Mostrando postagens com marcador ROB MARSHALL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ROB MARSHALL. Mostrar todas as postagens

sexta-feira

NINE

NINE (Nine, 2009, The Weinstein Company, 118min) Direção: Rob Marshall. Roteiro: Michael Tolkin, Anthony Minghella, musical de Arthur Kopit, Maury Yeston, original de Mario Fratti. Fotografia: Dion Beebe. Montagem: Claire Simpson, Wyatt Smith. Música: Andrea Guerra. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: John Myhre/Gordon Sim. Produção executiva: Kelly Carmichael, Michael Dreyer, Ryan Kavanaugh, Tucker Toooley, Bob Weinstein. Produção: John DeLuca, Rob Marshall, Marc Platt, Harvey Weinstein. Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cottilard, Nicole Kidman, Penelope Cruz, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Fergie Duhamel. Estreia: 03/12/09

4 indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Penelope Cruz), Figurino, Direção de Arte/Cenários, Canção ("Take it all")


Tinha tudo para ser um espetáculo irretocável. Na direção, o homem responsável por carimbar o passaporte dos filmes musicais em direção às boas graças definitivas da crítica, do público e da Academia com o genial “Chicago”. Na liderança do elenco, um dos mais prestigiados e admirados atores de sua geração, Daniel Day-Lewis. Como as mulheres que o rodeiam desde a infância, uma seleção das melhores e mais importantes atrizes em atividade (desde as veteranas Judi Dench e Sophia Loren até a cantora pop Fergie, passando pelas oscarizadas Nicole Kidman, Penélope Cruz e Marion Cottilard). Como cenário, a velha Itália dos anos 60, em especial a antológica Cinecittá – palco dos maiores clássicos cinematográficos do país. E como trama, a adaptação de um sucesso da Broadway que homenageia um dos filmes mais aplaudidos do incensado Federico Fellini, o autobiográfico “8 ½”. Por que, então, com todos esses elementos infalíveis à disposição, o esperado “Nine” resultou tão morno? Tido como um dos favoritos ao Oscar 2010 antes mesmo de sua estreia, o filme de Rob Marshall – que fez barba, cabelo e bigode com seu “Chicago”, na cerimônia de 2003 – acabou decepcionando ao ficar de fora da lista nas categorias principais e, pior ainda, nem de longe repetir o êxito do musical anterior de seu diretor. Quando se assiste ao filme, porém, é impossível não perceber seu calcanhar de Aquiles. Apesar de plasticamente deslumbrante, “Nine” falha justamente no ponto central de um musical: suas canções.
           
Sem o deboche e a ironia que inundavam cada número musical de “Chicago”, Rob Marshall segue o caminho consagrado pelos palcos da Broadway e imprime a “Nine” um tom de seriedade nostálgica e auto-penitente que, não estivessem presentes em um musical, poderiam fazer do filme uma obra-prima. O problema é que, sempre que alguém começa a cantar – mesmo quando é Penélope Cruz exalando sensualidade ou Marion Cottilard injetando profundidade e angústia em uma personagem pouco desenvolvida por um roteiro que também peca pela superficialidade – o ritmo é seriamente comprometido. A edição – precisa em alguns momentos e seriamente equivocada em outros, quando desvaloriza algumas coreografias que precisavam ser mostradas na íntegra como forma de encantar a audiência – não dá conta em costurar todos os retalhos de memória de seu protagonista, truncando a agilidade da narrativa ao invés de empurrá-la para a frente. Diante disso, nem mesmo a brilhante direção de arte e os figurinos luxuosos (ambos merecidamente lembrados pela Academia) conseguem disfarçar a sensação de monotonia que percorre boa parte da projeção – a despeito de seu elenco empolgante e esforçado.
           
