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quinta-feira

A GAIOLA DAS LOUCAS

 


A GAIOLA DAS LOUCAS (The Birdcage, 1996, United Artists, 117min) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Elaine May, original de Francis Veber, Édouard Molinaro, Marcello Danon, Jean Poiret, peça teatral "La cage aux folles", de Jean Poiret. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Montagem: Arthur Schmidt. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Bo Welch/Cheryl Carasik. Produção executiva: Marcello Danon, Nil Machlis. Produção: Mike Nichols. Elenco: Robin Williams, Nathan Lane, Gene Hackman, Dianne Wiest, Hank Azaria, Christine Baranski, Dan Futterman, Calista Flockhart. Estreia: 08/3/96

Indicado ao Oscar de Direção de Arte/Cenários

Um dos filmes franceses de maior sucesso dentro no normalmente hermético mercado norte-americano, "A gaiola das loucas", lançado em 1978, não apenas conquistou a plateia e a crítica, mas também chegou a ser indicado a três Oscar - incluindo melhor roteiro adaptado e direção (Édouard Molinaro). Não demorou, portanto, para que Hollywood pensasse em uma versão doméstica, sem legendas que afugentassem o público médio e que apresentasse a trama (baseada em uma peça teatral de Jean Poiret) para uma nova audiência. Porém, depois de uma tentativa frustrada ainda nos anos 1980 - que poderia ter sido estrelada pela inusitada dupla Dudley Moore e Frank Sinatra (!!) -, o projeto ficou no limbo até a década seguinte, quando finalmente encontrou o caminho para as telas com um elenco sob medida e um tom moderno que, para surpresa de muitos, corrigiu alguns erros do original (amenizando alguns estereótipos exagerados) e revelou o talento de Nathan Lane, até então relegado a pequenos papéis em filmes nem sempre memoráveis. Indicado ao Golden Globe de melhor ator, Lane consegue o quase impensável: roubar a cena em uma comédia contracenando com o furacão Robin Williams.

Já consagrado no teatro mas sem um grande sucesso para chamar de seu, Nathan Lane agarrou com unhas e dentes a chance oferecida pelo veterano Mike Nichols (incentivado pelo sempre generoso Robin Williams), e só não engole tudo a sua volta porque a seu lado estão nomes como Williams, Gene Hackman e Dianne Wiest, todos conhecidos por seu talento em brilhar não importa o tamanho de seus papéis. Nichols - respeitado por sua capacidade de transitar entre diversos gêneros - dirige a todos com a elegância habitual e extrai o melhor de cada um, criando uma estrutura cômica irresistível, com piadas que fazem rir não apenas o público gay (com referências ao universo homossexual) mas também plateias mais tradicionais. Não à toa, o filme arrecadou mais de 180 milhões de dólares no mercado internacional - um feito e tanto quando se sabe o quão hermético ao tema é o público médio. Em parte devido à presença de Williams, em parte devido ao êxito do filme francês, "A gaiola das loucas" surpreendeu até mesmo o estúdio (a United Artists) - e provou que, nas mãos certas e com respeito ao material original, um remake pode acrescentar camadas antes não percebidas (e eliminar problemas, especialmente para audiências mais suscetíveis).



A trama do filme quase todo mundo já conhece, de uma forma ou outra: Gaiola das Loucas é uma boate de drag queens localizada em South Beach. Seu proprietário é Armand Goldman (Robin Williams), que é casado com a principal atração do local, o transformista Albert (Nathan Lane) - que se apresenta com o nome artístico de Starina e é admirado por todos os frequentadores. A rotina relativamente tranquila do casal (que inclui crises nervosas de Albert a qualquer contrariedade) é abalada quando Val (Dan Futterman) - filho de uma aventura casual de Armand na juventude - surge com a notícia de que irá se casar com a delicada Barbara (Calista Flockhart), filha de um senador cujas posições extremamente conservadoras batem de frente com o estilo de vida de seus futuros sogros. A notícia cai como uma bomba no pouco tradicional lar, mas as coisas ficam ainda piores quando Val pede aos pais que aceitem fingir uma falsa normalidade em um jantar para o encontro das duas famílias. Para isso, Albert precisa sair de cena - e ser substituído pela mãe do rapaz, Katherine (Christine Baranski) - e todos os detalhes da casa considerados "gay demais" (ou seja, todos) precisam ser escondidos, incluindo o empregado, Agador Spartacus (Hank Azaria), que sonha com sua chance na boate dos patrões. A situação, caótica por si própria, se complica quando o Senador Kevin Keeley (Gene Hackman) se vê envolvido involuntariamente em uma polêmica relacionada ao partido e passa a ser perseguido pela imprensa. O jantar - que já prometia ser um desastre - se completa quando, na ausência de Katherine, Albert assume o papel de matriarca da família.

