Mostrando postagens com marcador ISABELLA ROSSELLINI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ISABELLA ROSSELLINI. Mostrar todas as postagens

sexta-feira

SEM MEDO DE VIVER


SEM MEDO DE VIVER (Fearless, 1993, Warner Bros, 122min) Direção: Peter Weir. Roteiro: Rafael Yglesias, romance de sua autoria. Fotografia: Allen Daviau. Montagem: William Anderson, Armen Minasian, Lee Smith. Música: Maurice Jarre. Figurino: Marilyn Matthews. Direção de arte/cenários: John Stoddart/John Anderson. Produção: Mark Rosenberg, Paula Weinstein. Elenco: Jeff Bridges, Isabella Rossellini, John Turturro, Rosie Perez, Benicio Del Toro, Tom Hulce. Estreia: 15/10/93

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Rosie Perez)

De vez em quando uma receita com todos os ingredientes certos pode não ter o resultado esperado, por  razões as mais variadas. Cinema, então, apesar de frequentemente usar e abusar de fórmulas já testadas previamente, é uma incógnita: para cada produção que confirma a validade de elementos já devidamente consagrados, outras várias avisam de que nem sempre a confluência de fatores bem-sucedidos é garantia de sucesso. É o caso de "Sem medo de viver", lançado pela Warner no final de 1993 com evidentes intenções de chegar ao Oscar - com um diretor de prestígio, um ator principal dos mais bem quistos na indústria e um tema capaz de suscitar discussões e quiça lágrimas, o filme viu frustrados seus planos quando foi praticamente ignorado pela Academia (concorreu a apenas uma estatueta) e naufragou nas bilheterias, arrecadando pouco menos de sete milhões de dólares pelo mundo. Com o passar dos anos, porém, e com o apoio da crítica, acabou por adquirir o status de cult, encontrando seu público e passando a ser considerado uma pérola escondida na filmografia dos envolvidos. 

Baseado no romance "Fearless", de Rafael Yglesias, publicado no mesmo ano de lançamento do filme, "Sem medo de viver" é um filme estranho: já começa com o protagonista, Max Klein (Jeff Bridges), conduzindo um grupo de atônitos sobreviventes de um desastre aéreo para longe do acidente. Não demora muito para que seu ato de heroísmo faça dele uma espécie de celebridade - uma consequência com a qual não se sente exatamente à vontade. O que o surpreende, na verdade, é sua repentina inabilidade de conexão com a esposa, Laura (Isabella Rossellini), e o filho pequeno, Jonah, e a sensação de invulnerabilidade e imortalidade. Crente de que sobreviver ao acidente foi como nascer de novo, Max quer recomeçar a vida, redescobrir sentimentos e - como parte de sua mente um tanto desequilibrada pelo trauma - testar seus novos poderes de resistir à morte. Através de Bill Perlman (John Turturro), psicólogo da companhia aérea, designado para acompanhar os passageiros que saíram vivos da tragédia, Max conhece Carla Rodrigo (Rosie Perez), uma jovem que perdeu o filho de poucos meses diante de seus olhos. Surge entre ele, com sua síndrome de super-herói, e ela, com seu exarcebado sentimento de culpa, uma relação inesperada.

 

Dois grandes trunfos fazem com que "Sem medo de viver" escape das armadilhas lacrimosas em que poderia cair. Um deles é a direção do australiano Peter Weir, um dos cineastas mais consistentes a aportar em Hollywood na década de 1980 - depois de sucessivos êxitos de crítica em sua terra natal, como "Picnic na montanha misteriosa" (1975) e "Gallipoli" (1981), em 1993 ele já tinha concorrido ao Oscar de direção por "A testemunha" (1985) e "Sociedade dos poetas mortos" (1989). O segundo deles é a atuação inspirada de Jeff Bridges, que ficou com o papel inicialmente pensado para Mel Gibson (parceiro do diretor em "Gallipolli" e "O ano em que vivemos em perigo" (1984)) e lhe deu uma profundidade comovente. Bridges, que chegou a declarar o filme como um de seus trabalhos preferidos, imprime a Max Klein uma verdade que impede que o roteiro - escrito pelo mesmo Rafael Yglesias autor do romance que lhe deu origem - descambe para a inverossimilhança. Por mais improváveis que sejam algumas atitudes do protagonista, a presença de Bridges equilibra a balança e conduz a história de redenção, desespero e culpa de forma sensível e sem apelar excessivamente ao dramalhão. Apesar da história em si ser bastante pesada - especialmente a trama que envolve Rosie Perez -, a mão elegante de Weir é sentida especialmente em sequências mais lúdicas, como o clímax final e a cena de abertura. Sem cair na tentação de dar tudo mastigadinho à plateia, o diretor a convida à reflexão - e talvez este tenha sido o problema de "Sem medo de viver" junto à pouco ousada Academia.

