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quarta-feira

REVELAÇÃO

 


REVELAÇÃO (What lies beneath, 2000, 20th Century Fox/DreamWorks Pictures, 130min) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Clark Gregg, história de Clark Gregg, Sarah Kernochan. Fotografia: Don Burgess. Montagem: Arthur Schmidt. Música: Alan Silvestri. Figurino: Susie DeSanto. Direção de arte/cenários: Rick Carter, Jim Teegarden/Karen O'Hara. Produção executiva: Joan Bradshaw, Mark Johnson. Produção: Jack Rapke, Steve Starkey, Robert Zemeckis. Elenco: Harrison Ford, Michelle Pfeiffer, Miranda Otto, James Remar, Diana Scarwid, Katharine Towne. Estreia: 18/7/2000

Em 2000, quando dirigiu "Revelação", o cineasta Robert Zemeckis já tinha no currículo uma comédia adolescente ("Febre de juventude"), um clássico da ficção científica juvenil ("De volta para o futuro" e suas continuações), um marco na interação entre live action e animação ("Uma cilada para Roger Rabbit"), um vencedor de múltiplos Oscar ("Forrest Gump: o contador de histórias") e uma adaptação de Carl Sagan ("Contato"). Faltava ainda exercitar seu músculo hitchcockiano e a oportunidade chegou na pausa das filmagens de "Náufrago" - enquanto Tom Hanks sofria para emagrecer o necessário para a segunda etapa dos trabalhos do filme que lhe daria mais uma indicação à estatueta, Zemeckis mergulhou em seu desejo de assustar os espectadores com uma trama que mistura fantasmas, assassinatos... e um Harrison Ford deixando de lado a persona heroica para dar vida a um personagem no mínimo dúbio. 

A um custo estimado de cem milhões de dólares - recuperado facilmente nas bilheterias ao redor do mundo, seduzido pela presença de Ford e da estrela Michelle Pfeiffer -, "Revelação" é uma exibição das técnicas de Zemeckis como diretor, um filme repleto de jogos de câmera, cortes rápidos, uso generoso da trilha sonora e exploração inteligente do som e da fotografia. Mas é, também, um filme com sérios problemas de roteiro e um desfecho atolado em clichês - problemas disfarçados por uma embalagem luxuosa proporcionada pelo orçamento milionário e por seus astros fotogênicos. Pfeiffer, linda e exuberante, brilha a maior parte do tempo - mesmo quando o roteiro apela para explicações sobrenaturais pouco críveis para uma trama que se propõe séria. Ford, por sua vez, só é devidamente aproveitado na segunda metade da história - mas não consegue fugir do tom monocórdio da maioria de seus trabalhos que não Indiana Jones. A dupla de atores - escolhas únicas do cineasta desde a concepção do projeto - apresenta uma química interessante que vai crescendo a cada sequência, mas ambos esbarram na preferência de Zemeckis em abusar de seus virtuosismos visuais em detrimento da consistência da história que deseja contar.

 

"Revelação" gira em torno do casal Spencer. Ele, Norman, é um cientista respeitado que tenta desesperadamente fugir da sombra do pai, igualmente prestigiado pela comunidade. Ela, Claire, é uma violoncelista que abandonou a carreira para cuidar do marido e da filha e que, um ano depois de um violento acidente de carro, se vê diante da solidão causada pela viagem de sua filha adolescente à universidade. Sozinha e entediada, Claire começa a acreditar que seu vizinho (James Remar) assassinou a esposa (Miranda Otto), a quem testemunhou chorando através da cerca de sua propriedade. Tal certeza coloca seu casamento em crise - agravada ainda mais quando a bela dona-de-casa passa também a ouvir vozes misteriosas e sentir presenças ameaçadoras em sua bela casa à beira de um lago de Vermont. Norman tem certeza de que sua esposa está passando por uma séria crise de nervos, mas a situação muda completamente quando tais eventos começam a remeter à identidade de uma jovem estudante desaparecida - cujo destino parece intimamente ligado à mansão dos Spencer.

A história concebida pelo também ator Clark Gregg - que coescreveu o roteiro com Sarah Kernochan - apresenta várias possibilidades para o espectador, mas infelizmente não consegue equilibrá-las a contento. Ao mesclar uma narrativa policial tradicional com elementos do mais puro terror sobrenatural, o filme parece derrapar em dois gêneros que, em mãos mais seguras, podem ser complementares - mas que sob o comando de Zemeckis nem sempre conseguem dialogar entre si. De talento mais que comprovado, o cineasta perde a mão ao enfatizar o suspense visual e deixar de lado o desenvolvimento de seus personagens - talvez mais uma homenagem a Hitchcock, que privilegiava a manipulação dos nervos do público através de artifícios narrativos visuais e sonoros. Em especial no ato final, a tensão assume um protagonismo tal que a trama em si soa ainda mais insignificante, como se servisse unicamente como vitrine das peripécias estilísticas de seu diretor. No final das contas, "Revelação" se mostra um filme de suspense acima da média, mas que fica aquém do talento de seu time - ao menos em termos de roteiro e consistência.

quinta-feira

BUSCA FRENÉTICA


BUSCA FRENÉTICA (Frantic, 1988, Warner Bros, 120min) Direção: Roman Polanski. Roteiro: Roman Polanski, Gérard Brach. Fotografia: Witold Sobocinski. Montagem: Sam O'Steen. Música: Ennio Morricone. Figurino: Anthony Powell. Direção de arte/cenários: Pierre Guffroy. Produção: Tim Hampton, Thom Mount. Elenco: Harrison Ford, Emmanuelle Seigner, Betty Buckley, John Mahoney, Gérard Klein. Estreia: 19/02/88

Nada como, depois de um fracasso de proporções homéricas, voltar às origens para recuperar, se não o caminho das bilheteria, ao menos boa parte do prestígio acumulado em décadas de sucesso. Dois anos depois do fiasco irrecuperável de "Piratas" (1986) - que custou cerca de 40 milhões de dólares e rendeu menos de dois ao redor do mundo -, a carreira de Roman Polanski precisava urgentemente de um filme que resgatasse o respeito da crítica e relembrasse ao público o cineasta por trás de obras impecáveis como "O bebê de Rosemary" (1968) e "Chinatown" (1974). Nada mais natural, então, do que recorrer ao gênero que fez dele um dos mais importantes realizadores europeus de sua geração: de volta à Paris onde filmou seu clássico "O inquilino" (1976) e munido de intenções hitchcockianas, Polanski atingiu parte de seus objetivos. Apesar de não ter se tornado o grande êxito comercial esperado pela Warner Bros, sua primeira colaboração com a futura mulher Emmanuelle Seigner (com quem se casaria em agosto de 1989) o reconciliou com a maioria da crítica e mostrou que abandonar a grandiosidade e abraçar o minimalismo foi sua melhor opção.

