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segunda-feira

MÚSICA DO CORAÇÃO

MÚSICA DO CORAÇÃO (Music of the heart, 1999, Miramax Pictures, 124min) Direção: Wes Craven. Roteiro: Pamela Gray. Fotografia: Peter Deming. Montagem: Gregg Featherman, Patrick Lussier. Música: Mason Daring. Figurino: Susan Lyall. Direção de arte/cenários: Bruce Alan Miller/George De Titta Jr.. Produção executiva: Amy Slotnick, Harvey Weinstein, Bob Weinstein. Produção: Susan Kaplan, Marianne Maddalena, Allan Miller, Walter Scheuer. Elenco: Meryl Streep, Aidan Quinn, Angela Bassett, Cloris Leachman, Gloria Estefan, Kieran Culkin, Michael Angarano. Estreia: 06/9/99 (Festival de Toronto)

2 indicações ao Oscar: Atriz (Meryl Streep), Canção Original ("Music of my heart")

Filmes estrelados por professores que lutam contra as adversidades e conquistam o amor dos alunos mesmo desafiando as autoridades são comuns em Hollywood. Desde o clássico "Ao mestre, com carinho", estrelado por Sidney Poitier até produções menos bem recebidas pela crítica, como "Mentes perigosas", com Michelle Pfeiffer, o tema sempre emocionou as plateias, graças à força dramática sempre presente nos inspiradores roteiros. Quando a história é real, então, as lágrimas são impossíveis de segurar, especialmente quando no papel central está Meryl Streep. Como protagonista de "Música do coração", ela pega o papel inicialmente oferecido à Madonna - e que era cobiçado por Meg Ryan e Sandra Bullock - e, com a intensidade de sempre, transforma um drama convencional em mais um espetáculo digno de nota. Perfeccionista ao extremo, Streep aprendeu a tocar violino em um mês e entregou mais uma atuação memorável, que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar - a décima-segunda em sua vitoriosa carreira. Na pele de Roberta Guaspari, uma professora de violino que transformou a vida de mais de mil alunos da periferia nova-iorquina com seus dez anos de aulas diárias - e que também inspirou um documentário chamado "Small wonders" - Streep comanda novamente o show, acrescentando camadas extras de sensibilidade a uma história já tocante por si mesma.

Dirigido por Wes Craven - que assustou o mundo com seus "A hora do pesadelo" e "Pânico" e resolveu testar a mão com um drama como exigência para comandar o terceiro capítulo da série estrelada por Neve Campbell - "Música do coração" não chega a ser uma produção surpreendente em termos narrativos, mas compensa essa burocracia com uma sinceridade e uma delicadeza que vão se avolumando pouco a pouco para chegar a um clímax capaz de arrepiar até ao mais indiferente espectador. É claro que o talento superlativo de Meryl ajuda muito - por melhor artista pop que seja, Madonna jamais conseguiria emocionar tanto quanto ela - mas é preciso aplaudir também o elenco juvenil, que dá garra e ar fresco a uma trama um tanto quanto repetitiva que só encontra todo seu potencial quando reúne sua protagonista - cuja força e determinação vai crescendo conforme sua autoestima também passa a se recuperar, depois de um divórcio traumático - a seus estudantes, um grupo variados de crianças e adolescentes que descobrem na música clássica uma válvula de escape de seus problemas domésticos e sociais.


Quando o filme começa, Roberta (personagem de Streep) acaba de voltar para a casa da mãe, Assunta (Cloris Leachman), depois de ser abandonada pelo marido, que deixou-a para ficar com uma amiga sua. Como forma de manter-se e aos dois filhos pequenos, ela se oferece para dar aulas de violino em uma escola do Harlem, dirigida pela rígida Janet Williams (Angela Bassett). Aceita como substituta depois que mostra seus dons como educadora e sua paixão pela música, ela passa a ensinar meninos e meninas que vivem em um ambiente desprovido de sensibilidade artística e, aos poucos, vai conquistando a admiração e o respeito da comunidade - mesmo que sua vida pessoal não reflita tanto sucesso, principalmente sua relação com um antigo amigo, Brian Turner (Aidan Quinn). Depois de mais de uma década mantendo o programa de música da escola, porém, o conselho educacional resolve cortar a verba destinada ao projeto. Desesperada com a situação, Roberta conta com a ajuda dos pais dos alunos, dos amigos e até mesmo de figuras consagradas da música para organizar um concerto beneficente e assim mudar o jogo a seu favor.

