SATURNO EM OPOSIÇÃO (Saturno contro, 2007, Medusa Film, 110min) Direção: Ferzan Ozpetek. Roteiro: Ferzan Ozpetek, Gianni Romoli. Fotografia: Gian Fillippo Corticelli. Montagem: Patrizio Marone. Música: Giovanni Pellino "Neffa". Figurino: Alessandro Lai. Direção de arte/cenários: Massimiliano Nocente. Produção: Tilde Corsi, Gianni Romoli. Elenco: Stefano Accorsi, Margherita Buy, Piefrancesco Favino, Serra Yilmaz, Ennio Fantastichini, Ambra Angiolini, Luca Argentero, Michelangelo Tommaso, Milena Vukotic, Luigi Diberti, Lunetta Savino, Isabella Ferrari. Estreia: 23/02/07
Por nome talvez os espectadores não saibam logo de saída quem é Ferzan Ozpetek. Basta, porém, citar alguns de seus filmes para que os cinéfilos mais antenados com a produção italiana do começo do século XXI percebam de quem se está falando. Diretor de "Um amor quase perfeito" (2001), "A janela da frente" (2003) e "O primeiro que disse" (2010), entre outros menos conhecidos, o turco radicado na Itália é um dos nomes mais relevantes do novo cinema europeu - mesmo que nunca tenha tido a sorte de, por exemplo, chegar a ser indicado a um Oscar. Premiado em diversos festivais de cinema mundo afora, Ozpetek é um cineasta com características marcantes (personagens complexos, histórias que valorizam a amizade como uma forma de família, a simpatia pela comunidade LGBT) e elas ficam bastante claras em "Saturno em oposição", seu sexto longa-metragem, lançado em 2007 e que reúne o trio de atores de seu "Um amor quase perfeito" (Stefano Accorsi, Margherita Buy e Serra Yilmaz). Uma bela história sobre laços afetivos e luto, seu filme arrebatou sete indicações ao David di Donatello (o Oscar italiano) e, apesar da pouca repercussão no Brasil, é mais um pequeno grande filme do diretor.
Sua trama, como de costume, é simples e direta - o que não significa, de modo algum, que é simplória ou superficial: sem um protagonista específico, ela gira em torno de um grupo de amigos que, confrontados com a efemeridade da vida, são obrigados a rever seus conceitos e prioridades - assim como seus próprios relacionamentos interpessoais. Se algum dos personagens pode ser considerado o principal, este é Lorenzo (Luca Argentero), um jovem bonito e saudável que vive feliz com o namorado, o escritor Davide (Pierfrancesco Favino), e está em franca ascensão profissional. De repente, em meio a um jantar oferecido ao tradicional grupo de amigos, ele sofre um derrame cerebral e se torna o centro das atenções de todos - que deixam seus problemas de lado para se revezarem no hospital, enquanto lidam com suas próprias questões. Antonio (Stefano Accorsi) e Angelica (Margherita Buy), um casal aparentemente feliz, se descobre em meio a um tumultuado caso de adultério; a tradutora Nerval (Serra Yilmaz) tenta manter a união de todos e a paz de seu casamento com o policial Roberto (Fillipo Timi); o ex-namorado de Davide, Sergio (Ennio Fantastachini), mantém a amizade com o novo casal; os mais jovens, Paolo (Michelangelo Tommaso) - um aspirante a escritor - e Roberta (Ambra Angiolini), envolvida com drogas, testemunham os embates dos mais velhos; e Davide enfrenta o conservador pai de Lorenzo, Vittorio (Luigi Diberti), que não aceita totalmente a orientação sexual do filho único.
Dividindo sua atenção entre todos os seus personagens - com um pouco mais de ênfase no casal Antonio e Angelica, que se sobressaem também pelo carisma de seus intérpretes -, Ferzan Ozpetek brinda o espectador com cenas de uma delicadeza ímpar, nunca apelando para o sentimentalismo exagerado ou o caminho mais fácil. Ao dotar suas criações com uma série de nuances que os afastam do maniqueísmo, o diretor e roteirista permite aos atores que explorem com menos pressa e avidez o âmago de cada um deles. Ozpetek é mestre em trabalhar com sutilezas, como um olhar triste, um sorriso esperançoso, um abraço redentor, e faz isso com abundância, recheando de calor humano uma história que apresenta, em sua origem, poucas novidades. "Saturno em oposição" é, mais do que um filme de trama forte, uma obra de personagens interessantes e situações verossímeis, que encontram eco no público justamente por sua simplicidade aparente. Com o uso adequado da trilha sonora - comovente e eficaz em sua função de ilustrar passagens que exigem uma emoção mais forte - e um respeito absoluto pela humanidade de cada um (na tela e na plateia), o filme de Ozpetek faz parte de um tipo cada vez mais raro de cinema: aquele que retrata e embeleza o cotidiano.
