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quinta-feira

MEU QUERIDO PRESIDENTE

 


MEU QUERIDO PRESIDENTE (The American president, 1995, Universal Pictures/Castle Rock Entertainment, 114min) Direção: Rob Reiner. Roteiro: Aaron Sorkin. Fotografia: John Seale. Montagem: Robert Leighton. Música: Marc Shaiman. Figurino: Gloria Gresham. Direção de arte/cenários: Lillu Kilvert/Karen O'Hara. Produção executiva: Charles Newirth, Jeffrey Stott. Produção: Rob Reiner. Elenco: Michael Douglas, Annette Bening, Michael J. Fox, Martin Sheen, Richard Dreyfuss, Samantha Mathis, Anna Deavere Smith, Shawna Waldron. Estreia: 08/11/95

Indicado ao Oscar de Trilha Sonora Original (Comédia ou Musical)

Às vezes tudo que um diretor de cinema precisa é de uma comédia romântica para demonstrar que também tem um lado menos denso - e de quebra deixar para trás um fiasco homérico. Depois que seu "O anjo da guarda" (1994) fracassou gigantescamente nas bilheterias e foi massacrado pela crítica, Rob Reiner percebeu que a forma de fazer as pazes com o público e com o sucesso seria retornar ao gênero que já havia lhe dado a oportunidade de criar um clássico contemporâneo. Sendo assim, seis anos depois que Meg Ryan entrou para a história fingindo um orgasmo em pleno restaurante lotado - em "Harry & Sally: feitos um para o outro" - uma nova história de amor inofensiva e elegante chegava às telas com sua assinatura, mas dessa vez, com um pequeno upgrade em relação a seus protagonistas: em vez de um casal normal no começo dos trinta anos e vivendo em uma fotogênica Nova York, os personagens principais de "Meu querido presidente" são uma lobista ambiental e um quarentão viúvo que é ninguém menos que o presidente dos EUA.

Andrew Sheperd (interpretado com charme por Michael Douglas) está chegando à segunda metade de seu mandato como presidente, com alto índice de aprovação do eleitorado e sem causar maiores problemas junto a seus correligionários do Partido Democrata. Eleito logo após a morte da esposa, vítima de câncer, Sheperd é visto como um pai dedicado (de uma filha pré-adolescente) e de uma integridade a toda prova - para desgosto de seu maior rival, o republicano Bob Rumson (Richard Dreyfuss), à espera de qualquer deslize para tentar suplantá-lo em uma nova e próxima eleição. A chance de ouro de Rumson chega quando entra em cena Sydney Ellen Wade (Annette Bening), uma competente e conhecida lobista lutando pela aprovação de uma lei a favor do meio-ambiente. Encantado pela inteligência e pela sensibilidade de Sydney, o presidente se deixa seduzir pela possibilidade de um novo romance - até que seus oponentes resolvem apelar para táticas pouco elogiáveis com o intuito de destruir suas chances de reeleição. Resta a ele decidir-se, então, pelo amor ou pelo poder.

Escrito por Aaron Sorkin - criador e roteirista da bem-sucedida série "The West Wing", que também trata dos bastidores da política norte-americana -, "Meu querido presidente" não tenta ser um retrato fiel dos meandros da Casa Branca e seus adendos. Pelo contrário, o filme de Reiner apresenta uma visão romântica e idealizada, quase a ponto de tornar-se maniqueísta: enquanto Sheperd é retratado como bom moço, honesto e incapaz de qualquer deslize deliberado, seu rival - vivido por Richard Dreyfuss nitidamente à vontade - é a epítome da política como algo venal, sujo e amoral. Entre os dois extremos, está a heroína de Annette Bening, mostrada como uma mulher independente, bem-sucedida e respeitada que, no entanto, não escapa de ser a típica protagonista de histórias de amor direcionadas aos fãs do gênero: mesmo tentando manter a pose de alguém que põe a carreira acima da vida pessoal, basta um encontro regado a belas roupas, boa bebida e uma rodada de dança para que suas prioridades entrem em xeque. São poucos os momentos em que Reiner (que conduz o filme com sobriedade mas nunca a ironia que se poderia esperar) deixa sobressair a argúcia característica da obra mais famosa de Sorkin - somente quando entram em cena os assessores de Sheperd, interpretados por Martin Sheen e Michael J. Fox, é que se pode reconhecer seu texto quase cínico (é de se imaginar como seria seu roteiro original, que contava com 385 páginas).

Indicado ao Oscar de melhor trilha sonora original (comédia ou musical), "Meu querido presidente" é um filme que, mesmo longe de ser brilhante, jamais subestima o espectador. Oferece um casal central extremamente simpático (Bening ficou com o papel para o qual foram consideradas Jessica Lange, Emma Thompson, Michelle Pfeiffer e Susan Sarandon), uma história sem sobressaltos ou ousadias temáticas e narrativas e uma atmosfera romântica e adulta rara em filmes comerciais de sua época - vale lembrar que foi o ano de blockbusters como "Toy story", "Pocahontas", Duro de matar 3" e "Ace Ventura 2", nenhum deles exatamente apropriado para quem desejava apenas sentir-se apaixonado ao entrar em uma sala de exibição. Delicado mas pouco memorável, ao menos serviu para deixar para trás o fracasso de "O anjo da guarda" - pelo menos até o filme seguinte de Reiner, "Fantasmas do passado", que também não foi exatamente um sucesso.

segunda-feira

DO JEITO QUE ELAS QUEREM


DO JEITO QUE ELAS QUEREM (Book club, 2018, June Pictures/Apartment Story/Endeavor Content, 104min) Direção: Bill Holderman. Roteiro: Bill Holderman, Erin Simms. Fotografia: Andrew Dunn. Montagem: Priscilla Nedd-Friendly. Música: Peter Nashel. Figurino: Shay Cunliffe. Direção de arte/cenários: Rachel O'Toole/Dena Roth. Produção executiva: Alan Blomquist, Ted Deiker. Produção: Andrew Duncan, Bill Holderman, Alex Saks, Erin Simms. Elenco: Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen, Mary Steenburgen, Andy Garcia, Craig T. Nelson, Don Johnson, Ed Begley Jr., Richard Dreyfuss, Wallace Shawn, Alicia Silverstone. Estreia: 17/5/2018

Em uma era que as aparências, a juventude e a popularidade nas redes sociais valem mais do que talento, é um alento perceber que ainda existe a possibilidade de se nadar contra a corrente mesmo na pouco ousada indústria de cinema de Hollywood. "Do jeito que elas querem" pode até não ter mudado a história da sétima arte ou a forma dos executivos enxergarem mulheres maduras como algo indesejável comercialmente, mas sua bilheteria internacional acima dos 100 milhões de dólares certamente demonstrou que, a despeito do pensamento comum, ainda existe espaço para filmes protagonizados por gente acima dos 60 anos de idade - principalmente quando esta gente é do calibre de Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen. São elas, do alto de seu carisma e de sua capacidade de extrair o melhor até mesmo de um roteiro bobo e quase superficial, o principal atrativo do filme de Bill Holderman - uma produção leve, divertida e que não tem medo de falar de um assunto tabu (sexo na maturidade) com a naturalidade de uma comédia adolescente. Pode até soar inverossímil em alguns momentos, mas é difícil não simpatizar com um elenco tão sensacional - que conta com participações luxuosas de Richard Dreyfuss, Andy Garcia e Don Johnson.