Contando com uma protagonista carismática e provida de ótimas intenções, "Música do coração" não demora em conquistar o carinho da plateia, principalmente porque não se deixa levar pela tentação de apelar para a lágrima fácil. Quando a emoção surge - e ela frequentemente se mostra, às vezes timidamente, outras nem tanto - é porque Craven consegue manipular com sucesso a fórmula que está em suas mãos, sem deixá-la passar do ponto. Dirigindo com suavidade e apostando na química entre Streep, seus jovens atores e até na cantora Gloria Estefan como atriz (na pele de uma das professoras aliadas de Roberta em seus primeiros dias), o famoso criador do temível Freddy Kruger dá um passo à frente na carreira, mostrando que talento para outros gêneros não lhe falta - ainda que até hoje ele não tenha apostado em outro drama. Bonito, sensível e inspirador, "Música do coração" fala à alma.

quarta-feira

CONTATO

CONTATO (Contact, 1997, Warner Bros, 150min) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: James V. Hart, Michael Goldenberg, romance de Carl Sagan, história de Carl Sagan, Ann Druyan. Fotografia: Don Burgess. Montagem: Arthur Schmidt. Música: Alan Silvestri. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Ed Verreaux/Michael J. Taylor. Produção executiva: Joan Bradshaw, Lynda Obst. Produção: Steve Starkey, Robert Zemeckis. Elenco: Jodie Foster, Matthew McConaughey, David Morse, Jena Malone, William Fichtner, Rob Lowe, Tom Skerritt, Angela Bassett, John Hurt. Estreia: 11/7/97

Indicado ao Oscar de Som

Um dos mais populares escritores e astrônomos do mundo, Carl Sagan, autor da famosa série "Cosmos", morreu no final de 1996, quando as filmagens de um de seus mais estimados projetos ainda em andamento. Concebido no início dos anos 80 já em formato de filme e posteriormente transformado em romance, "Contato" chegou às telas alguns meses depois da morte de Sagan, arrancando elogios unânimes da crítica e amealhando nada desprezíveis 100 milhões de dólares somente no mercado doméstico americano. Levando-se em consideração que seu diretor é Robert Zemeckis - que fez com que "Forrest Gump", a história simples de um rapaz com problemas mentais se tornasse uma das maiores bilheterias da história - não chega a ser surpresa o sucesso do filme. Surpresa é o fato de o filme ter alcançado tamanho êxito sem apelar para efeitos visuais desnecessários nem tampouco descaracterizar a trama criada por Sagan. Apesar de classificar-se, sim, como uma ficção científica, "Contato" expande os limites do gênero ao tratar a busca por vida em outros planetas de uma maneira completamente diferente do mostrado até então.

A principal preocupação do roteiro de "Contato" não é levar o espectador à Marte ou planetas outros ao lado de personagens engraçadinhos e forjados sem a menor sutileza. A conversa aqui é bem outra, graças à inteligência da história criada por Sagan. A protagonista do filme é Ellie Arroway (vivida por uma Jodie Foster madura e sempre competente), uma astrônoma dedicada a sua busca por provas de vida fora da Terra. Lutando contra seus financiadores, que acreditam que ela está perdendo dinheiro com suas pesquisas, ela conta com a ajuda de seus colegas para manter viva a esperança de fazer a grande descoberta de sua vida. Um dia, finalmente ela ouve ruídos em seu rádio e descobre, sem sombra de dúvida, que tais sons são a prova da existência de alienígenas inteligentes. Ainda através de contatos sonoros, tais seres enviam  instruções para a construção de uma máquina que permitirá a um terráqueo viajar até eles. Quando tal nave fica pronta, porém, uma dúvida surge: quem é realmente digno de representar o planeta?



É a partir desse questionamento filosófico/religioso que "Contato" sai do lugar-comum dos filmes de ficção científica e penetra em um nível bem mais superior de entretenimento. Sem nunca descuidar do desenvolvimento dramático da história - que inclui a interessante relação entre a intelectual Ellie e o teólogo Joss Palmer (Matthew McConaughey) - o roteiro dá ao público um vasto material para discussões sem, por causa disso, confundí-lo com complexidades inúteis. Está tudo acomodado de forma sutil e convincente, principalmente porque, além de tudo, Zemeckis tem o dom de sempre escalar um elenco preciso. Logicamente, a dona da festa é Jodie Foster, que conduz toda a história com a majestade de sempre, mas seus coadjuvantes não podem jamais ser acusados de ficarem eclipsados por seu enorme talento.

Enquanto Matthew McConaughey aproveita seu status de "novo galã da hora em Hollywood" - foi seu primeiro trabalho após o sucesso de "Tempo de matar" - William Fichtner tem a maior chance de sua carreira ao interpretar o braço direito de Ellie, Kent, um cientista cego de importância fundamental na narrativa e John Hurt quase rouba a cena na pele de S.R. Hadden, o excêntrico milionário que possibilita à protagonista realizar seu sonho - em uma sequência belíssima realizada com extremo bom-gosto. Não bastasse isso, ainda fazem pequenas participações Tom Skerritt, Angela Bassett, Rob Lowe e até mesmo o presidente Bill Clinton, cujo discurso foi utilizado sem prévia permissão e causou controvérsia. E é inadmissível não lembrar das ótimas participações de Jena Malone e David Morse nas cenas iniciais, como a menina Ellie e seu pai, cuja morte tem ressonância em todo o filme.