Uma comédia de erros das mais felizes, "A gaiola das loucas" versão americana se beneficia do calor das praias de South Beach para acrescentar uma energia solar que talvez falte no original francês. Se Nathan Lane dá seu show particular em cada aparição - a sequência em que tenta caminhar de modo viril, como John Wayne, é um primor -, seu parceiro de cena também não decepciona: ao optar por viver o menos espalhafatoso Armand (que a princípio seria interpretado por Steve Martin), um dos atores mais populares de sua geração (e também dos mais ocupados na metade da década de 1990) abre espaço para o brilho de seus colegas de cena e mesmo assim chama a atenção com um desempenho que explora seu dom para o humor popular. Gene Hackman, por sua vez, surpreende ao entregar uma atuação que rompe com sua persona sisuda e consagrada junto ao grande público - sua última cena é, sem dúvida, um dos grandes momentos da comédia americana moderna. Ao atualizar e melhorar um clássico contemporâneo (sem perder sua essência e seu senso de humor sagaz e irônico), o filme de Mike Nichols mereceu o enorme sucesso de bilheteria - e, caso raro em se tratando de remakes, conquistou inclusive a crítica, sendo indicado aos Golden Globes de melhor comédia e melhor ator e saindo vencedor de melhor elenco na cerimônia do Screen Actors Guild, batendo nada menos que "O paciente inglês", grande vencedor do Oscar em sua temporada. Não é pouca coisa!

quarta-feira

DA MAGIA À SEDUÇÃO


DA MAGIA À SEDUÇÃO (Practical magic, 1998, Warner Bros, 104min) Direção: Griffin Dunne. Roteiro: Robin Swicord, Akiva Goldsman, Adam Brooks, romance de Alice Hoffman. Fotografia: Andrew Dunn. Montagem: Elizabeth Kling. Música: Alan Silvestri. Figurino: Judianna Makovksy. Direção de arte/cenários: Robin Standefer/Claire Jenora Bowin. Produção executiva: Bruce Berman. Produção: Denise Di Novi. Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Aidan Quinn, Dianne Wiest, Stockard Channing, Goran Visnjic, Marc Feuerstein, Evan Rachel Wood, Margo Martindale, Chloe Webb. Estreia: 16/10/98

Quando "Da magia à sedução" chegou aos cinemas, Nicole Kidman ainda não era a estrela que viria a se tornar depois do sucesso de "Moulin Rouge: o amor em vermelho" e "Os outros" - ambos lançados em 2001 - nem tampouco tinha o prestígio que o Oscar por "As horas" (2002) lhe traria. Em outubro de 1998, data da estreia, a maior estrela do projeto era Sandra Bullock, em franca ascensão desde que chamou a atenção do público pela primeira vez, em "Velocidade máxima" (1994). A união das duas atrizes, porém, ao contrário do que se poderia esperar, decepcionou. Com menos de 50 milhões de dólares arrecadados nas bilheterias mundiais, o filme dirigido pelo também ator Griffin Dunne - e baseado em um best-seller de Alice Hoffman - ficou em um estranho meio-termo entre uma comédia romântica com tons sobrenaturais e um suspense fantástico com elementos típicos das histórias de amor que enchem os olhos dos fãs do gênero. Escorado no carisma de suas estrelas e com o apoio luxuoso de um elenco coadjuvante impecável, "Da magia à sedução" funciona como um passatempo acima da média - mas inegavelmente sofre com sua atmosfera um tanto indecisa.

De acordo com um dos roteiristas, o premiado Akiva Goldsman - Oscar por "Uma mente brilhante" (2001) - a primeira versão do filme privilegiava o lado mais sombrio da história criada por Hoffman e publicada em 1995. O marketing promovido pela Warner, porém, conduziu a produção a um resultado mais leve, de olho em um público mais amplo. Sendo assim, a saga de duas jovens irmãs lidando com seus dons de feitiçaria encontrou, no filme de Dunne, um viés mais lúdico e menos mórbido. Se por um lado é um acerto, ao explorar o talento cômico de suas atrizes, também deixa no ar a sensação de um resultado final híbrido, que não atinge todo o seu potencial dramático. Tal problema de foco respingou inclusive na trilha sonora original de Michael Nyman, que foi substituída, depois de exibições-teste, por uma música considerada menos "europeia e intrusiva", composta por Alan Silvestri. Com intenções mais comerciais, a versão que finalmente chegou às telas acabou por decepcionar o estúdio - mas tornou-se cult com o passar do tempo, principalmente devido à presença de Kidman e Bullock.