Filme de estreia de Holderman como diretor - como produtor seu currículo conta com obras que valorizam atores veteranos, como "O velho e a arma", que deu a Robert Redford, em 2018, um dos melhores papeis de sua carreira -, "Do jeito que elas querem" é, nitidamente, um veículo para o brilho cômico de suas estrelas, todas brilhantes e extremamente à vontade ao assumir a idade e seus efeitos colaterais na vida sexual. Tudo bem que todas são ricas (ou ao menos de classe média alta), sem problemas maiores a resolver e relativamente bem-sucedidas, mas isso não impede o público de rir de suas desventuras amorosas - e, dependendo do espectador (ou espectadora), atéomesmo identificar-se com algumas delas. Ao centrar sua trama em quatro personagens principais, o roteiro abarca diferentes tipos de relacionamentos e personalidades, e mesmo que não tente se aprofundar em nenhuma delas apresenta à plateia, de forma agradável e esteticamente sofisticada, um interessante painel sobre o amor na terceira idade.

Vivian (Jane Fonda) é uma empresária do ramo da hotelaria que tem uma vida sexual razoavelmente ativa mas que é incapaz de assumir um relacionamento sério - simplesmente não consegue dormir ao lado de um homem depois do sexo - até que reencontra um amor do passado, o músico Arthur (Don Johnson). Diane (Diane Keaton) ficou viúva recentemente e é pressionada pelas filhas casadas (uma delas vivida por Alicia Silverstone, musa dos anos 1990) para mudar de cidade e morar perto delas - sua preocupação é com sua segurança e sua saúde, como se ela fosse uma idosa inválida -, mas que se vê surpresa quando o charmoso piloto de avião Mitchell (Andy Garcia) se demonstra muito mais interessado nela do que se poderia imaginar. Sharon (Candice Bergen) é uma poderosa juíza que atravessa um período difícil depois da separação e do novo amor juvenil do ex-marido - e descobre que os sites de relacionamento podem esconder boas chances de realização sexual. E Carol (Mary Steenburgen) é uma dona-de-casa que tenta reacender a faísca amorosa do marido aposentado, Bruce (Craig T. Nelson). As quatro, amigas há décadas, se reúnem frequentemente em um Clube do Livro, onde falam de suas vidas e discutem literatura, embaladas por boas doses de vinho. Quando a obra escolhida é o polêmico "50 tons de cinza", todas elas se deixam influenciar pelo alto teor erótico da história e buscar dentro de si o melhor caminho para a felicidade a dois.


 Que não se espere maiores elocubrações intelectuais do roteiro, coescrito por Holderman e Erin Simms - atriz pouco conhecida e produtora do romântico "Nossas noites" (2017), que reuniu Jane Fonda e Robert Redford: a trama se contenta em aproveitar o talento de seu elenco para fazer rir enquanto derruba todo tipo de preconceito etário, mas jamais ambiciona discutir com seriedade o assunto. Seu objetivo é divertir o público com diálogos de duplo sentido, sequências de humor visual (o encontro de Craig T. Nelson com uma guarda de trânsito enquanto sofre os efeitos do Viagra é hilário), algum romantismo e momentos de pura comédia (o embate entre Candice Bergen e Richard Dreyfuss é delicioso). Não há a sofisticação de um Woody Allen. parceiro constante de Diane Keaton nos anos 1970, ou o engajamento dos filmes estrelados por Jane Fonda na mesma época, mas em compensação há a química precisa entre suas atrizes e a coragem da produção em apostar na experiência de seus intérpretes mesmo quando o senso comum da indústria privilegia efeitos visuais e orçamentos milionários. Além do mais, não tem preço rever o sempre ótimo Richard Dreyfuss - ainda que em um papel menor que seu talento - e testemunhar uma história que não relega mulheres com mais de 60 anos a tipos dramáticos e sofredores. 

Longe de problemas típicos de personagens de tal faixa etária - como o desprezo dos filhos, a deteriorização da saúde, a falta de oportunidades profissionais e a baixa autoestima -, as protagonistas de "Do jeito que elas querem" são festivas, alegres, independentes e donas do próprio nariz (e a mudança de tal status é o que move a personagem de Diane Keaton). Nada de lágrimas sofridas, reclamações doídas ou medo da morte. O roteiro brinca com a idade de suas heroínas de forma a envolver o espectador e fazê-lo rir de situações que, em mãos menos sutis, poderiam facilmente descambar para a vulgaridade e o mau gosto. Nenhuma atuação é digna de um Oscar e é pouco provável que o filme entre na lista dos preferidos da crítica, mas quem disse que só de obras-primas é feita a história do cinema? Se visto sem preconceitos - afinal é um "filme de mulher" -, "Do jeito que elas querem" é um programa dos mais divertidos.

quinta-feira

QUEREM ME ENLOUQUECER

QUEREM ME ENLOUQUECER (Nuts, 1987, Warner Bros, 116min) Direção: Martin Ritt. Roteiro: Tom Topor, Darryl Ponicsan, Alvin Sargent, peça teatral de Tom Topor. Fotografia: Andrzej Barkowiak. Montagem: Sidney Levin. Música: Barbra Streisand. Figurino: Joe Tompkins. Direção de arte/cenários: Joel Schiller/Anne McCulley. Produção executiva: Cis Corman, Teri Schwartz. Produção: Barbra Streisand. Elenco: Barbra Streisand, Richard Dreyfuss, Maureen Stapleton, Karl Malden, Eli Wallach, Leslie Nielsen, James Whitmore, Robert Webber. Estreia: 11/12/87

Quando "Querem me enlouquecer" estreou nos EUA, no final de 1987, já fazia quatro anos que o público não via Barbra Streisand nos cinemas. Em seu último filme, "Yentl" (83), ela havia assumido as múltiplas funções de diretora, roteirista, produtora, atriz e compositora das canções da trilha sonora, e sua ausência das telas era sentida pelos fãs e pela crítica, à espera de seu novo trabalho. Para surpresa de muitos, no entanto, a estrela multimídia retornou com menos ambição e em registro completamente diferente. Adaptado de uma peça de teatro de Tom Topor lançada em 1980 em Nova York, "Querem me enlouquecer" é um drama de tribunal que ofereceu à atriz uma chance de mostrar que nem só de comédias e musicais era feita sua carreira: com um pagamento recorde (à época) de cinco milhões de dólares, Streisand novamente acumulou cargos (atuou, produziu, compõs a trilha sonora e, dizem, colaborou no roteiro), mas deixou a direção a cargo de Martin Ritt e entregou-se de corpo e alma à sua personagem, dividindo a cena com um elenco de vencedores do Oscar que valorizam cada cena da produção.