Ao homenagear apenas Rosie Perez com uma indicação - ela perdeu a estatueta para a pequena Anna Paquin, por "O piano" (1993) -, a Academia perdeu a oportunidade de aplaudir a soberba interpretação de Jeff Bridges, a direção econômica e poética de Weir e a trilha sonora eficiente de Maurice Jarre. Mesmo que não esteja no mesmo nível dos melhores trabalhos do diretor - "A testemunha", "Sociedade dos poetas mortos" e o posterior "O show de Truman: o show da vida" (1998) -, "Sem medo de viver" é um belo filme, envolvente e intrigante na medida certa. Não é uma obra-prima, mas é capaz de tocar alguns corações mais sensíveis e confirmar seu realizador como uma das mais interessantes aquisições internacionais de Hollywood.

WYATT EARP

WYATT EARP (Wyatt Earp, 1994, Warner Bros, 191min) Direção: Lawrence Kasdan. Roteiro: Dan Gordon, Lawrence Kasdan. Fotografia: Owen Roizman. Montagem: Carol Littleton. Música: James Newton Howard. Figurino: Colleen Atwood. Direção de arte/cenários: Ida Random/Cheryl Carasik. Produção executiva: Dan Gordon, Michael Grillo, Charles Okun, Jon Slan. Produção: Kevin Costner, Lawrence Kasdan, Jim Wilson. Elenco: Kevin Costner, Dennis Quaid, Gene Hackman, David Andrews, Linden Ashby, Jeff Fahey, Mark Harmon, Michael Madsen, Catherine O'Hara, Bill Pullman, Isabella Rossellini, Tom Sizemore, Jobeth Williams, Mare Winningham, Annabeth Gish, Jim Caviezel, Mackenzie Astin, Téa Leoni. Estreia: 24/6/94

Indicado ao Oscar de Fotografia

Nada como uma boa ironia do destino para sacudir o ego de um astro. Que o diga "Wyatt Earp", superprodução comandada por Lawrence Kasdan que praticamente começou a pavimentar o declínio de Kevin Costner, um dos atores mais populares no início da década de 1990. Responsável pelo sopro de popularidade do western, com o enorme sucesso de seu "Dança com lobos" (1990), Costner emendou vários êxitos comerciais, como "JFK" (1991) e "O guarda-costas" (1993) - e, do alto de sua autoconfiança, acreditava que todo e qualquer projeto em que tocasse se transformaria em ouro. Foi assim que juntou-se ao roteirista Kevin Jarre para criar o que pretendia ser a visão definitiva de um dos heróis mais conhecidos do público norte-americano, o xerife Wyatt Earp. Tudo parecia ir bem até que as famosas "diferenças criativas" acabaram por separar os dois: não concordando com o espaço dado por Jarre aos personagens coadjuvantes - o que não dava o espaço pretendido pelo ator para exercitar todo o seu status de galã -, o ator pulou fora e procurou o amigo Lawrence Kasdan para começar uma produção rival, que seguisse os seus desejos. Como forma de demonstrar sua força dentro da indústria, ele chegou a tentar utilizá-la como moeda de troca, para impedir a distribuição do concorrente por outros estúdios - o que atrasou e dificultou a realização do filme, dirigido por George P. Cosmatos. A ironia de tudo é que não apenas "Tombstone: a justiça está chegando" custou metade do orçamento do mastodôntico "Wyatt Earp" como rendeu mais que o dobro da produção estrelada por Costner - e obteve melhores críticas, apesar de não ter um astro de sua estatura no elenco, liderado por Kurt Russell e Val Kilmer.

Com uma bilheteria mundial que não conseguiu nem ao menos cobrir seu custo de mais de 60 milhões de dólares, "Wyatt Earp" naufragou em sua própria ambição. Com o desejo óbvio de realizar mais um épico - mania que o levaria a mares ainda mais tumultuados em seu filme seguinte, "Waterworld: o segredo das águas", um fiasco histórico -, Costner acreditou demais na fidelidade dos fãs. Se "Dança com lobos" tinha mais de três horas de duração e fez o sucesso que fez, por que a trajetória de um herói nacional como Earp daria errado, não é mesmo? Originalmente concebido como uma minissérie de televisão de seis capítulos, o projeto que reunia Costner e Kasdan depois de outro faroeste, "Silverado", lançado em 1985, não se contentava em contar apenas a história mais conhecida a respeito de seu protagonista - o duelo em OK Corral, ocorrido em 1881, resultado da rixa entre os chamados "homens da lei", que incluíam três irmãos Earp e Doc Holliday, e cinco forasteiros, que, segundo a lenda, ameaçavam a paz da cidade de Tombstone, no Arizona. Ao contrário, o roteiro de Kasdan e Don Gordon começa na adolescência do protagonista e se estende por décadas - o que pode soar historicamente correto, mas causa um excesso de personagens e momentos desnecessários e prejudiciais ao ritmo da narrativa. Apesar disso, porém, seu fracasso nas bilheterias e a extrema má-vontade da imprensa não é totalmente justificado. "Wyatt Earp" pode não ser o filmaço que prometia, mas está muito longe de ser um filme ruim.