Não é preciso ser graduado em Cinema para perceber que a inspiração de "Busca frenética"" - em termos temáticos e visuais - é o mestre do suspense Alfred Hitchcock. Com uma trama que remete diretamente a "A dama oculta" (1938), sequências que homenageiam obras como "Janela indiscreta" (1953) e a indefectível loura misteriosa que foi marca registrada de boa parte de sua filmografia , o filme de Polanski recorre até mesmo a um dos truques preferidos do cineasta britânico: o infame mcguffin - aqui representado por um artefato capaz de detonar armas nucleares (!!). Tal artifício até chega a incomodar de tão pueril, mas é fato que, até que se descubra os motivos por trás do desaparecimento da esposa do protagonista (interpretado por um apático Harrison Ford, provavelmente responsável por boa parte da repercussão popular do filme), a produção envolve e intriga na medida certa, aproveitando as ruas escuras de uma Paris bem menos acolhedora do que nos cartões postais mas charmosa o bastante para desfilar com beleza pelas lentes da fotografia do veterano polonês Witold Sobocinski - colaborador de nomes como Andrzej Wajda e Krysztof Zanussi. Percorrendo becos inferninhos, a câmera nervosa de Sobocinski mergulha o público em uma trama onde tudo parece perigoso e todos parecem suspeitos de algum crime inconfessável.

 

A trama começa com a chegada de Richard Walker (Harrison Ford) à Paris. Acompanhado da mulher, Sondra (Betty Buckley), ele está na capital francesa para uma conferência profissional, mas o casal tem também a intenção de reviver os bons momentos que passaram na cidade em sua lua-de-mel. Seus planos começam a dar errado quando Sondra simplesmente desaparece do quarto de hotel enquanto o marido está no chuveiro. Completamente perdido - não sabe falar francês e não tem a menor ideia do que pode ter acontecido com a esposa -, Walker tampouco recebe ajuda das autoridades locais, pouco interessadas em sua história. Depois de tentativas quase infrutíferas de investigar por conta própria, o médico descobre que o sumiço de Sondra está ligado a uma troca de malas ocorrida ainda no aeroporto - e tal descoberta o leva até Michelle (Emmanuelle Seigner), uma bela jovem que pode estar de posse do objeto procurado pelos sequestradores, que tem ligações com um grupo com intenções de controlar armas nucleares. Juntos, Walker e Michelle partem em busca de uma forma de resgatar Sondra e evitar uma tragédia maior, já que a polícia aparenta estar mais preocupada em desbaratar a quadrilha do que manter a mulher do médico viva.

A trama rocambolesca e com ares de aventura obsoleta de James Bond é o calcanhar de Aquiles de "Busca frenética". Roman Polanski é um diretor com o dom de buscar sempre ângulos desconfortáveis e criativos para enfatizar suas ideias frequentemente claustrofóbicas, mas acaba tropeçando em um roteiro - coescrito com o parceiro Gérard Brach - frequentemente confuso e sem foco bem definido. A presença de Emmanuelle Seigner soa gratuita a maior parte do tempo e a atuação de Harrison Ford, morna e indiferente, prejudica a empatia com seu personagem - que foi cogitado para cair nas mãos de Nick Nolte, William Hurt e Kevin Costner. Salva-se a primeira metade, intrigante, algumas sequências interessantes e até mesmo a presença magnética de Seigner. No mais, é um Polanski mais palatável ao gosto médio (ou seja sem maior personalidade) e menos marcante. Um supercine de luxo!!

domingo

O FUGITIVO

O FUGITIVO (The fugitive, 1993, Warner Bros, 130min) Direção: Andrew Davis. Roteiro: Jeb Stuart, David Twohy, história de David Twohy, personagens criadas por Roy Huggins. Fotografia: Michael Chapman. Montagem: Don Brochu, David Finfer, Dean Goodhill, Dov Hoenig, Richard Nord, Dennis Virkler. Música: James Newton Howard. Figurino: Aggie Guerard Rodgers. Direção de arte/cenários: Dennis Washington/Rick Gentz. Casting: Amanda Mackey, Cathy Sandrich. Produção executiva: Keith Barish, Roy Huggins. Produção: Arnold Kopelson. Elenco: Harrison Ford, Tommy Lee Jones, Sela Ward, Julianne Moore, Joe Pantoliano, Andreas Katsulas, Jeroen Krabbe. Estreia: 06/8/93

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Som, Efeitos Sonoros
Vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones)
Vencedor do Golden Globe de Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones)

Dentre os indicados ao Oscar de Melhor Filme de 1993, um estranho no ninho disputava a estatueta contra dramas sérios e socialmente relevantes, como "A lista de Schindler" e "Em nome do pai". Inspirado em uma série transmitida pela TV americana nos anos 60, "O fugitivo" era o representante, no ano, dos filmes-entretenimento que tanto faziam sorrir os produtores hollywoodianos - vale lembrar que "Jurassic Park" não teria muitas chances na categoria principal. Estrelado pelo "astro do século" Harrison Ford e dirigido pelo pouco conhecido Andrew Davis, "O fugitivo" não só concorreu ao Oscar e rendeu mais de 180 milhões de dólares nas bilheterias, mas foi também o pontapé inicial de uma tendência da segunda metade da década: as adaptações para o cinema de seriados televisivos - tendência esta que originou, entre outros, o bem-sucedido "Missão impossível".

"O fugitivo" já começa bem, sem muita enrolação. Nos primeiros minutos de filme, enquanto se desenrolam os créditos iniciais, Richard Kimble (intepretado com a habitual falta de emoção de Harrison Ford), um médico respeitado de Chicago, é acusado do assassinato da esposa (Sela Ward), julgado e condenado à morte. No caminho para o presídio, um acidente com o ônibus que o transportava (e a outros presos) lhe possibilita uma fuga espetacular. Enquanto foge do obstinado agente federal Sam Gerard (Tommy Lee Jones), ele tenta provar sua inocência, procurando descobrir o paradeiro do real criminoso, um homem com uma prótese no lugar de um dos braços.

Diretor de filmes de ação descerebrados como "Nico, acima da lei" e "Força em alerta", ambos estrelados por Steven Seagal, Andrew Davis encontrou em "O fugitivo" o material ideal para carimbar seu passaporte em direção ao respeito crítico. Mesmo que não se detenha em trabalhar psicologicamente suas personagens - o que, no caso, não faz muita diferença - ele consegue ser eficiente a ponto de não permitir descanso à plateia. Do primeiro ao último minuto de projeção não há um único momento fraco ou dispensável. Todas as cenas de ação apresentadas por Davies são fabulosas e excepcionalmente dirigidas, equilibrando com maestria ação e suspense. E, ao contrário de muitos filmes do gênero, que utilizam de sequências repletas de adrenalina com o intuito único de disfarçar a fragilidade de sua história, aqui a coisa é bem diferente: cada passo dado por Kimble impulsiona a trama em direção a uma resolução que agrada pela coerência e pela surpresa.

