TESTEMUNHA FATAL (Eyewitness, 1981, 20th Century Fox, 103min) Direção: Peter Yates. Roteiro: Steve Tesich. Fotografia: Matthew F. Leonetti. Montagem: Cynthia Scheider. Música: Stanley Silverman. Figurino: Hilary Rosenfeld. Direção de arte/cenários: Phillip Rosenberg/Gary J. Brink, Edward Stewart. Produção: Peter Yates. Elenco: William Hurt, Sigourney Weaver, Christopher Plummer, James Woods, Morgan Freeman, Pamela Reed. Estreia: 13/02/81
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quarta-feira
TESTEMUNHA FATAL
TESTEMUNHA FATAL (Eyewitness, 1981, 20th Century Fox, 103min) Direção: Peter Yates. Roteiro: Steve Tesich. Fotografia: Matthew F. Leonetti. Montagem: Cynthia Scheider. Música: Stanley Silverman. Figurino: Hilary Rosenfeld. Direção de arte/cenários: Phillip Rosenberg/Gary J. Brink, Edward Stewart. Produção: Peter Yates. Elenco: William Hurt, Sigourney Weaver, Christopher Plummer, James Woods, Morgan Freeman, Pamela Reed. Estreia: 13/02/81
terça-feira
ÊXODO: DEUSES E REIS
ÊXODO: DEUSES E REIS (Exodus: Gods and Kings, 2014, 20th Century Fox, 150min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Caine, Steven Zaillian. Fotografia: Darius Wolski. Montagem: Billy Rich. Música: Alberto Iglesias. Figurino: Jandy Yates. Direção de arte/cenários: Arthur Max/Cecilia Bobak, Pilar Revuelta. Produção executiva: Hisham Soliman. Produção: Mark Albela, Peter Chernin, Mohamed El Raie, Mark Huffam, Denise O'Dell, Mchael Schaefer, Ridley Scott, Jenno Topping. Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, Ben Kingsley, John Turturro, Aaron Paul, Ben Mendelsohn, Sigourney Weaver, Hiam Abass, Ewen Bremner. Estreia: 03/12/2014 (Londres)
Houve um tempo em que Hollywood - e as plateias ao redor do mundo - tinham uma indisfarçada fascinação por produções épicas/religiosas. Com a chegada de um novo estilo cinematográfico, mais ágil e moderno (a partir do final dos anos 1960), o gênero saiu de moda, e parecia destinado apenas à nostalgia até que Ridley Scott mostrou que ele ainda tinha espaço, com o sucesso de público, de crítica e de Oscars de "Gladiador" (2000). A partir daí, estúdios e cineastas voltavam a apostar em filmes grandiosos, de orçamentos generosos e narrativas pomposas - desta vez com o apoio de efeitos visuais caprichados e astros de primeira grandeza. Nem todos deram certo, e nem mesmo o próprio Scott escapou de tropeços, como "Cruzada" (2005) e "Robin Hood" (2010). Em um meio termo entre o sucesso e o fracasso absoluto, o cineasta inglês tampouco foi exatamente feliz com sua visão da conhecida história de Moisés e sua luta para libertar o povo judeu da escravidão. "Êxodo: deuses e reis" não foi um êxito comercial - em parte consequência do orçamento milionário de 140 milhões de dólares - e falhou em conquistar a crítica como em seus melhores trabalhos. Lançado no mesmo ano em que Darren Aronofsky estreou seu "Noé" - igualmente controverso e também mais calcado na realidade do que no tom místico normalmente encontrados nos clássicos religiosos -, o filme de Scott esbarrou basicamente em sua indecisão entre ser uma jornada épica de ação ou uma discussão sobre Deus e seus desígnios. Sofrendo com um ritmo lento que faz a trama engrenar só depois da metade da projeção, "Êxodo: deuses e reis" acabou desperdiçando a chance de unir o melhor do passado - uma história à moda antiga - com o presente - efeitos especiais de última geração, algo que somente muito dinheiro pode comprar - e resultou em um filme apenas morno.
Christian Bale, que também era a primeira escolha de Aronofsky para interpretar seu Noé - que ficou com Russell Crowe - quase perdeu o papel de Moisés, por causa do excesso de peso adquirido para "Trapaça" (2013), mas acabou acrescentando outro herói a uma galeria que inclui nada menos que o homem-morcego na trilogia capitaneada por Christopher Nolan. Bale entrega uma atuação forte, mas tropeça em um roteiro que evita a emoção a todo custo - e em um personagem arrogante e pouco simpático, o que dificulta a empatia do público. Sorte sua que o Ramsés de Joel Edgerton é ainda pior, com ares de vilão cartunesco mas ainda assim dentro da proposta de Scott. Agnóstico assumido, o cineasta narra sua história sob um ponto de vista calcado em possibilidades reais - as sete pragas do Egito, por exemplo, encontram explicações científicas que as obras anteriores de Cecil B. de Mille jamais buscariam: são sequências muito interessantes, criadas com o bom gosto de quem já criou obras indeléveis como "Alien: o oitavo passageiro" (1979) e "Blade Runner: o caçador de androides" (1982), mas é pouco para seduzir uma plateia acostumada a ação incessante. E nesse ponto a produção peca - e muito.
Demora quase meia-hora para que "Êxodo: deuses e reis" comece realmente a contar sua história. Antes que Moisés descubra suas origens hebraicas - o que dá o pontapé inicial para seu declínio junto ao Faraó Seti (John Turturro) e posterior redenção junto a seu povo, que o escolhe como líder contra as tiranias impostas pelo novo governante, o cruel Ramsés. Até que finalmente Moisés resolva desafiar seu antigo "irmão", o filme desfila uma série de diálogos lentos e quase desnecessários, que testam a paciência do espectador mesmo diante da opulência da direção de arte e da fotografia deslumbrante de Darius Wolski. Sigourney Weaver - parceria constante de Scott - aparece pouco, depois de ter boa parte de suas cenas cortadas na edição final, e Ben Kingsley, apesar do papel de importância crucial, é subaproveitado, assim como Aaron Paul, em alta pela série "Breaking bad", que mal aparece, com um personagem aleatório e sem força narrativa. É paradoxal que o roteiro tente fazer do filme mais do que simplesmente um épico de imagens fortes e ao mesmo tempo falhe consistentemente em aprofundar as relações entre os personagens e até mesmo suas personalidades. Apenas a rivalidade de Moisés e Ramsés é desenvolvida - e mesmo assim sem maior densidade - e o casamento do protagonista com Nefertari (Golshifeth Farahani) ocupa lugar periférico na trama, servindo apenas como (mais) um ponto de ruptura entre as duas vidas de Moisés. E não deixa de ser frustrante assistir-se a duas horas de filme para que ele tenha um final tão anti-climático quanto o proposto pelos roteiristas, dentre os quais os previamente indicados ao Oscar Jeffrey Caine e Steven Zaillian - que chegou a levar uma estatueta para casa pelo sensível "A lista de Schindler" (1993).
Mas afinal de contas, "Èxodo: deuses e reis" é totalmente ruim? Jamais. O visual, como já afirmado, é impressionante, desde o design de produção até os efeitos visuais - ainda que nem mesmo eles desafiem o inesquecível "Os dez mandamentos" (1956) -, e Joel Edgerton deita e rola como Ramsés (assumindo um papel recusado por Javier Bardem e Oscar Isaac). Christian Bale tem a potência necessária para viver um Moisés inesquecível, e mesmo que sua criação seja um tanto arrogante demais para despertar a torcida do público, seu talento impede que o filme caia nos clichês do gênero. Além disso, algumas soluções criadas para uma versão menos religiosa e mais política são fascinantes, como fazer de Deus uma criança mimada (o que incomodou os mais ortodoxos) e dar explicações racionais (ou o mais perto possível disso) às pestes que assolam o Egito. São momentos como esses que quase salvam o filme de Scott - que, com uma edição mais enxuta e um trabalho melhor no desenvolvimento de seus personagens poderia ter facilmente alcançado um lugar de honra entre as grandes produções épicas de seu tempo. Como está é um filme bem realizado mas sem alma. Muito visual para pouco conteúdo. Uma pena!
quinta-feira
SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE
Aplaudido pelo mundo já em seu primeiro longa-metragem - o assustador "O orfanato" (2007) - e posteriormente taxado de "o Steven Spielberg espanhol" por causa do sucesso de "O impossível" (2012), que deu uma indicação ao Oscar de melhor atriz à Naomi Watts, J.A. Bayona volta a mostrar sensibilidade na manipulação das emoções humanas (e principalmente infantis) em "Sete minutos depois da meia-noite", um impressionante e comovente drama de fantasia que, assim como "O labirinto do fauno" (2006), do mexicano Guillermo Del Toro, é uma ode à força da imaginação contra as tragédias do dia-a-dia. Ao contrário do premiado filme de Del Toro, porém, o filme de Bayona não fez tanto barulho nas bilheterias (cobriu seu orçamento apenas com a ajuda da arrecadação mundial) e foi solenemente ignorado pelo Oscar. Tal descaso, no entanto, não reflete nem de longe sua imensa qualidade: "Sete minutos depois da meia-noite" é um dos mais inteligentes e criativos filmes dos últimos anos, um devastador drama sobre amadurecimento disfarçado de aventura juvenil.