O primeiro é Richard Dreyfuss - vencedor da estatueta por "A garota do adeus" (77). Primeira escolha para o papel do advogado Aaron Levinsky, Dreyfuss recusou o papel, cobiçado por nomes como Alan Arkin, John Malkovich e Sean Penn (!!) e obrigou a Warner a uma busca árdua para substituí-lo. Depois que Dustin Hoffman saiu definitivamente do projeto (devido a questões salariais e as famosas "diferenças criativas", nomes fortes foram cotados para fazer frente a Streisand. De Marlon Brando a Richard Gere - passando por Paul Newman, Al Pacino, Kevin Kline, Robert De Niro, Robert Duvall e Jeff Bridges -, parecia que qualquer ator com o mínimo de visibilidade estava na lista dos produtores. Quando finalmente Dreyfuss capitulou e assinou contrato, o filme não apenas teve um problema sério resolvido (a escalação de seu protagonista masculino), mas também ganhou em prestígio e popularidade - no mesmo ano, o ator era o principal nome da comédia policial "Tocaia", grande sucesso de bilheteria nos EUA. Dando continuidade a seu cuidado na escalação do elenco, os produtores ainda contaram com a presença de Maureen Stapleton (Oscar de atriz coadjuvante por "Reds", de 1981) e Karl Malden (vencedor por "Sindicato de ladrões", de 1954, também na categoria de coadjuvante). Malden, na pele do padrasto da personagem principal, ficou com um papel oferecido a veteranos como Kirk Douglas, Gregory Peck, Burt Lancaster e Robert Mitchum - e saiu-se muito bem em seu delicado papel, responsável pela desistência da Universal Pictures em produzir o filme.


Diante de alguns elementos polêmicos da trama de "Querem me enlouquecer", os executivos da Universal abandonaram o projeto, que seria dirigido por Mark Rydell e estrelado por Debra Winger, escolhida pelo diretor em detrimento de Streisand - já interessada em protagonizar o filme. Com a saída de Winger, não demorou para que o próprio Rydell também demonstrasse desinteresse pela produção. Era o que a atriz/cantora/produtora precisava para tomar as rédeas da situação: contratou Martin Ritt para a direção, ficou com o papel principal e encarou a controvérsia que fatalmente iria ser suscitada pelo filme. O resultado, se não foi um sucesso estrondoso de bilheteria, ao menos conquistou parte da crítica e chegou a ser indicado a três Golden Globes: melhor filme, ator e atriz. Dessa vez a Academia não se deixou encantar pelos dotes artísticos de Barbra, mas o espectador que passar por cima desse pequeno detalhe tem tudo para se deixar envolver com um drama de tribunal da melhor qualidade, com um texto inteligente, direção segura e interpretações inspiradíssimas - e que apresenta Leslie Nielsen em seu último papel dramático no cinema, antes de encarar de vez a persona mais popular de sua carreira, na série de filmes "Corra que a polícia vem aí".

A protagonista do filme é Claudia Draper, uma garota de programa de luxo que é presa logo depois de matar um cliente. Ela alega legítima defesa, mas sua família, para evitar um escândalo maior, decidem que declará-la mentalmente incapaz será mais eficaz. Revoltada com a decisão tomada sem seu consentimento, Claudia conta com a ajuda do defensor público Aron Levinsky (Richard Dreyfuss) garantir seu direito a um julgamento justo e imparcial - o que pode trazer à tona um passado repleto de traumas e segredos inconvenientes. Em sua luta, Levinsky bate de frente com médicos e promotores, além de brigar também (e principalmente) com a mãe e o padrasto de sua cliente, preocupados em ver seus nomes nas páginas policiais. O roteiro conduz com relativo equilíbrio a denúncia social e o suspense, oferecendo momentos de brilho para todos os seus ótimos atores, mas Martin Ritt peca em ser excessivamente convencional em sua narrativa e não dar a seu poderoso clímax a força que poderia dar. Apesar disso, "Querem me enlouquecer" é um drama de tribunal realizado com a seriedade e o talento apreciados pelos fãs do gênero, que não terão do que reclamar quando acabar a sessão - que mais uma vez prova a extensão do talento de sua atriz central.

segunda-feira

W.

W. (W., 2008, Lionsgate, 129min) Direção: Oliver Stone. Stanley Weiser. Fotografia: Phedon Papamichael. Montagem: Alexis Chavez, Joe Hutsching, Julie Monroe. Música: Paul Cantelon. Figurino: Direção de arte/cenários: Derek R. Hill/Mel Cooper. Produção executiva: Teresa Cheung, Elliot Ferwerda, Peter Graves, Johnny Honn, Christopher Mapp, Tom Ortenberg, Thomas Stertchi, Matthew Street, David Whealey, Albert Yeung. Produção: Bill Block, Moritz Borman, Paul Hanson, Eric Kopeloff. Elenco: Josh Brolin, James Cromwell, Richard Dreyfuss, Elizabeth Banks, Ellen Burstyn, Scott Glenn, Jeffrey Wright, Thandie Newton, Toby Jones, Jason Ritter, Noah Whyle, Ioan Gruffudd, Jesse Bradford. Elenco: 16/8/08 (Festival de Austin)


Levando-se em conta as simpatias democratas de Oliver Stone e sua falta de meias-palavras quando o assunto é política, não deixa de ser surpreendente o quanto “W.”, sua cinebiografia do presidente norte-americano George W. Bush, é relativamente suave e quase benevolente em relação ao protagonista. Tudo bem que o próprio cineasta já havia relutado em contar sua trajetória tão prematuramente – em 2004 ele mesmo declarou que ainda era muito cedo para perspectivas históricas sobre o então candidato à reeleição -, mas nada fazia prever que seu filme fugiria de maiores polêmicas, principalmente quando se trata do autor de obras tão inflamáveis quanto “JFK” (91) e “Assassinos por natureza” (94), que despertaram furor na crítica e no público. Contado de forma a não utilizar os artifícios narrativos comuns à filmografia de Stone, “W.” é uma biografia convencional, acadêmica e, por vezes, bastante tediosa. Nem de longe lembra os melhores momentos do diretor – ainda que conte com uma atuação surpreendente de Josh Brolin no papel central.

Substituindo Christian Bale – que abandonou o projeto pouco antes do começo das filmagens -, Brolin aproveitou-se de uma ótima fase de sua então renascida carreira para ser escolhido por Stone para viver Bush. Vindo dos sucessos de crítica “O gânster” e “Onde os fracos não tem vez” (ambos de 2007), o outrora astro juvenil demonstra segurança ímpar em dar vida a um personagem ambíguo, complexo e pouco carismático, mas que assumiu importância absoluta no comando dos EUA por dois mandatos consecutivos – e protagonizou algumas das passagens mais sombrias da história do país, como o atentado às Torres Gêmeas e a guerra a Saddam Hussein. Não necessariamente parecido fisicamente com Bush, o ator incorpora o personagem em sotaque, expressão corporal e maneirismos sutis – e brilha sempre que o roteiro lhe permite. Tem mais sorte que o restante do (vasto e conhecido) elenco, que parece estar em cena apenas como meros figurantes: apenas James Cromwell como George Bush pai tem chances de mostrar serviço, enquanto nomes como Ellen Burstyn (como Barbara Bush), Thandie Newton (Condoleeza Rice) e Richard Dreyfuss (o vice-presidente Dick Cheney) soam perdidos em meio à edição vai-e-volta (único resquício do velho Oliver Stone): Dreyfuss, inclusive, teve sérios problemas com o cineasta e nenhum deles parece disposto a repetir a parceria – talvez a primeira opção para o papel, Robert Duvall, fosse menos complicada para a produção.