E as cenas orquestradas por Davis são de tirar o chapéu: do acidente do ônibus que transportava Kimble até o tiroteio final - passando por um inacreditável salto em uma barragem e por perseguições em uma parada e dentro de uma delegacia - tudo é realizado com grande competência, empolgando até mesmo o mais cético dos espectadores. Logicamente a presença de Ford no papel central colabora muito para isso: dono de uma persona icônica e inconfundível, o eterno Indiana Jones conquista a simpatia de todos logo no início do filme - o que, levando-se em consideração a quase preguiça dramática do ator é algo surpreeendente. O público acredita em qualquer exagero que o filme possa cometer, desde que o herói seja Ford. Por isso, não deixa de ter sido um golpe de sorte o fato de as primeiras escolhas para o papel terem desistido do projeto: provavelmente Kevin Costner, Alec Baldwin ou Andy Garcia não teriam feito o filme ter tido o mesmo desempenho comercial...



Também interessante - e inteligente da parte do roteiro - foi ter criado um carismático antagonista: Sam Gerard não é apenas um policial correndo atrás de um foragido da justiça. É um homem obstinado, dono de uma tenacidade a toda prova e que acredita, mais do que tudo, em fazer bem feito o seu serviço. A ele não importa se Kimble é culpado ou não - e ele o diz textualmente em um de seus encontros com o protagonista: ele tem como missão capturá-lo e levá-lo de volta à prisão, só isso. E para tal, não mede esforços, chegando a disfarçar-se de mendigo em determinado ponto do filme. São sensacionais os momentos em que Kimble e Gerard ficam frente a frente - e ver o policial chegar tão perto de executar sua missão sem conseguí-lo é igualmente divertido. No entanto, a interpretação de Tommy Lee Jones, ainda que correta, não justifica todo o auê que causou. O Oscar de ator coadjuvante que ele abocanhou - em um ano em que Ralph Fiennes e John Malkovich eram seus rivais, pelos filmes "A lista de Schindler" e "Na linha de fogo", respectivamente - possivelmente se deve à popularidade de sua personagem, que inclusive protagonizou uma espécie de sequência realizada alguns anos depois, "U.S. Marshals, os federais".

Resumindo, "O fugitivo" foi o filme certo na hora certa - um fator determinante para o sucesso de qualquer projeto. Divertido e empolgante, é tecnicamente perfeito - a edição, a trilha sonora e os efeitos sonoros são estupendos - e um dos melhores filmes policiais dos anos 90. Para assistir com um balde de pipocas nas mãos.

segunda-feira

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Presumed innocent, 1990, Warner Bros, 127min) Direção: Alan J. Pakula. Roteiro: Frank Pierson, Alan J. Pakula, romance de Scott Turow. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Evan Lottman. Música: John Williams. Figurino: John Boxer. Direção de arte/cenários: George Jenkins/Carol Joffe. Casting: Alixe Gordin. Produção executiva: Susan Solt. Produção: Sydney Pollack, Mark Rosenberg. Elenco: Harrison Ford, Brian Dennehy, Raul Julia, Bonnie Bedelia, Greta Scacchi, Paul Winfield, Bradley Whitford, Jesse Bradford, Joseph Mazzello, Jeffrey Wright. Estreia: 27/7/90

Publicado em 1988, o livro "Acima de qualquer suspeita", escrito pelo advogado Scott Turow, transformou-se imediatamente em um fenômeno de vendas. Sua prosa inteligente, que desvendava os meandros da justiça americana, aliada a uma intrigante história policial, encantou milhares de leitores e não demorou para que vários estúdios de Hollywood disputassem seus direitos a peso de ouro. A Warner Bros foi quem se deu melhor na guerra e, com o veterano Alan J. Pakula - de "Todos os homens do presidente" - no comando e Harrison Ford no papel principal, não tinha como dar errado. Mas, ao assistir-se à adaptação cinematográfica do best-seller de Turow, fica-se com a clara impressão de que certo também não deu.

"Acima de qualquer suspeita" tem todos os ingredientes de que um bom filme policial precisa para conquistar a audiência: uma trama coerente e recheada de pistas falsas, suspeitos interessantes e um final surpreendente, além de um algo a mais que sempre faz a diferença em termos comerciais: um grande astro. No entanto, a interpretação apática de Harrison Ford como o protagonista Rusty Sabitch, em vez de ajudar, apenas atrapalha o que já não é tão bom como poderia. Somado à direção anêmica de Pakula, o trabalho de Ford deixa bastante claras suas deficiências como ator em um papel que poderia render muito mais nas mãos de um Michael Douglas, por exemplo.

Rusty Sabitch (vivido no piloto-automático por Ford) é um bem-sucedido promotor público de Nova York que tem sua vida transformada quando é escalado por seu mentor (Brian Dennehy) para investigar o violento assassinato de Carolyn Polhemus (Greta Scaachi), sua colega de promotoria. Bela, ambiciosa e pouco afeita a coisas como ética e sentimentalismos, Carolyn foi estuprada e morta a golpes na cabeça e Rusty, em sua investigação, começa a descobrir as sujeiras por trás dos cargos públicos de sua profissão - além de particularidades pouco lisonjeiras sobre a vítima, com quem teve um tórrido e obsessivo caso extra-conjugal. As investigações sofrem uma reviravolta, no entanto, quando todas as pistas levam a um principal suspeito do crime: o próprio Rusty. Sem o apoio de seus superiores, ele conta apenas com a ajuda do talentoso advogado Sandy Stern (Raul Julia) e da esposa, Barbara (Bonnie Bedelia).

É difícil acreditar que um cineasta competente como Alan J. Pakula pôde ter errado a mão de maneira tão errônea quanto aqui. "Acima de qualquer suspeita" é um filme policial preguiçoso, que não dá à sua audiência o gostinho de brincar de detetive nem ao menos conta com consistência a história de seu protagonista, envolvido em uma trama rocambolesca e um caso de amor frustrado. Nem mesmo a chocante (para quem não leu o livro) revelação final consegue empolgar o público, em parte graças à absoluta falta de vontade do elenco. Com a gloriosa exceção de Raul Julia - que faz o que pode com o pouco que lhe dá o roteiro mal adaptado - ninguém no filme está além de corriqueiro ou banal - quando não está simplesmente péssimo, como é o caso de Greta Scaachi, que, de posse de um papel crucial, não faz mais do que piscar os olhos para mostrar que está interessada romanticamente em alguém ou fechar a cara para dizer o contrário.