Primeiro, seus defeitos: um épico de três horas de duração pode facilmente prender a atenção do espectador, desde que haja conteúdo nesse tempo todo. O roteiro de "Wyatt Earp" parece dar a mesma importância a fatos cruciais, como a morte de Urilla (Annabeth Gish), primeira mulher do protagonista - acontecimento que o marca para sempre - e anedotas nem sempre dignas de ênfase, como os problemas conjugais entre Doc Holliday (Dennis Quaid) e Big Nose Katie (Isabella Rossellini). Atores como Gene Hackman (como o patriarca da família Earp) e a própria Rossellini são subaproveitados, e Kevin Costner em si não consegue convencer em todas as fases do personagem, especialmente quando mais jovem. A direção também falha em estabelecer a tensão necessária que conduz ao clímax - que, por sua vez, tampouco chega a empolgar (o que, levando-se em conta que o tiroteio real levou apenas alguns segundos, é plenamente perdoável). E, por fim, há a falta de carisma do personagem principal, que em nenhum momento domina o filme como deveria - mais um problema na conta de Costner.

Mas nem tudo está errado. A bela fotografia de Owen Roizman, indicada ao Oscar, funciona às mil maravilhas, sublinhando com discrição os vários tons do filme, da amplidão de horizontes e crepúsculos até o cinza das passagens mais sombrias e dramáticas. Dennis Quaid quase rouba o filme para si na pele de Doc Holliday: apesar de ter mais idade que o personagem, entrega uma performance admirável, para a qual perdeu peso e criou um visual impecável. A trilha sonora de James Newton Howard também é um ponto forte, fugindo do óbvio e apostando no minimalismo na maior parte do tempo. Revisto com o benefício do tempo, que salva filmes subestimados e muitas vezes desmascara obras nem tão geniais quanto se pensava, "Wyatt Earp" é um bom programa para quem gosta de faroestes mais contemplativos - a exemplo de "Os imperdoáveis", que deu a Clint Eastwood seu primeiro Oscar de direção e incentivou o renascimento do gênero em Hollywood. É um filme adulto e sério, realizado com dedicação e cuidado, mas que infelizmente afogou-se na prepotência e na megalomania. Pode ser resgatado do limbo dos fracassos - tem qualidades para tal -, mas jamais será a obra-prima definitiva sobre o assunto, como sonhava ser.

sábado

O HOMEM DUPLICADO

O HOMEM DUPLICADO (Enemy, 2013, Pathé International, 91min) Direção: Dennis Villeneuve. Roteiro: Javier Gullón, romance de José Saramago. Fotografia: Nicolas Bolduc. Montagem: Matthew Hannam. Música: Danny Bensi, Saunder Jurriaans. Figurino: Renée April. Direção de arte/cenários: Patrice Vermette/Jim Lambie. Produção executiva: François Ivernel, Victor Loewy, Cameron McCracken, Mark Slone. Produção: Miguel A. Faura, Niv Fichman. Elenco: Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent, Sarah Gadon, Isabella Rossellini. Estreia: 08/9/12 (Festival de Toronto)

Adam é um jovem professor universitário que vive em Toronto e leva uma rotina pacata, que inclui visitas à sua dedicada mãe e encontros ocasionais com uma bela mulher com quem evita maiores intimidades. Um dia, assistindo a um filme recomendado por um colega de trabalho, ele reconhece em um dos figurantes um homem idêntico a si mesmo. Movido por uma curiosidade implacável, ele descobre o nome do tal ator - Anthony Claire - e, depois de confirmar sua impressionante semelhança física com ele, parte em sua busca para encontrá-lo face a face. Quando tal encontro acontece, uma série de situações imprevistas une os dois rapazes (de personalidades opostas) e passa a invadir suas vidas íntimas.

À primeira vista, "O homem duplicado" é apenas mais um filme de suspense repleto de clichês, a despeito de ser baseado em um romance do premiado escritor português José Saramago. Mas basta prestar atenção nos créditos para se perceber que ele é bem mais do que isso. Na direção está o canadense Denis Villeneuve, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro com o devastador "Incêndios", e o elenco conta com a experiente Isabella Rossellini e o mais que conhecido Jake Gyllenhaal se dividindo nos papéis centrais. Herdando o desafio recusado por Javier Bardem (que não se achava adequado) e Christian Bale (impedido de fazer o filme por falta de tempo na agenda), Gyllenhaal acaba se mostrando mais do que capaz de enfrentar um roteiro que se liberta das amarras do gênero apresentando um conjunto de metáforas e símbolos de fazer qualquer fã de David Lynch vibrar a cada cena.


