TARDE DEMAIS (The heiress, 1949, Paramount Pictures, 115min) Direção: William Wyler. Roteiro: Ruth Goetz, Augustus Goetz, peça teatral de sua autoria, inspirada no romance "Washington Square", de Henry James. Fotografia: Leo Tover. Montagem: William Hornbeck. Música: Aaron Copland. Figurino: Edith Head. Direção de arte/cenários: Harry Horner/Emile Kuri. Produçã: William Wyler. Elenco: Olivia de Havilland, Montgomery Clift, Ralph Richardson, Miriam Hopkins, Vanessa Brown. Estreia: 06/10/49
8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (William Wyler), Atriz (Olivia de Havilland), Ator Coadjuvante (Ralph Richardson), Fotografia em P&B, Trilha Sonora Original, Figurino em P&B, Direção de Arte/Cenários em P&B
Vencedor de 4 Oscar: Atriz (Olivia de Havilland), Trilha Sonora Original, Figurino em P&B, Direção de Arte/Cenários em P&B
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz (Olivia de Havilland)
Dez anos antes de promover um arrastão na Academia com seu épico religioso
“Ben-hur” – que arrebatou onze Oscar, inclusive de melhor filme e direção – o
cineasta William Wyler já dava mostras de que era capaz de seduzir público e
crítica, ainda que no comando de uma obra com escopo bem menos ambicioso.
Baseado no romance “Washington Square”, de Henry James – ou melhor dizendo, na
peça teatral escrita pelo casal Augustus e Ruth Goetz e inspirada no livro – o
filme “Tarde demais” foi indicado a oito estatuetas e saiu da cerimônia de
premiação com quatro láureas: figurino, direção de arte (na subcategoria preto-e-branco),
trilha sonora original e atriz, entregue à Olivia de Havilland, a eterna
Melanie Wilkes de “.... E o vento levou” (39). Nessa dramática história de amor
e interesse contada por Wyler, a atriz – que já tinha um troféu em casa pelo
melodrama “Só resta uma lágrima”, feito três anos antes – entrega uma de suas
mais fortes composições, buscando na plateia a empatia para uma personagem nada
heroica, cujo drama romântico é acentuado pela decepção e pela dor.
Na Nova York da metade do século XIX – época em que também se situa, não por
acaso, o belo “A época da inocência”, de Edith Wharton, levado às telas por
Martin Scorsese em 1993 – a sociedade é dividida em classes bem definidas e
rígidas. Respeitado e dono de uma pequena fortuna, o dr. Austin Slope (Ralph
Richardson) tenta encontrar um marido digno e apropriado para a única filha,
Catherine (Olivia de Havilland), uma moça tímida e quase insossa, avessa aos
encontros sociais e incapaz de acostumar-se às regras de seu círculo. Viúvo, o
dr. Slope sabe que a jovem não tem atrativos o bastante para ser disputada
pelos melhores partidos da cidade e, por esse motivo, não fica muito satisfeito
quando ela passa a ser cortejada por Morris Towsend (Montgomery Clift), um
rapaz bonito, de boa família e educado – mas que desperdiçou toda sua herança
em viagens e gastos supérfluos. Considerando Townsend um aproveitador barato
que está de olho no dinheiro a ser herdado por Catherine – que também tem
direito aos bens da falecida mãe – o médico se opõe ferozmente ao
relacionamento, o que acaba por coloca-lo contra a própria filha.
Depois de uma viagem de seis meses pela Europa – que ele acredita ser a
solução para o afastamento dos dois enamorados – o dr. Slope retorna à Nova
York apenas para perceber que a decisão de ambos em casar-se não foi alterada.
Seu rompimento com a filha, sua doença e a afirmação em alto e bom som de sua
opinião sobre sua personalidade – que ele acha medíocre e ingênua demais –
obrigam Catherine a tomar uma decisão cruel: manter-se ao lado do pai ou
assumir definitivamente o amor que sente por Townsend, que mantém-se fiel a seu
romance e tem a torcida de uma tia de Catherine, também viúva (Miriam Hopkins).
Será que o rapaz realmente a ama ou está interessado apenas em seu dinheiro? E
realmente ela é tão desinteressante quando seu pai diz ou apenas esconde uma
força interna prestes a mostrar seu tamanho? Essas questões, levantadas com
inteligência pelo roteiro e sublinhadas pela direção elegante e discreta de
Wyler – um cineasta sempre interessado em arrancar o melhor de seus atores –
fazem de “Tarde demais” um drama romântico que se assiste como ao melhor
suspense de Alfred Hitchcock.
Montgomery Clift – assumindo um papel oferecido a Cary Grant – não gostava
do seu desempenho como Morris Towsend, chegando inclusive a faltar à estreia do
filme em Hollywood como forma de demonstrar seu desagrado. O inglês Ralph
Richardson, no entanto, fez de seu primeiro filme em Hollywood um trabalho de
mestre, ganhando o prêmio de melhor ator pelo National Board of Review e uma
indicação ao Oscar de coadjuvante por sua performance como o aflito doutor
Austin Sloper, dividido entre o amor e a preocupação que sente pela filha e o
temor de vê-la sofrer nas mãos de quem ele julga não merecê-la. A bela trilha
sonora de Aaron Copeland, também premiada pela Academia, enfatiza tanto o lado
dramático quanto o tom soturno de alguns momentos da trama, transitando entre o
idílio da protagonista e seu inferno pessoal – uma tênue mudança de tom
magistralmente dominada pela atuação de Olivia de Havilland, que se utiliza de
sua falta de glamour para criar uma Catherine Slope inesquecível, capaz de
convencer em todas as etapas de sua personagem – de mulher simples e romântica
até alguém capaz de enfrentar o mundo que a rodeia e os sentimentos
contraditórios que inundam seu coração e sua alma. Na melhor atuação de sua
carreira, de Havilland brinda a plateia com um trabalho irretocável, valorizado
pelo talento de Wyler e pela história forte e contundente. Um filme digno de
ser chamado de clássico.
Filmes, filmes e mais filmes. De todos os gêneros, países, épocas e níveis de qualidade.
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sábado
FREUD, ALÉM DA ALMA
FREUD, ALÉM DA ALMA (Freud, 1962, Universal International
Pictures,140min) Direção: John Huston. Roteiro: Charles Kaufman.
Fotografia: Douglas Slocombe. Montagem: Ralph Kemplen. Música: Jerry
Goldsmith. Figurino: Doris Langley Moore. Direção de arte: Stephen B.