É uma pena que "Acima de qualquer suspeita" - um belo livro policial, bem escrito e com coerência rara - não tenha tido uma adaptação mais bem-sucedida. Frustrante para os fãs do livro e para os entusiastas do gênero, é um pálido exemplar, se comparado à sua origem literária e ao currículo de seu diretor.

sábado

INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA


INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (Indiana Jones and the last crusade, 1989, Paramount Pictures, 127min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam, história de George Lucas, Menno Meyjes. Fotografia: Douglas Slocombe. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Joanna Johnston, Anthony Powell. Direção de arte/cenários: Elliot Scott/Peter Howitt. Casting: Maggie Carter, Mike Fenton, Valorie Massalas, Judy Taylor. Produção executiva: George Lucas, Frank Marshall. Roteiro: Robert Watts. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Allison Doody, River Phoenix, John Rhys-Davies. Estreia: 24/85/89

3 indicações ao Oscar: Trilha Sonora Original, Som, Efeitos Sonoros
Vencedor do Oscar de Efeitos Sonoros

Um dos maiores problemas encontrados por Hollywood quando se trata de realizar continuações de seus maiores sucessos de bilheteria chama-se criatividade. Dificilmente sequências de filmes bem-sucedidos encontram equilíbrio entre crítica e público, afundando em auto-referências e o pior de tudo, preguiça. Felizmente Steven Spielberg pode ser considerado tudo, menos sem criatividade e preguiçoso. Talvez por isso "Indiana Jones e a última cruzada", terceiro capítulo da saga do mais famoso arqueólogo do cinema tenha conseguido o feito de agradar a gregos e troianos - diferentemente da segunda parte, que foi considerada violenta demais para o público infanto-juvenil. Desta vez, Spíelberg não errou a mão em nada: a receita tem muita ação, bom humor, um pouco de romance e o melhor de tudo, duas novidades empolgantes no elenco.

Rejeitando a regra que diz que não se mexe em time que está ganhando, o diretor acrescentou à vitoriosa fórmula dos filmes anteriores duas aquisições de gerações diferentes, visando atingir todas as faixas de público: o veterano Sean Connery e o jovem River Phoenix juntam-se a Harrison Ford, Denholm Elliot e John Rhys-Davies em duas horas de um entretenimento saudável, divertido e que não deve absolutamente nada a seus predecessores. "Indiana Jones e a última cruzada" é uma digna exceção à regra que dita que continuações são sempre sofríveis.


A trama de "A última cruzada" se passa três anos depois das aventuras do primeiro filme. O nazismo ainda é uma ameaça à paz mundial e Indiana Jones recebe a missão de encontrar mais um artefato religioso que pode conceder poderes sobrenaturais. Enquanto no primeiro capítulo ele corria atrás da Arca Perdida que continha os Dez Mandamentos, desta vez ele precisa localizar o Cálice Sagrado utilizado por Cristo na última ceia, objeto que, segundo a lenda, pode dar a imortalidade a seu dono. Intrigado com a possibilidade, logo ele se vê praticamente obrigado a embarcar na aventura, ao descobrir que seu pai, Henry Jones (vivido por Connery) desapareceu em vias de saber a exata localização do ambicionado cálice.

Assim como nas aventuras anteriores de Indiana Jones, o público é brindado com um filme que, a despeito de suas sequências de ação ininterruptas, não descuida em momento algum do roteiro, repleto de diálogos saborosos e inteligentes. Ao eleger novamente como vilões os nazistas, Spielberg e cia mais uma vez acertam o alvo - o Mal como entidade não poderia ser melhor representado, afinal. Sem que muito sangue seja derramado - pelo menos em frente às câmeras - o Bem triunfa, como convém ao estilo escapista criado pelo cineasta em "Os caçadores da Arca Perdida" e meio esquecido em "O templo da perdição". Ao resgatar o espírito mais leve da primeira aventura de Jones, "A última cruzada" resgata também o bom-humor que lhe fazia falta. E para isso, a escalação de Sean Connery mostrou-se providencial.

Escalado até mesmo como forma de homenagem aos filmes de 007 que inspiraram a criação da personagem Indiana Jones, Connery rouba as cenas em que aparece, como um pai jovial, conquistador e tão dado a aventuras quanto o filho. O fato dos dois dividirem a atenção da mesma mulher (interpretada por Alisson Doody) é sintomático. Aqui, Indiana Jones não é o centro das atenções: ele divide tudo com seu progenitor.

E é impossível negar também o excelente prólogo criado para explicar alguns detalhes da biografia do protagonista. Na pele de River Phoenix, Jones aos 16 anos sofre o acidente que lhe deixa a cicatriz no queixo, encontra pela primeira vez seu famoso chicote e passa a sofrer de seu conhecido terror de cobras. Como uma espécie de preparação para a série de TV "O jovem Indiana Jones" (injusto fracasso), esses primeiros quinze minutos são a cereja de um bolo saboroso e que deixa um gostinho de quero mais - infelizmente esse mais viria somente quase vinte anos depois...

sexta-feira

UMA SECRETÁRIA DE FUTURO


UMA SECRETÁRIA DE FUTURO (Working girl, 1988, 20th Century Fox, 113min) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Kevin Wade. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Sam O'Steen. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Patrizia Von Brandenstein/George DeTitta. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Robert Greenhut, Laurence Mark. Produção: Douglas Wick. Elenco: Melanie Griffith, Harrison Ford, Sigourney Weaver, Joan Cusack, Alec Baldwin, Kevin Spacey, Philip Bosco, Oliver Platt, Olympia Dukakis, David Duchovny. Estreia: 20/12/88

6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Mike Nichols), Atriz (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Joan Cusack, Sigourney Weaver), Canção ("Let the river run")
Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original ("Let the river run")
Vencedor de 4 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz Comédia/Musical (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Sigourney Weaver), Canção Original ("Let the river run")


Tess McGill é uma trintona que mora em Nova Jersey e trabalha como secretária na ilha de Manhattan. Com dificuldades de manter-se nos empregos que arruma, ela vive um romance fogo brando com o seu eterno namorado Mick (Alec Baldwin) e passa suas noites frequentando festinhas suburbanas ao lado da melhor amiga, Cyn (Joan Cusack). No entanto, sua sorte muda quando ela começa a trabalhar no escritório de Kathryn Parker (Sigourney Weaver), que divide com ela a ambição de subir na vida. Tess McGill não é um exemplo ético. Tess McGill é a protagonista de "Uma secretária de futuro", a mais bem-sucedida comédia romântica do diretor Mike Nichols desde "A primeira noite de um homem". Cotada para ser vivida por Michelle Pfeiffer, Geena Davis, Carrie Fisher, Kim Basinger, Kathleen Turner, Debra Winger, Diane Lane e Sarah Jessica Parker, ela acabou nas mãos de Melanie Griffith, que aproveitou a chance com tudo e acabou finalista ao Oscar de melhor atriz.

