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segunda-feira

TRUE LIES

TRUE LIES (True lies, 1994, 20th Century Fox/Lighstorm Entertainment, 141min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, basedo no roteiro "La totale", de Claude Zidi, Simon Michael, Didier Kaminka. Fotografia: Russell Carpenter. Montagem: Conrad Buff, Mark Goldblatt, Richard A. Harris. Música: Brad Fiedel. Figurino: Marlene Stewart. Direção de arte/cenários: Peter Lamont/Cindy Carr. Produção executiva: Lawrence Kasanoff, Rae Sanchini, Robert Shriver. Produção: Stephanie Austin, James Cameron. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Jamie Lee Curtis, Tom Arnold, Bill Paxton, Tia Carrére, Charlton Heston, Art Malik, Grant Heslov. Estreia: 15/7/94. Bilheteria EUA: U$ 146.261.000

Indicado ao Oscar de Efeitos Visuais
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz Comédia/Musical (Jamie Lee Curtis)

Em 1994 a carreira de Arnold Schwarzenegger estava por um fio. O fracasso comercial de "O último grande herói", em que ele brincava com sua imagem de astro de filmes de ação o havia colocado em uma situação delicada dentro de uma indústria onde tudo é medido por dólares. Para recuperar seu prestígio - e uma bilheteria respeitável - ele reuniu-se ao cineasta que melhor havia sabido lidar com seu talento dramático limitado em seus maiores êxitos financeiros, os dois capítulos iniciais de "O exterminador do futuro". Com James Cameron na direção e Schwarza na liderança do elenco não havia como "True lies" dar errado. E não deu. Mesmo com um orçamento de 120 milhões de dólares, a refilmagem da desconhecida comédia francesa "La totale" - obviamente inchada com efeitos visuais de primeira qualidade - devolveu ao ator seu status de grande herói das telas, além de ter brindado o público com um dos mais divertidos filmes de sua carreira.

Brincando de James Bond, Schwarzenegger tem em "True lies" seu melhor papel, no qual ele consegue ultrapassar suas limitações e atingir um patamar inédito em sua carreira. Como Harry Tasker, um agente secreto do governo americano envolvido em uma perigosa trama de terrorismo nuclear, o monossilábico Exterminador não apenas explode automóveis, mas anda a cavalo pelo Central Park (e dentro de um elevador), pilota um avião de caça, fala árabe e dança tango. Tudo enquanto tenta salvar seu casamento.

Tasker é um agente do governo americano que esconde até mesmo da família sua verdadeira profissão. Sob o disfarce de um tedioso vendedor de computadores, ele leva uma vida repleta de adrenalina enquanto sua esposa, Helen (Jamie Lee Curtis) acredita que ele é um burocrata sonolento. Durante um de seus perigosos trabalhos, no entanto, Harry descobre que sua mulher está se envolvendo com outro homem, em busca de mais emoção para sua vida. Para salvar seu casamento, ele inventa uma missão para ela, mas eles acabam tendo que lidar de verdade com uma ameaça de terroristas árabes.


"True lies" é tudo que o cinema de entretenimento holywoodiano pode oferecer. É divertido do início ao fim, equilibrando com maestria sequências de ação realmente empolgantes com momentos extremamente engraçados. Jamie Lee Curtis - merecidamente premiada com o Golden Globe de melhor atriz em comédia ou musical - rouba a cena descaradamente, explorando cada diálogo e cada possibilidade de sua personagem. A cena em que Helen precisa forjar um striptease, por exemplo, é um primor de bom humor e tanto Curtis quanto Schwarzenegger deitam e rolam na pele de personagens que parecem feitos sob medida.  Tom Arnold e Bill Paxton, em papéis coadjuvantes, também colaboram para o alto astral do filme que, mesmo falando sobre assuntos um tanto polêmicos jamais deixa de ser o que se propõe: uma aventura delirante, alucinante e muito, muito cara.

O orçamento milionário de "True lies", ao contrário do que acontece em muitos filmes, é plenamente justificável quando se assiste a cada uma de suas cenas. Cada centavo gasto por Cameron - um cineasta com grande tendência à megalomania - é visível nas telas. Os 120 milhões gastos - que dariam para produzir quase quatro filmes como "Velocidade máxima" - nunca parecem supérfluos nas mãos de Cameron, que cuida de cada detalhe com mão de ferro. Pode ser um inferno para quem trabalha com ele, mas para o público que assiste a seus filmes, esse detalhismo todo faz toda a diferença.