Se em “Nixon” (95) o foco de Oliver Stone foi, como se poderia esperar, o escândalo Watergate (que servia como ponto de convergência para uma narrativa fora de ordem cronológica), em “W.” o cineasta escolhe como ponto de partida a crise estabelecida pelo trauma pós-11 de setembro, quando Bush se vê obrigado a lidar com a ameaça terrorista em pleno solo pátrio – e responder à altura de um líder de sua importância. O presidente precisa tomar a atitude certa, não apenas para demonstrar seu controle sobre a situação, mas também para conquistar o que mais lhe importa na vida: o aplauso de seu próprio pai. É essa odisseia de Bush – a busca pela aprovação e respeito paterno – a base do roteiro de Stanley Weiser: mais do que esmiuçar os bastidores da política americana, o filme de Oliver Stone investiga (sem maior profundidade, mas com respeito e sensibilidade quase inesperadas) a carência de seu protagonista e sua necessidade quase doentia de provar-se capaz aos olhos do pai. Por ele, o jovem Bush é capaz de abandonar a vida no Texas e partir rumo a Washington com a esposa, Laura (Elizabeth Banks), para ajudar em sua campanha para presidente – mas nem ele é motivo suficiente para demover o ambicioso político a desistir da candidatura a governador, alguns anos mais tarde. Essa dubiedade entre a vontade de agradar ao pai e a ambição de ascender ao poder é um dos pontos mais interessantes da trama, e é sublinhada por algumas belas tomadas de Bush flertando com seu sonho de tornar-se jogador de beisebol. Infelizmente o roteiro não se aprofunda nessa questão e nem tampouco em sua relação com Jeb (Jason Ritter), seu irmão caçula e principal responsável por sua imagem quase patética diante do pai. Quando juntos em cena, Josh Brolin e James Cromwell estão impecáveis, mas Stone perde a oportunidade de explorar com mais ênfase a relação entre os dois, sugerindo bem mais do que mostrando.

É impossível negar que “W.” é um produto com tudo de melhor que Hollywood pode oferecer: da fotografia inspirada de Phedon Papamichael à trilha sonora de Paul Cantelon, tudo funciona como deveria, todas as peças estão no devido lugar. O problema, para choque de todos, é justamente o que poderia ser maior trunfo: a direção de Oliver Stone. A quilômetros de distância de seus momentos mais provocativos, Stone parece estar no piloto automático, sem a contundência habitual ou até mesmo a ferocidade em questionar uma das personalidades mais controversas de sua geração. Não à toa, o filme passou em brancas nuvens tanto nas bilheterias quanto nas cerimônias de premiação, uma situação pouco comum na carreira do cineasta. Fica a impressão de um filme que tinha tudo para marcar época, mas que teve medo de explorar todas a sua potencialidade. Ainda que não seja ruim, é muito pouco perto do talento de seu realizador.

A GAROTA DO ADEUS

A GAROTA DO ADEUS (The goodbye girl, 1977, Warner Bros/MGM Pictures, 111min) Direção: Herbert Ross. Roteiro: Neil Simon. Fotografia: David M. Walsh. Montagem: John F. Burnett. Música: Dave Grusin. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Albert Brenner/Jerry Wunderlich. Produção: Ray Stark. Elenco: Richard Dreyfuss, Marsha Mason, Quinn Cummings, Paul Benedict, Barbara Rhoades. Estreia: 27/11/77

5 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Ator (Richard Dreyfuss), Atriz (Marsha Mason), Atriz Coadjuvante (Quinn Cummings), Roteiro Original
Vencedor do Oscar de Melhor Ator (Richard Dreyfuss)
Vencedor de 4 Golden Globes: Melhor Comédia/Musical, Ator em Comédia/Musical (Richard Dreyfuss), Atriz em Comédia/Musical (Marsha Mason), Roteiro 

Certamente o ano de 1977 significa um marco divisor na carreira de Richard Dreyfuss: não apenas ele estrelou o enorme sucesso de bilheteria "Contatos imediatos de terceiro grau" - dirigido por seu amigo Steven Spielberg - como esteve no topo do cartaz da primeira comédia romântica a chegar à marca de 100 milhões de dólares de bilheteria - e que, de quebra, lhe rendeu o Golden Globe e o Oscar de melhor ator na tenra idade de 30 anos de idade (um recorde que durou até 2003, quando Adrien Brody levou a estatueta para casa aos 29, por "O pianista"). Escrita pelo dramaturgo Neil Simon diretamente para o cinema - e reescrita em seis semanas depois que sua primeira tentativa de sair do papel falhou miseravelmente com a saída de Robert De Niro e Mike Nichols do projeto -, "A garota do adeus" é uma deliciosa história de amor, contada com sofisticação e o excepcional senso de ironia do autor, um dos mais consagrados nomes do teatro norte-americano. Indicado a cinco Oscar, incluindo melhor filme e roteiro original, é uma produção que mantém o frescor mesmo quarenta anos após seu lançamento - mérito principalmente do texto ágil, da direção precisa de Herbert Ross e da química rara entre seus protagonistas.

Inspirado, segundo consta, nos anos em que Dustin Hoffman (que esteve interessado no papel) lutava para vencer na carreira de ator, o roteiro de "A garota do adeus" sofreu profundas transformações entre o início de sua produção - com De Niro como astro e Nichols como diretor - até que finalmente chegasse às telas com Richard Dreyfuss e Marsha Mason no elenco e Herbert Ross na direção. Em uma situação rara na década de 70, seu estúdio, a Warner Bros, só concordou em levar o projeto adiante (depois da mudança da equipe) quando a MGM aceitou a proposta de dividir os custos do orçamento. Suas dúvidas em relação às possibilidades financeiras do filme tinham a ver com o fato de não haver nele um grande chamariz de bilheteria: apesar da presença de Dreyfuss no papel principal masculino (depois dos êxitos de "Tubarão" (75) e "Contatos imediatos" (77)), a produção não tinha as qualidades que estavam fazendo os grandes sucessos comerciais da época - a saber: efeitos visuais, campanhas agressivas de marketing, rostos consagrados e premiados. Mesmo quando o protagonista foi oferecido a Jack Nicholson e James Caan (ambos bastante populares), não havia, segundo o próprio Neil Simon, nada que fizesse crer que o filme fosse cair nas graças do grande público como, inesperadamente, aconteceu. Sucesso de bilheteria e crítica, "A garota do adeus" serviu como uma luva nos desejos da mesma plateia que havia lotado as salas de cinema meses antes com "Star Wars". A acolhida calorosa ao filme foi unânime - e o Oscar de melhor ator dado a Richard Dreyfuss foi apenas a cereja de um bolo muito saboroso.