Inspirado em um livro infantil iniciado por Siobhan Dowd e finalizado por Patrick Ness após a morte do autor original, "Sete minutos depois da meia-noite" é um espetáculo visual de primeira linha à serviço de uma história fascinante e avassaladora, que trata de assuntos espinhosos com o verniz da fantasia e da imaginação pueril. O protagonista é Connor O'Malley (Lewis MacDougall), um menino irlandês de doze anos que está passando pelo pior período de sua curta existência: sua mãe (Felicity Jones, de "A teoria de tudo") está enfrentando um câncer terminal que a impede de conviver com ele de modo ideal; seu pai (Toby Kebell, de "Black Mirror") mora nos EUA com a nova família e não tem planos de incluí-lo em sua vida; sua avó (Sigourney Weaver), com quem não tem a melhor das relações, quer obrigá-lo a morar com ela; e na escola, ele sofre constante bullying por parte dos colegas mais fortes. Em uma noite, exatamente às 12:07, Connor recebe a visita de um monstro gigantesco em formato de árvore que avisa que irá visitá-lo sempre no mesmo horário para lhe contar três histórias que poderão lhe ajudar nessa fase da vida. O monstro completa o aviso informando-o também de que a última história será de sua autoria - e deverá explicar os motivos de seus pesadelos.
De forma brilhante e surpreendente, Bayona transforma um conto de solidão e trauma em um show de efeitos especiais que, ao invés de eclipsar a força da história, sublinha seu tom lúdico e fantástico. As narrativas do monstro são apresentadas em formato de animação, mas nada de esperar a estética Pixar ou Disney: o cineasta utiliza de cada uma das fábulas da apavorante criatura (com a voz de Liam Neeson e feições que vão se tornando mais humanas conforme a trama avança) para analisar, de maneira poética mas bastante contundente, todos os medos e sentimentos de Connor (e, por conseguinte, de boa parte da plateia, adulta ou não). Ao questionar fundamentos essenciais, como a bondade, a compaixão e a raiva, o roteiro do mesmo Patrick Ness que terminou o livro vai fortalecendo o caráter de seu protagonista e preparando-o para enfrentar o maior desafio de sua vida, que é encarar a morte da mãe e a maturidade precoce. É admirável os meios encontrados por Bayona e sua equipe em equilibrar tão organicamente a vida real de Connor e sua imaginação sem deixar que nenhuma das linhas narrativas sobreponha-se à outra - e mais importante ainda, que consiga fazer com que ambas se conectem tão naturalmente até o final, de uma tristeza profunda, mas dono de uma beleza incontestável.
Contando com um excepcional ator juvenil no papel principal - Lewis McDougall, que também participou do exótico "Peter Pan" (2015), de Joe Wright - e veteranos competentes entre os coadjuvantes - como Sigourney Weaver como sua irascível avó e Geraldine Chaplin, uma espécie de amuleto de sorte do diretor, tendo feito pontas em seus três trabalhos até aqui - "Sete minutos depois da meia-noite" surge como um dos melhores filmes de sua temporada. Com um roteiro de ritmo preciso e equilibrado, um visual acachapante e o tom emocional acertadamente adequado a uma história que mira em vários tipos de plateia, o filme de Bayona é um triunfo em todos os aspectos, capaz de cativar qualquer espectador disposto a mergulhar em uma narrativa repleta de simbolismos e metáforas que, longe de aborrecer ou confundir, apenas valorizam a beleza de suas intenções e de sua realização. Imperdível!
quarta-feira
HERÓIS IMAGINÁRIOS
A princípio, tem-se a nítida impressão de que "Heróis imaginários" é uma versão modernizada de "Gente como a gente", estreia de Robert Redford como cineasta, que ganhou os Oscar de melhor filme e direção de 1980: uma família já com uma saudável cota de problemas precisa lidar com o suicídio do primogênito enquanto o caçula, ainda adolescente, tenta encontrar o equilíbrio necessário para sobreviver em um mundo pouco hostil. Porém, não precisa-se de muito tempo para perceber, com uma dose de alívio, que o filme de Dan Harris pode até ter se inspirado na produção estrelada por Donald Sutherland e Mary Tyler Moore, mas tem personalidade própria. Em seu primeiro longa-metragem como diretor - em seu currículo já constava o roteiro de "X-Men 2" (2003) - Harris, com 35 anos à época do lançamento do filme, demonstra maturidade surpreendente ao falar de luto, desajuste social e angústias de todo tipo sem cair na armadilha do sentimentalismo barato nem mesmo quando ameaça descambar para o dramalhão.
Apesar de ser Sigourney Weaver o grande nome do elenco, o real protagonista de "Heróis imaginários" é o jovem Emile Hirsch, que quatro anos mais tarde se consagraria no papel central de "Na natureza selvagem", dirigido por Sean Penn. Hirsch interpreta Tim Travis, o filho mais novo de uma família aparentemente normal que vê seu mundo virar de cabeça para baixo quando o primogênito, Matt (Kip Pardue), comete suicídio. Exímio nadador e orgulho do pai, Ben (Jeff Daniels), Matt só consegue manifestar sua infelicidade crônica com a vida dando um tiro na cabeça. Sua morte violenta e inesperada joga toda a família em uma espiral de angústia da qual cada um só consegue emergir da própria maneira. Ben, o pai, passa a andar a esmo pelas ruas e faltar ao trabalho. A mãe, Sandy (Sigourney Weaver), apela para pequenas transgressões, como fumar maconha e flertar com rapazes mais jovens. A filha universitária, Penny (Michelle Williams dando início a uma série de filmes dramáticos que passariam a lhe dar prestígio), passa a frequentar cada vez menos o lar. E Tim, que teve o azar de encontrar o corpo do irmão, luta para enfrentar os problemas da adolescência ao mesmo tempo em que procura encaixar-se em um núcleo familiar cada vez menos atraente e significativo.
Emprestando a Tim seu talento em parecer vulnerável e introvertido, Emile Hirsch cabe como uma luva no papel do protagonista, sem carregar nas tintas dramáticas nem quando segredos de família e a verdade sobre sua relação com o irmão surgem com a força de um caminhão desgovernado. Amparado pela atuação sensível e discreta de Sigourney Weaver - responsável por alguns dos melhores momentos do filme - o jovem ator alcança a rara façanha de criar um personagem melancólico na medida certa, sem forçar a compaixão da plateia ou buscar o caminho mais fácil de conquistar sua simpatia. Seu Tim é repleto de nuances - todas exploradas com delicadeza e bom senso, graças ao roteiro do diretor - e é louvável como o cineasta consegue atingir todas as notas de sua trama mesmo quando opta por revelar todos os seus elementos aos poucos, como uma jornada de autodescoberta dolorida mas imprescindível. Como em todos os bons filmes sobre a difícil travessia da infância para a vida adulta, "Heróis imaginários" tem em seu caminho decepções, alegrias e uma bem-vinda dose de otimismo que dá o equilíbrio exato entre a tristeza das perdas e a felicidade de se estar vivo.
Sem pretensões a tornar-se retrato de uma geração, "Heróis imaginários" é o recorte de um ritual de passagem, pura e simplesmente. Torna-se especial graças ao roteiro sensível, à direção inspirada de um cineasta ainda bastante jovem e antenado e a um elenco em estado de graça, capaz de transformar sentimentos comuns em matéria-prima de uma história que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, em qualquer classe social ou qualquer tipo de família. É a essência de "Gente como a gente", mas tornada mais acessível a uma plateia jovem e com valores um tanto diferentes daqueles revelados por Redford no final da década de 70 - um exemplo disso são as relações de Tim com sua namorada, Steph (Suzanne Santo) e com seu melhor amigo e vizinho, Kyle (Ryan Donowho), bem mais ousadas do que no filme oscarizado. O conteúdo principal ainda é forte e contundente, mas a forma é mais moderna e atraente para as novas plateias. Vale ser descoberto e apreciado por quem procura bons dramas familiares, mas sua despretensão o impede de ser ainda melhor.
terça-feira
PODER PARANORMAL
Em 2010, o cineasta espanhol Rodrigo Cortés surpreendeu os fãs de cinema com "Enterrado vivo", um suspense realizado com uns trocados (cerca de 3 milhões de dólares) e que, mesmo sob circunstâncias limitatórias (era passado inteiramente em um exíguo caixão debaixo da terra, conforme o título sugere) revelou um diretor inteligente, criativo e com impecável senso de ritmo. A expectativa em torno de seu projeto seguinte era grande e talvez por isso a recepção a "Poder paranormal" tenha sido tão morna. Afinal, se com apenas um ator medíocre (Ryan Reynolds) em cena o diretor conseguiu realizar milagres, o que ele poderia fazer com gente do quilate de Robert De Niro e Sigourney Weaver no elenco de seu novo filme? O resultado é apenas razoável, para decepção de muitos.
"Poder paranormal" começa muito bem e desenvolve suas personagens com relativa competência. O protagonista é o jovem físico Tom Buckley (Cillian Murphy exibindo sua falta de carisma habitual). Misterioso e calado, ele é o fiel assistente da renomada Margareth Matheson (Sigourney Weaver), psicóloga especializada em desmascarar fraudes em casos de atividades paranormais.O relacionamento pacífico entre os dois começa a sofrer um abalo quando o rapaz insiste que a doutora lhe acompanhe na investigação de Simon Silver (Robert De Niro), um famoso psíquico cego que retorna à ribalta trinta anos depois de ter se afastado da fama. Acontece que, ao mesmo tempo em que Tom vê na busca pela verdade a respeito de Silver uma forma de fazer as pazes consigo mesmo (graças a um passado que ele insiste em esconder), Margareth tem seus motivos para evitar o confronto com o veterano paranormal.