Grimes. Produção: Wolfgang Reinhardt. Elenco: Montgomery Clift, Susannah
York, Larry Parks, Susan Kohner, Fernand Ledoux. Estreia: 12/12/62
2 indicações ao Oscar: Roteiro Adaptado e Trilha Sonora Original
Uma das mais importantes personalidades da história científica mundial, o austríaco Sigmund Freud poucas vezes foi representado nas telas de cinema, especialmente de forma a mostrar ao grande público o nascimento de suas teorias - violentamente refutadas em sua época, mas amplamente influentes conforme a comunidade médica foi percebendo seu alcance no tratamento de neuroses e outras patologias psicológicas. Suas tentativas de criar um método de cura para seus pacientes psicóticos são a base na qual se sustenta "Freud, além da alma", em que o respeitado cineasta John Huston retrata o pai da psicanálise como um homem profundamente dedicado à sua ciência a ponto de buscar dentro de si mesmo as respostas para as difíceis questões que lhe atravessam o caminho para o sucesso. Esse lado torturado do protagonista encontra eco na atuação de um dos atores mais intensos da Hollywood da década de 60: Montgomery Clift.
Em seu segundo trabalho com Huston - depois do polêmico e complicado "Os desajustados" - Clift encontrou um diretor bastante diferente daquele do primeiro contato. Enquanto durante as filmagens do faroeste tardio estrelado também por Marilyn Monroe e Clark Gable, o atormentado ator teve contato com um cineasta paternalista e carinhoso que relevava seus problemas com álcool e tranquilizantes, em seu reencontro com ele as coisas foram bastante diferentes. Segundo declarações de membros da equipe, Huston pressionava Clift frequentemente a respeito de sua enrustida homossexualidade, utilizando vários conceitos do próprio Freud em sua tentativa de arrancar do ator uma atuação ainda mais potente. Se os métodos do cineasta não foram exatamente simpáticos, porém, é impossível negar que, em termos artísticos eles funcionaram perfeitamente. Com seu olhar profundo e uma interpretação que equilibra momentos de excitação e dúvida, Montgomery Clift apresenta um dos melhores trabalhos de sua carreira - e o penúltimo dela.
A trama de "Freud, além da alma" começa em 1885, mostrando Freud no início de seus estudos sobre hipnose como forma de tratamento psicológico. De maneira a criar um arco dramático adequado, o roteiro de Charles Kaufman - uma vez que o script do filósofo Jean-Paul Sartre foi descartado por ser extenso demais - condensa vários pacientes (de sintomas variados) em uma única personagem, a neurótica Cecily Koertner (Susannah York), uma mulher que sofre de histeria profunda, repressão sexual e fixação paterna. Conforme vai se aprofundando nas consultas com Cecily - que já foi paciente de um amigo seu e teve por uma obsessão romântica - Freud vai criando um método novo de tratamento, chegando ao âmago de cada problema através de uma série de regressões psicológicas que remetem à infância e que também o leva a questionar sua relação com o próprio passado, que tenta manter esquecido no fundo da memória.
A atuação memorável de Montgomery Clift encontra respaldo no cuidado de John Huston com os detalhes da encenação. A fotografia em preto-e-branco de Douglas Slocombe (que depois seria o diretor de fotografia dos primeiros filmes da série "Indiana Jones") mescla o realismo seco do dia-a-dia dos personagens com filtros que remetem às alucinações de Cecily e os pesadelos constantes do protagonista, dignos dos mais assustadores filmes surrealistas de Luis Buñuel. Entre tudo isso, há o roteiro quase didático mas extremamente eficiente, a direção criativa de Huston e a competente reconstituição de época que remete o espectador à Viena do final do século XIX. O enorme sucesso do filme - fato que fez a Universal desistir de processar Clift pelos atrasos nas filmagens - mostrou que a personalidade polêmica de Sigmund Freud não era coisa do passado.
2 indicações ao Oscar: Roteiro Adaptado e Trilha Sonora Original
Uma das mais importantes personalidades da história científica mundial, o austríaco Sigmund Freud poucas vezes foi representado nas telas de cinema, especialmente de forma a mostrar ao grande público o nascimento de suas teorias - violentamente refutadas em sua época, mas amplamente influentes conforme a comunidade médica foi percebendo seu alcance no tratamento de neuroses e outras patologias psicológicas. Suas tentativas de criar um método de cura para seus pacientes psicóticos são a base na qual se sustenta "Freud, além da alma", em que o respeitado cineasta John Huston retrata o pai da psicanálise como um homem profundamente dedicado à sua ciência a ponto de buscar dentro de si mesmo as respostas para as difíceis questões que lhe atravessam o caminho para o sucesso. Esse lado torturado do protagonista encontra eco na atuação de um dos atores mais intensos da Hollywood da década de 60: Montgomery Clift.
Em seu segundo trabalho com Huston - depois do polêmico e complicado "Os desajustados" - Clift encontrou um diretor bastante diferente daquele do primeiro contato. Enquanto durante as filmagens do faroeste tardio estrelado também por Marilyn Monroe e Clark Gable, o atormentado ator teve contato com um cineasta paternalista e carinhoso que relevava seus problemas com álcool e tranquilizantes, em seu reencontro com ele as coisas foram bastante diferentes. Segundo declarações de membros da equipe, Huston pressionava Clift frequentemente a respeito de sua enrustida homossexualidade, utilizando vários conceitos do próprio Freud em sua tentativa de arrancar do ator uma atuação ainda mais potente. Se os métodos do cineasta não foram exatamente simpáticos, porém, é impossível negar que, em termos artísticos eles funcionaram perfeitamente. Com seu olhar profundo e uma interpretação que equilibra momentos de excitação e dúvida, Montgomery Clift apresenta um dos melhores trabalhos de sua carreira - e o penúltimo dela.
A trama de "Freud, além da alma" começa em 1885, mostrando Freud no início de seus estudos sobre hipnose como forma de tratamento psicológico. De maneira a criar um arco dramático adequado, o roteiro de Charles Kaufman - uma vez que o script do filósofo Jean-Paul Sartre foi descartado por ser extenso demais - condensa vários pacientes (de sintomas variados) em uma única personagem, a neurótica Cecily Koertner (Susannah York), uma mulher que sofre de histeria profunda, repressão sexual e fixação paterna. Conforme vai se aprofundando nas consultas com Cecily - que já foi paciente de um amigo seu e teve por uma obsessão romântica - Freud vai criando um método novo de tratamento, chegando ao âmago de cada problema através de uma série de regressões psicológicas que remetem à infância e que também o leva a questionar sua relação com o próprio passado, que tenta manter esquecido no fundo da memória.