Desde a primeira cena, em um bizarro cenário que retrata um misterioso clube que remete imediatamente aos delírios visuais que Lynch imprimiu em obras singulares como "Veludo azul" e "Cidade dos sonhos", o filme de Villeneuve - finalizado antes do bem mais comercial "Os suspeitos", mas lançado posteriormente - já dá mostras ao espectador que não irá seguir o caminho tradicional das narrativas hollywoodianas. Construindo o suspense aos poucos e oferecendo econômicas pistas sobre o que realmente está acontecendo, o roteiro de Javier Gullón conduz a plateia a um angustiante jogo de espelhos, enfatizado pela extraordinária fotografia, que se equilibra com maestria entre os ensolarados exteriores e os opressivos e claustrofóbicos ambientes fechados - uma dualidade que casa perfeitamente com a ideia central da trama, que versa sobre extremos e dicotomias a todo momento. E logicamente, encerrar seu filme com um final alegórico apenas confirma sua vocação para cult: não foi à toa que "O homem duplicado" pouca atenção chamou nas bilheterias e passou praticamente em branco até mesmo pelas cerimônias de premiação, onde foi solenemente ignorado apesar de suas evidentes qualidades artísticas.

Tipo de filme do qual pouco se pode falar sob pena de estragar a diversão alheia, "O homem duplicado" é um prato cheio para o espectador que procura mais do que simples entretenimento. Inteligente, sutil, bem dirigido e bem interpretado - Isabella Rossellini ilumina a tela no papel da mãe do protagonista - o filme de Villeneuve, um cineasta elegante e incapaz de obviedades, é para ser assistido, discutido e aplaudido. Em um dos melhores trabalhos de uma carreira jovem mas já solidificada, Jake Gyllenhaal é apenas a principal razão para se conhecer um dos melhores e mais subestimados filmes de 2013 - nem que seja para ficar com a cabeça repleta de nós quando acabar a sessão.

domingo

A MORTE LHE CAI BEM

A MORTE LHE CAI BEM (Death becomes her, 1992, Universal Pictures, 104min) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Martin Donovan, David Koepp. Fotografia: Dean Cundey. Montagem: Arthur Schmidt. Música: Alan Silvestri. Figurino: Joanna Johnston. Direção de arte/cenários: Rick Carter/Jackie Carr. Produção: Steve Starkey, Robert Zemeckis. Elenco: Meryl Streep, Goldie Hawn, Bruce Willis, Isabella Rossellini, Sydney Pollack. Estreia: 31/7/92

Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais

Depois que mostrou que desenhos animados e atores poderiam conviver pacificamente em uma tela de cinema com o incrível sucesso de crítica e bilheteria de "Uma cilada para Roger Rabbit" (88) e que viagens no tempo poderiam ser incrivelmente divertidas com a trilogia "De volta para o futuro", encerrada em 1989, quase tudo era esperado do diretor Robert Zemeckis. Quase tudo, menos que ele partisse sem pestanejar pelo pantanoso terreno do humor negro - em especial com um filme que criticasse sem o menor pudor a busca desesperada pela eterna juventude que tanto alimenta a fogueira das vaidades do mundo artístico. De posse de efeitos visuais impecáveis que acabariam levando o Oscar do ano seguinte e um trio de atores respeitados e populares, Zemeckis, no entanto, encarou um banho de água fria quando seu "A morte lhe cai bem" estancou nas bilheterias ianques pouco abaixo dos 60 milhões de dólares - praticamente o orçamento final do projeto. Um dos típicos fracassos injustos de que a história de Hollywood está repleta, a história de inveja, vingança e competição entre duas inimigas que disputam o amor do mesmo homem - não por acaso um cirurgião plástico - às raias do absurdo é um primor de ironia, sarcasmo e mordacidade, interpretado como um filme de terror das antigas mas revestido de uma modernidade de que somente o cinemão mainstream americano seria capaz sem cair no ridículo.

A trama é puro nonsense: começa quando o bem-sucedido cirurgião Ernest Menville (Bruce Willis se divertindo em papel que seria de Kevin Kline) troca sua então noiva, Helen Sharp (Goldie Hawn), pela estrela dos palcos Madeline Ashton (Meryl Streep), mais interessada em seus talentos médicos do que exatamente por seu amor. Revoltada, Helen, que sempre manteve uma relação tumultuada com Madeline, a quem acusa de roubar sistematicamente seus namorados, se entrega à comida, engordando alucinadamente. Anos se passam e justamente quando o casamento entre Madeline e Ernest está em frangalhos - ele parou de clinicar por causa do álcool e trabalha maquiando cadáveres e ela está se sentindo cada vez mais velha, sendo desprezada até pelo amante mais jovem - Helen dá sinais de vida, mandando o convite para o lançamento de seu livro. Glamourosa, carismática, magra - e melhor ainda, dotada de uma jovialidade espantosa - ela acaba por seduzir novamente Ernest e planeja, com ele, a morte de sua maior rival. O que ela não esperava, no entanto, é o fato de Madeline ter encontrado uma nova fonte da juventude através da misteriosa Lisle Von Rhuman (Isabella Rossellini, linda). Dotada de uma nova força, ela se descobre imortal - mas também verá que tal benefício também tem seus pequenos problemas.