Cortés tem a felicidade de manter seu suspense em um nível de inteligência acima da média, concentrando-se em diálogos interessantes e em um clima de constante tensão. Os sustos, quando acontecem, chegam nas horas certas e os atores estão particularmente afiados, ainda que mais uma vez De Niro não seja aproveitado como pode. Porém, quando chega perto do final, o cineasta parece ter cedido à tentação de extrapolar os limites da sutileza, em um clímax barulhento e exagerado que mais decepciona do que empolga. A revelação final - com direito a um flashback desnecessário que subestima o poder de inteligência da plateia - carece de impacto, mas faz sentido diante do conjunto. E não deixa de ser uma agradável surpresa rever o ator argentino Leonardo Sbaraglia como um falso médium, em uma atuação hipnotizante que contrasta com a apatia do protagonista Cillian Murphy.
Levando-se em consideração que filmes de suspense para adultos são produtos cada vez mais raros em Hollywood, "Poder paranormal" é um oásis. Nunca ultrapassa as expectativas, tornando-se uma opção mais interessante que genial, mas apresenta mais qualidades que defeitos. Os fãs do gênero não vão ter do que se queixar.
quinta-feira
ORAÇÕES PARA BOBBY
Em dias tão complicados, onde fascistas da pior espécie como Jair Bolsonaro vociferam suas teorias preconceituosas e doentias em cadeia nacional, filmes como "Orações para Bobby" deveriam ser obrigatórios em escolas e para orientação para pais e professores. Baseado em uma história real ocorrida no final dos anos 70/início dos 80, o filme de Russell Mulcahy - que outrora comandou o cult "Highlander, o guerreiro imortal" - é um documento importante a respeito de tolerância sexual e, a despeito de suas restrições advindas do fato de ter sido realizado para a TV, é um drama inspirador e pungente, que tem na atuação de Sigourney Weaver seu mais importante trunfo.
Contada em um livro escrito em 1996 por Leroy Aarons, a trágica e emocionante história de Bobby Griffith recebeu de Mulcahy um tratamento delicado e felizmente pouco exagerado dramaticamente. Criado em uma pequena cidade dos EUA, o adolescente Bobby (vivido por Ryan Kelley, que transmite toda a insegurança e constrangimento de sua personagem mesmo que às vezes escorregue na canastrice) vive cercado por um ambiente familiar ortodoxo e rígido. Sentindo-se diferente do irmão mais velho e deslocado dos amigos de sua idade, ele se descobre homossexual, mas reprime heroicamente seus sentimentos e desejos, com medo de magoar os pais, em especial sua mãe, Mary (Sigourney Weaver). Religiosa fervorosa, Mary tenta desesperadamente "curar" seu filho com os ensinamentos da Bíblia - que promete o fogo do inferno a pecadores como ele - mas é somente depois de uma tragédia que ela finalmente começa a compreender o filho, tornando-se ativista dos movimentos gays.
É uma pena que "Orações para Bobby" tenha sido feito para a TV, ao invés de ganhar as telas de cinema. Sua história forte e comovente merecia uma atenção maior, em especial devido a seu tema e às discussões que suscita. Em especial na segunda metade do filme, quando Mary passa a questionar os textos bíblicos em conversas com um sacerdote mais aberto às diferenças do que o normal, o roteiro busca levantar questões de importância capital em um mundo onde a diversidade toma seu espaço em proporções gigantescas. A maneira com que a mentalidade da protagonista é transformada - de uma mulher de formação moral e religiosa radical a uma mãe finalmente compreendendo os sentimentos de um filho que buscava apenas seu amor e aprovação - é acertada, com o diretor nunca buscando a emoção fácil. Sigourney Weaver acerta no tom da interpretação e, se emociona em alguns momentos, é porque consegue a cumplicidade de uma plateia envolvida em suas dúvidas e sua dor.
"Orações para Bobby" não é uma obra-prima, mas cumpre com grande eficiência seus dois papeis. Como entretenimento, tem uma qualidade inegável, com um elenco esforçado (o canadense Tcheky Karyo vive o pai de Bobby de maneira direta e também tocante) e um roteiro que consegue driblar suas restrições orçamentárias e de veículo - mesmo com a direção carregada de clichês. Mas é como mensagem que ultrapassa o corriqueiro. Se mais pais o assistissem, provavelmente gente como Bolsonaro ou seus obtusos fãs estariam vivendo em uma merecida obscuridade.
domingo
PONTO DE VISTA
O presidente dos Estados Unidos está na cidade de Salamanca, na Espanha, para fazer parte de uma conferência que irá ditar novos rumos internacionais para o combate ao terrorismo. Transmitido via satélite para o mundo todo, seu discurso na praça central da cidade acaba por transformar-se em uma inesperada tragédia quando ele é atingido por um tiro, apesar dos esforços de sua equipe de segurança, que irá contar então com as imagens amadoras capturadas por um turista americano, que podem esclarecer uma conspiração envolvendo gente do próprio governo americano. A trama de "Ponto de vista" pode não ser das mais criativas, especialmente depois do 11/9, que recolocou o terrorismo como tema favorito de nove entre dez filmes de ação de Hollywood. O que diferencia o filme de Pete Travis em relação a vários outros da mesma temática é a engenhosidade de sua narrativa: ainda que em alguns momentos soe cansativa e/ou exagerada, é ela que mantém aceso o interesse da plateia até o final, com uma série de reviravoltas que, a despeito de sua inverossimilhança, entretém com bastante dignidade - especialmente com a ajuda de um elenco que conta com nomes de prestígio, como William Hurt, Sigourney Weaver e Forest Whitaker.
Como o próprio título sugere, a trama de "Ponto de vista" é contada sob diferentes ângulos, com informações complementares sendo acrescentadas a cada rodada, como peças de um quebra-cabeças que, aos poucos, vai sendo montado diante do espectador, que muda sua percepção a respeito da história quando as reais motivações de seus personagens se revelam e alteram (ou não) o desenrolar da história. Seguindo a tradição de clássicos como "Z", de Costa-Gavras e de tramas políticas como "JFK", de Oliver Stone - mas logicamente sem a mesma ambição e sem o mesmo resultado perturbador e fascinante - o filme de Travis vai e volta no tempo, sempre recomeçando sua narrativa poucos minutos antes do atentado ao presidente e terminando em um ponto que pode dar respostas às questões levantadas pelo roteiro no momento da tragédia. Somando-se a isso alguns dramas pessoais - traumas profissionais, chantagem e até uma improvável história de amor que pode ou não ser sincera - a atmosfera está criada e o cineasta aproveita o roteiro de Barry L. Levy para explorar todas as possibilidades de suspense. Uma pena, porém, que em seu terço final, ele sucumba à tentação de deixar de lado o tom de urgência de seu começo e assuma sua vocação para o filme de ação descerebrado: quando a intriga dá espaço para perseguições e tiroteios - mesmo que bem realizados - é impossível segurar a frustração.
Se existe um protagonista em "Ponto de vista" ele é Thomas Barnes (Dennis Quaid), segurança do presidente norte-americano (William Hurt) que volta a seu antigo cargo depois de um tempo afastado por ter sido ferido em ação. Seu retorno é visto com insegurança pela maior parte dos colegas, inclusive seu parceiro mais próximo, Kent Taylor (Matthew Fox, no auge do sucesso da série "Lost") - nem mesmo a produtora de telejornal Rex Brooks (Sigourney Weaver) está confiante em sua recuperação total, o que acaba se mostrando um tanto acertado quando o presidente é alvejado em pleno discurso. Enquanto ele é socorrido - e mesmo assim corre risco de tornar-se vítima de terroristas infiltrados na equipe de socorro - Barnes e Taylor partem em busca de alguma pista a respeito do atirador e dos mentores do atentado, contando com a ajuda do americano Howard Lewis (Forest Whitaker) - que filmou tudo - e do misterioso Enrique (Eduardo Noriega), que alega ser da polícia espanhola mas tem uma relação mal-explicada com a responsável pelo segundo atentado do dia: uma explosão na praça de Salamanca.
Mesmo que explore mal a presença sempre forte de Sigourney Weaver e apresente algumas resoluções simplistas para algumas das questões levantadas em seu começo, "Ponto de vista" é um entretenimento acima da média. Sua edição ágil e inteligente disfarça com competência as falhas de um roteiro bastante superficial no desenho dos personagens e em suas motivações um tanto clichê, assim como impede que o público descubra com antecedência as reviravoltas da história - ainda que, depois de reveladas em sua totalidade, elas não sejam assim tão surpreendentes. No cômputo geral, é um filme que cumpre o que promete e, maior de suas qualidades, se leva a sério e não resvala na autoparódia que é a sentença de morte de grande parte de seus congêneres
terça-feira
JEFFREY, DE CASO COM A VIDA
Filmes como "Meu querido companheiro" (90) e "E a vida continua" (92) retrataram, com uma boa dose de melancolia e realismo, a devastação causada pela AIDS na comunidade gay norte-americana. A doença, que espalhou paranoia, preconceito e dor entre os homossexuais - até que assumiu o status de epidemia a ultrapassar os limites da sexualidade para encontrar suas vítimas - é também o motor propulsor de "Jeffrey, de caso com a vida", que, apesar do tema sombrio é, surpresa, uma comédia. Baseado em uma peça off-Broadway lançada em 1993, o filme de Christopher Ashley - que também comandou a montagem nos palcos - o filme brinca com os clichês relativos ao mundo gay sem desrespeitá-lo e, através da ironia e do humor debochado, tenta fazer um inventário das relações amorosas entre homens. Em alguns momentos até consegue atingir seus objetivos, mas acaba preso a uma irregularidade que o impede de se tornar melhor do que é.