"Contato" é, portanto, uma ficção científica com os dois pés na realidade. Não é um filme para o público que lotou as salas de cinema para assistir a bobagens indescritíveis como "Independence Day", mas para aquela plateia que gosta de ter seu cérebro bem tratado por duas horas e meia.

TINA

TINA (What's love got to do with it, 1993, Touchstone Pictures, 118min) Direção: Brian Gibson. Roteiro: Kate Lanier, livro "I, Tina", de Tina Turner, Kurt Loder. Fotografia: Jamie Anderson. Montagem: Stuart Pappé. Música: Stanley Clarke. Figurino: Ruth Carter. Direção de arte/cenários: Stephen Altman/Rick Simpson. Casting: Reuben Cannon. Produção executiva: Roger Davies, Mario Iscovich. Produção: Doug Chapin, Barry Krost. Elenco: Angela Bassett, Laurence Fishburne, Rae'Ven Kelly, Khandi Alexander, Jenifer Lewis, Sherman Augustus. Estreia: 09/6/93

2 indicações ao Oscar: Ator (Laurence Fishburne), Atriz (Angela Bassett)
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz Comédia/Musical (Angela Bassett)

 Era uma vez uma jovem negra com uma voz extraordinária que conheceu e se apaixonou pelo líder de um grupo musical e, depois do casamento, percebeu que seu príncipe era na verdade um sapo. Submetida a todo tipo de violência física e psicológica, ela só teve forças pra levar a vida adiante quando encontrou o budismo e a auto-estima, que a fizeram tornar-se uma das maiores estrelas da música pop mundial. Essa sinopse, inacreditável em sua coleção de clichês, é, por mais difícil que possa parecer, absolutamente verdadeira. E sua protagonista uma cantora de projeção internacional: Tina Turner.

 Baseado na autobiografia de Tina, escrita com a colaboração do jornalista Kurt Loder, o filme "Tina", produzido pela Touchstone Pictures (surpreendemente uma subsidiária da Disney tocando em assuntos polêmicos) tem todos os elementos de uma história edificante e com mensagens do tipo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" e seu roteiro e direção não fogem do que já vem sendo visto e ouvido desde, no mínimo, "Nasce uma estrela", com Judy Garland. O que o salva de ser apenas mais uma cinebiografia esquecível e puxa-saco são as escolhas de seus protagonistas: para viverem Tina Turner e de seu marido/descobridor/algoz Ike foram escolhidos dois dos melhores atores negros de sua geração, Angela Bassett e Laurence Fishburne. Sintomaticamente, ambos foram indicados ao Oscar por seus trabalhos impecáveis - e Bassett levou um Golden Globe para casa.



Fishburne, que está na estrada desde um pequeno papel em "Apocalypse now", de 1979, agarra com unhas e dentes o papel de Ike, forte e assustador, ainda que transformado, graças ao roteiro maniqueísta, em um homem desumano e cruel, desprovido de qualquer humanidade ou qualidades redentoras, e cuja força das músicas é relegado a segundo plano. Seu olhar frio, sua voz tonitruante e seu físico avantajado em relação à frágil Tina criada por Bassett dão a ele cenas chocantes, tiradas de letra por um ator seguro e com inteligência suficiente para tirar leite de pedra.

Mas é Angela Bassett quem brilha mais fortemente, no papel de sua vida. Desde a juventude sonhadora de Tina até sua glória absoluta - passando por momentos de desespero profundo - Bassett pinta e borda, mesmo quando não tem mais a fazer em cena do que sofrer os abusos de Fishburne. Até mesmo os trejeitos de Tina a atriz consegue reproduzir sem parecer uma mera cópia ou caricatura - o que fica evidente nos excelentes números musicais reproduzidos com energia pelo diretor Brian Gibson. A trilha sonora, inclusive, é uma das melhores da década, englobando desde o início r&b de Ike Turner até o auge pop de Tina como artista-solo. É impossível não envolver-se!

"Tina" foge do destino amargo dos filmes-tributo graças ao talento inquestionável de seu elenco e da qualidade de sua produção (o figurino de Ruth Carter também merece ser destacado). Dentro de seu gênero - repleto de filmes que beiram perigosamente o medíocre - pode figurar tranquilamente entre os produtos bem-sucedidos.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...