Todos os problemas dos personagens de "Saturno em oposição" são graves - em níveis distintos e em graus maiores ou menores, mas definitivamente graves. Doença, morte, adultério, uso de drogas, problemas financeiros e o medo do fracasso atormentam sem descanso o grupo de amigos. Mas o roteiro faz questão de nem dourar a pílula e fazê-los de resolução milagrosa nem tampouco torná-los impossíveis de contornar. Oferecendo uma boa dose de generosidade a todos, Ferzan Ozpetek parece acenar com um gesto de esperança para cada um deles - e consequentemente também para o espectador. Em alguns momentos pode ser difícil segurar as lágrimas, mas no final das contas, o filme deixa claro que a amizade, a união e o respeito podem fazer grande diferença - não milagres, mas a quantidade necessária de conforto e carinho para que se possa manter a espinha ereta e o coração tranquilo. Mais uma vez acertando em cheio na emoção e na sensibilidade, Ozpetek se torna, com "Saturno em oposição", um diretor indispensável.
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terça-feira
O QUARTO DO FILHO
O QUARTO DO FILHO (La stanza del figlio, 2001, Rai Cinemafiction, 99min) Direção: Nanni Moretti. Roteiro: Nanni Moretti, Heidrun Schleef, Linda Ferri. Fotografia: Giuseppe Lanci. Montagem: Esmeralda Calabria. Música: Nicola Piovani. Figurino: Maria Rita Barbera. Direção de arte/cenários: Giancarlo Basili. Produção: Angelo Barbagallo, Federico Fabrizio, Vincenzo Galluzzo, Lorenzo Luccarini, Nanni Moretti. Elenco: Nanni Moretti, Laura Morante, Jasmine Trinca, Giuseppe Sanfelice, Stefano Accorsi. Estreia: 09/3/01
Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes
Quando um filme americano trata de perdas familiares, o público já sabe o que esperar: cenas catárticas, lágrimas em profusão e atores lutando por destaque - e quiçá uma lembrança dos membros da Academia. Quando a produção vem da Europa, porém, a coisa é bastante diferente, ainda que o tema seja o mesmo. Um exemplo claro dessa afirmação é "O quarto do filho", que saiu de Cannes em 2001 com a Palma de Ouro de Melhor Filme mesmo diferindo radicalmente das obras normalmente laureadas no festival - em outras palavras, é um drama simples e direto, sem firulas estilísticas ou arroubos artificiais de criatividade forçada. Ao investigar as consequências da morte de um adolescente em sua família, o diretor/roteirista/produtor/ator Nanni Moretti criou um singelo estudo sobre a perda que foge do dramalhão simplista e acena com um otimismo comovente.
O psicanalista Giovanni Sermonti (vivido pelo próprio Moretti) leva uma vida feliz e harmoniosa com a mulher Paola (Laura Morante) e o casal de filhos adolescentes, Irene (Jasmine Trinca) e Andrea (Giuseppe Sanfelice) até que, em um acidente de mergulho, o rapaz acaba morrendo - enquanto ele está atendendo um paciente à domicílio. A tragédia acaba empurrando-o em direção a remorsos e questionamentos, prejudicando sua carreira e seu casamento até então inabalável. Tentando lidar com a terrível perda, a família encontra um sopro de esperança quando descobre uma namorada desconhecida do rapaz.
Evitando ao máximo cenas lacrimosas, o filme de Moretti trata com elegância e discrição um tema difícil e compreensivelmente depressivo. Fugindo dos exageros que se poderia esperar de um filme italiano, ele prefere investir em cenas de impacto visual sutil, refletindo o vazio da família Sermonti através de olhares e da bela música de Nicola Piovani. Equilibrando com maestria o drama do protagonista com as consultas dos pacientes de Giovanni - incluindo um viciado em sexo interpretado por Stefano Accorsi em vias de tornar-se um dos atores mais populares do cinema italiano do início do século XXI - o roteiro deixa o espectador respirar diante de tanta dor sem nunca fugir de sua premissa central, um mérito inquestionável que fortalece o drama sem pesar a mão.