Daniel Day-Lewis, por exemplo, está mais uma vez estupendo. Ele vive Guido Contini, um cineasta consagrado que, em vias de começar seu novo trabalho – o nono junto com seu fiel produtor, daí o título original – se vê diante de uma situação até então inédita para ele: um colossal bloqueio criativo. Seu filme já tem título definido – “Itália” – uma protagonista escolhida – a bela e popular Claudia Jenssen (Nicole Kidman) – e uma equipe técnica pronta a começar os trabalhos, mas Guido, pressionado pelos executivos da indústria, pela amante casada , Claudia (Penélope Cruz) e pela esposa amorosa, Luisa (Marion Cottilard), não consegue nem ao menos começar a escrever o roteiro ou pensar em uma trama. Seu dilema – o mesmo que o personagem de Marcello Mastroianni vivia em “8 ½” – acaba por levá-lo a uma viagem inconsciente para dentro de suas memórias, o que fatalmente o põe diante de personagens femininas fortes e formadoras de sua personalidade, como a prostituta Saraghina (Fergie) – que encantava seus dias de criança – e sua calorosa mãe (Sophia Loren).



Não há nada de errado na forma como a trama intercala a realidade de Guido (um personagem torturado pela culpa católica e ao mesmo tempo incapaz de resistir às tentações libidinosas que cruzam seu caminho) com sua imaginação delirante – a atuação de Daniel Day-Lewis, aliás, é formidável, arriscando-se mais uma vez em um gênero até então inédito em sua carreira – nem mesmo o médico mulherengo de “A insustentável leveza do ser” (1988) era capaz de esconder, por medo da danação religiosa, o crucifixo de uma pensão barata na hora de transar com a amante. Porém, não há, no repertório do filme, nenhuma canção forte o bastante para empolgar a plateia, como havia, por exemplo, em “Chicago”. Marshall mantém seu extremo bom-gosto na ambientação de seu trabalho – a fotografia de Dion Beebe é um desbunde, sempre surpreendendo o público com ângulos e iluminações sofisticadas e classudas – mas frequentemente perde a mão no ritmo que impõe à sua narrativa. Mais uma vez ele recorre ao artifício (inteligente e eficaz) de situar os números musicais dentro da mente do protagonista – e como aqui trata-se de um cineasta, nada mais natural que ele veja tudo com luxo e glamour – mas dessa vez não há a ironia marota com que Roxy Hart enxergava as coisas em “Chicago”. E isso faz uma tremenda falta, ainda que a proposta de “Nine” seja, a rigor, bastante distinta de seu irmão mais velho.
            
Mas seria injusto falar em “Nine” sem destacar suas (muitas) qualidades. Mesmo que o elemento principal (a música) seja um tanto quanto enfadonho, o visual elaborado por Marshall e seus colaboradores é espantoso. Filmado na própria Cinecittá, “Nine” tem, em seu visual e seu espírito, a elegância e a sutileza do cinema europeu do período que retrata, seja no guarda-roupa detalhista ou nos cenários meticulosos capazes de encher os olhos da mais descolada plateia. Todos as apresentações musicais (aquelas mesmas que a edição por vezes picota para imprimir agilidade e acaba por enfraquecer) são bem coreografadas e interpretadas por atrizes tão talentosas que extraem o melhor de cada personagem para apresenta-las ao público como figuras interessantes (até a veneranda Judi Dench canta e dança, na pele de Lily, figurinista e confidente de Guido). Nicole Kidman – cujos dotes vocais já foram vistos e aprovados anteriormente em “Moulin rouge: o amor em vermelho” – está linda e delicada como a atriz desejada pelo diretor. Penélope Cruz quase rouba a cena como a amante sexy que dança lençóis de seda e tenta o suicídio (foi indicada ao Oscar de coadjuvante). Kate Hudson (na única personagem um tanto avulsa da trama) tem o número mais animado do filme, “Cinema italiano”. E Fergie usa e abusa de seus dotes de cantora pop para fazer das cenas de sua amante profissional um espetáculo energético e de extrema competência visual. Mas é Marion Cottilard quem dá o que falta a boa parte do vistoso filme de Rob Marshall: alma.
            