Jeffrey, o protagonista vivido com gosto e carisma por Steven Weber - que em seguida seria corajoso o bastante para substituir Jack Nicholson em uma versão para a TV de "O iluminado", escrita pelo próprio Stephen King em formato de minissérie - é um ator desempregado que, para ganhar a vida, trabalha como garçons em eventos. Traumatizado com uma sequência de aventuras sexuais frustradas pelo medo da contaminação pelo vírus da AIDS, ele toma uma decisão radical: abdicar totalmente de sexo. Essa categórica decisão não é bem-vista nem por seus pais liberais nem tampouco por seu melhor amigo, Sterling (Patrick Stewart), cujo amante Darius (Bryan Batt) é soropositivo. Todos eles acreditam que o rapaz não precisa do celibato e sim de um novo amor. Esse novo amor surge na pele de Steve Howard (Michael T. Weiss), que ele conhece na academia e por quem imediatamente sente-se atraído. A atração e o apoio dos amigos, porém, não são o suficiente para Jeffrey, que tem medo de envolver-se em uma relação amorosa que pode acabar em dor e sofrimento.
É preciso louvar a coragem do dramaturgo e roteirista Paul Rudnick em transformar um tema tão pesado quanto a AIDS em uma comédia leve e despretensiosa: a sombra da doença paira densa sobre os personagens do filme, sempre lembrando-os de sua existência perniciosa, mas os diálogos e o desenvolvimento da trama fogem com destreza do dramalhão, até mesmo quando ele esmurra com força a porta. Patrick Stewart, por exemplo, usou a tristeza que sentiu ao ler o roteiro como elemento para uma cena dramática de "Jornada nas estrelas: generations" (94). Mas, talvez como maneira de exorcizar o tema, Rudnick preenche suas cenas com um humor ácido e recheado de referências culturais típicas do universo gay, como filmes musicais, programas de auditório cafonas e as mães exageradamente liberais - caso da personagem interpretada pela sempre sensacional Olympia Dukakis, que vive a mãe de um homem gay que se tornou lésbica (!!) e que está em vias de fazer uma operação de mudança de sexo.
Contada de forma episódica - o que enfraquece o desenvolvimento de seus personagens, até mesmo os principais - "Jeffrey" tem a seu favor também a participação especial de nomes consagrados em papéis pequenos. Sigourney Weaver brilha como uma espécie de palestrante de autoajuda a quem o protagonista recorre em seu desejo de aprovação - e que se mostra preconceituosa e arrogante. Patrick Stewart - ícone da série "Star Trek" e dos filmes "X-Men" - vive um gay extremamente afetado mas muito carinhoso e dedicado aos amigos e ao amante. Christine Baranski interpreta uma milionária que dá festas beneficentes como quem troca de sapatos. Victor Garber faz uma ponta como um viciado em sexo que participa do grupo que Jeffrey passa a frequentar. E Dukakis, como já citado, brilha como uma mãe orgulhosa do rebelde rebento. Essas participações dão credibilidade ao filme de Ashley - iniciante em cinema - e disfarçam suas inconsistências dramáticas. A criatividade de muitos momentos - criados para o palco e que nem sempre funcionam na transição para a tela grande - se perde na falta de coesão do resultado final, mas mesmo assim é refrescante ver a praga da AIDS sob um novo - e menos fatalista - ângulo.
DAVE - PRESIDENTE POR UM DIA
Indicado ao Oscar de Roteiro Original
Do cinismo agridoce de Frank Capra até o realismo controverso de Oliver Stone, a política norte-americana frequentou as telas de cinema com certa regularidade, nem sempre com muita simpatia por parte dos produtores e cineastas - que viam nos filmes a chance de expor seus pontos de vista nem sempre compatíveis com quem estava no poder. Por isso não nada surpreendente que "Dave, presidente por um dia", a simpática e inofensiva comédia de Ivan Reitman lançada em 1993 tenha se tornado, já em seu lançamento, um dos filmes preferidos do então morador da Casa Branca, Bill Clinton. Sem despertar polêmicas e apresentando um personagem principal que refletia a popularidade de Clinton junto aos eleitores, o filme acabou se saindo bem nas bilheterias - rendeu mais de 60 milhões de dólares somente nos EUA - e, o que de resto não é nada mal, chegou ao Oscar, concorrendo à estatueta de roteiro original (que perdeu para o mais sério e mais "artístico" "O piano").
O Dave do título original é o altruísta dono de uma agência de empregos que complementa a renda doméstica servindo de sósia do presidente americano, Bill Mitchell, em feiras agrícolas e eventos afins. Depois de se passar por Mitchell para a imprensa e o público em um grande evento na Casa Branca, porém, ele tem sua vida transformada radicalmente: durante um ato sexual com uma secretária (uma iniciante Laura Linney), o presidente sofre um derrame grave e que o deixa em coma irreversível. Com a aparente intenção de proteger o país de um escândalo de tais proporções, o assistente da presidência, Bob Alexander (Frank Langella caprichando na cara de vilão) convence Dave a assumir o papel de líder da nação por mais algum tempo. No entanto, seus planos - que são bem outros, e incluem afastar o vice-presidente, Nance (Ben Kingsley) do caminho e ser nomeado para o cargo de homem mais poderoso dos EUA - passam a ser ameaçados pela boa índole de Dave, que, influenciado pela boa política da primeira-dama, Ellen (Sigourney Weaver), começa a criar novas medidas de governo que beneficiam a população mais pobre. Tais atitudes o põem em rota de colisão com Alexander, mas o aproximam tanto de Nance quanto de Ellen, que vivia um casamento de aparências e subitamente passa a sentir uma indefinível atração pelo marido.
Escrito por Gary Ross - que posteriormente assinaria também como diretor o belo "A vida em preto-e-branco" (03) - "Presidente por um dia" não é uma comédia de gargalhadas. Seu humor, um tanto mais sofisticado mas popular o bastante para não afastar a plateia avessa a filmes com conotação política, nasce basicamente como uma comédia de erros dos velhos tempos de Frank Capra e Preston Sturgess, com sua inocência devidamente adequada aos anos 90. É assim, por exemplo, que o romance entre Dave e a primeira-dama inconsciente de sua real personalidade começa com um diálogo furioso quando ele está se deliciando com um bom banho quente (nu, portanto) mas nunca ultrapassa as longas conversas, os passeios às escondidas e os olhares apaixonados. Sigourney Weaver, aliás, nunca esteve tão classuda e bonita em cena, a anos-luz de distância da guerreira Tenente Ripley da série "Aliens". Seu timing cômico, mostrado em "Uma secretária de futuro" (88), mantém-se intocado, principalmente ao lado de Kevin Kline, mostrando (mais uma vez) que é um dos atores mais versáteis e talentosos de Hollywood, em papel recusado por Warren Beatty e Kevin Costner e que encontra nele o intérprete ideal. E seu semblante de adorável pateta - que graças à sua ingenuidade consegue conquistar até os mais arraigados rivais políticos - encontra o contraponto perfeito em Frank Langella, sempre competente quando brinca de vilão.
Feito de pequenas piadas - como a participação sensacional de Oliver Stone como ele mesmo, discutindo uma provável conspiração na Casa Branca e a presença de inúmeros políticos comentando os acontecimentos que se desenrolam no roteiro - "Presidente por um dia" é uma comédia à moda antiga: charmosa, esperta e visualmente atraente, além de bem dirigida e interpretada com energia e simpatia. Não muda a vida de ninguém, mas diverte e inspira.
quarta-feira
NAS MONTANHAS DOS GORILAS
5 indicações ao Oscar: Atriz (Sigourney Weaver), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original, Montagem, Som
Vencedor do Golden Globe de Melhor Atriz/Drama (Sigourney Weaver)
A zoóloga Dian Fossey é conhecida pelos defensores dos direitos dos animais por ter sido a mais corajosa, dedicada e competente estudiosa dos gorilas das montanhas da África, onde travou contato próximo com os animais a ponto de dar-lhes nomes e conhecê-los profundamente. Também marcou seu nome como a maior defensora de tais animais, lutando indiscriminadamente contra sua extinção predatória e por seu final trágico e ainda envolto em mistério. E finalmente, é conhecida por ter dado a Sigourney Weaver um dos melhores papéis de sua carreira e que levou-a à corrida do Oscar de melhor atriz em 1989 - mesmo ano em que também foi indicada como coadjuvante por "Uma secretária de futuro". Dirigido por Michael Apted, "Nas montanhas dos gorilas" é um retrato elogioso e respeitoso tanto de Fossey quanto de seu louvável trabalho - além de ser um belíssimo filme, capaz de emocionar e chocar os espectadores, em especial aqueles que amam os animais.
A indicação de Weaver ao Oscar não foi acidental. Basta pôr os olhos em suas primeiras cenas junto aos gorilas (um trabalho espetacular de animação mecatrônica de Rick Baker misturado a alguns animais verdadeiros) para que se acredite piamente em seu amor por eles, em seu carinho infinito por uma raça tão perigosamente à beira da extinção. A atriz que ficou mundialmente conhecida como a corajosa Tenente Ripley da cinessérie "Aliens" exibe em seu trabalho um extenso leque de nuances, quase todas expressas unicamente em seu rosto - durante as pouco mais de duas horas de projeção, Fossey (na pele de Sigourney) passa pelo fascínio, pela raiva, pelo amor romântico, pelo desespero, pelo carinho e pela felicidade, levando consigo todo o espectador que, emocionado, se deixar levar em sua odisseia contra a violência e o predatorismo.