É impossível não gostar de "True lies". Quem procura uma comédia irá dar altas gargalhadas com as desventuras do casal Tasker. Quem busca um filme de ação ficará grudado na poltrona ao assistir sequências criativas e aparentemente impossíveis. E quem gosta de esquecer dos problemas por duas horas de duração vai ter 140 minutos da diversão mais competente que o dinheiro pode comprar. Se todos os filmes de ação fossem como "True lies" o mundo seria um lugar mais inteligente.

domingo

O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, O JULGAMENTO FINAL

O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, O JULGAMENTO FINAL (Terminator 2, the judgment day, 1991, Carolco Pictures, 137min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, William Wisher. Fotografia: Adam Greenberg. Montagem: Conrad Buff, Mark Goldblatt, Richard A. Harris. Música: Brad Fiedel. Figurino: Marlene Stewart. Direção de arte/cenários: Joseph P. Lucky/John M. Dwyer. Casting: Mali Finn. Produção executiva: Gale Anne Hurd, Mario Kassar. Produção: James Cameron. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick, Xander Berkeley. Estreia: 01/7/91

6 indicações ao Oscar: Fotografia, Montagem, Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais
Vencedor de 4 Oscar: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais 

Muito se reclamava, em 1991, da quantidade de dinheiro que se gastava em filmes de ação. O diretor James Cameron fez ouvidos de mercador à gritaria e gastou absurdos 100 milhões de dólares na continuação de seu "O exterminador do futuro", feito em 1984 com alguns trocados. O resultado, tanto em termos financeiros quanto de qualidade, calou a boca dos detratores: "O exterminador do futuro 2, o julgamento final" é, sem a mais remota dúvida, um dos filmes mais espetaculares já realizados em Hollywood, mostrando tudo de melhor que a indústria do entretenimento pode oferecer quando a questão é diversão.

Enquanto no primeiro filme Arnold Schwarzenegger era o vilão agora ele é o herói. Dono de uma popularidade enorme na época do lançamento do filme, Schwarza - que hoje todos sabemos, almejava vôos políticos - não poderia repetir o papel de exterminador do primeiro capítulo da saga criada por Cameron. O resultado disso ficou melhor que a encomenda. Desta vez, T-800 é enviado à Los Angeles de 1991 não para matar o jovem John Connor (Edward Furlong), futuro líder da resistência ao domínio das máquinas depois de um holocausto nuclear, mas sim para protegê-lo de um robô ainda mais perigoso e indestrutível, T-1000 (Robert Patrick), um modelo mais adiantado, capaz de auto-regenerar-se, transmutar-se em outras formas e, mais importante ainda, totalmente dedicado à sua missão. Acompanhado de Connor e de sua mãe, a corajosa e determinada Sarah (Linda Hamilton, musculosa ao extremo), o modelo de exterminador previamente programado para matá-los irá ajudá-los a livrar-se da ameaça de uma morte violenta.

É difícil dizer o que funciona mais em "O exterminador 2". O roteiro de Cameron e William Wisher tem um senso de ritmo admirável, que não deixa o espectador respirar mais que alguns minutos entre uma sequência de ação e outra - sendo que todas são nunca menos do que espetaculares. A parte técnica - que fez a festa na cerimônia do Oscar de 92 - é impecável e de deixar qualquer plateia de queixo caído ainda hoje. É de tirar o fôlego, por exemplo, a longa sequência em que John Connor encontra T-800 pela primeira vez e fica sabendo, através de uma violenta perseguição pelas ruas de Los Angeles, que está seriamente ameaçado de morrer. A relação entre o adolescente e a máquina de matar, aliás, é o trunfo secreto de James Cameron. Enquanto se delicia com os efeitos visuais embasbacantes criados para o filme, o público também se deixa envolver pela história de amizade e admiração entre um ser humano e um robô. Tudo isso sem sentimentalismos baratos ou lágrimas forçadas.