O tom gótico da brincadeira de Zemeckis está presente em cada minuto de celulóide - desde a chuva incessante, com direito a relâmpagos, que emoldura os momentos em que as duas rivais imortais se digladiam com espingardas, pás e agressões físicas das mais variadas, até nos mirabolantes cenários, que reconstituem mansões pra lá de sinistras. O roteiro brinca com a obsessão pela juventude e pela beleza na forma de uma fábula grotesca, sem heróis ou vilões e recheada de citações à cultura popular (entre os convidados da festa de Lisle, por exemplo, estão alguns de seus mais famosos clientes, facilmente reconhecíveis pelo público, mas que não convém revelar sob pena de estragar a surpresa aos ainda não-iniciados ao filme). Os efeitos especiais de primeira linha também chamam a atenção por se integrarem organicamente à história, divertindo o público pelo inusitado de seu visual: de repente, Meryl Streep, uma atriz respeitada e então vencedora de dois Oscar, está com o pescoço torcido ao contrário ou com a cabeça enterrada no corpo, e Goldie Hawn levanta da piscina com um rombo gigantesco no estômago, resultado de um tiro. Tais truques, realizados com perfeição, acabaram levando o Oscar da categoria, batendo filmes bem mais afeitos a tais artifícios, como "Alien 3" e "Batman, o retorno".

É lógico que o público acostumado com besteiras inconsequentes e filmes de ação descerebrados não gostou de "A morte lhe cai bem". Apesar de tudo, a obra de Zemeckis é sutil e inteligente, passando longe do humor fácil e previsível. É uma crítica pesada ao culto à beleza e à juventude, disfarçada de comédia gótica e repleta de piadas visuais e verbais que podem facilmente passar despercebidas ao espectador menos atento e informado dos bastidores da indústria do entretenimento. Para aqueles que buscam uma diversão menos superficial, porém, o filme é deliciosamente perverso, algo como uma versão high-tech de um filme estrelado por Bette Davis e Joan Crawford. Impagável!

UM TOQUE DE INFIDELIDADE

UM TOQUE DE INFIDELIDADE (Cousins, 1989, Paramount Pictures, 109min) Direção: Joel Schumacher. Roteiro: Stephen Metcalfe, roteiro original do filme "Cousin, cousine", de Jean-Charles Tacchella. Fotografia: Ralf Bode. Montagem: Robert Brown. Música: Angelo Badalamenti. Figurino: Michael Kaplan. Direção de arte/cenários: Mark S. Freeborn/Linda Vipond. Produção executiva: George Goodman. Produção: William Allyn. Elenco: Ted Danson, Isabella Rossellini, Sean Young, William Petersen, Norma Aleandro, Lloyd Bridges, Keith Coogan. Estreia: 10/02/89

Em 1975, uma comédia francesa sobre adultério e romance entre dois primos circunstanciais rompeu a tradicional barreira do idioma e, sucesso de bilheteria nos EUA, chegou a concorrer a três estatuetas do Oscar: filme estrangeiro, atriz e roteiro original. Mesmo tendo perdido em todas as categorias que disputava, "Primo, prima", dirigido por Jean-Charles Tacchella acabou agradando em cheio aos estúdios americanos, sempre ávidos por histórias que podem ser recontadas ao estilo hollywoodiano - leia-se de forma mais comercial e superficial. Sendo assim, até que demorou que sua refilmagem chegasse aos cinemas, rebatizada no Brasil como "Um toque de infidelidade" - o título original era mais próximo do original francês, mas até que dessa vez os distribuidores nacionais não erraram tão feio assim. Dirigida por Joel Schumacher - um cineasta por vezes competente, por vezes desastroso e muito de vez em quando quase brilhante - a comédia romântica estrelada pela bela Isabella Rossellini e pelo feioso Ted Danson (em alta pelo sucesso de "Três solteirões e um bebê" (87), também oriunda de um filme francês) é simpática e leve, mas incorre no erro mais previsível de todos: não acrescenta nada ao gênero e não fica registrada na mente do espectador.