Fascinada pelos estudos feitos até então sobre os primatas africanos ameaçados de extinção e acreditando-se capaz de enriquecer o material a respeito e quem sabe até estabelecer algum tipo de contato com eles devido à sua experiência como fisioterapeuta, Fossey começa o filme chegando ao continente africano e tentando adaptar-se à nova casa. Não demora muito, porém, para que, com a ajuda do guia Sembagare (John Omirah Miluwi), ela chegue ao encontro de seu maior objetivo, um grupo de gorilas com uma dinâmica social particular e com formas de comunicação que, aos poucos, ela começa a desvendar. Dedicada e quase obsessiva, ela passa a ser bem-recebida na comunidade de tais animais, que a tratam com respeito e quase gentileza. Dando a eles nomes e percebendo suas características especiais, Fossey vai se tornando mais e mais chegada a seu trabalho, o que atrapalha inclusive o nascente e avassalador romance com o fotógrafo Bob Campbell (Bryan Brown), da National Geographic. No entanto, o que era apenas motivo de orgulho acaba se tornando uma guerra pessoal quando a antropóloga entra em conflito direto com caçadores e mercadores de animais, que matam os gorilas apenas para fazer cinzeiro de suas mãos ou bobagens afins. Disposta a fazer o que for preciso para enfrentá-los de igual para igual, ela acaba por colocar a própria vida em risco diante dos interesses financeiros e governamentais.
Inspirador como poucos filmes a respeito de animais - talvez por evitar sempre que possível o sentimentalismo barato e privilegiar a força quase imorredoura de sua protagonista - "Nas montanhas dos gorilas" é um libelo contra a violência à natureza sem o ranço panfletário que normalmente acompanha as produções do gênero. A fotografia de John Seale explora com competência a beleza da vastidão africana em contraponto à feiúra das convulsões sociais que agitavam o continente distante das montanhas, e a trilha sonora do veterano Maurice Jarre - também indicada a uma estatueta da Academia - pontua com discrição a história, ilustrando a trajetória de Fossey com a mesma delicadeza com que ela tratava os gorilas (seus filhos de coração, como fica evidente na sensacional e devastadora cena em que ela vê os corpos sem cabeças de vários deles, vítimas de caçadores). Mas, mesmo com todas as suas qualidades, é a interpretação sobre-humana de Sigourney Weaver que fica na mente do espectador quando os letreiros finais sobem na tela. Mesmo com candidatas fortíssimas ao Oscar de 1989 - Glenn Close em "Ligações perigosas", Meryl Streep em "Um grito no escuro" e a vencedora Jodie Foster em "Acusados" - a estatueta deveria ter ido parar na estante de Weaver, que comprova, de uma vez por todas, que é uma atriz capaz de muito mais do que simplesmente caçar alienígenas.
domingo
A MORTE E A DONZELA
Em nenhum momento da narrativa de "A morte e a donzela" é citado o nome do país onde acontece a história, mas sendo Ariel Dorfman - autor da peça teatral que lhe deu origem e que co-assina o roteiro - chileno, não é difícil imaginar que a trama de vingança e traumas de violência tecida por ele tem raízes políticas bem profundas na ditadura militar de Augusto Pinochet, que fustigou o país entre 1973 e 1990. Tampouco é difícil entender os motivos que levaram o diretor Roman Polanski a assinar a adaptação da peça de Dorfman, encenada pela primeira vez em 1992 na Broadway, com Glenn Close, Richard Dreyfuss e Gene Hackman: assim como alguns de seus trabalhos mais famosos, como "O bebê de Rosemary" e "Repulsa ao sexo", "A morte e a donzela" utiliza-se do fato de se passar quase totalmente em um único cenário para transmitir a sensação sufocante de claustrofobia física e psicológica. Contando com uma atuação potente de Sigourney Weaver no papel principal, o cineasta polonês constrói uma obra minimalista, calcada em emoções sufocadas e feridas não-cicatrizadas que é absolutamente coerente com sua filmografia.
Quem está acostumado a ver Weaver como a destemida Tenente Ripley da cinessérie "Alien" - que ainda era uma trilogia na ocasião do lançamento do filme de Polanski - provavelmente irá estranhar sua Paulina Escobar, uma ativista política traumatizada pela truculência da ditadura de seu país e que ainda não conseguiu superar a violência a que foi submetida quando estava presa. Frágil e em constante estado de tensão, ela mora em uma casa afastada da cidade, ao lado do marido, Gerardo (Stuart Wilson), um advogado dedicado à causa dos direitos humanos que está em vias de alcançar um avançado posto no governo. O passado que Paulina quer deixar para trás, porém, invade sua vida novamente durante uma noite de tempestade, quando seu marido traz pra casa um vizinho, Dr. Roberto Miranda (Ben Kingsley), cujo carro quebrou no caminho para a propriedade. Para Gerardo, o médico é apenas um vizinho, mas Paulina o reconhece, através da voz, como o homem que a torturou e violentou durante seu período na prisão (quando era mantida vendada). Disposta a arrancar dele a confissão por tal crime, Paulina o faz de refém e, ao som de "A morte e a donzela", de Schubert - trilha sonora de suas torturas - parte para a agressão física e verbal, pouco ligando para os protestos do marido, que, para sua surpresa, assume a defesa do possível torturador.
Assim como fez posteriormente em seus filmes "O deus da carnificina" e "A pele de Vênus", Roman Polanski não se intimida com a origem teatral de seu roteiro, concentrando-se totalmente nas emoções de seus personagens e atores. Em vez de tentar agilizar a trama com artifícios que certamente esvaziariam o tom dramático da trama, Polanski foca sua câmera nos olhos ora assustados ora raivosos de Sigourney Weaver, na tensão crescente de sua relação com aquele que ela considera seu maior inimigo e nas diversas nuances de seu relacionamento com o marido, que transita nervosamente entre o dever de manter-se neutro como manda a lei e a lealdade com a mulher que ama. Os inúmeros conflitos armados por Ariel Dorfman encontram eco em uma edição segura, que jamais derrapa para o melodrama e nas atuações fortes mas discretas do elenco. Apesar das raízes teatrais, nenhum dos três atores cai na armadilha do overacting, oferecendo performances sempre no tom exato - mérito da direção segura e sem floreios, que não faz concessões nem mesmo em seu final, ambíguo na medida certa.
Quando passou nos cinemas, na metade da década de 90, "A morte e a donzela" foi praticamente ignorado. Injustiça com o trabalho primoroso de Sigourney Weaver - mais uma vez provando que é uma grande atriz escondida atrás de uma personagem de ação marcante - e com uma das direções mais inspiradas de Roman Polanski, que menos de uma década depois ganharia o Oscar por seu mergulho no passado em "O pianista". É um filme que merece ser descoberto, principalmente por tocar em assuntos delicados sem utilizar-se de qualquer tipo de panfletarismo.
sexta-feira
ALIEN: A RESSURREIÇÃO
A maior tradição em relação à série de filmes "Alien" - iniciada em um longínquo 1979 - diz respeito a nunca repetir diretores, dando ao espectador visões diferentes dos roteiros, desde em seu clima até em suas resoluções dramáticas. Sendo assim, em 1997, o francês Jean-Pierre Jeunet - que, ao lado de Marc Caro havia presenteado a audiência com os visualmente belíssimos "Delicatessen" e "Ladrões de sonhos" - reuniu-se ao time que já contava com Ridley Scott, James Cameron e David Fincher. Com a árdua missão de recuperar os fãs perdidos com as ousadias de "Alien 3", Jeunet entregou ao público um filme que, se não chega a empolgar como os dois primeiros capítulos, ao menos é fiel ao estilo claustrofóbico de seu filme original.
A trama, mais uma vez, usa e abusa do escapismo e da criatividade para dar continuidade ao inesperado final do terceiro episódio, lançado em 1992. Nessa nova aventura, a Tenente Ripley (mais uma vez vivida por Sigourney Weaver) é ressuscitada através de um processo de clonagem e os cientistas responsáveis pelo feito conseguem tirar a Rainha Mãe dos alienígenas de dentro dela. Acontece que as coisas não são assim tão simples, e Ripley passa a apresentar algumas características do monstro, como força descomunal e um sangue ácido, devido à mistura de seus DNAS. Tudo se complica quando os alienígenas que estão sendo criados em cativeiro pelo ambicioso Dr. Jonathan Gediman (Brad Dourif) conseguem escapar e mais uma vez começam a atacar os humanos que estão dentro da nave espacial - dentre os quais um grupo de mercenários que inclui a misteriosa Call (Winona Ryder). Cabe mais uma vez à Ripley impedir que os seres cheguem à Terra, mas dessa vez ela tem sentimentos dúbios em relação a eles.

