dedicada investigadora Catherine Banning (Rene Russo, linda e sexy) para descobrir seu paradeiro. Esperta e experiente, Banning logo passa a desconfiar do charmoso e prestativo Crown e, ignorando os conselhos do policial Michael McCann (Dennis Leary), se aproxima dele com o objetivo de desmascará-lo. Não é preciso muito tempo para que surja entre investigadora e investigado uma atração irresistível, que pode por tudo a perder.


Mantendo o tempo todo a dubiedade em relação aos verdadeiros sentimentos de seus protagonistas em relação um ao outro, o roteiro de "Thomas Crown, a arte do crime" prende a atenção do público em vários niveis: tanto funciona como um romance de alta voltagem erótica (as cenas de sexo, de extremo bom gosto, mostram o pela primeira vez nu o corpo escultural da bela Rene Russo) quanto como um policial bem engendrado, repleto de pistas espalhadas pelo caminho, à espera de serem unidas. O desfecho, um clímax bem armado e inteligente, não decepciona a ninguém, enfatizando a opção de McTiernan em contar uma história utilizando-se do cérebro como principal elemento. Depois de deslumbrar a audiência com tomadas de tirar o fôlego de paisagens deslumbrantes, mansões luxuosas e obras de arte fascinantes (além de momentos românticos pra ninguém botar defeito), ele encerra seu filme com uma sequência exemplarmente bem editada e empolgante, mostrando de uma vez por todas que a sutileza pode substituir sem perda a violência desnecessária. É impossível que o público termine a sessão sem que fique com a bela sensação de ter sido respeitado em sua inteligência, o que, convenhamos, é algo raríssimo em produções comerciais norte-americanas.

Contando ainda com a simpática participação especial de Faye Dunaway - que viveu a investigadora na primeira versão do filme - na pele da terapeuta do enfastiado milionário, "Thomas Crown, a arte do crime" é um entretenimento maduro, esperto, romântico e elegante, que nada contra a corrente do emburrecimento do cinema hollywoodiano. É, também, um dos poucos filmes de sua época a ter como protagonista um casal acima dos 30 anos de idade que não hesita em usar e abusar da sensualidade sem culpa. Palmas para ele!

sábado

UMA BABÁ QUASE PERFEITA

UMA BABÁ QUASE PERFEITA (Mrs. Doubtfire, 1993, 20th Century Fox, 125min) Direção: Chris Columbus. Roteiro: Randi Mayem Singer, Leslie Dixon, romance "Alias Madame Doubtfire", de Anne Fine. Fotografia: Donald McAlpine. Montagem: Raja Gosnell. Música: Howard Shore. Figurino: Marit Allen. Direção de arte/cenários: Angelo Graham/Garrett Lewis. Produção executiva: Matthew Rushton. Produção: Mark Radcliffe, Robin Williams. Elenco: Robin Williams, Sally Field, Pierce Brosnan, Harvey Fierstein, Lisa Jakub, Matthew Lawrence, Mara Wilson, Robert Prosky. Estreia: 24/11/93

Vencedor do Oscar de Melhor Maquiagem
Vencedor de 2 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Melhor Ator Comédia/Musical (Robin Williams) 

Em 1992, o ator Robin Williams foi do céu ao inferno em termos de bilheteria: enquanto a anti-belicista comédia "Toys, a revolta dos brinquedos", de Barry Levinson não despertou o interesse de ninguém da plateia e saiu de cartaz como se nunca tivesse existido, a animação "Aladim" se tornou um dos maiores sucessos comerciais do ano e lhe rendeu um Golden Globe especial pela dublagem do gênio da lâmpada, uma dos maiores (senão a maior) qualidade da produção. Esse seu talento para a improvisação e para o humor escrachado já havia sido o maior responsável por sua primeira indicação ao Oscar, em 1987, por "Bom dia, Vietnã", do mesmo Levinson, mas parecia ter sumido em seus trabalhos seguintes no cinema, onde explorou (muito bem) seu lado de ator dramático. Indicado outras duas vezes ao Oscar de melhor ator - pelo inesquecível "Sociedade dos poetas mortos" (90) e pelo lúdico "O pescador de ilusões" (91) - Williams devia a seu público uma comédia que lhe devolvesse o status de humorista que havia conquistado nos palcos americanos. Foi então que ele apareceu com "Uma babá quase perfeita", um filme pequeno (25 milhões de dólares de orçamento) que acabou sua carreira nos cinemas americanos com mais de 200 milhões arrecadados e dois Golden Globes na prateleira: melhor comédia e melhor ator em comédia/musical.