A atuação memorável de Montgomery Clift encontra respaldo no cuidado de John Huston com os detalhes da encenação. A fotografia em preto-e-branco de Douglas Slocombe (que depois seria o diretor de fotografia dos primeiros filmes da série "Indiana Jones") mescla o realismo seco do dia-a-dia dos personagens com filtros que remetem às alucinações de Cecily e os pesadelos constantes do protagonista, dignos dos mais assustadores filmes surrealistas de Luis Buñuel. Entre tudo isso, há o roteiro quase didático mas extremamente eficiente, a direção criativa de Huston e a competente reconstituição de época que remete o espectador à Viena do final do século XIX. O enorme sucesso do filme - fato que fez a Universal desistir de processar Clift pelos atrasos nas filmagens - mostrou que a personalidade polêmica de Sigmund Freud não era coisa do passado.
quarta-feira
DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO
DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO (Suddenly, last summer, 1959, Columbia Pictures, 114min) Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Gore Vidal, Tennessee Williams, peça teatral de Tenneessee Williams. Fotografia: Jack Hildyard. Montagem: William Hornbeck, Thomas G. Stanford. Música: Malcolm Arnold, Buxton Orr. Figurino: Oliver Messel. Direção de arte/cenários: Oliver Messel/Scott Slimon. Produção: Sam Spiegel. Elenco: Elizabeth Taylor, Montgomery Clift, Katharine Hepburn. Estreia: 22/12/59
3 indicações ao Oscar: Atriz (Katharine Hepburn, Elizabeth Taylor), Direção de Arte/Cenários
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Elizabeth Taylor)
Segundo a biografia "Tracy and Hepburn", de Garson Kanin, quando seu trabalho em "De repente, no último verão" chegou ao final, Katharine Hepburn aproximou-se do diretor Joseph L. Mankiewicz e do produtor Sam Spiegel e, furiosa, encheu-os de impropérios e acabou seu discurso cuspindo em seu rosto. Apesar do gênio difícil da atriz, não foi apenas um ato de rebeldia sem causa: seu ato final era a resposta ao modo cruel com que os dois homens haviam tratado o ator Montgomery Clift durante as filmagens. Já na fase posterior a seu acidente de carro em 1956 - que quase o matou e o jogou definitivamente na dependência de remédios que afinal apressaria sua morte dez anos depois - Clift só não foi substituído no papel central masculino graças à sua amiga de longa data Elizabeth Taylor, que ameaçou também abandonar o projeto caso ele fosse demitido. Esse clima pouco amistoso entre diretor, produtor e astro refletia-se na maneira pouco gentil com que o ator era tratado - e que resultou no acesso de raiva de Hepburn.
Baseado em uma peça teatral de um ato escrita pelo sempre polêmico Tennessee Williams - que também assinou "Um bonde chamado desejo" - e roteirizado pelo próprio autor e pelo escritor Gore Vidal, "De repente, no último verão" teve sua história amenizada na transição para o cinema, devido às restrições impostas pela censura, que jamais teria deixado que ficassem explícitos nas telas seus principais temas, que incluíam homossexualidade, incesto, estupro e canibalismo. Ainda assim, foi muito por causa das críticas que repeliam todo o peso do filme que ele acabou fazendo sucesso - por isso e pela reunião, pela primeira e única vez, de três grandes nomes do cinema da época. Taylor e Hepburn acabaram sendo indicadas ao Oscar de melhor atriz, e Liz foi premiada com o Golden Globe por seu desempenho como a complexa Catherine Holly - papel que Patricia Neal havia defendido com garra na montagem da peça em Londres.
Apesar de aparecer somente do primeiro terço de projeção, Catherine, a personagem de Taylor, é a peça-chave da trama de Williams, dirigida com pulso firme por Mankiewicz - famoso por sua tirania e pelo Oscar de diretor pelo inesquecível "A malvada", de 1950. Antes que ela surja em cena, o público é apresentado a ela através da história contada por sua tia, a milionária Violet Venable (Katharine Hepburn), que vive isolada em uma mansão excêntrica, solitária desde a morte de seu único filho, Sebastian, descrito por ela como um poeta sensível e delicado. Segundo Violet, a morte do rapaz, acontecida um ano antes devido a um ataque cardíaco em uma praia da Espanha, causou um grande desequilíbrio em sua sobrinha, que, desde então, vem sofrendo de sérios problemas de desequilíbrio mental. Preocupada, Violet quer que John Crukowicz (Montgomery Clift) - famoso por suas experiências no campo da neurocirurgia - faça uma lobotomia na jovem, acenando com uma generosa doação para seu hospital. Quando conhece Catherine, porém, o médico passa a desconfiar que sua doença tem origem nas lembranças ocultas que ela tem da morte do primo e resolve forçá-la a encarar a tragédia - que não aconteceu conforme narrado por Violet.
Ainda que exagere em muitos pontos em sua trama - inspirada em sua própria irmã, que sofreu uma lobotomia - Williams consegue, em "De repente, no último verão", construir uma tensão crescente, que prende a atenção do público até seus momentos finais. Sem pausa para o humor ou instantes mais leves, o roteiro discorre fluentemente sobre assuntos pouco agradáveis ao gosto médio do público, conforme dito anteriormente. Não há espaço para romantismo - ainda que a atração entre o médico e Catherine seja óbvia - ou para soluções fáceis. Mankiewicz filma o hospital psiquiátrico sem dourar a pílula, mostrando com crueza o estado dos pacientes e não hesita em pesar a mão quando necessário. Infelizmente as restrições da censura - que limou a maioria das cenas que esclareciam a real personalidade de Sebastian - não permitiram que o filme fosse mais a fundo, o que certamente daria à obra uma ressonância ainda maior.
Forte, tenso e interpretado por três dos maiores atores da era dourada de Hollywood, "De repente, no último verão" é uma prova de que, apesar do caráter pouco admirável, Joseph L. Mankiewicz era capaz de prestar grandes serviços à sétima arte.
3 indicações ao Oscar: Atriz (Katharine Hepburn, Elizabeth Taylor), Direção de Arte/Cenários
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Elizabeth Taylor)
Segundo a biografia "Tracy and Hepburn", de Garson Kanin, quando seu trabalho em "De repente, no último verão" chegou ao final, Katharine Hepburn aproximou-se do diretor Joseph L. Mankiewicz e do produtor Sam Spiegel e, furiosa, encheu-os de impropérios e acabou seu discurso cuspindo em seu rosto. Apesar do gênio difícil da atriz, não foi apenas um ato de rebeldia sem causa: seu ato final era a resposta ao modo cruel com que os dois homens haviam tratado o ator Montgomery Clift durante as filmagens. Já na fase posterior a seu acidente de carro em 1956 - que quase o matou e o jogou definitivamente na dependência de remédios que afinal apressaria sua morte dez anos depois - Clift só não foi substituído no papel central masculino graças à sua amiga de longa data Elizabeth Taylor, que ameaçou também abandonar o projeto caso ele fosse demitido. Esse clima pouco amistoso entre diretor, produtor e astro refletia-se na maneira pouco gentil com que o ator era tratado - e que resultou no acesso de raiva de Hepburn.
Baseado em uma peça teatral de um ato escrita pelo sempre polêmico Tennessee Williams - que também assinou "Um bonde chamado desejo" - e roteirizado pelo próprio autor e pelo escritor Gore Vidal, "De repente, no último verão" teve sua história amenizada na transição para o cinema, devido às restrições impostas pela censura, que jamais teria deixado que ficassem explícitos nas telas seus principais temas, que incluíam homossexualidade, incesto, estupro e canibalismo. Ainda assim, foi muito por causa das críticas que repeliam todo o peso do filme que ele acabou fazendo sucesso - por isso e pela reunião, pela primeira e única vez, de três grandes nomes do cinema da época. Taylor e Hepburn acabaram sendo indicadas ao Oscar de melhor atriz, e Liz foi premiada com o Golden Globe por seu desempenho como a complexa Catherine Holly - papel que Patricia Neal havia defendido com garra na montagem da peça em Londres.