Não deixa de ser bastante esperto o artifício criado pelo roteirista Joss Whedon de mixar o sangue (e a personalidade) de Ripley com a raça alienígena que ela vem perseguindo há séculos (a trama começa 200 anos depois do fim do último filme). Ao unir a heroína da série a seu maior vilão de forma inexorável, a trama caminha para um desfecho onde tudo pode acontecer. Infelizmente Whedon não vai muito longe na ousadia, deixando a relação de Ripley com o alien esfriar da metade pro fim do filme, quando ele se transforma em mais um produto de ação estritamente comercial, com cenas milimetricamente calculadas para injetar adrenalina na plateia. Nesse ponto, diga-se de passagem, Jeunet não é tão feliz quanto foi James Cameron, que tem uma tendência bem mais explícita ao superespetáculo. Ainda assim, é bastante impressionante a sequência subaquática que apresenta já em sua reta final. O cineasta francês é um esteta de extremo bom-gosto (como fica claro com sua fotografia e sua caprichada direção de arte)e faz questão de mostrar essa sua faceta em planos bem desenhados. Infelizmente, o capricho visual não encontra eco na trama, que não desperta tanto interesse quanto seus primeiros dois capítulos.
Quanto ao elenco, é preciso que se louve mais uma vez a atuação de Sigourney Weaver, que consegue, novamente, dar nuances surpreendentes à sua Ripley. Winona Ryder está talvez no pior momento de sua carreira, fazendo caras e bocas com uma personagem chatinha e cuja existência se deve principalmente à tentativa do estúdio em arrecadar mais alguns milhares de dólares com a presença de uma atriz jovem e em ascensão como ela era à época do lançamento (e não deixa de ser um tanto forçada a relação entre sua Call e a protagonista, em cenas que foram vendidas como se tivessem um homoerotismo que não existe). Brad Dourif exagera novamente em seus trejeitos, dessa vez como uma nova versão de cientista louco e somente escapa do overacting geral (assim como Weaver, esteja bem claro).
No final das contas, "Alien: a ressurreição" vale por uma ou outra cena bem realizada e pela presença sempre forte de Sigourney Weaver. Jean-Pierre Jeunet ainda demoraria uns bons cinco anos para dar ao mundo sua obra-prima, "O fabuloso destino de Amélie Poulain".
TEMPESTADE DE GELO
Vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Cannes
Em 1995, o taiwanês Ang Lee surpreendeu a crítica ao fazer de "Razão e sensibilidade" a melhor adaptação para o cinema de um livro da escritora absolutamente inglesa Jane Austen. Em "Tempestade de gelo", seu projeto seguinte, ele continua a missão de penetrar em culturas diferentes da sua: é difícil acreditar em um filme tão tipicamente americano quanto sua brilhante visão do romance de Rick Moody. Mergulhando sem medo no âmago de duas famílias do interior do país em plena efervescência cultural e sexual dos anos 70, Lee entrega ao público um estudo delicado e cortante sobre as relações familiares. É triste e melancólico, mas é também mais uma obra-prima com sua assinatura.
É véspera do dia de Ação de Graças de 1973. O escândalo Watergate está no auge e os costumes sexuais e comportamentais estão em ebulição, mesmo em uma pequena cidade do interior de Connecticut chama Nova Canaan. É para lá que Paul Hood (Tobey Maguire) está retornando, para passar o feriado com a família. Seus pais, Ben (Kevin Kline) e Elena (Joan Allen) estão passando por uma crise no casamento, agravada pelo tédio e pelo caso secreto dele com Janey Carver (Sigourney Weaver), uma amiga do casal. A irmã de Paul, Wendy (Christina Ricci), por sua vez, experimenta o início de sua sexualidade brincando com os dois filhos de Janey, o tímido Mikey (Elijah Wood) e o desajeitado Sandy (Adam Hann-Byrd). Apesar da proximidade física, porém, existe um enorme distanciamento emocional entre todos eles.
A frieza nas relações interpessoais que Rick Moody criou em seu livro - e que foi retratada com perfeição pelo roteiro de James Schamus - encontra na inteligência e na sutileza de Ang Lee seu diretor ideal. Pródigo em dar tintas leves e discretas a dramas particulares, Lee conta a história das famílias Hood e Carver sem pressa, dando atenção a pequenos detalhes, como olhares tristes, suspiros disfarçados e atos desesperados. Os silêncios entre Elena e Ben dizem muito mais sobre os escombros de seu casamento do que as escapadas sexuais que ele dá com Jayne, uma mulher insatisfeita com a própria vida e que vê no seu caso extra-conjugal uma forma de escapar da monotonia. Jayne mal presta atenção nos filhos, que por sua vez não são capazes nem ao menos de perceber que seu pai saiu em viagem. Wendy é uma jovem um tanto desajustada, com forte visão política mas que é incapaz de lidar saudavelmente com seus instintos. E Paul, como alguém à parte de seu núcleo familiar, busca seu lugar no mundo sem sequer desconfiar do caos que reina em sua casa.
O gelo é uma imagem recorrente no filme de Lee. Volta e meia cubos de gelo invadem a tela, seja nas cozinhas suburbanas das personagens, no formato da casa de Jayne e principalmente na tempestade que dá nome ao filme e que origina uma tragédia que transforma definitivamente a vida de todos. A falta de calor humano entre maridos e mulheres e entre pais e filhos é o ponto central de "Tempestade de gelo", mas sua maior qualidade é justamente evitar cenas lacrimosas ou diálogos clichês. Como já dito, os silêncios na mesa dos Hood ou no relacionamento entre os Carver são mais eloquentes do que catarses emocionais repletas de choro e gritos. E é brilhante, dentro desse universo de coisas não ditas, a cena em que Ben carrega a filha Wendy nos braços, depois de flagrá-la em uma situação comprometedora com Mikey. Mesmo sem muitas falas, Kevin Kline e Christina Ricci transmitem toda a vastidão de sentimentos que a cena exige. Emocionar-se é mandatório!
Aliás, o elenco de "Tempestade de gelo" é dos melhores que Hollywood pode oferecer. Kevin Kline e Joan Allen estão fabulosos como um casal cuja falta de emoção os empurra em direção ao afastamento gradual. Sigourney Weaver, linda e sexy, tem sua melhor atuação como uma enfastiada esposa de classe média que busca em aventuras sexuais um motivo para passar seus dias iguais. E Christina Ricci demonstra que seu talento não ficou restrito às comédias que fez na infância, construindo uma Wendy que lida com sua sexualidade nascente de forma quieta mas agressiva. Somadas à fotografia - também gélida, de Frederick Elmes - e à trilha sonora poderosa de Mychael Danna, as interpretações do elenco elevam "Tempestade de gelo" a um patamar muito acima do corriqueiro. É um filme americano, que atinge a essência das famílias americanas e dos problemas americanos... mas tem cara e qualidade de cinema europeu. Simplesmente ignorado pelo Oscar e outras premiações menos conhecidas, é um filme extraordinariamente forte e emocionante, que merece ser descoberto e louvado.
domingo
COPYCAT, A VIDA IMITA A MORTE
O mais curioso em se assistir a "Copycat, a vida imita a morte" nem é o fato de Sigourney Weaver interpretar, do alto de seu 1,80m, uma mulher frágil e indefesa. O que foge do comum no filme de Jon Amiel - uma trama policial abertamente com pretensões puramente comerciais - é a presença de Holly Hunter, uma atriz acostumada a estar nos créditos de filmes independentes e vencedora do Oscar e da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Liderando o elenco de um produto derivativo - ainda que razoavelmente interessante em alguns momentos - as duas atrizes, donas de talentos inquestionáveis, são a principal razão de ser do filme do mesmo diretor do romântico "Sommersby, o retorno de um estranho".
Helen Hudson (Sigourney Weaver) é uma especialista em traçar perfis psicológicos de serial killers que, atacada por um deles, Darryll Lee Cullum (Harry Connick Jr.), fica traumatizada a ponto de isolar-se dentro de seu apartamento. Sofrendo de agorafobia - medo patológico de sair à rua - ela utiliza a Internet para ter contato com o mundo exterior, mas sem esperar, mais de um ano depois de ter sofrido o ataque ela se vê novamente envolvida com a polícia. Procurada pela detetive M.J. Monahan (Holly Hunter) e seu parceiro Reuben Goetz (Dermot Mulroney), ela fica sabendo que um psicopata anda fazendo suas vítimas de forma a imitar assassinos famosos, como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, o Filho de Sam e o Zodíaco. O próprio criminoso, através de emails e bilhetes, convida Helen a unir-se a seu jogo macabro.
Apesar de bastante correto, "Copycat" carece basicamente de ousadia, um fator que transformou seu contemporâneo "Seven, os sete crimes capitais" em um dos maiores êxitos do gênero. A direção de Amiel é burocrática, mas a culpa também é do roteiro, indeciso entre contar uma história policial nos moldes clássicos - com um clímax derivativo e sem grandes emoções - ou investigar a personalidade do vilão (vivido sem chame por William McNamara). Todas as cenas em que Hudson e Monahan dão passos em direção a solucionar o crime - através do estudo dos crimes do passado - são extremamente envolventes, embarcando a audiência em uma viagem por dentro dos meandros de uma caçada policial. Quando o filme se dedica a cenas de ação, no entanto, ele perde seu diferencial e une-se à vala comum das produções do estilo. Nem mesmo existe tensão o suficiente nos ataques do criminoso: Amiel deveria espelhar-se em Hitchcock, David Fincher e até no Jonathan Demme de "O silêncio dos inocentes" para criar o envolvimento do público. Aqui, essas sequências servem apenas para desviar a atenção do que é realmente empolgante.
Mas realmente é o elenco que transforma a experiência de se assistir a "Copycat" em algo mais do que um Supercine. Tanto Weaver quanto Hunter dão o máximo em suas atuações, ainda que suas personagens - mesmo a torturada criminologista de Weaver - não lhe deem muito material sobre o qual trabalhar. E não há dúvida de que insinuar um interesse romântico entre Helen e o policial Reuben é completamente desnecessário e improvável. Quem se sai melhor de toda a confusão é, por incrível que pareça, o cantor/ator Harry Connick Jr., que, mesmo em poucas aparições, rouba a cena descaradamente.