Não deixa de ser irônico que Rossellini - ela mesma fruto de um dos mais escandalosos casos de adultérios de Hollywood, entre a atriz Ingrid Bergman e o diretor Roberto Rossellini - seja a estrela de "Um toque de infidelidade", apesar de sua escolha ser um dos acertos da produção. Bela e etérea, Rossellini desfila sua classe e elegância naturais pela tela mesmo quando sua personagem, a dedicada e paciente Maria, prescinde dessas qualidades: trabalhando em um escritório de advocacia, ela é casada com o galinha Tom (William Petersen, que anos depois seria o protagonista da telessérie "CSI") e faz vista grossa às inúmeras puladas de cerca do marido, principalmente para manter a harmonia do lar e a segurança da filha pequena. Essa harmonia começa a mostrar sinais de rachadura, porém, depois da festa de casamento de Edie (Norma Aleandro), sua mãe, com Phil (George Coe), tio do charmoso professor de dança de salão Larry (Ted Danson): durante a comemoração, Tom inicia um romance pouco discreto com Tish (Sean Young), a segunda mulher peruíssima de Larry. Sem vocação para barracos, Larry e Maria iniciam uma amizade calcada na compreensão mútua, mas, como não poderia deixar de acontecer, se apaixonam um pelo outro.


"Um toque de infidelidade" trai sua origem francesa no formato episódico com que narra sua estória, situando boa parte de sua trama em cerimônias de casamento e até mesmo em um enterro, em uma estrutura que anos depois faria a glória do bem-sucedido "Quatro casamentos e um funeral" (94). A história do amor enrustido entre Larry e Maria - singelo e verdadeiro - em contraponto à relação explosiva e fugaz de Tom e Tish é oferecido ao público em cenas rápidas e leves, que tira proveito das embaraçosas anedotas familiares e sociais que sempre ocorrem em reuniões entre pais, filhos e afins. Para isso, aproveita-se da ótima química entre Lloyd Bridges e o adolescente Keith Coogan como um avô apaixonado e seu neto com tendências socialistas - que chega ao extremo de editar um vídeo de casamento com imagens da fome no continente africano apenas para chocar os parentes. São coadjuvantes como eles - e uma tia idosa e preconceituosa - que dão o tempero cômico à história que, não fosse por isso, choveria no molhado e morreria na praia das boas intenções.

Porém, mesmo estando longe de ser um filme marcante, "Um toque de infidelidade" se beneficia da simpatia de seu elenco, do ritmo agradável imposto pelo roteiro e pela beleza luminosa de Isabella Rossellini, que deixa um pouco para trás a torturada personagem de "Veludo azul" (86) para entregar uma Maria estonteante em sua simplicidade e radiante em sua felicidade de sentir-se amada e respeitada pela primeira vez. Principalmente em comparação com a performance propositalmente over de Sean Young, a filha de Ingrid Bergman brilha com sua delicadeza e se torna a principal razão de ser do filme de Schumacher, uma descompromissada sessão para os fãs do gênero.

quinta-feira

MINHA AMADA IMORTAL

MINHA AMADA IMORTAL (Immortal beloved, 1995, Icon Entertainment International/Majestic Films International, 121min) Direção e roteiro: Bernard Rose. Fotografia: Peter Suschitzky. Montagem: Dan Rae. Figurino: Maurizio Millenotti. Direção de arte/cenários: Jirí Hlupý/John Myhre. Produção executiva: Stephen McEveety. Produção: Bruce Davey. Elenco: Gary Oldman, Jeroen Krabbé, Isabella Rosselini, Valeria Golino, Johanna ter Steege, Marco Hofschneider, Christopher Fulford, Miriam Margolyes. Estreia: 06/01/95

"Minha amada imortal" é o primo pobre de "Amadeus"! Enquanto a obra de Milos Forman sobre Mozart esbanjava opulência, pompa e circunstância, o filme de Bernard Rose sobre um determinado período da vida de Beethoven se concentra menos no visual luxuoso e mais nas relações do compositor austríaco com a família - na figura do irmão caçula e do sobrinho - e com a sociedade de sua época. Ainda que seu pontapé inicial seja historicamente questionável, é pouco provável que o público não se deixe seduzir principalmente pela - mais uma vez - sublime atuação de Gary Oldman no papel principal. Assim como encarnou com veracidade o roqueiro Sid Vicious na cinebiografia "Sid & Nancy, o amor mata", o ator inglês vai muito além do chamado do dever na pele do autor da 9ª Sinfonia, a ponto de ter aprendido a tocar piano com o máximo de precisão possível.

Assim como "Amadeus", "Minha amada imortal" começa com o funeral de Beethoven e a trama desenrola-se justamente a partir da morte do compositor, quando um de seus melhores amigos, Anton Schindler (Jeroen Krabbé) descobre, entre os objetos pessoais do músico um testamento legando todo o seu patrimônio a uma misteriosa mulher chamada apenas de "minha amada imortal" - a quem também é endereçada uma carta de amor. Na tentativa de descobrir quem é essa mulher que conquistou o coração de seu amigo, Schindler chega a duas belas apaixonadas por ele no passado: Giulietta Guicciardi (Valeria Golino), que foi obrigada a abandoná-lo por pressões familiares e a Condessa Anna Marie Erdody (Isabella Rosselini), cuja vida repleta de tragédias pessoais (como a perda de um filho) aproximou-a do artista. A busca de Schindler é intercalada com o retrato da difícil relação de Beethoven com seu irmão, Kaspar (Christopher Fulford) e a esposa deste, Johanna (Johanna ter Steege), com quem ele inicia uma guerra pela guarda do sobrinho, Karl (Marc Hofschneider).