Dona de olhos expressivos e uma beleza delicada, a francesa Cottilard – que se transfigurou na cantora Edith Piaf e ganhou um Oscar merecidíssimo de melhor atriz por isso – serve como o contraponto romântico e pé no chão a seu artístico marido. Na pele de uma mulher que abandonou a carreira de atriz para viver para um marido pouco afeito à fidelidade conjugal, ela é dona de dois números musicais (uma das canções, “Take it all”, feita especialmente para o filme, concorreu ao Oscar) e de alguns dos diálogos mais fortes do filme – “Obrigada por me fazer ver que não sou especial!”, ela vomita ao perceber que nem mesmo os gestos românticos do início da relação entre eles eram exclusivos dela. Cottilard dá substância e emoção real à “Nine”, lembrando ao espectador que, mesmo por baixo da suntuosidade e da pompa criada pelo cinema, os sentimentos ainda são a melhor matéria-prima para uma boa história.

segunda-feira

MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA


MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA (Memoirs of a geisha, 2005, Dreamworks SKG, 145min) Direção: Rob Marshall. Roteiro: Robin Swicord, romance de Arthur Golden. Fotografia: Dion Beebe. Montagem: Pietro Scalia. Música: John Williams. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: John Myhre/Gretchen Rau. Produção executiva: Gary Barber, Roger Birnbaum, Bobby Cohen, Patricia Whitcher. Produção: Lucy Fisher, Steven Spielberg, Douglas Wick. Elenco: Ziyi Zhang, Michelle Yeoh, Ken Watanabe, Gong Li, Ted Levine. Estreia: 06/12/05

6 indicações ao Oscar: Fotografia, Trilha Sonora Original, Figurino, Direção de Arte/Cenários, Som, Edição de Som
Vencedor de 2 Oscar: Figurino, Direção de Arte/Cenários


Publicado em 1997 e imediatamente comprado pelos produtores Douglas Wick e Lucy Fisher, o romance "Memórias de uma gueixa" sempre interessou ao cineasta Steven Spielberg, que via nele todos os ingredientes capazes de emocionar a plateia ocidental. Anos se passaram, porém, antes que o premiado diretor finalmente jogasse a toalha, impedido de realizar o filme por inúmeros outros compromissos profissionais. Depois que nomes tão díspares quanto Brett Ratner ("Dragão vermelho" e "A hora do rush"), Kimberly Peirce ("Meninos não choram") e até Spike Jonze ("Quero ser John Malkovich" e "Adaptação") estiveram cotados para comandar a missão, no entanto, foi Rob Marshall, fresquinho do sucesso acachapante de "Chicago" quem ficou com o emprego. Extremamente cuidadoso com o visual de seus trabalhos, Marshall imprimiu ao filme uma força pictória que até disfarça seu maior pecado: o pouco caso com a nacionalidade de seu elenco.

Para os produtores de Hollywood - ao menos é a nítida impressão que seus filmes passam - não importa se as gueixas fazem parte da cultura japonesa ou de qualquer outro país da Ásia. Só isso explica a escalação das atrizes chinesas Ziyi Zhang e Gong Li e da malaia Michelle Yeoh para viverem as protagonistas de uma história que, em tese, deveria esclarecer à audiência a respeito de uma das tradições mais importantes do Japão. Somado ao fato de ser falado em inglês - que ajudou na bilheteria mas prejudicou ainda mais sua credibilidade - esse erro talvez não tenha incomodado o público médio, mas, especialmente depois da ousadia de "A paixão de Cristo" em ser falado em seu idioma original, soou superficial e pasteurizado. Sorte que Rob Marshall sabe o que faz em termos estéticos e transformou "Memórias de uma gueixa" em um espetáculo brilhante em termos visuais.