 

As duas atrizes vivem, respectivamente, Gillian e Sally Owens, irmãs que, órfãs, vivem desde a infância em uma pequena ilha na costa de Massachussets, criadas por suas tias, Frances (Stockard Channing) e Jet (Dianne Wiest). Descendentes de uma longa linhagem de bruxas, elas sabem que são amaldiçoadas para o amor e se ressentem de terem passado a vida toda sofrendo o preconceito dos outros moradores locais. Chegando à idade adulta, porém, sua união é posta à prova pelas radicais diferenças entre suas personalidades. Enquanto Sally - introvertida e romântica - desafia sua sina e vive um casamento feliz e realizado com Michael (Mark Feuerstein), Gillian - rebelde e sensual - foge da cidade com o objetivo de viver a vida longe dos olhos maldosos dos conterrâneos. A maldição que as une, no entanto, parece mais forte do que qualquer coisa: Sally fica viúva depois de um trágico acidente, e Gillian se envolve em um relacionamento tóxico e violento com o perigoso Jimmy Angelow (Goran Visjnic) - uma relação cujos desdobramentos trágicos a obriga a retornar ao lar e apresenta as duas irmãs o detetive de polícia Gary Hallet (Aidan Quinn). Sua reunião abala a tranquilidade da pequena cidade - mas pode, paradoxalmente, ajudá-las a superar o preconceito que cerca sua família e suas origens.

O que pode ser dito a respeito de "Da magia à sedução" é que, apesar dos problemas, o produto final é um delicioso programa para os menos exigentes. No auge da beleza, Nicole Kidman rouba a cena como a tresloucada e irresponsável Gillian - um contraponto aos dramas de Sally, interpretada por uma Sandra Bullock competente mas repetindo os trejeitos que fizeram dela uma grande estrela. Stockard Channing e Dianne Wiest brilham a cada aparição e a direção de Griffin Dunne faz o possível para extrair o melhor de um roteiro cuja mudança de tom no terço final prejudica mais do que ajuda. Para os fãs de suas atrizes centrais é imperdível - mas fica no ar a sensação de que poderia ter sido melhor, mais memorável ou até mesmo mais corajoso.

domingo

PASSAGEIROS

PASSAGEIROS (Passengers, 2008, TriStar Pictures/Mandate Pictures, 93min) Direção: Rodrigo Garcia. Roteiro: Ronnie Christensen. Fotografia: Igor Jadue-Lillo. Montagem: Thom Noble. Música: Edward Shearmur. Figurino: Katia Stano. Direção de arte/cenários: David Brisbin/Carol Lavalee. Produção executiva: Joe Drake, Nathan Kahane. Produção: Julie Lynn, Judd Payne, Matthew Rhodes, Keri Selig. Elenco: Anne Hathaway, Patrick Wilson, Dianne Wiest, David Morse, Andre Braugher, Clea DuVall, William B. Davis, Don Thompson, Ryan Robbins. Estreia: 24/10/08

Diretor do sensível "Coisas que você pode dizer só de olhar para ela" e de alguns episódios da aclamada "A sete palmos", o colombiano Rodrigo Garcia - filho do escritor Gabriel Garcia Marquez - parece não ser, a princípio, o cineasta mais apropriado para contar a história repleta de suspense de um grupo de sobreviventes de um desastre aéreo que tentam superar o trauma com a ajuda de uma jovem terapeuta com problemas familiares. Porém, essa dúvida a respeito de sua adequação à trama é desfeita com poucos minutos de "Passageiros": apesar do tom sombrio e do permanente clima de tensão, o roteiro de Ronnie Christensen - autor de filmes B de pouca repercussão - oferece ao diretor um material rico também em possibilidades dramáticas, que lhe permite explorar, sem prejuízo de nenhum dos enfoques, tanto um belo drama psicológico quanto um suspense elegante, que dispensa sustos baratos ao optar por um viés mais espiritualista da história.

Talvez o maior acerto de "Passageiros" seja Anne Hathaway no papel central de Claire Summers, uma jovem terapeuta que é chamada por seu professor, Perry (Andre Braugher), para servir como conselheira de um grupo de sobreviventes de um grave acidente aéreo ocorrido recentemente. Uma pessoa fechada e introvertida que tem problemas de relacionamento com a única irmã, Claire relutantemente aceita a missão e começa uma série de sessões com os traumatizados passageiros - que tem, cada um a seu modo, uma visão diferente do que aconteceu na ocasião do acidente. Enquanto tenta investigar o que realmente ocasionou a queda do avião, Claire passa a sofrer a perseguição de um dos funcionários da companhia aérea (David Morse) e começa a perceber que seus pacientes estão misteriosamente desaparecendo, um a um. Certa de que algo muito errado está acontecendo, ela ainda começa a envolver-se com um dos pacientes, o charmoso Eric (Patrick Wilson), que, desde o desastre, passou a se comportar como um homem a quem foi dada uma nova chance. Mas, afinal, qual a verdade sobre a tragédia? E como realmente Claire poderá ajudar a essas pessoas?