Apesar de aparecer somente do primeiro terço de projeção, Catherine, a personagem de Taylor, é a peça-chave da trama de Williams, dirigida com pulso firme por Mankiewicz - famoso por sua tirania e pelo Oscar de diretor pelo inesquecível "A malvada", de 1950. Antes que ela surja em cena, o público é apresentado a ela através da história contada por sua tia, a milionária Violet Venable (Katharine Hepburn), que vive isolada em uma mansão excêntrica, solitária desde a morte de seu único filho, Sebastian, descrito por ela como um poeta sensível e delicado. Segundo Violet, a morte do rapaz, acontecida um ano antes devido a um ataque cardíaco em uma praia da Espanha, causou um grande desequilíbrio em sua sobrinha, que, desde então, vem sofrendo de sérios problemas de desequilíbrio mental. Preocupada, Violet quer que John Crukowicz (Montgomery Clift) - famoso por suas experiências no campo da neurocirurgia - faça uma lobotomia na jovem, acenando com uma generosa doação para seu hospital. Quando conhece Catherine, porém, o médico passa a desconfiar que sua doença tem origem nas lembranças ocultas que ela tem da morte do primo e resolve forçá-la a encarar a tragédia - que não aconteceu conforme narrado por Violet.
Ainda que exagere em muitos pontos em sua trama - inspirada em sua própria irmã, que sofreu uma lobotomia - Williams consegue, em "De repente, no último verão", construir uma tensão crescente, que prende a atenção do público até seus momentos finais. Sem pausa para o humor ou instantes mais leves, o roteiro discorre fluentemente sobre assuntos pouco agradáveis ao gosto médio do público, conforme dito anteriormente. Não há espaço para romantismo - ainda que a atração entre o médico e Catherine seja óbvia - ou para soluções fáceis. Mankiewicz filma o hospital psiquiátrico sem dourar a pílula, mostrando com crueza o estado dos pacientes e não hesita em pesar a mão quando necessário. Infelizmente as restrições da censura - que limou a maioria das cenas que esclareciam a real personalidade de Sebastian - não permitiram que o filme fosse mais a fundo, o que certamente daria à obra uma ressonância ainda maior.
Forte, tenso e interpretado por três dos maiores atores da era dourada de Hollywood, "De repente, no último verão" é uma prova de que, apesar do caráter pouco admirável, Joseph L. Mankiewicz era capaz de prestar grandes serviços à sétima arte.
quinta-feira
A UM PASSO DA ETERNIDADE
A UM PASSO DA ETERNIDADE (From here to eternity, 1953, Columbia Pictures, 118min) Direção: Fred Zinnemann. Roteiro: Daniel Taradash, romance de James Jones. Fotografia: Burnett Guffey. Montagem: William Lyon. Música: George Duning. Figurino: Jean Louis. Direção de arte/cenários: Cary Odell/Frank Tuttle. Produção: Buddy Adler. Elenco: Burt Lancaster, Deborah Kerr, Montgomery Clift, Donna Reed, Frank Sinatra, Ernest Borgnine, Jack Warden, Philip Ober. Estreia: 05/8/53
13 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnemann), Ator (Montgomery Clift, Burt Lancaster), Atriz (Deborah Kerr), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Roteiro, Fotografia em P&B, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino em preto-e-branco, Som
Vencedor de 8 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnemann), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Roteiro, Fotografia em P&B, Montagem, Som
Vencedor de 2 Golden Globes Diretor (Fred Zinnemann), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra)
Reza a lenda - e todo mundo a conhece - que Frank Sinatra conseguiu o papel do soldado Angelo Maggio em "A um passo da eternidade" graças a suas conexões com a Máfia, fato recriado pelo escritor Mario Puzo em seu romance "O poderoso chefão" (e posteriormente por Francis Ford Coppola na adaptação do livro para o cinema). Passando por um período difícil de sua carreira, Sinatra não só ficou com o papel como teve seu desempenho premiado com um Oscar de coadjuvante e viu sua popularidade retomada, mas a lenda, apesar de bem mais saborosa, é apenas lenda: a verdadeira razão pela escolha do ator para o filme se chamava Ava Gardner, sua então esposa, que, trabalhando em um filme da Columbia, convenceu o chefe do estúdio, Harry Cohn, a dar o emprego a seu marido - afinal de contas, era um ótimo negócio, uma vez que Sinatra aceitaria trabalhar até de graça no filme de Fred Zinnemann.
Recém saído dos sets do western "Matar ou morrer" - que lhe daria uma indicação ao Oscar - o austríaco Zinnemann já tinha experiência com filmes de guerra, sendo "Espíritos indômitos", de 1950 o mais bem-sucedido, quando foi chamado para comandar a adaptação para as telas do polêmico romance de James Jones, que retratava de forma pouco simpática o exército americano, além de tocar em temas-tabu, como o adultério. A princípio relutante - afinal, a época era pouco propícia a provocações políticas graças ao famigerado senador McCarthy - Zinnemann acabou aceitando a tarefa, que acabou lhe rendendo a estatueta da Academia - uma das oito que o filme acabou abocanhando, igualando o recorde de "...E o vento levou". Mais lembrado pela cena em que Burt Lancaster e Deborah Kerr se beijam apaixonadamente na beira da praia, "A um passo da eternidade", porém, é bem mais que isso, mostrando ao público um interessante panorama de dramas particulares de um grupo de militares americanos às vésperas do ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.
Se existe um protagonista em "A um passo da eternidade" é o soldado Prewitt, interpretado com a competência habitual por Montgomery Clift. Boxeador que abandonou os ringues depois de uma experiência traumática, Prewitt se recusa a fazer parte do time dos seus colegas, o que acaba suscitando fortes represálias por parte de seus superiores. Sentindo-se isolado, ele faz amizade com Maggio (Frank Sinatra), que, por sua vez, sofre com a implicância de um beligerante sargento (Ernest Borgnine). Seus problemas só encontram anestesia quando ele está ao lado de Alma (Donna Reed, Oscar de atriz coadjuvante), que trabalha no clube noturno frequentado pelos soldados. Enquanto isso, o discreto sargento Milton Warden (Burt Lancaster) sente-se fortemente atraído por Karen (Deborah Kerr), esposa do capitão superior a ele, a ponto de envolver-se em um relacionamento altamente passional com ela. As vidas de todos sofrerão um duro golpe quando os EUA se veem forçados à entrar na guerra, com o ataque japonês à sua base.