"O exterminador do futuro 2" merece o lugar de destaque que ocupa entre os melhores filmes de ação de todos os tempos. Inteligente, tecnicamente impecável, emocionante em vários níveis e revolucionário - além de ser um dos mais caros filmes da história, o que fica fácil de perceber com seu cuidado com os detalhes - o segundo capítulo de uma série que foi se desgastando com o tempo ainda é um perfeito exemplo de bom cinema. Até mesmo os mais intelectuais fãs de cinema são obrigados a aplaudir a história contada por James Cameron e Arnold Schwarzenegger.

sábado

O VINGADOR DO FUTURO

O VINGADOR DO FUTURO (Total recall, 1990, Carolco International, 113min) Direção: Paul Verhoeven. Roteiro: Ronald Shusett, Dan O'Bannon, Gary Goldman, conto "We can remember if you wholesale", de Philip K. Dick. Fotografia: Jost Vacano. Montagem: Carlos Puente, Frank J. Urioste. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: Erica Edell Phillips. Direção de arte/cenários: William Sandell/Robert Gould. Casting: Mike Fenton, Valorie Messalas, Judy Taylor. Produção executiva: Mario Kassar, Andrew Vajna. Produção: Buzz Feitshans, Ronald Shusett. Elenco: Arnold Schwarzennegger, Rachel Ticotin, Sharon Stone, Ronny Cox, Michael Ironside. Estreia: 01/6/90

2 indicações ao Oscar: Som, Efeitos Sonoros
Oscar especial de Efeitos Visuais

Uma das mais famosas obras do escritor Philip K. Dick deu origem ao clássico "Blade Runner, o caçador de andróides", que é lembrado bem mais por sua inteligência do que por seu teor adrenalínico. Um dos mais bem-sucedidos filmes do cineasta holandês Paul Verhoeven é "Robocop, o policial do futuro", blockbuster que usou e abusou de ação, violência e efeitos visuais para atingir seu público. O que resulta na união entre esses dois estilos tão diferentes de se contar uma história  é justamente "O vingador do futuro", um filme de ficção científica quase cerebral, caríssimo e estrelado pelo astro-mor do gênero "pancadaria": Arnold Schwarzenegger. E é justamente essa diferença de estilos que ajuda - e também atrapalha um pouco - no resultado final.

Anos-luz à frente de outros filmes de aventura que são lançados nos verões americanos, "O vingador do futuro" tem a seu favor uma história bem mais interessante e intrigante do que o normal: em 2084, Marte é uma colônia da Terra, governada pelo déspota Connhagen (Ronny Cox) e em vias de eclodir em uma guerra civil. Praticamente escravizados e sem direito nem mesmo à quantidade básica de oxigênio, os rebeldes são liderados por um misterioso líder, que vive escondido. Schwarzenegger vive Doug Quaid, um operário da construção civil que, intrigado por constantes pesadelos que os colocam em Marte acompanhado de uma morena desconhecida, resolve implantar em seu cérebro - através de uma agência de viagens virtuais - , lembranças de uma viagem de férias ao planeta. Acontece que, durante o processo, algo dá muito errado e Quaid descobre que na verdade ele não só já esteve em Marte como também teve sua memória apagada po razões que ele terá que descobrir antes que seja executado. E nem mesmo sua bela esposa, a misteriosa Lori (uma Sharon Stone pré-"Instinto selvagem") parece ser totalmente inocente.

A trama de "O vingador do futuro" é intrincada mesmo, assim como parece. E é essa complexidade em sua história que faz com que o filme de Verhoeven saia da vala comum dos filmes de verão descerebrados. As cenas repletas de violência e ação comandadas pelo cineasta dividem um espaço generoso com um roteiro repleto de pistas falsas, reviravoltas e até mesmo uma espécie de metáfora a respeito do fascismo - sim, Schwarzenegger, futuro governador da Califórnia, fez um filme onde o fascismo, ainda que mal disfarçado, era o vilão. A violência, aliás, é outra qualidade de "Total recall": enquanto hoje em dia qualquer cena mais forte logo vira motivo de gritaria, o filme de Schwarza e companhia não tem medo de pegar pesado, já que até mesmo um cadáver é utilizado como escudo humano. Tudo bem que o filme recebeu cortes e até a temível ameaça de um selo "X" da censura americana, mas é corajoso o bastante para ser elogiado.

O problema de "O vingador do futuro", no entanto, começa em seu terço final. A impressão nítida que se tem é que Verhoeven deixou de pensar nas implicações político/sociais da trama para concentrar-se  em cenas de ação de cair o queixo, violência desmedida e efeitos visuais caprichados - ainda que muito datados hoje em dia (e não pode-se deixar de falar do visual extremamente cafona...) Essa decisão enfraquece o que poderia ser ainda o melhor filme da carreira de Schwarzenegger (título que "O exterminador do futuro 2" mantém com louvor). Como está, é uma ficção científica bem acima da média, mas muito aquém do que poderia ter sido e muito longe de tornar-se um clássico como o já citado "Blade Runner".