E é justamente essa a maior qualidade de "O quarto do filho": nunca pesar a mão. Apesar do assunto não ser nada agradável, Nanni Moretti consegue ser o mais leve possível, optando em mostrar como um lar devastado pela tristeza pode levantar-se e seguir adiante. Com um elenco homogêneo e uma direção firme, ele fez jus a seu prêmio em Cannes com uma obra madura e exemplar que contrapõe a felicidade talvez ignorada do cotidiano ao vazio avassalador de uma perda.
Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes
Quando um filme americano trata de perdas familiares, o público já sabe o que esperar: cenas catárticas, lágrimas em profusão e atores lutando por destaque - e quiçá uma lembrança dos membros da Academia. Quando a produção vem da Europa, porém, a coisa é bastante diferente, ainda que o tema seja o mesmo. Um exemplo claro dessa afirmação é "O quarto do filho", que saiu de Cannes em 2001 com a Palma de Ouro de Melhor Filme mesmo diferindo radicalmente das obras normalmente laureadas no festival - em outras palavras, é um drama simples e direto, sem firulas estilísticas ou arroubos artificiais de criatividade forçada. Ao investigar as consequências da morte de um adolescente em sua família, o diretor/roteirista/produtor/ator Nanni Moretti criou um singelo estudo sobre a perda que foge do dramalhão simplista e acena com um otimismo comovente.
O psicanalista Giovanni Sermonti (vivido pelo próprio Moretti) leva uma vida feliz e harmoniosa com a mulher Paola (Laura Morante) e o casal de filhos adolescentes, Irene (Jasmine Trinca) e Andrea (Giuseppe Sanfelice) até que, em um acidente de mergulho, o rapaz acaba morrendo - enquanto ele está atendendo um paciente à domicílio. A tragédia acaba empurrando-o em direção a remorsos e questionamentos, prejudicando sua carreira e seu casamento até então inabalável. Tentando lidar com a terrível perda, a família encontra um sopro de esperança quando descobre uma namorada desconhecida do rapaz.
Evitando ao máximo cenas lacrimosas, o filme de Moretti trata com elegância e discrição um tema difícil e compreensivelmente depressivo. Fugindo dos exageros que se poderia esperar de um filme italiano, ele prefere investir em cenas de impacto visual sutil, refletindo o vazio da família Sermonti através de olhares e da bela música de Nicola Piovani. Equilibrando com maestria o drama do protagonista com as consultas dos pacientes de Giovanni - incluindo um viciado em sexo interpretado por Stefano Accorsi em vias de tornar-se um dos atores mais populares do cinema italiano do início do século XXI - o roteiro deixa o espectador respirar diante de tanta dor sem nunca fugir de sua premissa central, um mérito inquestionável que fortalece o drama sem pesar a mão.
E é justamente essa a maior qualidade de "O quarto do filho": nunca pesar a mão. Apesar do assunto não ser nada agradável, Nanni Moretti consegue ser o mais leve possível, optando em mostrar como um lar devastado pela tristeza pode levantar-se e seguir adiante. Com um elenco homogêneo e uma direção firme, ele fez jus a seu prêmio em Cannes com uma obra madura e exemplar que contrapõe a felicidade talvez ignorada do cotidiano ao vazio avassalador de uma perda.