Levantando suas questões aos poucos, conforme vai apresentando os personagens e estabelecendo suas ligações, o roteiro de "Passageiros" não chega a ser uma obra-prima de criatividade, mas tem o grande mérito de não tratar o espectador como burro. Espalhando pistas sobre a grande revelação final durante todo filme, o roteirista e o diretor não apelam para soluções tiradas da manga, preferindo contar sua história em um ritmo próprio, que equilibra as cenas românticas entre Claire e Eric com momentos de uma suave tensão. Essa opção de enfatizar o lado sensível da trama em detrimento de sustos e violência acaba sendo o grande diferencial do filme de Garcia em relação a outros similares: intercalando delicadeza e mistério, "Passageiros" pode agradar a gregos e troianos, ainda que corra o risco de, por sua indecisão (ou ousadia, dependendo do ponto de vista), deixar de ser um marco em qualquer um dos gêneros. Com o tempo, será lembrado como romance, drama ou suspense? Ou simplesmente irá tornar-se mais um clássico das madrugadas televisivas?

É fácil gostar de "Passageiros", uma vez que tudo parece estar no lugar certo: o elenco talentoso, a direção sutil, o roteiro com reviravoltas suficientes para segurar a atenção, a história interessante. Mas mesmo assim, fica a impressão de que falta a ele um algo a mais que o mantenha na memória do espectador e faça dele um grande filme. É emocionante, é surpreendente e é um entretenimento dos mais agradáveis. Mas dificilmente vai mudar a vida de alguém, ainda que seja sempre um prazer ver Anne Hathaway e Patrick Wilson em cena (melhor esquecermos de "Os miseráveis" e "O vizinho", não é mesmo?).

O ENCANTADOR DE CAVALOS

O ENCANTADOR DE CAVALOS (The horse whisperer, 1998, Touchstone Pictures, 172min) Direção: Robert Redford. Roteiro: Eric Roth, Richard LaGravenese, romance de Nick Evans. Fotografia: Robert Richardson. Montagem: Hank Corwin, Freeman Davies, Tom Rolf. Música: Thomas Newman, Gwil Owen. Figurino: Judy L. Ruskin. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Gretchen Rau, Hilton Rosemarin. Produção executiva: Rachel Pfeffer. Produção: Patrick Markey, Robert Redford. Elenco: Robert Redford, Kristin Scott Thomas, Sam Neil, Dianne Wiest, Chris Cooper, Scarlett Johanssen, Cherry Jones, Kate Bosworth. Estreia: 15/5/98

Indicado ao Oscar de Melhor Canção ("A soft place to fall")

Quem conhece a filmografia de Robert Redford como cineasta sabe muito bem que o galã transformado em diretor oscarizado - pelo belo "Gente como a gente", de 1980 - tem um ritmo todo particular de contar as histórias que escolhe apresentar à plateia. Foi assim, por exemplo, com "Nada é para sempre" (92), que ilustrava uma trama familiar e fraternal com o ritmo suave da pesca, e com "Quiz show, a verdade dos bastidores" (94), que escancarava a corrupção da televisão americana em plenos anos 50 como um cerebral filme de detetives da década de 70. Não houve surpresa nenhuma, portanto, quando ele lançou "O encantador de cavalos", seu filme seguinte: baseado em um romance de Nick Evans que teve seus direitos comprados por Redford antes mesmo de ser publicado, o filme se desenvolve lentamente diante dos olhos do espectador, oferecendo a ele a oportunidade de envolver-se gradualmente com a trama, os personagens e as belas imagens captadas pela câmera do veterano Robert Richardson - Oscar por "JFK", de Oliver Stone. A quem está acostumado com a edição quase alucinante da maioria do filmes pós-anos 80, pode parecer chato e enfadonho - o estilo convencional do cineasta muitas vezes é assim considerado - mas aqueles que aceitarem experimentar podem se surpreender com uma bela e emocionante história de amor e reparações sentimentais.

Logo nos primeiros minutos de projeção Redford já mostra que não está disposto a brincadeiras, com uma impressionante sequência que mostra um trágico acidente envolvendo um caminhão e dois cavalos em um estrada coberta de uma neve escorregadia e traiçoeira. O resultado do desastre - dirigido com sensibilidade e delicadeza que equilibram suas consequências funestas - é a morte da adolescente que cavalgava um dos animais (que também acaba se tornando uma vítima fatal) e a amputação de parte da perna da outra menina, a tímida Grace (Scarlett Johansson em início de carreira). Seu cavalo, Pilgrim, sobrevive, mas fica extremamente ferido a ponto de tornar-se sério candidato à eutanásia. Quem impede tal desfecho é Annie (Kristin Scott Thomas), editora-chefe de uma revista nova-iorquina que acredita que matar o animal seria o golpe de misericórdia no sofrimento de sua filha, Grace. Disposta a curar o cavalo - e consequentemente ajudar na recuperação da garota, com quem vive um relacionamento difícil - ela viaja até Montana com o objetivo de convencer o famoso "encantador de cavalos" Tom Booker (Redford em pessoa, pela primeira vez sendo dirigido por ele mesmo) a aceitar o trabalho de recuperar a saúde de Pilgrim.