Dirigido por Chris Columbus - um especialista em filmes para a família que tinha entre seus êxitos o mastodôntico sucesso "Esqueceram de mim" (90) - "Uma babá quase perfeita" tem como objetivo puro e único o entretenimento, sem ambições outras que não fazer a plateia rir do começo ao fim. Com Williams em cena, isso não é nada difícil. Dotado de um histrionismo nato e um timing cômico impecável, ele deita e rola na pele de Daniel Hillard, um ator desempregado que passa pelo pior período de sua vida: não apenas ele está sem trabalhar no que ama (e é obrigado a um serviço pouco empolgante nos bastidores de uma emissora de TV local) como acaba de se divorciar da esposa, Miranda (Sally Field), uma bem-sucedida arquiteta que cansou-se sua pretensa irresponsabilidade. Inconformado com a determinação judicial que lhe permite ver seus três filhos apenas uma vez por semana, Daniel tem uma ideia maquiavélica: sabendo que Miranda está à procura de uma governanta que fique com as crianças no período pós-escola, ele cria, com a ajuda de seu irmão maquiador e seu talento para a atuação, a babá perfeita: Mrs. Doubtfire, uma inglesa sessentona, de modos rígidos e dona de um currículo invejável. Obviamente Miranda cai de amores pela nova empregada - e Daniel aproveita a situação para colocar areia no novo interesse romântico da ex-mulher, o antigo namorado Stuart (Pierce Brosnan).


Desvencilhando-se facilmente do estigma de ser um filme de uma piada só, "Uma babá quase perfeita" consegue, ao mesmo tempo, ser uma comédia pastelão da melhor estirpe - com Williams vendo seus seios de mentira pegando fogo, sua máscara voando pela janela e sua dentadura caindo dentro de um copo de vinho no meio de um jantar - e um sofisticado manancial de citações culturais contemporâneas vindas da metralhadora giratória que é o ator - são lembrados, visual ou verbalmente, Barbra Streisand, "Psicose", "Crepúsculo dos deuses" e "Dança com lobos", entre outros. Essa mescla de humor popular com a sutileza da comédia referencial talvez tenha sido, ao lado do talento de seu protagonista, o responsável pelo filme ter agradado tanto e à tanta gente. É difícil escapar das risadas em "Uma babá quase perfeita", seja das palhaçadas visuais criadas por Columbus e Williams ou pelo crescendo de situações embaraçosas que o roteiro vai criando crescentemente até o clímax - engraçadíssimo - em um restaurante sofisticado, onde Daniel (e Mrs. Doubtfire) estão presentes ao mesmo tempo. Só vendo para entender.

Contando ainda com a simpatia natural de Sally Field como Miranda Hillard e o futuro 007 Pierce Brosnan como o rival do protagonista - além de uma maquiagem extraordinária que levou o Oscar da categoria - "Uma babá quase perfeita" ainda arruma espaço para a emoção: dificilmente filhos de pais separados conseguem segurar as lágrimas em seus momentos finais, repletos de uma sinceridade ímpar que conquistaram milhares de espectadores pelo mundo. Uma feliz reunião de ingenuidade, bom humor e o talento único de Robin Williams em fazer rir e chorar, é um filme sem contra-indicações, capaz de agradar aos pais, aos filhos e aos mau-humorados de plantão. Um triunfo do humor.

quarta-feira

MAMMA MIA!

MAMMA MIA! (Mamma Mia!, 2008, Universal Pictures, 108min) Direção: Phyllida Lloyd. Roteiro: Catherine Johnson, peça musical de Catherine Johnson. Fotografia: Haris Zambarloukos. Montagem: Lesley Walker. Música: Benny Andersson, Bjorn Ulvaeus. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Maria Djurkovic/Barbara Herman-Skelding. Produção executiva: Benny Andersson, Tom Hanks, Mark Huffam, Bjorn Ulvaeus, Rita Wilson. Produção: Judy Craymer, Gary Goetzman. Elenco: Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stelan Skarsgard, Amanda Seyfried, Dominic Cooper, Christine Baranski, Julie Walters. Estreia: 30/6/08 (Londres)

Durante os anos 70, não havia no mundo quem não conhecesse ao menos uma canção do grupo sueco ABBA. Depois de uma década restrita apenas a fãs mais ardorosos, os anos 90 ressuscitaram seus sucessos nos filmes australianos "O casamento de Muriel" e "Priscilla, a rainha do deserto" e, quase na virada do século, hinos como "The winner takes it all" e "Dancing queen" chegaram aos palcos ingleses em uma peça musical escrita por Catherine Johnson: "Mamma Mia!" - que se utilizava do repertório da banda em uma comédia romântica - bateu recordes de bilheteria, foi transferido para a Broadway em 2001 e, para surpresa de ninguém, acabou parando no cinema. Seguindo o êxito de musicais com "Moulin Rouge" e "Chicago", a diretora Phillyda Lloyd (que também assinou o comando da versão americana) não decepcionou os produtores Tom Hanks e Rita Wilson, com uma bilheteria de mais de 140 milhões de dólares, prova da perenidade do conjunto formado do qual faziam parte Benny Anderson e Bjorn Ulvaeus, que inclusive aparecem rapidamente em cena e assinam a produção executiva do filme.