Abraçado entusiasticamente também pelos eleitores do Golden Globe - que lhe deu as estatuetas de melhor filme, ator e atriz na subcategoria comédia/musical e roteiro -, "A garota do adeus" chegou ao Oscar com moral o suficiente para encarar de frente seus maiores (e mais poderosos) rivais, como o próprio "Star Wars", o grande vencedor do ano, "Noivo neurótico, noiva nervosa", e até mesmo um filme dirigido pelo mesmo Herbert Ross - "Momento de decisão", que apesar de chegar à cerimônia com pinta de favorito, saiu de mãos abanando. Concorreu a cinco prêmios - Ross foi indicado por "Momento de decisão", mas a pequena Quinn Cummings foi lembrada na categoria de atriz coadjuvante - e a vitória de Dreyfuss deixou para trás nomes como os de Richard Burton, Woody Allen  e Marcello Mastroianni. Não deixa de ser justo, uma vez que sua presença carismática é um dos pontos altos do filme - a própria Marsha Mason reconhece que Elliot Garfield, o ator tentando um lugar ao sol enquanto lida com uma surpresa inesperada em seu caminho, é um personagem muito mais interessante do que sua Paula McFadden, uma dançarina divorciada que, após o fim de seu último relacionamento, herda um problema que transforma radicalmente sua vida.

O nome do problema de Paula é Elliot Garfield, e ele é um ator ambicioso que chega em Nova York para estrelar uma montagem moderna de "Ricardo III", de Shakespeare - uma montagem pouco ortodoxa e de gosto duvidoso. Assim que chega no apartamento que locou de um amigo, ele descobre que o lugar já está ocupado: a própria Paula fica chocada ao perceber que tem poucos dias para sair do imóvel - mas acaba fazendo um trato com o jovem intruso, que aos poucos começa a conquistar a amizade de sua filha e até mesmo seu coração, ainda que ela tenha jurado a si mesma nunca mais se envolver com outro ator. O romance hesitante entre os dois é atrapalhado também pelas inconstâncias da carreira de Elliot e as batalhas de Paula. Com essa estória simples e sem maiores novidades, Herber Ross cativa a plateia com simpatia, se amparando nos diálogos inteligentes e bem-humorados de Neil Simon e na química entre Dreyfuss, Mason e a pequena Quinn Cummings - sempre em vias de roubar a cena. Uma sessão da tarde descompromissada e muito acima da média, "A garota do adeus" é uma espécie de precursor das comédias românticas estreladas por Meg Ryan na década de 90 - com um gostinho de nostalgia que acrescenta ainda mais tempero à receita. Diversão garantida!

terça-feira

TESTEMUNHA DO SILÊNCIO

TESTEMUNHA DO SILÊNCIO (Silent fall, 1994, Warner Bros, 101min) Direção: Bruce Beresford. Roteiro: Akiva Goldsman. Fotografia: Peter James. Montagem: Ian Crafford. Música: Stewart Copeland. Figurino: Colleen Kelsall. Direção de arte/cenários: John Stoddart/Patty Malone. Produção executiva: Gary Barber. Produção: James G. Robinson. Elenco: Richard Dreyfuss, Linda Hamilton, Liv Tyler, J.T. Walsh, John Lithgow, Ben Faulkner. Estreia: 28/10/94

Um dos atores mais populares da segunda metade dos anos 70 - quando protagonizou "Tubarão" (75) e "Contatos imediatos de terceiro grau" (77) e foi o mais jovem vencedor do Oscar na categoria principal até então, por "A garota do adeus" (77) - Richard Dreyfuss não teve a mesma sorte nas décadas seguintes, equilibrando bons filmes de más bilheterias ("Querem me enlouquecer", com Barbra Streisand, de 87 e "Além da eternidade", de Steven Spielberg, de 89, por exemplo), filmes agradáveis que fizeram sucesso de público ("Tocaia", de 1987 e "Nosso querido Bob", de 1991) e produções francamente ruins, que não chegavam nem perto de explorar todo o seu talento (a continuação de "Tocaia", lançada em 1993). Infelizmente, antes de tentar uma volta por cima com a indicação merecida ao Oscar de melhor ator por "Mr. Holland, adorável professor" (95), ele acrescentou mais um filme desnecessário à sua carreira. Com uma trama instigante e uma lista de créditos excitante - o cineasta Bruce Beresford, a atriz Linda Hamilton e a beldade Liv Tyler estreando no cinema - "Testemunha do silêncio" acabou decepcionando o público, a crítica e a Warner, que empatou 30 milhões de dólares em uma produção que não recuperou nem 10% do orçamento. E o pior é que a culpa nem é de Dreyfuss.

Por mais que esteja quase no piloto automático em sua atuação, Dreyfuss não pode ser responsabilizado pelo fracasso de "Testemunha de silêncio", dirigido de forma burocrática e sem emoção por Beresford - que sintomaticamente, cinco anos antes, viu seu "Conduzindo Miss Daisy" levar o Oscar de melhor filme sem que ele ao menos tivesse sido indicado. Seu personagem, o terapeuta infantil Jake Rainer, especializado em autismo infantil e traumatizado com o suicídio de um paciente em seu centro de tratamento, poderia ser rico em nuances, mas o roteiro de Akiva Goldsman - que oito anos depois também seria premiado pela Academia por "Uma mente brilhante" - parece não ter interesse em desenvolver a complexidade de seu protagonista, ilustrando seu drama com uma ou duas cenas ligeiras e alguns poucos diálogos com a esposa Karen (Linda Hamilton, subaproveitada ao máximo). O foco da trama - interessante, mas igualmente desenvolvido de forma capenga e quase inverossímil - é uma investigação policial na qual ele é envolvido a contragosto e que vai acabar por fazê-lo rever sua decisão de abandonar a medicina.


O filme começa quando Rainer é chamado pelo xerife Mitch Rivers (J.T. Walsh) - com quem tem uma antiga relação de amizade - à cena de um brutal assassinato ocorrido na pequena cidade onde vive. A princípio o médico não entende os motivos que o levaram a ser convocado à propriedade onde um casal de classe média alta foi violentamente atacado a facadas em seu quarto, mas a razão logo surge quando ele encontra o filho caçula do casal, Tim (o ótimo Ben Faulkner), coberto de sangue, com uma faca nas mãos e falando coisas desconexas. Fica claro que o menino é autista e testemunhou o crime, mas não é do interesse de Rainer fazer parte das investigações até que a bela Sylvie (Liv Tyler), filha mais velha das vítimas implora que ele os ajude. Percebendo que, caso se recuse a colaborar com seu tratamento à base de psicologia infantil o pequeno Tim cairá nas mãos de outro médico (John Lithgow), bem mais afeito a drogas do que a conversas, ele aceita o desafio. No meio do caminho, pistas e revelações levam a polícia para inúmeros caminhos na busca pelo assassino.