A opção do roteiro do cineasta em manter o foco na busca de Schindler pela amada de Beethoven - ao invés de realizar uma cinebiografia convencional - é louvável, porque impede o filme que caia na extrema superficialidade. No entanto, ao contar uma história não exatamente comprovada, corre o risco de tornar-se uma ficção desvairada. Felizmente Bernard Rose conta com alguns trunfos que fazem toda a diferença: além da impecável atuação de Oldman, o filme apresenta alguns momentos de beleza ímpar (em especial em sua reta final, quando a personagem de Isabella Rosselini lembra da ocasião em que encontrou com o compositor pela primeira vez, em uma sequência belíssima pontuada pela música indescritível da personagem principal).

É também muito interessante salientar o sucesso de Rose em apresentar à audiência algumas passagens da vida de Beethoven que talvez não fossem de domínio público, como a rejeição popular à sua pessoa, os fatos que ocasionaram sua surdez e até mesmo a relação paternal que ele criou com o único sobrinho, em quem ele depositava grande fé artística. É uma pena que o diretor não seja muito bom com atores: se Oldman atinge o equilíbrio perfeito entre todas as nuances de sua personagem (um ser humano repleto de falhas, mas um artista genial), o mesmo não pode ser dito de outros atores. Isabella Rossellini e Jeroen Krabbé defendem bem seus papéis, mas Valeria Golino e principalmente Johanna ter Steege (esta última em um papel crucial) são bastante medíocres, enfraquecendo algumas cenas que, em outras mãos, poderiam elevar a qualidade do resultado final.

Em todo caso, vale a pena assistir-se a "Minha amada imortal". Pela música espetacular, pela história envolvente e surpreendente e principalmente pelo trabalho irretocável de Gary Oldman. Sem comparar com "Amadeus" pode ser um programa interessante.

quarta-feira

CORAÇÃO SELVAGEM

CORAÇÃO SELVAGEM (Wild at heart, 1990, Polygram Filmed Entertainment, 125min) Direção e roteiro: David Lynch, romance de Barry Gifford. Fotografia: Frederick Elmes. Montagem: Duwayne Dunham. Música: Angelo Badalamenti. Figurino: Amy Stofsky. Direção de arte: Patricia Norris. Casting: Johanna Ray. Produção executiva: Michael Kuhn. Produção: Steve Golin, Mony Montgomery, Sigurjon Sighvatsson. Elenco: Nicolas Cage, Laura Dern, Diane Ladd, Willem Dafoe, Isabella Rossellini, J.E. Freeman, Crispin Glover, Harry Dean Stanton, Grace Zabriskie, Sheryl Lee, Sherilyn Fenn, Pruitt Taylor Vince. Estreia: 17/8/90

Indicado ao Oscar de Atriz Coadjuvante (Diane Ladd)
Palma de Ouro Melhor Filme Festival de Cannes

Dando seguimento à sua obsessão em devassar o espírito americano em filmes que unem o sublime e o bizarro, o corriqueiro com o exagerado, David Lynch surpreendeu o mundo em 1990, levando a Palma de Ouro do Festival de Cannes com "Coração selvagem", em que ele vai ainda mais fundo em seu objetivo, ao subverter um gênero caro ao imaginário cinematográfico: as histórias de amor.

Sim, "Coração selvagem" É uma história de amor. Mas antes que alguém acuse Lynch de ter ficado sensível e apaixonado, é preciso que se olhe com atenção seu filme: nunca um casal esteve tão longe das convenções quanto Sailor Ripley (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern, em seu segudo filme com o diretor). Na primeira cena do filme, Sailor arrebenta a cabeça de um desafeto, com uma violência poucas vezes vista no cinema. Preso por homicídio, ele sai da cadeia alguns anos depois e reencontra sua amada, para que enfim possam ser felizes juntos. O que o alegre casal não pode imaginar é que a mãe de Lula (uma enlouquecida Dianne Ladd, mãe de Laura Dern também na vida real), apaixonada por Sailor, não tem a menor intenção de deixar que eles sejam felizes e, para isso, contrata matadores de aluguel para acabar com seu idílio amoroso.

