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CORAGEM SOB FOGO

CORAGEM SOB FOGO (Courage under fire, 1996, Fox 2000 Pictures, 117min) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Patrick Sheane Duncan. Fotografia: Roger Deakins. Montagem: Steven Rosenlblum. Música: James Horner. Figurino: Francine Jamison-Tanchuck. Direção de arte/cenários: John Graysmark/Rick Gentz. Produção executiva: Joseph M. Caracciolo, Debra Martin Chase. Produção: John Davis, David T. Friendly, Joseph M. Singer. Elenco: Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips, Michael Moriarty, Matt Damon, Zeljko Ivanek, Sean Astin, Sean Patrick Thomas. Estreia: 12/7/96

O primeiro filme de um grande estúdio hollywoodiano a respeito do conflito do Iraque não foi uma obra exatamente do gênero que todos poderiam esperar. Ao contrário de um convencional filme de guerra, "Coragem sob fogo", dirigido pelo competente Edward Zwick, é um drama sobre pessoas, acima de qualquer outra coisa. Mesmo contando com algumas sequências que retratam com bastante fidelidade as batalhas travadas entre americanos e iraquianos, o cerne do roteiro de Patrick Sheane Duncan - autor do script de "Mr. Holland, adorável professor" - é a dificulade do Tenente Nat Serling (Denzel Washington) em lidar com uma tragédia ocorrida em combate ao mesmo tempo que investiga a verdade sobre a morte da primeira oficial norte-americana cotada para uma Medalha de Honra do exército.

Seguindo a estrutura do clássico "Rashomon", de Akira Kurosawa, "Coragem sob fogo" começa quando o Tenente Serling, por engano, vitima alguns colegas durante uma batalha no deserto. Extremamente abalado pelo trágico acontecimento, ele recebe a missão de apurar as circunstâncias da morte de Karen Walden (Meg Ryan), uma capitã que morreu depois de ter salvo a vida de soldados ameaçados pelos inimigos. Indicada para receber a maior homenagem do exército americano, ela torna-se objeto de uma dedicada investigação por parte do oficial em crise de consciência. Serling acaba se vendo diante de subordinados de Walden contando histórias diferentes da morte de sua líder: enquanto o jovem Ilario (Matt Damon, quase vinte quilos mais magro do que o normal) a considera uma mulher corajosa e heróica, o rebelde Monfriez (Lou Diamond Phillips, de "La Bamba") a vê como uma covarde que arriscou a vida de seu pelotão. Cabe a Sterling definir o que é verdade e o que não é.



"Coragem sob fogo" estreou nos EUA cercado de muita expectativa e um burburinho que o classificava como o primeiro filme do ano "com cara de Oscar". No entanto, fazendo um sucesso apenas relativo nas bilheterias, acabou sendo ignorado em todas as cerimônias importantes. Antes que seja taxado de injustiçado, porém, é preciso que se tenha a frieza de perceber que, apesar dos talentos envolvidos e do tema momentoso, é um filme que fica longe de ser tão empolgante quanto promete. Longe de ser ruim - tem qualidades gritantes, tanto técnica quanto artisticamente - também não consegue impressionar sua audiência, ao contrário do filme anterior do cineasta, o dramaticamente superior "Lendas da paixão".

Talvez o maior problema no roteiro de "Coragem sob fogo" seja a decisão de contar duas histórias simultaneamente. Provavelmente para não deixar que Denzel Washington fosse apenas um coadjuvante da trama bem mais interessante que cerca a morte de Karen Walden, inventaram para sua personagem uma tragédia inicial que pouco acrescenta ao resultado final. Já iniciando sua fase de ser mais Denzel Washington do que qualquer personagem, o oscarizado ator mesmo assim tem pouco a fazer, sendo eclipsado pelo elenco coadjuvante. Se Matt Damon pouco foi percebido pela crítica por seu belo trabalho - mas não por Francis Ford Coppola, que o escalou para "O homem que fazia chover" - toda a mídia não se furtou a tecer loas encantadas com a atuação de Lou Diamond Phillips, como o quase psicótico soldado Monfriez. Os elogios a Phillips não foram exagerados: sua interpretação é forte, com uma potência dramática que se avoluma a cada cena, até explodir em uma climática sequência que esclarece todas as dúvidas - tanto do Tenente Serling quanto da audiência.

Mas é inegável que o grande diferencial de "Coragem sob fogo" - além de ter inaugurado o filão de filmes sobre o Iraque - é a escalação de Meg Ryan para o papel crucial da Capitã Karen Walden. Conhecida do grande público por seus papéis de mocinha em comédias românticas como "Sintonia de amor", Ryan tentou uma guinada na carreira, na pele de uma complexa líder militar. Não apenas por ser uma soldada - com toda a preparação física que o papel exige - Karen Walden proporcionou a ela a chance de mostrar todas as nuances de seu trabalho. Nem sempre ela consegue, mas é bem sucedida ao fazer com que todos esqueçam que ela é a mesma atriz responsável pelo orgasmo falso mais conhecida da história do cinema, em "Harry & Sally, feitos um para o outro". Esforçada, ela não tem culpa se o roteiro não explora a contento todas as probabilidades que poderia.

Fotografado com maestria por Roger Deakins - um dos melhores profissionais em sua área - e editado com competência ímpar (além de utilizar os efeitos de som com inteligência), "Coragem sob fogo" é um filme que prende a atenção do espectador até seus momentos finais, podendo até mesmo surpreendê-lo com suas viradas. Não é um petardo como "O resgate do soldado Ryan", por exemplo, mas é um filme que reitera o talento de Edward Zwick em transitar entre diversos gêneros sem nunca perder a elegância.

Um comentário:

Silvano Vianna disse...

Achei esse filme bem razoável...ficou com o gosto que poderia ter sido muito melhor.

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