"Copycat" é um bom filme, mas que não é muito diferente de dezenas de outros similares. Não fosse seu elenco classe A estaria relegado a ser apenas mais um dos produtos a ser exibidos semanalmente nas televisões abertas.
quinta-feira
ALIEN 3
Indicado ao Oscar de Efeitos Visuais
Depois que James Cameron continou o tenso "Alien, o oitavo passageiro" com o espetaculoso e adrenalínico "Aliens, o resgate", era bastante esperado o retorno da Tenente Ripley em sua tentativa de exterminar o alienígena que aniquilou sua equipe inteira nos dois primeiros filmes. Depois de anos de negociações - em que estrela da série, Sigourney Weaver hesitava em voltar à personagem - finalmente o terceiro capítulo chegou às telas, dirigido por David Fincher, um novato que tinha no currículo alguns dos melhores videoclipes de Madonna e George Michael, por exemplo. Ao optar pelo caminho claustrofóbico do primeiro em detrimento da ação desenfreada do segundo, Fincher arrumou detratores furiosos. Depois de brigas homéricas com os produtores, o cineasta não supervisionou a edição final e "Alien 3" chegou às telas quase órfão. O resultado é visível: apesar de muitas boas ideias, a terceira parte da saga de Ripley não empolgou nem o público nem a crítica. Mas não é tão ruim quanto se falou à época de seu lançamento.
A história dessa nova aventura começa logo após o final do segundo filme. Sem saber que não está a salvo da ameaça alienígena dos capítulos anteriores, Ripley acorda em Fiorina 161, um planeta-prisão, onde ficam encarcerados prisioneiros sexualmente agressivos e violentos. Informada por Clemens (Charles Dance), o médico local, de que toda sua tripulação morreu, ela imediatamente percebe que tudo está para acontecer novamente. Única mulher em meio a homens carregados de testosterona, ela precisa convencê-los do perigo que correm, proteger-se deles e lutar, mais uma vez, para matar seu inimigo. Dessa vez, no entanto, ela não tem nenhuma arma.
Com a cabeça raspada - o presídio está passando por uma epidemia de piolhos - Sigourney Weaver segura, novamente, toda a responsabilidade de carregar o filme nas costas. Ao contrário das ocasiões anteriores, porém, dessa vez Ripley tem mais cenas dramáticas do que de ação, consequência da opção de David Fincher em privilegiar o aspecto mais tenso da trama. Até mesmo um arremedo de romance surge entre Ripley e Clemens, ousadia que pegou os fãs de surpresa - ainda que tudo seja extremamente discreto. E discreto também é o ritmo do filme: demora quase uma hora para que a ação realmente comece e o sangue jorre em Fiorina 161. Na verdade, a lentidão é parte da personalidade do filme, que prefere estabelecer sua história antes da violência. Pouca gente compreendeu isso e se recusou a perceber suas qualidades.
Sim, apesar da gritaria contra si - e da saída de David Fincher do projeto em seu estágio de finalização - "Alien 3" tem qualidades. A ousadia talvez seja a maior delas. Ao praticamente lutar por suas ideias e com isso renegar a receita que estava fazendo sucesso há quinze anos, David Fincher começou uma carreira marcada pela personalidade. Visualmente impecável - a fotografia escura e pesada unida à agressividade estética das personagens - o filme de Fincher transmite a exata sensação de claustrofobia pretendida e, se não busca atingir seu público com efeitos visuais exagerados, tenta (às vezes com sucesso, outras nem tanto) assustar sem apelar para o fácil e o corriqueiro. Talvez por isso tenha afastado a audiência fiel das primeiras partes.
Tudo bem que "Alien 3" não passa a sensação de terror do primeiro nem empolga em termos de aventura do segundo. Tudo bem também que seu terço final não acrescenta muito à saga - apesar de antes de chegar a ele algumas cenas sejam sensacionais. E tudo bem que não ver Ripley empunhando armas é um tanto frustrante. Mas, mesmo que seja rejeitado por David Fincher, é um exemplar bastante - BASTANTE! - decente da série. Digam o que quiserem, "Alien 3" me agrada.
sexta-feira
UMA SECRETÁRIA DE FUTURO
UMA SECRETÁRIA DE FUTURO (Working girl, 1988, 20th Century Fox, 113min) Direção: Mike Nichols. Roteiro: Kevin Wade. Fotografia: Michael Ballhaus. Montagem: Sam O'Steen. Figurino: Ann Roth. Direção de arte/cenários: Patrizia Von Brandenstein/George DeTitta. Casting: Juliet Taylor. Produção executiva: Robert Greenhut, Laurence Mark. Produção: Douglas Wick. Elenco: Melanie Griffith, Harrison Ford, Sigourney Weaver, Joan Cusack, Alec Baldwin, Kevin Spacey, Philip Bosco, Oliver Platt, Olympia Dukakis, David Duchovny. Estreia: 20/12/88
6 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Mike Nichols), Atriz (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Joan Cusack, Sigourney Weaver), Canção ("Let the river run")
Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original ("Let the river run")
Vencedor de 4 Golden Globes: Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz Comédia/Musical (Melanie Griffith), Atriz Coadjuvante (Sigourney Weaver), Canção Original ("Let the river run")
Tess McGill é uma trintona que mora em Nova Jersey e trabalha como secretária na ilha de Manhattan. Com dificuldades de manter-se nos empregos que arruma, ela vive um romance fogo brando com o seu eterno namorado Mick (Alec Baldwin) e passa suas noites frequentando festinhas suburbanas ao lado da melhor amiga, Cyn (Joan Cusack). No entanto, sua sorte muda quando ela começa a trabalhar no escritório de Kathryn Parker (Sigourney Weaver), que divide com ela a ambição de subir na vida. Tess McGill não é um exemplo ético. Tess McGill é a protagonista de "Uma secretária de futuro", a mais bem-sucedida comédia romântica do diretor Mike Nichols desde "A primeira noite de um homem". Cotada para ser vivida por Michelle Pfeiffer, Geena Davis, Carrie Fisher, Kim Basinger, Kathleen Turner, Debra Winger, Diane Lane e Sarah Jessica Parker, ela acabou nas mãos de Melanie Griffith, que aproveitou a chance com tudo e acabou finalista ao Oscar de melhor atriz.
Quando "Uma secretária de futuro" começa, Tess McGill está saindo de um emprego insatisfatório e começando a trabalhar como secretária de Kathryn, uma mulher linda e bem-sucedida que não hesita em roubar descaradamente uma ideia de Tess, envolvendo a compra de uma emissora de rádio. Ao descobrir a traição da chefe - quando ela fica fora da cidade devido a um acidente de esqui - a ambiciosa secretária resolve dar a volta por cima. Passando-se por executiva, ela conta com a ajuda do atraente Jack Trainer(Harrison Ford) para conquistar seu lugar ao sol. Sua farsa, no entanto, corre o risco de ser desmascarada quando ela descobre que justamente que o homem por quem está perdidamente apaixonada é também amante de sua patroa.

"Uma secretária de futuro" não é exatamente um filme brilhante, como alguns dos filmes assinados por Mike Nichols (em especial "A primeira noite" e "Closer, perto demais"). Mas tem um charme oitentista que conquista desde os créditos de abertura (ao som da canção de Carly Simon vencedora do Oscar) até o visual exagerado tanto da protagonista em suas primeiras cenas quanto das coadjuvantes - é engraçado reparar na clara divisão entre o kitsch anos 80 do figurino e dos penteados das suburbanas secretárias e do requinte clean da classe "superior". Sigourney Weaver, em especial, esbanja beleza e classe, metida em vestidos caríssimos e vivendo em um apartamento chique, enquanto Tess e suas amigas habitam um mundo quase escuro - matizado apenas pela maquiagem sempre acima do básico.
"Uma secretária de futuro" é também o auge da carreira de Melanie Griffith, uma atriz sem maiores talentos dramáticos que, depois de uma vida regada a drogas e álcool, se reergueu artisticamente aqui. Depois de algumas escolhas equivocadas posteriores - a saber "A fogueira das vaidades", de Brian de Palma e "Uma luz na escuridão", ao lado de Michael Douglas - ela voltou a seu quase anonimato, sendo notícia quase sempre devido a seu casamento com o ator espanhol Antonio Banderas. Na pele de Tess, no entanto, Griffith - filha da atriz Tippi Hedren, de "Os pássaros" - brilha, em uma atuação discreta, eficiente e envolvente. Por incrível que pareça é ela que dá luz ao filme, mesmo dividindo cenas com as sensacionais Weaver e Joan Cusack - ambas indicadas ao Oscar de coadjuvante.
"Uma secretária de futuro" é a cara de seu tempo, pro bem e pro mal. Lançado em um momento em que as mulheres buscavam desesperadamente seu espaço no mercado de trabalho e o movimento yuppie estava em seu apogeu - é dessa época a famosa frase de Gordon Gekko em "Wall Street" que dizia que "ganância é bom!" -, foi o filme certo no momento certo. Daí talvez sua reputação um tanto exagerada - inclusive como finalista ao Oscar de melhor filme. É uma comédia romântica interessante - ainda que não seja exatamente uma comédia rasgada - e que retrata com ironia e condescendência um importante momento social e econômico americano, sem apelar para lições de moral. Divertido e simpático! O que mais se espera de um filme assim?