Quando "Uma secretária de futuro" começa, Tess McGill está saindo de um emprego insatisfatório e começando a trabalhar como secretária de Kathryn, uma mulher linda e bem-sucedida que não hesita em roubar descaradamente uma ideia de Tess, envolvendo a compra de uma emissora de rádio. Ao descobrir a traição da chefe - quando ela fica fora da cidade devido a um acidente de esqui - a ambiciosa secretária resolve dar a volta por cima. Passando-se por executiva, ela conta com a ajuda do atraente Jack Trainer(Harrison Ford) para conquistar seu lugar ao sol. Sua farsa, no entanto, corre o risco de ser desmascarada quando ela descobre que justamente que o homem por quem está perdidamente apaixonada é também amante de sua patroa.


"Uma secretária de futuro" não é exatamente um filme brilhante, como alguns dos filmes assinados por Mike Nichols (em especial "A primeira noite" e "Closer, perto demais"). Mas tem um charme oitentista que conquista desde os créditos de abertura (ao som da canção de Carly Simon vencedora do Oscar) até o visual exagerado tanto da protagonista em suas primeiras cenas quanto das coadjuvantes - é engraçado reparar na clara divisão entre o kitsch anos 80 do figurino e dos penteados das suburbanas secretárias e do requinte clean da classe "superior". Sigourney Weaver, em especial, esbanja beleza e classe, metida em vestidos caríssimos e vivendo em um apartamento chique, enquanto Tess e suas amigas habitam um mundo quase escuro - matizado apenas pela maquiagem sempre acima do básico.

"Uma secretária de futuro" é também o auge da carreira de Melanie Griffith, uma atriz sem maiores talentos dramáticos que, depois de uma vida regada a drogas e álcool, se reergueu artisticamente aqui. Depois de algumas escolhas equivocadas posteriores - a saber "A fogueira das vaidades", de Brian de Palma e "Uma luz na escuridão", ao lado de Michael Douglas - ela voltou a seu quase anonimato, sendo notícia quase sempre devido a seu casamento com o ator espanhol Antonio Banderas. Na pele de Tess, no entanto, Griffith - filha da atriz Tippi Hedren, de "Os pássaros" - brilha, em uma atuação discreta, eficiente e envolvente. Por incrível que pareça é ela que dá luz ao filme, mesmo dividindo cenas com as sensacionais Weaver e Joan Cusack - ambas indicadas ao Oscar de coadjuvante.

"Uma secretária de futuro" é a cara de seu tempo, pro bem e pro mal. Lançado em um momento em que as mulheres buscavam desesperadamente seu espaço no mercado de trabalho e o movimento yuppie estava em seu apogeu - é dessa época a famosa frase de Gordon Gekko em "Wall Street" que dizia que "ganância é bom!" -, foi o filme certo no momento certo. Daí talvez sua reputação um tanto exagerada - inclusive como finalista ao Oscar de melhor filme. É uma comédia romântica interessante - ainda que não seja exatamente uma comédia rasgada - e que retrata com ironia e condescendência um importante momento social e econômico americano, sem apelar para lições de moral. Divertido e simpático! O que mais se espera de um filme assim?

PS - E de quebra, "Uma secretária de futuro" conta com uma participação pequena de Kevin Spacey, no início de uma brilhante carreira.

segunda-feira

A TESTEMUNHA


A TESTEMUNHA (Witness, 1985, Paramount Pictures, 112min) Direção: Peter Weir. Roteiro: Earl W. Wallace, William Kelley, história de William Kelley, Pamela Wallace, Earl W. Wallace. Fotografia: John Seale. Montagem: Thom Noble. Música: Maurice Jarre. Direção de arte/cenários: Stan Jolley/John Anderson. Casting: Dianne Crittenden. Produção: Edward S. Feldman. Elenco: Harrison Ford, Kelly McGillis, Lukas Haas, Danny Glover, Josef Sommer, Viggo Mortensen, Patti LuPone. Estreia: 08/02/85

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Peter Weir), Ator (Harrison Ford), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte
Vencedor de 2 Oscar: Roteiro Original, Montagem

Em 1985, Harrison Ford estava na crista da onda. Na pele de Han Solo e Indiana Jones, ele lotava cinemas mundo afora e arrancava suspiros da ala feminina do público. O que lhe faltava então, a aceitação da crítica e o respeito de seus pares, chegou até ele através de um policial honesto, sério e dedicado chamado John Book, que, como protagonista do filme "A testemunha", lhe proporcionou inclusive uma inédita - e até hoje única - indicação ao Oscar de melhor ator.

Dirigido pelo australiano Peter Weir, "A testemunha" é um drama policial com toques românticos que conquistou a plateia justamente pelo perfeito equilíbrio entre esses gêneros, além de acrescentar à receita um interesse extra: o modo de vida dos amish, um grupo religioso que vive em um mundo à parte, indiferente aos avanços da tecnologia. Ao contrário de aparecer em cena como coadjuvantes folclóricos e/ou exóticos, eles são parte essencial da narrativa, ao mesmo tempo empolgante e terna concebida pelos roteiristas premiados com o Oscar da categoria.

A história de "A testemunha" começa com um violento assassinato ocorrido no banheiro masculino de uma estação de trens. Dois homens cortam a garganta de um terceiro e o crime tem apenas uma testemunha: o pequeno Samuel (Lukas Haas) assiste ao homicídio escondido e assustado. Quem é escalado para interrogá-lo é justamente o John Book vivido por Harrison Ford, um policial solitário e esforçado que, de caçador passa ao status de caça quando descobre que os responsáveis pelo crime são dois colegas de delegacia corruptos. Para recuperar-se de um tiro e proteger sua pequena testemunha, Book esconde-se em uma comunidade hamish - totalmente isolada da "civilização", sem telefone, televisão ou mesmo luz elétrica - e acaba se envolvendo na rotina de seus moradores. Para complicar ainda mais as coisas, ele se apaixona por Rachel (Kelly McGillis), a bela mãe de Samuel, recentemente viúva.


É fascinante observar a maneira como o roteiro consegue entrelaçar a trama policial com a história de amor entre Book e Rachel, sem jamais deixar de lado o choque entre culturas, que é o que lhe dá o sabor especial. A primeira metade do filme se concentra em estabelecer os perigos que irão perseguir os protagonistas - e para isso conta com as atuações excelentes de Danny Glover e Brent Jennings. A segunda parte se dedica a mostrar as relações de John Book com uma cultura completamente oposta à sua, com a bela Rachel e com o encantador Samuel, que vê nele a figura paterna de que necessita depois da morte do pai. E apesar da história policial ser forte o bastante para justificar um filme inteiro, é o encontro entre o cosmpolita detetive com a comunidade hamish que fica na memória da plateia.

A química entre Harrison Ford e Kelly McGillis é responsável pelo sucesso da história de amor contada em "A testemunha". A tensão sexual existente entre os dois é palpável e jamais chega sequer perto da vulgaridade - apesar de McGillis mostrar os seios em uma bela cena, são os olhares repletos de desejo trocados entre o casal que falam mais forte do que o único beijo que os une, já na reta final da projeção. Também é de destacar-se a sequência em que eles dançam no celeiro, que transmite mais paixão e desejo do que horas e horas de closes de corpos suados e ofegantes.