O filme começa em 1929, quando a pequena Chiyo é vendida para uma casa de gueixas e separada de sua irmã, também criança. Sofrendo com a situação - e com os maus-tratos impostos pela dona da casa e pela principal gueixa do local, a bela Hatsumoto (Gong Li) - ela, aos poucos começa a crescer e revelar uma beleza estonteante. Contando com o apoio da veterana Mameha (Michelle Yeoh), ela decide se tornar uma gueixa - mesmo que seja para conquistar o amor do homem que lhe deu carinho em sua infância, um poderoso político que, com a eclosão da II Guerra vai lhe ajudar a sobreviver.

É impossível negar a beleza que desfila diante dos olhos dos espectadores de "Memórias de uma gueixa". A fotografia deslumbrante de Dion Beebe encontra eco nos espetaculares figurinos e na caprichada direção de arte (não foi por acaso que o filme saiu premiado com os Oscar nessas três categorias) e a trilha sonora do veterano John Williams é contida até ser chamada à ação, emocionando na medida certa. E, apesar de não ser a escolha mais adequada para o papel central - por questões geográficas - Ziyi Zhang consegue transmitir toda a angústia de sua personagem e tornar-se absolutamente linda quando necessário, mesmo quando está ao lado da estonteante Gong Li - em uma atuação igualmente inspirada. São elas - e Michelle Yeoh, sutil e discreta em sua interpretação - que fazem com que o filme seja assistido mesmo com seu grotesco equívoco idiomático e cultural.

sexta-feira

CHICAGO

CHICAGO (Chicago, 2002, Miramax Films, 113min) Direção: Rob Marshall. Roteiro: Bill Condon, peça teatral de Maurine Dallas Watkins, músicas de Bob Fosse, Fred Ebb. Fotografia: Dion Beebe. Montagem: Martin Walsh. Música: Danny Elfman. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: John Myhre/Gord Sim. Produção executiva: Jennifer Berman, Sam Crothers, Julia Goldstein, Neil Meron, Meryl Poster, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Craig Zadan. Produção: Martin Richards. Elenco: Renée Zellweger, Richard Gere, Catherine Zeta-Jones, John C. Reilly, Queen Latifah, Colm Feore, Taye Diggs, Dominic West, Christine Baranski, Lucy Liu. Estreia: 27/12/02

13 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Rob Marshall), Atriz (Renée Zellweger), Ator Coadjuvante (John C. Reilly), Atriz Coadjuvante (Queen Latifah, Catherine Zeta-Jones), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Canção ("I move on"), Figurino, Direção de Arte/Cenários, Som
Vencedor de 6 Oscar: Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Catherine Zeta-Jones), Montagem, Figurino, Direção de Arte/Cenários, Som
Vencedor de 3 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Ator Comédia/Musical (Richard Gere), Atriz Comédia/Musical (Renée Zellweger)
Vencedor de 3 Screen Actors Guild Awards: Atriz (Renée Zellweger), Atriz Coadjuvante (Catherine Zeta-Jones), Melhor Elenco

O "Chicago" que todo mundo conhece e admira, vencedor de 6 Oscar e o maior sucesso de bilheteria da história da Miramax poderia ter sido bem diferente. Alvo do interesse dos estúdios hollywoodianos desde sua estreia nos palcos da Broadway em 1975, o musical - que chegou aos cinemas dirigido com energia e criatividade por Rob Marshall, cujo currículo tinha de marcante somente uma versão para a TV do chatinho "Annie" - demorou quase três décadas para fazer a transição dos palcos para as telas, e entre as intenções e a realização muita coisa mudou. Entre Bob Fosse (que dirigiu e coreografou a versão teatral da trama em sua estreia) e Marshall (que efetivamente comandou o espetáculo de 2002) até mesmo Nicholas Hytner esteve interessado em dirigir e na lista de atores que estiveram envolvidos com o projeto, em um momento ou outro da produção, estão nomes como Madonna, Goldie Hawn, Kathy Bates, Nicole Kidman, Charlize Theron, Cameron Diaz, Whoopi Goldberg, Hugh Jackman, Frank Sinatra, Liza Minnelli, Toni Collette, Marisa Tomei, Gwyneth Paltrow, Winona Ryder e até (ufa!) Britney Spears. Como às vezes o tempo é uma bênção, é impossível não se deixar conquistar pelo elenco que finalmente assumiu os papéis criados por Maurine Dallas Watkins e adaptados pelo ótimo Bill Condon.