A história de "Testemunha do silêncio" é interessante, e o desfecho poderia surpreender, caso tudo não corresse de forma tão preguiçosa. O roteiro, como afirmado anteriormente, desperdiça a chance de equilibrar um filme policial tenso com um drama médico eficiente ao optar sempre pelas soluções mais fáceis - e menos críveis. A direção é fria e quadrada, sem buscar em seu elenco de bons atores - Dreyfuss, Hamilton, Lithgow - interpretações mais do que corretas. E, se o pequeno Ben Faulkner dá show vivendo o atormentado Tim, o mesmo não pode ser dito de Liv Tyler, que estreava no cinema na pele de sua irmã mais velha, Sylvie. Vinda do mundo do rock - é filha do vocalista da banda Aerosmith, Steven Tyler, e havia estrelado o videoclipe "Crazy", da banda do papai, ao lado da atriz Alicia Silverstone - Liv mostrou que realmente era uma mulher deslumbrante, mas desprovida de talento dramático em um papel-chave para a trama. Felizmente, com o tempo, ela melhorou bastante e hoje é uma atriz relativamente competente. Mas, diante de tantos erros cometidos por "Testemunha do silêncio" sua apatia fica ainda mais gritante. Uma pena.

quarta-feira

NOSSO QUERIDO BOB

NOSSO QUERIDO BOB (What about Bob?, 1991, Touchstone Pictures, 99min ) Direção: Frank Oz. Roteiro: Tom Schulman. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Anne V. Coates. Música: Miles Goodman. Figurino: Bernie Pollack. Direção de arte/cenários: Les Dilley/Anne Kuljian. Produção: Laura Ziskin. Elenco: Bill Murray, Richard Dreyfuss, Julie Hagerty, Charlie Korsmo, Kathryn Erbe, Tom Aldredge, Susan Willis. Estreia: 15/5/91

Um homem com sérios problemas psicológicos, incapaz de tomar a mais simples das decisões e abandonado até pelo próprio analista, começa um tratamento com um novo psiquiatra, reconhecido nacionalmente e autor de um livro em vias de tornar-se um best-seller. Quando toma conhecimento que o médico está saindo de férias, ele resolve perseguí-lo até sua casa de campo, utilizando-se de mentiras e artifícios nem sempre honestos para descobrí-lo e sua família. Sua intenção é uma só: obrigar-lhe a manter o tratamento a qualquer custo. Essa sinopse, lida a frio, pode servir a um belo suspense (lembra até o apavorante "Cabo do medo", de Martin Scorsese) ou a um drama comovente. Estrelado por Bill Murray na pele do dependente e psicótico paciente, porém, não chega a ser surpresa que "Nosso querido Bob" seja uma comédia. E, dirigida por um especialista do gênero, Frank Oz, uma das boas. Sucesso de bilheteria (rendeu mais de 60 milhões somente no mercado doméstico), marcou um período de grande popularidade para Murray nos EUA - que chegaria ao auge com o mega êxito de "Feitiço do tempo", em 1993.

Um dos grandes golpes de mestre do filme foi a escalação de Richard Dreyfuss para viver o ególatra Leo Marvin, o psiquiatra arrogante que tem sua vida virada pelo avesso pelo carente Bob Wiley, em uma brilhante atuação de Bill Murray. Ficando com o papel que esteve entre Patrick Stewart e Woody Allen, Dreyfuss faz uso de sua persona de ator sério - ainda que seu ápice, o Oscar por "A garota do adeus" (77), tenha sido por um papel cômico - para contrabalançar os exageros histriônicos de Murray. Tão engraçados quanto os surtos de Bob são as tentativas de Marvin de manter a integridade de sua família de comercial de margarina enquanto o mundo à sua volta praticamente desmorona. Rejeitado até mesmo pelos vizinhos - em especial um casal idoso que tinha esperanças de comprar a propriedade adquirida por ele - Marvin é o protótipo do analista judeu com olhos apenas para o próprio umbigo, e o ator tira de letra a missão, com um timing cômico equivalente ao de Murray, que, como era de se esperar, rouba cada cena como o irritante Bob.


Aliás, o trabalho de Murray como Bob é tão conectado à persona do ator que fica difícil de acreditar que a primeira escolha para o papel era Robin Williams, que saiu fora do projeto por estar terminando as filmagens de "O pescador de ilusões", que lhe renderia uma justa indicação ao Oscar: cada movimento de Murray parece ao mesmo tempo milimetricamente calculado e orgânico, mesmo quando não é o centro da cena. Seu talento valoriza cada diálogo do roteirista Tom Schulman - oscarizado pelo belo "Sociedade dos poetas mortos" (89) - que, por sua vez, não deixa pedra sobre pedra em sua crítica mordaz aos excessos da terapia. O livro de Leo Marvin, "Baby steps", por exemplo, é um deboche claríssimo às dezenas de obras de autoajuda que desde então são o flagelo da literatura médica séria e o próprio médico é uma sátira aos psiquiatras que se acham acima de todo e qualquer mortal. O contraste entre a seriedade de Richard Dreyfuss e o eterno ar aparvalhado de Bill Murray é a pedra fundamental do sucesso da comédia de Oz.

Mesmo que não tenha mudado a história do cinema e não seja um favorito na lista de qualquer cinéfilo, "Nosso querido Bob" tem a seu favor o deboche inteligente do roteiro, o elenco escalado com perfeição, a direção segura de Frank Oz e o senso de oportunidade impecável. Para quem quer rir sem compromisso, é o programa ideal - até mesmo porque as possibilidades de identificação (com o médico ou com o paciente) são bastante grandes.

domingo

LEMBRANÇAS DE HOLLYWOOD

LEMBRANÇAS DE HOLLYWOOD (Postcards from the edge, 1990, Columbia Pictures, 101min ) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Carrie Fisher, livro de sua autoria. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Sam O'Steen. Música: Carly Simon. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Patrizia Von Brandestein/Chris A. Butler. Produção executiva: Robert Greenhut, Neil Machlis. Produção: John Calley, Mike Nichols. Elenco: Meryl Streep, Shirley MacLaine, Dennis Quaid, Gene Hackman, Richard Dreyfuss, Rob Reiner, Annette Bening, Simon Callow, CCH Pounder, Oliver Platt, Michael Ontkean, Anthony Heald. Estreia: 14/9/90

2 indicações ao Oscar: Atriz (Meryl Streep), Canção Original ("I'm checking out")

Carrie Fisher foi ao inferno e voltou - com um humor mordaz e venenoso à tiracolo. A eterna Princesa Leia da cinessérie "Star Wars" - filha de um ícone (Debbie Reynolds), ex-mulher de outro (Paul Simon), ídolo de uma (ou provavelmente mais de uma) geração de nerds - Fisher enfrentou um perigoso vício em drogas e sobreviveu para contar sua história. Disfarçada sob o rótulo de ficção, sua trajetória para recuperar sua carreira, aprender a conviver com as idiossincrasias da mãe estrela de cinema e de quebra fazer uma dura e mordaz crítica aos bastidores da indústria do cinema americano chegou às livrarias com o título de "Postcards from the edge" ("Cartões postais do abismo", em tradução literal) e, mais tarde, como não poderia deixar de ser, apesar da ironia, chamou a atenção dos produtores de Hollywood (que, sabidamente, adoram ser retratados nas telas, por pior que seja tal retrato). Dirigido pelo ótimo Mike Nichols - acostumado a lidar com os melindres da terra do cinema - "Lembranças de Hollywood" acabou resultando em uma agridoce comédia dramática que mesmo em seus momentos mais sentimentais nunca abandona sua tendência ao sarcasmo - em boa parte porque o roteiro ficou a cargo da própria Fisher, especialista em transformar aridez em saborosos diálogos.