Dono de um invejável equilíbrio entre todas as suas linhas narrativas e de um casal de protagonistas bonito e talentoso, "A testemunha" mereceu todo o sucesso conquistado - chegou mesmo a concorrer aos Oscar de filme e direção. Pode não ser o melhor filme de Harrison Ford, mas deu a ele a oportunidade de provar que é bem mais do que um arqueólogo galã.

terça-feira

INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO


INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO (Indiana Jones and the temple of doom, 1984, Paramount Pictures, 118min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Willard Huyck, Gloria Katz, história de George Lucas. Fotografia: Douglas Slocombe. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Anthony Powell. Direção de arte/cenários: Elliot Scott/Peter Howitt. Casting: Jane Feinberg, Mike Fenton, Marci Liroff, Mary Selway Buckley. Produção executiva: George Lucas, Frank Marshall. Produção: Robert Watts. Elenco: Harrison Ford, Kate Capshaw, Jonathan Ke Quan, Amrish Puri. Estreia: 23/5/84

2 indicações ao Oscar: Trilha Sonora, Efeitos Visuais
Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais


Depois do monumental sucesso de bilheteria de “Caçadores da Arca Perdida” só mesmo uma pessoa extremamente fosse pouco afeito a dar continuidade a suas obras (é bom lembrar que isso foi antes de "Jurassic Park"...) Mas como o personagem central do filme, o arqueólogo Indiana Jones se prestava a novas aventuras por que não utilizá-lo em mais um espetacular passeio de montanha-russa? A partir desse raciocínio bastante esperto surgiu "Indiana Jones e o templo da perdição", que utilizava inclusive ideias deixadas de lado no filme original.

A nova aventura de Jones se passa antes da primeira e como o filme original, começa com uma cena sem ligação direta com a história que vem adiante. A seqüência inicial se passa na Shangai de 1939, onde Spielberg brinca de dirigir um musical e apresenta a personagem feminina da vez, Wllie Scott, vivida por Kate Capshaw, que será não apenas o interesse romântico do herói mas também a responsável pelo alívio cômico de uma obra, que, ao contrário do primeiro filme, tem cenas bastante violentas e tensas, o que acabou prejudicando seu desempenho nas bilheterias, afinal crianças também vão aos cinemas, certo?

E são crianças o centro da trama, dessa vez. Indo parar em um vilarejo indiano graças um de seus vários desafetos, Indiana Jones acaba sendo confundido como um enviado de Deus para recuperar as crianças do local, aprisionadas em um templo, hipnotizadas e maltratadas por um assustador seguidor de uma seita que exige sacrifícios humanos. Acompanhado de Willie e de seu fiel seguidor, o pequeno Short Round (Ke Huy Quan), Jones entra em cena disposto a ajudar no que for preciso e presenteia a platéia com algumas das melhores seqüências que o cinema de entretenimento pode proporcionar. Enquanto “Caçadores da Arca Perdida” tinha um ar mais despretensioso e alma de matiné, “Indiana Jones e o Templo da Perdição” pega pesado em cenas assustadoras e de uma tensão palpável. Felizmente os momentos de humor são suficientes para aliviar e não tornar uma diversão familiar em um filme de horror.


Criticado por seu tom sombrio, "O templo da perdição" não tem medo em mostrar uma violência que em "Caçadores" era apenas imaginada e mostrada de forma escapista e com censura livre. Aqui, o vilão arranca o coração das vítimas com as próprias mãos, crianças são chicoteadas impiedosamente e todos os perigos que os protagonistas encaram soam realmente arriscados. A fantasia divertida é substituída por uma tensão constante e o que isso acrescenta em qualidade tira em alcance. O próprio Spielberg não gosta muito do resultado final de "Perdição", preferindo lembrar dele como o responsável por seu contato com Kate Capshaw, com quem viria a se casar tempos depois. Capshaw, inclusive, é a responsável por proporcionar o alívio cômico através do qual o público respira entre cenas extremamente empolgantes para os fãs dos filmes de ação.

"Indiana Jones e o templo da perdição" não é tão delicioso de se assistir quanto "Os caçadores da arca perdida" - até mesmo sua fotografia acompanha a escuridão que permeia o roteiro. Mas surpreende pela ousadia em não se deixar levar pela mesmice e não fica nada a dever ao primeiro em termos técnicos. Digamos que é o irmão mais sério de "Os caçadores"...

sábado

BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDROIDES


BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDROIDES (Blade Runner, 1982, Warner Bros, 117min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: Hampton Fancher, David Peoples, conto "Do androids dream of eletric sheep?", de Philip K. Dick. Fotografia: Jordan Cronenweth. Montagem: Gillian L. Hutsching. Música: Vangelis. Figurino: Michael Kaplan, Charles Knode. Direção de arte/cenários: Lawrence G. Paull/Linda DeScenna. Casting: Jane Feinberg, Mike Fenton, Marci Liroff. Produção executiva: Hampton Francher, Brian Kelly. Produção: Michael Deeley. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, Daryl Hannah, M. Emmet Walsh, Joanna Cassidy. Estreia: 25/6/82

2 indicações ao Oscar: Direção de arte, Efeitos Visuais

Definitivamente, quando o assunto é cinema, o tempo é um santo remédio. Quando estreou nos EUA, em 1982, o filme "Blade Runner, o caçador de androides" foi um fiasco de bilheteria (mesmo estrelado pelo Indiana Jones em pessoa Harrison Ford) e praticamente expulso das salas de exibição devido a críticas negativas. Mesmo tornando-se cult por parte do público, entraria para a história como um dos maiores fracassos da história se, no final da década não fosse descoberta a cópia de uma outra versão do filme, sem as interferências do estúdio no trabalho de seu diretor, Ridley Scott. Essa nova versão tornou-se quase uma lenda urbana, e dez anos depois de sua estreia, voltou às telas de cinema e finalmente recebeu os aplausos que sempre mereceu. Hoje já é reconhecido como uma das obras-primas de seu gênero.