Ao contrário de "Across the universe", onde a diretora Julie Taymor, servia-se das canções dos Beatles para contar uma história de amor e liberdade nos EUA sacudidos pela Guerra do Vietnã, "Mamma Mia!" tem um registro muito mais alto-astral e leve, deixando de lado qualquer elocubração mais pesada ou densidade psicológica. Refletindo a beleza límpida e ensolarada da Grécia - onde se passa a história - o roteiro da própria autora da peça explode em colorido, alegria e bom-humor, sem espaço para nada além de uma fotografia deslumbrante, atores se divertindo nitidamente, uma trama que exige do espectador apenas um mínimo de atenção e, claro, uma trilha sonora vibrante e adequada. Aliás, não poderia deixar de ser diferente, já que são as canções que conduzem a história de Donna (uma iluminada Meryl Streep), a dona de um hotel rústico na Grécia que reencontra três ex-namorados justamente às vésperas do casamento da única filha.


Começando do começo: a jovem Sophie (Amanda Seyfried, em papel cobiçado por Mandy Moore, Rachel McAdams, Emmy Rossum e Amanda Bynes) tem um sonho (como diz "I have a dream", que abre o filme) de conhecer seu pai, uma vez que foi criada apenas pela mãe, Donna, em uma paradisíaca ilha grega. Mexendo nas coisas de sua progenitora, ela descobre um diário que lhe dá a conclusão de que ela só pode ser filha de um dos três ex-namorados da mãe, o ex-roqueiro Bill (Stelan Skarsgard), o certinho Harry (Colin Firth) e o bem-sucedido Sam (Pierce Brosnan). Em segredo, ela envia convites de seu iminente casamento para todos e, para sua surpresa, eles aparecem, mexendo com a vida tranquila de Donna, que precisará lidar com seu passado - e que, para isso, conta com a ajuda de suas duas melhores amigas, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), também presentes na ilha para o casamento.

O fiapo de história, porém, é o que menos importa. Phillida Lloyd não é uma cineasta capaz de grandes voos, o que fica evidente na sua total falta de ousadia visual ou segurança para compreender as diferenças de linguagem entre teatro e cinema. Como o grande público pouco se importa com essas questões técnicas, a diversão é garantida graças à explosão de alegria que o filme é. Meryl Streep brilha mais que todos, como sempre, criando uma Donna jovem, otimista e carinhosa - que passa da contagiante "Dancing queen" à dolorosa "The winner takes it all" com o talento de uma cantora nata - mas é inegável sua química com Amanda Seyfried, em especial na bela sequência em que a garota se prepara para o casamento. Julie Walters e Christine Baranski quase roubam o show como coadjuvantes e até mesmo o trio de ex-amores de Donna sai-se bem, ainda que nenhum deles possa ser considerado um grande cantor.

"Mamma Mia!" é um filme feito para divertir. Quem gosta de Meryl Streep é um prato cheio. Para quem gosta de comédias românticas com cenários deslumbrantes é um deleite. Mas é para os fãs do ABBA que o filme foi feito. E para eles é essencial!

terça-feira

O ESPELHO TEM DUAS FACES

O ESPELHO TEM DUAS FACES (The mirror has two faces, 1996, TriStar Pictures, 126min) Direção: Barbra Streisand. Roteiro: Richard LaGravenese, roteiro original de "Le miroir a deux faces", de André Cayatte, Gérard Oury. Fotografia: Andrzej Bartkowiak, Dante Spinotti. Montagem: Jeff Werner. Música: Marvin Hamlisch. Figurino: Theoni V. Aldredge. Direção de arte/cenários: Tom John/John Alan Hicks. Produção executiva: Cis Corman. Produção: Arnon Milchan, Barbra Streisand. Elenco: Barbra Streisand, Jeff Bridges, Lauren Bacall, Pierce Brosnan, Mimi Rogers, George Segal, Brenda Vaccaro, Elle Macpherson. Estreia: 16/11/96

2 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Lauren Bacall), Canção Original ("I finally found someone")
Vencedor do Golden Globe de Atriz Coadjuvante (Lauren Bacall)
Vencedor do Screen Actor Guild Award de Atriz Coadjuvante (Lauren Bacall)

Todo mundo em Hollywood - e até mesmo muita gente fora de lá - sabe que Barbra Streisand não é uma pessoa exatamente fácil de lidar. Histórias a respeito de seu egocentrismo e de seu perfeccionismo não faltam a quem teve a oportunidade de trabalhar com ela (e até mesmo seu ex-marido e pai de seu filho, o ator Elliot Gould, quando indagado a respeito do pior emprego que tivera respondeu prontamente: "fui casado com Barbra Streisand!"). Em 1996, o diretor de fotografia Dante Spinotti foi mais uma vítima da atriz/cantora/diretora/produtora: em meio às filmagens de "O espelho tem duas faces", foi demitido (devido às famosas divergências artísticas) e substituído por Andrzej Bartkowiak, assim como já havia acontecido com o ator Dudley Moore, que perdeu seu lugar no elenco para George Segal.