Fotografado em preto-e-branco por opção do próprio cineasta - que também recusou qualquer formato de filme que não o tradicional - "A um passo da eternidade" tem em seus personagens e em suas interrelações seu maior mérito. Ainda que o ataque à Pearl Harbor seja o grande clímax do filme, Zinnemann não permite que se torne o ponto principal da obra - mesmo porque a sequência é relativamente rápida e acontece bem no final da projeção. Seu interesse, assim como o era no romance de Jones, é o impacto da guerra nas vidas dos americanos alocados no Havaí, sejam eles militares ou civis. É por isso que, mais do que técnica, a emoção é o principal ingrediente de sua obra-prima: o que fica na memória são os diálogos tristes entre Lancaster e Kerr - cujo trabalho abriu-lhe novas portas em Hollywood, uma vez que demonstrou um sex-appeal até então oculto - e a trágica história da amizade entre Sinatra e Clift (que ajudou o cantor em sua atuação, conquistando um amigo para toda a vida).
É inegável que "A um passo da eternidade" não tem, hoje em dia, a mesma força corajosa que tinha em sua estreia, apesar da "limpeza" feita na trama de James Jones. Mas ainda é um filme poderoso, realizado com imenso talento e um elenco acima de qualquer suspeita, capaz de encantar aos fãs de bom cinema.
13 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnemann), Ator (Montgomery Clift, Burt Lancaster), Atriz (Deborah Kerr), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Roteiro, Fotografia em P&B, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino em preto-e-branco, Som
Vencedor de 8 Oscar: Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnemann), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Roteiro, Fotografia em P&B, Montagem, Som
Vencedor de 2 Golden Globes Diretor (Fred Zinnemann), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra)
Reza a lenda - e todo mundo a conhece - que Frank Sinatra conseguiu o papel do soldado Angelo Maggio em "A um passo da eternidade" graças a suas conexões com a Máfia, fato recriado pelo escritor Mario Puzo em seu romance "O poderoso chefão" (e posteriormente por Francis Ford Coppola na adaptação do livro para o cinema). Passando por um período difícil de sua carreira, Sinatra não só ficou com o papel como teve seu desempenho premiado com um Oscar de coadjuvante e viu sua popularidade retomada, mas a lenda, apesar de bem mais saborosa, é apenas lenda: a verdadeira razão pela escolha do ator para o filme se chamava Ava Gardner, sua então esposa, que, trabalhando em um filme da Columbia, convenceu o chefe do estúdio, Harry Cohn, a dar o emprego a seu marido - afinal de contas, era um ótimo negócio, uma vez que Sinatra aceitaria trabalhar até de graça no filme de Fred Zinnemann.
Recém saído dos sets do western "Matar ou morrer" - que lhe daria uma indicação ao Oscar - o austríaco Zinnemann já tinha experiência com filmes de guerra, sendo "Espíritos indômitos", de 1950 o mais bem-sucedido, quando foi chamado para comandar a adaptação para as telas do polêmico romance de James Jones, que retratava de forma pouco simpática o exército americano, além de tocar em temas-tabu, como o adultério. A princípio relutante - afinal, a época era pouco propícia a provocações políticas graças ao famigerado senador McCarthy - Zinnemann acabou aceitando a tarefa, que acabou lhe rendendo a estatueta da Academia - uma das oito que o filme acabou abocanhando, igualando o recorde de "...E o vento levou". Mais lembrado pela cena em que Burt Lancaster e Deborah Kerr se beijam apaixonadamente na beira da praia, "A um passo da eternidade", porém, é bem mais que isso, mostrando ao público um interessante panorama de dramas particulares de um grupo de militares americanos às vésperas do ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.
Se existe um protagonista em "A um passo da eternidade" é o soldado Prewitt, interpretado com a competência habitual por Montgomery Clift. Boxeador que abandonou os ringues depois de uma experiência traumática, Prewitt se recusa a fazer parte do time dos seus colegas, o que acaba suscitando fortes represálias por parte de seus superiores. Sentindo-se isolado, ele faz amizade com Maggio (Frank Sinatra), que, por sua vez, sofre com a implicância de um beligerante sargento (Ernest Borgnine). Seus problemas só encontram anestesia quando ele está ao lado de Alma (Donna Reed, Oscar de atriz coadjuvante), que trabalha no clube noturno frequentado pelos soldados. Enquanto isso, o discreto sargento Milton Warden (Burt Lancaster) sente-se fortemente atraído por Karen (Deborah Kerr), esposa do capitão superior a ele, a ponto de envolver-se em um relacionamento altamente passional com ela. As vidas de todos sofrerão um duro golpe quando os EUA se veem forçados à entrar na guerra, com o ataque japonês à sua base.
Fotografado em preto-e-branco por opção do próprio cineasta - que também recusou qualquer formato de filme que não o tradicional - "A um passo da eternidade" tem em seus personagens e em suas interrelações seu maior mérito. Ainda que o ataque à Pearl Harbor seja o grande clímax do filme, Zinnemann não permite que se torne o ponto principal da obra - mesmo porque a sequência é relativamente rápida e acontece bem no final da projeção. Seu interesse, assim como o era no romance de Jones, é o impacto da guerra nas vidas dos americanos alocados no Havaí, sejam eles militares ou civis. É por isso que, mais do que técnica, a emoção é o principal ingrediente de sua obra-prima: o que fica na memória são os diálogos tristes entre Lancaster e Kerr - cujo trabalho abriu-lhe novas portas em Hollywood, uma vez que demonstrou um sex-appeal até então oculto - e a trágica história da amizade entre Sinatra e Clift (que ajudou o cantor em sua atuação, conquistando um amigo para toda a vida).
É inegável que "A um passo da eternidade" não tem, hoje em dia, a mesma força corajosa que tinha em sua estreia, apesar da "limpeza" feita na trama de James Jones. Mas ainda é um filme poderoso, realizado com imenso talento e um elenco acima de qualquer suspeita, capaz de encantar aos fãs de bom cinema.
JULGAMENTO EM NUREMBERG
JULGAMENTO EM NUREMBERG (Judgment at Nuremberg, 1961, United Artists, 186min) Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Abby Mann. Fotografia: Ernest Laszlo. Montagem: Frederic Knudtson. Música: Ernest Gold. Produção: Stanley Kramer. Elenco: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Marlene Dietrich, Richard Widmark, Maximilian Schell, Judy Garland, Montgomery Clift, William Shatner. Estreia: 14/12/61
11 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Stanley Kramer), Ator (Maximilian Schell, Spencer Tracy), Ator Coadjuvante (Montgomery Clift), Atriz Coadjuvante (Judy Garland), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de Arte
Vencedor de 2 Oscar: Ator (Maximilian Schell), Roteiro Adaptado
Vencedor de 2 Golden Globes: Diretor (Stanley Kramer), Ator/Drama (Maximilian Schell)
Pródiga que é em encantar a plateia com seu cinema, Hollywood também o é quando se trata de tomar partido em relação a temas polêmicos. Vez por outra, no entanto, a própria história se encarrega de prover aos estúdios e aos produtores os elementos necessários para o deleite do público. É o que acontece com "Julgamento em Nuremberg", dirigido por Stanley Kramer e lançado em 1961. Para buscar o interesse do público, o roteirista Abby Mann nem precisou buscar na sua imaginação os ingredientes do sucesso: eles realmente aconteceram, meros 13 anos antes, e foram muito mais cruéis do que a mente humana conseguiria conceber.