Não é preciso ser especialista para adivinhar que Booker não apenas irá tratar do cavalo, mas também irá consertar a relação entre mãe e filha, colaborar na autoaceitação de Grace em sua nova condição, questionar o modo de vida urbano e estressante de Annie e, lógico, envolver-se romanticamente com ela, que passa por um período conturbado no casamento com Robert (Sam Neill). Nadando contra a corrente do cinema comercial americano, porém, Redford trata dessa sessão de terapia conjunta e atípica sem pressa, de forma quase contemplativa e onírica, que valoriza cada fotograma, cada expressão de seus atores - e entre os coadjuvantes estão os ótimos Dianne Wiest e Chris Cooper - e cada deslumbrante cenário de Montana. É óbvio que essa decisão em levar a história a seu próprio tempo estica a duração do filme a quase três horas de duração, o que pode incomodar aos mais inquietos, mas é louvável a coragem de Redford em desafiar as normas ao assinar uma produção que ainda por cima tem a ousadia de contar uma história de amor pudica e discreta, ao contrário dos amores histéricos que frequentam as salas de exibição. Tudo bem, sua química com Kristin Scott Thomas - uma das maiores atrizes de sua geração - não é das melhores, mas o fato de seu relacionamento sustentar-se basicamente em olhares e intenções faz dele um dos mais maduros e interessantes da década, apesar do fracasso do filme nas bilheterias (talvez justamente por romper os padrões comerciais do gênero).

E é interessante também como Redford encontra um generoso espaço em seu drama romântico para mostrar o tratamento que seu personagem oferece ao cavalo de Grace - e que, afinal, dá título ao filme. As cenas em que Tom Booker e Pilgrim interagem - e posteriormente incluem a menina em sua relação - são emocionantes na medida certa, evitando o sentimentalismo fácil ao mesmo tempo em que conquistam o público com sua delicadeza ímpar, enfatizada pela bela fotografia e pela trilha sonora de Thomas Newman. "O encantador de cavalos" é um filme para plateias adultas, que estão cansadas das fórmulas desgastadas expostas com ritmo de videoclipe. É suave, maduro e muito bonito.

sexta-feira

MENTES QUE BRILHAM

MENTES QUE BRILHAM (Little man Tate, 1991, Orion Pictures, 99min) Direção: Jodie Foster. Roteiro: Scott Frank. Fotografia: Mike Southon. Montagem: Lynzee Klingman. Música: Mark Isham. Figurino: Susan Lyall. Direção de arte/cenários: Jon Hutman/Sam Schaffer. Produção executiva: Randy Stone. Produção: Peggy Rajski, Scott Rudin. Elenco: Jodie Foster, Dianne Wiest, Adam Hann-Byrd, Harry Connick Jr., David Hyde Pierce, Debi Mazar, Celia Weston. Estreia: 06/9/91 (Festival de Toronto)

Sendo uma atriz que desde a mais tenra infância foi obrigada a lidar com as benesses e os malefícios da genialidade, Jodie Foster deve ter encontrado especial ressonância na estória do pequeno Fred Tate, criada pelo roteirista Scott Frank. Superdotado mentalmente mas renegado à solidão inerente à sua condição, o pequeno Fred é o protagonista do primeiro filme de Jodie como diretora, o delicado e sensível "Mentes que brilham" - que ela assumiu, aliás, depois que Joe Dante abandonou o barco alegando as famosas diferenças artísticas. Provando que seu talento não se resume a atuar - fato que seus dois Oscar confirmam além de qualquer dúvida - Foster construiu uma pequena história familiar, discreta e sem excessos que reflete com perfeição sua personalidade e inteligência.

Deixando de lado a vaidade que normalmente acompanha a decisão de atores em se tornarem cineastas, Foster não põe o ponto de vista de sua personagem como foco central da trama, preferindo - acertadamente - manter a história em torno de seu pequeno protagonista, interpretado com frescor pelo encantador Adam Hann-Byrd. Aos sete anos de idade, Fred Tate é capaz de escrever poesias, pintar a óleo, tocar piano como um adulto profissional e realizar complicadíssimas equações matemáticas. Como não poderia deixar de ser, tais dons o afastam dos colegas (que o veem como um alienígena) e fazem dele um menino solitário e carente, apesar de manter uma relação calorosa e de extremo amor e afeto com a mãe, a garçonete Dede (vivida pela própria Jodie), que o criou sozinha desde seu nascimento. Sua inteligência acima da média acaba chamando a atenção de Jane Grierson (Dianne Wiest), uma médica que convida o garotinho para conviver com outras crianças semelhantes a ele em um programa direcionado à crianças superdotadas. Sabendo que é incapaz de prover ao filho um ambiente que lhe faça crescer ainda mais intelectualmente, Dede acaba cedendo, mas o menino percebe que o que sobra em sua mãe - amor, carinho, dedicação - falta em Jane, que, apesar de brilhante, não construiu à sua volta uma rede saudável de relacionamentos emocionais.