Levando em consideração toda essa dança das cadeiras, é de admirar que "O espelho tem duas faces" funcione tão bem. Apesar de não ser nem de longe o melhor momento das carreiras de Streisand e seu galã Jeff Bridges, é uma comédia romântica que tem na inteligência seu maior trunfo e que, nadando contra a corrente da eterna obsessão de Hollywood pela juventude eterna, aposta em um casal de protagonistas maduros, interpretados por atores de verdade e não por símbolos sexuais inexpressivos. Bridges - que ficou com o papel para o qual Harrison Ford foi pensado - e Barbra Streisand, segundo reza a lenda desmentida por eles mesmos, tiveram rusgas nos bastidores, mas isso não transparece no resultado final. O filme seguinte de Streisand após sua tentativa frustrada de ganhar um Oscar como diretora - o drama "O príncipe das marés" - é engraçado, romântico e dono de brilhantes diálogos. E isso é mais do que é oferecido normalmente aos fiéis fãs do gênero.

Gregory Larkin (Jeff Bridges exercitando seu timing cômico com razoável sucesso) é um professor de Matemática que, a despeito de seu charme junto às mulheres, passou por repetidas frustrações amorosas. Buscando uma companhia feminina que não atrapalhe o funcionamento de sua rígida rotina (ou seja, uma mulher sem atrativos sexuais que o desviem de seus objetivos profissionais), ele publica um anúncio em uma revista. Quem responde o anúncio é Claire Morgan (Mimi Rogers), que acredita que Larkin é o par perfeito para sua irmã mais velha, Rose (Barbra Streisand exagerando um tantinho em sua performance). Dona de uma baixíssima auto-estima - principalmente devido às críticas de sua mãe Hannah (Lauren Bacall), uma ex-beldade - Rose dá aulas de Literatura na Universidade de Columbia e seu discurso sobre as falsas esperanças criadas em relação ao amor romântico convence Larkin de que é ela quem ele procura. Depois de um tempo como amigos, eles se casam, mas tem expectativas diferentes em relação ao casamento: enquanto Gregory realmente deseja apenas uma companhia, Rose anseia por amor e paixão, justamente o que ele repudia. Quandoa situação torna-se insustentável, o improvável casal precisa saber o que fazer com seu relacionamento.



Streisand não é uma diretora genial ou mesmo inventiva. A forma como conduz a narrativa de seu filme é clássica, privilegiando enquadramentos que lhe favoreçam esteticamente ou até mesmo apelando para alguns exageros dramáticos (a cena em que cobre um espelho depois da rejeição de Larkin é um exemplo dessa afirmação, com a música de Marvin Hamlisch soando fora de propósito). Mas não há como elogiar sua segurança em comandar seu elenco, dos protagonistas aos coadjuvantes: Lauren Bacall dá um show como Hannah, a mãe que vê sua beleza esvair-se com o tempo e se vinga destruindo o amor-próprio da filha (suas falas são as melhores e a viúva de Humphrey Bogart conquistou sua primeira indicação ao Oscar por seu trabalho) e Mimi Rogers nunca esteve tão radiante e engraçada. Dando apoio a um Jeff Bridges leve como poucas vezes se viu nas telas e uma Streisand menos eficiente do que em "O príncipe das marés" mas ainda assim uma atriz competente e sensível, os atores secundários do filme pontuam com correção um roteiro que diverte e emociona na medida certa. É um filme romântico para adultos que preferem finais felizes.

Inspirado em um pouco conhecido filme francês, o roteiro de Richard LaGravenese (que também adaptou "As pontes de Madison" para as telas) conquista pelos diálogos espertos e pelo romantismo assumido. Mesmo que sua cena final de certa forma desminta propositalmente o discurso de Rose em uma de suas aulas (com Puccini tocando em alto e bom som na noite nova-iorquina) é impossível ficar imune ao charme da história contada por Barbra Streisand, que, pelo jeito, sabe exatamente o que quer de seus colaboradores. Se todos os que agem com essa certeza quase ditatorial assinassem filmes com a qualidade de "O espelho tem duas faces", seria bem mais fácil perdoá-los.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...