Gênero, aliás, é algo não extremamente rígido em se tratando de "Blade Runner". Apesar de ser nitidamente uma ficção científica - com tudo que isso lhe dá de direito - a visão de Scott (vindo direto do sucesso de "Alien, o oitavo passageiro") dialoga diretamente com os filmes noir que fizeram a glória do cinema americano dos anos 40. Tudo devido ao excelente roteiro inspirado livremente no conto "Do androis dream of eletric sheep?", de Philip K. Dick, que mistura elementos de uma trama policial a uma visão distópica da sociedade do futuro. Passado na Los Angeles de 2019 (ao contrário do conto original, que situava sua trama em 1992), "Blade Runner" mostra uma Terra ultrapovoada, úmida e claustrofóbica que há muito já coloniza outros planetas, através de escravos criados com as principais características humanas, mas com sua força e agilidade redobradas. Esses robôs são chamados "replicantes" e um motim deles deflagra uma caçada violenta e impiedosa, uma vez que suas mortes não são chamadas de assassinato e sim de "aposentadoria". Essa rebelião faz com que um grupo de replicantes volte à Terra e um antigo caçador de androides, Deckard (Harrison Ford) seja chamado para eliminá-los. Em seu caminho, ele conhece a bela Rachael (Sean Young), secretária da imponente Tyrrell Corporations - que fabrica os replicantes - e se apaixona por ela, mesmo sabendo que ela não é humana. Ao mesmo tempo que lida com isso, ele chega mais e mais perto do líder da rebelião dos robôs, o temido Roy Batty (Rutger Hauer) e passa a questionar sua missão.


O mais impressionante no resultado final de "Blade Runner" é que, qualquer que seja a versão a ser assistida ele continua sendo magicamente fascinante. A narração em off da versão lançada em 1982, mesmo sendo desprezada por Harrison Ford, acrescenta um toque a mais de noir à trama e só peca por seu final feliz exigido pela Warner. A versão do diretor é mais "artística", com o acréscimo de alguns detalhes que fomentam a discussão crucial do filme: afinal de contas Deckard era ou não um replicante, também? Nenhuma conclusão definitiva pode ser considerada, uma vez que nem mesmo os criadores do filme chegam a um consenso. É preciso ver, rever e examinar com cuidado cada cena criada por Scott e companhia para que se tente chegar a um veredicto. Mas será que isso realmente importa?

"Blade Runner", mais do que um filme sobre um homem caçando androides em um futuro nada auspicioso, é uma bela reflexão sobre os elementos que fazem o ser humano ser "humano", sobre a liberdade, sobre o amor e principalmente sobre a ambição dos homens em brincar de Deus. Ao inserir filosofia em uma trama que normalmente passaria como uma ficção científica com o objetivo de arrecadar fortunas, o inglês Ridley Scott brindou os fãs de cinema com um um filme de uma perenidade inegável. A bela trilha sonora de Vangelis, sua direção de arte high-tec mas nunca exagerada e a fotografia quase palpável de Jordan Cronenweth o elevam acima do corriqueiro. E não deixa de ser saudável perceber que, no mesmo ano em que "ET" - um filme puramente de entretenimento que utilizava elementos de ficção científica para emocionar sem exigir demais do cérebro - foi lançado, tenha chegado às telas um petardo como este, que não apenas faz pensar como ainda não busca a emoção fácil.

"Blade Runner" é, sim, uma obra-prima. Independente da leitura que se faça de suas intenções, é um filme que conseguiu sair do limbo dos fracassos comerciais para o paraíso do reconhecimento tardio. Afinal, nunca é tarde para reconhecer-se erros de julgamento...

segunda-feira

OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA


OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (Raiders of the lost ark, 1981, Paramount Pictures, 115min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Lawrence Kasdan, história de George Lucas e Philip Kaufman. Fotografia: Douglas Slocombe. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Deborah Nadoolman. Direção de arte/cenários: Norman Reynolds/Michael Ford. Casting: Jane Feinberg, Mike Fenton, Mary Selway. Produção executiva: Howard Kazanjian, George Lucas. Produção: Frank Marshall. Elenco: Harrison Ford, Karen Allen, Paul Freeman, Ronald Lacey, John Rhys-Davies, Denholm Elliot, Alfred Molina. Estreia: 12/6/81

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Steven Spielberg), Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte, Som, Efeitos Visuais
Vencedor de 4 Oscar: Montagem, Direção de arte, Som, Efeitos Visuais

Quando criança, Steven Spielberg adorava aqueles filmes de ação em capítulos que passavam nos cinemas e que tinha como mocinho um herói imbatível e corajoso que vivia se metendo em situações impossíveis de contornar, mas dos quais, como personagem de cinema escapista que era, conseguia sair-se são e salvo. Foi pensando nesses super-heróis humanos e quase verdadeiros que Spielberg criou Indiana Jones, o protagonista de “Os caçadores da Arca Perdida”, filme que pode ser descrito sem medo como o melhor filme de ação de todos os tempos.

Indiana Jones, vivido com propriedade e estilo por um Harrison Ford que ficou com o papel depois que Tom Selleck viu-se obrigado a declinar do mesmo por causa da série de TV “Magnum”, é um arqueólogo que complementa sua renda como professor universitário. Em 1936, conceituado em sua profissão, ele é procurado para encontrar a Arca da Aliança, que, segundo reza a lenda, abriga as Tábuas da Lei, ou seja, os Dez Mandamentos da lei de Deus. Tudo seria razoavelmente fácil se a Arca também não fosse cobiçada pelos nazistas, uma vez que o artefato religioso dá poderes totais a quem a possui. Contando com a ajuda de sua ex-namorada Marion (Karen Allen), que ainda nutre por ele um amor disfarçado de desprezo e raiva, Jones parte para o deserto da África em busca de sua missão. Na sua cola, seu maior rival, o ganancioso Belloq (Paul Freeman).

Alucinante desde sua primeira seqüência, onde Spielberg apresenta o personagem de Jones e com um ritmo impecável, “Os caçadores da Arca Perdida” é o exemplo perfeito de um filme de aventura para toda a família. Sem deixar de preocupar-se com a qualidade do roteiro e com a história que é contada, o diretor mal dá tempo para o público respirar entre uma correria e outra e ainda entrega diálogos engraçados e bem escritos, cortesia de Lawrence Kasdan (diretor do noir “Corpos ardentes”). Contando ainda com efeitos visuais eficientes e utilizados nos momentos certos, Spielberg dá uma aula de como fazer entretenimento de qualidade sem deixar de lado inteligência e personalidade.

É impressionante como Kasdan (que contou com uma pequena ajuda de George Lucas) e Spielberg conseguem captar a essência de um estilo próprio (os filmes seriados dos primórdios do cinema) e fazê-lo tornar-se de uma atemporalidade inquestionável. Dificilmente algum espectador de "Caçadores..." poderá reclamar de seu ritmo (uma vez que a ação não para em momento algum), de sua inteligência (a trama se sustentaria até mesmo como um filme de espionagem), de seu senso de humor (há piadas sutis realmente engraçadas e não forçadas) ou de seu visual (a produção é caprichada e de extremo bom-gosto). Até mesmo a violência da história é velada, o que o faz também indicado a um público bastante jovem (para o que o carisma de Ford, no papel mais marcante de sua carreira apenas colabora com uma felicidade ímpar).