PS - E de quebra, "Uma secretária de futuro" conta com uma participação pequena de Kevin Spacey, no início de uma brilhante carreira.
quinta-feira
ALIENS, O RESGATE
ALIENS, O RESGATE (Aliens, 1986, 20th Century Fox, 137min) Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, história de James Cameron, David Giler e Walter Hill, personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett. Fotografia: Adrian Biddle. Montagem: Ray Lovejoy. Música: James Horner. Figurino: Emma Porteous. Direção de arte/cenários: Peter Lamont/Crispian Sallis. Produção executiva: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Produção: Gale Anne Hurd. Elenco: Sigourney Weaver, Carrie Henn, Michael Biehn, Lance Henriksen, Paul Reiser, Bill Paxton, William Hoppe. Estreia: 18/7/86
7 indicações ao Oscar: Atriz (Sigourney Weaver), Montagem, Trilha Sonora, Direção de arte, Som, Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais
Vencedor de 2 Oscar: Efeitos Sonoros, Efeitos Visuais
Em 1979, o filme "Alien, o oitavo passageiro" empolgou plateias do mundo inteiro ao misturar com equilíbrio perfeito elementos de ficção científica com ingredientes de filmes de terror. O resultado foi uma bilheteria espantosa, sucesso de crítica e um inevitável segundo capítulo. Dirigida por James Cameron - vindo do grande êxito de "O exterminador do futuro" - , a continuação do filme de Ridley Scott abandonou a sensação claustrofóbica do original, substituindo-a pelas melhores cenas de ação que o dinheiro poderia comprar. Perdeu em tensão, mas ganhou em adrenalina. Os fãs do gênero formaram filas enormes, profundamente satisfeitos.
A trama desse segundo filme se passa cerca de 50 anos depois dos acontecimentos que levaram a Tenente Ripley (Sigourney Weaver) a testemunhar a aniquilação de seus companheiros de tripulação por um alienígena truculento e aparentemente invencível. Encontrada por uma nave de resgate, logo ela fica sabendo que o planeta que originou o monstro está colonizada pela Terra e, quando todo e qualquer contato com os humanos que o habitam é perdido, ela é enviada para descobrir o que aconteceu e, se for necessário, exterminar os algozes dos colonizadores.
Tudo em "Aliens, o resgate", é grande. A duração (mais de duas horas), os efeitos visuais, a violência. Navegando tranquilamente em sua tradicional mania de grandeza, Cameron oferece ao espectador um verdadeiro espetáculo de entretenimento. Seguindo a linha oposta ao trabalho de Ridley Scott - que optou pela sugestão em detrimento do explícito - o futuro vencedor do Oscar por "Titanic" não tem medo de orquestrar sequências de ação eletrizantes e de apavorar o público com criaturas asquerosas em número suficiente para justificar o Oscar de efeitos visuais que acabou conquistando. E além de tudo ainda encontra tempo para sentimentalismos, ao criar uma personagem que dá a Ripley um lado humano que lhe cai muito bem: uma menina órfã que vê na protagonista a figura materna que necessita para manter-se viva e amada.
É fato notável que a relação entre Ripley e sua pequena "filha" dá um gás novo e uma nuance inesperada que permite a "Aliens, o resgate" fugir da maldição das continuações. Humanizar Ripley foi um golpe de mestre de Cameron, que a aproxima mais da plateia antes de fazê-la barbarizar seus antagonistas, além, é claro, de permitir a Sigourney Weaver maiores vôos dramáticos de atuação - não à toa, ela foi surpreendentemente indicada ao Oscar por seu trabalho em um gênero que normalmente não é muito afeito a dramas pessoais.
"Aliens, o resgate" é o mais bem-sucedido comercialmente da série lançada em 1979, mas fica aquém do original no quesito suspense. É um extraordinário filme de ação, realizado com uma competência assustadora e talentos criativos inegáveis, que deixaria o mundo com água na boca, esperando um terceiro capítulo que, lançado em 1992, decepcionou público e crítica mesmo voltando às origens claustrofóbicas de sua origem.
terça-feira
ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO
ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (Alien, 1979, 20th Century Fox, 117min) Direção: Ridley Scott. Roteiro: Dan O'Bannon, estória de Dan O'Bannon e Ronald Shusett. Fotografia: Derek Vanlint. Montagem: Terry Rawlings, Peter Weatherley. Música: Jerry Goldsmith. Figurino: John Mollo. Direção de arte/cenários: Michael Seymour/Ian Whittaker. Produção executiva: Ronald Shusett. Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill. Elenco: Tom Skerrit, Sigourney Weaver, Ian Holm, John Hurt, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, Yaphet Kotto. Estreia: 25/5/79
2 indicações ao Oscar: Direção de arte, Efeitos Visuais
Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais
"Do espaço, ninguém pode ouvir você gritar!" Com esse slogan de efeito chegava às telas americanas, em maio de 1979, um filme que iria revolucionar a ficção científica, influenciando todas as posteriores produções do gênero - além de gerar, até agora, três sequências com diretores diferentes e resultados finais variados. Acrescentando elementos de suspense e terror aos tradicionais elementos que o gênero normalmente apresentava, "Alien, o oitavo passageiro", de Ridley Scott virou referência obrigatória. E prova, mais uma vez que os filmes originais são, via de regra, superiores a suas continuações.
A trama de Scott (substituindo o diretor original Walter Hill, que assumiu a produção do filme) se passa dentro da nave comercial Nostromo, que, a caminho de volta à Terra se vê compelida a investigar um pedido de SOS vindo de um planeta próximo à sua rota. Liderados por Dallas (Tom Skerrit), a tripulação de sete integrantes leva um susto quando uma forma de vida desconhecida ataca um de seus colegas, Kane (John Hurt), grudando-se em seu capacete. Ao ser examinado pelo cientista da equipe, Ash (Ian Holm), Kane é morto pelo invasor, que mistura-se às engrenagens da nave, aumentando assustadoramente de tamanho. Conforme todos os membros da tripulação começam a ser aniquilados pelo alien, resta à Tenente Ripley (Sigourney Weaver) lutar pela sua sobrevivência e pela destruição do monstro.
Grande sucesso de bilheteria em 1979, "Alien" deu à novata Sigourney Weaver a chance de sua carreira. Comparada com Jane Fonda pelos sortudos que assistiram a seu teste, ela ficou com o papel central - que era masculino nos primórdios do roteiro e que chegou a ser confirmado como sendo de Veronica Cartwright antes das filmagens - e tornou-se a heroína mais conhecida do cinema de ação hollywoodiano. Dona de um rosto de traços marcantes e exalando uma personalidade forte e corajosa - sem nunca deixar de lado as qualidades que a fazem ser também uma mulher - Weaver empresta à Ripley tudo que é necessário para convencer a plateia a ser seu cúmplice. E de certa forma isso é preciso, pois, apesar da truculência e da crueldade de seu rival, poucas vezes Hollywood construiu um vilão tão à altura dos mocinhos quanto o monstro criado pela imaginação de Dan O'Bannon e pelo talento visual de Carlo Rambaldi.
A equipe de Rambaldi levou o Oscar de efeitos especiais pela criação de seu alien, um monstro quase amorfo que é capaz de fundir-se à nave espacial que invade, sangra ácido e é dono de uma violência sem precedentes. O visual da criatura, que foi ficando maior e mais sofisticado conforme os anos iam passando e a série ia tornando-se mais e mais generosa em termos de orçamento, virou espécie de referência para qualquer ficção científica que se preze e é impossível, hoje em dia, tirar da cabeça sua forma assustadora e ameaçadora.
Ao contrário de sua primeira continuação, dirigida por James Cameron em 1986, que transformava a luta da Tenente Ripley em super-espetáculo, o primeiro capítulo da série opta pelo caminho menos fácil. É somente depois de seis silenciosos minutos que começamos a entender o que é a Nostromo, quem são seus tripulantes e passamos a saber mais sobre suas personalidades. É somente depois do primeiro ataque do monstro que ficamos sabendo que Ash não era o cientista original do grupo, que Dallas e Ripley tem uma relação a mais (a cena de sexo entre os dois foi escrita mas nunca filmada) e que a "Mãe" (computador que passa as coordenadas a serem seguidas) tem ideias diferentes a respeito da manutenção do alienígena dentro da nave. Ridley Scott leva tempo antes de começar a matança, extraindo o possível de cada cena, de cada clima, de cada personagem. E quando o suspense realmente começa, é impossível ficar tranquilo.
Mesmo depois de se assistir a "Alien" inúmeras vezes ainda é interessante perceber como Ridley Scott (que meros 3 anos depois legaria ao mundo o sensacional "Blade Runner") tem o dom de levar o espectador para onde ele quer. Apesar dos termos técnicos utilizados em alguns momentos do longa (problema inevitável em filmes do estilo) o público é seduzido logo de cara pelo intrigante roteiro, pela fotografia claustrofóbica e pela trilha sonora angustiante do mestre Jerry Goldsmith. Não bastasse tudo isso, a plateia ainda leva uma boa meia dúzia de sustos e fica o filme todo na ponta da cadeira. Precisa mais de um filme de terror?
Por mais que os filmes de James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet (todos cineastas criativos, inteligentes e talentosos) tenham cada um uma assinatura diferente e por conseguinte objetivos diversos, ainda é o escuro e apavorante primeiro capítulo de Ridley Scott que mantém a série "Alien" acima de qualquer suspeita.
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