"Julgamento em Nuremberg" se passa em 1948, três anos depois, portanto, do final da II Guerra Mundial. O juiz de uma cidadezinha americana, Dan Heywood (Spencer Tracy) chega à Alemanha para presidir o julgamento de quatro juízes nazistas, acusados de crimes contra a humanidade. No tribunal, ele mantém a calma e a placidez necessárias enquanto assiste o embate entre o promotor Tad Lawson (Richard Widmark) e o jovem advogado de defesa, Hans Rolfe (Maximilian Schell, vencedor do Oscar de melhor ator). Mais do que simplesmente julgar os acusados, o juiz precisa também entender os pontos de vista a respeito do maior crime já cometido contra seres humanos, uma vez que, dentre os réus, existe o silencioso Ernst Janning (Burt Lancaster), que, depois de passar dias silencioso e meditativo, resolve se pronunciar, defendendo a si mesmo e seu país (em uma cena marcante e assustadoramente sincera).
"Julgamento em Nuremberg" é um filme obrigatório por inúmeras razões. Além de ser dramaticamente bem construído e contar com um elenco estelar (sendo que a maioria dos atores trabalhou com um salário menor do que o costumeiro apenas por julgar que o filme deveria ser feito por sua importância histórica), é um documento forte, pungente e realista, fugindo sempre que possível do maniqueísmo inerente ao tema. O equilíbrio do roteiro de Mann é notável, dando espaço a cenas massacrantes (o material filmado nos campos de concentração mostrado no tribunal é real) e diálogos e personagens bastante interessantes: Marlene Dietrich - inimiga pública do III Reich desde que recusou a ser a estrela de filmes de propaganda nazista e passou a fazer shows às tropas aliadas - vive, por exemplo, a viúva de um militar da SS condenado à morte, que insiste em afirmar que o povo alemão não sabia das atrocidades cometidas nos campos e, por mais que a simpatia da plateia esteja do lado do bem (a saber, os vencedores da guerra) não deixa de ser intrigante perceber como o texto forte de Mann e a atuação da bela Dietrich conseguem abalar as certezas que o público tem.
E o público, além de tudo, é brindado com o que de melhor há em termos de atuação no início dos anos 60. Maximilian Schell levou o Oscar de melhor ator disputando o prêmio com seu colega de elenco Spencer Tracy e brilha intensamente na pele do idealista advogado de defesa, que tenta desesperadamente salvar a liberdade de seus clientes mesmo sabendo que a batalha é praticamente perdida. Burt Lancaster entrega a melhor atuação de sua carreira com uma personagem indecifrável que consegue, em apenas duas cenas com diálogos substanciais (o já citado depoimento no banco das testemunhas e na sequência final com Tracy, de arrepiar qualquer fã de cinema e história). Mas são dois coadjuvantes que surpreendem ainda mais, em interpretações muito acima do chamado do dever - não à toa ambos tiveram indicações ao Oscar na categoria: Montgomery Clift e Judy Garland.
Clift, em um de seus últimos trabalhos, emociona como Rudolf Petersen, um homem vítima de esterilização por ter sido considerado mentalmente atrasado. Em apenas uma cena, Clift entrega o desempenho de sua vida, brilhantemente arrancando lágrimas com seu falar lento, sua angústia vísivel e sua indignação incurável (a defesa que ele faz da própria mãe é de fazer chorar o mais insensível dos homens). E Garland, voltando ao cinema depois de sete anos (seu último filme havia sido "Nasce uma estrela"), interpreta Irene Hoffman, que sobe ao banco das testemunhas para contar como foi obrigada a falar contra um homem mais velho, judeu, a quem tinha como pai, que foi acusado de manter relações sexuais com ela e portanto, condenado à morte. Mais velha e fisicamente descuidada, a eterna Dorothy de "O mágico de Oz" comprova seu talento único ao, corajosamente, expôr sua falta de vaidade em um papel difícil e emocionalmente complexo.
"Julgamento em Nuremberg" é um documento histórico de valor inestimável. Agrada aos fãs do gênero, conquista os interessados em história e impressiona os aficcionados por cinema clássico. Mais uma injustiça da Academia, que preferiu dar o Oscar principal ao pouco engajado "Amor, sublime amor".
domingo
OS DESAJUSTADOS
OS DESAJUSTADOS (The misfits, 1961, United Artists, 124min). Direção: John Huston. Roteiro: Arthur Miller. Fotografia: Russell Metty. Montagem: George Tomasini. Música: Alex North. Produção: Frank E. Taylor. Elenco: Clark Gable, Marilyn Monroe, Montgomery Clift, Eli Wallach, Thelma Ritter. Estreia: 01/02/61
"Para que algumas coisas vivam, outras precisam morrer." Essa fala um tanto fatalista da personagem de Clark Gable em "Os desajustados", não deixa de parecer um triste presságio a respeito dos atores principais do filme de John Huston. Lançado no início de 1961, o filme, baseado em um conto que Arthur Miller escreveu em Reno enquanto aguardava seu divórcio ser finalizado para que se casasse com Marilyn Monroe, foi o último trabalho não só da atriz e de Gable, mas também uma das derradeiras atuações do seu terceiro astro, Montgomery Clift, que finalizou apenas mais dois filmes nos cinco anos seguintes, que antecederam sua morte. De certa forma a frase escrita por Miller se aplica perfeitamente ao que aconteceu com todos eles: ao morrerem como pessoas de carne e osso se transformaram em mitos.
Primeiro foi Clark Gable, que teve um ataque cardíaco no dia seguinte ao término das filmagens e morreu dez dias depois. Dizem que os constantes atrasos de Marilyn ajudaram a comprometer a saúde do ator, que declarou no final do trabalho que estava feliz pela conclusão do filme, uma vez que ela (Monroe) esteve perto de lhe causar um enfarte. Mas o fato de Gable, aos 59 anos de idade, ter dispensado os dublês em algumas das cenas que exigiam maior esforço físico certamente teve sua parcela de culpa. Gable, que ficou com o papel inicialmente oferecido a Robert Mitchum, também teve problemas em seguir o estilo de interpretação de seus colegas de elenco. Tanto Marilyn quanto Montgomery Clift e Eli Wallach, que atuava como o piloto de aviação Guido, eram adeptos do famoso Método do Actor's Studio, o que pra ele, de uma geração anterior, soava como uma música que ele não compreendia. De uma certa tortuosa forma, Gable se sentia tão deslocado no set de filmagem quanto Gay Langland, sua personagem no filme, um cowboy fora de época.