A trama de "Chicago" se passa nos anos 20, quando o teatro de vaudeville estava em seu auge. Ser uma estrela dos palcos é o sonho maior de Roxie Hart (Renee Zelwegger), que, no entanto, precisa levar uma vida sem sal de dona-de-casa ao lado do marido, o mecânico Amos (John C. Reilly). Quando ela conhece o sedutor Fred Casely (Dominic West) sua sorte parece estar começando a mudar: porém, ao contrário das promessas que o rapaz faz (de que vai apresentá-la às pessoas certas no show business) ele quer apenas levá-la pra cama. Quando ela descobre isso, não vê outra alternativa senão matá-lo. Na cadeia, ela conhece seu maior ídolo, a atriz Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), que aguarda julgamento pelo assassinato duplo de sua irmã e seu amante. Para escapar da condenação à forca, Roxie contrata (com o financiamento do pobre marido) o famoso e competente Billy Flynn (Richard Gere), que também defende Velma. As duas passam, então, a disputar a atenção do advogado e as manchetes dos jornais.



Talvez a maior qualidade de "Chicago" seja mesmo seu roteiro: Bill Condon (que dirigiu o sensacional "Deuses e monstros", de 1998) consegue o feito raro de manter o tom irônico de suas primeiras cenas até os créditos de encerramento, sempre entregando à plateia diálogos inteligentes e sarcásticos, seja em falas ou canções, todas elas absolutamente bem encaixadas na história, por si só interessante o bastante. A química entre as duas protagonistas (ambas indicadas ao Oscar, mas apenas Zeta-Jones premiada, de forma um tanto estranha, como coadjuvante) é extraordinária e é perceptível sua entrega ao trabalho. Todos os belos números musicais são dirigidos com extrema competência por Marshall e belissimamente fotografados por Dion Beebe, que dá uma atmosfera de sonho a todos eles. A ideia genial do cineasta - e que deu rumo à adaptação para o cinema - foi fazer com que todos os números sejam originários da imaginação fértil de Roxie, que, assim vê a carcereira Mamma Morton (Queen Latifah, ótima) como uma sofisticada crooner e a execução de uma companheira de prisão como uma apresentação de mágica. É particularmente feliz a ideia de Marshall conduzir a entrevista coletiva de Roxie e Billy como se ela fosse um títere (e a execução da cena é, no mínimo, antológica).

Beneficiando-se do sucesso de "Moulin Rouge" - cujos elogios e popularidade abriu as portas para que novos musicais pudessem ser produzidos pela terra do cinema - "Chicago" conquista principalmente por não ousar demais como o filme de Baz Luhrmann. É um filme claramente moderno, mas com uma linguagem tradicional, que peca apenas por não surpreender em termos estilísticos. Rob Marshall segue à risca a cartilha de Bob Fosse, com coreografias excepcionais e um apurado visual, brincando muito mais com as pequenas ironias que cercam suas personagens do que com o gênero em si, como fez o filme estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor. Proporciona brilhantes momentos-solos a seus atores (John C. Reilly deita e rola com "Mr.Cellophane" mas Richard Gere mostra sua fragilidade artística com "Razzle Dazzle") e revela em Marshall um cineasta atento aos detalhes e às sutilezas de um projeto tão ambicioso. E além de tudo - e o que é ainda melhor - diverte sem tratar a audiência como débil mental.

Muita gente torceu o nariz para o generoso número de Oscar para "Chicago" - em especial os fãs de seus rivais na briga pela estatueta "As horas" e "Gangues de Nova York". Mas é inegável que é um trabalho de primeira grandeza, realizado com um talento incomum e que remete aos bons tempos de uma Hollywood glamourosa e que tinha no entretenimento sua principal preocupação.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...