segunda-feira
UM AMOR QUASE PERFEITO
UM AMOR QUASE PERFEITO (Le fate ignoranti, 2001, Medusa Distribuzione, 106min) Direção: Ferzan Ozpetek. Roteiro: Ferzan Ozpetek, Gianni Romoli. Fotografia: Pasquale Mari. Montagem: Patrizio Marone. Música: Andrea Guerra. Figurino: Catia Dottori. Direção de arte/cenários: Bruno Cesari. Produção: Tilde Corsi, Gianni Romoli. Elenco: Margherita Buy, Stefano Accorsi, Serra Yilmaz, Gabriel Garko, Erika Blanc, Andrea Renzi. Estreia: 08/02/01 (Festival de Berlim)
A médica infectologista Antonia (Margherita Buy) leva um casamento de sonhos com seu marido, Mássimo, apesar de ter deixado para trás desejos como o de ter filhos e de ter se afastado dos amigos para dedicar-se à relação. Quando Mássimo morre repentinamente, vítima de um atropelamento, ela descobre abismada que ele tinha um caso extra-conjugal há sete anos. A busca por sua rival a leva até o jovem Michele (Stefano Accorsi) e, ainda mais atônita, a médica percebe que seu marido mantinha um relacionamento com o próprio rapaz. A princípio arrasada com a notívia, Antonia acaba se tornando responsável por Ernesto (Gabriel Garko), um jovem soropositivo amigo de Michele e, aos poucos, começa a notar que, ao lado dele Massimo era outra pessoa e que vivia com os amigos do amante como se fizessem todos parte de uma grande família. Ela e Michele passam, então, a conviver como amigos, vendo um no outro a lembrança do seu amor perdido.
Grande sucesso de bilheteria na Itália, seu país natal, “Um amor quase perfeito”, belo drama de Ferzan Ozpetek tem como principal qualidade a forma de apresentar e tratar de um assunto tabu: a bissexualidade. Ao introduzir a Antonia o mundo escondido de seu marido, o cineasta também mostra ao público uma nova maneira de ver um universo normalmente relegado ao estereótipo e ao humor exagerado. A família de amigos de Michele (uma uma interpretação excelente do galã Stefano Accorsi), por exemplo, é um núcleo familiar que foge ao padrão pré-estabelecido, mas é amorosa, leal e solidária. Há a mãezona (vivida pela ótima Serra Yilmaz), o casal bem-sucedido, o transexual fugido da verdadeira família, etc. Todos, no entanto, são personagens bem escritos, sem o ranço politicamente correto e preconceituoso que povoa o cinema comercial de modo geral.

Sem apelar para emoções fáceis ou sentimentos pasteurizados, Ozpetek criou um universo repleto de calor humano e personagens dicotômicos: ninguém é totalmente bom e ingênuo, todos tem seu passado e esperam seu futuro com maior ou menor esperança. Para isso é essencial o talento de seus dois protagonistas, Margherita Buy e Stefano Accorsi, que vive um gay longe das afetações comuns. Com um texto forte, uma trama atual (que encontra um espacinho para uma crítica de leve ao governo turco) e um elenco homogêneo e absolutamente à vontade em suas personagens únicas em suas personalidades e ordinárias em suas grandezas, “Um amor quase perfeito” (um título nacional mais uma vez totalmente sem sentido) é um legítimo representante do ótimo cinema italiano do começo do século.
Em tempo: as “fadas ignorantes” do título original são as pessoas que, mesmo sem o saber, transformam a vida de outras. E é o nome do quadro que Michele manda para Mássimo e que acaba sendo a pista que o revela à Antonia. Uma sutileza a mais em um filme simpático e realista.
A médica infectologista Antonia (Margherita Buy) leva um casamento de sonhos com seu marido, Mássimo, apesar de ter deixado para trás desejos como o de ter filhos e de ter se afastado dos amigos para dedicar-se à relação. Quando Mássimo morre repentinamente, vítima de um atropelamento, ela descobre abismada que ele tinha um caso extra-conjugal há sete anos. A busca por sua rival a leva até o jovem Michele (Stefano Accorsi) e, ainda mais atônita, a médica percebe que seu marido mantinha um relacionamento com o próprio rapaz. A princípio arrasada com a notívia, Antonia acaba se tornando responsável por Ernesto (Gabriel Garko), um jovem soropositivo amigo de Michele e, aos poucos, começa a notar que, ao lado dele Massimo era outra pessoa e que vivia com os amigos do amante como se fizessem todos parte de uma grande família. Ela e Michele passam, então, a conviver como amigos, vendo um no outro a lembrança do seu amor perdido.
Grande sucesso de bilheteria na Itália, seu país natal, “Um amor quase perfeito”, belo drama de Ferzan Ozpetek tem como principal qualidade a forma de apresentar e tratar de um assunto tabu: a bissexualidade. Ao introduzir a Antonia o mundo escondido de seu marido, o cineasta também mostra ao público uma nova maneira de ver um universo normalmente relegado ao estereótipo e ao humor exagerado. A família de amigos de Michele (uma uma interpretação excelente do galã Stefano Accorsi), por exemplo, é um núcleo familiar que foge ao padrão pré-estabelecido, mas é amorosa, leal e solidária. Há a mãezona (vivida pela ótima Serra Yilmaz), o casal bem-sucedido, o transexual fugido da verdadeira família, etc. Todos, no entanto, são personagens bem escritos, sem o ranço politicamente correto e preconceituoso que povoa o cinema comercial de modo geral.