Depois foi a vez de Marilyn Monroe. Demitida da Fox por constantes atrasos e dependência química em junho de 1962, ela não terminou aquele que seria seu último filme, "Something's got to give". Sem trabalho e rejeitada por todos os estúdios devido a seu problemático currículo, o símbolo sexual mais famoso da história foi encontrada morta em seu apartamento no dia 05 de agosto, vítima de uma overdose que até hoje suscita polêmica. Como sua personagem em "Os desajustados", a recém-divorciada Roslyn Taber, Monroe também conseguia transmitir, através de seus olhos luminosos, um amor pela vida que, a julgar pelo que acontecia por trás das câmeras, era apenas uma fachada para esconder uma personalidade triste e infeliz.
E em 1966 chegou a hora de Montgomery Clift. Um dos maiores galãs dos anos 50, admirado tanto por público quanto pela crítica, Clift passou toda a carreira (e a vida) em constante angústia em relação a sua sexualidade, o que não o impediu de entregar trabalhos fascinantes, como "Um lugar ao sol" (onde aproveitou sua personalidade torturada para construir uma belíssima atuação). Dono de um dos rostos mais bonitos de Hollywood, ele teve sua beleza física seriamente avariada depois de um acidente de carro em 1956 que quase o matou. A tragédia não o impediu de seguir oferecendo ao público trabalhos brilhantes, mas o afastou do estrelato. Em 23 de julho de 1966, foi encontrado morto em sua cama. Em "Os desajustados", sua personagem, Perce Howland, é provavelmente o mais sensível dos homens que se envolvem na vida da bela Roslyn, um aspecto emocional plenamente visível na biografia do ator.
"Os desajustados" é um belíssimo western crepuscular. O clima melancólico que perpassa cada sequência é de uma pungência que se torna ainda mais palpável tendo em vista o destino dos atores que estão em cena. Tudo começa quando a bela e delicada Roslyn Taber (Marilyn Monroe no momento mais sensual e belo de sua carreira) se divorcia e, no caminho para o tribunal, conhece o simpático Guido (Eli Wallach), um piloto de aviação que ganha a vida como mecânico. Viúvo, Guido oferece a casa onde morava com a esposa para que Roslyn passe um tempo em Nevada, ao lado de Gay Langland (Clark Gable, envelhecido mas melhor ator do que nunca), um velho amigo seu, que não tem uma residência fixa, vive como cowboy e tem problemas de relacionamento com os filhos. Quando Guido percebe que entre Roslyn e Gay começa a existir um sentimento maior do que simples amizade, passa a tentar conquistá-la, o que acaba acarretando sérios conflitos entre os três. As coisas ficam ainda mais feias depois que junta-se ao grupo o cowboy de rodeios Perce Howland (Montgomery Clift) e ela descobre que eles estão indo caçar cavalos selvagens para vender a quem os transforma em ração de animais.
Tudo em "Os desajustados" pode (e merece) ser visto de forma metafórica. Os desajustados do título tanto podem ser os cavalos selvagens caçados em cenas de extrema competência técnica quanto os protagonistas do filme, tão perdidos quanto os animais. Gay leva uma vida nômade, sem ãncoras, buscando a liberdade a todo custo. Perce ganha dinheiro em rodeios mas também sonha em nunca viver de um salário fixo, assim como não consegue se envolver de verdade em nenhum relacionamento. Guido é incapaz de deixar no passado o amor que sente pela falecida mulher, o que atrapalha sua vida sentimental. E Roslyn, no meio de três homens calejados, machucados pela vida, tenta dar a eles um rumo, um porto seguro, uma chance de recomeçar a viver, mesmo que perceba que talvez a pessoa errada seja ela.
"Os desajustados" é, no fundo, uma obra sobre a solidão e o desespero que une as pessoas. Mas é também, e principalmente, um belíssimo testamento de alguns dos maiores astros produzidos pelo cinema hollywoodiano.
sábado
A TORTURA DO SILÊNCIO
A TORTURA DO SILÊNCIO (I confess, 1953, Warner Bros., 95min) Direção e produção: Alfred Hithcock. Roteiro: George Tabori, William Archibald, baseado em uma peça teatral de Paul Anthelme. Fotografia: Robert Burks. Montagem: Rudi Fehr. Música: Dimitri Tiomkin. Elenco: Montgomery Clift, Anne Baxter, Karl Malden, O.E. Hasse, Dolly Haas. Estreia: 22/3/53
As primeiras imagens de "A tortura do silêncio" mostram placas sinalizadoras em Quebec. São todas setas indicando um caminho em linha reta. E retidão é a palavra mais correta para definir a personalidade do Padre Michael Logan (Montgomery Clift), protagonista do único filme de Alfred Hitchcock filmado no Canadá. Honesto e íntegro, Logan é mais um dos protagonistas do mestre do suspense que se vê envolvido em situações extremas sem que as tenha chamado para si. No caso do filme em questão, ele é acusado de um crime que não cometeu, correndo o risco de ser condenado à morte.
A primeira cena de "A tortura do silêncio" mostra o corpo de um homem, assassinado em casa, enquanto o culpado, vestido de padre, abandona o local do crime e é visto por duas adolescentes. O assassino é Otto Keller (O.E. Hasse), um refugiado alemão que trabalha como faz-tudo na casa paroquial onde vive Logan. Sentindo-se culpado pelo homicídio, Keller confessa o crime ao padre, que não pode trair um segredo de confissão. Estaria tudo relativamente bem se a vítima do assassinato não fosse, no entanto, um advogado mau-caráter que estava fazendo chantagem com Ruth Grandfort (Anne Baxter), antiga namorada de Logan antes de sua ordenação. Vilette, o chantagista, agora morto, ameaçava contar sobre o relacionamento do padre com uma mulher casada (uma relação que na verdade não mais existia) e quando o Inspetor Larrue (Karl Malden) fica sabendo do detalhe escabroso, junta a pista aos fatos do assassino estar vestindo uma batina e de Logan não ter um álibi concreto e o indicia pelo crime. Para salvar sua pele, Logan tem apenas a opção de revelar um segredo que não pode, por ética, ser revelado.

A bem da verdade é necessário que o público entenda o dilema de Logan, ou seja, é crucial que a audiência acredite que um homem, mesmo na situação extrema do protagonista, seja capaz de manter em segredo o que pode lhe salvar a vida. Talvez esse seja o motivo pelo qual "A tortura" não está entre os mais festejados filmes de Hitchcock. Baseado em uma peça de teatro francesa, de Paul Anthelme (que o próprio diretor considerava ruim), o filme é talvez a obra mais carregada de simbolismos católicos de sua filmografia (cruzes, imagens e principalmente a temática são explícitos sinais de uma religiosidade bastante forte no cineasta, que estudou em colégio jesuíta). Filmado nas montanhas do Canadá - e portanto fugindo de seus tradicionais locais de filmagens - "A tortura do silêncio" apresenta também uma grande atuação - mais uma - de Montgomery Clift, que novamente aproveita sua própria personalidade torturada para criar o angustiante retrato de um homem a caminho de seu calvário pessoal por manter intactos seus ideais religiosos e éticos.