E diálogos furiosos banhados a humor não faltam na história de Suzanne Vale, a protagonista interpretada com verve cômica por Meryl Streep (que obviamente concorreu ao Oscar por seu desempenho repleto de frescor e ironia). Famosa mais por seu vício em drogas e por ser filha da excêntrica, querida e popular Doris Mann (Shirley MacLaine, esplêndida), ela é obrigada a fazer um tratamento de desintoxicação como cláusula para ser contratada para um filme que ela nem mesmo está tão empolgada a fazer. O problema do tratamento é, além daqueles normalmente inerentes a ele, é a obrigação de voltar a conviver com a mãe, uma mulher carismática, adorada pelo público e de cuja sombra ela vem tentando sair há anos. Com seus próprios problemas de vício - dessa vez em álcool - Mann não chega a ser um exemplo para a filha, mas a convivência, apesar de difícil, passa a ser responsável por uma aproximação entre elas, principalmente quando demônios e traumas passados vem à tona. Não bastasse tudo isso, Suzanne ainda se vê diante de seus problemas amorosos, em especial quando se encanta por um ator metido a conquistador, Jack Faulkner (Dennis Quaid).


Lotado de participações especiais - Richard Dreyfuss como seu médico, Gene Hackman como um cineasta com o coração bem menos duro do que aparenta, o cineasta Rob Reiner como um produtor - "Lembranças de Hollywood" é um retrato tão sincero dos bastidores do cinema comercial americano que incomodou alguns (Lana Turner não gostou nem um pouco de ter sido citada em uma cena que a qualificava como uma má mãe), trouxe lembrnças a outros (Liza Minnelli encontrou ecos de sua relação com Judy Garland no filme) e despertou cobiça em outros tantos (Janet Leigh queria fazer o filme com a filha Jamie Lee Curtis e a própria Debbie Reynolds se interessou em interpretar Doris Mann). A coragem de Fisher em expor-se e seu mundo é admirável, em especial quando se nota que em momento algum existe resquícios de autopiedade ou sentimentalismo. Como uma metralhadora giratória, o roteiro brinca com o egocentrismo dos cineastas e atores, com o mundo de aparências em que vivem e até mesmo com o perigo do vício em entorpecentes (em vias de morrer de overdose, Suzanne se vê em um corredor decorado com fotos de Judy Garland, Elvis Presley, James Belushi e Marilyn Monroe). Mas é na problemática/amorosa/inconstante relação entre mãe e filha que está o âmago do filme de Mike Nichols, e é onde estão também seus maiores trunfos: Meryl Streep e Shirley MacLaine.

Se foi Streep quem concorreu ao Oscar - e perdeu para Kathy Bates em "Louca obsessão" - é MacLaine quem rouba a cena com sua histriônica Doris Mann, uma atriz capaz de fazer um mini-show em sua casa na festa que dá para comemorar o retorno da filha de uma clínica de reabilitação e de dar uma entrevista coletiva ao sair do hospital depois de ter sofrido um acidente por dirigir bêbada como se estivesse saindo de um espetáculo na Broadway. Os duelos entre as duas - repleto de farpas, rancores e uma indisfarçável inveja (a filha inveja o talento da mãe, a mãe queria a juventude da filha) - estão entre os melhores momentos do filme, a ponto de o público ficar constantemente querendo ver mais e mais arranca-rabos entre as duas. Mesmo que a diferença entre as duas atrizes não ultrapasse quinze anos, não existe dúvidas de que Nichols não poderia ter feito escolhas melhores para suas protagonistas: elas iluminam e dão calor humano a um filme que, a despeito de tratar de um assunto aparentemente tão distante da plateia que não é astro de cinema nem viciado em drogas, consegue atingir em cheio o coração e a mente do espectador graças a um belo roteiro, uma trilha sonora inspirada e duas atrizes extraordinárias.

segunda-feira

MR. HOLLAND, ADORÁVEL PROFESSOR

MR. HOLLAND, ADORÁVEL PROFESSOR (Mr. Holland's Opus, 1995, Hollywood Pictures/Polygram Filmed Entertainment, 143min) Direção: Stephen Hereck. Roteiro: Patrick Sheane Duncan. Fotografia: Oliver Wood. Montagem: Trudy Ship. Música: Michael Kamen. Figurino: Aggie Guerard Rodgers. Direção de arte/cenários: David Nichols/Jan Bergstrom. Produção executiva: Patrick Sheane Duncan, Scott Kroopf. Produção: Robert W. Cort, Ted Field, Michael Nolin. Elenco: Richard Dreyfuss, Glenne Headly, Jay Thomas, Olympia Dukakis, William H. Macy, Alicia Witt, Terrence Howard, Forest Whitaker, Joanna Gleason, Joseph Anderson. Estreia: 29/12/95

Indicado ao Oscar de Melhor Ator (Richard Dreyfuss)

Não há como subestimar o poder de um grande ator. Mesmo muito tempo depois de ser um dos mais populares astros de Hollywood - o que aconteceu nos anos 70, quando trabalhou com Steven Spielberg em "Tubarão" e "Contatos imediatos de terceiro grau" - Richard Dreyfuss é a principal razão pela qual o drama "Mr. Holland, adorável professor" fez o sucesso que fez nas bilheterias americanas. Mesmo sem ter a seu favor uma beleza estonteante ou fazer parte de qualquer franquia milionária, Dreyfuss tem carisma o bastante para fazer com que o filme de Stephen Herek tenha rendido mais de 80 milhões de dólares somente no mercado americano. Indicado ao Oscar por seu precioso trabalho, ele teve o azar de bater de frente com o ultra-premiado Nicolas Cage. Caso contrário, era bem possível que também tivesse conquistado os eleitores da Academia mais uma vez, quase vinte anos depois de sua primeira vitória, por "A garota do adeus".

Quando a história de "Mr. Holland" começa, em 1965, o protagonista tem 30 anos de idade, enquanto Dreyfuss já estava perto dos cinquenta. Basta alguns minutos, porém, para que esse pequeno problema matemático seja abstraído, graças à atuação gigantesca do ator. Ele vive Glenn Holland, que tem como maior sonho de sua vida compor uma sinfonia para deixá-lo rico e famoso. Buscando tempo suficiente para atingir seu objetivo, ele arruma um trabalho como professor de Apreciação Musical em uma tradicional escola do interior dos EUA. A princípio frustrado com sua falta de vocação, logo ele descobre uma maneira pouco tradicional de conquistar seus alunos: misturando Bach com rock'n'roll, ele choca seus superiores, mas seduz seus estudantes, que passam a admirá-lo incondicionalmente. A cada dia mais e mais empurrado para longe da realização de seu sonho - principalmente por compromissos financeiros domésticos - ele não percebe a passagem dos anos, até que, trinta anos depois, quando a escola decide fechar o departamento de música, ele nota que sua vida girou em torno de influenciar todos os que passaram por suas aulas.