Sem apelar para emoções fáceis ou sentimentos pasteurizados, Ozpetek criou um universo repleto de calor humano e personagens dicotômicos: ninguém é totalmente bom e ingênuo, todos tem seu passado e esperam seu futuro com maior ou menor esperança. Para isso é essencial o talento de seus dois protagonistas, Margherita Buy e Stefano Accorsi, que vive um gay longe das afetações comuns. Com um texto forte, uma trama atual (que encontra um espacinho para uma crítica de leve ao governo turco) e um elenco homogêneo e absolutamente à vontade em suas personagens únicas em suas personalidades e ordinárias em suas grandezas, “Um amor quase perfeito” (um título nacional mais uma vez totalmente sem sentido) é um legítimo representante do ótimo cinema italiano do começo do século.
Em tempo: as “fadas ignorantes” do título original são as pessoas que, mesmo sem o saber, transformam a vida de outras. E é o nome do quadro que Michele manda para Mássimo e que acaba sendo a pista que o revela à Antonia. Uma sutileza a mais em um filme simpático e realista.
quarta-feira
O ÚLTIMO BEIJO
O ÚLTIMO BEIJO (L'ultimo bacio, 2001, Fandango, 115min) Direção e roteiro: Gabriele Mucino. Fotografia: Marcello Montarsi. Montagem: Claudio Di Mauro. Música: Paolo Buonvino. Figurino: Nicoletta Ercole. Direção de arte: Eugenia F. Di Napoli. Produção: Domenico Procacci. Elenco: Stefano Accorsi, Giovanna Mezzogiorno, Stefania Sandrelli, Claudio Santamaria, Giorgio Pasotti, Marco Cocci. Estreia: 02/02/01
Quando Hollywood resolve falar sobre crises geracionais sempre acaba esbarrando em generalizações rasas, talvez por querer agradar a todos os tipos de público. Foi preciso que um cineasta italiano chamado Gabriele Muccino mostrasse aos produtores americanos o caminho das pedras. Seu filme “O último beijo” agradou tanto aos executivos ianques que mereceu um remake, lançado em 2006, dirigido por Tony Goldwin e estrelado por Zach Braff. Não é preciso dizer, no entanto, que o original, como sempre acontece nesses casos, é muito melhor, principalmente porque conta, no papel central, um dos atores italianos mais requisitados de sua época, o ótimo Stefano Accorsi.
Tendo atuado, no mesmo ano, no belo “Um amor quase perfeito”, Accorsi tem, em “O último beijo”, um trabalho bastante diferente e maduro. Na pele de Carlo, o protagonista, ele representa todas as dúvidas de uma geração inteira de homens que, tendo passado a vida inteira sem maiores responsabilidades, se veem repentinamente obrigados a tomar atitudes adultas, apesar de sua mentalidade ainda adolescente. Com um roteiro bem escrito e equilibrado entre as histórias que conta, além de atuações bastante convincentes (ainda que um tanto exageradas, às vezes, culpa talvez do sangue italiano que corre nas veias do filme), a obra de Muccino é engraçado, comovente e realista, além de ter também um lado bastante romântico.

Às vésperas de completar 30 anos, o publicitário Carlo (Stefano Accorsi) descobre que vai ser pai, depois de três anos de relacionamento com a bela Giulia (Giovanna Mezzogiorno). Sentindo-se pressionado, ele passa a imaginar como será a sua vida sem o acréscimo de responsabilidade que uma paternidade fatalmente trará. Seus amigos também não são exemplos a ser seguidos. Seu colega de trabalho, Adriano (Giorgio Pasotti) tem um filho de seis meses, o que destruiu a paixão de sua relação com a esposa, Lívia (Sabrina Impaciatore). Paolo (Cláudio Santamaría) foi abandonado pela namorada, e, além de não conseguir recuperar-se do fato, tenta fugir de um futuro opaco na loja de sua família fazendo planos de viajar pelo mundo em um trailer. Alberto (Marco Cocci) foge de qualquer tipo de responsabilidade ficando com uma mulher diferente por dia. E Marco (Pierfrancesco Favino) é sua única fonte de calma e felicidade, uma vez que recém casou-se. E até mesmo a sogra de Carlo, Anna (Stefania Sandrelli) entra em crise com a ideia de ser avó e resolve separar-se do marido. Com tantas informações desencontradas à sua volta, Carlo acaba tentado a ceder à atração que sente pela adolescente Francesca (Martina Stella).