Indicado para o Oscar de melhor filme, “Caçadores da Arca Perdida” perdeu a estatueta para o inglês “Carruagens de fogo”, mas saiu da cerimônia com cinco prêmios, todos amplamente merecidos: direção de arte, montagem, som, efeitos sonoros e efeitos visuais. Cinema escapista de primeira linha, a aventura de Indiana Jones merece o sucesso que fez. Pena que nem todos filmes de ação são assim

quarta-feira

APOCALYPSE NOW


APOCALYPSE NOW (Apocalypse now, 1979, United Artists/Miramax, 202min) Direção e produção: Francis Ford Coppola. Fotografia: Vittorio Storaro. Montagem: Lisa Fruchtman, Gerald B. Greenberg, Walter Murch. Música: Carmine Coppola e Francis Ford Coppola. Direção de arte/cenários: Dean Tavoularis/George R. Nelson. Casting: Terry Liebling, Vic Ramos. Elenco: Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duvall, Dennis Hopper, Sam Bottoms, Laurence Fishburne, Harrison Ford. Estreia: 10/5/79

8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Francis Ford Coppola), Ator Coadjuvante (Robert Duvall), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de arte, Som
Vencedor de 2 Oscar: Fotografia, Som
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes: Melhor Filme
Vencedor de 3 Golden Globes: Diretor (Francis Ford Coppola), Ator Coadjuvante (Robert Duvall), Trilha Sonora


Alguns filmes tem bastidores tão ou mais interessantes do que o produto que chega às telas dos cinemas. Um exemplo óbvio dessa afirmação é "Apocalypse now", que, lançado no festival de Cannes de 1979 tornou-se o primeiro - e até hoje único - filme a abocanhar a Palma de Ouro sem estar terminado. E se for levado em consideração que as filmagens começaram em 1976 nas Filipinas e que foram mais turbulentas que a própria guerra do Vietnã que retrata, percebe-se claramente que a adaptação livre de Francis Ford Coppola do livro "O coração das trevas", de Joseph Conrad é uma das mais problemáticas que se tem notícia. O inferno, no entanto, nesse caso, levou ao paraíso. Eleito em 2007 pelo American Film Institute como o 30º melhor filme da história, além de frequentar com assiduidade as listas dos melhores de qualquer instituição especializada em cinema, "Apocalypse now" é um dos filmes mais importantes realizados em Hollywood, e uma prova do poder de fogo de seu diretor.

Cheio de moral graças ao sucesso merecido dos dois primeiros capítulos da série "O poderoso chefão", Coppola viajou para as Filipinas - mesmo indo contra os conselhos de Roger Corman - para transformar a África do livro de Conrad no Vietnã, cuja guerra estava recém acabada e ainda dolorosamente na vida dos americanos. Seu plano era passar seis semanas filmando. Acabou passando 16 meses de crises pessoais, atrasos no cronograma, estouro de orçamento, imprevistos técnicos e artísticos e principalmente graves problemas de saúde - o ator principal, Martin Sheen, chegou a ter um enfarte (aos 36 anos), devidamente escondido dos executivos que produziam o filme. A epopeia de Coppola em realizar seu filme acabou devidamente registrado por sua esposa, Eleanor, que em 1991 lançou o documentário "O apocalipse de um cineasta", um precioso retrato de uma das mais complicadas filmagens da história do cinema.


Antes que Coppola assumisse o posto de diretor, "Apocalypse now" correu o sério risco de ser assinado por um George Lucas pré-"Star Wars", até que a demora em sua produção acabou empurrando o filme para seu colo. A demora em encontrar um protagonista - Steve McQueen, Al Pacino, Jeff Bridges e um entusiasmado Nick Nolte foram cogitados - seria o menor dos problemas que Coppola iria enfrentar. Mesmo com a saída de Harvey Keitel (substituído por Martin Sheen), as coisas não davam a impressão de que iriam transformar-se no rolo compressor que se tornaram; Sam Bottoms fez a maioria de suas cenas chapado (de speed, LSD ou maconha), Laurence Fishburne mentiu a idade para entrar no elenco(tinha apenas 14 anos), James Caan cobrou demais para participar (um jovem Harrison Ford assumiu seu papel) e Marlon Brando, escalado para o crucial papel de Kurtz foi provavelmente a causa maior do fato do cineasta ter pensado seriamente em suicídio.

A história de "Apocalypse now" começa em 1969. O capitão Benjamin Willard (Martin Sheen) recebe a missão (absolutamente secreta) de localizar, no Cambodja, o Coronel Kurtz (Marlon Brando), um genial e condecorado soldado americano que, alegam seus superiores, perdeu a sanidade mental e, liderando um grupo de nativos, vem armando atos de violência e terrorismo nas florestas asiáticas. Willard não apenas tem de encontrar Kurtz, mas também matá-lo. Acompanhado de um grupo de soldados, ele atravessa um rio que não conhece absolutamente - testemunhando atos enlouquecidos de guerra - e chega até as matas onde está seu alvo. Surpreendido e pego como refém, ele vê no homem que procura o retrato do absurdo do conflito.

Na pele do Coronel Kurtz, Marlon Brando mostra porque é um nome ímpar na história da sétima arte. Ao chegar às Filipinas muitos quilos mais gordo, careca e sem ter lido uma única linha do romance de Conrad, o ator despertou a ira de Coppola, mas é inegável que, no momento em que entra em cena, na escuridão planejada por Vittorio Storaro (vencedor do Oscar de fotografia), ele rouba o filme descaradamente. Recitando T.S. Elliot, assustadoramente perturbado e expressando física e psicologicamente os horrores da guerra, seu Coronel Kurtz imediatamente gruda no inconsciente do público como uma das performances mais fascinantes do cinema, dando sentido ao que antes parecia uma viagem alucinógena de Coppola e cia.

Mas afinal de contas, "Apocalypse now" é realmente uma obra-prima? Sim. E não. Sim, porque qualquer filme que apresentasse a atuação arrebatadora de Brando e a fotografia deslumbrante de Storaro e gravasse na memória da audiência sequências tão brilhantes como o ataque aéreo ao som da "Cavalgada das Valquírias", de Wagner mereceria o título. E não, porque obras-primas com falhas dificilmente podem ser chamadas assim. E "Apocalypse" tem algumas falhas. Entre os momentos de brilho absoluto encontram-se cenas simplesmente aborrecidas e lentas, que quebram o ritmo da narrativa - e nem mesmo a versão "Redux" lançada em Cannes em 2001 consegue salvar esses momentos. Seus trinta minutos finais - justamente aqueles em que Brando bota o filme no bolso, apesar do trabalho excelente de Martin Sheen, Dennis Hopper (como um fotógrafo de guerra) e Robert Duvall (como um militar metido a surfista) - compensam qualquer sono, mas ainda assim é um filme que requer mais paciência do que o habitual.

Claustrofóbico, lisérgico, aterrador... são palavras que descrevem o inferno imaginado por Francis Ford Coppola. Mas é a voz de Marlon Brando como Coronel Kurtz que nunca mais sai da mente da audiência: "O horror... o horror..." E dizem que este é o filme que mais perto chega da verdadeira guerra do Vietnã...

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...