O roteiro de Patrick Sheane Duncan - indicado ao Golden Globe - faz milagres ao compactar trinta anos de movimentos sociais e musicais em pouco mais de duas horas de duração sem soar apressado ou superficial. Seu maior toque de inteligência foi utilizar um sub-gênero hollywoodiano - o filme de professor - para contar uma trama que alterna momentos puramente emocionais com uma disfarçada crítica às instituições de ensino americanas, bem como sua história. Traumas como a guerra do Vietnã e a morte de John Lennon são o pano de fundo para a trajetória de um homem comum, que precisa lidar com problemas pessoais - como a surdez do único filho - ao mesmo tempo em que precisa ser a inspiração para adolescentes em ebulição. E é comovente como ele ajuda a tímida Gertrude Lang (Alicia Witt) a levantar a auto-estima, o problemático Louis Russ (Terrence Howard) a manter-se na escola e a talentosa Rowena Morgan (Jean Louisa Kelly) a buscar suas aspirações - e com quem tem um perigoso flerte. Seus alunos, como bem diz uma personagem na sequência final, são sua sinfonia. E entre eles, em participações não creditadas, estão atores como Forest Whitaker e Balthazar Getty.

E a música é elemento fundamental em "Mr. Holland, adorável professor". Ao acompanhar a evolução rítmica do mundo ocidental, da década de 60 - quando o rock ainda estava em seu período áureo - até a metade dos anos 90, o público é brindado com um apanhado de belas canções, que vão de Gershwin a Beatles. E é justamente a morte de John Lennon a responsável pela mais bela cena do filme, quando Holland faz uma singela homenagem ao filho cantando "Beautiful boy", que o ex-Beatle compôs para o herdeiro Sean. São esses momentos de absoluta ternura que conquistam a plateia, a despeito de estarem perigosamente perto do piegas. E é aí que o talento de seus protagonistas faz toda a diferença.

Richard Dreyfuss é um dos atores mais sensacionais do cinema americano e demonstra isso em cada momento de "Mr. Holland". Dos 30 aos 60 anos de idade, ele convence plenamente, seja como professor dedicado, como compositor frustrado ou marido em crise de meia-idade. Capaz de emocionar e fazer rir, ele encontra em Glenne Headly uma parceira ideal. Na pele de Iris, sua esposa fiel e companheira, a atriz não deixa o astro eclipsar um trabalho sutil e delicado, injustamente esquecido pelas cerimônias de premiação do ano de 1995. Juntos, o casal conduz o público por um caminho emocionante, agradável e pontuado por uma trilha sonora deliciosa.

O único problema de "Mr. Holland, adorável professor" é que ele é capaz de despertar lágrimas até mesmo no mais empedernido espectador. E nem todo mundo gosta de assumir seu lado sensível...

terça-feira

ALÉM DA ETERNIDADE

ALÉM DA ETERNIDADE (Always, 1989, Amblin Entertainment/Universal Pictures/United Artists, 122min) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jerry Belson, roteiro original de Dalton Trumbo. Fotografia: Mikael Salomon. Montagem: Michael Kahn. Música: John Williams. Figurino: Ellen Mirojnick. Direção de arte/cenários: James Bissell/Jackie Carr. Casting: Lora Kennedy. Produção: Kathleen Kennedy, Frank Marshall, Steven Spielberg. Elenco: Richard Dreyfuss, Holly Hunter, John Goodman, Brad Johnson, Marg Helgenberger, Audrey Hepburn. Estreia: 22/12/89

Se “Além da eternidade” prova alguma coisa é que até mesmo os gênios cometem erros. Tido como um dos fracassos da vitoriosa carreira de Steven Spielberg (e relegado à galeria de equívocos do cineasta, ao lado de filmes como “1941, uma guerra muito louca” e “Hook, a volta do Capitão Gancho”), esta refilmagem de um obscuro drama romântico dos anos 40 chamado “A guy named Joe” ("Dois no céu" no Brasil) não foi bem de bilheteria e nunca chegou a receber críticas entusiasmadas, ainda que tenha alguns tímidos fãs. A pergunta crucial é: o filme é ruim?

"Além da eternidade" conta a história de Pete Sandich (Richard Dreyfuss), um competente piloto de avião responsável por apagar incêndios florestais que ama o que faz e ama a namorada, Dorinda (Holly Hunter), apesar de nunca ter revelado a ela toda a extensão de seus sentimentos. Um dia, ao salvar a vida do colega e amigo Al (John Goodman), Pete sofre um acidente e morre. A princípio revoltado com sua condição, ele logo recebe de um anjo (a última atuação da sempre delicada Audrey Hepburn) uma missão: ajudar um jovem piloto (Brad Johnson) a se acertar na carreira e conquistar o amor da mulher que ama. O problema é que a mulher que o jovem, corajoso e belo aspirante a piloto deseja é justamente a mesma Dorinda que Pete ainda ama, apesar de estar em outro plano espiritual. Ele terá, então, que superar os próprios sentimentos para vê-la feliz.


Para os românticos incuráveis, a história de amor e morte dos protagonistas do filme pode funcionar muito bem. Para aqueles mais exigentes, no entanto, as coisas podem ser mais difíceis. Spielberg utiliza em seu filme ingredientes que, um ano depois, faria a glória de um digamos assim, subproduto chamado "Ghost, do outro lado da vida": romance entre pessoas de dimensões diferentes, ensinamentos espíritas e até uma canção dos anos 50 (nesse caso, a bela "Smoke gets in your eyes", com The Platters). Mas, por incrível que pareça, as falhas em "Além da eternidade" estão nas decisões tomadas pelo próprio diretor. Richard Dreyfuss e Holly Hunter são atores infinitamente superiores a Patrick Swayze e Demi Moore (astros de "Ghost"), mas não tem o mesmo carisma e beleza que levaram multidões aos cinemas. "Ghost" tinha elementos de humor e uma trama policial, que, apesar de diminuir a intensidade da história central, caíram no gosto do público. "Além da eternidade" se leva a sério demais. Mas o cineasta que deu ao mundo obras-primas emocionantes como "A cor púrpura" e "A lista de Schindler" parece não ficar muito à vontade ao falar de amor. Não é à toa que este é, até agora, seu único drama romântico.

"Além da eternidade" oferece à plateia cenas belíssimas (os incêndios, por exemplo, são fotografados exemplarmente por Mikael Salomon) e atuações muito competentes de seus protagonistas (Richard Dreyfuss é um ator que se presta a todas às nuances pretendidas pelo diretor e Holly Hunter, mesmo anos-luz distante do visual Barbie, é uma atriz espetacular - o que o Oscar por "O piano", quatro anos depois, provaria). Mas não tem o mesmo nível de paixão dos melhores trabalhos de Steven Spielberg. Ainda assim, um belo filme que merecia melhor sorte do que teve quando de sua exibição nos cinemas.

OS AGENTES DO DESTINO

  OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau, 2011, Universal Pictures, 106min) Direção: George Nolfi. Roteiro: George Nolfi, conto ...