 


Só mesmo a mente doentia de David Lynch seria capaz de homenagear o singelo "O mágico de Oz" da maneira como o faz. Shery Lee, a Laura Palmer de sua famosa série "Twin Peaks", surge como uma fada boa, que aconselha Sailor a não abandonar a sua meta de ficar com Lula e no meio de seu caminho surgem personagens e cenas que fazem sentido apenas no universo todo particular do diretor. O público é brindado com uma Isabella Rossellini desleixada no meio do deserto, Sherylin Fenn morrendo em um acidente de carro e preocupada com o cabelo e um Willem Dafoe com a dentadura mais asquerosa da história do cinema tentando seduzir Laura Dern em um quarto de hotel cheirando a vômito. Sim, é uma estética desagradável, mas é ao mesmo tempo hipnotizante e coerente com a carreira sui-generis do cineasta.

"Coração selvagem" não é para qualquer estômago. Mas se até a normalmente sisuda Academia de Hollywood rendeu-se à excêntrica atuação de Dianne Ladd, indicando-a ao Oscar de atriz coadjuvante, é sinal de que de vez em quando seus membros conseguem surpreender. Até mesmo o extremismo do cinema de Lynch - que não poupa o espectador de personagens bizarros, violentos e idiossincráticos - é fascinante, em "Coração selvagem". Nicolas Cage, do alto de sua canastrice e Laura Dern - uma atriz bem distante dos padrões de beleza hollywoodianos - formam um dos casais mais estranhos a cruzar as telas e Ladd se entrega de forma corajosa a uma personagem difícil e ingrata. Nem mesmo a imagem de Cage cantando "Love me tender" vestindo uma jaqueta de couro de jacaré - símbolo de sua liberdade pessoal - é capaz de tirar da mente a viagem fora do comum comandada por David Lynch.

sábado

VELUDO AZUL


VELUDO AZUL (Blue velvet, 1986, De Laurentiis Entertainment Group, 120min) Direção e roteiro: David Lynch. Fotografia: Frederick Elmes. Montagem: Duwayne Dunham. Música: Angelo Badalamenti. Direção de arte/cenários: Patricia Norris/Edward 'Tantar' LeViseur. Casting: Pat Golden, Johanna Ray. Produção executiva: Richard Roth. Produção: Fred Caruso. Elenco: Isabella Rosselini, Kyle MacLachlan, Dennis Hopper, Laura Dern, Dean Stockwell, Hope Lange, Brad Dourif. Estreia: 19/9/86

Indicado ao Oscar de Diretor (David Lynch)

O “american way of life”, tão louvado em filmes de diretores como Frank Capra sofreu um duro golpe, pelo menos da maneira como estamos acostumados a vê-lo, em 1986. E quem fez a plateia perceber que por trás de cada cerca branca dos subúrbios americanos pode-se esconder muito mais do que podemos imaginar foi um diretor que concorreu ao Oscar por um filme em preto-e-branco chamado “O homem elefante” e que, ao contrário do que se poderia supor, não se deixou levar pelo mainstream. Em “Veludo azul” David Lynch fez um filme sobre aparências. E parece que sua intenção era apenas desmascará-las.

O jogo de aparências de “Veludo azul” já começa em sua estrutura. Aparentemente, é um filme noir, com mocinhos honestos, vilões crudelíssimos e mulheres fatais. Na verdade, é bem mais complexo em termos de certo e errado do que supõe a vã filosofia do espectador acostumado a maniqueísmos típicos do gênero. O herói da história, Jeffrey Beaumont (vivido por Kyle MacLachlan) é um jovem que chega a cidade onde vive sua família para visitar seu pai, vítima de um enfarte. Por mais bizarro que possa parecer (e bizarro é uma palavra que pode definir “Veludo azul” como um todo), Jeffrey encontra em um terreno baldio uma orelha humana. Essa orelha o levará, com a ajuda de Sandy (Laura Dern), a filha do chefe de polícia do local, até a cantora Dorothy Vallens (a bela Isabella Rossellini, gélida e enlouquecida como convém), cujo relacionamento doentio com o misterioso Frank (Dennis Hopper, em um dos mais assustadores vilões da década de 80) ultrapassa todos os limites da normalidade.

À primeira vista, Jeffrey é o herói do filme. Mas, ao contrário do que normalmente se espera em filmes assim, ele não é exatamente um santo. Enquanto inicia um tímido romance com Sandy, ele também fica fascinado pela beleza misteriosa de Dorothy e por seus traumas psicológicos que a levam a exigir violência durante o ato sexual. E Dorothy, aparentemente uma dama fatal, não deixa de ser a principal vítima de uma rede de obsessões, perversidades e medo.

Em uma cena do filme, Jeffrey diz que o mundo é estranho. Tudo bem, de certa forma ele está certo. Mas é inegável que um mundo dirigido por David Lynch (que recebeu nova indicação ao Oscar por este filme) é ainda mais estranho. Afinal, em que mundo considerado normal alguém (mesmo que seja um exageradamente maquiado Dean Stockwell) começa, do nada a dublar Roy Orbison e um maníaco seja tarado por um pedaço de veludo azul? O mundo de David Lynch é muito estranho... e nós gostamos dele!

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...