Sem querer impor nenhum tipo de verdade absoluta, o roteiro de "Mentes que brilham" expõe todas as dificuldades enfrentadas por Tate em sua trajetória de maneira lúdica, quase carinhosa. O olhar tristonho de Hann-Byrd fala mais do que páginas inteiras de diálogo, e Foster o capta com delicadeza, levando a plateia para dentro de sua alma torturada pelo desejo de ser uma criança normal, com amigos, uma festa de aniversário bem-sucedida, brincadeiras tolas e conversas prosaicas. Essa dualidade é bem representada pela construção sólida das protagonistas adultas do filme, interpretadas com a maestria de sempre por Jodie e Dianne Wiest. Enquanto Dede não sabe nem ao menos o número de teclas de um piano e prefere dançar com o filho ao invés de ler um livro, ao menos ela consegue lhe dar conforto e a sensação de segurança emocional de que ele precisa. Já Jane, sóbria em roupas elegantes e modos polidos, sabia tocar violino desde a infância, escreveu vários livros e dedica seus dias a exercitar em jovens os dons que eles possuem, mas é mutilada emocionalmente, tendo tido uma relação distante com os pais e uma incapacidade flagrante de ser espontânea e verdadeira.

Tendo estreado em meio a uma grave crise da Orion Pictures - que o escolheu em detrimento de "Céu azul", de Tony Richardson, uma vez que era impossível lançar os dois no mesmo ano e o estúdio estava em meio à sua bem-sucedida campanha para dar a Jodie Foster seu segundo Oscar, por "O silêncio dos inocentes" - "Mentes que brilham" colecionou críticas extremamente positivas, uma bilheteria nada desprezível em se tratando de uma obra com poucas ambições comerciais e um prestígio que poucos diretores conseguem alcançar em um primeiro trabalho (e prestígio dura bem mais do que meia dúzia de Oscar, que o diga Kevin "Dança com lobos" Costner). Uma pena que, mesmo com tanto sucesso, a diretora Jodie Foster seja ainda tão bissexta - depois deste, ela voltou para trás das câmeras apenas com "Feriados em família" (95) e o estranho e não tão bom "Um novo despertar" (2011). Que seu retorno seja rápido.

quarta-feira

O TIRO QUE NÃO SAIU PELA CULATRA

O TIRO QUE NÃO SAIU PELA CULATRA (Parenthood, 1989, Universal Pictures, 124min) Direção: Ron Howard. Roteiro: Lowell Ganz, Babaloo Mandel, estória de Ron Howard, Babaloo Mandel, Lowell Ganz. Fotografia: Donald McAlpine. Montagem: Daniel Hanley, Michael Hill. Música: Randy Newman. Figurino: Ruth Morley. Direção de arte/cenários: Todd Hallowell/Nina Ramsey. Produção executiva: Joseph M. Caracciolo. Produção: Brian Grazer. Elenco: Steve Martin, Jason Robards, Mary Steenburgen, Dianne Wiest, Tom Hulce, Rick Moranis, Harley Kozak, Martha Plimpton, Keanu Reeves, Joaquin Phoenix. Estreia: 31/7/89

2 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Dianne Wiest), Canção Original ("I love to see you smile")

Uma doce e terna homenagem às benesses da paternidade - título-original massacrado pelo absurdamente idiota e sem sentido "O tiro que não saiu pela culatra" - a comédia de Ron Howard que acompanha as aventuras e desventuras de uma família tipicamente americana (mas que poderia tranquilamente ser brasileira, italiana, francesa ou japonesa, com suas diferenças culturais à parte, obviamente) nasceu da conclusão de Howard (juntamente com o produtor Brian Grazer e os roteiristas Babaloo Mandel e Lowell Ganz) de que o fato mais importante que lhes aconteceu na vida foi terem sido pais. Relembrando situações embaraçosas, tristes ou engraçadas pelas quais passaram, eles conceberam a história de um clã tão disfuncional quanto caloroso, repleto de problemas mas igualmente cercado de carinho e compreensão, os Buckman. Representados por um elenco excepcional que tem em mãos um roteiro recheado de diálogos deliciosos e poeticamente realista, os Buckman são um retrato bastante fiel da plateia, que deixou nas bilheterias americanas cerca de 100 milhões de dólares e colocou Ron Howard no mapa dos diretores altamente comerciais de Hollywood - status que havia conquistado com "Splash, uma sereia em minha vida" (84) e perdido momentaneamente com o relativo fracasso de "Willow, na terra da magia" (88), um projeto pessoal que naufragou nas bilheterias.