O EXTERMINADOR DO FUTURO


O EXTERMINADOR DO FUTURO (The terminator, 1984, Orion Pictures, 108min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, Gale Anne Hurd, diálogos adicionais de William Wisher. Fotografia: Adam Greenberg. Montagem: Mark Goldblatt. Música: Brad Fiedel. Figurino: Hilary Wright. Direção de arte/cenários: George Costello/Maria Rebman Caso. Produção executiva: John Daly, Derek Gibson. Produção: Gale Anne Hurd. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Michael Bihen, Linda Hamilton, Paul Winfield, Lance Henriksen, Bill Paxton, Bess Motta. Estreia: 26/10/84

Antes de tornar-se multimilionário com "Titanic" e auto-conceder-se a pecha de visionário com o megalomaníaco "Avatar", James Cameron era um cara legal. A prova cabal dessa afirmação é "O exterminador do futuro", um filme realizado com alguns trocados - cuja primeira ideia foi vendida por um mísero dólar - e que não apenas firmou Arnold Schwarzenegger como astro número 1 do cinema de ação mas também mostrou que em cinema, uma ideia na cabeça é muito mais importante do que efeitos visuais de última ponta na mesa de pós-produção.

E a ideia na cabeça de Cameron quando criou a trama de "O exterminador" não poderia ter sido melhor e mais intrigante. Na Los Angeles de 1984, a garçonete Sarah Connor (Linda Hamilton) é caçada - sem ter a menor ideia do motivo - por um truculento e misterioso homem que ela nunca viu antes na vida. Totalmente perdida e sem saber o que está acontecendo, ela é protegida por outro desconhecido, Kyle Reese (Michael Biehn), que depois de salvá-la diversas vezes da morte, finalmente lhe explica o porquê de tanta violência: ela está sendo perseguida por um Exterminador (Arnold Schwarzenegger) que tem a missão de matá-la porque, no futuro, ela será a mãe do líder da resistência humana contra o domínio das máquinas. Ele, Kyle Reese, foi enviado, do futuro, pelo próprio John Connor, para protegê-la e evitar assim que seu nascimento seja impedido.

Sem contar com os orçamentos milionários com os quais faria seus filmes seguintes - a começar por "Aliens, o resgate", em 1986 - Cameron demonstra, em "O exterminador do futuro" que é, sim, um cineasta talentoso, inteligente e, mais importante do que tudo, com um senso de ritmo impecável. As cenas de ação de "Exterminador" não tem efeitos visuais mirabolantes, mas são tão empolgantes quanto se tivessem. Por ter menos dinheiro - leia-se um orçamento quase ridículo em comparação com sua sequência rodada em 1991 - Cameron se viu obrigado a ser mais criativo e essa criatividade faz desse primeiro exemplar da série um clássico absoluto da ficção científica, capaz de ser ao mesmo tempo extremamente eficaz como filme de ação e nunca deixar de ser inteligente e intrigante.

É impossível, por exemplo, deixar de relacionar a caça à Sarah Connor com a matança ordenada por Herodes logo após o nascimento de Cristo e essa ressonância religiosa de certa forma eleva "O exterminador do futuro" a um patamar acima de seus congêneres, que normalmente apelam para a violência high-tech como forma de disfarçar sua falta de conteúdo. Aqui, Cameron usa e abusa da violência, aproveitando que ainda não havia em cima do cinema a pressão a favor do "politicamente correto". Schwarzenegger - em um papel oferecido a Sylvester Stallone - destrói uma delegacia de polícia, mata um grupo de punks, extermina meia dúzia de Sarahs Connors e não pensa duas vezes em arrasar o que passa à sua frente. Dá pra imaginar algo assim nos chatíssimos dias de hoje? Nem mesmo o próprio Schwarza quis comprar essa briga: na continuação, ele é o herói do filme, para não manchar sua imagem e estragar seu caminho rumo à política.

Mesmo com seu jeitão de primo pobre de suas continuações hiperbolizadas, o primeiro capítulo das aventuras de Sarah Connor e de seus exterminadores continua sendo uma origem digna e extremamente divertida. Responsabilidade da mistura perfeita entre um roteiro esperto, um diretor talentoso e um elenco perfeitamente escalado - apesar de ser uma atriz bastante limitada, Linda Hamilton segura bem as pontas de sua responsabilidade, a ponto de ter conquistado Cameron: eles se casaram um tempo depois da estreia do filme e mesmo que hoje estejam separados, ninguém tira de Hamilton o fato de ser a eterna Sarah Connor.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...