“O último beijo” é tudo que um filme sobre uma geração precisa ser sem parecer superficial ou genérico. Suas personagens não parecem personagens e sim pessoas reais, com problemas reais e atos nem sempre heróicos ou louváveis. Difícil é não identificar-se com pelo menos uma das histórias contadas pelo belo roteiro, escrito pelo próprio diretor e com um toque de sentimentalismo agridoce que deve agradar principalmente aos homens carentes de um filme leve e que os retrate com tanta precisão – e o que é ainda melhor, sem julgamentos.
Quando Hollywood resolve falar sobre crises geracionais sempre acaba esbarrando em generalizações rasas, talvez por querer agradar a todos os tipos de público. Foi preciso que um cineasta italiano chamado Gabriele Muccino mostrasse aos produtores americanos o caminho das pedras. Seu filme “O último beijo” agradou tanto aos executivos ianques que mereceu um remake, lançado em 2006, dirigido por Tony Goldwin e estrelado por Zach Braff. Não é preciso dizer, no entanto, que o original, como sempre acontece nesses casos, é muito melhor, principalmente porque conta, no papel central, um dos atores italianos mais requisitados de sua época, o ótimo Stefano Accorsi.
Tendo atuado, no mesmo ano, no belo “Um amor quase perfeito”, Accorsi tem, em “O último beijo”, um trabalho bastante diferente e maduro. Na pele de Carlo, o protagonista, ele representa todas as dúvidas de uma geração inteira de homens que, tendo passado a vida inteira sem maiores responsabilidades, se veem repentinamente obrigados a tomar atitudes adultas, apesar de sua mentalidade ainda adolescente. Com um roteiro bem escrito e equilibrado entre as histórias que conta, além de atuações bastante convincentes (ainda que um tanto exageradas, às vezes, culpa talvez do sangue italiano que corre nas veias do filme), a obra de Muccino é engraçado, comovente e realista, além de ter também um lado bastante romântico.
Às vésperas de completar 30 anos, o publicitário Carlo (Stefano Accorsi) descobre que vai ser pai, depois de três anos de relacionamento com a bela Giulia (Giovanna Mezzogiorno). Sentindo-se pressionado, ele passa a imaginar como será a sua vida sem o acréscimo de responsabilidade que uma paternidade fatalmente trará. Seus amigos também não são exemplos a ser seguidos. Seu colega de trabalho, Adriano (Giorgio Pasotti) tem um filho de seis meses, o que destruiu a paixão de sua relação com a esposa, Lívia (Sabrina Impaciatore). Paolo (Cláudio Santamaría) foi abandonado pela namorada, e, além de não conseguir recuperar-se do fato, tenta fugir de um futuro opaco na loja de sua família fazendo planos de viajar pelo mundo em um trailer. Alberto (Marco Cocci) foge de qualquer tipo de responsabilidade ficando com uma mulher diferente por dia. E Marco (Pierfrancesco Favino) é sua única fonte de calma e felicidade, uma vez que recém casou-se. E até mesmo a sogra de Carlo, Anna (Stefania Sandrelli) entra em crise com a ideia de ser avó e resolve separar-se do marido. Com tantas informações desencontradas à sua volta, Carlo acaba tentado a ceder à atração que sente pela adolescente Francesca (Martina Stella).
“O último beijo” é tudo que um filme sobre uma geração precisa ser sem parecer superficial ou genérico. Suas personagens não parecem personagens e sim pessoas reais, com problemas reais e atos nem sempre heróicos ou louváveis. Difícil é não identificar-se com pelo menos uma das histórias contadas pelo belo roteiro, escrito pelo próprio diretor e com um toque de sentimentalismo agridoce que deve agradar principalmente aos homens carentes de um filme leve e que os retrate com tanta precisão – e o que é ainda melhor, sem julgamentos.
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