"A tortura do silêncio" não é dos melhores Hitchcocks. Tem um final anti-climático, um par romântico que não tem uma química das melhores (Anne Baxter não era a primeira escolha do cineasta e, por melhor atriz que fosse, não estava em seus melhores dias) e um conflito central que exige do público bem mais do que o corriqueiro. Ainda assim, é dono de belas cenas, tem uma história interessante - apesar de forçar algumas coincidências - e conta com Montgomery Clift no papel principal, o que já lhe confere uma força acima da média.
quinta-feira
UM LUGAR AO SOL

UM LUGAR AO SOL (A place in the sun, 1951, Paramount Pictures, 122min) Direção: George Stevens. Roteiro: Michael Wilson, Harry Brown, baseado no romance "An american tragedy", de Theodore Dreiser. Fotografia: William C. Mellor. Música: Franz Waxman. Figurino: Edith Head. Produção: George Stevens. Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Keefe Brasselle, Raymond Burr. Estreia: 14/8/51
9 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (George Stevens), Ator (Montgomery Clift), Atriz (Shelley Winters), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino
Vencedor de 6 Oscar: Melhor Filme, Diretor (George Stevens), Roteiro Adaptado, Fotografia em preto-e-branco, Montagem, Trilha Sonora Original, Figurino
Vencedor do Golden Globe de Melhor Filme/Drama
Este é o filme que o mestre Charles Chaplin descreveu como "o melhor filme já feito em toda a história!". Este é o filme que inspirou Janete Clair a escrever a novela "Selva de pedra", um de seus maiore sucessos. Este é o filme que apresentou Elizabeth Taylor a Montgomery Clift, que se tornaram grandes amigos até a morte do ator, em 1966. E este filme também é mais uma das inúmeras injustiças que a Academia de Hollywood cometeu em suas premiações. Tudo bem que levou 6 estatuetas pra casa (diretor, roteiro, fotografia, montagem, trilha sonora e figurino em preto-e-branco), mas perdeu a principal para o insosso "Sinfonia de Paris" (e isso em um ano que tinha entre seus concorrentes o igualmente fenomenal "Uma rua chamada pecado", de Elia Kazan).
"Um lugar ao sol" é uma brilhante adaptação do extenso romance "An american tragedy", de Theodore Dreiser, que originalmente se passa nos anos 20. Ao transferir a ação para os anos 50, Stevens criou não só um belo melodrama romântico mas também um retrato feroz e nada delicado de um mundo em constante desequilíbrio social, que empurra os indivíduos além de seus códigos de ética e conduta. Seu protagonista, o jovem e ambicioso George Eastman não é apenas um anti-herói que se torna vítima de seu desejo de ascensão social: ele é também e principalmente a imagem do americano médio, que, nos primeiros anos do pós-guerra se vê dividido entre o que é certo moralmente e o que é necessário para se atingir um nível decente de vida.
George Eastman (vivido magistralmente por Montgomery Clift em seu mais icônico papel) é um jovem pobre que, fugindo de uma vida sem recursos ao lado da mãe, uma mulher religiosa ao extremo, vai trabalhar na empresa de confecções de seu tio. Lá, ele conhece e começa a namorar uma colega de trabalho, a simplória Alice (Shelley Winters). A proximidade com a família milionária de seu tio, cercada de luxo e glamour, logo passa a despertar seu desejo de ascensão social, que fica ainda mais acentuado quando ele se apaixona pela bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor). Milionária, ela representa,para o rapaz acostumado com a mediocridade de uma vida sem maiores recursos, o brilho de uma existência sem preocupações financeiras. As coisas se complicam quando Alice revela que está grávida e passa então, por sua cabeça, livrar-se dela e consequentemente de seus problemas.
Ao contrário do que faria cinco anos depois com seu grandiloquente "Assim caminha a humanidade", que fotografava a vasta amplidão do Texas quase como um personagem a mais, em "Um lugar ao sol" George Stevens usa e abusa dos closes, criando tanto uma atmosfera claustrofóbica quanto extremamente calorosa. É impressionante como a mesma técnica funciona de maneiras tão distintas no filme. Quando George está com Angela a proximidade da câmera sublinha de forma inequívoca um sentimento inebriante de paixão, de amor, de urgência (e ajuda muito a beleza impressionante de Taylor, aos 17 anos e em seu primeiro papel adulto). Quando as cenas do protagonista são com Alice a mesma distância quase inexistente da câmera dá a plena sensação de sufoco, de falta de ar, de escuridão, como se estivéssemos assistindo tudo através dos olhos torturados de Eastman. Não é à toa que a fotografia de William C. Mellor arrebanhou o Oscar, tal é a sua importância em transmitir em imagens os pensamentos de seu protagonista.

O protagonista, aliás, merece um parágrafo à parte. Que belo personagem é George Eastman! Dividido entre a responsabilidade de uma paternidade indesejada - e a consequente mediocridade de uma vida da qual deseja fugir desesperadamente - e a possibilidade de uma vida longe de seu passado miserável - ao lado da mulher que verdadeiramente ama - ele é sem dúvida um dos mais complexos protagonistas do cinema dos anos 50. A escolha de Montgomery Clift para interpretá-lo foi uma jogada de gênio. Com seu belo rosto a serviço de uma personalidade torturada, Clift (um dos atores mais subapreciados de Hollywood, sempre sendo relegado a segundo plano em comparações com Marlon Brando e James Dean) oferece ao público um trabalho primoroso, onde transmite com igual competência assombro, paixão, desespero e angústia, sem nunca deixar de ser, nas cenas finais, o mesmo homem simplório e deslumbrado das primeiras. Uma tour de force das mais inspiradas do cinema, fascinante e de partir o coração.
"Um lugar ao sol" merece seu status de um dos melhores filmes de todos os tempos. Além do roteiro preciso, da fotografia perfeita e da sublime direção de George Stevens, contar com duas atrizes como Elizabeth Taylor e Shelley Winters para coadjuvar Montgomery Clift não é pra qualquer um. Cada uma dentro do seu estilo, elas representam os diferentes mundos que disputam a alma do protagonista. Linda, etérea e fascinante, Taylor veste Edith Head (figurinista de quem tornou-se grande amiga) com uma naturalidade invejável. E como imagem da mediocridade, Winters é insuperável, chegando a justificar o desejo homicida de George.
Obrigatório em todos os sentidos, "Um lugar ao sol" é uma influência ainda nos dias de hoje, como bem o comprova Woody Allen que o emula com maestria em "Match point". Feito há quase 60 anos, a obra de George Stevens se mantém tão atual hoje em dia quanto na época de seu lançamento, tamanha a genialidade que grita em cada fotograma.
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