Contado em forma de anedotas cotidianas interligadas por uma história tênue e de uma simplicidade extremamente eficiente, "O tiro que não saiu pela culatra" concentra-se principalmente em Gil Buckman (Steve Martin, explorando todo o seu timing cômico em papel recusado por Dan Ayckroyd, Michael Keaton, Jeff Golblum e Tom Hanks), o segundo filho do patriarca Frank (Jason Robards), um homem que passou a vida dedicado ao trabalho e deixou a família de lado. Gil é casado com a doce Karen (Mary Steenburgen), luta para ser reconhecido profissionalmente e lida diariamente com seus três filhos - sendo que o mais velho, Kevin (Jasen Fisher), para surpresa dos pais, é considerado um garoto-problema na escola e precisa frequentar uma psicóloga. Sua irmã mais velha, Helen (Dianne Wiest), é separada de um ex-marido ausente e luta para ter uma relação afável com os filhos adolescentes, a rebelde Julie (Martha Plimpton) - que namora o desnorteado Todd (Keanu Reeves) - e o misterioso Garry (Joaquin Phoneix, ainda com seu nome real, Leaf, posto por seus pais hippies). A terceira irmã, Susan (Harley Kozak), é casada com o neurótico Nathan (o ótimo Rick Moranis), que quer transformar a filhinha de seis anos em um Einstein de saias e o irmão caçula, Larry (Tom Hulce) - de certa forma o preferido de Frank - pega toda a família de surpresa quando retorna de uma viagem acompanhado de um adendo inesperado: um filho pequeno que teve com uma dançarina de Las Vegas.


Com essa galeria de tipos idiossincráticos mas bastante próximos da realidade do espectador - tanto em termos emocionais quanto familiares -  Ron Howard cria uma pequena pérola do cinema mainstream, equilibrando com sensibilidade momentos de humor (como a hilariante cena em que Gil descobre, sem querer, o que consola sua irmã Helen em suas noites solitárias) com sequências banhadas em uma delicadeza quase europeia (sempre que Gil tem a chance de questionar as escolhas de sua vida e dá de cara com a estrutura familiar que construiu com Karen e os filhos). A trilha sonora de Randy Newman pontua com precisão as escolhas sutis de Howard, comentando a ação de forma discreta - sua canção-tema, "I love to see you smile", chegou a ser indicada ao Oscar da categoria. E o elenco é um show à parte, equilibrando atores já consagrados com os nomes mais quentes do humor cinematográfico americano da época - não deixa de ser injusto que apenas Dianne Wiest tenha sido lembrada pela Academia por seu desempenho como a solitária Helen (um papel no qual ela é especialista, haja visto pelo menos dois trabalhos sob o comando de Woody Allen, "A era do rádio" (87) e "Hannah e suas irmãs" (86), que lhe rendeu uma estatueta.

Se Steve Martin de certa forma comanda o espetáculo com seu Gil Buckman, ele encontra ao seu lado um grupo de atores em plena forma. Jason Robards transmite com exatidão as dúvidas de seu Frank, que descobre na velhice o quanto perdeu da juventude dos filhos e tenta remendar os erros passando a mão na cabeça do caçula irresponsável. Mary Steenburgen vive com placidez uma personagem sempre no meio do redemoinho mas sempre com a cabeça pronta para diminuir as tempestades. Dianne Wiest brilha como Helen, especialmente em seus duelos com a filha Julie (a ótima e eterna "goonie" Martha Plimpton). E Rick Moranis - popularíssimo nos EUA nos anos 80 e depois praticamente esquecido pelo público e pela indústria - quase rouba a cena como o alucinado pai com grandes expectativas intelectuais em relação ao rebento. Juntos, essa família de ótimos atores transforma o texto quase simples de "O tiro que não saiu pela culatra" (que alguns críticos consideraram pasteurizado e digno de sitcoms e não de um filme de um grande estúdio) em um trunfo do cinema familiar. É simples, é quase ingênuo e é também, reconheçamos, quase esquecível. Mas é, ao mesmo tempo, uma delícia como um grande pedaço de bolo de chocolate.

terça-feira

REENCONTRANDO A FELICIDADE

REENCONTRANDO A FELICIDADE (Rabbit hole, 2010, Olympus Pictures, 91min) Direção: John Cameron Mitchell. Roteiro: David Lindsay-Abaire, peça teatral de David Lindsay-Abaire. Fotografia: Frank G. DeMarco. Montagem: Joe Klotz. Música: Anton Sanko. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Kalina Ivanov/Diana Salzburg. Produção executiva: William Lischak, Linda McDonough, Brian O'Shea, Dan Revers. Produção: Nicole Kidman, Gigi Pritzker, Per Saari, Leslie Urdang, Dean Vanech. Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Sandra Oh, Miles Teller. Estreia: 13/9/10 (Festival de Toronto)

Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Nicole Kidman)


É difícil acreditar que o John Cameron Mitchell que assina o drama “Reencontrando a felicidade” é o mesmo inquieto e energético cineasta que ficou conhecido internacionalmente com “Hedwig” – uma festa para os olhos e ouvidos, dotado de um cinismo iconoclasta devastador e anárquico. Não porque essa adaptação da peça de teatro de David Lindsay Abaire (feita pelo próprio dramaturgo) seja medíocre ou algo parecido, mas sim porque é radicalmente diferente do filme de estreia do diretor, tanto em tom quanto em intenção. Melancólica, recheada de emoções brutas e desprovida de qualquer senso de humor capaz de amenizar sua força dramática, a história de um casal tentando superar a imensa dor da perda de um filho ainda criança revela em Mitchell um cineasta capaz de sair de sua zona de conforto e mesmo assim atingir a empatia do público – principalmente graças às atuações milagrosas de seu par de protagonistas, Nicole Kidman e Aaron Eckhart.
Kidman e Eckhart interpretam Becca e Howie Corbett, um casal jovem, bonito e bem-sucedido que vê sua vida paradisíaca virar de cabeça para baixo com a violenta morte de seu filho, atropelado por um carro acima do limite da velocidade dirigido pelo adolescente (Miles Teller). Oito meses depois da tragédia, eles tentam, cada um à sua maneira, superar seus sentimentos de dor e desespero: Howie acredita que grupos de apoio podem lhes ajudar e conta com a ajuda da igualmente traumatizada Gaby (Sandra Oh) para seguir em frente – mas não consegue deixar de “visitar” o filho em um vídeo gravado em seu celular. Becca, por sua vez, esconde seus sentimentos e, vez por outra, extravasa sua revolta em discussões com a família – a mãe, (Dianne Wiest), que também já perdeu um filho, e a irmã, , que acaba de descobrir-se grávida. Uma reviravolta acontece em sua vida, porém, quando ela inicia uma hesitante relação de amizade com o jovem Jason (Miles Teller), consumido pela culpa do acidente – uma relação que irá por em xeque todos os questionamentos da enlutada mãe e jogá-la em rota de colisão com o marido.


Fugindo do sentimentalismo barato e apostando em diálogos crus e realistas – mas nunca carentes de uma alta dose de emoção – o roteiro de “Reencontrando a felicidade” (um título nacional no mínimo equivocado, haja visto que nenhum personagem chega a reencontrar a tal felicidade) foge magistralmente das limitações de sua origem teatral não apenas por oxigenar a claustrofobia que poderia surgir de uma verborragia excessiva mas também por possibilitar à direção de Mitchell um viés mais cinematográfico em termos visuais. Ainda que o cineasta não ouse narrativa ou formalmente, em nenhum momento seu filme se torna um aborrecido exercício de autocompaixão ou masoquismo. Respeitando a força dos personagens de Lindsay-Abaire, o diretor se deixa conduzir por seus dramas sem nunca escorregar no exagero, contornando até mesmo os momentos mais tensos com uma sensibilidade que lembra o cinema europeu, avesso à qualquer tipo de pieguice. Os embates entre Kidman e Eckhart, por exemplo, fogem do tradicional esquema lacrimoso dos filmes do gênero, oferecendo a ambos a chance de exercitar suas maiores qualidades.
Eckhart – que já demonstrou talento para o cinismo desbragado em “Na companhia de homens” (97) e “Obrigado por fumar” (06) – tem um desempenho acima da média, transmitindo todo o turbilhão de sentimentos de seu personagem com uma potência dramática ainda não explorada por Hollywood. Enquanto isso, Kidman volta à sua melhor forma – esquecida diante de uma série de filmes bem aquém de seu talento – com uma personagem que, ao contrário do que se poderia esperar, não se resume a lágrimas e agressões. O vasto espectro de emoções mostrado por Kidman em pouco menos de 90 minutos justifica sua indicação ao Oscar de melhor atriz – que ela perdeu para Natalie Portman, por “Cisne negro” – e confirma a capacidade de John Cameron Mitchell de se reinventar e escapar do gueto artístico em que sua bem-sucedida estreia poderia lhe aprisionar. Contando ainda com atuações preciosas de Dianne Wiest (com pelo menos duas grandes cenas) e do então desconhecido Miles Teller (que se consagraria em 2015 com o ótimo “Whiplash, em busca da perfeição”), “Reencontrando a felicidade” é um palco para seus ótimos atores e mais uma prova de que um bom texto, uma direção competente e emoções verdadeiras são ingredientes mais do que suficientes para a realização de um belo e comovente drama familiar.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...